Turismo: Retração no Brasil deve ser bem menor que a do mundo em 2009

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Roberta Campassi, de São Paulo – VALOR

O francês Jean-Claude Baumgarten, presidente do Conselho Mundial de Turismo & Viagens (WTTC, em inglês), é o tipo de pessoa que vê o copo meio cheio, não a metade vazia. Quando ele analisa a economia do turismo no Brasil, destaca não os pontos de atraso em relação ao mundo, mas sim o que estar atrás dos outros países pode significar: um potencial de crescimento muito maior.

Baumgarten desembarcou em solo brasileiro nesta semana para ciceronear a 9 ªconferência global do WTTC em Florianópolis, que ocorre na sexta-feira e no sábado, pela primeira vez num país latino-americano. A entidade representa empresários do mundo todo – conta com 100 presidentes das maiores empresas do turismo entre seus membros – e discutirá no evento problemas e oportunidades do setor.

Baumgarten prefere olhar para as oportunidades. Por exemplo: se o turismo representa 6,2% do PIB do Brasil contra 9,4% da economia de 181 países juntos, a conclusão do presidente é que “existe um fantástico espaço para expansão” em toda a cadeia do setor de viagens no país. Por sua vez, se o turismo gera 5,9% dos empregos brasileiros contra 7,6% dos empregos mundiais, isso mostra que o governo tem uma boa possibilidade de fomentar trabalho.

Quem sabe a visão mais otimista de Baumgarten não seja desmedida. Embora os dados mostrem que o turismo no Brasil tem peso menor na economia do que que em outros lugares, algumas projeções apontam para a tendência de recuperação no futuro.

É o caso da estimativa de crescimento da atividade turística ano a ano, de 2009 a 2019. No Brasil, a expansão anual deverá ser de 4,5%, mais do que o ritmo de 4,3% na América Latina e de 4% no mundo todo. Mesmo em 2009, ano de recessão global, a atividade turística brasileira deve registrar encolhimento de apenas 0,4%, frente a um tombo de 3% nos países latino-americanos e de 3,5% no mundo. Todos os dados foram produzidos a pedido do WTTC pela Oxford Economics, consultoria econômica da Universidade de Oxford.

Mas Baumgarten também tem ciência dos entraves para a evolução do turismo e dá dois conselhos ao Brasil: fomentar o turismo doméstico e facilitar a vida dos investidores.

“Se olharmos para os países em que o turismo é muito forte, veremos que todos eles têm muito turismo interno”, afirma. Ele explica que as viagens das pessoas em seus próprios países são essenciais para sustentar os negócios de turismo no longo prazo e os tornam mais independentes de eventos internacionais negativos, como a recente pandemia de gripe. “Nos EUA, 85% da atividade turística são gerados pelos próprios americanos. A Índia é um bom exemplo entre os países que estão fomentando o turismo interno”, diz.

Outro ponto crucial, segundo Baumgarten, é o esforço dos governos para atrair investidores. “A construção de um hotel se paga em 30 anos, então é necessário que o governo sinalize que haverá coerência na cobrança de imposto, investimento na promoção do destino e pouca burocracia.” E completa: “Os investidores estão ansiosos para vir ao Brasil e agora é a hora de o país fazer sua lição de casa.”

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1 COMENTÁRIO PARA "Turismo: Retração no Brasil deve ser bem menor que a do mundo em 2009":

Comentado por regia andrade em 10/05/2010 - 18:43h:

por favor colocar a daa da reportagem e da conferencia mundial a qual se refere. brigada

 

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