“Gestão” Kassab: em um único medicamento a fraude foi de R$67 mil
A nota embaixo foi corrigida as 12,45 Hs. Os valores estavam errados e são R$67 mil.
Entre ontem e hoje, os jornais noticiam a dimensão da fraude solta na “gestão” da saúde de Kassab.
Como os jornais inicialmente se deixaram levar pela antecipação feita pela própria administração, do grau de podridão e descontrole, na área; vale lembrar que o esquema fraudulento foi arrebentado pela ação da polícia e do MP na operação “Parasitas”, mostrando a ação combinada entre empresários e prefeituras, incluída a da “gestão” Kassab.
Agora, depois da polícia contar com gravações e provas das falcatruas, sindicância interna da “gestão” descobre superfaturamento de até 310% em remedios.
Em um único medicamento que custa R$6,50, comprado pelos “gestionários” demo-tucanos por R$71,10, o ganho dos fraudadores foi de R$67 mil.
Deve ser o que no jargão demo-tucano denomina-se “gestão séria do dinheiro público”. LF

Editorial AGORA – 31/03/2009
Não tem remédio: é fraude
A Prefeitura de São Paulo descobriu como funcionava um esquema para fraudar os cofres municipais com compras de medicamentos. Espertalhões metiam a mão no processo de licitação.
De um lado, empresas combinavam os preços que iam oferecer nos leilões de compra da prefeitura. Desse jeito, elas garantiam que o custo do remédio seria alto qualquer que fosse o vencedor da licitação.
Com o preço vitaminado, um medicamento que custa R$ 6,50 na praça foi comprado pela prefeitura a R$ 71,10. Como a compra foi feita em volumes grandes, a diferença embolsada pelos fraudadores numa única operação foi de R$ 67 mil.
Mas há centenas de processos como esse sob suspeita. Na varredura feita pela Secretaria da Saúde, até agora foram analisados 50 processos -em oito deles foi encontrada alguma falcatrua. Outros 137 casos estão na fila da checagem.
O único lado bom nisso tudo é que a prefeitura foi capaz de identificar a pilantragem _depois de ter recebido um toque da Polícia Civil e do Ministério Público. A partir daí, promete implantar um sistema de compras de remédios mais rigoroso.
Esse tipo de fraude, porém, não ocorreria sem a participação de gente de dentro da prefeitura. Até agora, a investigação não forneceu nomes, mas é preciso que os trambiqueiros respondam na Justiça por seus desvios e sejam expulsos da administração.
Embolsar a grana da saúde é o fim da picada.
Prefeitura de SP investiga superfaturamento de até 310%
Sobrepreço foi constatado em produtos hospitalares comprados de cinco empresas
Marcelo Godoy – O Estado SP – 30/3/2009
Investigação feita pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo identificou oito contratos das empresas supostamente envolvidas na chamada máfia dos parasitas com “indícios de fraude e superfaturamento” de até 310% nos preços de produtos hospitalares fornecidos à Prefeitura. Por ordem do secretário da pasta, Januário Mantone, os processos serão alvo de investigação específica e foram encaminhados ao Ministério Público Estadual (MPE) e à inteligência da Polícia Civil de São Paulo.
A decisão foi tomada depois que a Comissão Especial de Averiguação Preliminar (CEAP) concluiu seu primeiro relatório sobre os 187 contratos do período de 2003 a 2008 com cinco empresas suspeitas. Os donos das empresas negam irregularidades. Quatro deles que haviam sido presos na Operação Parasitas – feita em outubro de 2008 para investigar empresas supostamente envolvidas em fraudes em licitações na área da saúde – receberam da Justiça o direito de responder as acusações em liberdade.
O sistema de compras, o almoxarifado, as licitações e as pesquisa de preços da secretaria passaram por um pente fino. A comissão sugeriu mudanças que foram, de imediato, determinadas pelo secretário. O objetivo de Montone é evitar problemas criados pela falta de controle e fragilidade do sistema atual. O Estado teve acesso ao relatório de 30 páginas feito pela CEAP. A comissão analisou 50 contratos e encontrou “fragilidades principalmente nos processos de pesquisa de preços e logística”.
Seis páginas do relatórios detalham as irregularidades encontradas. No pregão vencido pela empresa Biodinâmica para o fornecimento de instrumentos cirúrgicos ao Hospital Tiradentes, a comissão verificou superfaturamento de 316% em um dos lotes e de 301% em outro. “Há ainda o fato de a empresa ter entregado instrumentais de qualidade duvidosa, conforme relatório da unidade.”
DIRECIONAMENTO
A compra de Ganciclovir (antiviral) 250mg da empresa Halex Istar também foi alvo da apuração. A CEAP constatou que, no pregão 444/08, “o descritivo está direcionado para o produto da Halex Istar”. A comissão não sabe se isso fez com que o preço do produto fosse abusivo, mas diz que “o valor negociado com uma empresa distribuidora da Halex Istar e vencedora do item foi de R$ 60,00 e para o mesmo produto o valor contratado por esta pasta foi de R$ 140, com a própria fabricante”.
Além de questionar o fato de o fabricante ter feito um preço maior que o distribuidor do remédio, a comissão afirma que “cabe ressaltar ainda que, na pesquisa de mercado atual, a CEAP pesquisou ata vigente no Estado do Rio Grande do Norte do mesmo produto e da mesma marca por R$ 39,80.”
Em outro caso, a pasta constatou, por meio de nota fiscal recebida da Secretaria da Fazenda, que a Velox comprava o remédio fluconazol 2mg/ml (antipúngico) por R$ 6,50 do fornecedor Danimed e revendia o produto à Prefeitura por R$ 71,10, o que correspondente um valor 993,85% superior. “Para esta comissão é uma diferença abusiva.” Um hospital particular de São Paulo paga pelo mesmo medicamento R$ 23,90.
Em outro caso, um funcionário da secretaria comprou uma tal quantidade de armários roupeiros que eles não cabiam no Hospital Tiradentes. A comissão constatou que havia a falta de 128 armários. Há suspeita ainda de direcionamento da pesquisa de mercado – todas as empresas consultadas forneceram valores em torno de R$ 5 milhões -, conforme registrou a presidente da CEAP, Dirce Shimomoto.