Rigotto descarta aliança entre PMDB e PT no RS em 2010
| Ruy Baron/Valor – 6/3/2008 |
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| Rigotto: PMDB gaúcho fecha portas para negociações em torno de um palanque aliado para a candidatura Dilma |
Sérgio Bueno, de Porto Alegre – VALOR
As articulações do PT para formar palanques únicos com o PMDB nos Estados para a campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República devem ir por água abaixo no Rio Grande do Sul diante da determinação dos pemedebistas gaúchos de bancar a candidatura própria ao governo estadual. Segundo o ex-governador Germano Rigotto, que junto com o prefeito reeleito de Porto Alegre, José Fogaça, é um dos mais cotados para a disputa, o PMDB gaúcho não vai cometer o mesmo “erro” do partido em nível nacional, de ficar “a reboque” do PT ou do PSDB em nome dos interesses de uma “cúpula totalmente distanciada da base e que se preocupa muito mais em obter favores e espaços” no governo federal.
Incansável defensor da candidatura própria do PMDB à Presidência, Rigotto não exclui terminantemente a possibilidade de ser o candidato ao governo, mas prefere concorrer a senador em uma chapa com Fogaça para governador e ainda com o PTB e o PDT, que indicariam os candidatos a vice e à segunda vaga ao Senado – “E isso não significa que não devemos buscar outros partidos, como o PP, o PPS e o DEM”. Dos três senadores gaúchos, dois (Paulo Paim, do PT, e Sérgio Zambiasi, do PTB) encerram seus mandatos em 2010, enquanto Pedro Simon (PMDB) terá mais quatro anos pela frente.
Rigotto reconhece que Fogaça age certo em não assumir agora a candidatura ao governo, para não se expor poucos meses após a reeleição à prefeitura. Mas, além de facilitar a coligação com o PTB, que participa do governo municipal, e do PDT, que tem a vice-prefeitura e assumiria a administração em caso de vitória da chapa, o prefeito está presente na memória dos eleitores por conta da eleição passada e tem níveis de popularidade melhores do que no primeiro mandato. Segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada dia 22 de março, Fogaça estaria em segundo lugar na disputa pelo governo estadual, com 27% das intenções de voto, apenas três pontos atrás do provável candidato do PT, o ministro da Justiça, Tarso Genro.
“É uma candidatura para ganhar”, afirma Rigotto, que na mesma pesquisa do Datafolha aparece com 18% contra 32% de Tarso. Ao mesmo tempo, uma eventual eleição para o Senado daria ao ex-governador mais visibilidade e condições de influenciar as decisões da cúpula nacional do partido e se apresentar, aí sim, como alternativa em 2014 para o Planalto. “Se eu tivesse vencido a eleição no Rio Grande do Sul ninguém me tiraria a candidatura à Presidência hoje”, diz o ex-governador. Em 2006, ele também chegou a disputar prévia contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, mas depois o PMDB optou por não sair com candidato próprio.
Agora, diz, urge recuperar-se da derrota de 2006 com a candidatura ao Senado – “Em Brasília posso influir na agenda nacional, nas reformas estruturais e nas mudanças pelas quais o PMDB precisa passar”. Um eventual retorno ao governo, diz, retardaria esse processo.
Se os planos de Rigotto para a composição da chapa à eleição estadual forem bem sucedidos, o Rio Grande do Sul seria um laboratório para o papel de “terceira via” entre o PT e o PSDB que ele defende para o PMDB. Segundo ele, o partido deve deixar os cargos que ocupa na administração da governadora tucana Yeda Crusius até setembro. Na pesquisa do Datafolha, Yeda aparece apenas em terceiro lugar, com 8% ou 9% das intenções de voto, dependendo do cenário apresentado.
O ex-governador sabe que a tese da candidatura própria do PMDB para a Presidência em 2010 não vai prosperar e que os líderes do partido, inclusive no Rio Grande do Sul, vão se dividir entre Dilma e o candidato do PSDB, possivelmente o governador de São Paulo, José Serra. Mesmo assim, e ainda que não passasse do primeiro turno, ele acredita que um eventual candidato pemedebista movimentaria o partido e o ajudaria a se descolar do rótulo fisiologista adquirido ao longo dos anos.
Rigotto cita como bons nomes para a disputa à Presidência o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os governadores Sérgio Cabral (RJ), Paulo Hartung (ES), Luiz Henrique da Silveira (SC), Roberto Requião (PR) e Eduardo Braga (AM). Todos têm visibilidade e condições de crescer no processo eleitoral, mas o problema é que ninguém se apresenta porque sabe que não terá a sustentação efetiva da cúpula partidária, admite o ex-governador gaúcho.
Tags: , 2010, Fogaça, PMDB, PT, Rigotto, RS, Tarso Genro, Yeda Crusius
Bem, gostaria de fazer algumas considerações tratando da matéria vinculada nesta página.
As pesquisas que estão por aí mostram que tanto o Ministro Tarso Genro quanto o Prefeito Fogaça ou Rigotto, ocupam posições privilegiadas bem a frente da atual Governadora Yeda Crusius, no cenário atual da corrida ao Governo do Estado 2010.
Porém, um fato relevante deve ser observado. Qualquer um dos três candidatos deverá, em minha opinião, colocar em prática uma estratégia que será crucial na conquista das próximas eleições – a aliança com o PTB de Zambiasi, que hoje pode ser projetado como a figura de uma noiva que a cada dia ganha mais pretendentes.
Mas porque o PTB seria o fiel da balança no próximo pleito? Cabe salientar que o PDT, outro partido trabalhista, já está comprometido com o PMDB. O atual Prefeito Fogaça, autor da famosa canção Vento Negro, uma vez que for candidato a Governador deverá passar a Prefeitura de Porto Alegre de mãos beijadas para o Vice Fortunati (PDT). Este há muito não vê a hora de assumir a prefeitura da Capital Gaúcha. Mas quem não se lembra da rasteira que o PT passou no Magrão Fortunati? Pois é, agora quem sabe ele chega ao objetivo que busca por tantos anos! E melhor, sem fazer força e de lambuja, saboreando uma pontinha de revide aos antigos aliados da esquerda.
Vejam como a próxima eleição começa a se complicar ainda em 2009. Lembram quando o PT elegeu Olívio Dutra derrotando o Britto? Bem, pra quem não lembra, vale ressaltar que o PDT apoiou o PT graças ao líder Colares que resolveu se abraçar com a esquerda no segundo turno. Essa foi a única vez que o PT chegou ao poder no Estado, provando que ele só ganha com a soma ou apoio de um partido de centro. Esse partido, agora com o PDT fora da corrida ou já acertado com o PMDB, deverá ser o PTB e podem apostar que as conversas já começaram…
E a Governadora, onde fica em tudo isso? Bem, vamos lá. De cara ela já tem feito algumas mudanças fundamentais. Uma delas foi mudar sua equipe de governo. Todos sabem que os dois primeiros anos de governo foram repletos de técnicos que contribuíram para que as metas de zerar as dívidas do Estado dessem certo. Por outro lado, se tratando de política foi uma tragédia! A comunicação foi sempre repleta de ruídos, nem mesmo o PSDB, partido da Governadora, se entendeu nestes dois primeiros anos com o PFL, partido do Vice Governador. Não vamos nem falar nisso, no momento seria utopia.
Mas o Diabo só e Diabo porque é velho. Se alguém duvida da reeleição da Governadora, pode começar a repensar seus conceitos políticos. Quem convive próximo a líder maior do PSDB no Estado, afirma que ela sabe muito bem ser carismática e popular quando se faz necessário. Além do mais, nos últimos meses, muitas alterações foram feitas e outras estão em pleno vapor, os técnicos começam a dar lugar para os políticos, que a convite da Governadora, começam a ocupar espaços importantes e estratégicos no Governo do Estrado.
Por fim, existe ainda o tabu da reeleição. É verdade absoluta que o Rio Grande nunca reelegeu um governador antes, mas temos que aprender que em política tudo pode mudar. Prova disso é que a Capital Gaúcha acaba de reeleger pela primeira vez na historia um Prefeito, lembram? Pois é, na política tudo é muito dinâmico, um ano nunca é igual ao outro e melhor ainda, o que virá será possivelmente bem diferente.
Sendo assim, façam suas apostas! O jogo político começou! Mas lembrem-se, quem arriscar algum palpite poderá perder antes da largada do partidouro. Ah! É bom lembrar que nas eleições anteriores os últimos nas pesquisas acabaram em primeiro.
Abraços a todos os leitores,
Renato Jaguarão,