Misia
Mar de mágoas sem marés
Onde não há sinal de qualquer porto
De lés a lés o céu é cor de cinza
E o mundo
desconforto
No quadrante deste mar que vai rasgando
Horizontes sempre iguais à minha frente
Há um sonho
agonizando
Lentamente, tristemente
Mãos e braços para quê
E para quê os meus cinco sentidos
Se a gente não
se abraça não se vê
Ambos perdidos
Nau da vida que me leva
Naufragando em mar de trevas
Com meus sonhos de menina
Triste sina
Pelas rochas se quebrou
E se perdeu a onda deste sonho
Depois ficou uma franja de espuma
A desfazer-se em bruma
No meu jeito de sorrir ficou vincada
A tristeza de por ti não ser beijada
Meu senhor de todo o sempre
Sendo tudo não és nada.
Lisboa…o fado…permita-me sonhar… embevecimento…Assim…ele vai chegar na zona boêmia e me acompanhar ao café
direi que diminua a pressa dos passos, iremos pé ante pé…
vagarosamente, a vida vai se colorir de rosa, entrelaçamos as mãos,
a energia nos invadirá repentinamente, o beijo explode no calor do nosso abraço…
será verdade ouvir sua voz sussurrada me chamando de “meu amor”…
meus olhos buscarão o encanto do seu sorriso, nada será mais importante que ele,
em mim, a sua presença, à nossa volta, Lisboa…e nos ouvidos, a chorar, o fado…