PT congela pré-candidaturas a governos estaduais para não prejudicar alianças pró-Dilma

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GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O Diretório Nacional do PT decidiu nesta sexta-feira restringir os movimentos pré-eleitorais do partido nos Estados para evitar prejuízos à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto. A cúpula petista proibiu o lançamento de pré-candidaturas aos governos estaduais até fevereiro de 2010 –quando será realizado congresso nacional do PT para oficializar o nome de Dilma como candidata do partido.

Resolução editada pelo Diretório Nacional do PT afirma que a “tática [do partido] será orientada para a vitória presidencial, submetendo a ela todos os processos estaduais”. Na prática, a decisão do diretório impede a realização de prévias ou outros movimentos nos Estados.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que só vão estar autorizadas pré-candidaturas nos Estados onde houver consenso com os demais partidos da base aliada governista. “Nós só autorizaremos processos estaduais de escolha pelo voto, ou seja, prévias, encontros, qualquer processo onde haja votação, a partir do congresso nacional do PT. Por enquanto, iniciativas de articulação política estão autorizadas, mas se tiver mais do que uma candidatura que não tiver consenso, tem que ser obviamente deflagrado o processo após o congresso nacional do partido”, disse.

O documento também prevê que todas as decisões do partido nos Estados sejam submetidas à Executiva Nacional do PT –que vai dar a palavra final sobre alianças. O partido teme que eventuais coligações firmadas com partidos, como o PMDB, possam trazer prejuízos à candidatura de Dilma.

“A prioridade nossa é nacional, estamos abertos a discutir os processos em todos os Estados”, disse Berzoini. Segundo o presidente do PT, o partido “não quer um ambiente de insatisfação, mas o diretório nacional ter a capacidade de preservar o processo nacionalmente” na disputa pela presidência da República.

“O PT não vai ceder de mais ou de menos. O PT quer ganhar a eleição, crescer nos Estados. Não é só aliança com o PMDB, queremos fazer com o PSB, com o PC do B, com o PR, com o PP, com todos os partidos. Não é problema do PMDB. Mas a nossa preocupação não é criar situações para uniões com partidos aliados.”

Tarso

O ministro Tarso Genro (Justiça), por exemplo, já havia sinalizado a disposição de se lançar candidato ao governo do Rio Grande do Sul –embora o PMDB no Estado também esteja disposto a lançar José Fogaça na disputa.

O PT estadual há havia agendado a realização de prévias em agosto para a definição do candidato da legenda no Rio Grande do Sul, mas Berzoini disse que elas ficam automaticamente canceladas após a resolução do partido.

“Obviamente, o diretório do PT do Rio Grande do Sul terá que se reunir para adaptar sua estratégia a essa resolução. Não estão autorizados [a realizar prévias]“, afirmou.

O deputado Geraldo Magela (PT-DF), que pretende disputar o governo do Distrito Federal, disse que a ordem foi clara para que cada Estado esteja subordinado ao comando da legenda. “Eu submeto os meus desejos, sonhos e angústias ao projeto de ganhar as eleições presidenciais. Acho que isso deveria ser uma posição de todos, inclusive do ministro da Justiça”, afirmou Magela.

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