Montagem de chapa de Skaf ao governo de SP reúne bloco de esquerda e Maluf

Anna Carolina Negri/Valor

Paulo Skaf: presidente da Fiesp pode dispor de sete minutos na televisão para expor discurso de união entre capital e trabalho no enfrentamento da crise

 

Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, empresário ligado ao setor têxtil, tem mantido conversas com o chamado bloco de esquerda formado por PDT, PSB e PCdoB, para viabilizar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo em 2010. A ideia é que ele se filie até maio ao PSB e que a possível chapa contenha ainda o PR e o PP, somando, assim, cerca de sete minutos no horário eleitoral gratuito.

Na formulação da chapa, a vice ficaria com o deputado em terceiro mandato Milton Monti (PR-SP), economista que foi secretário estadual de Relações do Trabalho no governo Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1994). Ex-prefeito de São Manuel, pequeno município paulista a 272 km a noroeste da capital paulista, sua entrada daria o viés interiorano à composição. A vaga para o Senado seria do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). Uma pesquisa Vox Populi para testar os nomes já está em negociação.

O deputado federal Paulo Maluf, presidente do PP paulista, e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, participam diretamente da negociação, além do próprio Paulinho, e do deputado federal e presidente do PSB paulista, Márcio França, que é muito próximo de Skaf.

Em um provável cenário em São Paulo com políticos não tão conhecidos do eleitorado, à exceção do ex-governador Geraldo Alckmin, a aposta é que a constante exposição de Skaf à mídia nos últimos seis anos seja um diferencial, junto com um discurso de capital e trabalho unidos pelo desenvolvimento. Os ideários da composição entre de empresário com sindicalista inspiram-se na chapa que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice e o fundador da Coteminas, José Alencar. Até o marqueteiro que fez vitoriosa essa dupla em 2002 é cogitado para a provável chapa: Duda Mendonça.

Os tucanos, embalados na máquina estadual desde 1995, viriam favoritos para a disputa, dentro de uma aliança com seis partidos (PMDB, PTB, PPS, PV, PPS, PSDB), mais de dez minutos de horário eleitoral e cerca de 450 das 645 prefeituras do interior. Embora Alckmin pareça ser o candidato eleitoralmente mais forte, o governador de São Paulo, José Serra, tem preferência por seu secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. A última eleição majoritária que disputou foi em 1992, para a Prefeitura de São Paulo, onde, mesmo com apoio do então governador Fleury, não foi ao segundo turno.

A avaliação do bloquinho é de que haverá em 2010 espaço para neófitos na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, na medida em que o Estado se divide basicamente entre petistas e anti-petistas. Com a composição, Skaf poderia se fortalecer sendo uma terceira via e incorporando votos dos dois lados.

Uma aliança que inclui o PT não é descartada pelo bloquinho, mas os petistas descartam a ideia. Não cogitam ceder espaço no maior colégio eleitoral do país nem tampouco compor com Skaf, um crítico constante do governo Lula que notabilizou-se no embate pelo fim da CPMF e pela queda de juros. Nas palavras de um integrante da cúpula petista, “esperava-se uma postura diferente dele em relação ao governo”. Na legenda, a disputa deve ficar entre os deputados federais Arlindo Chinaglia e Antonio Palocci. Entretanto, caso prospere uma aliança bloquinho, Skaf, PP e PR, o tempo de propaganda eleitoral gratuita do PT será o menor.

Oficialmente, a Fiesp informa que muitos partidos procuram o empresário. As incursões políticas de empresários ligados a Fiesp têm sido discreta nos últimos anos.

O último de seus presidentes a ingressar na política foi Carlos Eduardo Moreira Ferreira, eleito deputado federal em 1998 pelo então PFL, hoje DEM. Com uma campanha tendo por mote “Produção, Emprego e Educação”, obteve 91.194 votos em 520 municípios. Quatro anos depois, frustrado com a atividade política, por não conseguir emplacar as reformas tributária, trabalhista e política, desistiu de tentar a reeleição. “Jogar para a plateia é outra característica marcante da política nacional, à qual é extremamente difícil para alguém proveniente do meio empresarial se adaptar”, escreveu em sua justificativa pela desistência de tentar um novo mandato.

O adversário de Moreira Ferreira pela presidência da Fiesp em 1992, Emerson Kapaz, foi secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do governo Mário Covas antes de se eleger deputado federal pelo PSDB em 1998. Deixou o partido para tentar a candidatura a Prefeitura de São Paulo pelo PPS em 2000, disputa em que acabou como vice da candidatura Luiza Erundina (PSB). Foi reeleito deputado federal em 2002, mas iniciava a função de arrecadador da campanha de Alckmin à Presidência em 2006 quando acabou envolvido no escândalo das sanguessugas, deixando a política. Em um seminário do PPS em 2007, disse que “a política já não faz mais diferença no Brasil”.

À margem das urnas, Pedro Piva, pai do ex-presidente da Fiesp Horácio Lafer Piva, foi o último empresário ligado à instituição a exercer mandato majoritário por São Paulo. Financiador de campanha e suplente do então senador José Serra (PSDB), eleito em 1994, ocupou sua cadeira durante quase todos os oito anos do mandato, do qual o atual governador paulista ausentou-se para ocupar, consecutivamente, dois ministérios no governo Fernando Henrique Cardoso, Planejamento e Saúde.

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5 COMENTÁRIOS PARA "Montagem de chapa de Skaf ao governo de SP reúne bloco de esquerda e Maluf":

Comentado por Tony José em 20/02/2009 - 11:49h:

Tai, um bom candidato, conhece, sabe administrar, tem jogo de cintura, uma figura nova, vale a pena apostar.

Comentado por Jordam Godinho em 20/02/2009 - 12:14h:

Agora fica claro o projeto de Skaf desvandado pela matéria, agora é a hora de mostrar quem é Paulo Skaf, o homem que defende a politica neoliberal e que não é diferente dos DEMO/TUCANOS, é a cópia fiel deles, mas com o ingrediente de conseguir posições dentro de uma outra situação, alavancar o nome para estar nas estruturas de governo.
Agora fico pensando LUIZA ERUNDINA um marco de mulher na politica aceita esta condição? e o PCdoB que tem Aldo Rebelo e Jamil Murad como referencias além claro dos outros tantos camaradas copententissimos, como fica isso, não vejo vingar este projeto por parte destes partidos e se for para frente que ERUNDINA saia deste partido sim, pois Marcio França sempre teve um discurso em cima do muro mas o PCdoB me surpreende.

Comentado por e.marcondes em 20/02/2009 - 21:31h:

De novo o Sr. Skaf não tem nada. Aliás os tucanos estão no poder há tantos anos, que inventarão qualquer coisa para continuar fazendo nada, inclusive inventar um tucano de oposição.
Trata-se de um balão de ensaio tucano-serrista para tentar desbancar o tucano-alkmin. Briga e/ou fofoca da mídia das elites paulistas… nada mais do que isso.

Comentado por José Rocha em 21/02/2009 - 09:08h:

Esse bloquinho….

Comentado por David Muniz em 31/05/2009 - 00:24h:

Ocorre que o Partido Verde vai lançar candidato próprio ao governo do Estado, como em 2002 e 2006. Os verdes também concorreram com Penna à prefeitura de SP. É sabido que os verdes apóiam a dobradinha PSDB/DEM, mas para preservar e ampliar os seus espaços, não irão abrir mão de sua candidatura, mesmo que em benefício de Geraldo Alckmin ou quem quer que seja. Provavelmente o PSC, o partido do peixinho, reduto dos evangélicos (principalmente da Assembléia de Deus) integraria a chapa tucana ou a skafiana. E o PRB dos bispos da IURD e do vice José de Alencar seria mais um pró-Skaf ou apoiaria o PT. O PRB não elegeu nenhum deputado federal por SP, mas tem condições de conseguir uma vaga e preservar a já existente na ALESP.

 

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