30/06/2009 - 22:00h Boa noite

Janine Jansen: Introdução e Rondo capriccioso de Saint-Saens

30/06/2009 - 20:50h La marchesa Luisa Casati con penne di pavone

boldini-perfil.jpg

Giovanni Boldini (1842-1931)

30/06/2009 - 19:49h Va pensiero

Pavarotti e Zucchero
Coro da Filarmônica de New York regido por James Levine

30/06/2009 - 19:37h Traindo e retraindo

Márcia Carrano

Chamou-o para o botequim de sempre, onde ele bebia chope e ela coca-cola. E comiam juntos uma picanha na pedra, quase ao ponto.

Viviam juntos há dezoito anos. Muito amor, sexo e… a empresa. Há algum tempo, no meio deles , rachando a cama em duas, revirando os lençóis, empurrando cada corpo para o máximo de lateral possível: a EMPRESA, porra! Ele na esquerda; ela na direita. E nenhuma partida.

Ela passava a vida no MOTI BANCO. Reunião pra cá, festinha pra lá; livro daqui, cd dali , depois me empresta aquele outro? ; saidinha após o expediente com a turma do uisquinho happy try — e ela não bebia. Mariposa era uma mulher séria, muito. Ele, Pacífico Ouriço, é que deitava e rolava nos vícios: cigarro, bebida . Mulheres não: há dezoito anos só dormia com a Mariposa. Aliás, Pacífico tinha vícios coisíssima nenhuma. Mariposa é que era certinha demais. A mulher não fumava, não bebia, não cheirava… nem fedia, quase não falava, mas comia muito, muitíssimo e — pasmem! — tinha o corpo impecável. Nem um pouquinho de gordura entornando no lugar errado.

Ele sempre confiara nela. Uma mulher daquelas jamais o trairia. Às vezes tinha ciúme, é verdade. Mas se sentia culpado, maldoso até. Ela casara virgem, cara! Sempre dele, só dele. Desconfiar de quê?

Mas voltemos ao botequim. Ela, exatamente agora, está dizendo para Pacífico:

— Sabe, amorzinho, preciso que você saiba: estou saindo com o Gregório.

— Estão fazendo algum trabalhinho extra?

Parênteses: Gregório era colega de trabalho de Mariposa e amigo do casal. Sua mulher, Hermenilda, era pouco vista.

— Não , Pacífico. Tô dormindo com ele.

— Realmente devem ficar cansados, né amor ? A EMPRESA suga tanto ! Têm mesmo de dar uma descansada para agüentar trabalhar assim das oito da manhã às dez da noite. E quase todo dia!

Pudica (ah!), Mariposa não rasgava o verbo, como se diz vulgarmente. Continuou, discreta como sempre :

— Benzinho, tô dormindo e fazendo tudo o mais.

— Tudo o mais o quê, amor? — perguntou Ouriço.

— Tudo o que homem e mulher costumam fazer na cama — respondeu ela.

Silêncio total. Ele dá uma bicadinha no décimo primeiro chope da noite. Não está bêbado, apenas mais leve, levíssimo. Ultralaite, eu diria. E ela ali, firme na coquinha. E lúcida.E gostosa como sempre. E honesta como sempre. E firme, quase fria, como sempre.

E como sempre — epa! me distraí — come sempre — epa! outra vez me distraí. Escrevendo de novo . Ela comendo sempre — agora sim! acertei no alvo — a picanha com parcimônia, a ponto de deixá-lo envergonhado com sua avidez de glutão incorrigível.

Professor de Filosofia, acostumado a fazer joguinhos intelectivos com seus alunos, Pacífico começa a dizer, sem mais nem pra quê :

— Mariposa, Maposinha, tudo é nada. As b… as pontas se encontram. Por isso o tudo vira nada, que é nada e também tudo. Entendeu?

E, sem esperar resposta, continuou , depois de coçar a testa com insistência:

— Maposinha, se o nada…

— Pacífico, meu amor, tô ficando cansada. Vamos embora.

Ele, que jamais contrariava a mulher, foi largando o décimo segundo chope sem beber, deixando dinheiro suficiente com gorjeta gorda. Pedir conta vai demorar! Maposinha precisa ir, precisamos ir.

E saíram. Ele passou o braço na cintura dela. Passaram por Gregório, que vinha andando pela rua. Pura coincidência. Respondeu ao boa-noite do colega da mulher. Aliás, responderam. Passaram pelo porteiro do prédio onde moravam. Passaram pela porta do apartamento. Passaram para a cama. Ele passou tudo de novo em sua mente: Mariposa e Gregório transando… uau! Mulher tem cada uma. Pior que criança!

Antes de dormir, ele coçou e coçou a testa. Depois disse, dobrado em posição fetal:

— Cê tem cada uma, mulher!

E dormiram o sono dos justos, justíssimos em seus pijamas de medo.


MÁRCIA CARRANO Castro
é mineira, natural de Cataguases (MG). Reside em Juiz de Fora, naquele Estado, desde 1984. Com Licenciatura Plena em Letras, é bacharel em Direito e escritora. Professora efetiva da rede de ensino estadual, atualmente ensina Português, Redação e Literatura no Criarte, curso fundado por ela em 1980. Em 1977, lançou seu primeiro livro de poemas, “Zero Versus”, Editora Esdeva – Juiz de Fora, que mereceu elogios da crítica. Tem trabalhos publicados em diversos jornais e suplementos literários do país e sítios da Internet. Em 2001, a Secretaria de Cultura de Cataguases (MG) deu o nome de Márcia Carrano a uma das bibliotecas naquela cidade. Seu livro de contos “Porção de tintas”, premiado pela FUNALFA em 2003, foi lançado no dia 24 de abril de 2003, em Juiz de Fora (MG). Fonte Releituras

30/06/2009 - 19:17h Jonathan Leder

Images & Visions

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© Foto de Jonathan Leder, 2008.
Veja mais fotos de Jonathan Aqui

30/06/2009 - 18:04h Morre a coreógrafa de vanguarda alemã Pina Bausch

http://www.curatingthelibrary.org/en/download/Pina_Bausch_02-6754.jpg

SARAH MARSH – REUTERS – Agencia Estado

BERLIM – A coreógrafa alemã Pina Bausch, que revolucionou a linguagem da dança moderna, morreu na terça-feira, depois de ter recebido um diagnóstico de câncer dias antes. Ela tinha 68 anos.

Diretora artística do Teatro de Dança Wuppertal, Bausch ganhou fama internacional por suas performances e coreografias de vanguarda misturando dança, som e narrativas fragmentadas.

“No penúltimo domingo, ela estava aqui, no palco do Teatro de Ópera de Wuppertal, com sua companhia”, disse em seu site na Internet a companhia de dança e teatro, que Bausch liderava desde 1973.

A companhia disse que Bausch recebeu o diagnóstico de câncer apenas cinco dias antes de sua morte.

“Diferentemente de quase todos os outros, ela se libertou das estruturas tradicionais da dança, modernizou o balé clássico e cunhou seu estilo próprio e idiossincrático”, disse o vice-chanceler alemão Frank-Walter Steinmeier em comunicado.

Pina Bausch coreografou e encenou suas próprias obras, como “Café Mueller” e “Viktor”, e atuou em filmes de ícones do cinema como Federico Fellini e Pedro Almodóvar.

A coreógrafa vinha se preparando para trabalhar com o diretor Wim Wenders em um filme descrito como o primeiro filme de dança em 3D, intitulado “Pina”.

Em Paris, onde ela se apresentava com frequência, o prefeito Bertrand Delanoe e o ministro da Cultura francês, Frederic Mitterrand, expressaram suas condolências.

“O mundo da dança está de luto hoje após a perda de uma de suas representantes mais brilhantes”, disse Mitterrand.

Pina Bausch iniciou seus estudos de dança aos 14 anos de idade na Escola Folkwang, em Essen, onde estudou com vários mestres, incluindo o coreógrafo expressionista alemão Kurt Jooss.

Em 1960 ela foi a Nova York estudar na Juilliard School, mais tarde tornando-se membro da companhia de balé do Metropolitan Opera.

Em 1962 ela retornou à Alemanha, onde se tornou solista do recém-formado Folkwang Ballett. Em 1973 ela se tornou diretora artística e coreógrafo da companhia de dança e teatro Wuppertal, que acabava de ser fundada.

“Pina Bausch ampliou continuamente os limites do que chamamos de dança”, comentou John Neumeier, diretor da companhia de balé de Hamburgo. “Simplesmente não consigo imaginar um sucessor para ela.”

30/06/2009 - 17:59h Faleceu Pina Bausch

Cafe Muller

In memoriam

30/06/2009 - 13:07h A pedido do MP contra Kassab: Proibida pela justiça a revisão ilegal do Plano Diretor

Juiz para audiências e proíbe a revisão do Plano Diretor

Medida atende à ação impetrada pelo MP e impede a mudança nos limites de adensamento

http://guaciara.files.wordpress.com/2009/06/416103.jpg

Diego Zanchetta – O Estado SP

O juiz Valentino Aparecido de Andrade, da 10ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, determinou ontem, em decisão liminar, a suspensão da parte central da revisão do Plano Diretor. Também ficam desqualificadas as três audiências públicas realizadas sobre o tema desde a semana passada. Com a decisão, também ficam suspensos os encontros que seriam realizados com associações de bairros até quinta-feira. Ao todo, seriam promovidas 37 audiências até setembro, antes de o projeto ser levado para votação em plenário. É a primeira derrota que a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) sofre na tentativa de rever os limites de adensamento impostos pela legislação em vigor, de 2002.

A liminar foi concedida com base em pedido feito por meio de uma ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Estadual (MPE), em favor do Movimento Defenda SP e do Instituto Polis. Ao tentar revogar os artigos 1º ao 47 do antigo plano, o prefeito torna a abrangência da revisão maior do que a lei atual permite, segundo a decisão judicial. “Concedo, pois, a medida liminar para incontinenti determinar a supressão do tema que se refere à revogação dos artigos 1º a 47 da lei 13.885/2003. Determino a revogação das audiências públicas já realizadas”, diz a liminar do juiz da 10ª Vara da Fazenda.

A supressão dos artigos do antigo plano, vetada pela Justiça, permitiria ao prefeito, caso o projeto fosse aprovado, a revisão de estoques de empreendimentos em 12 distritos da capital saturados – conforme os parâmetros estabelecidos pela legislação de 2002. O governo deve recorrer da decisão. “Vamos resolver o problema jurídico, sem enfrentamento, e tentar retomar a discussão em agosto. Hoje nós vamos até o local avisar que a audiência não será mais realizada”, avisou no início da noite Carlos Apolinário (DEM). O vereador governista seria o responsável ontem por conduzir a audiência no Sesc Consolação.

Para o oposicionista Chico Macena (PT), o prefeito tem de parar imediatamente a revisão. “O que a lei permitia eram pequenos ajustes. E não uma revisão que vai permitir, no futuro, outras mudanças de zoneamento. Não existe base legal para mudanças tão grandes”, considera o vereador. O MP também considera que a revisão infringe o artigo 208 do Plano Diretor Estratégico, que limitava a possibilidade de supressão dos artigos da atual lei.

VOTAÇÕES

A decisão do juiz também teve grande repercussão na Câmara, que ontem apenas discutiu projetos que estavam na pauta. Cinco sessões extraordinárias foram marcadas, a partir das 17h30 de hoje, para que possa ser votada hoje a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

30/06/2009 - 12:15h Sem caminhão, trânsito fica igual

http://blog.estadao.com.br/blog/media/caminhoes.jpg

Maioria dos taxistas não vê mudanças no dia a dia, após restrições; para eles, ”os gargalos continuam”

Naiana Oscar – O Estado SP

As medidas para impedir a circulação de caminhões no centro expandido completam um ano hoje, mas para um grupo de motoristas bem habituado a enfrentar o trânsito paulistano as regras não trouxeram melhoras. Eles admitem, no entanto, que sem elas a situação poderia estar ainda mais complicada. A reportagem ouviu taxistas nas cinco regiões da cidade.

Nerildo Isaías Santos, de 40 anos, diz que o trajeto de casa, em Santana, na zona norte, até o ponto em que trabalha, em Higienópolis (zona oeste), ficou mais demorado. “Fazia em 20 minutos. Hoje levo quase 40 minutos no horário de pico. Tiraram os caminhões, mas os gargalos continuam.”

Ontem, o Estado mostrou que entre maio do ano passado (um mês antes do início da medida) e maio deste ano, a velocidade média nos horários de pico apresentou queda. Pela manhã, o índice passou de 30 km/h para 25 km/h (-16,6%). E no horário de pico da tarde de 17 km/h para 15 km/h (-11,7%). As médias dos maiores congestionamentos registrados no pico da manhã e da tarde, nos cinco primeiros meses de 2009, são de 87 e 121 quilômetros, respectivamente. Em 2008, esses índices eram de 91 e 129 km de extensão, uma redução de 4,3% no congestionamento da manhã e de 12,9% na lentidão da tarde. Isso sem contar que, no dia 10 de junho, véspera de um feriado prolongado, a capital registrou o maior congestionamento da história, com 293 km.

Entre os taxistas entrevistados, só os do Jabaquara, na zona sul, elogiaram a restrição aos caminhões e afirmaram terem percebido os benefícios das mudanças. “Dá para notar que dentro do bairro tem menos caminhão circulando e parando para descarregar. Isso para a gente é uma maravilha”, disse Carlos Roberto Cesário, de 43 anos e oito de praça.

Na região, ele diz que o maior problema continua sendo a Avenida dos Bandeirantes, que tem um fluxo intenso de caminhões. “Agora, a gente vive de esperança, no aguardo da inauguração do Rodoanel”, concluiu Lúcio Feliciano Santana, taxista na zona oeste.

30/06/2009 - 11:49h “Gestão” Kassab: improvisação, factoides, falta de investimentos e de planejamento

# Kassab veta fretados na área central
# Passageiro gastará até 46% a mais
# Automóvel pode ser tirado da garagem

A falta de planejamento e a improvisação são a marca do governo Kassab, particularmente na área de trânsito e transporte. As medidas estão ditadas pela necessidade da propaganda e do factóide e não do plano e do investimento.

Foi assim com a proibição dos caminhões, hoje demostrado que não tiveram qualquer efeito na diminuição dos congestionamentos e que provocaram um gasto extra para as empresas repassados ao freguês. Por cada caminhão proibido, passaram a circular até 3 Vuc. (ver Estadão e Folha de ontem aqui).

Enquanto a metade das câmaras da CET estão quebradas (ver JT de hoje, aqui) e só 300 e pouco dos semáforos inteligentes estão em funcionamento (ver aqui), Kassab restringe os ônibus fretados o que levará seguramente ao aumento no número de carros em circulação, e gastos extras para passageiros e empresas.

Em quanto isso, nenhum corredor de ônibus foi construído em 5 anos e a expansão do metrô caminha a passo de tartaruga.

A finalidade aparentemente única das diversas medidas anunciadas é reverter as denuncias dos jornais sobre o caos que impera no trânsito e no transporte público, e criar um factóide que venda a ideia que a “gestão” está agindo. Neste caso especifico o calculo parece ser o de afetar as pessoas que em sua maioria não votam na capital, mas que aqui trabalham, para aliviar transitoriamente a circulação dos carros na região da paulista.

Em geral nenhum estudo é feito para sustentar os supostos benefícios das medidas e os especialistas, consultados pelos jornais, não consideram muito positivas essas improvisações. LF

http://blogs.jovempan.uol.com.br/transito/files/2009/05/fretados.jpg

Fretado? Sorria, meu bem, sorria

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/foto/0,,20849022-EX,00.jpg

Até 46% a mais para os passageiros

Custo médio mensal do fretamento para a capital paulista é de R$ 240, valor chegará a R$ 352

Felipe Grandin – O Estado SP

As novas regras para os fretados na capital paulista podem aumentar em até 46% o custo da viagem para os passageiros, caso tenham de fazer baldeação para chegar à região central de São Paulo. Segundo empresas do setor, o custo médio mensal do fretamento é de R$ 240 por pessoa, para quem sai da capital ou da Grande São Paulo. Com o metrô ou trem, o valor chegará a R$ 352 (se mantida a tarifa original do fretado).

O gasto extra será de R$ 112 mensais, quando se consideram 44 viagens ao preço de R$ 2,55 cada uma (ida e volta, 22 dias úteis por mês). Se a opção for pelo ônibus comum, cuja tarifa é R$ 2,30, o acréscimo seria de R$ 102 mensais. Não se cogita, por enquanto, redução no valor cobrado pelos fretados, ainda que eles venham a percorrer menor distância.

Proporcionalmente, o impacto será menor para quem vem de fora da Região Metropolitana de São Paulo e já paga mais pelo transporte. A média mensal para quem sai do litoral ou do interior é de R$ 400. Com a baldeação, passaria para R$ 512, de metrô ou trem, uma alta de 28%. Ou para R$ 502 de ônibus.

ÔNIBUS POR CARRO

Segundo a especialista em transporte Silvana Maria Zioni, a restrição pode levar os passageiros a trocar o ônibus pelo automóvel. “O custo mais alto deve pesar a favor do carro. É a maior vantagem dos fretados em relação a esse transporte”, diz. “O aumento do tempo de viagem e a redução do conforto também podem favorecer o automóvel.”

Para a urbanista, o transporte coletivo deve ser escolhido por aqueles que não têm carro ou condições de arcar com o custo. Atualmente, 47% das viagens são pagas pelo empregador, segundo a última pesquisa Origem e Destino do Metrô. A maioria dos passageiros (88%) usa o transporte para ir ao trabalho.

http://fubango.blog.uol.com.br/images/metrosp.jpg

Automóvel pode ser tirado da garagem

75% dos passageiros têm carro

Mônica Cardoso – O Estado SP

A restrição aos ônibus fretados anunciada ontem desagradou aos passageiros. Muitos já pensam em tirar o carro da garagem, como o bancário Altair Barbosa, de 27 anos. Ele mora em Guarulhos, na Grande São Paulo, e trabalha na região da Avenida Paulista. “Essa medida vai causar mais congestionamentos e poluição.” De acordo com uma pesquisa realizada pela Transfretur, 87% dos passageiros de fretados pertencem às classes A e B e 75% têm automóvel.

De carro ou de fretado, o tempo gasto no percurso entre a casa de Barbosa e o trabalho é o mesmo. Uma hora e meia só na ida. A despesa com o automóvel, no entanto, chega a R$ 400 mensais, mais que o dobro da mensalidade do fretado, de R$ 180. “O preço dos estacionamentos na região da Paulista é bem alto. Além disso, tem o combustível e a manutenção do automóvel.” Se usasse o transporte público, Barbosa teria de pegar dois ônibus lotados e levaria mais de duas horas para chegar ao trabalho.

O analista de sistemas Ricardo Gouveia Mendonça, de 34 anos, também deve voltar a utilizar automóvel para ir trabalhar. Ele mora em Osasco e há dois anos usa o fretado para chegar à região da Avenida Paulista, onde trabalha. Pelo coletivo, paga R$ 200 e leva cerca de uma hora no trajeto. Mesmo tempo que demoraria para percorrer o percurso de carro. O transporte público exigiria pelo menos duas horas. “É muito cheio e leva mais tempo. No fretado, venho lendo, conversando, dormindo. Acredito que a maioria dos passageiros prefere a comodidade e a pontualidade ao estresse de encarar o trânsito sozinho.”

Mas o motorista de fretado Hélio Pereira dos Santos, de 43 anos, já teme perder o emprego. “Muita gente vai deixar o serviço, causando desemprego.”

Se os passageiros dos fretados são contra a portaria, os moradores das ruas utilizadas como rotas ou estacionamentos para os veículos comemoram. “Eles param em qualquer lugar, de acordo com a conveniência do passageiro. Não importa se é Zona Azul ou garagem de condomínio”, diz Célia Marcondes, presidente da Associação dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César.

30/06/2009 - 11:08h ”Minha Casa” aquece vendas de segmento popular

“Falávamos em um ano de crescimento zero e agora já temos previsão de crescer 30% a 40%” diz o presidente da PDG Realty, Zeca Grabowsky

Ações de empresas do setor imobiliário e de construção civil já subiram 86%

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Marianna Aragão – O Estado SP

As empresas que atuam no segmento econômico já sentem os efeitos do programa Minha Casa, Minha Vida. “Falávamos em um ano de crescimento zero e agora já temos previsão de crescer 30% a 40%”, diz o presidente da PDG Realty, Zeca Grabowsky. Segundo ele, os efeitos do pacote foram imediatos, uma vez que a empresa já atendia o segmento popular, com a Goldfarb.

A Rossi Residencial também está revendo suas expectativas. “As vendas têm se recuperado mês a mês e pretendemos retomar o caminho dos lançamentos”, afirma o diretor comercial, Leonardo Diniz.

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Setor imobiliário ensaia recuperação

Após um processo de fusões, reestruturação de dívidas e pacotes de estímulo, ações do setor já subiram 86%

Mariana Barbosa – O Estado SP

Depois de puxar a desvalorização na Bovespa no final do ano passado, as empresas do setor imobiliário e de construção civil ensaiam uma recuperação. O Imob, índice que reúne as empresas mais representativas do setor na Bovespa, acumula alta de 86,5% desde o início do ano, contra 38,85% do Ibovespa. O Imob fechou ontem em 572,5 pontos, ainda distante do pico de 996,9 pontos atingido em maio do ano passado, mas deixando para trás o fundo do poço, de 213 pontos, registrado em 21 de novembro do ano passado.

“As más notícias cessaram, mas a dúvida é saber quando virão as boas notícias”, afirma o analistas da Fator Corretora, Eduardo Silveira. Para os analistas, nem mesmo o programa do governo, Minha Casa Minha Vida, que promete uma injeção de R$ 34 bilhões no setor, fará com que as empresas exibam balanços espetaculares este ano. “Não vai ter volume de vendas suficiente para sustentar as megaempresas que as construtoras se transformaram depois das aberturas de capital”, avalia João Rocha Lima Junior, professor do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP.

Uma das estrelas da onda de abertura de capital, o setor levantou algo como R$ 20 bilhões apenas com as ofertas iniciais de ações (IPO). Para Lima Junior, as empresas foram precificadas por um padrão de eficiência muito difícil de alcançar. “Aquela eficiência prometida lá atrás nos prospectos dos IPOs admitia uma relação entre o valor do terreno, o custo das obras e o preço de venda que não vai acontecer”, diz Lima Junior. “Essa precificação do passado virou pó. Ela envolvia uma fantasia de crescimento perene a taxas espetaculares que não aconteceu.”

Para os analistas, porém, a fase mais aguda da crise foi superada com a onda de fusões e aquisições desde o final do ano passado, com operações como a compra da Tenda pela Gafisa e as aquisição da Klabin Segall e da Abyara pela Veremont Participações, em sociedade com a Agra. Com o caixa apertado para as obras e a queda na demanda, as empresas também diminuíram lançamentos e resolveram trabalhar a venda de estoques existentes. “A maior parte dos problemas financeiros foi resolvida”, avalia Silveira. “Agora, as empresa terão de entregar resultados.”

Na avaliação dos analistas, as ações das empresas do setor imobiliário estão hoje em trajetória de alta por duas grandes razões: a queda da taxa de juros e o programa Minha Casa Minha Vida. “Os juros estão caindo e a perspectiva macroeconômica é boa”, afirma Silveira, da Fator.

O pacote habitacional do governo federal, lançado no final de março, deu uma injeção de ânimo para o setor. Mas o mercado está bastante seletivo. Levantamento feito pela Economática mostra que foram as empresas com maior foco no segmento de baixa renda que tiveram maior valorização. Desde o início do ano, as ações da PDG, controladora da Goldfarb, subiram 95%. As da MRV Engenharia, 181%, e as da Tenda, 200%.

Tida como uma das estrelas do momento, a MRV conseguiu captar R$ 722 milhões na Bolsa na semana passada. A Gafisa também pretendia captar outros R$ 700 milhões, mas resolveu adiar a oferta para “quando as condições de mercado estiverem adequadas”. “A Gafisa está com necessidade de caixa no curto prazo, mas o mercado está pedindo um desconto, pois ela é vista como muito dependente do segmento de média e alta renda”, diz Cristiano Hess, analista da Brascan Corretora.

Para tentar aproveitar a demanda pela baixa renda, as empresas estão adequando seus portfólios. “Empresas que sempre tiveram o foco na alta renda, como Cyrela e Gafisa, estão fazendo esforços maiores para a baixa renda”, afirma Hees.

A Cyrela, por exemplo, resolveu dar mais autonomia à subsidiária Living, voltada para empreendimentos mais populares. A Rossi, que começou mais popular e depois se voltou para as rendas média e alta, lançou a marca Ideal, que deve representar até 70% de seus lançamentos este ano. A Gafisa, que adquiriu a Tenda, indicou que a empresa deve responder por mais de 50% das vendas consolidadas do grupo.

30/06/2009 - 10:00h A marca do Serra

AGORA

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30/06/2009 - 09:28h Substituição tributária de Serra dificulta combate a crise

“A substituição tributária não é uma medida contracíclica contra a crise.”

Amir Khair, especialista em contas públicas

 

Mantega culpa Estados por repasse limitado aos preços

Segundo ministro, mudança tributária imposta por governadores reduziu o caixa das empresas

Edna Simão, Renato Andrade e Raquel Landim – O Estado SP

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, jogou sobre o governo de São Paulo e de outros Estados a responsabilidade pelos problemas no repasse aos consumidores da isenção do imposto incidente na produção de geladeiras, fogões e máquinas de lavar, a chamada linha branca.

Durante o anúncio do novo pacote de medidas para estimular a economia, o ministro afirmou que o efeito da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos últimos três meses sobre esses produtos foi limitado, porque alguns governadores promoveram, ao mesmo tempo, uma substituição tributária, transferindo para a indústria a responsabilidade pelo recolhimento do ICMS , antes mesmo da venda do produto no varejo.

A decisão dos governadores, na avaliação do ministro, reduziu o capital de giro das empresas, impedindo uma queda mais brusca dos preços. Segundo levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), apresentado por Mantega, nos meses de abril e maio, o preço médio do fogão recuou 0,7%, o do refrigerador caiu 5% e o da máquina de lavar 6,4%. “Há espaço para uma redução maior dos preços”, afirmou o ministro.

O governo federal reduziu o IPI em 5 pontos porcentuais para fogões e em 10 pontos porcentuais para refrigeradores e máquinas de lavar.

As vendas de produtos de linha branca cresceram consideravelmente após o estímulo. Somente de geladeiras, a expansão das vendas foi de 26% em maio na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Com a renovação da isenção do IPI até o fim de outubro, Mantega vai convocar os governadores para discutir a questão. “Foi feito em São Paulo e em outros Estados. Vou conversar com os governadores que de certa forma se aproveitaram”, disse. Ele frisou que “não tem nada contra a substituição tributária” e acrescentou que o momento é que foi “errado”.

Fabíola Xavier, diretora do IDV, que representa varejistas como Casas Bahia, Magazine Luiza e Carrefour, confirmou que a substituição tributária impediu o repasse integral da redução do IPI para os preços pagos pelo consumidor nas lojas. “Temos a mesma opinião do ministro. Deixamos de pagar imposto para o governo federal para pagar para o estadual”, disse. Ela afirmou que o varejo é a favor da substituição tributária, porque combate a sonegação, mas o problema é que as medidas foram “simultâneas”. O setor pediu ao governo paulista a revisão das margens de lucro utilizadas para o cálculo.

Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros), afirmou que o repasse do IPI foi feito integralmente pela indústria e que o problema ocorreu depois.

Por meio de uma nota, a secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo informou que o prazo para o pagamento do imposto pode chegar a 90 dias e que o objetivo foi neutralizar eventual impacto no fluxo de caixa das empresas. O governo estadual argumenta ainda que a medida foi discutida com as entidades de classe.

A Receita Estadual de Minas Gerais também informou que o efeito da substituição tributária é “neutro” para o repasse do IPI ao consumidor. O órgão disse que o IPI faz parte da base de cálculo do ICMS, logo se o primeiro é reduzido, o segundo é “automaticamente” alterado.

Para Amir Khair, especialista em contas públicas, o problema é exclusivamente de “capital de giro”. Ele disse que, ao antecipar a arrecadação do imposto, o Estado se apodera de um capital que estaria disponível para o varejo. Khair ressalta que as pequenas varejistas operam com margens apertadas. “A substituição tributária não é uma medida contracíclica contra a crise.”

30/06/2009 - 09:08h “Gestão” DEM-PSDB São Paulo: Partidos aliados entram no jeton

“Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do governo federal”.

José Serra

 

 

KASSAB, PMDB E PV

Coluna Você precisa saber do Jornal da Tarde

Roberto Fonseca, JT

roberto.fonseca@grupoestado.com.br
Partidos aliados entram no jeton

Depois de ceder ao presidente nacional do PPS, Roberto Freire, duas vagas em conselhos de empresas da Prefeitura, Gilberto Kassab (DEM) agraciou PMDB e PV, que apoiaram sua reeleição.

Se Freire tem dois jetons de R$ 6 mil, PV e PMDB têm, cada, um de R$ 6 mil e um de R$ 3 mil. Presidente municipal verde, Carlos Galeão Camacho virou conselheiro de administração da São Paulo Transporte (R$ 6 mil). “Tenho formação matemática forte. Querem aproveitar meu conhecimento ”, disse. “E tenho diferencial: só ando de ônibus e, como idoso, saio pela porta da frente, posso testar o serviço.” O PV ainda tem Luiz Foz no conselho fiscal (R$ 3 mil) da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab).

Já o PMDB tem Ademar Mellin, muito ligado ao cacique estadual Orestes Quércia, no conselho de administração da Prodam (R$ 6 mil) e Gilberto Nucci no conselho fiscal da Cohab (R$ 3 mil).

Leia a integra da coluna no Jornal da Tarde

29/06/2009 - 21:00h Eu achava que fazer o blog era duro, mas veja como é pior ser… massagista

É verdade que este vídeo corresponde mais com o estilo do Sitio de Leo que com a seriedade e austeridade que carateriza meu blog. Mas, picado pelo ciumes, decidi incursionar na especialidade do Leo e roubar dele a primazia com este scoop. Provavelmente ele vai fazer um link do site dele para este vídeo e trocar seu cargo de jornalista do Valor pelo de massagista (ambas profissões agora dispensam diploma).

29/06/2009 - 20:05h O Barbeiro de Sevilha

Pica pau – O Barbeiro de Sevilha

Ah, bravo Figaro! Bravo, bravissimo;
Ah, bravo Figaro! Bravo, bravissimo;
a te fortuna (a te fortuna, a te fortuna) non manchera.
Ah, bravo Figaro! Bravo, bravissimo;
Ah, bravo Figaro! Bravo, bravissimo;
a te fortuna (a te fortuna, a te fortuna) non manchera.

Sono il factotum della citta,
Sono il factotum della citta,
della citta, della citta,
Della citta!!!
La la la la la la la la la!

Tutti mi chiedono, tutti mi vogliono,
donne, ragazzi, vecchi, fanciulle:
Qua la parruca. Presto la barba…
Qua la sanguigna. Presto il biglietto…
Tutto mi chiedono, tutti mi vogliono,
tutti mi chiedono, tutti mi vogliono,
Qua la parruca, presto la barba, presto il biglietto, ehi!
Figaro. Figaro. Figaro. Figaro. Figaro.
Figaro. Figaro. Figaro. Figaroooooooooooooooooo…
Figaro qua, Figaro la, Figaro qua, Figaro la, Figaro su, Figaro giu, Figaro su, Figaro giu.

Rasori e pettini
lancette e forbici,
al mio comando
tutto qui sta.
Rasori e pettini
lancette e forbici,
al mio comando
tutto qui sta.
V’e la risorsa,
poi, de mestiere
colla donnetta.
col cavaliere.
colla donnetta.
La la li la la la la la
col cavaliere…

Largo al factotum della citta.
Largo!
La la la la la la la LA!
Presto a bottega che l’alba e gia.
Presto!
La la la la la la la LA!
Fortunatissimo per verita!
Fortunatissimo per verita!
La la la la la la la LA!
Pronto a far tutto, la notte e il giorno
sempre d’intorno in giro sta.
Miglior cuccagna per un barbiere,
vita piu nobile, no, non si da.
La la la la la la la la la la la la la!

Thomas Allen

29/06/2009 - 18:31h Uma fotografia, um nome

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Daniel Blaufuks, The Passengers, 2001 © Daniel Blaufuks

 

Cinco estradas de luz definem vias paralelas na noite envolvente. E criam o mundo. Aí, as sombras são, como na vida, incompletas mas pregnantes.

Sabemos que estes homens caminham para um qualquer lugar, com uma certa pressa: estão conscientes da direcção e do porvir, que não vemos. Na imagem, porque os traços luminosos se interrompem, seguem para o interior da noite. É um lugar improvável, porque feito apenas da nossa imaginação e hábitos de aceitação determinista.

Esta imagem de Daniel Blaufuks inclui-se na minha pequena lista de fotografias mágicas. Com ela, para fugir à impressão de síntese, levanto questões do Ser, (quando Ser significava essência e suspensão de mudança e ainda o Ser de hoje, que é só fenómeno, aparição, seja na vida ou na comunicação). Estes homens, no cenário iluminado perseguem, determinados, um objectivo qualquer, vemo-los obstinados e voluntaristas a criar um destino. Não escapa que o fazem com gregarismo, o que não contraria o individualismo tenaz de uma cultura que nasceu, (ao que dizem) livre. O colectivismo é cada vez mais uma questão de marketing e sinalização: a porta de saída assinalada pode explicar o aparente gregarismo.

A aventura do quotidiano é aqui oferecida, em tamanho grande, pelo fotógrafo, é ele que os coloca na galáxia de luz, no caminho de Santiago. Já não lhe cabe o milagre técnico que é a suspensão do movimento, essa suspensão que não lhe retira o acontecer, porque esse reside na nossa imaginação associativa.

Posso lembrar-me daquelas fotografias de intenção psicológica, obtidas nas horas de ponta dos anos cinquenta, mostrando enxames humanos convergindo para estações de transportes urbanos e rarefazendo-se nas outras horas. Explico assim a pressa estatística destes passageiros de Blaufuks. Ou, debitando um olhar antropológico deter-me nos mini-grupos familiares ou não, nos gestos interceptados, no tipo de equipamentos.

Sei que a leitura dependerá em função de cada sujeito e dos seus interesses acumulados.
Se recusar a análise do detalhe, recolho a impressão causada, sincrética e obscura e posso aceitar a ideia gnóstica de iniciação dos escolhidos, atravessando os caminhos de luz para as suas verdadeiras realidades.

A fotografia condensa na sua superfície as nossas pequenas sensações e memórias erráticas. Raras vezes nos diz mais do que já sabemos, porque é assim que negociamos com o real.
Mas um fotógrafo pode propor uma vasta camada de leituras que suscitam a nossa sensibilidade e abrem as gavetas da aprendizagem. Fá-lo acumulando experiências e as dificuldades que a abertura ao mundo necessariamente desencadeia. Saber traduzir, como nesta imagem, a espessura do real e, ao dobá-lo num único acontecer, não conta uma história, ilustra e informa essa dimensão de conhecer que é o homem.

Mas para isso o fotógrafo tem de nos suspender o ritmo, prender este nosso olhar cada vez mais saturado de imagens. O burlesco ou o “apanhado” a que Cartier-Bresson gostava de chamar “momento decisivo”, é um estratagema. Mais difícil é envolver o captado numa perspectiva estética.

Quando a imagem é dolorosamente estética, intraduzível na impressão que a provoca, desnorteando a percepção mas sugerindo sedutoras interpretações, temos uma fotografia mágica. A recepção não é labiríntica, vai-nos entregando, sem intenção, à sua magia.

Tudo isto se desdobra na concentração de cultura e realidade que é “The Passengers”, de Daniel Blaufuks. Um local de passagem pode instaurar um ritual e talvez por isso mesmo prefira a versão alucinante da Gnose: homens comuns, deixando para lá das portas um mundo menor, efectuando a passagem marcada a luz para uma realidade maior.

Maria do Carmo Serén

Daniel Blaufuks vive em Lisboa. Foi distinguido com o Prémio BES Photo em 2007. Mantém uma coerente obra fotográfica e publicada, tendencialmente conceptualista. Fonte Blog Arte photographica de Sérgio B. Gomes.

29/06/2009 - 18:03h Perdão

Izabel Santa Cruz Fontes

Hoje sonhei que te perdoava. Estamos sentados frente a frente, desconfortáveis, com olhares perdidos. Eu podia sentir o teu desespero mudo no ar, tocar nele, moldá-lo à minha maneira, fazer dele capricho meu. Você fingia tomar seu café e olhar pela janela. O café estava tão quente que era quase uma presença humana. Éramos, então, quatro: eu, você, o café e seu desespero, percebi nisso metáfora indizível. Mesmo no fim, mesmo em sonhos, nunca sozinhos.

Sádica, eu folheava o jornal displicentemente e jogava os cadernos pelo chão, bagunçando tudo de propósito, como que para te irritar pela última vez. Você, numa coragem súbita, quebra o silêncio. Apenas ergo os olhos, fitando-te friamente e volto a uma notícia tediosa, no caderno de política. Falava alguma coisa sobre um tratado político no Sul da África… você fala, fala, fala. Fala coisas que eu não entendo, ou não lembro. Diz que se arrepende, pede desculpas, promete o céu e felicidade eterna. Continuo a ler, termino mais uma página e a jogo no chão, quase com desprezo. Sentindo o corpo inteiro estremecer, numa raiva contida, você se limita a olhar com o canto do olho a mais uma provocação e ignora, permitindo-se um resto de orgulho.

Ao perceber que ainda somos nós — você, puro orgulho, eu, pura implicância — dou um meio sorriso, sabendo que não tenho o direito de me sentir feliz. Você, de repente, percebe tudo e dá um sorriso largo, criança em dia de natal. Surpresa, apenas arregalo os olhos, você ri do meu espanto. Mais alto. Gargalha. Contagiada, vou sentindo minha boca se abrir, tímida, até se escancarar. Sentimos o corpo tremer e rimos, em uma crise guardada, sem explicação, sem motivo.

Passamos tempo incontável assim, a rir sem motivos e, de repente, paramos. Pela primeira vez, nos olhamos de verdade, com olhos de quem ri, inocentes e carinhosos. Finalmente, nós dois entendemos e, calados, aceitamos nosso destino: orgulho e implicância. Nos perdoamos.

E-mail: beu.o@hotmail.com

Izabel Santa Cruz Fontes (1987) é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Diz fazer da escrita uma forma de “existir um pouco mais no mundo.” Fonte Releituras

29/06/2009 - 14:00h AGORA dá uma picada na “gestão” Kassab

Editorial do jornal AGORA
A dengue pede carona

É preocupante a notícia de que as equipes de combate à dengue ficaram sem trabalhar na capital por falta de veículos. O serviço foi suspenso no último dia 18 por conta do fim do contrato entre a Secretaria Municipal da Saúde e uma locadora de veículos. Sem carro, 1.800 funcionários ficaram sem ter o que fazer.

A dengue surge com força quando chega o verão, mas o combate ao mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir a doença, deve acontecer durante todo o ano. Com temperaturas mais altas, a reprodução do mosquito é favorecida. E aí, se governo e população já não tiverem se preocupado em prevenir o aparecimento do transmissor, pode ser tarde demais.

Mais de 50 mil visitas deixaram de ser feitas com a falta de carros, segundo cálculos do sindicato dos trabalhadores. O problema atinge todas as áreas da cidade.

A secretaria nega que tenha havido prejuízo no combate aos focos de dengue por conta do fim do contrato, mas também não informou o prazo para a normalização do serviço.

É claro que a contratação de empresas pelo poder público tem que ser cuidadosa e dentro dos conformes. Mas é preciso que a prefeitura tenha um planejamento mais eficiente a respeito de contratos que se encerram, sobretudo ao lidar com doenças. Um descuido desses, ainda que por pouco tempo, pode causar prejuízo à saúde da população.

29/06/2009 - 12:36h Especialistas debatem construção de novas pistas na Marginal Tietê

A Associação Casa da Cidade promove hoje um debate sobre a decisão de tucanos e democratas dos governos estadual e municipal de construir novas pistas na marginal Tietê. O projeto privilegia, mais uma vez, o transporte individual no lugar do coletivo, que pouca atenção tem recebido das administrações Serra e Kassab.

Com o nome de “Nova” Marginal Tietê – a vitória do automóvel sobre o rio e a cidade, o evento reunirá várias especialistas sobre o assunto.

Estão confirmadas as presenças Saide Kahtouni, da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas, Marcos Bicalho, da Associação Brasileira de Transporte Público, e Jorge Wilheim, arquiteto e urbanista e ex-secretário de Planejamento da Prefeitura de São Paulo
O debate será às 20 horas. A Casa da Cidade fica na Rua Rodésia, 398, Vila Madalena.
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29/06/2009 - 12:09h A marca do Serra: o novo pedágio da Castelo é ilegal diz advogada

O Estado e o novo pedágio da Castelo

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por Marina Faraco Siqueira e Silva* – Jornal da Tarde

A noticiada proposta da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) de instituir a cobrança de pedágio na via expressa da Castelo Branco parece já estar maculada pela ilegalidade antes mesmo da sua aprovação. Isso porque, segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo, o edital de licitação e o respectivo contrato de concessão não previam a instalação de praças de pedágio nas pistas expressas da rodovia, conforme veiculado no jornal O Estado de S. Paulo, em 13/2/2008.

Embora legalmente admitida, a alteração superveniente do contrato de concessão não pode acarretar desprestígio aos princípios da isonomia e da impessoalidade, como se vislumbra no caso. Não bastasse isso, a proposta da Artesp ainda assume o declarado intuito de compensar as concessionárias em razão da construção de dois complexos viários que facilitarão o acesso à Marginal do Tietê.

Com isso, se aprovada nesses termos, a exação surgirá também eivada pelo vício do desvio de finalidade, o que, mais uma vez, torna a cobrança ilegal. Um dos pressupostos de validade dos atos administrativos é que a sua prática seja consoante à finalidade prevista em lei. E os pedágios, nada obstante a divergência doutrinária acerca da sua natureza jurídica, assumem a finalidade de subsidiar a manutenção e a melhoria das vias cuja utilização enseja a sua cobrança.

Com efeito, a aplicação dos recursos advindos com a arrecadação de pedágios deve atender à finalidade de transferir aos usuários tais vantagens econômicas mediante o aperfeiçoamento da via, como estabelece a Lei Federal n.º 10.233, de 5/6/2001. A instituição de pedágio visando à arrecadação de recursos para o financiamento de obra pública afasta, por completo, o ato da finalidade legal a que se encontra vinculado. E vício dessa natureza, diga-se de passagem, não pode ser superado pelas pesquisas de opinião favoráveis à cobrança, tanto noticiadas pela Artesp.

O custeio das obras públicas deve se dar com recursos próprios do orçamento estatal e não pela população, via transversa, com a cobrança de pedágios.

A conclusão de uma obra pública pode, no máximo, dar ensejo à instituição de contribuição de melhoria, a ser cobrada dos proprietários beneficiados com a valorização dos imóveis circunscritos à construção e em razão dela.

Caso a cobrança do pedágio seja levada a efeito, à população restará manifestar sua indignação, seja com protestos, como, aliás, fez quando da criação da cobrança nas vias marginais da mesma Castelo, seja batendo às portas do Poder Judiciário, buscando o reconhecimento da sua nulidade pela via da ação popular, legítimo instrumento de exercício direto do Poder Estatal pelo povo, seu verdadeiro titular. Ao que tudo indica, parece que, desta vez, é o Estado quem vai desviar no novo pedágio da Castelo.

*ADVOGADA, PROFESSORA DA FACULDADE DE DIREITO DA PUC/SP E ASSESSORA DA REITORIA DA PUC/SP

29/06/2009 - 11:31h Kassab em marcha ré

Hoje Estadão e Folha parecem mancomunados, um complementando o outro. A Folha mostra o descaso de Kassab com o transporte público, com aumento do número de passageiros e a diminuição do número de ônibus; enquanto o Estadão retrata as consequências para o trânsito do mesmo abandono e ausência de iniciativa do prefeito. É bom lembrar que nenhum corredor novo viu a luz após 5 anos de administração demo-tucana da capital e que o trânsito é um pesadelo diário e sem horário na cidade. Ambos fenômenos têm como causa principal a falta de investimento no transporte público, tanto da prefeitura de Kassab como dos sucessivos governos estaduais do PSDB com o metrô.

Como os eleitores manifestam ainda uma certa simpatia pelas “gestões” demo-tucanas em São Paulo -é o que dizem as pesquisas- cabe a eles engolir seco. Foi enganado e não sabia? Sorria, meu bem, sorria…LF

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São Paulo perde ônibus e ganha passageiros

Com 207 veículos a menos, frota de transporte público transportou 220 mil pessoas a mais neste ano; prefeito prometeu manter tarifa a R$ 2,30

Se por um lado há mais produtividade -o que agrada a viações e perueiros-, de outro passageiros sofrem com a superlotação e a demora

ALENCAR IZIDORO – Folha SP

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Na rua, 3 VUCs para cada caminhão

N.º de utilitários avança 11%, ante 2% dos caminhões; setor de carga quer manter circulação de veículos menores

Eduardo Reina, Naiana Oscar e Renato Machado – O Estado SP

A restrição de caminhões teve impacto direto no aumento da frota de utilitários da capital. Entre maio de 2008 e maio deste ano, o número de veículos de carga de menor porte cresceu quase cinco vezes mais que o de caminhões. A frota de utilitários da capital passou de 561,9 mil para 624,4 mil, uma alta de 11% (no Estado, a alta foi de 9%). Enquanto o número de caminhões nas ruas subiu 2,99% (no Estado, foram 4,9%), chegando a 166,6 mil veículos no mês passado.Esse fenômeno é apontado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo como o “furo” da medida municipal. O setor defende que, ao restringir os caminhões, a Prefeitura aumentou a quantidade de veículos a ocupar espaço nas ruas e, assim, contribuiu com os congestionamentos. “A Secretaria de Transportes está obtendo justamente o efeito contrário”, afirmou o presidente da entidade, Francisco Pelucio. O setor reivindica que a Prefeitura libere a circulação irrestrita dos Veículos Urbanos de Carga (VUCs), caminhões com capacidade de 4 toneladas. Hoje, eles precisam respeitar um rodízio de dias pares e ímpares. A partir de novembro, devem ser totalmente proibidos das 5 às 21 horas. “Sem eles, vai ficar inviável manter o abastecimento no centro expandido.”MERCADORIAS DEVOLVIDAS

Para se adaptar às medidas, a distribuidora de bebidas Ambev passou a fazer entregas no centro com 51 VUCs e 76 vans. Com dois centros de distribuição, um no Jaguaré e outro na Mooca, a empresa abastece 8,2 mil postos de venda dentro da Zona Máxima de Restrição de Circulação (ZMRC). Nos primeiros meses de restrição, a Ambev registrou um índice de devolução de mercadoria no período noturno de 17%, por conta da falta de estrutura nos postos de venda. A média nacional é de 1%. Atualmente, com as adaptações, a empresa chegou a um índice de devolução de 5% na capital.

Se os VUCs forem proibidos durante todo o dia, o serviço da Ambev terá de ser realizado por 260 vans, aumentando em 65% a emissão de gases poluentes pela frota da empresa – e em 105% a contribuição para os congestionamentos.

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Velocidade média dos carros em SP, no pico da manhã, cai 16,6% em 1 ano

Um ano após restrição a caminhões, paulistano ainda chega a trafegar em velocidade inferior a de uma carroça

Eduardo Reina, Naiana Oscar e Renato Machado – O Estado SP

Apesar de uma série de medidas e obras para ampliar a fluidez na capital paulista – incluindo a restrição aos caminhões, que completa amanhã um ano -, os motoristas perdem cada vez mais tempo no trânsito em São Paulo. As medidas para impedir a circulação de caminhões no centro expandido reduziram os índices de congestionamento, mas não foram suficientes para aumentar a velocidade desenvolvida pelos veículos nas ruas da capital.

Dados obtidos pelo Estado mostram que, entre maio do ano passado (um mês antes do início da medida) e maio deste ano, a velocidade média nos horários de pico apresentou queda. Pela manhã, esse índice passou de 30 km/h para 25 km/h (-16,6%). E no horário de pico da tarde, de 17 km/h para 15 km/h (-11,7%). Uma carroça puxada por dois cavalos consegue um desempenho de 28 km/h. Isso sem contar que, no dia 10 de junho, véspera de um feriado prolongado, a capital registrou o maior congestionamento da história, com 293 km de extensão. Os dados de “Resumo Mensal” da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) abrangem os índices até o mês passado.

No rush da tarde, com a velocidade média registrada atualmente, um carro leva quase cinco vezes mais tempo para percorrer os 24,5 km da Marginal do Tietê do que se estivesse desenvolvendo a velocidade limite permitida na pista expressa. Com o desempenho atual, esse percurso leva 1h30, quando poderia ser completado em 20 minutos, caso o trânsito estivesse fluindo normalmente no limite de 90km/h.

A diminuição da velocidade média já havia sido registrada no ano passado, mesmo com a série de medidas adotadas no segundo semestre para dar mais fluidez ao trânsito – a Prefeitura também extinguiu vagas de estacionamento em pelo menos cinco bairros para criar mais faixas de rolagem. No pico da tarde, a velocidade média foi de 18 km/h, ante 22 km/h de 2007, queda de 18,1%. O fenômeno foi inverso no pico da tarde, quando houve uma alta de 14,8% – passou de 27 para 31km/h.

As médias dos maiores congestionamentos registrados no pico da manhã e da tarde, nos cinco primeiros meses de 2009, são de 87 e 121 quilômetros, respectivamente. Em 2008, esses índices eram de 91 e 129 quilômetros de extensão. Por enquanto, uma redução de 4,3% no congestionamento da manhã e de 12,9% na lentidão da tarde.

Quando as regras de circulação de caminhões foram anunciadas no ano passado, a Prefeitura estimou uma redução de 17% nos índices de congestionamento na capital. O decreto municipal proíbe que caminhões grandes circulem por uma área de 100 km² dentro do centro expandido das 5h às 21h. Já os caminhões menores, chamados Veículos Urbanos de Carga (VUCs), têm de respeitar um rodízio de placas pares e ímpares das 10h às 16h. Isso até novembro, quando a secretaria deve estender aos VUCs as mesmas restrições dos caminhões.

O cálculo das médias de lentidão e de velocidade é feito de formas distintas pelos técnicos da CET. No primeiro caso, a medição toma por base o congestionamento máximo de cada dia registrado no horário de pico. E a velocidade é medida de acordo com o tempo de percurso de veículos de passeio escolhidos aleatoriamente na hora do rush. São coletadas cinco amostras, sempre no sentido de maior fluxo.

PREFEITURA

No início do mês, a Prefeitura começou a veicular propaganda anunciando queda nos registros de congestionamento com a restrição de caminhões (mais informações na página C3). Mas procurada para falar sobre a velocidade média, a CET não retornou os contatos.

29/06/2009 - 10:32h Serra ataca PT e “loteamento” no governo

José Serra tem um senso de humor muito aguçado. É um traço da personalidade que eu ignorava e do qual, devo reconhecer, eu gosto. Humor é sempre bom, mas no caso a ironia e a capacidade de fazer piada consigo mesmo requer uma certa fineza. É o caso, aparentemente, de Serra. Ao mesmo tempo, a ironia do candidato tucano não está desprovida de intencionalidade no campo da política, mas o que prevalece neste caso é o humor, a grande piada, estilo Buster Keaton.

O candidato tucano à presidência foi prestigiar seu amigo, Roberto freire do PPS, e instado a fazer um discurso lançou um ataque contundente contra o PT, o governo Lula e sua política. A Folha SP registrou um aspecto do ataque e o Estadão outro. Reproduzo os dois a seguir, para os leitores terem o conjunto.

Agora, vejam se Serra não tem um senso aguçado da auto-derisão. Ao lado de Roberto Freire, o candidato do PSDB proclama: “Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do governo federal”.

Vocês imaginaram a cena?

Roberto Freire ao lado, ouvindo o amigo e aliado proclamar “Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do governo federal”?

Puxa Serra, você arrasou!

Freire é o presidente do PPS, o partido da Soninha em São Paulo. O cara mora em Pernambuco e não conseguiu se reeleger ao Senado no seu Estado. O seu amigo, o mesmo da frase citada acima, dá para ele um cargo remunerado como conselheiro de uma empresa municipal da prefeitura de São Paulo com remuneração de R$12.000 por participar em duas reuniões mensais. A própria Soninha, encorajada a sair do PT e candidatasse à prefeita pelo governador tucano, acaba loteada na subprefeitura de Kassab à pedido dela mesma.

Mas esses loteamentos talvez estejam motivados por razões sentimentais, como diria Arthur Virgílio para justificar os funcionários fantasmas no seu gabinete. mas, e os outros? Os cargos de subprefeitos para prefeitos da base tucana, derrotados nas suas cidades, nomeados por Serra na capital? e aqueles representantes dos diferentes partidos que participam de seu governo e que lotam os cargos de confiança no Estado e nas suas empresas e que somam quase 40 mil?

Ou Serra quis passar um recado a seu amigo Freire, do tipo “saia da boquinha, pois não poderei justificar minha grosseira mentira”, ou simplesmente mostrou um senso de humor fora do comum, estilo piscando o olho para o “amigão” e convidando-o a rir com ele.

Grande Serra! LF

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De olho em alianças para a eleição de 2010, tucano promete atender aos pedidos dos prefeitos do PPS

DA AGÊNCIA FOLHA, EM JAGUARIÚNA

Disposto a garantir alianças com vistas às eleições, o governador de São Paulo e potencial candidato à Presidência, José Serra, disse anteontem, em discurso no 16º Congresso Estadual do PPS, em Jaguariúna (134 km de São Paulo), que fará “o possível para atender aos pedidos dos prefeitos do PPS”.
Serra e o presidente nacional do PPS, o ex-deputado federal Roberto Freire, aproveitaram o encontro para criticar o governo federal e o PT.
“O PT usa o governo como se fosse propriedade privada. Quando o PT foi para o governo, incorporou esse patrimonialismo do partido. Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do governo federal”, atacou o governador.
Freire, por sua vez, afirmou que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) -vitrine do governo sob responsabilidade da ministra Dilma Rousseff- “não anda no país, o que anda é a corrupção”.

Na disputa
Além de Serra, o ex-governador e secretário estadual Geraldo Alckmin (Desenvolvimento) e o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, também participaram do encontro. No partido, os dois postulam o direito de representar o PSDB na disputa pelo governo em 2010.
Também acalentando o sonho de concorrer, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) esteve no encontro, que contou com a presença de cerca de 300 representantes do PPS estadual, entre prefeitos, secretários e vereadores.
De acordo com uma nota do PPS paulista, o congresso estadual teve como objetivo “debater as estratégias para as eleições de 2010″.
Durante discurso, Serra disse ainda que conseguiu mudar a data do congresso do PPS -que estava marcado para a semana passada- para que pudesse participar. O governador contou que fez o pedido ao presidente do Diretório Estadual do PPS, deputado estadual David Zaia, porque estaria em viagem na data anterior. O governador ficou cerca de 45 minutos no evento e deixou o local de helicóptero.

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Serra critica política econômica de Lula

Citado por Roberto Freire como nome forte para concorrer à eleição de 2010, governador de São Paulo ataca governo petista

Rose Mary de Souza, JAGUARIÚNA – O Estado SP

Reunidos no XVI Congresso Estadual do Partido Popular Socialista (PPS-SP), partidários da candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), criticaram, na cidade de Jaguariúna, no interior paulista, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No painel de abertura, o ex-governador de São Paulo e atual secretário estadual do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, fez uma apresentação com base no tema do congresso, Brasil: sem mudança, não há esperança. Os tucanos Aloysio Nunes Ferreira e José Aníbal também se inspiraram na proposta do evento para conduzir suas falas em tom de crítica ao governo petista.

Eleições 2010

As críticas ao presidente Lula tiveram discurso exaltado do presidente do PPS, Roberto Freire, ao afirmar que a campanha eleitoral começou mais cedo. “O grande responsável é o presidente Lula, que desrespeitou a legislação iniciando campanha já há algum tempo”. Na opinião dele, “há dois grandes nomes no PSDB neste momento para disputar a presidência nas eleições de 2010: José Serra e Aécio Neves”.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), também prestigiou o evento. Em sua fala, ele destacou que os democratas estão juntos com o PSDB, PPS e PV. “Já temos uma definição de caminharmos juntos sob o comando do governador Serra. A partir de janeiro vamos discutir os nomes dos candidatos com a liderança dele.”

Convidado mais aguardado do evento, o governador paulista foi recebido na quadra de esportes do Jaguar Tênis Clube. Serra referiu-se ao PPS como um partido irmão, que colabora com o governo do Estado. Por isso, não poderia deixar de prestigiar o congresso.

Em seu discurso, fez vários comentários com alusões claras ao governo do atual presidente da República. Disse, por exemplo, que Índia e China estão indo bem, “mas o Brasil não tem uma política econômica de desenvolvimento”.

Em outra parte de sua fala,Serra salientou que a indústria não está mais contratando. “O Poupatempo tem 32 mil ofertas de emprego, mas a grande maioria é da área de serviços”, declarou, acrescentando que houve uma época em que o País exportava muito. “Vamos voltar a exportar”, disse, em tom de campanha. “Isso é a questão número 1, é estrutural”.

COMPARAÇÕES

No decorrer de sua palestra, o governador destacou o que considera os pontos fortes de seu governo e repetiu basicamente o que foi veiculado no último horário gratuito do PSDB veiculado na TV. “O seguro desemprego é criação minha. Lá no Poupatempo, de maio do ano passado até este ano, cresceram em 28% os pedidos do seguro desemprego”, afirmou.

Com críticas indiretas à administração petista, Serra lembrou que Fernando Henrique Cardoso fez vários assentamentos da reforma agrária. “Até hoje vemos que isso não evoluiu.”

O próximo encontro estadual do PPS ocorrerá em agosto. Desta vez, no Estado Rio.

29/06/2009 - 09:25h É a política, meu caro

Sergio Leo – VALOR

O veterano Antônio Cafiero, ex-ministro de Juan Perón, contou à Reuters uma explicação habitual do antigo chefe para a curiosa situação política argentina, em que uma disputa encarniçada opôs peronistas a peronistas na eleição realizada ontem: “Nós peronistas somos como gatos: nos ouvem gritar, pensam que estamos brigando e estamos nos reproduzindo”. A piada traz um sotaque lunfardo, a gíria falada no porto de Buenos Aires, mas é infeliz para traduzir o que acontece no país vizinho. É um balaio de gatos essa briga travada pela condução dos destinos da Argentina. E pode sobrar para o Brasil.

O peronismo tem fortes chances de sair sem um líder definido das urnas desta semana. É grande, também, a possibilidade de que o casal Kirchner, que compartilha informalmente o poder presidencial, perca a folgada maioria legislativa, e encontre no Congresso uma resistência maior aos atos da Casa Rosada. Cristina Kirchner decepcionou os que acreditavam que daria à presidência um caráter mais aberto ao exterior, em constaste com o provincialismo populista do marido, que a antecedeu no poder. A situação política argentina, após as eleições deste fim de semana, exigirá uma concentração ainda maior de atenção da dirigente em relação às questões internas.

Alguém falou de Mercosul, por aí? Em 25 de julho, os sócios do Mercosul se reúnem para o encontro semestral dos presidentes. A agenda promete ter como estrelas um tema antigo, e não resolvido, e uma vistosa discussão metafísica.

O tema antigo será a eliminação da dupla cobrança da tarifa externa comum, a aberração do Mercosul que faz com quem um produto, após pagar tarifa de importação ao entrar no bloco, tenha de pagar de novo a tarifa ao ser transportado de um sócio a outro. Numa união aduaneira, como o Mercosul tenta ser há pelo menos 15 anos, um produto importado paga imposto uma vez só, ao entrar, e circula livremente entre os países do bloco. Era a regra que o governo brasileiro esperava adotar no fim de 2008, durante a reunião do Mercosul em Bahia, mas o Paraguai se opôs e as negociações esfriaram. O tema voltará à mesa.

A metafísica fica por conta do que provavelmente os presidentes escolherão para celebrar o “avanço” da integração no Cone Sul: a oficialização do novo sistema de eleição para o Parlamento do Mercosul, órgão de muitas e sadias utopias e praticamente nenhum poder real. Após duras negociações foi enterrada a pretensão dos sócios menores de estabelecer um sistema de representação paritária, com igual representação para todos os países. Brasil terá mais cadeiras, Argentina 30% menos e Uruguai e Paraguai serão minoria.

Os protestos dos uruguaios e paraguaios, contudo, fizeram com que fosse reduzida quase à metade a representação prevista para o Brasil, que de 70 passou a 37, entre 2011 e 2014. O Paraguai terá 18, o que significa que, para cada 380 mil paraguaios com direito de eleger um deputado no parlamento, serão necessários 5,2 milhões de brasileiros para ter a mesma representação. Ou seja, para eleger um deputado do Brasil no parlamento do Mercosul são necessários, em brasileiros, o equivalente a quase dois terços da população paraguaia. Difícil imaginar que, com essa correlação de forças, o Brasil dê ao Parlamento muito poder de decisão.

O Parlamento, que será eleito nos países com os congressos locais, não deixa de ser uma maneira de trazer para a discussão comum temas hoje confinados às reuniões de burocratas ou especialistas. Mas o fato de que ele deve ser a maior estrela da reunião dos presidentes mostra bem o impasse em que está metido o Mercosul. Há esperanças no governo brasileiro de que a próxima reunião faça avançar a discussão sobre a dupla cobrança da TEC, com maiores concessões ao Paraguai, e decisões a serem tomadas só no fim do ano, na reunião seguinte.

Uma eleição, na Argentina, de representantes dos grupos de oposição ao kirchnerismo poderia atenuar a forte tendência protecionista do país. Francisco de Narvaez, o exótico candidato da direita peronista, herdeiro milionário habituado a luxos e orgulhoso detentor de duas tatuagens, declarou recentemente à imprensa brasileira que defende para a Argentina uma posição em relação ao Brasil semelhante à do Canadá em relação aos Estados Unidos – o que foi entendido como uma disposição a um papel complementar e não competitivo em matéria de desenvolvimento industrial.

Ele disputa com Kirchner a cadeira de deputado pela província de Buenos Aires, mas não é concorrente à Presidência, por ser de nacionalidade colombiana; seu candidato é o empresário Maurício Macri, que tem negócios com o Brasil e é adversário ferrenho dos Kirchner.

A Argentina, porém, se seguir os prognósticos e sair dessas eleições sem uma liderança clara, terá grande estimulo para uma guerra de facas no peronismo às escuras, no melhor estilo das paródias de contos gauchescos do celebrado portenho Jorge Luis Borges. Não será um ambiente fértil para que vicejem gestos elegantes da Casa Rosada em direção ao Brasil. Num país em crise econômica, com inflação em alta medida por estatísticas sem credibilidade e grande fuga de capitais, também promete crescer no Mercosul o contencioso entre Argentina e Uruguai, desta vez por causa da liberal política de câmbio do vizinho platino.

Uruguai e Argentina estão até hoje estremecidos por causa da oposição barulhenta dos argentinos contrários à instalação de indústrias de papel nas margens do rio que marca a fronteira. Agora se estranham por causa da resistência uruguaia em aumentar o controle e fiscalização sobre a origem dos dólares que cidadãos argentinos vem tirando ilegalmente do país e, após atravessar de barcas a fronteira para a cidade de Sacramento, depositam em massa nos sigilosos bancos uruguaios, que já sonhou ser a Suíça do Cone Sul. Kirchner tem retaliado o Uruguai nas decisões do Mercosul por causa disso.

O Mercosul, bem sucedido no campo comercial, vem provando que a integração é, essencialmente, uma decisão política. E a política promete desmoralizar, pelo menos no horizonte de médio prazo, o otimismo que os presidentes devem tentar transparecer na próxima reunião do bloco.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

29/06/2009 - 09:15h Argentina: esta nueva derecha

EL MODELO QUE SIGUEN DE NARVAEZ Y MACRI

Con los resultados en caliente, queda en claro que estas nuevas figuras siguen un modelo sin raíces, surgido de los negocios y supuestamente “eficiente”. Y el gran símbolo de este estilo es un señor italiano llamado Berlusconi.

El modelo del Cavaliere

Por José Natanson – Página 12

El surgimiento de una nueva derecha no es un fenómeno limitado a la Argentina, sino una tendencia más general que tiene un origen geopolítico. Entre mediados de los ’80 y principios de los ’90, Estados Unidos decidió que había llegado el momento de dejar que la democracia volviera a América latina. Los brotes guerrilleros y los movimientos populares que en el pasado espantaban a Washington estaban o aplastados o domesticados, y desde 1989 la caída del Muro de Berlín había desactivado el riesgo de que la región siguiera el ejemplo de Cuba y se alineara con la Unión Soviética.

A este Washington más tolerante y democrático se sumó la creciente conciencia internacional acerca de las violaciones a los derechos humanos por parte de las dictaduras, sobre todo en Argentina, Chile y Centroamérica. Y también la imprevisibilidad de los gobiernos autoritarios: al fin y al cabo, fue un militar y no un líder izquierdista quien decidió invadir las Malvinas y declararle la guerra nada menos que a Gran Bretaña.

En el nuevo mundo unipolar, hasta el último rincón del planeta quedó expuesto a la influencia estadounidense, pero era una influencia distinta, más difusa, menos directa. Tras el 11 de septiembre, Washington cerró el círculo de su nueva doctrina de seguridad (el enemigo ya no era el comunismo sino el terrorismo) y desvió su atención a lugares más remotos y urgentes. Esto explica el giro a la izquierda en América latina y el tranquilo ascenso de líderes y partidos que en el pasado seguramente hubieran sido bloqueados por Estados Unidos mediante la desestabilización o el golpe de Estado. Y esto explica también que esté surgiendo, más lenta y dificultosamente, una nueva derecha.

Es nueva porque es democrática: aunque la tentación de la desestabilización y el golpe están presentes, sobre todo en los países institucionalmente más frágiles y económicamente más concentrados, como Bolivia, insistamos en que el componente democrático tiene un sentido más profundo y estructural: es una derecha que defiende electoralmente los intereses (empresariales, económicos) y valores (estabilidad, orden en las calles, propiedad privada) que en el pasado se imponían por las armas. Esa es la novedad.

Entrepreneurs

El progreso individual y el ascenso como fruto del esfuerzo son desde siempre valores importantes para la derecha, que no sólo no reniega del individualismo, sino que incluso lo considera un motor clave para el progreso de la sociedad (lo cual explica, según la famosa tesis de Norberto Bobbio, que la derecha acepte las diferencias sociales, es decir la desigualdad, lo cual produce a su vez una visión definida del balance Estado-mercado y del rol de este último en la economía y en la sociedad). Así, frente a una izquierda que tradicionalmente ha buscado a sus líderes en los movimientos colectivos (sindicatos, partidos, asambleas), hoy existe una derecha que ha hecho del mundo empresarial la cantera de la que salen sus dirigentes más taquilleros.

Un rápido recorrido por América latina ayuda a comprobar esta intuición. El próximo miércoles asumirá la presidencia de Panamá Ricardo Martinelli, millonario propietario de la cadena de supermercados Super 99 y –dato a tener en cuenta– el primer presidente desde la recuperación de la democracia que no proviene de los partidos tradicionales. Hace poco menos de un mes dejó la presidencia de El Salvador Elías Saca, un empresario perteneciente al derechista Arena. En Chile, todas las encuestas señalan como el favorito a Sebastián Piñera, el propietario de LAN y poseedor de una fortuna de 1200 millones de dólares (y el único líder importante de derecha que votó por el No a Pinochet en el plebiscito de 1988). Durante seis años gobernó México Vicente Fox, que ingresó a Coca-Cola como supervisor de reparto y fue ascendiendo hasta convertirse en gerente de la división latinoamericana de la empresa. Y ahí está también el pintoresco magnate ecuatoriano Alvaro Noboa, el rey de los exportadores de banano y camarón, que había salido segundo en tres elecciones presidenciales y quedó tercero en las últimas.

Populismo de derecha

La nueva derecha de Mauricio Macri y Francisco de Narváez, que ayer consolidó su primacía en la Capital y ganó la elección en la provincia, es parte de esta tendencia latinoamericana más amplia. Y como el origen de nuestra política hay que buscarlo siempre en Europa, la comparación transatlántica ayuda a explorar algunas claves de este nuevo fenómeno, aunque el paralelismo más pertinente no sea la reaccionaria y dogmática derecha del PP español, ni la sobria centeroderecha socialcristiana alemana ni el tradicional partido conservador británico, sino la nueva derecha italiana que desde hace un par de décadas lidera Silvio Berlusconi. En ambos casos, en Argentina y en Italia, el origen se remonta a un colapso político y el estallido de una crisis de representación, por imperio de las cacerolas (acá) o de la investigación judicial de la Tangetopoli (allá).

Como los líderes de Unión-PRO, Berlusconi es un símbolo de la alianza entre negocios (aunque hay que reconocerle al Duce que él sí hizo su propia fortuna), medios de comunicación (Berlusconi fue el primer empresario televisivo en romper el monopolio de la RAI) y deporte (es el dueño del club Milan). Pero no es sólo el origen empresarial ni la capacidad de expresar la poderosa fusión entre espectáculo, política y deporte lo que emparienta al líder italiano con los jefes del peronismo disidente, sino también una manera particular de entender la política. Desde un carisma muy mediático pero no por eso menos real, los tres han logrado construir una relación directa con el electorado (Berlusconi, pese a todas sus boutades o debido a ellas, es el dirigente más querido de Italia) y afirmar una popularidad que traspasa las fronteras de clase, lo que da forma a una especie de populismo de derecha.

Hay en ellos un fondo común ultrapragmático que les permite moldear su discurso de acuerdo con la necesidad del momento. De Alsogaray o Cavallo podía pensarse cualquier cosa, menos que alguno de ellos propondría, en la misma campaña, eliminar las retenciones, quitar el IVA a los alimentos y extender masivamente los planes sociales –es decir, desfinanciar totalmente al Estado–, como hizo De Narváez en los últimos meses. Y también hay en Macri y en De Narváez, como en Berlusconi, una tensa combinación de conservadurismo y liberalismo, que si por un lado implica una relación cercana con la Iglesia (Berlusconi acompañó a los obispos italianos en su resistencia a la despenalización de la eutanasia y se opone a la legalización del aborto), por otro se traduce en una libertad muy moderna –y en el caso del italiano muy vistosa– de la vida privada.

Estos vacíos y estas tensiones requieren necesariamente un cemento que los unifique más allá de la popularidad de los líderes. Berlusconi lo encontró en el terror a la inmigración norafricana y su campaña para endurecer las leyes, que la semana pasada quedó crudamente comprobada con la violenta expulsión de los gitanos de Nápoles. ¿Ocupará la inseguridad el lugar en el proyecto nacional de Macri y De Narváez que ocupó la inmigración a la candidatura de Berlusconi en 2007? Podría ser, pero sólo podría. Aunque el tema fue uno de los ejes de la campaña y en buena medida explica el ascenso del peronismo disidente en la provincia de Buenos Aires, la experiencia enseña que las elecciones presidenciales suelen estar dominadas por otras cuestiones, de la economía a la política, y que la inseguridad resulta decisiva básicamente en los comicios distritales. Hasta ahora.

Algo más que jabón en polvo

Macri y De Narváez son empresarios y no economistas ultraideologizados, como sus antecesores Alvaro Alsogaray, Domingo Cavallo y Ricardo López Murphy. Quizás por eso, porque provienen del flexible y pragmático mundo de los negocios y no de las consultoras o las cátedras de economía (en sus propias palabras, del mundo de la acción y los hechos y no del mundo de los discursos), ambos han comprendido una verdad esencial que sus antepasados nunca lograron entender: para ganar una elección y gobernar es necesario contar con el apoyo de al menos un sector de los votos y del aparato del peronismo. Y si Menem consiguió en su momento reconvertirse a la derecha luego de una larga y muy tradicional carrera en el PJ (fue gobernador, estuvo detenido por los militares y acompañó a Cafiero en la renovación peronista), los jefes de Unión-PRO avanzan por un camino inverso: su plan es llegar al peronismo desde la derecha y no a la derecha del peronismo. Menemismo por otros medios.

Por eso, el peor error que se podría cometer en la lectura de los resultados de ayer es pensar que la consolidación electoral del macrismo y el ascenso rutilante de De Narváez se explican simplemente por la astucia de la publicidad, el poder de sus millones o la influencia de los medios de comunicación. Desde que en 1952 Dwight Eisenhower se convirtió en el primer candidato presidencial en apelar a los servicios de una agencia de publicidad, el marketing político ha ido ocupando cada vez más espacio en las campañas. Y aunque las primeras teorías hablaban de vender a un candidato como si se tratara de jabón en polvo, desde hace al menos dos décadas sabemos que esto no es posible, que la publicidad y el dinero y la televisión no alcanzan para ganar una elección (aunque sí para otras cosas, por ejemplo para hacer conocido –instalar– a un postulante). Hay miles de ejemplos de brillantes campañas publicitarias y millones de dólares convertidos en unos pocos votos, el último de los cuales fue el patético ensayo presidencial de Jorge Sobisch.

Del mismo modo, si por un lado es cierto que algunos medios de comunicación contribuyeron al ascenso de De Narváez, el consenso mediático tampoco alcanza por sí mismo para ganar una elección como la de ayer. También hay miles de ejemplos de candidatos que, pese a la oposición de buena parte de los medios, ganaron las elecciones (la reelección de Chávez, por ejemplo, o la victoria de Ricardo Lagos en Chile en el 2000).

Con esto se pretende señalar algo evidente, pero que, a la luz de algunos comentarios de los últimos días, vale la pena subrayar: el ascenso de la nueva derecha no se explica por los consejos de Durán Barba ni por la campaña de Agulla, y ni siquiera por las fortunas de sus candidatos, sino por un contexto geopolítico nuevo y, en la Argentina, por la muy política estrategia de sus líderes de morder un sector del peronismo en el conurbano, construir a una candidata imbatible en la Capital y, sobre todo, ganar la disputa con el panradicalismo por el voto anti K. En suma, un fenómeno que no es ni publicitario ni mediático, sino estrictamente político. Por supuesto, explicarlo en términos de marketing quizás resulte tranquilizador para las conciencias progresistas que se niegan a aceptar que la derecha puede ser popular incluso en los sectores más pobres, pero ayuda muy poco a entender las cosas.