31/05/2009 - 22:00h Boa noite

Nelson Freire toca de Rachmaninov o Estudo – Tableaux opus 39 n° 5

31/05/2009 - 20:55h Delírios de amor em paraísos criados pelas canções

Dois contratenores, de tessitura vocal equivalente à feminina, arriscam-se em composições fora de suas especialidades

 

João Marcos Coelho – O Estado SP

 


Como encapsular música de alta qualidade em pílulas que não durem mais de 4 ou 5 minutos? Quem trabalha com a canção popular sabe como é difícil. Poucos sabem, porém, que os grandes compositores eruditos foram os primeiros a bater-se neste domínio. Sem capitular na direção da banalidade, conseguiram aliar a necessidade de comunicabilidade imediata com elevadíssima qualidade de invenção. Anteciparam mestres da canção popular como Irving Berlin, Cole Porter, George Gershwin e o nosso Tom Jobim.



Ouça trecho de “Beim abschied”, de Jörg Waschinski


Dois CDs lançados no mercado internacional diferenciam-se das interpretações rotineiras desse tipo de canção por suas propostas inovadoras. Releem com olhos e ouvidos de século 21 o magnífico repertório da canção culta. As novidades começam pelos intérpretes. Em lugar de sopranos, contraltos, tenores ou barítonos, dois contratenores (leia ao lado). Esses cantores, com voz feminina e muito maior potência vocal, em geral limitam-se ao repertório barroco do século 18 (período em que os “castrati” dominavam a cena musical europeia). Pois o alemão Jörg Waschinski e o francês Philippe Jaroussky adentram os reinos do “lied” e da “mélodie” quebrando ruidosamente esse dogma. Ambos estão na casa dos 30 anos, em plena maturidade vocal e são notáveis intérpretes. Waschinski, com um registro mais puxado para soprano, acaba de gravar dezesseis lieder de Clara Schumann, a mulher-pianista de Robert Schumann – mas não com acompanhamento convencional de piano, e sim em arranjos para quarteto de cordas (selo Phoenix). Enquanto isso, do outro lado do Reno, Jaroussky, o contratenor-sensação da cena francesa atual, assume risco ainda maior: enfrenta 24 “mélodies” francesas no CD Opium (selo Virgin).

A canção culta teve historicamente duas florações excepcionais, na verdade, dois estilos bem caracterizados que nasceram, cresceram, atingiram o clímax criativo e desapareceram aos poucos, numa morte praticamente silenciosa. Primeiro veio o lied, a canção culta alemã para voz e piano, cujo ciclo vital vai de Franz Schubert, nas primeiras décadas do século 19, a Richard Strauss, até meados do século 20. Um arco de 150 anos preenchido com grandes compositores germânicos, de um gênero que mergulha fundo no romantismo e faz de cada canção praticamente uma viagem. Na França, o “lied” virou “mélodie”, adquiriu personalidade própria e acrescentou a esta agenda romântica alemã refinamento, humor, gosto pela paródia e a busca da perfeição, cultuados nos disputadíssimos “salons” parisienses. Hector Berlioz, com suas Nuits d’Eté (1841), foi o precursor de um punhado de notáveis criadores que fizeram do reino da canção curta o seu gênero preferido.

Jaroussky teve de “desaprender” para se dar bem nesta gravação. Ou seja, despir-se da afetação, aproximar-se o máximo possível da voz falada. Em suma, colar em intérpretes célebres do gênero, como Gérard Souzay ou Pierre Bernac. Numa das suas muitas entrevistas concedidas a revistas especializadas europeias, Jaroussky diz que ouviu mais Jacques Brel e Edith Piaf do que os acima citados. Entende-se: a mélodie nasceu nos salões elegantes de Paris. Imagine-se, por exemplo, o compositor que dá o eixo ao disco, Reynaldo Hahn (1873-1947). Ele cantava nestes salões acompanhando-se ao piano. Venezuelano cuja família fixou-se em Paris em 1878, ele sentia-se francês. O caso amoroso com Marcel Proust celebrizou-o. Dele, Jaroussky interpreta cinco canções. É difícil destacar qual delas é a melhor: o incrível pastiche neobarroco À Chloris, a resignada Offrande ou a melancolicamente bela L’heure exquise?

Todo compositor popular atual deveria ouvir bijus como Sombrero, de Cecile Chaminade, compositora injustamente pouco conhecida (experimente a reflexiva Mignonne). E as quatro espantosas canções de Ernest Chausson? Ouça Les Papillons, com feérico acompanhamento de piano. Outro show de piano acontece na canção que dá título ao CD, Songe d’Opium, de Camille Saint-Saëns.

Como é impossível comentar cada uma delas, fixemo-nos nas três que contam com convidados de luxo. Primeiro, o violoncelo de Gautier Capuçon, destaque da conhecidíssima Elégie, de Massenet. Em seguida, a flauta de Emmanuel Pahud dialoga com extrema finesse com voz límpida, supereconômica nos vibratos, de Jaroussky, em Viens, une Flûte Invisible Soupire, de André Caplet, outro compositor perversamente esquecido. Mas quem sabe a mais surpreendente intervenção, que soa quase como improviso, seja a do violino de Renaud Capuçon na belíssima Violons Dans le Soir, de Saint-Saëns.

A pureza na linha do canto, a dicção clara e o timbre belíssimo fazem deste Opium um perfeito alucinógeno musical, que pode nos levar àquelas viagens por paraísos artificiais tão em moda no início do século 20. Não é por acaso que Jaroussky confessou em recente entrevista que seu ídolo é o maravilhoso tenor Fritz Wunderlich. Já a viagem de Jörg Waschinski é de outra natureza. Ele nos leva a um profundo mergulho pela intensa paixão vivida pelo casal Schumann – visto pela ótica musical de Clara (1819-1896). Ela tocou diante de Robert pela primeira vez aos 9 anos. Namorou-o depois, e contra a vontade de seu pai, por cinco anos. Permaneceram casados por dezesseis anos. Quando Robert morreu, ela tinha 40 anos e oito filhos para criar. Pianista excepcional – e também ótima compositora – renunciou à criação musical para não atrapalhar o marido.

Estes dezesseis lieder, compostos entre 1831 e 1853, contam uma linda história de amor. Clara parou de compor com a morte de Robert e aplicou-se novamente com vontade à carreira internacional de pianista (sempre ajudada por Johannes Brahms, seu apaixonado platônico). Quase todos foram escritos para Robert.

Waschinski, um das mais puras vozes de soprano entre os contratenores atuais, diz no texto do folheto do CD que quis trazer essas belas canções de um modo mais atraente para nossos ouvidos do século 21, a fim de conquistar novos públicos para o gênero. Acertou. Ele mesmo escreveu os arranjos para quarteto de cordas. E anota que o que o fascinou foi o fato de elas terem sido escritas ao mesmo tempo para sopranos e personagens masculinos. Realmente, sua escrita para quarteto é muito eficiente e amplia o arco expressivo das canções.

Sombrios Sonhos, a primeira delas, foi oferecida a Robert como presente de aniversário em 1840 e brinca citando no acompanhamento alguns artifícios usados por ele no ciclo Carnaval (na peça Eusebius). Um dos mais belos é “Por que você quer acreditar nos outros, que são desleais?”, sobre versos de Rückert, do ciclo Primavera do Amor, opus 12. Walzer relembra Papillons, de Robert, Der Wanderer retoma um dos temas mais recorrentes do romantismo musical e poético alemão, o do andarilho ou viajante.

Da viagem amorosa ao delirante ópio, as duas trips são imperdíveis, e têm tudo para encantar não só quem já conhece esses gêneros musicais, mas também podem provocar o embarque de novos ouvidos.

Philippe Jaroussky – Opium (Mélodies Françaises)

Que Voz É Essa?

Os contratenores têm uma tessitura vocal correspondente à voz de contralto feminina. Há quem considere que o contratenor é a continuação da voz de tenor em registro agudo – foi assim que eles surgiram, no século 15. Mas também se costuma incluir nesse grupo os falsetistas, que usam o registro de falsete para alcançar as notas agudas.

Não é, portanto, deslocado enxergarmos os contratenores como descendentes dos castrati, já que atualmente encontram no repertório deles o seu território privilegiado. Os castrati foram uma das inovações dos árabes em seus sete séculos de dominação da Península Ibérica: uma vez castrados entre os 8 e os 13 anos, os meninos conservavam miraculosamente a voz infantil e ao mesmo tempo seu crescimento físico proporcionava uma potência vocal impossível de se encontrar na voz feminina.

A razão principal para esse procedimento era religiosa, já que na Igreja Católica as mulheres estavam proibidas de cantar nas missas. Mas os castrati se espalharam pelos palcos líricos e as salas da nobreza do século 18. Haendel, por exemplo, reservou para o castrati Senesini os papéis de maior destaque em suas óperas. Apesar da proibição de tamanha perversidade ainda no século 19, o último castrato, Alessandro Moreschi, cantou na Capela Sistina até 1913.

Modernamente, o responsável pela ressurreição dos contratenores foi Alfred Deller (1912- 1979). Ele mesmo se qualificava como “alto”, mas o compositor Michael Tippett recomendou-lhe a expressão “contratenor”. Líder do Deller Consort nos anos 50 e 60, trouxe para o primeiro plano uma imensa quantidade de música vocal antiga até então quase desconhecida.

31/05/2009 - 20:28h A musa dos surrealistas

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© Foto de Man Ray. Lee Miller foi considerada uma das mais belas mulheres de sua época. 1930

Lee Miller foi manequim, fotógrafa e musa dos surrealistas, sendo considerada uma das mais belas mulheres de sua época. Iniciou sua carreira em Nova Iorque trabalhando como modelo para a revista Vogue, tornando-se rapidamente a musa de muitos fotógrafos, entre eles Steichen, Man Ray, Horst P. Horst e Hoyningen-Huene. Em 1929, Lee Miller mudou-se para Paris e tornou-se assistente e companheira de Man Ray. Seu sucesso encorajou-a se tornar-se fotógrafa. Em 1932, Lee Miller voltou à Nova Iorque onde abriu seu próprio estúdio. Ela conheceu o sucesso graças aos seus retratos refinados de moda e publicidade. Lee Miller casou com um rico empresário egípcio, mudou-se para o Cairo e fotografou o deserto, as aldeias abandonadas e as ruínas do Egito. Em 1937, ela conheceu o pintor Inglês Roland Penrose, que se tornou seu segundo marido. Lee Miller mudou-se para Londres junto com Roland Penrose. Ela colaborou para a revista Vogue e depois se tornou correspondente credenciada pelo Exército norte-americano. Foi a única mulher chamada pelo exército para cobrir a guerra na Europa. Suas fotografias sobre a libertação dos campos de concentração de Buchenwald e Dachau foram publicadas na edição da Vogue americana em junho de 1945. Veja mais fotos de Lee Miller Aqui.

Fonte Images & Visions

31/05/2009 - 19:56h Coloratura

Anna Netrebko canta o primeiro movimento do concerto de Gliere para Soprano Coloratura e Orquestra

31/05/2009 - 18:24h Diferença

Maria Teresa Horta

Aquilo que é secreto
à tua beira
e longe de ti se torna
tão corrente

Aquilo que é vulgar
longe de ti
mas se estás perto
se torna tão diferente

Aquilo que é mistério
indecifrável

se te aproximas até à minha
cama

E que se torna
raivosamente instável
se por acaso não dizes que me amas

Aquilo que é segredo
se o não escutas
e a tua beira fica
desvairado

Destino, Quetzal Editores, 1998 – Lisboa, Portugal

31/05/2009 - 12:40h Serraluf na segurança: a receita que dá voto em São Paulo

Pouco importa se os latrocino estão em alta ou se cada dois dias um condomínio é assaltado na cidade.

O que conta é mais o que faz de conta. No caso fazer de conta que o governo estadual aplica a mão de ferro contra a bandidagem.

Pensando bem, é até necessário que o clima de insegurança e de violência persista e se espalhe, pois permite que o faz de conta tenha maior impacto eleitoral (depois é só manipular B.O. e alinhavar estadísticas para mostrar eficiência).

Pouco importa se os pobres são aterrorizados, pelo faz de conta da segurança, é o que parece pensar uma parte da classe média abastada da cidade.

Pouco importa lei, justiça, direitos para fazer prevalecer… o faz de conta.

Assim age o PSDB em matéria de segurança. Como trogloditas a serviço de sua própria propaganda.

A mão de ferro contra a criminalidade é necessária sim.

A repressão e a luta ao crime organizado deve ser prioridade, sim.

Aterrorizar a população indefesa para fazer de conta que o governo estadual age contra a delinquência é o recurso patético dos incompetentes. LF

http://www.rc.unesp.br/igce/planejamento/gpapt/paraisopolis.jpg

Aterrorizar a esquerda (Paraisópolis) para vender o faz de conta a direita (Morumbi).

82 dias de medo em Paraisópolis

Moradores denunciam violência da PM l Barracos foram invadidos sem mandados judiciais l Trabalhadores, crianças e idosos relatam sessões de tortura l Comando da PM nega abusos e agressões na favela

Bruno Paes Manso – O Estado SP

Os números oficiais da Operação Saturação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, são chocantes. De acordo com a Prefeitura, moram 60 mil pessoas no bairro. Durante pouco menos de três meses de operação, entre 4 de fevereiro e 26 de abril, 400 policiais em 100 viaturas e um helicóptero, com 20 cavalos e 4 cachorros, aplicaram 51.994 revistas a moradores do bairro.

A operação teve início depois dos tumultos provocados por algumas dezenas de moradores, em 2 de fevereiro, que deixaram três PMs baleados. Entre os agitadores havia integrantes do tráfico de drogas local. Como resposta, nos dias que se seguiram ao quebra-quebra, parte da tropa deixou rastros de abusos e violência. “Durante a ocupação, tentativas de desestabilização das forças de segurança foram levadas a efeito por parte de pessoas que se sentiam incomodadas com a presença da polícia”, defende o capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM. Segundo ele, não há provas de abusos e agressões.

Na semana passada, o Estado esteve em Paraisópolis. Ouviu dezenas de histórias chocantes, em diferentes pontos do bairro. Testemunhos semelhantes já foram ouvidos por entidades como Associação dos Juízes pela Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo e Associação Paulista dos Defensores Públicos.

De acordo com a polícia, no balanço da operação constaram 93 flagrantes, captura de 61 procurados, 31 armas e 9,9 kg de cocaína apreendidos. Mas o saldo final vai além: sobrou raiva, humilhação, revolta, indignação que ninguém ainda é capaz de dizer o que isso de fato pode significar para a cidade. Seguem os testemunhos de moradores colhidos pelo Estado:

EM DEFESA DOS FILHOS

Auxiliar administrativa em uma empresa de telefonia, Gisele Cristina dos Santos, de 28 anos, teve o barraco invadido seis vezes pela polícia. Em nenhuma delas havia autorização judicial. Na primeira, um domingo de manhã, ela, marido e seis filhos, crianças de 1 a 12 anos, estavam em casa. O marido esticava um novo varal e chamou a atenção dos policiais por causa de uma tatuagem. Perguntaram se ele tinha “passagem”. Ele informou que estava sob condicional, mas não devia na Justiça. Os policiais chutaram o portão e invadiram o quintal perguntando por drogas. Em seguida, entraram na casa e rasgaram o sofá. O pai apanhou na frente dos filhos. Em outras duas vezes, policiais entraram quando só havia crianças em casa. Falaram para a mais velha que o pai havia pedido a eles que buscassem o revólver. “Onde está a arma?”, perguntavam os policiais. “Meu pai não rouba”, a criança respondeu. A casa também foi invadida quando não havia ninguém. Dois baldes de água com latas de leite que ela recebeu do programa da Prefeitura, misturadas com detergente e pó de café, foram espalhados pelo chão e paredes. Gisele teve seu MP5 furtado. Depois das seguidas sessões de abuso, ela fundou o movimento “Paraisópolis Exige Respeito!”, com um blog na internet. Perguntada se o nome dela podia aparecer no jornal, Gisele foi categórica: “Coloque em negrito, com letras maiúsculas.”

CHAMADA ORAL DA BÍBLIA

Nos cálculos da aposentada Maria Alves da Rocha, de 59 anos, policiais invadiram a casa onde ela mora com a neta de 17 anos e dois filhos por cerca de 15 vezes. Nunca apresentaram mandado. Na primeira invasão, eles entraram com um pontapé na porta. Os vizinhos avisaram ao filho, que é pedreiro e trabalhava na vizinhança, que chegou em instantes e sugeriu para a mãe que deixasse a polícia trabalhar. “Quem não deve não teme”, disse. A polícia depois não se cansou de voltar. Bagunçavam o guarda-roupa, xingavam e humilhavam os que estavam em casa. Dona Maria contou aos policiais que era evangélica. Um deles solicitou uma Bíblia para perguntar o que estava escrito em dado versículo do Evangelho de João. “Sou analfabeta, mas entendo a palavra dos pastores e consegui responder”, diz Maria. O pé de capim-santo que ela cultivava no quintal para fazer chá foi arrancado pelos policiais, para checarem se não era droga.

É PROIBIDO CHORAR

Quando viu o movimento de policiais na viela em que mora, Antonio, de 13 anos, entrou em casa correndo. Os policiais o seguiram. Na porta do barraco, um anúncio escrito a giz pela mãe oferece: “Fais chapinha.” Dentro de casa, Antonio teve a arma apontada para cabeça. “Por que estava correndo? Onde é a boca?”, perguntava um deles, enquanto o estapeava. Outro policial revistava a casa. Antônio, que aparenta 10 anos, estava sozinho com o irmão, de 9. Os dois choravam muito. “Cala a boca vacilão. Vamos levar você para um quartinho escuro na Febem”, ameaçava o policial. Com os braços cruzados, esfregando os ombros, Antonio explica que ficou ainda mais assustado porque há alguns anos teve um tio assassinado por policiais. Os vizinhos, do lado de fora, viam tudo sem poder intervir porque temiam apanhar.

ESPINGARDA DE BRINQUEDO

Agnaldo Jesus Viana teve o sobrado em que mora, em cima do bar de sua propriedade, invadido quatro vezes. Os policiais cismaram com o jogo eletrônico que ficava na frente do estabelecimento e tinha uma espingarda a laser como acessório. Perguntaram para ele onde estavam as armas e quem fazia o tráfico na favela. Ele respondeu que “não mexia com isso”. A arma do videogame foi quebrada pelos policiais. A mulher de Agnaldo, nervosa, para tentar intimidar, disse que as câmeras que ficam dentro do bar estavam gravando os abusos. Eles obrigaram o casal a retirar o material do vídeo e entregar a eles. As visitas se repetiram. Agnaldo conta que a câmera digital e o notebook do vizinho foram roubados.

QUEM APANHA É A MÃE

Solange conta que estava bêbada no dia em que apanhou da polícia. Foi reprimida depois de chegar chorando e pedindo para não baterem no filho, que estava sendo revistado. Eles se irritaram com a cena e pediram a ela que os levasse em casa para ver se não havia drogas. O filho foi junto, sob tapas e socos. Na confusão, ela acabou levando uma cabeçada do filho agredido pelos policiais. Ficou com o olho roxo. “Hoje eu só sinto ódio”, diz o filho de Solange.

COMPENSADO DE MADEIRA

O ajudante geral Luiz Claudio Carlos, de 23 anos, estava na viela perto de casa sem documentos quando foi abordado por três policiais. Sem poder provar quem era, foi esculachado. Os policiais pegaram um compensado de madeira, jogaram em cima dele e começaram a pular em cima. Perguntavam sobre drogas e davam tapas no seu rosto. A alguns metros de distância, um menino jogava bolinhas de gude. Uma delas desceu em direção ao local onde ocorria a sessão de tortura. O policial perguntou o que menino queria e começou a estapeá-lo. O garoto apanhou sem dizer nada. Quando foi liberado, disse ao policial: “Muito obrigado.” O soldado ficou irritado e voltou a agredir o menino.

RODÍZIO PARA BATER

Sílvio de Moraes Pereira, de 21 anos, quer ser tatuador. Tem piercings, sobrancelhas cortadas e tatuagens. Fez estágio na Galeria do Rock. Andava pela viela às 8 horas da manhã quando foi abordado e obrigado a tirar a roupa e ficar de cueca. Sentou em cima da mão e o acusaram de trabalhar no tráfico. Ele negou a ligação. Os seis homens perguntaram se ele teria coragem de levá-los à sua casa. Pereira topou. Jogaram o jovem em cima da cama e ele apanhou em rodízio: um dava socos na cara, outros nos rins e todos chutaram ao mesmo tempo com coturnos de bico de ferro, quando ele caiu no chão. Com medo de novas represálias, acabou se mudando.

CABEÇA DE MENINO

José Maria Lacerda, de 54 anos, coordenador da União de Defesa dos Moradores, revoltou-se com a prisão de William, que é deficiente mental. “Tem corpo de homem, mas cabeça de menino”, explica . Em um sábado de março, policiais viram a porta da casa do jovem aberta e a invadiram, enquanto William dormia. Ele apanhou, tomou um soco na boca e foi levado como traficante e até hoje se encontra preso no CDP de Osasco. Lacerda decidiu brigar em defesa do rapaz, que trabalhava como ajudante de carretos. Pediu ao amigo e advogado Gilberto Tejo Figueiredo, que atua na associação em processos imobiliários de usucapião, para defender William. “As testemunhas sempre são apenas os policiais que efetuam a prisão. Nunca levam os moradores que presenciaram a cena. É uma covardia”, diz Figueiredo. Mineiro, há tempos na luta por moradias, Lacerda é daqueles que preferem evitar conversas sobre crime, como se não fosse assunto de pessoa correta. Mas observa que os moradores de Paraisópolis estão sendo estigmatizados e ganharam na cidade a pecha de ladrões. “Para conseguir emprego precisamos evitar dizer o nome do bairro em que moramos”, diz.

OUTROS OLHOS PARA O MUNDO

Extrovertida, vaidosa, unhas pintadas de vermelho, a cabeleireira Aurenice Soares dos Santos sempre gostou de policiais. Na última eleição, fez campanha para Gilberto Kassab. “O Kassab é um homem lindo!”, diz. Passou a enxergar o mundo com outros olhos em uma manhã de março. Na viela onde mora, quatro casas foram invadidas. O marido estava no andar de cima do sobrado, com a máquina de lavar ligada. Um grupo de 11 policiais chegou ordenando que ela abrisse a casa. Nervosa, disse que não conseguia encontrar a chave. Os policiais quebraram a janelinha da porta, colocaram a cabeça para dentro e tentaram forçar a entrada. Aurenice aguardou calada. Os policiais desistiram quando parte do grupo começou a entrar na casa de baixo. No vizinho, a polícia abriu a janela com um soco, assustando as duas irmãs de 16 e 17 anos que estavam de pijama e acordaram com o barulho. Ela ouviu o choro do outro irmão, de 3 anos, com deficiência nas pernas. Viu o filho da vizinha ser humilhado e obrigado a se sentar em cima de uma poça d?água. Enquanto a operação durou, Aurenice evitou sair de casa. Permanece em depressão e toma diazepam, clonazepan, Tofranil e Diurex.

IZAQUE CIRIACO MARTINS

Izaque Ciriaco Martins, de 26 anos, trabalha como copeiro em uma churrascaria do Morumbi e chega todo dia em casa após a 1 hora da manhã. Cansou de ser revistado nas operações da polícia. Foram pelo menos cinco vezes em que era tratado como bandido por viver em Paraisópolis. Em certas madrugadas, teve de dar longas caminhadas a pé para chegar em casa porque o caminho mais curto estava bloqueado pela polícia.

A POSIÇÃO DA POLÍCIA

O capitão Emerson Massera, da Seção de Comunicação Social da PM diz: “A presença de criminosos na comunidade exigiu uma pronta ação, que culminou na estratégia de ocupação, objetivando criar um clima de segurança às pessoas de bem. E foi o que efetivamente ocorreu! Duas denúncias chegaram a ser feitas formalmente.” E completa: “Restou provado que não houve abuso ou agressão.”

31/05/2009 - 11:19h Trimestre até que está bom

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Alberto Tamer* – O Estado SP

Falta apenas um mês para terminar o segundo trimestre e já podemos fazer um balanço preliminar do que passou e o do que pode ocorrer nos próximos 30 dias.

Já sabemos que a recessão mundial tem sido contida, não foi tão grave como se esperava, embora tenha atingido duramente a economia e jogado na rua milhões de desempregados. Só não foi pior porque, mesmo com atraso agora perdoável, os bancos centrais e governos socorreram o sistema financeiro em sua coreografia de ganhos insustentáveis, estimularam a demanda, o emprego e atenuaram o impacto da crise no mercado de trabalho.

O que podemos constatar neste quase fim de trimestre é que os EUA, pelo menos até agora, evitaram um aprofundamento da recessão. Ela pode até mesmo ser superada no próximo trimestre. Não deve haver crescimento mas, pelo menos, tudo indica que a economia deixou de piorar. E se eles se recuperarem, o mundo pode ir atrás.

O BRASIL NO BIMESTRE

Já dissemos: estamos nos saindo bem nestes dois meses. Agimos com ousadia e em tempo. Não vou repetir aqui o que o governo fez de certo, pois os leitores da coluna já estão informados. O desemprego é grande, mas parou de aumentar. A indústria continua declinante, mas a agricultura segue vigorosa. As exportações recuam, mas os investimentos externos não param de aumentar.

É tanto dinheiro que até incomoda e preocupa o governo. O crédito era escasso no bimestre, mas está voltando. E o povo confia mais, com os supermercados e as lojas vendendo mais.

O caso brasileiro é singular. Nós entramos na recessão com atraso, depois dos EUA e da Europa que já afundavam nela. Estávamos fortes e tínhamos espaço para recuar com perda e sofrimento menores.

Com as medidas financeiras, fiscais, tributárias e monetárias do governo, e o impulso do passado, a economia pode sair da recessão mais cedo e menos enfraquecida.

O ministro da Fazenda reconheceu, afinal, que estamos em recessão. Não teve acanhamento em contradizer tudo o que ele e o presidente afirmavam antes. Eram os otimistas de plantão… Mas acertou ao dizer: “passou e vamos continuar lutando para que isso não se repita”.

No fim deste bimestre, podemos dizer que recebemos bem o impacto da crise e estamos prontos para sacudir a poeira, não voltar por cima, mas sair andando. Aos tropeços, sim, mas andando. Há ainda o fantasma do desemprego, a retração da indústria, o consumo interno que ainda pouco se anima, os salários reduzidos e em risco, as exportações que sofrem o triplo impacto do câmbio, do financiamento e da retração da demanda externa. Mas são desafios para os quais as soluções já estão encaminhadas.

O EXIMBANK OPORTUNO

Veio bem na hora a proposta de criar um banco especial para financiar o comércio exterior – não só as exportações, mas também as operações externas ligadas a elas. A experiência mostra que desempenho do comércio é um dos sinalizadores da economia mundial. Geralmente, é um dos primeiros a reagir após um período de forte retração. E já existem indicações de alguma reação, principalmente no mercado de commodities agrícolas que são o sustentáculo das nossas exportações.

O Eximbank brasileiro é bem-vindo. Se for mesmo instalado neste ano, certamente vai ajudar muito o País a sair da recessão e voltar a crescer. Nota 9 para a equipe econômica.

MAIS UM PARA A EXPORTAÇÃO

“Por que 9 e não 10?”, deve estar se perguntando o leitor. Pois falta outra medida fundamental para reanimar as exportações: um organismo que concentre a política de comércio exterior, hoje distribuída por vários ministérios que não se entendem. Em tese, o Ministério do Desenvolvimento é oficialmente responsável, mas vá dizer isso ao ministro Miguel Jorge…

Quando se trata, então, de acordos ou negociações internacionais, parece um samba do crioulo doido. O Itamaraty não ouve ninguém, se mete em tudo, e até agora ou não fez nada ou, quando fez, foi só tolice.

O ministro Celso Amorim sonha ainda o sonho de Doha. Mas Doha é a “virgem terminal” da diplomacia comercial. Só o nosso ministro ainda espera por ela nos altares vazios de Genebra.

Falta isso, sim. Um organismo único, com poderes de decisão. Não me venham falar de conselhos, que existem muitos em Brasília, em parte para aumentar os vencimentos dos funcionários ou a renda dos que os frequentam. Um conselho é o que a palavra diz, um “conselho”, aquele que “aconselha”, recomenda mas não decide. De que adianta dizer que é preciso fazer acordos bilaterais se o multilateralismo da OMC não funciona e o Itamaraty só promete e não faz nada? De que adianta dizer que não se deve desprezar o mercado americano como desprezamos estupidamente?

O mercado americano é o maior do mundo. Importava US$ 2 trilhões antes da crise, e importam ainda hoje US$ 1,7 trilhão. E a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caíram de quase 13%, em abril do ano passado, para 10,7%, em abril deste ano.

“Mas aumentamos as vendas para a China, senhor colunista!” Sim, sim, só que 70% do que a China importa são commodities e, dos EUA, manufaturados. Sem dúvida, uma troca “muy inteligente…”

Presidente, por que, juntamente com o Eximbank, não criar logo um organismo só para comandar (não coordenar) as exportações?

*Email: at@attglobal.net

31/05/2009 - 10:44h Objetivo do PSDB era quebrar o monopólio da Petrobras, dividi-la e privatizar uma parte, revela Sueli Caldas

A jornalista Suely Caldas, insuspeita de petismo, revela nesta nota a tentativa de desmembrar a Petrobras, de debilitá-la e quais eram os planos da privatização na época de FHC.

A ideia, antes como agora, era quebrar o monopólio estatal. Entregar uma parte dele aos grupos privados.

Como privatizar não é um palavrão e pode frequentar jornais e até livro didático, vale a pena distinguir entre fazer uma concessão de estradas à iniciativa privada (nisto também o jeito Lula e o dos tucanos mostra grande diferença) e alienar os principais instrumentos da ação do poder público como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal etc.

A crise global e a capacidade do Brasil resistir ao tsunami econômico financeiro, está estreitamente relacionado a preservação da Petrobras, o BB e a Caixa em mão do Estado. A maioria dos economistas coincidem hoje nesta avaliação.

Debilitar a Petrobras, desmembrá-la e privatizar uma parte pode voltar a agenda se os demo-tucanos conseguirem voltar ao governo. Hipótese que pode ser mais difícil do que supunham, visto o apóio crescente à Lula e à candidata Dilma Rousseff constatado nas últimas pesquisas. LF

http://4.bp.blogspot.com/_2JmIREeQfpA/ScG5cEzYaZI/AAAAAAAAAHg/dg-Up7cgSTM/s400/plataforma01.jpg

A Petrobrás em tempos de FHC

Suely Caldas*

Com o propósito político de derrubar a CPI da Petrobrás, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e outros integrantes do governo Lula têm declarado que a verdadeira intenção do PSDB é enfraquecer a maior empresa do País para, em seguida, realizar antigo projeto do governo FHC de privatizá-la. As declarações chegam em tom emocional e condenatório, como se a privatização em si fosse um demônio que precisa ser exorcizado, extirpado da alma humana. Esquecem que o governo Lula tem privatizado rodovias, usinas elétricas, linhas de transmissão, empresas e outros tantos projetos de investimento que implicam concessão pública. Ou seja, condenam verbalmente o que praticam na vida real.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso logo veio a público negar, em nota oficial, ter sido sua intenção vender a Petrobrás ao capital privado, mas não esclareceu o projeto de seu governo, que não era uma privatização clássica, mas tinha por objetivo quebrar o monopólio e provocar concorrência. E nem foi adiante. Mas existia, era real. O PSDB mais calou do que esclareceu.

A primeira parte do projeto foi revelada ao País no final de outubro de 1997 pelo então presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. A segunda parte é tornada pública agora, neste texto, por meio do mesmo Mendonça de Barros, em conversa que mantivemos na quinta-feira. “O modelo não era privatizar, mas criar uma segunda empresa com um pedaço da Petrobrás, com a finalidade de romper o monopólio, criar competição e avaliar eficiência em gestão”, explicou o ex-presidente do BNDES na conversa. Na época a estatal ainda não era uma empresa pública com 500 mil acionistas como é hoje e seu presidente era Joel Rennó, de quem eram cobradas eficiência e transparência na gestão.

Com o título Governo vai iniciar gestão privada na Petrobrás, a entrevista de Mendonça de Barros anunciava o plano para a estatal: numa primeira etapa seriam vendidos 30% do capital votante (que excediam os 51% do controle estatal) a grandes grupos nacionais privados. “Pensávamos em Grupo Ultra, Odebrecht, Votorantim, grupos fortes de capital nacional, capazes de competir com empresas estrangeiras”, conta hoje Mendonça de Barros. Em 1997 ele afirmava: “A Petrobrás é diferente da Vale, é uma empresa estratégica para o País e precisa ficar em poder do capital nacional. Quando for considerada a privatização, ela precisa ser olhada com cuidado especial.”

Só agora revelado pelo ex-presidente do BNDES, numa segunda etapa a Petrobrás seria dividida em duas empresas: a primeira, estatal, sob controle da União e detentora de 70% de todos os ativos (as reservas petrolíferas, as refinarias, os oleodutos, gasodutos, etc.). A segunda, controlada pelos grandes grupos nacionais que haviam adquirido 30% do controle na primeira etapa, começaria a operar com 30% dos ativos da antiga Petrobrás.

Segundo Mendonça de Barros, o verdadeiro objetivo não era vender a Petrobrás, muito menos desnacionalizá-la, mas resolver o dilema da falta de competição, por entender que todo monopólio, seja estatal ou privado, é nocivo aos interesses da população.

Naquele outubro de 1997 a entrevista de Mendonça de Barros caiu como uma bomba no Congresso. O senador gaúcho Pedro Simon exigiu do presidente Fernando Henrique um desmentido público às declarações. Pressionado, FHC enviou carta ao então presidente do Senado, José Sarney, garantindo que a Petrobrás não seria privatizada “em hipótese alguma”. A pressão política sobre FHC e a transferência de Mendonça de Barros para o Ministério das Comunicações para substituir Sergio Motta, que faleceu logo depois, acabaram por enterrar o projeto.

Em março de 1999 FHC substituiu Joel Rennó por Henri Philippe Reichstul na presidência da Petrobrás e iniciou uma nova estratégia, que consistia em fortalecer a estatal e prepará-la para competir com as grandes petrolíferas estrangeiras – no Brasil e no exterior. O choque de gestão valorizou as ações, multiplicou o valor de mercado da Petrobrás e deu a partida para o modelo de empresa pública que é hoje, com capital pulverizado e mais de 500 mil acionistas privados, mas sob controle estatal.

O curioso é que nessa entrevista de 1997 Mendonça de Barros defendia a ideia de formar grandes grupos nacionais por meio de fusões e incorporações, argumentando ser “essa a tendência do capitalismo moderno”. Argumento defendido pela ministra Dilma Rousseff, 11 anos depois.

*Suely Caldas, jornalista, é professora de Comunicação da PUC-Rio E-mail: sucaldas@terra.com.br

31/05/2009 - 00:01h Bon Anniversaire, Flavio

Tu n’est pas né a Toulouse et je ne suis pas de là et ta mère non plus. Mais ta naissance est quelque part associé a Nougaro. Un copain avait même composé une chanson avec ton nom et sur une musique de Nougaro, celle que j’ai reproduit en bas, je crois.

Bon anniversaire, mon petit-grand, ma première véritable réussite.

Toulouse par Claude Nougaro

Fabrice aussi a voulu contribuer avec ton anniversaire et il t’a choisie la vidéo qui suit

30/05/2009 - 22:00h Boa noite

Deh torna mio bene, Variações de Proch. Coloratura da soprano Natalie Dessay

30/05/2009 - 20:56h 2010 será decidido pela esperança, não pelo ódio

por Josias de Souza

As pesquisas eleitorais servem basicamente para três coisas:

1. Orientar partidos e candidatos;

2. Orientar os grandes financiadores de campanha;

3. Desorientar o eleitorado.

Elas desnorteiam a bugrada porque pesquisa feita a mais de um ano da eleição vale tanto quanto nota de três reais.

Tome-se, por eloquente, o exemplo da São Paulo do ano passado. As primeiras sondagens atribuíam a Geraldo Alckmin a aparência de candidato imbatível.

Venceu, como se sabe, Gilberto Kassab. Um nome que, tomado pelas sondagens inaugurais, parecia fadado ao fiasco.

Pois bem, à medida que a folhinha se aproxima de 2010, governo e oposição intensificam a encomenda de pesquisas.

Os últimos dados que chegaram às mãos do petismo e do tucanato esboçam um cenário parecido com o que produziu o êxito de Kassab.

Considerando-se a máxima de que pesquisa não é senão um “retrato do momento”, pode-se afirmar que o favorito José Serra não está bem na foto.

Em contraposição, Dilma Rousseff, a candidata de Lula, vai assumindo no porta-retrato as feições de uma Kassab de saias.

Bem-posto em todas as sondagens, Serra é assediado pelo “efieto Kassab”. Parece, aos olhos de hoje, favorito a fazer do rival escolhido por Lula o futuro presidente.

A despeito da crise, o governo Lula amealha confortável índice de aprovação.

De acordo com dados recolhidos pelo Vox Populi, por encomenda do PT, a avaliação positiva do governo bate em 87%.

Inclui as menções “ótimo”, “bom” e “regular positivo”. Ainda que se considere imprópria a adição do regular na conta, o índice impressiona.

Na mesma pesquisa, uma Dilma fustigada pelo câncer sobe. E Serra cai. No embate direto entre ambos, o tucano amealha 48%. A petista, 25%.

Nada mal para uma ministra que jamais disputou eleições e que entrara na briga abaixo dos dois dígitos.

O PSDB serve-se de sondagens feitas pelo instituto Análise. Também registram o crescimento de Dilma –ao redor dos 17%— e a queda de Serra –nas cercanias dos 45%.

Não são levantamentos comparáveis entre si. Os universos pesquisados e as metodologias são diferentes.

A quantidade de entrevistas tampouco coincide. Mas as pesquisas convergem para uma mesma direção.

Vem daí a gritaria do DEM para que Serra leve a cara à vitrine imediatamente. O alarido ‘demo’ já contagia a cúpula do tucanato.

Dá-se de barato na oposição que, sem contraponto, Dilma está condenada ao crescimento.

João Santana, o marqueteiro do PT, avalia que a doença da candidata não prejudica. Melhor: pode ajudar.

Antes mesmo da doença, FHC, guru do PSDB, antevia a chegada da candidata de Lula à casa de 30% no alvorecer de 2010.

Refinando-se a análise, o drama dos rivais de Lula aumenta. A pesquisa manuseada pelo petismo informa que 67% dos brasileiros estão “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com os rumos que o Brasil tomou sob a gestão de Lula.

Para 60% dos entrevistados pelo Vox Populi, “o Brasil melhorou nos últimos anos”. Agarrado a esses percentuais, os governistas lançam no ar a fatídica pergunta: “Se melhorou, porque mudar?”

É uma pergunta que a trupe oposicionista ainda não logrou responder. O tucanato frequenta a cena como um aglomerado de cabeças a procura de idéias.

Volte-se à analogia entre Dilma e Kassab. O triunfo do prefeito ‘demo’ assentou-se sobre os pilares da continuidade.

Kassab pilotava uma administração bem avaliada. E teve o mandato renovado porque seus adversários não levaram ao palanque nada que se parecesse com uma mudança para melhor.

Retorne-se à cena pré-eleitoral de 2010. Além de não expor um projeto alternativo ao de Lula, a oposição adiciona raiva no pudim. Ataca o presidente a esmo. E arrasta o governo para uma nova CPI, a da Petrobras.

A tática é perigosa. A menos que ocorra um terremoto, parece improvável que alguém leve a melhor na próxima sucessão presidencial apenas falando mal de um governo que conserva a popularidade nas nuvens.

O jogo será definido pela esperança, não pelo ódio. Não é à toa que Serra demora-se em acomodar suas fichas sobre o pano verde.

Além de não ter se livrado, ainda, do pôquer das prévias, exigência de Aécio Neves, Serra talvez não saiba ao certo o que dizer.

Escrito por Josias de Souza

30/05/2009 - 20:26h Nudeza gay?

Desnudito gay

Deslumbrante estudio de uno de los mayores artistas que dio la humanidad. Y homenaje mayor a la belleza masculina, de parte de quien la admiraba placenteramente.

Es conocida la homosexualidad de Miguel Angel. Tuvo relaciones con diversos jóvenes, como Cecchino dei Bracci. Cuando en 1543, Bracci murió, Miguel Ángel le diseñó la tumba, en la iglesia de Santa María in Aracoeli de Roma, y encargó que la realizase a su discípulo Urbino. También Giovanni da Pistoia, joven y bello literato, fue durante un tiempo su amante en la época que empezó a pintar la Capilla Sixtina. De la relación quedaron unos sonetos muy fogosos que Giovanni le dedicó.

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (Italia, 1475 – 1564), también conocido en castellano como Miguel Ángel, fue un escultor, arquitecto y pintor italiano, considerado uno de los más grandes artistas de la historia. Miguel Ángel fue uno de los artistas más reconocidos por sus esculturas, pinturas y arquitectura.

Miguel Angel triunfó en todas las artes en las que trabajó, caracterizándose por su perfeccionismo. La escultura, según había declarado, era su predilecta y la primera a la que se dedicó; a continuación, la pintura, casi como una imposición por parte de Julio II, y que se concretó en una obra excepcional que magnifica la bóveda de la Capilla Sixtina y ya en sus últimos años, la arquitectura. Esta ultima pasiòn queda reflejada espléndidamente -bajo la herencia de Bramante- en la Basìlica de San Pedro en el Vaticano.

30/05/2009 - 19:55h A Flor e o espinho

O blog Caminhar me fez conhecer uma versão, com o próprio Nelson Cavaquinho e Elizeth Cardoso cantando A Flor e o Espinho. Aqui uma parte do documentário sobre Nelson Cavaquinho e mais embaixo o samba na versão de Nilze Carvalho e Hamilton de Holanda no Teatro João Caetano – 2006 (as imagens e o som não são dos melhores, mais vale a pena)

A flor e o espinho

(Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha)

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh’alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d’água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh’alma à sua
O sol não pode viver perto da lua

30/05/2009 - 18:46h Ler

W. H. Auden

O livro é um espelho: se um asno o contempla,
não se pode esperar que reflita um apóstolo.

C. G. Lichtenberg

Só se lê bem aquilo que é lido com algum propósito pessoal.
Pode ser até com a intenção de adquirir poder.
Pode ser até mesmo com ódio do autor.

Paul Valéry

 

Os interesses do escritor e do leitor jamais são os mesmos e se ocasionalmente chegam a coincidir, trata-se de mero acaso.

No que tange ao desempenho do escritor, a maioria dos leitores adota critérios diferenciados: o leitor pode trair o escritor quanto desejar, mas o escritor não pode jamais, em hipótese alguma, trair o leitor.

Ler é traduzir, pois a experiência de cada pessoa com o texto é exclusiva. Um mau leitor é como um mau tradutor: interpreta literalmente quando deveria parafrasear, e adota a paráfrase quando deveria interpretar literalmente. Para aprendermos a ler de uma forma mais crítica, a erudição, embora bastante útil é menos importante que o instinto; há grandes eruditos que, como tradutores, mostram-se fracos.

Com freqüência enriquecemos com a leitura de um livro percorrendo caminhos diferentes daqueles que o autor previu, mas (uma vez ultrapassada a infância) tal enriquecimento ocorrerá apenas se tomarmos consciência desta discrepância.

Enquanto leitores, a maioria de nós, até certo ponto, é como aqueles moleques que desenham bigodes nos rostos das modelos fotografadas em anúncios.

Um sinal de que um livro tem valor literário é que o mesmo aceita diversas leituras. Em contrapartida, a prova de que a pornografia não tem valor literário é que, se tentarmos uma leitura por um ângulo que não seja o de estímulo sexual, por exemplo, se tentarmos abordar o texto como veículo de liberação psicológica das fantasias sexuais do autor, chegaremos a bocejar de tanto tédio.

Embora uma obra literária permita leituras diversas, o número de tais leituras é finito e pode ser organizado em ordem hierárquica; algumas leituras são obviamente mais “verdadeiras” que outras; algumas, duvidosas; algumas certamente falsas; e outras, como quem lê um romance de trás para frente, absurdas. É justamente por isso que, para uma ilha deserta, devemos levar um bom dicionário, em lugar da maior obra-prima literária que se possa imaginar, pois em relação ao leitor, o dicionário é totalmente passivo e pode legitimamente ser objeto de um número infinito de leituras possíveis.

Não podemos ler um escritor principiante da mesma forma que lemos o último livro de um autor já consagrado. Com relação a um escritor principiante, nossa tendência é perceber apenas as qualidades ou os defeitos e, mesmo que possamos enxergar a ambos, somos incapazes de perceber as devidas inter-relações. No caso de um autor consagrado, se é que ainda conseguimos ler sua obra, sabemos que não é possível apreciar as qualidades que nele admiramos sem tolerar-lhe os defeitos deploráveis. Além disso, nosso julgamento sobre um escritor renomado nunca é meramente estético. A despeito de qualquer mérito literário, um novo livro de tal escritor possui para nós um valor histórico, tratando-se de obra de autoria de um indivíduo pelo qual há muito nos interessamos. Tal autor não é apenas um poeta ou um romancista; é também um personagem em nossa biografia.

Um poeta não é capaz de ler a poesia de outro poeta, nem um romancista lê o trabalho de outro romancista, sem comparar a obra daquele com a sua. A avaliação que faz, à medida que lê a obra alheia, é expressada através de interjeições do tipo: “Meu Deus! Meu pai! Minha mãe!”

Em literatura, a vulgaridade é preferível à nulidade, assim como o vinho do porto é preferível à água destilada.

Bom gosto é mais uma questão de discriminação que de exclusão, e quando por razões de bom gosto somos levados a excluir, isso é feito com pesar, não com prazer.

No processo de seleção do que se lê, o prazer não constitui absolutamente um valor crítico infalível; contudo, é menos falível.

A leitura de uma criança é comandada pelo prazer, embora seu gosto não tenha capacidade discriminadora. A criança não consegue distinguir, por exemplo, entre o prazer estético e o prazer de aprender ou de sonhar acordada. Na adolescência damo-nos conta de que há diversos tipos de prazer, alguns dos quais não podem ser sentidos simultaneamente, e precisamos do auxílio de outras pessoas no processo de definição desses prazeres. No que tange a questões de gosto relativas à comida e à literatura, por exemplo, o adolescente busca um preceptor em cuja autoridade possa confiar. O jovem passa a comer ou a ler aquilo que o preceptor recomenda e inevitavelmente há ocasiões em que tem de enganar a si próprio; finge, por exemplo, que gosta de azeitonas ou de Guerra e Paz mais do que de fato gosta. Entre os 20 e os 40 anos vivemos o processo da descoberta do que somos, processo esse que envolve a percepção da diferença entre as limitações acidentais, as quais temos o dever de superar, e as limitações necessárias da nossa própria natureza, as quais não podemos superar impunemente. Poucos de nós chegam a tal percepção sem cometerem erros, sem tentar nos tornar mais universais do que nos é permissível. É exatamente durante esse período que um escritor pode facilmente ser desviado por outro escritor ou por alguma ideologia. Quando alguém na faixa dos 20 aos 40 anos diz com respeito a uma obra de arte: “Eu sei do que gosto”; está na verdade dizendo: “Não tenho um gosto pessoal mas aceito o gosto do meu meio cultural”; isto porque entre os 20 e os 40 anos a indicação mais precisa de que um indivíduo possui um gosto autêntico e pessoal é a própria incerteza a respeito do assunto. Após os 40 anos, caso não tenhamos perdido totalmente a autenticidade, o prazer pode voltar a funcionar como funcionava quando éramos crianças: como valor crítico que determina o que devemos ler.

Embora o prazer que obtemos da apreciação de obras-de-arte não deva ser confundido com outros tipos de prazer, ele está relacionado com todos os tipos pelo simples fato de constituir um prazer nosso e não de outra pessoa. Todas as avaliações estéticas e morais que fazemos, não importa quanto nos empenhemos em ser objetivos, são por um lado uma racionalização e por outro uma ação disciplinar imposta sobre nossas aspirações subjetivas. Enquanto um indivíduo escreve poesia ou ficção, seu sonho do que constitui o Éden é assunto que somente diz respeito a si próprio mas, no momento em que o mesmo passa a escrever crítica literária, por questões de honestidade deve descrever seu Éden para os leitores, de maneira que os mesmos tenham condições de julgar as avaliações do crítico. Com efeito, passo a responder um questionário, por mim mesmo elaborado, que fornece as informações que eu mesmo gostaria de ter antes de ler o trabalho de outros críticos.

W. H. Auden nasceu em York, Inglaterra, em 1907. Mudou-se para Birmingham na infância e estudou no Christ’s Church, em Oxford. Quando jovem, era influenciado pelas poesias de Thomas Hardy, Robert Frost, William Blake e Emily Dickinson.

Em 1928, Auden publicou seu primeiro livro de versos e sua coleção “Poemas”, publicada em 1930, o que o colocou no topo da nova geração de poetas. Era admirado pela sua técnica e habilidade em escrever poemas em todas as formas imagináveis, pela incorporação em suas obras de elementos cultura popular e eventos atuais e também por seu vasto intelecto. Sua poesia freqüentemente reconta, literal ou metaforicamente, uma jornada ou aventura, e suas viagens acabaram servindo como rico material para seus versos.

Visitou a Alemanha, China, serviu na guerra civil espanhola e em 1939 mudou-se para os Estados Unidos, tornando-se, mais tarde, cidadão americano. Manteve um relacionamento aberto com Chester Kallman, nada fazendo para ocultar sua homossexualidade.

Suas crenças mudaram muito entre o período de sua jovem carreira na Inglaterra (onde era adepto do socialismo e da psicanálise Freudiana) e sua fase posterior, na América, quando sua principal preocupação passou a ser o cristianismo e a teologia do protestantismo.

Auden era também dramaturgo, editor e ensaísta. Considerado o maior poeta inglês do século XX, seu trabalho influenciou as gerações seguintes, dos dois lados do Atlântico.

Foi Chancellor da Academia de Poetas Americanos de 1954 a 1973 e dividiu a segunda parte da sua vida nas residências de Nova York e Áustria. Faleceu em Viena, em 1973.

”Quando o processo histórico se interrompe… quando a necessidade se associa ao horror e a liberdade ao tédio, a hora é boa para se abrir um bar.” A citação de W. H. Auden pareceu apropriada a Antônio Callado para usar como epígrafe de seu livro “Bar Don Juan”, lançado em 1971.

Poesia:

Poems (1930)
The Orators prose and verse (1932)
Look, Stranger! in America: On This Island (1936)
Spain (1937)
Another Time (1940)
The Double Man (1941)
The Quest (1941)
For the Time Being (1944)
The Sea and the Mirror (1944)
Collected Poetry (1945)
The Age of Anxiety: A Baroque Eclogue (1947)
Collected Shorter Poems 1930-1944 (1950)
Nones (1952)
The Shield of Achilles (1955)
The Old Man’s Road (1956)
Selected Poetry (1956)
Homage to Clio (1960)
About the House About the House (1965)
Collected Shorter Poems 1927-1957 (1966)
Collected Longer Poems (1968)
City without Walls (1969)
Academic Graffiti (1971)
Epistle to a Godson (1972)
Thank You, Fog: Last Poems (1974)
Selected Poems (1979)
Collected Poems (1991)

Prosa:

Letters from Iceland (1937) com L. MacNiece.
Journey to a War (1939) com C. Isherwood.
Enchaféd Flood (1950)
The Dyer’s Hand (1962)
Selected Essays (1964)
Forewords and Afterwords (1973)

Antologia:

Selected Poems, por Gunnar Ekelöf (1972)

Drama:

Paid On Both Sides (1928)
The Dance of Death (1933)
The Dog Beneath the Skin: or, Where is Francis? (1935) com C. Isherwood.
The Ascent of F.6 (1936) com C. Isherwood.
On the Frontier (1938)


Ensaio publicado no livro “A mão do artista”, Editora Siciliano – São Paulo, 1993, pág.400, tradução de José Roberto O’Shea. Extraído da Revista Bibliográfica e Cultural, primorosa publicação da Oficina do Livro Rubens Borba de Morais, dezembro de 2002, pág. 3. Fonte Releituras

30/05/2009 - 17:28h As belas árvores de Taquaritinga

As belas árvores de Taquaritinga

Praça de Taquaritinga forrada de flores de Ipê

Blog de Ernani Moura Brito

Retornava de São Paulo no ônibus, lendo, quando, após o jantar frugal no restaurante da estrada, tive obstrução nasal seguida de apneia, provavelmente devido ao sistema de refrigeração do veículo.O motorista parou no posto médico da empresa concessionária que administra a rodovia. Solicitei nebulização. O médico disse que não tinha nebulizador, nem qualquer descongestionante nasal.

Segui na ambulância ao pronto-socorro de Taquaritinga, próxima três quilômetros do local, por que não estava em condições respiratórias de retornar ao ônibus – imaginando as colônias caleidoscópicas de germes e bactérias que esperavam-me nas tubulações do ar refrigerado, provocando novos choques alérgicos e asfixia -, embora a equipe médica argumentava que dispunha de 98% da capacidade respiratória.

No hospital, a enfermeira deu-me diazepam e fiz nebulização. Comprei inalador numa farmácia próxima, e fui para um hotel pernoitar, deixando as janelas do quarto totalmente abertas para sentir o ar fresco.

Acordei com os bons ventos do interior e pássaros cantando. Tomei café e fui para a praça contígua ao hotel, repleta de árvores verdes seculares.

Sentado no banco da praça, sob um velho jatobá, com folhas de ipê caindo ao vento brando da manhã, fiz exercícios de oxigenação, com uma mão apoiada ao velho tronco da madeira, cujas copas altíssimas retorciam-se em braços cheios de musgos.

Um senhor passeava bucolicamente com o cachorro. À minha frente, o coreto, onde algumas crianças começavam a brincar. Um mendigo aproximou-se com voz cantada, chamando-me de “meu anjo” e pedindo esmola. Dei alguns centavos, temendo que comprasse bebida alcóolica.

Acariciava com a palma da mão esquerda a casca de nervuras da velha árvore, agradecendo-a por existir e me deixar respirar um ar tão puro, 100% livre de qualquer poluição, numa cidadezinha esquecida do interior paulista. E lunaticamente cheguei a guardar algumas folhas e uma pequena lasca do tronco no bolso para qualquer emergência respiratória…

Se estava me tornando um perfeito caipira pouco importava-se-me, e tudo o que me vinha à cabeça era poder caminhar na terra, no mato, sentir o cheiro do campo, como quando faço trilhas de bicicleta em Rio Preto.

A questão do posto médico da concessionária privada da rodovia não dispor de nebulizador ou de um simples medicamento nasal é de total negligência, ainda mais pelo fato de que o pedágio é pago pelo consumidor (embutido no preço da passagem).

A este respeito, enviarei comunicado à Assembleia Estadual para as devidas providências.

Quanto à empresa de ônibus, devido ao ar seco e rarefeito outonal, seria bom dispor também de umidificadores nos veículos. Também enviarei requerimento à viação.

O lado bom desse incidente foi conhecer essas belas árvores da praça de Taquaritinga, município de cerca de 70.000 habitantes, cujo símbolo é um coqueiro (Cocos nucifera).

Nunca em minha vida fiquei tão contente por sentar-me debaixo de uma árvore frondosa e respirar ar puro.

As belas árvores da praça de Taquaritinga podem ser visualizadas no Google Earth:

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.panoramio.com/photos/original/10873697.jpg&imgrefurl=http://www.panoramio.com/photo/10873697&usg=__SXdjDI37d-c-XR1G_fS4XHqATWU=&h=1880&w=2816&sz=3247&hl=pt-BR&start=16&sig2=z8XUrlunkVY3wqVViTeP3A&tbnid=sK8a3L21m7ONdM:&tbnh=100&tbnw=150&prev=/images%3Fq%3D%25C3%25A1rvores%2Bde%2Btaquaritinga%2Bsp%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR&ei=i0YgSpDOIoj-yAX_utWrBg .

P.S.:

E-mail encaminhado a um deputado estadual em 30.5.9:
“Prezado deputado:

Tomei conhecimento no Blog do Favre sobre debate acerca do PEDÁGIO NAS RODOVIAS PAULISTAS a ser realizado dia 1.6.9 em São Paulo.

Gostaria que o sr. tomasse conhecimento de episódio que ocorreu comigo numa viagem de retorno de SP a São José do Rio Preto, em que não havia medicamento no posto de resgate, nem nebulizador para oxigenação, apesar do preço do pedágio ter sido incluído na passagem de ônibus.

O fato está relatado no meu blog (http://ernanimourabrito.blogspot.com ,tópico AS BELAS ÁRVORES DE TAQUARITINGA).

Solicito de V. Sa. providências para que os postos de atendimento médico/resgate das rodovias da concessionária sejam dotados de nebulizadores e medicamentos, pelo menos essenciais (no caso, não havia sequer um meroVicky Vaporub).

A situação é meio complicada por que aquela região é canavieira, e o olor das usinas misturado ao ar seco torna-o rarefeito, exigindo cuidados.

Também gostaria de sugerir procedimentos de FISCALIZAÇÃO nos sistemas de refrigeração dos ônibus intermunicipais, e lei obrigando-os a utilizar também umidificadores de ar (isso é muito comum, por exemplo, nas salas de julgamento do STJ em Brasília).

Contando com a vossa compreensão e colaboração para solucionar os probemas apontados, para que outros passageiros-cidadãos não enfrentem situações mais drásticas, fico-lhe antecipadamente grato.”

30/05/2009 - 17:04h Berlusconi censura livro de Saramago na Itália

 http://perspectivapolitica.files.wordpress.com/2009/01/saramago.jpgberlusconi_solo.jpg

“El Cuaderno”

Editora de Berlusconi censura livro de Saramago na Itália

O Globo

RIO – A editora Einaudi, propriedade do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, censurou o último livro do prêmio Nobel da Literatura, José Saramago, por conter críticas contra “Il Cavalieri”. Segundo o jornal “Corriere della Sera”, em um dos ensaios publicados no livro “El Cuaderno”, que reedita artigos postados pelo escritor português em seu blog nos últimos seis meses, Saramago chama Berlusconi de “delinquente”.

“Realmente, na terra da máfia e da camorra, que importância pode ter o fato comprovado de que o primeiro-ministro seja um delinquente?”

“Realmente, na terra da máfia e da camorra, que importância pode ter o fato comprovado de que o primeiro-ministro seja um delinquente?”, escreve o prêmio Nobel, de 87 anos, no artigo intitulado “Berlusconi & Cía”. “Em uma terra em que a Justiça nunca gozou de boa reputação, que mal há que o primeiro-ministro consiga que se aprove leis de acordo com os seus interesses, protegendo-se contra qualquer tentativa de castigo e seus desmandes e abusos de autoridade”.

Mas as críticas a Berlusconi aparecem em outros textos produzidos pelo premiado escritor. Em outro artigo, chamado “Que fazer com os italianos?”, Saramago diz: “Reconheço que a pergunta poderá soar ofensiva a um ouvido delicado. Que é isto? Um reles cidadão interpelando a um povo inteiro, pedindo-lhe contas pelo uso de um voto que, para regozijo de uma maioria de direita cada vez mais insolente, acabou fazendo de Berlusconi amo e senhor absoluto da Itália e da consciência de milhões de italianos?”.

Saramago começou a escrever seu blog em setembro de 2008, com “Palavras para uma cidade”, uma carta de amor a Lisboa. Depois disso, já escreveu mais de 100 artigos, pensamentos e opiniões sobre a atualidade política internacional. Além de Berlusconi, outros políticos como Barack Obama, atual presidente dos EUA, Nicolas Sarkozy, líder francês e o ex-presidente dos EUA, George W. Bush, também foram citados por Saramago.

30/05/2009 - 16:25h Uma celebração recatada ao prazer e à dor de existir


Ana Maria Machado estreia nos versos com Sinais do Mar, obra inspirada na observação dos movimentos marítimos

http://versobrasil.com.br/laboratoriodoescritor/wp-content/uploads/ana_fabio-machado-wb.jpg

Naus e Nós

Naus

saem de Sagres

e deixam infantes,

partem de portos

e deixam mortos,

sangram amores

e rumam ao longe.

Singram

águas salgadas

algas sargaças

a pouco nós.

Lonas e telas

pranchas e cascos

cordas e cabos

rangem e puxam,

fazem e desfazem

nós.

Velas sem vento

almas sem calma

encalham em sargaços

nas águas salgadas.

Algumas naufragam

soçobram em escolhos

só sobram

sem escolha,

sem escolta,

poucas naus

- e nós.

Francisco Quinteiro Pires – O Estado SP

Ana Maria Machado está celebrando seu amor à vida, no que ela tem de prazer e dor, com um gesto inédito. Pela primeira vez, a consagrada autora de obras infanto-juvenis publica uma antologia de poemas – Sinais do Mar (Cosac Naify, 56 págs., R$ 32), que chega às livrarias neste fim de semana. “A poesia permite que eu faça essa celebração de modo recatado, escondido”, confessa. A sua poética de temática única e ritmos diversos não é para crianças somente. É para aqueles que veem o mar como o maior dos mestres dedicados a ensinar lições sobre a condução da existência. “O mar nos ensina a noção do tempo cíclico – é só lembrar que a onda vai e vem, a maré enche e vaza”, diz. “Essa é uma lição que nós, os ocidentais, não temos arraigada.”

A situação piorou, segundo Ana Maria, com a urbanização, que trouxe a luz elétrica, alterando a noção de tempo dada pela natureza. Mesmo modificada pelo avanço tecnológico, essa percepção está intacta nos 19 poemas de Sinais do Mar. A explicação talvez esteja na história familiar da autora, cujos genes podem ser classificados de marítimos: a sua bisavó portuguesa era conhecida na aldeia como Rosa, a Marinheira, e os seus avós capixabas tinham o oceano na soleira do quintal. As caminhadas diárias à beira-mar apenas reforçaram essa tendência natural a relacionar-se com as águas salgadas.

Interessa à escritora carioca, de 67 anos, lembrar que, desde pequena, quando ia à praia acompanhada pelos pais, as ondas como a vida exigiam coragem e respeito. “Se você tenta fugir da onda, ela é mais rápida que você”, diz. “A única coisa a fazer é enfrentá-la, mergulhando por baixo, e se deixar sacudir.” E uma nunca vem sozinha. É bom pegar ar e mergulhar de novo, ela explica. “Quis mostrar isso num poema, mas tive de jogá-lo fora por não ter ficado satisfeita com a sua forma.”

Ela compara o ato de escrever ao movimento das ondas. “Primeiro você rema até o fundo, passando a arrebentação, onde tudo está acumulado, fervendo”, diz. “Daí você fica à espera da onda certa para aproveitar a forte energia que vem da profundeza.” Depois, vem o processo racional da escrita, quando há a consciência de que não é possível conter o impulso arrebatador da inspiração. “A poesia é uma força da natureza que não domamos, mas com a qual podemos navegar.”

A navegação literária de Ana Maria Machado durou mais de 20 anos, tempo em que trabalhou nos poemas. “E era capaz de ficar mais 50 anos a reescrevê-los, porque jamais me dou por satisfeita.” Para se explicar, a escritora recorre ao norte-americano Henry James que dizia – “Quem não escreve acha que o maior problema de um autor é por onde começar, mas o problema é saber onde colocar o ponto final.” É muito difícil lidar com a criação, esse universo em dilatação que tem de ser enquadrado em letras. “Meus escritos originais vão, aos poucos, se contraindo para ver se seguro essa expansão”, diz. “Quando escrevo poesia, sou mais da família do Graciliano Ramos do que do Guimarães Rosa, porque estou preocupada com a economia de meios.”

Ana Maria Machado percebe três vertentes em Sinais do Mar, classificadas de “concretas, narrativas e sensoriais”. A primeira se refere aos poemas que citam animais como a gaivota (Revoada), o siri (Siri), o caramujo (Bernardo Eremita), a arraia (Arraia) e a água-viva (Dúvida). A segunda se estrutura na evocação sensorial de sons, visões e cheiros ligados ao mar: é o caso de Aquarela, Terral, Salsugem, Maresia, Gala Solar, Facho, Maré Baixa e Farol. A terceira é composta de poemas narrativos, Naus e Nós e Primeiro Mar, os dois trabalhos mais longos, que finalizam a antologia.

Inspirado na figura do marroned, homem castigado com o abandono numa ilha deserta, Naus e Nós é um poema sobre o homem abandonado à própria sorte. Primeiro Mar é uma homenagem à literatura, à imaginação que o domínio das palavras proporciona. “O que se leu mostrava o infinito/ Só não se imaginava tão bonito/ Tão pleno de surpresas e imprevistos.” O ritmo é variado. “Alguns poemas são francamente musicais, com exploração de aliterações, outros são mais focados no jogo com as palavras e na disposição delas na página.” A forma varia da métrica tradicional à estrutura do cancioneiro popular.

Pintora, Ana Maria Machado pensou em fazer as ilustrações da sua obra. Mas desistiu. A editora apresentou um livro gráfico, inspirado em poemas e canções de Fernando Pessoa (Ode Marítima), Martin Codax (Ondas do Mar de Vigo) e Dorival Caymmi (O Mar). As letras mimetizam movimentos marítimos; o papel evoca a textura da areia. Em Sinais do Mar, a imaginação navega livremente. Ela reafirma a validade de uma crença de Ana Maria Machado – apesar das instituições que estabelecem limites, “todos os artistas continuam imaginando”. E provocando o desejo de liberdade em todo indivíduo.

“RUBEM BRAGA É MESTRE ABSOLUTO”, DIZ AUTORA

BELEZA LETRADA: “No Brasil temos dois mestres absolutos. Machado de Assis e Rubem Braga”, diz Ana Maria Machado, ganhadora do Hans Christian Andersen (2000), o mais relevante prêmio de literatura infantil, e membro da Academia Brasileira de Letras. “Você até pode dizer que o Guimarães Rosa era um escritor maior, mas não dá para aprender a escrever com ele”, diz. Aos 14 anos, ela conheceu o velho Braga. “Quando tive vontade de escrever igual a alguém, foi com o Rubem, queria participar da beleza que ele criava com as palavras.” E falou de cor parágrafos inteiros das crônicas de Braga. “Era um fascínio total pela maneira de escrever de um homem que mal sabia falar e que expressava coisas profundas com simplicidade.” Quando conversa sobre Sinais do Mar, Ana Maria se lembra de Mar, publicado em 200 Crônicas Escolhidas (Record). Rubem Braga relata a primeira vez em que vê o mar. E ele conclui: “Este homem esqueceu muita coisa mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito.”

30/05/2009 - 15:42h Turismo e inclusão social

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Paulo R. Haddad* – O Estado SP

Na última década, o Brasil realizou um conjunto grandioso de projetos de investimento em turismo, liderado pelo Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) no Nordeste. A expectativa é de que esses projetos possam contribuir para aliviar a pobreza nas áreas em que se localizam, a par do inquestionável processo de crescimento econômico que nelas desencadeiam. A preocupação com essa questão deriva do fato de que são frequentes as experiências de investimentos em resorts turísticos altamente subsidiados com recursos públicos que se constituem muitas vezes em verdadeiros enclaves econômicos nas localidades onde se situam. Nelas, os investidores se apropriam do capital natural sem impactar significativamente as condições de vida das populações pobres residentes no seu entorno espacial ou sem se preocupar em apoiar programas de desenvolvimento de fornecedores locais.

Não há dúvida de que os novos investimentos em atividades turísticas nas áreas periféricas do País contribuíram para resultados muito positivos nas nossas contas externas, no nível geral de emprego, nas taxas de crescimento do PIB, etc. Mas ainda resta dúvida sobre os benefícios que teriam aportado para os habitantes dessas áreas. Será que, na concepção e na implementação desses projetos de investimento, não estaria embutido um conflito entre os critérios de eficiência econômica e de equidade social?

A análise das experiências dos ciclos de expansão de diferentes economias nacionais e regionais no pós 2ª Guerra Mundial não revela a existência de nenhuma correlação geral e sistemática entre o processo de crescimento econômico e a distribuição de renda e de riqueza neste processo.

Constatou-se que a compatibilidade entre o crescimento econômico e o desenvolvimento social não se processa espontaneamente. O desenvolvimento social não se revelou como um subproduto cronológico do crescimento econômico. De fato, a experiência histórica vem demonstrando que a simples mobilização intensiva dos fatores de produção pode reproduzir, agora sim, de forma espontânea, as condições sociais iniciais que lhe deram sustentação.

Em princípio, não se pode afirmar que os critérios de eficiência econômica e de equidade social (ou de distribuição de renda e de riqueza) que orientam a seleção e a prioridade de projetos de investimentos sejam mutuamente exclusivos. Um programa ou projeto de investimento, como o de melhoria da competitividade de um arranjo produtivo local de turismo, pode se enquadrar no critério de eficiência e no critério de distribuição, pois, de um lado, aumenta os fluxos de comercialização, as margens de lucro e, enfim, a competitividade setorial e, ao mesmo tempo, pode beneficiar a formação de mão de obra local em áreas menos desenvolvidas. O que interessa ressaltar é a ênfase ou a intencionalidade dada ao programa ou projeto.

É preciso, pois, definir os procedimentos operacionais por meio dos quais é possível combinar a eficiência empresarial ou microeconômica dos investimentos em turismo com a busca do desenvolvimento humano das populações das áreas em que se localizam. Há, neste ponto, duas instituições que têm registrado detalhadamente as experiências internacionais bem-sucedidas nessa direção: o projeto Pro-Poor Tourism (PPT), financiado pelo Department for International Development (Dfid) do Reino Unido, e a Organização Mundial do Turismo (OMT). O próprio Ministério do Turismo considera que as propostas mais adequadas de políticas públicas do setor devem ter, como ponto de partida, o estabelecimento de portas de saída para a pobreza.

Não faltam experiências em que mirar nem concepções adequadas de turismo sustentável nas burocracias especializadas ou até mesmo capacidade de planejamento nos quadros técnicos dessas burocracias para desenhar políticas, programas e projetos que articulem os investimentos em capital físico, humano e social em torno das atividades turísticas. Entretanto, como se trata de investimentos que envolvem os três níveis de governo, complexas relações entre os interesses público e privado, além de intensa transversalidade nas burocracias públicas, talvez o nó górdio da sua implementabilidade esteja na fragilidade ou na própria ausência da função de coordenação geral no processo de planejamento do governo federal.

*Paulo R. Haddad, professor do IBMEC-MG, foi ministro do Planejamento e da Fazenda no governo Itamar Franco

30/05/2009 - 14:02h O pavor da grande inflação

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Paul Krugman*, THE NEW YORK TIMES

De repente, todo mundo está falando de inflação. Matérias de opinião severas advertem que a hiperinflação está virando a esquina. E alguns mercados podem estar prestando atenção nessas advertências: os juros de títulos do governo de longo prazo estão subindo, e o medo da inflação futura é a possível razão para essa subida.

Mas será que o medo da grande inflação faz sentido? Basicamente, não – com uma condição da qual tratarei mais adiante. E suspeito que o medo tem a ver, ao menos em parte, mais com política do que com economia.

O mais importante é perceber que não há indícios de pressões inflacionárias neste momento. Os preços ao consumidor estão mais baixos agora do que estavam há um ano e os aumentos salariais perderam a velocidade, em face do alto desemprego. A deflação, e não a inflação, é o perigo claro e presente.

Portanto, se os preços não estão subindo, por que a inflação preocupa? Alguns alegam que o Federal Reserve (Fed) está imprimindo muito dinheiro, o que deve ser inflacionário, enquanto outros afirmam que os déficits orçamentários acabarão obrigando o governo a diminuir seu endividamento pela via da inflação.

A primeira suposição está errada. A segunda poderia estar certa, mas não está.

Agora, é verdade que o Fed tomou ultimamente medidas sem precedentes. Mais especificamente, ele andou comprando muita dívida tanto do governo como do setor privado, e pagando por essas compras creditando reservas extras aos bancos. E, em tempos normais, isso seria altamente inflacionário: os bancos, repletos de reservas, aumentariam seus empréstimos, que impulsionariam a demanda, que empurraria os preços para cima.

Mas estes não são tempos normais. Os bancos não estão emprestando suas reservas extras. Estão simplesmente sentados nelas – aliás, estão enviando o dinheiro de volta ao Fed. Portanto, o Fed não está realmente imprimindo dinheiro, afinal.

Mesmo assim, essas ações não acabariam sendo inflacionárias mais cedo ou mais tarde? Não. O Banco do Japão, diante das dificuldades econômicas não muito diferentes das que enfrentamos hoje, comprou dívida em larga escala entre 1997 e 2003. O que aconteceu com os preços ao consumidor? Caíram.

Tudo por tudo, boa parte da discussão atual sobre inflação traz à lembrança o que aconteceu durante os primeiros anos da Grande Depressão, quando muitas pessoas influentes faziam advertências sobre a inflação mesmo enquanto os preços despencavam.

Haverá risco de inflação depois que a economia se recuperar? Essa é a suposição dos que observam projeções de que a dívida federal poderá subir a mais de 100% do PIB e dizem que a América acabará tendo de reduzir sua dívida pela via da inflação – isto é, empurrar os preços para cima para que o valor real da dívida seja reduzido.

Essas coisas aconteceram no passado. Por exemplo, a França, em último recurso, reduziu as dívidas que contraiu para travar a 1ª Guerra Mundial por meio da inflação. Mas faltam exemplos mais modernos. Nas duas últimas décadas, Bélgica, Canadá e, é claro, Japão passaram por episódios em que suas dívidas excediam 100% do PIB. E os próprios EUA saíram da 2ª Guerra com a dívida excedendo 120% do PIB. Em nenhum desses casos o governo recorreu à inflação.

Então, haverá razão para pensar que a inflação está chegando? Alguns economistas defenderam uma inflação moderada como política deliberada, como maneira de estimular o empréstimo e reduzir o ônus do endividamento privado. Sou simpático a esses argumentos e defendi uma coisa parecida para o Japão nos anos 1990. Mas a defesa da inflação não progrediu entre as autoridades econômicas japonesas de então e não há nenhum sinal de que esteja ganhando força com as autoridades americanas de hoje.

Tudo isso coloca a questão: se a inflação não é um risco real, por que todas as suposições de que ela é? Bem, como vocês podem ter notado, os economistas, às vezes, discordam. E grandes discordâncias são especialmente prováveis em tempos estranhos como os atuais, quando muitas das regras normais já não se aplicam.

Mas é difícil escapar da sensação de que o alarmismo com a inflação é, em parte, político, saindo de economistas que não tiveram nenhum problema com os déficits causados por cortes de impostos, mas, de repente, se tornaram censores fiscais quando o governo começou a gastar dinheiro para salvar a economia. E seu objetivo parece ser pressionar a administração Obama para que abandone esses esforços de salvamento.

É dispensável dizer que o presidente não se deve deixar pressionar. A economia continua em estado lastimável e precisa de ajuda contínua. Sim, temos um problema orçamentário no longo prazo, precisamos começar a assentar os alicerces para uma solução no longo prazo. Mas, no que trata da inflação, a única coisa de que devemos ter medo é do próprio medo.

*Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia

30/05/2009 - 12:59h Uma CPMF global

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Celso Ming, O Estado SP

celso.ming@grupoestado.com.br

O governo da França apresentou quinta-feira, em Paris, durante um evento realizado na sede da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a proposta de taxação das operações financeiras internacionais.

A ideia é instituir uma espécie de CPMF cuja criação foi defendida pela primeira vez em 1972 pelo economista James Tobin, Prêmio Nobel de 1982, que na ocasião se preocupava com o aumento do risco de crise internacional, uma vez que o presidente Nixon havia acabado com o padrão-ouro. Funcionaria como um pedágio que desestimularia operações especulativas.

A proposta ficou conhecida como Taxa Tobin e nunca teve boa acolhida. Em 2001, poucos meses antes de morrer, o próprio Tobin desistiu da sugestão, alegando que fora desvirtuada.

Ela havia sido incorporada pela Internacional Socialista como fonte de recursos para combater a pobreza. Mais interessados na arrecadação do que na sua função regulatória, também os movimentos antiglobalização liderados pela ONG francesa Attac se encarregaram de manter a peteca no ar.

Tal como apresentada agora pela França, essa taxa corresponderia a 0,005% (cinco milésimos) do valor das operações financeiras, o suficiente para proporcionar uma arrecadação anual de US$ 60 bilhões.

Em 1998, o então presidente brasileiro Fernando Henrique pediu, em carta enviada aos chefes de Estado do Grupo dos Sete (G-7), a instituição dessa taxa. Quatro anos mais tarde, o presidente Lula fez a mesma colocação no Fórum Econômico Mundial de Davos, repetida em 2005 pelo então presidente conservador da França, Jacques Chirac.

Os obstáculos políticos para a implantação da taxa são enormes. Os Estados Unidos e a Inglaterra nunca a aceitaram, um pouco por motivos ideológicos e outro pouco por razões práticas. Além disso, um imposto desse tipo exigiria cobranças e controles globais, mais a criação de uma instituição supranacional com poderes para cobrar, transferir recursos e punir sonegadores.

Os obstáculos técnicos também são relevantes. Não há, por exemplo, como distinguir rapidamente uma operação financeira de outra comercial, já que o comércio mundial (de mercadorias e serviços) é largamente financiado. Uma análise sobre a natureza de uma operação dessas levaria dias e, no entanto, as transações são feitas à velocidade da luz, 24 horas por dia.

Numa União Monetária, como a que prevalece na Europa, onde as operações de câmbio entre países foi eliminada, boa parte do fato gerador do imposto desapareceu. Além disso, uma taxa assim criaria mecanismos de compensação que evitariam transferências entre países. Se o Itaú, por exemplo, devesse US$ 1 milhão para o Deutsche Bank e este devesse US$ 1 milhão para o Bradesco, ficaria tudo resolvido se o Itaú passasse US$ 1 milhão para o Bradesco. Não existiria transferência, o imposto estaria sendo driblado e não haveria como impedir esse jogo.

O próprio Partido Socialista Francês uma vez no governo, sob o primeiro-ministro Lionel Jospin, havia desistido da proposta por considerá-la impraticável. Mas, como ocorreu com a ideia do idioma único (o esperanto), sempre aparece alguém que desenterra a Taxa Tobin e proclama que ela tem de ser adotada.

30/05/2009 - 12:09h O Globo: Lula descarta Haddad para governo de São Paulo

O GLOBO

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30/05/2009 - 11:21h Mais pedágios e mais caros: o jeito Serra de governar

Tarifas de pedágios serão reajustadas acima de 3,6%

Daqui a um mês, contratos garantem direito de aumento às concessionárias pelo IGP-M e IPCA

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Eduardo Reina – O Estado SP

As tarifas de pedágio nas estradas paulistas ficarão mais caras a partir de 1º de julho. Serão aumentos com base em dois índices. Nos contratos feitos em 1998, o reajuste é calculado pelo IGP-M/FGV e ficará em torno de 3,6397%, acumulado entre junho de 2008 e maio de 2009, que ainda não está fechado. Já nos contratos com as empresas que administram o Rodoanel e os cinco lotes leiloados neste ano – D.Pedro I, Raposo Tavares norte, Marechal Rondon oeste e leste, Ayrton Senna/Carvalho Pinto – será empregado o IPCA/IBGE, que no mesmo período acumulou 4,7065%.

De acordo com a Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), os reajustes são previstos em contrato e são automáticos. O aumento é aplicado sobre a tarifa quilométrica dos pedágios, base tarifária igual para todas as rodovias concedidas do Estado, exceto o Rodoanel.

Cada praça de pedágio efetua a cobrança de um determinado trecho rodoviário (em quilômetros) denominado Trecho de Cobertura do Pedágio que é multiplicado pelo valor da tarifa quilométrica. O resultado do cálculo, realizado pela Artesp, de acordo com os contratos de concessões, é arredondado na segunda casa decimal. Assim, entre 0,01 e 0,049, ajusta-se o valor para baixo; entre 0,05 e 0,09, ajusta-se para cima.

Pelos índices provisórios de reajuste – o valor fechado será calculado apenas em meados de junho – o motorista que for para a Baixada Santista pelo sistema Anchieta/Imigrantes vai pagar R$ 17,60. Hoje o valor é de R$ 17. Já no sistema Anhanguera/Bandeirantes, na primeira praça de cobrança, o valor subirá dos atuais R$ 5,90 para R$ 6,10. Na Castelo Branco a tarifa chegará a R$ 11,20, ante os R$ 10,80 cobrados na primeira praça de pedágio. No trecho oeste do Rodoanel, o reajuste será de R$ 0,10, passando de R$ 1,20 para R$ 1,30. No ano passado, as tarifas foram reajustadas em 5,5760%.

Até 29 de junho, o valor dos pedágios do sistema Ayrton Senna/Carvalho Pinto vai baixar. Esse é o prazo para a assinatura do novo contrato de concessão com o consórcio Primav/EcoRodovias, que ganhou o direito de administrar as estradas depois que a Triunfo Participações e Investimentos, que havia vencido o leilão, foi desclassificada.

Assim, os preços dos pedágios, ida e volta na Ayrton Senna e na Carvalho Pinto, baixarão dos atuais R$ 27 para R$ 15,80, diferença de 45%. Na praça de Itaquaquecetuba, baixará de R$ 8,60 para R$ 4,40. Em Guararema cairá de R$ 8,60 para R$ 4,10. Já na praça de cobrança em São José dos Campos, vai a R$ 4,10, hoje é R$ 4,90. E, na última praça, em Caçapava, passará de R$ 4,90 para R$ 3,20. Pelos valores oferecidos pela Triunfo, os motoristas iriam economizar ainda mais, cerca de 55%. Os valores iriam de R$ 27 para R$ 13.

PREVISÃO DE PREÇOS

Sistema Anchieta/Imigrantes: de R$ 17 para R$ 17,60*

Rodovia Padre Manoel da Nóbrega: de R$ 4,60 para R$ 4,80*

Sistema Anhanguera/Bandeirantes: de R$ 5,90 para R$ 6,10*

Rodovia Castelo Branco: de R$ 10,80 para R$ 11,20*

Rodovia Raposo Tavares: de R$ 5,80 para R$ 6*

Rodovia Marechal Rondon: de R$ 6,60 para R$ 6,90*

Trecho Oeste Rodoanel: de R$ 1,20 para R$ 1,30*


* Inflação acumulada prevista, ainda falta fechar mês de maio/2009

 

 

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Tamoios terá 2 pedágios em 2010

Cobrança será no sentido litoral; tarifa pode chegar a R$ 8,30
A Rodovia dos Tamoios, principal acesso a São Sebastião, no litoral norte paulista, terá duas praças de pedágio em 2010, uma no km 13, na cidade de Jambeiro, e outra no km 57, em Paraibuna. A cobrança será realizada apenas no sentido litoral. A tarifa poderá chegar ao valor máximo de R$ 0,07 por quilômetro, de acordo com a Secretaria Estadual dos Transportes. Mas o valor poderá ser elevado para R$ 0,10 após as obras de duplicação da estrada, segundo o projeto de concessão.

Quem vencer a concorrência terá de fazer a duplicação das pistas apenas no trecho entre os km 11,5 e km 64,4, antes da serra. Está prevista também a recuperação de pontes e viadutos e a construção de passarelas para pedestres. A secretaria já protocolou o Relatório Ambiental Prévio (RAP) para o licenciamento ambiental da obra em meados de maio.

Uma projeção sobre os preços do pedágio mostra que os motoristas que utilizarem os 83 quilômetros da Tamoios para ir ao litoral norte deverão pagar tarifa de R$ 5,85 antes da duplicação. Após a readequação da estrada, a tarifa vai subir para R$ 8,30. Valor muito maior do que numa comparação com estrada federal, como a Rodovia Fernão Dias, onde o custo para percorrer trecho de 100 km é de aproximadamente R$ 1,60. Na Tamoios, o valor poderá baixar, de acordo com as ofertas no leilão da concorrência.

O objetivo do governo estadual é lançar o edital de licitação para uma parceria público-privada (PPP) e assinar o contrato até o final do ano. No pacote de concessão também estão as Rodovias Oswaldo Cruz, entre Taubaté e Ubatuba, a Floriano Rodrigues Pinheiro, em Campos do Jordão, um trecho da Rio-Santos e a Mogi-Bertioga. O negócio todo está avaliado em R$ 4,5 bilhões, com contrapartida do governo de R$ 1,2 bilhão.

29/05/2009 - 22:00h Boa noite

Andreas Scholl e Anna Caterina Antonacci – Handel – Rodelinda – Io t’abbraccio. Glyndebourne, 1998. Regente William Christie

29/05/2009 - 20:00h A rendetemi la spene… Qui la voce

Maria Callas,  árias da Ópera I Puritani de Bellini

29/05/2009 - 19:31h As fotos da crise

Dorothea: fotografiar la crisis

“Te cuelgas la cámara en el cuello así como te calzas los zapatos y ahí está, un accesorio del cuerpo que comparte la vida contigo. La cámara es un instrumento que enseña a la gente cómo ver sin la cámara.”

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Dorothea Lange



En el marco del festival español de la fotografía, Photoespaña, que se inicia el miércoles 3 en Madrid, destaco la muestra Los años decisivos de Dorothea Lange, conocida mundialmente como la fotógrafa de la gran depresión y pionera de la fotografía documental.

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Desde el 4 de junio hasta el 26 de julio, el Museo Colecciones ICO acogerá en su sede una muestra que ofrece cerca de 140 fotografías de una etapa fundamental para Lange, la de los años 30 y 40, periodo en que documentó los proyectos de la “Farm Security Administration” que supuso el envío de 120 mil japoneses a campos de realojamiento, retratando así la difícil situación que atravesaba su país. También se editará un libro que respetará el título de la muestra. La edición corre por cuenta de La Fábrica, organizadora histórica del festival.

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“En todos los escenarios, su fotografía es humanista, con un estilo maduro, sabiendo enmarcar a los personajes en medio de las masas, utilizando los recursos de la Nueva Visión para hacer imágenes potentes, muchas de ellas de gran belleza estética, más allá de su carácter documental”, destaca la curadora de la muestra, Oliva María Rubio. Y añade: “La exposición documenta una época dura de la historia americana, pero una época que también dio lugar al gran crecimiento que se produjo en los años cincuenta”.

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Imágenes de la crisis en blanco y negro, la de los tiempos modernos, que cobran vida en colores en los avatares de esta nueva crisis del capitalismo, ahora en nuestra más inmediata contemporaneidad.