Prefeitura não tem prazo para a recuperação de lago

Prefeito nega que tenha havido falta de manutenção, mas admite que desgaste do vertedouro e temporal possam ter causado acidente ambiental. CGE, contudo, diz que chuva na região estava dentro da média para estação

MARCELA SPINOSA, JT

marcela.spinosa@grupoestado.com.br

A forte chuva de anteontem e o desgaste do vertedouro, sistema hidráulico que regula o nível de água, podem, segundo o prefeito Gilberto Kassab (DEM), ter causado o rompimento da tubulação que escoava o excesso de água do lago do Parque da Aclimação. Em uma hora, o acidente secou o lago e provocou a morte de peixes e aves – em número ainda desconhecido pelas autoridades.

Técnicos da empresa Épura, contratada ontem pelo município para investigar as causas, devem entrar hoje na tubulação para analisar a estrutura. Depois que descobrirem as causas do acidente e fizerem a despoluição da área, a Prefeitura informou que reconstruirá um novo lago, mas não apresentou um prazo para isso.

O vertedouro só não foi inspecionado ontem porque foi preciso construir uma espécie de passarela para caminhar sobre o lodo. “Não tem como andar ali porque a lama chega na altura do peito”, disse Valter Luis Verdramin, diretor do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave).

De acordo com a Prefeitura, o dano ocorreu na tubulação que fica na base do vertedouro. Com o rompimento, onde antes havia um cano para a água escoar, ficou um buraco. Ou seja, o lago perdeu a “tampa” que retinha sua água. O resultado foi a drenagem da água do lago, 70 mil m³ – equivalente a 30 piscinas olímpicas -, e de peixes, aves e outros bichos. A água e os animais foram levados pelo “ralo” do lago, que passa pelos córregos Pedra Azul e Jurubatuba antes de desaguar no Rio Tamanduateí.

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente não soube informar o número de animais mortos. Equipes de fauna da pasta trabalharam ontem no resgate dos sobreviventes e contaram com a ajuda de frequentadores .

“Além do volume de água bastante intenso tivemos, muito possivelmente, um desgaste do extravador”, afirmou ontem Kassab, durante visita ao Parque da Aclimação. O Centro de Gerenciamento de Emergências da Prefeitura informou que choveu anteontem na região central 51,4 milímetros, quantidade considerada normal para a época de chuvas.

Em relação à manutenção do vertedouro, Kassab afirmou que o parque e a água do lago passam por inspeções e manutenções rotineiras. A Secretaria do Verde e o Depave não souberam informar quando foi feita a última vistoria na estrutura. “Não havia indícios nas observações visuais de que o vertedouro tivesse algum problema”, disse o chefe de gabinete da secretaria, Hélio Neves.

Segundo ele, a despoluição do lago ocorria normalmente. Neves disse ainda que o processo de limpeza era feito pela estação de tratamento de água instalada no interior do parque, modernizada há um ano pela Sabesp ao custo de R$ 800 mil, e pela instalação da máquina que faz a circulação da água do lago, inaugurada há um mês ao custo de R$ 170 mil. “A recirculação (da água) trata a água que já está no interior, sem haver necessidade de lançar líquido de fora no lago”, explicou.

Com a secagem do lago, foi possível ver a sujeira no interior dele. Ficaram à mostra pneus, pedaços de vidro, pedaços de plástico, garrafas, entre outros.

Ontem, durante o dia, técnicos da divisão de fauna retiravam os animais que insistiam em “nadar” no local. Apenas um deles resistiu: é um cisne negro fêmea que, até as 18h de ontem, continuava no meio do lago.

200 PEIXES E 40 AVES RESGATADOS

Técnicos da divisão de fauna da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente retiraram, desde anteontem, 40 aves aquáticas, como patos, gansos e marrecos, e 200 peixes, entre eles carpas, do lodaçal em que se transformou o lago

Os bichos foram levados para o Parque do Ibirapuera e devem ficar lá até que um novo lago seja reconstruído na Aclimação

O único animal que resistiu foi a fêmea de um cisne negro. Ela continuava lá até as 18h. Segundo técnicos, a ave está no meio do lago, o que dificulta seu resgate

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8 COMENTÁRIOS PARA "Prefeitura não tem prazo para a recuperação de lago":

Comentado por Roberto Locatelli em 25/02/2009 - 11:58h:

Desconfio que muitos equipamentos municipais e estaduais estão sem manutenção adequada.
É a política do estado mínimo e serviços mínimos do consórcio demo-tucanalha.

Comentado por José Rocha em 25/02/2009 - 12:06h:

Que vergonha! Quanto descaso. Fizeram uma reforma para inglês ver no parque e deixaram a coisa podre por baixo. É um escândalo, mas com Kassab a mídia sempre pega mais leve. Onde estão câmeras e mocrifones? Os jornalista não “acampam” na porta do prefeito. Os moradores do entorno – cuja maioria deve ter votado nele – não têm nada a dizer?

Comentado por Jordam Godinho em 25/02/2009 - 13:28h:

Como já disse no site do PHA, o problema todo é ver não só o descaso mas o bate cabeça de Serra e Kassab, e a vergonha que passamos com Eduardo Jorge na televisão sem saber o que explicar.
Até onde a mídia vai sustentar esta imagem dos DEMOS/TUCANOS.

Comentado por José Rocha em 25/02/2009 - 14:10h:

retificando: microfones… jornalistas… eh, eh.

Comentado por Marcos em 25/02/2009 - 14:56h:

Lembram da promessa da dupla Serra/Kassab de acabar com os alagamentos em SP?

Já acabaram com o da Aclimação, o próximo talvez seja o do Ibirapuera.

Um verdadeiro ´choque de gestão`…

Comentado por Marcos em 25/02/2009 - 17:51h:

Quem disse que a dupla Serra/Kassab não ia acabar com os alagamentos em SP?
Já acabou com o da Aclimação, o próximo talvez seja o do Ibirapuera.
Os cisnes já sairam da lama, enquanto alguns administradores estão com ela até o pescoço.
Esse é o verdadeiro ´choque de gestão`…

Comentado por alex em 25/02/2009 - 19:20h:

A GARRAFA DE CHAMPANHE DE 6 MIL
E O BOLSA FAMÍLIA CRITICADO PELO SENADOR JARBAS…

22/02/2009 – 13:05
Blog do Kotscho

A espantosa balada dos jovens da Vejinha
Tinha programado voltar ao Balaio só na terça-feira, mas uma reportagem de capa _ “As baladas milionárias” _, que acabei de ler na Vejinha, me levou a abrir o computador antes do Carnaval acabar.

Além disso, habituei-me a fazer todo domingo o balanço da semana com os três assuntos mais comentados (ver levantamento no final deste post).

A Vejona chamou de “espantosa” a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, que na edição anterior denunciara corrupção a granel em seu próprio partido, o PMDB, onde está há 43 anos, e no governo federal. Pois eu fiquei muito espantado foi com a matéria da Vejinha.

A começar pelo título, “Só para quem pode”, o belo trabalho de Alvaro Leme, Fabrio Wright e Filipe Vilicic mostra dados sobre o “apartheid” sócio-econômico brasileiro que não se via desde o final dos anos 1940, quando o grande repórter sergipano Joel Silveira, já falecido, fez uma antológica reportagem sobre a vida dos grã-finos de São Paulo.

Os três repórteres se limitam a relatar o que viram e ouviram nas baladas dos jovens endinheirados de São Paulo, sem fazer qualquer crítica, análise política e sociológica ou juízo de valor, como se tudo fosse a coisa mais natural do mundo, ao contrário do que a Vejona fez com a entrevista de Jarbas Vasconcelos, que a deixou espantada.

Para muita gente que lê e escreve as revistas da Editora Abril, pode tudo mesmo parecer um simples dado da realidade, como o relato de uma balada em moto contínuo, sem dia para começar ou acabar, onde se torram rios de dinheiro numa noite em garrafas de champanhe que podem chegar a custar 6 mil reais, ou algo como 15 salários mínimos ou umas 50 bolsas-família, tão criticadas pelo senador Vasconcelos.

Podem me dizer que ninguém tem nada com isso, cada um gasta o que pode e quem não pode se sacode na barba do bode, como se dizia nos tempos de Joel Silveira.

Não conheço estes jovens perfilados na matéria, não sei de onde vieram, como e do que eles vivem, mas confesso que fiquei chocado com o que li desde a abertura do texto, que conta como foi a festa de aniversário de 22 anos do jovem Rodrigo Vieira na casa noturna Pink Elephant, no Itaim Bibi.

Ao custo de 485 reais cada, pediu logo 22 garrafas de champanhe Veuve Clicquot _ “Uma para cada ano de vida”, explicou aos repórteres. Nem todas foram servidas para seus amigos.

Meia dúzia de garrafas foram utilizadas para lhe dar um banho na hora do parabens. O total da conta da festa ficou em R$ 20 mil, mas ele não reclamou. “A atenção da mulherada se voltou para mim”.

Não era para menos. Em outro reduto das baladas milionárias, o Museum, Flávia Lemos, de 25 anos, que se apresenta como representante comercial, lhe dá toda razão: “Sempre vejo caras interessantes por aqui”.
(continua..)

Comentado por Helvecio Gouvea Neto em 26/02/2009 - 19:20h:

Ora, depois de se constatar que o lodo bate no peito de uma pessoa, depois de se ver pneus no tal lodo, e o lodo não foi levado pela chuva, ele já estava lá há muitos e muitos anos, vem o prefeito e diz que havia manutenção do lago constantemente?
Ora, meu amigo, é incrível que ainda haja lago por lá!!!
Que tal aproveitar e colocar uns tratores e limpar aquela pocilga, estanda isso també para a Guarapiranga e Bilings, senão um dia, jacaré, a lagoa há de secar!!!!

 

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