30/04/2009 - 22:00h Boa noite

Preludio em D Flat Major, Op. 28, N° 15 – Valentina Igoshina

30/04/2009 - 19:58h O Fortuna

Carmina Burana – Carl Orff – O Fortuna – Seiji Osawa

30/04/2009 - 18:45h Romance

Marcelo Nogueira

Ele marcou um jantar inesperado numa quarta-feira à noite. Pelo tom de voz ao telefone, não seria exatamente romântico. Mesmo assim, na hora marcada, ou uma meia horinha depois da hora marcada, ela apareceu linda, chamando a atenção dos outros clientes do restaurante. O garçom puxou a cadeira. Ela sentou-se, elegante. O marido já estava lá, suando (ele costumava suar muito), parecia nervoso. Sob a luz da vela ao centro da mesa, ela segurou a mão dele e disse:

— Desembucha, Paulo.

Ele limpou o suor no guardanapo de pano, olhou para os lados e pigarreou.

— Dessa vez você foi longe demais.

— O livro?

— Claro. O livro, essa droga desse livro.

— Eu sabia. Você está misturando as coisas, Paulo. Eu sou uma escritora, é a minha profissão, você sabe disso.

— Claro que eu sei, eu sempre admirei o seu talento, foi o que aproximou a gente. Mas era bem diferente naquela época. Você escrevia contos eróticos, lembra? Aquilo, sim. Eu li um deles e pensei: “preciso conhecer essa mulher”.

— Qual foi mesmo?

— “Orgias na escada”.

— Era um conto romântico.

— Eu lia tudo o que você escrevia. Os textos eram picantes, sensuais, não tinha ninguém melhor do que você para descrever uma, uma…

— Paixão?

— Putaria.

— Agora é putaria? Antes você dizia que era arte…

— Mas é arte! Claro que é! O que seria da arte sem a putaria? Inclusive, depois da gente se conhecer, os textos ficaram bem mais ricos. Você descrevia tudo o que a gente fazia, lembra? Teve aquele conto do metrô, o da obra abandonada, o do tanque do leão-marinho…

— Esse foi um dos melhores.

— Aquilo era um fetiche para mim, quando a gente transava era como se todos os seus leitores estivessem olhando. Aí veio o primeiro romance, uma obra-prima.

— “Meu marido insaciável”. Imaginei que você fosse gostar.

— E o seguinte, então: “Um verão em 69”.

— Nossas primeiras férias, em 1993.

— Depois vieram “Quanto mais, melhor”, “O que é possível no Kama Sutra”, “O martírio de um estrado”, tantos que eu nem lembro de todos. O nosso amor estava lá naquelas páginas, de verdade. Os gestos, os toques, os cheiros. Até que, de repente, você vem com aquele livro mentiroso…

— Você tem que entender, aquilo foi quando eu comecei a escrever ficção, eu expliquei isso na época. Era ficção!

— “Broxada em Marte”, Silvia? E desde quando marciano usa meias? Bem na hora do sexo?

— Eram quatro meias! Você nunca usou quatro meias!

— Daí para a frente foi só esculhambação. “O amor já foi melhor”.

— Era um livro filosófico.

— “Decepções amorosas de uma samambaia”. Samambaia! Você podia ter arranjado um disfarce melhor!

— Não era disfarce, era uma planta! Você é muito desconfiado!

— A planta era escritora!

— Mas ela era ruiva, eu sou morena! Não tem nada a ver!

— Eu relevei, aceitei seus argumentos por todos estes anos. Mas esse livro novo eu não vou aceitar!

— Por que não? Você não pode reprimir a arte!

— “O homem do membro pequeno”, não! Aí já é demais!

— É uma metáfora!

— Você não conseguiu me explicar essa metáfora até agora.

— É uma metáfora complexa, cada um entende o que quiser…

— Eu entendi muito bem. Dessa vez você subestimou a minha inteligência! E você que sempre disse que era de um tamanho bom… Eu quero o divórcio!

— Calma, vamos conversar!

— Nada disso! Eu não converso mais com você. Nem uma palavra. Senão depois vem o livro “O homem da conversa chata”. Chega! Acabou! Adeus!

Saiu irritado, esbarrando nos garçons. Ela ficou na mesa atônita, antes de tudo, surpresa com aquela reação. Não imaginava que algum dia o marido pudesse perceber as sutilezas da sua literatura. Pegou o telefone na bolsa e ligou para o seu editor, que era também um amigo.

— Hélio? É a Silvia. Meu marido pediu o divórcio.

— Por causa do livro?

— Foi.

— Eu imaginei que isso pudesse acontecer. Uma pena.

Um instante de silêncio nos dois lados da linha até que ela fala:

— Hélio, cancela o projeto.

— Como? Cancelar? Mas já está tudo encaminhado!

— Cancela. Agora.

— Pensa bem, Silvia! O seu marido já não pediu o divórcio? Para quê cancelar, então? Não vai adiantar nada!

— Eu sei, eu sei, não é isso. É que, depois do que aconteceu, eu prefiro publicar aquele outro, que eu escrevi antes, sabe? Agora dá.

— É verdade, bem pensado, aquele é até melhor do que o novo.

— Eu só quero fazer umas alteraçõezinhas, já faz algum tempo que ele foi escrito.

— E o que eu faço, então? Espero você mandar as mudanças?

— Isso, espera. Quer dizer, por enquanto já pode mudar o título.

— Por quê? Eu gostava tanto de “O amor e o vizinho”.

— Eu também gosto. Mas põe no plural.

E-Mail: mnogueira@fnazca.com.br

Blog: http://www.contosdointervalo.zip.net

Marcelo Nogueira (1974) nasceu em Santos (SP). É formado em propaganda pela FAAP. Redator publicitário, foi o autor de campanhas para “Sustagen Kids” (”mãe, compra brócolis”). Sua crônica, “Primeira Barba”, foi publicada pelo jornal “Folha de São Paulo”.

30/04/2009 - 11:08h Kassab “limpa” o centro, enviando os desabrigados para a Zona Leste

SP fecha albergues e cria Centro-Dia

Prefeitura foca atendimento a morador de rua em ações diurnas; ONG acusa política para o centro de ”higienista”

Diego Zanchetta e Vitor Hugo Brandalise – O Estado SP

O atendimento ao morador de rua mudou em São Paulo. Albergues tradicionais do centro, por onde transitavam todos os dias parte dos 10,7 mil desabrigados da capital, foram fechados. O acolhimento ocorrerá agora principalmente em três “centros de convivência” diurnos – chamados de Centro-Dia. Esses locais – 1 em Santa Cecília e 2 no Parque D.Pedro II – são a maior aposta da secretária da Assistência Social e vice-prefeita, Alda Marco Antonio. “Estão ocorrendo mudanças e elas vão continuar. Se em seis meses esse novo modelo não tiver resultado, pensaremos em outro”, afirma a secretária, criticada por entidades que classificam sua política de “higienista” para a região central.

As mudanças nesses primeiros quatro meses já causam polêmica entre entidades envolvidas há duas décadas na assistência à população de rua. A secretária admitiu, por exemplo, que não gosta de ver moradores de rua “comendo em chãos duros”. Ela disse que as entidades que distribuem sopas e alimentos em diversos pontos do centro serão convidadas a fazer o trabalho dentro dos centros de convivência. “O primeiro será inaugurado em Santa Cecília, logo após o prefeito voltar de viagem da Ásia (dia 21). Dentro dessas tendas, quero que a comida seja servida com os moradores sentados à mesa, vendo televisão e conversando com nossos educadores, e não na calçada de uma rua escura.”

Nos centros, os moradores vão poder passar o dia recebendo atendimento psicológico, médico e social. “Queremos oferecer mais do que o banho do albergue. A ideia é que o morador (de rua) que se recusava a ir para o abrigo seja atraído para o centro”, disse Alda. Esses locais, porém, não terão dormitório. Segundo o governo, os moradores terão a opção de ser removidos para outros albergues, de bairros como Vila Alpina e São Miguel Paulista, na zona leste, no fim do dia. “Se ele (morador) quiser encostar e dormir no centro de convivência, não terá problema”, afirma a secretária.

Alda também discorda do atendimento das Kombis que transportavam os moradores de rua do centro para albergues. O serviço era realizado por 40 carros, por meio de um convênio com a organização não-governamental Santa Lúcia que não foi renovado. “Os moradores passaram a ligar para os responsáveis pelas Kombis a qualquer hora. Era comum o morador de rua chamá-los, em vez de andar cinco quarteirões até o albergue. Então, tenho dúvidas sobre a eficácia do atendimento que era feito por esses veículos.”

Para entidades, a secretária quer afastar os desabrigados do centro. Em março, foi fechado o principal abrigo da região central, o São Francisco (no Glicério), com capacidade para 720 pessoas. Antes, o Centro de Acolhida Jacareí, na Bela Vista, já havia sido fechado, em julho. E as entidades também reclamam do atraso nos repasses do governo. “Fechamos albergues que não tinham condições sanitárias, mas fizemos remanejamento de vagas para outras unidades. Não houve extinção de lugares”, argumenta. “O aumento dos moradores de rua pode ser um reflexo direto da crise”, acrescenta. A Secretaria de Assistência Social informa também que quatro novos convênios para o atendimento da população de rua do centro devem ser ratificados até o fim de maio.

FORÇA POLÍTICA

Alda foi o elo da gestão Kassab para a aliança com o PMDB, principal partido de sustentação à reeleição do prefeito. A parte paulista da sigla, capitaneada pelo ex-governador Orestes Quércia, também já adiantou que apoiará José Serra (PSDB) na eleição presidencial. Com força política, a secretária ganhou autonomia para implementar uma nova gestão na Assistência Social.

NÚMEROS

10,7mil desabrigados estão nas ruas da capital

1 centro de convivência vai funcionar em Santa Cecília

2 centros farão atendimento a desabrigados no Parque D. Pedro II

720 lugares era a capacidade do abrigo São Francisco, no Glicério,
fechado em março


”Mandam o problema para a periferia”


ONGs alegam que moradores de rua habitam região para ter acesso à comida e encontrar trabalhos informais

Vitor Hugo Brandalise e Diego Zanchetta – O Estado SP

Em qualquer dia da semana, nas ruas principais do centro histórico de São Paulo, é por volta das 20h30 que a real dimensão do problema se revela – é quando são formadas, no Pátio do Colégio, na Praça da Sé, no Largo São Francisco, filas imensas de moradores de rua, aguardando o início da distribuição de comida por representantes de entidades. “Hoje tem salsicha! Fazia tempo!”, exclama José Vieira da Rocha, de 49 anos, morador da Praça da Sé desde 2001. “Vou aproveitar, é a única (refeição) do dia”, ele diz, segurando o marmitex, empurrado pelo próximo da fila.

Enquanto a multidão se dispersa, uma figura passa correndo, próximo à Catedral. Carrega entre os braços a cabeça e as tripas de um peixe. “Arranjei no Mercadão”, revela Erivaldo Soares, de 38 anos, ao lavar o bicho com água de um dos chafarizes da Praça da Sé. “Lá no Mercadão sempre tem refeição.”

Para quem vive nas ruas, é esse o tipo de oportunidade que um local como o centro de São Paulo oferece – comida, além de trabalhos informais. “É com isso tudo que a Secretaria ( de Assistência Social) pretende acabar, com o fechamento dos albergues de São Francisco (no Glicério) e do Jacareí (na Bela Vista)”, afirma Anderson Miranda, coordenador do Movimento Nacional dos Moradores de Rua. “Estão tentando limpar o centro, empurrar o problema para a periferia.” Segundo a Assessoria de Imprensa da Assistência Social, o aumento na população de rua é uma situação transitória, de adaptação à nova política enquanto mais convênios são fechados.

Para as entidades, contudo, além do fechamento dos albergues, o fim do programa de atendimento espontâneo a moradores de rua do governo contribuiu para engrossar o número de pessoas vivendo em áreas já saturadas do centro. Atualmente, os atendimentos são realizados somente quando há o encaminhamento por oficiais da Guarda Civil Metropolitana (GCM) ou se há denúncia da população.

Além disso, as entidades reclamam da redução da Central de Atendimento Permanente de Emergência (Cape), que teve seu número de veículos de atendimento à população de rua reduzido de 44 Kombis para 20.

Quem vive nas ruas já sentiu a diferença. “Dizem que só há vagas nos albergues da periferia, que não tem mais como dormir no centro”, afirma o morador de rua Adriano da Silva Pereira, de 28 anos, há seis meses vivendo na Rua Anchieta, próximo ao Pátio do Colégio. “Mas quem quer ir para São Mateus, ou para São Miguel? Nos acordam às 6 da manhã e vamos para a rua, temos de voltar ao centro andando”, relata o morador, que costumava dormir no Albergue São Francisco, no Glicério.

GUARDA CIVIL

Outra crítica das entidades diz respeito à atuação da GCM, que passou a realizar abordagens a moradores de rua, conforme autoriza um decreto de 25 de fevereiro deste ano. Na noite de anteontem, o Estado acompanhou a atuação de sete GCMs, em serviço na região central. Segundo os guardas, a orientação é para que seja realizada a “limpeza e melhoria visual nas regiões mais visitadas da cidade, para liberação da revitalização do centro”. A secretária de Assistência Social nega ter dado orientação à GCM.

“Minha tarefa é empurrá-los para fora da minha inspetoria”, chegou a dizer um inspetor da corporação. O resultado dessa política, segundo as entidades, é que, enquanto ruas próximas à Praça da Sé, Largo São Francisco e Pátio do Colégio se transformam em camas coletivas, outros locais historicamente utilizados pelos moradores de rua, como o Vale do Anhangabaú e a Praça do Patriarca, mais próximos à Prefeitura, hoje praticamente não apresentam o problema.

30/04/2009 - 10:26h Plano Obama é bom para o Brasil

http://www.daisypaula.com/revista/4869/img/lula%20e%20obama.jpg

 

Alberto Tamer* – O Estado SP

 


Um balanço dos intensos 100 dias de Obama é positivo para o Brasil. Na verdade, ele e sua equipe estão agitando e revolucionando a economia americana, que receberam em frangalhos. Não perdeu tempo com as discussões acadêmicas sobre se deveria primeiro socorrer o sistema financeiro para depois estimular a demanda e o crescimento. Desde os primeiros dias, atacou as duas frentes, consciente de que ambas se interdependem e são imprescindíveis para superar a recessão. O mercado financeiro tem sido saneado a custos elevados e a política fiscal começa a dar algum ânimo ao consumidor. Somente isso impediu que o PIB não tivesse uma queda maior que 6,1% neste trimestre. De novo, herança do passado, quando o PIB recuou 6,3%. Somente nos próximos meses o dinheiro da política fiscal começará a entrar no sistema. Se tudo continuar como está – mercado financeiro socorrido e demanda estimulada – a recessão americana poderá terminar em 2009. No momento, a economia parou de afundar ou afunda mais lentamente, o que já é um bom resultado. Afinal, alguém agora está fazendo alguma coisa, oportuna e certa.

FOI BOM PARA NÓS

O grande mérito dos 100 dias de Obama é que sua política está trazendo alguma sensação de alívio no mercado financeiro. E é aí que nos beneficia. Estamos muito longe da normalidade, mas o governo e as empresas brasileiras voltaram a captar no mercado financeiro internacional depois de uma longa e difícil ausência. Além disso, os investimentos financeiros começam a afluir novamente nas bolsas ou na compra de títulos do governo e outros papéis.

O simples anúncio da vitória de Obama abriu novas oportunidades ao Brasil. O governo captou US$ 1 bilhão, no dia 6 de janeiro. E isso após uma ausência de quase 8 meses no mercado. A última captação havia sido feita em 14 de maio de 2008.

O setor privado foi mais ativo. Em março, entraram US$ 750 milhões de captação da Telemar e devem estar entrando US$ 700 milhões de empresas do grupo Friboi. A Odebrecht também levantou US$ 150 milhões em bônus no dia 3 de março. “Os governos (federal e estadual) tem dado ênfase na infraestrutura para sustentar a economia”, afirmou Paulo Cesena, diretor financeiro da empresa. Estão programadas outras operações nesse mesmo setor, estradas, usinas. Também a Petrobrás votou a ser ativa no mercado financeiro.

Nada disso seria possível há 8 meses. O plano de Obama está sendo bom para o Brasil. E isso pode ser apenas o começo. Se o governo brasileiro lançar concorrência para outras obras a serem executadas pelo setor privado, certamente mais recursos entrarão no país nos próximos meses.

HÁ MUITA BOBAGEM…

Nos balanços dos 100 dias, tenho ouvido e lido as coisas mais controversas e algumas até engraçadas. Um professor acadêmico disse que o Brasil não se beneficiou com a nova política de Obama porque os EUA não liberaram o comércio agrícola e continuam dando subsídios aos seus produtores… Isso é falta de informação ou deformação ideológica (abaixo o Satã do Norte…). De acordo com o Ministério da Agricultura, entre janeiro e março deste ano, as exportações do agronegócio para os EUA representam apenas 10,1% do total. Eles são ainda os maiores importadores, mas, ainda de acordo com a tabela do ministério, elas são de apenas US$1,4 bilhão.

Pode argumentar que nossas vendas totais – não só do agronegócios – para os EUA caíram 37,8% no trimestre. Mas esse não foi um fenômeno isolado. Houve aumento de 20,9% para a Ásia, com destaque para para a China, 62,7%. Todos os demais mercados reduziram drasticamente as compras do Brasil e de outros países. O caso do nosso “querido” Mercosul é típico: uma retração de 29,2%.

O protecionismo dos países afundados na recessão não será atenuado com palavras de queixa e protesto. Cabe ao Brasil aproveitar as oportunidades e atrair os recursos que tanto precisamos. Obama está acertando. E nós também se o governo continuar criando condições para captar aqueles dólares que apenas agora começam a dar tímidos sinais de vida.

*E-mail: at@attglobal.net

30/04/2009 - 09:23h O risco Serra

Serra ataca os juros

Celso Ming – O Estado SP

celso_ming.jpgO governador José Serra não gosta da atual política econômica. Desde os tempos de ministro do Planejamento do governo Fernando Henrique, Serra não para de atacar quase tudo o que está aí, quase como os antigos dirigentes do PT.

Esse quase é importante porque Serra se diferencia da chamada ala desenvolvimentista dos economistas brasileiros na medida em que defende rigoroso equilíbrio fiscal na administração pública. Mas, em relação aos demais pilares da atual política econômica, diverge frontalmente. Para ele, estão erradas as políticas monetária e cambial.

Serra nunca deixou claro o que gostaria de ver na política de metas de inflação, pela qual o Banco Central deve usar os juros (volume e preço do dinheiro na economia) unicamente para empurrar a inflação para dentro da meta. No mínimo, a considera mal executada. Ou, como avisou segunda-feira, entende que a atual política monetária (política de juros) não trabalha para dar cumprimento à meta de inflação, mas para valorizar o real (derrubar as cotações do dólar) e, dessa forma, tirar competitividade do sistema produtivo ante a concorrência externa.

Seria precipitado afirmar que o governador defende uma estratégia intervencionista no câmbio e a derrubada implacável dos juros a canetadas. Mas muitas vezes é o que sugerem suas declarações.

A única maneira de obter a derrubada de juros sem artificialismos seria abrir espaço para uma rígida política fiscal (austeridade nas despesas). Assim, os juros cairiam quase naturalmente, pela simples redução da dívida pública.

Essa também parece ser a proposta do ex-ministro Delfim Netto quando prega a definição de um déficit nominal zero das contas públicas, ou seja, o equilíbrio entre receitas e despesas do governo, incluída nestas também a conta dos juros da dívida pública. Num quadro desses, a política de juros não seria excessivamente pressionada porque não teria de fazer o serviço que a política fiscal hoje deixa de fazer.

Até agora, os ataques à política econômica feitos pelo ministro, depois prefeito de São Paulo e depois governador, José Serra, não foram fortemente questionados porque a probabilidade de ele vir a segurar as rédeas do governo foi relativamente pequena. Mas, conforme aumenta o apoio popular à sua candidatura e se aproximam as eleições de 2010, a opinião de Serra vai ser crescentemente levada em conta.

Até 2002, o então presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestava-se drasticamente contra a política econômica do seu antecessor, Fernando Henrique. Mas, em junho daquele ano, assinou a Carta ao Povo Brasileiro em que se comprometeu a manter as vigas mestras dessa estrutura. Com isso, Lula afastou o voto de desconfiança que começava a ser armado contra sua candidatura e seu futuro governo.

Muita gente argumenta que o atual discurso de Serra não passa de dialética eleitoral e que, uma vez no governo, beijará a cruz, como Fernando Henrique e Lula beijaram.

Mas não dá para esquecer de que estas posições do governador Serra são rigorosamente as mesmas que sustentava quando não só era governo, como, também, quando era ministro da área econômica de Fernando Henrique.

A hora dos bancos – Confirmado o corte da Selic em 1 ponto, as atenções se voltam para os bancos: a ver se continuam baixando juros só burocraticamente nas operações de crédito.

30/04/2009 - 08:39h Juro cai ao menor nível da história


Brasil já não lidera em juros reais

O Brasil deixou a liderança do ranking dos maiores juros reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) do mundo, depois de seis anos na primeira colocação. Com o corte promovido ontem pelo BC, o País passa para a terceira posição, com uma taxa de 5,8% ao ano, segundo a consultoria UPTrend.

O título de maior juro real do mundo foi transferido para a China, cuja taxa é de 6,6%, seguida pela Hungria, com 6,4%. A Argentina está em quarto lugar, pouco abaixo do Brasil, com juro real de 4,3%. A 5.ª posição fica com a Turquia, com 1,7%.

Comitê de Política Monetária decide, por unanimidade, cortar a taxa Selic em 1 ponto porcentual, para 10,25%

Fernando Nakagawa – O Estado SP

Em decisão esperada pelo mercado, o Banco Central anunciou na noite de ontem o corte da taxa Selic em 1 ponto porcentual, para 10,25% ao ano, sem viés. Com a decisão, a autoridade monetária reduziu o ritmo do desaperto dos juros, que haviam caído 1,5 ponto na decisão anterior, em março. A medida do Comitê de Política Monetária (Copom), tomada por unanimidade, levou o juro básico da economia brasileira para o nível mais baixo da história.

Em comunicado divulgado após a reunião, a autoridade monetária disse que o objetivo do corte é “ampliar o processo de distensão monetária” que começou em janeiro. Na avaliação de economistas, o comunicado sugere que o BC deve fazer novo corte na próxima reunião do Copom, em junho.

Com o terceiro corte seguido, a Selic cai ao nível mais baixo desde a adoção do juro básico em base anual, no fim de 1997. Nesse período, o Brasil conviveu com juros que chegaram a 45%, em março de 1999, após a maxidesvalorização do real no início daquele ano.

A decisão de ontem também fez o Brasil perder o amargo posto de país com o maior juro real do planeta – taxa descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses. Levantamento da UpTrend Consultoria mostra que a taxa brasileira caiu para 5,8%, abaixo da China que tem juro real de 6,6%.

Minutos após a decisão, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o BC está na direção correta. “Toda a vez que a Selic cai, eu fico feliz. Está na direção correta.”

O corte menos agressivo do juro era esperado pela maioria dos analistas. Nas últimas semanas, em meio a um cenário econômico menos turbulento, a piora dos indicadores perdeu força e o mercado começou a notar espaço menor para o desaperto monetário. Já há quem aposte que a recuperação do tombo provocado pela crise pode começar ainda este ano.

Essa avaliação é sustentada por números recentes. No comércio, a demanda tem se mantido aquecida principalmente pelo consumo ligado à massa salarial. Ao mesmo tempo, a desoneração tributária e a retomada gradual do crédito devem elevar a venda de artigos duráveis.

Para os analistas, esse quadro vai reduzir gradativamente os estoques e, em seguida, a produção deve reagir de forma mais evidente. Ao mesmo tempo, aumentaram as preocupações com a questão fiscal. Há 15 dias, o Palácio do Planalto decidiu aumentar os gastos do governo para ajudar a atenuar os efeitos da crise. Para isso, reduziu a meta de superávit primário – economia feita para o pagamento de juros da dívida – de 3,8% para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. Isso, na prática, vai dar R$ 40 bilhões adicionais para o governo federal gastar este ano.

Juntos, demanda relativamente aquecida, expectativa de reação da produção e aumento dos gastos públicos diminuíram o espaço para o desaperto monetário. “Os sinais de melhora relativa da atividade em relação à reunião de março parecem ser consistentes e apontam para uma fase na qual o pior momento terá passado, sugerindo maior cautela por parte da autoridade monetária”, diz em relatório o diretor de pesquisas econômicas do Bradesco, Octavio de Barros.

29/04/2009 - 22:00h Boa noite

Keith Jarrett toca o Concerto para Piano e Orquestra n° 23 in A major, K. 488, de Mozart: parte 2 Adagio

29/04/2009 - 20:21h Auto-retrato

andy_summers.jpg
© Foto de Andy Summers. Auto-retrato que compõe o livro “I’ll Be Watching You: Inside The Police, 1980-83”

Andy Summers, o célebre guitarrista da banda The Police também é fotógrafo. Depois de ter percorrido várias vezes o mundo, Summers registrou com a sua câmera as viagens, pessoas e lugares que ele encontrou no caminho. O seu mais recente projeto é intitulado “Desirer Walks The Streets”, um livro de fotografias em preto e branco deslumbrante. De uma vida profissional aparentemente extrovertida e caótica, Summers criou um conjunto de imagens que contradizem o óbvio. As fotos foram feitas entre 1983 e 2008, com uma preferência para as fotos noturnas que cobrem uma vasta área geográfica da Bolívia às vielas da Golden Gai, em Tóquio. Summers publicou vários livros, incluindo sua autobiografia, em 2006, e o extremamente bem sucedido livro de fotografias, “I’ll Be Watching You: Inside The Police, 1980-83”, uma coleção de imagens feitas com o grupo The Police. Ele tem atuado como fotógrafo desde 1979, com inúmeros ensaios revista, publicações. Andy Summers já expôs suas fotos em galerias de Nova York, Los Angeles, Tóquio, Amsterdam, Londres e Paris. Fonte Images & Visions

29/04/2009 - 19:56h Powaqqatsi e Tannhäuser

Tirso,  frequentador deste espaço, enviou esta belíssima sugestão para todos nós

Canção da Estrela da Tarde, ato III, cena II, da ópera TANNHÄUSER de Richard Wagner, com imagens do filme Powaqqatsi do diretor Godfrey Reggio

29/04/2009 - 18:36h Lágrimas de amor e sangue

João Carlos


Para o amor da minha vida

Quero-te não para guardar em uma caixa
ou prender-te a um cofre para exibir
em reuniões ocasionais, finais de semana.
Não como jóia rara, cara, coleção de selo,
esquecidas em caixinhas prateleiras,
veneradas de quando em quando,
ao gosto e sabor do proprietário.

Quero-te sim possuir, possuindo como
o agricultor a chuva, o surfista o mar,
a criança o mundo e o pássaro o ar.
Quero ser pai, filho, irmão, namorado,
não te abandonar nunca, sempre ao seu lado.

Quero tomar conta de ti e proteger-te,
não para prender-te às regras ou convenções,
mas para que sejas livre, e sendo livre,
resgate-me de onde estou preso, e te escrevo
em meio a lágrimas de sangue e amor.

E-mail: jcozec@yahoo.com

João Carlos (1967) mora em Brasília (DF), e diz ser esse seu primeiro poema. Não tem trabalhos publicados. Fonte Releituras

29/04/2009 - 12:36h Prefeitura arrecada mais que no ano anterior, mas o dinheiro fica no banco e a cidade sem investimentos

Hoje no Valor novamente a “gestão” Kassab tenta fazer passar a situação financeira do município como “alarmante”.

O jogo é afirmar que as “previsões” orçamentárias eram razoáveis e a realidade péssima. A verdade é que as “previsões” visavam justificar a demagogia eleitoral e preservar o remanejamento à vontade do orçamento da prefeitura. A realidade é que a arrecadação é maior que a do mesmo período no ano anterior e que o dinheiro está no banco.

Como reconhece o artigo do jornal Valor, que nada diz sobre o caráter fantasioso e eleitoreiro das “previsões”; “O município de São Paulo fechou o primeiro trimestre com aumento real de 1% na receita tributária em relação ao mesmo período de 2008, levando em conta o IPCA. (…) Segundo o secretário de Finanças da prefeitura, Walter Aluisio Morais Rodrigues, a arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS), que responde por 21,6% do recolhimento tributário, permaneceu estável no primeiro trimestre. O desempenho melhor ficou por conta do IPTU, cobrado sobre a propriedade de imóveis, e da parcela de IPVA arrecadada pelo Estado e repassada à prefeitura, que fica com 50% do imposto pago sobre os veículos emplacados na cidade.”

Mas como Kassab não tem projetos, não tem prioridades, não tem objetivos, o dinheiro está no banco e transporte, educação, saúde e investimentos estão congelados. LF

29/04/2009 - 11:54h Latem, Sancho, sinal que cavalgamos

Hoje na página 3 da Folha, o líder dos tucanos José Aníbal tenta justificar os motivos pelos quais o governador Serra se recusa a apoiar o programa “Minha casa, Minha Vida”.

Enquanto Aníbal discorre sobre a ineficiência do programa, para defender a recusa do governo de São Paulo em desonerar a cadeia produtiva que intervem na construção das moradias, o artigo embaixo do Estadão mostra o impacto já visível do programa na construção civil.

O que para Aníbal é um defeito, não dar o dinheiro para o governo estadual e sim diretamente para os empreendimentos e para os mutuários, é a grande sacada deste programa que elimina o “político atravessador”.

O Estadão informa também que ontem, durante um programa de rádio, a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, informou que o banco já recebeu 221 projetos habitacionais de construtoras para atender à população com renda de zero a três salários mínimos.

Segundo Maria Fernanda, os 221 empreendimentos habitacionais vão garantir 43 mil moradias. “Importante dizer que são empreendimentos espalhados por todo o Brasil, não há concentração em nenhuma região.” Ela disse que esses projetos ainda estão em processo de análise pela Caixa, que dura em torno de 30 a 45 dias após o recebimento dos projetos das construtoras. “Com isso, a nossa expectativa é que as primeiras casas do programa poderão começar a ser entregues dentro de 8 a 12 meses.”

Cerca de 200 termos de adesão de Estados e de municípios ao programa já foram assinados nesse período. Outros 600 municípios querem aderir ao programa, mas ainda estão se organizando, disse ela. A presidente da Caixa destacou ainda que houve um esforço para redução burocracia interna do banco. Porém, explicou, algumas análises técnicas são necessárias para garantir boas condições das moradias, além do respeito à legislação ambiental, daí o prazo de até 45 dias para aprovação dos projetos. “Então temos de separar um pouco o que é exigência legal importante para que o cidadão more numa casa de boa qualidade e o que seria demora por exigência apenas da Caixa”, comentou.

Maria Fernanda também afirmou que o programa é permanente e não há prazo para as inscrições das famílias com renda inferior a três salários mínimos por mês.

É curioso o posicionamento dos tucanos que parecem voar sem rumo. Quando a ação pública somada à iniciativa privada responde positivamente à demanda reprimida e não atendida, eles são contra e defendem o “vagaroso” andar de suas CDHU e COHAB. Só no Estado de São Paulo, enquanto eles prevem 20 mil casas até 2010, se apoiassem o programa do governo federal estaríamos em condições de superar a marca das 100 mil moradias.

Mas dizem que uma das caraterísticas dos tucanos é de ser predadores e pilhar o ninho alheio. Se apesar deles o programa avançar estarão correndo para as inaugurações. LF

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”Minha Casa, Minha Vida” muda foco das construtoras

Antes do plano, projetos estavam voltados para faixa de 5 a 10 salários

Mariana Barbosa – O Estado SP

O clima de pessimismo parece ter ficado para trás para o setor da construção civil, um dos primeiros a sentir os efeitos da crise. Sem crédito, algumas empresas ficaram sem caixa para tocar obras. Mas agora as construtoras estão eufóricas com o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, apesar das dúvidas que ainda restam.

“O efeito do pacote em termos de criação de demanda é monstruoso”, afirma o presidente da incorporadora PDG Realty, José Grabowsky. A Goldfarb, unidade da PDG especializada em imóveis de até R$ 130 mil, viu suas vendas triplicarem na última semana.

Com taxas de juros menores e isenção de impostos, o programa “Minha Casa, Minha Vida” incluiu na clientela das construtoras 11 milhões de famílias com renda de 3 a 5 salários mínimos, segundo o banco Barclays. Esse universo até então não era o foco das empresas.

Antes do pacote, mesmo as que atuam no segmento econômico estavam focadas na faixa de 5 a 10 salários, com imóveis de R$ 100 mil a R$ 130 mil, podendo chegar a R$ 160 mil. Agora, projetos são adaptados e há mais lançamentos na faixa de R$ 70 mil. “Esse é o foco dos novos terrenos que estamos comprando agora”, afirma.

A Tenda e a MRV, que das empresas de capital aberto são as mais focadas na base da pirâmide, também estão ampliando os lançamentos para essa faixa de renda. “Já estávamos prevendo aumentar os lançamentos nessa faixa para acima de 63% do total”, afirma o presidente da Tenda, Carlos Trostli. “Mas agora achamos que vamos passar de 75%.”

A empresa, que estava sem capital de giro para tocar algumas obras, aprovou na semana passada um financiamento de R$ 600 milhões de recursos do FGTS, com carência de dois anos e taxa de juros de 8% mais TR ao ano por 5 anos.

A MRV vai usar todo o seu banco de terrenos de 90 mil unidades para atender a um público de até 10 salários mínimos. “Teremos algumas unidades na faixa de 1 a 3 salários, mas a maior concentração é para o segmento de 3 a 10 salários”, diz o vice-presidente da MRV, Leonardo Correa.

Com um banco de terrenos de 80 mil unidades de até R$ 160 mil, a Rossi pretende adaptar todos os projetos dos próximos dois anos para e até R$ 130 mil. Esse segmento, que no ano passado representou 30% dos lançamentos, deverá ocupar mais de 50% este ano. “O plano restabeleceu a confiança do consumidor, que agora sabe que, mesmo se perder o emprego, estará segurado”, afirma o diretor comercial da Rossi, Leonardo Diniz.

A InPar, empresa cujas ações chegaram a cair 90%, mas ganhou uma injeção de capital em dezembro, ao se associar ao fundo Paladin, também se adapta para aproveitar as oportunidades. A Viver, sua marca para imóveis de até R$ 150 mil, hoje representa 56% dos lançamentos. Até o fim do ano, deverá representar 86%.

A InPar lançou na semana passada seu primeiro projeto dentro do programa oficial: um conjunto habitacional de 920 apartamentos de até 55 m² em Ananindeua, Pará. O projeto seria lançado mesmo fora do programa, mas os subsídios e facilidades estão acelerando as vendas e o ritmo das obras. “Devemos reduzir o tempo de venda em 30%”, diz o presidente Álvaro Simões.

29/04/2009 - 09:25h Agora, Fura-Fila vai ganhar trilhos

Trecho entre Vila Prudente e Cid. Tiradentes terá integração e tarifa de metrô, com veículos elétricos sobre pneus

Eduardo Reina – O Estado SP

O Expresso Tiradentes, ex-Fura-Fila, ganhará nova roupagem, a de metrô de superfície com pneus (VLP) – que correm dentro de trilhos -, e será movido a energia elétrica, em via elevada. Também terá verba do Estado, que passará a administrar o ramal de 22,3 quilômetros, entre a Vila Prudente e Cidade Tiradentes, com a contribuição de R$ 1 bilhão do Município, prometida pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) inicialmente para o sistema metroviário tradicional.

A mudança foi anunciada ontem pelo governador José Serra (PSDB) e pelo prefeito. A nova linha, de R$ 2,3 bilhões, será construída em duas etapas. A primeira tem previsão de entrega para 2010. Ligará a Vila Prudente a São Mateus. Já a etapa entre São Mateus e Cidade Tiradentes deverá entrar em operação em 2012. Haverá uma interligação entre o Expresso e o metrô, na Vila Prudente, na futura estação da Linha 2-Verde.

O traçado final do que está sendo chamado de Metrô Leve Expresso Tiradentes não está definido. Deverá ser apresentado pela Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos em maio, quando será assinado o convênio entre Município e Estado. “Será feita uma grande festa em Cidade Tiradentes para anunciar o projeto”, prevê Kassab. O governador disse que a proposta ajudará a reduzir os congestionamentos e facilitará o transporte de passageiros da zona leste ao centro.

De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes, o custo do projeto inicial do Expresso ficava entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões. Já o metrô leve custará R$ 2,3 bilhões, enquanto o metrô por subsolo no mesmo trecho custaria de R$ 1,7 bilhão a R$ 4 bilhões, sem contar desapropriações.

Segundo Kassab, a modificação foi decidida para otimizar a aplicação de recursos públicos. Entre Vila Prudente e Oratório, a linha do metrô e o Expresso seriam coincidentes por 2,1 quilômetros e custariam juntos R$ 3 bilhões. A instalação do ramal Oratório da Companhia do Metropolitano implicaria grandes desapropriações na Avenida Luiz Inácio de Anhaia Melo, que também perderia 8 metros de largura até São Mateus.

“Para se ter uma ideia, o Metrô de Ipiranga a Vila Prudente custa R$ 2 bilhões. Por R$ 2,3 bilhões, vamos fazer 22,3 km de Metrô Leve. É um projeto econômico. Combina esforços da Prefeitura e do Estado e é muito importante para a zona leste”, justifica Serra. Também é considerada a possibilidade de entrega das obras em tempo menor, previsões menores de gastos com manutenção e consumo de energia elétrica.

FRASES

José Serra
Governador

“O metrô leve não vai precisar passar por cruzamentos, será por via elevada”

Gilberto Kassab
Prefeito

“Será feita uma grande festa em Cidade Tiradentes para anunciar oficialmente o projeto”


NÚMEROS

R$ 2,3 bilhões
custará o ramal, que terá 22,3 km e será administrado pelo Estado. O Município arcará com R$ 1 bi; e a primeira fase das obras deverá ser entregue em março de 2010

28/04/2009 - 22:00h Boa noite

Concerto N° 20 para piano K.466 – 2nd Mov, de W.A.Mozart por Marta Argerich

28/04/2009 - 19:54h Turandot

Sergeij Larin e Barbara Frittoli em TURANDOT de Puccini (ao vivo na Cidade proibida de Beijing). árias “Signore ascolta… Non piangere, Liù”, regente: Zubin Mehta

28/04/2009 - 18:36h Tango tinto

Ricardo Ruiz

No exílio do quarto escuro,
Tragando spleens de Baudelaire,
Entre três tangos e dois tintos
Redescubro meu lado impuro,
Amaldiçoado, sórdido, porém — por que não? — distinto!
Ora, sou caído, não minto…
A Decadência, velha rota, sem dentes,
Me diverte, pulando saltos frementes,
Tangueando, bêbada, só e torta…
Cambaleia a doida (coitada…) e ri, indecente…
Maldito sou! (a natureza condena)
Pois bem! Dancemos, bela bêbada velha!
Tornemos mais rota e impura a cena,
Sangremos de tinto a tela imperfeita,
Bailemos, para levarmos à Noite a cor vermelha!


E-Mail:
ruiz777@brturbo.com

 

Ricardo Ruiz\ é de 1975 e, segundo nos disse, anda por entre cidades do Rio Grande do Sul. Não tem trabalhos publicados, mas confessa ter dezenas de poemas perdidos ou fugidios. Fonte Releituras

 

28/04/2009 - 12:37h Dinheiro para nada

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Paul Krugman, The New York Times* – O Estado SP

No dia 15 de julho de 2007, o jornal The New York Times publicou um artigo com o título “Os mais ricos dos ricos gabam-se de uma nova Idade do Ouro”. O mais badalado dos “novos titãs” era Sanford Weill, ex-chairman do Citigroup, segundo o qual ele e seus colegas do setor financeiro haviam ganhado imensas fortunas graças à sua contribuição para a sociedade.

Logo após a publicação do artigo, o edifício financeiro que Weill se vangloriava de ter ajudado a construir, ruiu,provocando imensos danos no caminho. Mesmo que seja possível evitar uma réplica da Grande Depressão, levará anos para a economia mundial se recuperar da crise atual.

Tudo isso explica por que deveríamos nos sentir incomodados por um artigo publicado pela edição do Times de domingo, mostrando que as remunerações nos bancos de investimento, que haviam despencado no ano passado, voltaram a subir vertiginosamente – alcançando os mesmos níveis de 2007.

Por que isso incomodaria? Em primeiro lugar, não há mais razões para se acreditar que os mágicos de Wall Street contribuam realmente com algo positivo para a sociedade e, muito menos, para justificar cheques descomunais.

Não esqueçamos de que a era dourada de Wall Street em 2007 era um fenômeno relativamente novo. Da década de 30 à de 80, aproximadamente, o setor bancário era um ambiente estável, um tanto tedioso, que, em média, não pagava melhor do que outros setores e mantinha as engrenagens da economia funcionando.

Portanto, por que motivo alguns banqueiros começaram de repente a ganhar imensas fortunas? Segundo fomos informados, eles foram premiados por sua criatividade e inovação financeira. Entretanto, a essa altura, é difícil pensar em inovações financeiras recentes que realmente tenham sido uma contribuição para a sociedade, e não em maneiras mais modernas de estourar bolhas, burlar normas e executar sofisticadas operações fraudulentas.

Num recente discurso de Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) tentava defender a inovação financeira.

Seus exemplos de “ótimas inovações” na área de finanças eram: 1) os cartões de crédito – não exatamente uma ideia nova; 2) a proteção contra saques a descoberto; e 3) as hipotecas subprime. (Não estou inventando.) Foram essas então as coisas pelas quais os banqueiros receberam toda aquela dinheirama? Pode-se argumentar que temos uma economia de livre mercado e cabe ao setor privado decidir quanto valem seus funcionários. E isso me leva ao segundo ponto: na realidade, Wall Street deixou de fazer parte do setor privado. Agora, é um setor do Estado, tão dependente da ajuda oficial quanto os beneficiários da Assistência Temporária para as Famílias Necessitadas, ou seja, do Estado “previdenciário”.

Não estou falando apenas dos cerca de US$ 600 bilhões já destinados ao Tarp – Programa de ajuda aos ativos com problemas financeiros. Há também as imensas linhas de crédito oferecidas pelo Fed, empréstimos em larga escala do Federal Home Loan Banks, os contratos da AIG pagos pelo dinheiro dos contribuintes, a imensa expansão das garantias da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) e, mais amplamente, o respaldo implícito a todas as companhias financeiras consideradas excessivamente grandes ou estratégicas, para entrarem em colapso.

Pode-se argumentar ainda que é necessário salvar Wall Street para proteger a economia como um todo – com o que eu concordo. Mas, considerando todo o dinheiro dos contribuintes que está envolvido nisso, as companhias financeiras deveriam atuar como empresas de serviços públicos, e não voltar às mesmas práticas e aos cheques polpudos de 2007.

Além disso, pagar enormes somas a pilantras não é apenas vergonhoso. É perigoso. Afinal, por que os banqueiros assumiram riscos tão grandes? Porque o sucesso – ou mesmo uma aparência temporária de sucesso – oferecia recompensas gigantescas: os próprios executivos que estouraram suas companhias podiam e, na realidade, saíram com centenas de milhões de dólares. Agora, as mesmas compensações continuam a ser dadas a pessoas que fazem seus jogos arriscados com o respaldo do governo.

Mas o que está acontecendo? Por que essas remunerações voltaram a ser estratosféricas? Não podemos achar plausível a afirmação de que as companhias precisam pagar esses salários para preservar seus melhores funcionários: se o emprego no setor financeiro está despencando, para onde estarão indo essas pessoas?

Não, a verdadeira razão pela qual as financeiras voltaram a pagar salários tão altos é simplesmente porque podem. Elas voltaram a ganhar muito dinheiro (embora não tanto quanto afirmam), e por que não? Afinal, podem tomar dinheiro emprestado a um custo reduzido, graças às garantias oferecidas pelo governo, e emprestar esse dinheiro a taxas muito mais altas. Portanto, a ordem é aproveitar ao máximo, porque amanhã poderão ser enquadradas numa nova regulamentação.

Ou talvez não. Na imprensa financeira há uma sensação palpável de que a tempestade já passou: as ações subiram, a queda livre da economia se reverteu e o governo Obama provavelmente permitirá que os banqueiros se safem apenas com alguns discursos mais severos. Certo ou errado, os banqueiros aparentemente acreditam que, em breve, os negócios, do modo como costumavam realizar, voltarão à normalidade.

Só podemos esperar que nossos líderes mostrem que estão errados e façam as reformas necessárias. Em 2008, os banqueiros que ganhavam cifras astronômicas e assumiam riscos com o dinheiro dos outros derrubaram a economia mundial. A última coisa de que precisamos, agora, é dar-lhes a chance de fazer tudo isso de novo.

*Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia de 2008

28/04/2009 - 11:46h Superávit comercial acumulado é 35,7% maior que em 2008

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Renata Veríssimo – O Estado SP

O superávit da balança comercial acumulado no ano, até a quarta semana de abril, totaliza US$ 5,56 bilhões, 35,7% maior que no mesmo período do ano passado, quando fechou em US$ 4,09 bilhões. O resultado deve-se à retração do comércio mundial, que levou a uma queda nas exportações e nas importações brasileiras. As vendas externas, no período, caíram 17,3% pela média diária, totalizando US$ 40,67 bilhões. Já as importações diminuíram 22,3%, somando US$ 35,11bilhões.

Somente na quarta semana de abril, cujos dados foram divulgados ontem, a balança comercial apresentou exportações de US$ 2,49 bilhões e importações de US$ 1,61 bilhão, produzindo um superávit de US$ 880 milhões. Com isso, as vendas externas somam US$ 9,49 bilhões no acumulado deste mês e as importações, US$ 6,95 bilhões, com superávit de US$ 2,54 bilhões. Em relação a abril do ano passado, a média diária das exportações, de US$ 593,4 milhões, caiu 11,4%. A média das importações, de US$ 434,3 milhões, diminuiu 26%.

Os produtos básicos são os únicos a apresentar expansão nas exportações brasileiras em abril. Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, a média diária das vendas externas de básicos, até a quarta semana deste mês, cresceu 25% em relação à média diária de abril de 2008. Os destaques são as vendas de petróleo em bruto, minério de ferro, algodão em bruto, farelo de soja, carne de frango e soja em grão.

As vendas de manufaturados caíram 29,9% no mesmo período e as exportações de semimanufaturados recuaram 24,8%. Nas importações, houve redução nas compras de adubos e fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, borracha e obras, aeronaves e peças e equipamentos eletroeletrônicos.

28/04/2009 - 11:15h Enfrentando a crise, preservando o emprego e estimulando o turismo: Caixa financiará pacotes turísticos de até R$ 10 mil

Vendas de viagens domésticas podem crescer até 5%, diz Abav

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Chiara Quintão – O Estado SP

As vendas de pacotes nacionais de turismo devem crescer até 5% este ano estimuladas pelo financiamento da Caixa Econômica Federal para o segmento por meio do Crediário Caixa Fácil para o turismo, segundo o diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav). A Caixa e a Abav assinaram ontem o protocolo de intenções para financiamento direto de pacotes de viagens a turistas.

O banco firmou protocolo de intenções também com as operadoras CVC e TAM Viagens, que funcionarão como correspondentes “Caixa Aqui”, de crédito do banco. O valor máximo de financiamento é de R$ 10 mil por operação e o prazo máximo de pagamento é de 24 meses.

O programa tem foco no turismo doméstico e se destina à população com renda de até dez salários mínimos, correntistas ou não do banco. A expectativa da Caixa é de que em até duas semanas o programa já comece a funcionar nas agências de turismo parceiras.

A Caixa não informou as taxas de juros. “As taxas dependem da relação da Caixa com cada parceiro, mas serão as menores do mercado”, disse o vice-presidente de Pessoa Física da Caixa, Fábio Lenza.

O pagamento pode ser feito por meio de débito em conta ou boleto bancário. A parcela mínima será de R$ 50 por mês. “O valor é razoável, considerando que a população brasileira já tem a cultura do crediário”, disse o ministro do Turismo, Luis Barreto.

CRESCIMENTO

Conforme a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil no ano passado superaram R$ 5,7 bilhões, com crescimento de 17% em relação a 2007.

No primeiro bimestre, Caixa financiou R$ 395 milhões ao segmento, 99% a mais que no mesmo período do ano passado. A Caixa estima financiar as empresas de turismo no montante de R$ 2,2 bilhões para capital de giro e antecipação de recebíveis até o fim de 2009.

Há previsão de desembolso de outros R$ 2 bilhões este ano em varejo e serviços. O protocolo assinado hoje pela Caixa e pela Abav prevê financiamento de pacotes turísticos com origem nesses recursos.

Durante a cerimônia de assinatura do convênio, o ministro do Turismo destacou a importância do papel da Caixa e do Banco do Brasil para atenuar os efeitos da crise econômica internacional.

Barreto disse que ministério tem trabalhado para que o setor mantenha as atividades mesmo fora da alta temporada e ressaltou que a inclusão social do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva abrange também o turismo.

28/04/2009 - 10:34h “Gestão” Kassab: o abandono do transporte público

Investimentos pela metade

Desde 2005, Prefeitura gasta 44% do previsto em orçamento na ampliação dos corredores de ônibus

Felipe Grandin,Jornal da Tarde (JT)

felipe.grandin@grupoestado.com.br

Nos últimos quatro anos, a Prefeitura de São Paulo investiu menos da metade da verba prevista no orçamento para corredores e terminais de ônibus. De um total de R$ 1,2 bilhão, foram empenhados (comprometidos para gasto) R$ 559 milhões, o equivalente a 44%. Isso significa que deixaram de ser investidos R$ 715 milhões, o suficiente para construir cerca de setenta quilômetros de corredores ou 27 terminais como o Campo Limpo, na zona sul. Os dados foram extraídos do site da Secretaria Municipal de Planejamento, que disponibiliza informações a partir de 2005. Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura não quis responder.

Nesse período, a gestão dos prefeitos José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) inaugurou apenas um corredor, o Expresso Tiradentes, antigo Fura-Fila. Com 8,5 quilômetros, o trecho liga o Terminal Mercado, na região central, ao Terminal Sacomã, na zona sul.

Nos dois anos em que ficou à frente da Prefeitura, Serra foi responsável pelo menor e pelo maior níveis de execução orçamentária em corredores e terminais. Em 2005, aplicou R$ 41 milhões – 13,9% do orçamento para a área. Em 2006, candidato a governador, o investimento quintuplicou, para R$ 219 milhões, ou79,8% do previsto.

Em 2007, quando ocupou o governo pela primeira vez durante um ano inteiro, Kassab diminuiu a verba para R$ 204 milhões (54,5% do orçado). Em 2008, candidato à reeleição, o prefeito cortou o investimento pela metade, para R$ 94 milhões (28,6%).

O Expresso Tiradentes consumiu a maior parte dos investimentos para corredores nos quatro anos analisados. Só nos últimos dois anos foram aplicados R$ 236 milhões. O orçamento não mostra os valores investidos em 2005 e 2006, pois não havia dotação própria – a verba era reunida na rubrica Fundo Municipal do Sistema dos Corredores Segregados Exclusivos para Tráfego.

A construção do Fura-Fila foi retomada por Serra e concluída por Kassab em 2007, dez anos e quatro prefeitos após o início das obras. Os prefeitos ampliaram o projeto original (de 8,5 km), lançado em 2006 por Celso Pitta, para 32 km, até Cidade Tiradentes, na zona leste. Do novo projeto, foram inaugurados apenas mais 2,8 km – do Ipiranga, na zona sul, à Vila Prudente, na zona leste.

Além do Expresso Tiradentes, o investimento mais relevante da Prefeitura em corredores foram os R$ 21 milhões aplicados na ampliação e reforma do José Diniz-Ibirapuera, na zona sul. E a implantação de um sistema binário no trajeto, que consiste basicamente em reorganizar as vias paralelas à principal para usá-las como opção de circulação.

No caso dos terminais de ônibus, entraram em operação três estações do Fura-Fila: Mercado, Sacomã e Sapopemba/Teotônio Vilela. Além desses, foi inaugurado o de São Miguel, na zona leste. No período, também foram aplicados R$ 21,7 milhões na construção do Terminal Campo Limpo, que deve ficar pronto este ano ao custo de R$ 26 milhões.

Para o consultor de trânsito Horácio Figueira, a baixa execução orçamentária mostra “falta de iniciativa e decisão política” do governo municipal. “A Prefeitura não prioriza o transporte coletivo, nem incentiva a migração do automóvel para o ônibus.”

PARA ONDE FOI?

715 MILHÕES

Foi o valor que deveria ter sido investido em corredores e
ônibus e construção de terminais, mas que não foi utilizado

28/04/2009 - 09:59h Governo e Ministério da Saúde já estão de prontidão para enfrentar eventual surto de gripe no Brasil

Plano prevê 50 hospitais de referência

Além de mobilizar as unidades em todo o País, governo implantou telefone tira-dúvidas

Fernanda Aranda e Felipe Oda – Jornal da Tarde (JT)

O Brasil colocou em prática ontem um pacote de ação para evitar que o vírus da gripe suína se espalhe em território nacional. Em São Paulo também foi criado um plano de emergência para conter os casos, já que o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, é apontado como um dos locais de risco de entrada da infecção no País.

Todas as secretarias de Estado da Saúde foram acionadas e 50 hospitais públicos do País estão escalados para serem referência de atendimento em caso de suspeita de contágio. O governo federal vai comprar 100 mil máscaras para seus agentes, além de distribuir 1 milhão de folhetos explicativos sobre o vírus. O Ministério da Saúde também colocou em funcionamento um serviço telefônico para tirar dúvidas da população (0800-61 1997).

Em São Paulo, a Secretaria de Saúde acionou 8 unidades, que ficarão de prontidão, três delas na capital: Hospital das Clínicas, Instituto Emílio Ribas e Hospital São Paulo. No total, são150 leitos de isolamento, dos quais 60 possuem pressão negativa para evitar risco de disseminação. O Centro de Vigilância Epidemiológica de SP encaminhou instrução aos 645 municípios sobre como identificar e tratar casos suspeitos.

“Estamos mobilizando os cerca de 100 mil médicos do Estado, das redes pública e particular, para que notifiquem imediatamente qualquer caso de pacientes com problemas respiratórios agudos, que cheguem principalmente do México e dos EUA”, afirmou o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Luiz Roberto Barradas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Infraero anunciaram o reinício do Plano de Contingência à Influenza em 10 aeroportos brasileiros, o mesmo utilizado em 2006 durante a epidemia da gripe aviária. Segundo o governo, 7 mil pessoas desembarcam diariamente nos aeroportos do País vindos de voos procedentes dos Estados Unidos e do México. Ontem, em Cumbica e no Galeão, no Rio de Janeiro, avisos sonoros davam informações aos passageiros.

Entre as orientações está a de que as tripulações dos voos vindos das áreas de contágio deverão avisar a torre de controle dos aeroportos sobre a eventual existência de passageiros com sintomas da doença. Em caso de suspeita, ambulâncias encaminham o paciente para um dos hospitais referência. Além da pessoa com sinais da gripe, todos os demais tripulantes e passageiros deverão ser monitorados, por telefone, por dez dias. A Anvisa se reúne hoje com o sindicato e as companhias aéreas para acertar detalhes da ação.

No domingo, a principal reclamação de quem chegava aos aeroportos do País era a falta de informação e mobilização dos agentes brasileiros. A falha foi reconhecida pela Anvisa, que justificou o atraso devido aos problemas na impressão de folhetos informativos.

AS AÇÕES

O governo distribuirá 1 milhão de panfletos informativos

Compra de 100 mil máscaras cirúrgicas descartáveis para agentes de saúde e população

50 hospitais de referência no País receberão os casos de suspeita de contaminação do vírus

Na capital, esses hospitais são: Hospital das Clínicas, Emílio Ribas e Hospital São Paulo

Envio de mensagens sonoras às companhias aéreas e aeroportos para que elas sejam reproduzidas nos voos e nos saguões

Monitoramento por telefone, por até 10 dias, de passageiros que estiveram em um voo com algum suspeito de contágio

Utilizar as informações da Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA) para eventual busca de contatos em caso de suspeita

Estabelecer um acordo de colaboração com as companhias aéreas, que deverão informar sobre passageiros com sintomas

As tripulações deverão orientar os passageiros sobre a doença e solicitar que as pessoas com sintomas se identifiquem

Dúvidas sobre a gripe suína poderão ser esclarecidas pelo telefone 0800-61 1997

Informações também estão disponíveis no site: www.anvisa.gov.br/hotsite/influenza/index.htm


HISTÓRIA

SEM ALARDE

Autor de uma série de estudos sobre saúde pública e as epidemias do século 20, o sociólogo e historiador Claudio Bertolli Filho, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), combate o estado de pânico e lembra dos avanços da medicina nos últimos cem anos. “Sempre que se fala em gripe fica a ideia de que uma tragédia vai acontecer, milhões serão contaminados e milhares morrerão. Esse é um discurso muito comum e que de tempos em tempos reaparece. O que se desconsidera nesse discurso é a evolução da saúde”, diz
o especialista

GRIPE ESPANHOLA

Segundo ele, existe a hipótese de que a gripe espanhola (que arruinou o mundo em 1918) tenha surgido em um quartel no Texas, antes da 1º Guerra Mundial, que ficava ao lado de uma criação de porcos

MUTAÇÃO

Bertolli Filho diz ainda que o vírus gripal é um dos que mais muda com o decorrer do tempo. Especula-se que, em média, a cada 80 ou 90 anos, uma mutação cause a elevação do grau de letalidade dos vírus. Quando isso ocorre, corresponde a cerca de 1% a 1,5% de mortes do universo de contaminados

28/04/2009 - 09:39h Espirito de porco

Panico sobre gripe serve à especulação na bolsa, venda de remédios, xenofobia contra imigrantes e queda no consumo de carne de porco. Aqui no Brasil seguramente para atacar o presidente Lula, como já aparece em algumas cartas de leitores nos jornais. É o que se chama espirito de porco.
Leia a seguir a interessante entrevista publicada hoje no jornal O Estado de São Paulo com um historiador que reposiciona no seu contexto histórico o alarmismo midiático atual. LF

Clique na imagem da entrevista do jornal O Estado SP para ampliar e ler

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28/04/2009 - 08:39h Entenda a gripe suína

Gripe surgiu em criações de porcos e reúne genes de vírus que podem atingir suínos, aves e humanos. Saiba o que ela é e como se prevenir

Fonte O Estado SP


27/04/2009 - 22:00h Boa noite

Brahms Lullaby (canção de berço) por Slava Kagan-Paley