Bric pressiona Fundo por mais poder de voto

Bob Davis, The Wall Street Journal, de Washington – VALOR
A pressão do Brasil, Rússia, Índia e China para que o Fundo Monetário Internacional faça sua primeira emissão de títulos tornou-se parte de uma estratégia por parte dos países em desenvolvimento para ganhar mais poder de decisão no FMI.
Esses quatro países declararam-se dispostos a contribuir para quadruplicar os recursos do FMI, que chegariam a US$ 1 trilhão, sobretudo adquirindo títulos. Estes seriam denominados na quase-moeda do FMI, os chamados Direitos Especiais de Saque, com vencimento de cerca de um ano, e seriam vendidos apenas para os bancos centrais. Se os países do Bric conseguirem o que desejam, os títulos também poderão ser vendidos em mercados secundários, para ficarem mais líquidos.
A proposta de compra dos títulos se destina a enviar uma mensagem dupla, disse Eswar Prasad, ex-autoridade do FMI que continua em contato constante com os representantes chineses e indianos. Os países do Bric estão dispostos a contribuir com o FMI, mas “não querem se comprometer a contribuir com mais dinheiro antes de conseguir mais” poder de voto no Fundo, disse Prasad.
Os direitos de voto e a emissão de títulos do FMI são questões que estiveram no alto da pauta das reuniões do órgão, que também discutiu o estado da economia global e o apoio a ser oferecido a países de baixa renda.
Em declaração feita no sábado ao principal comitê consultor do FMI, o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, disse que o FMI “ainda tem que tratar do seu pecado original: o seu déficit de democracia”. O ministro da Fazenda egípcio, Youssef Boutros-Ghali, presidente do conselho desse grupo consultivo, disse ao Wall Street Journal que deseja obter o envolvimento dos líderes nacionais para reformar o sistema de votação do FMI. A cota de cada país nas votações do FMI supostamente reflete, de modo geral, o poder econômico global do país mas, no momento, concede um peso muito maior àqueles que se tornaram poderosos depois da Segunda Guerra Mundial.
Em março de 2008 o FMI anunciou que a participação dos países emergentes aumentaria em apenas 5,4 pontos percentuais. Agora o FMI se comprometeu a reexaminar a questão em 2011; mas os países do Bric acreditam que a necessidade que o Fundo tem de maiores aportes lhes dá mais poder de fogo.
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