A questão de Ciro em São Paulo: factóide ou opção?

A única batalha que se perde antecipadamente

é aquela que renunciamos a fazer

 

 

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foto Wilson Dias

José Serra ficou um arara quando soube da eventualidade de Ciro Gomes sair candidato em São Paulo. Os tucanos reagiram contra a “importação” de um político cearense para disputar aqui. Justamente eles que pagam “jeton” com o dinheiro dos cofres da prefeitura de São Paulo a Roberto Freire, político do Nordeste e que mora em Pernambuco, o argumento soa bastante ridículo.

Evidentemente o PSB, partido de Ciro, tem toda a legitimidade de procurar apresentar um candidato competitivo no Estado de São Paulo e Ciro Gomes, além de competitivo eleitoralmente, tem todas as credenciais políticas e administrativas para o cargo de governador do Estado. A sua candidatura pelo PSB marcaria também, o que é bom, uma postura claramente anti-tucana para o seu partido, que conta nas suas fileiras com alguns políticos que flertam com os tucanos no Estado.

O próprio Ciro Gomes porem, reluta em abandonar sua candidatura à presidente, onde figura com um potencial nada desprezível, com argumentos de peso sobre a política nacional. Segundo ele, se 2010 for um escrutino plebiscitário com só um candidato da continuidade e outro da oposição, esta última ganharia o pleito. Ele se apoia, na sua avaliação, nas intenções de voto hoje, favoráveis a José Serra.

Paradoxalmente, a mesma analise poderia ser feita no plano estadual aqui, onde os tucanos são favoritos com a candidatura Alckmin ao governo do Estado. Um único candidato da situação e um único candidato da oposição, transformaria provavelmente o plebiscito em vitoria do candidato de Serra.

De nada serviria que, no melhor dos casos, os 30% que iriam para um Mercadante, Marta ou Eduardo Suplicy fossem para Ciro (todos eles me parecem ter o mesmo potencial de votos e provavelmente uma rejeição bastante similar, correspondente a rejeição do PT neste Estado). Como se vê, o mesmo raciocino de Ciro no plano nacional, milita a favor, em São Paulo, de uma candidatura forte não só do PT, mas também do próprio PSB, e do PDT e do PC do B, unificados no segundo turno, contra os demo-tucanos.

A eleição presidencial sendo prioritária para os partidários da continuidade do governo Lula, tudo deveria estar subordinado no Estado de São Paulo a este objetivo. Ainda mais que aqui se concentra quase um quarto do eleitorado do país. Esta prioridade significa que o PT deve constituir suas chapas majoritárias com aqueles dirigentes experientes em disputas eleitorais de peso, com cacife eleitoral e isto concerne os cargos de governador e vice, assim como ao Senado e à Câmara federal para obter o melhor percentual possível na disputa nacional neste Estado. Ao mesmo tempo o PT deve sim, conversar com seus aliados para convence-los de lançar os nomes mais fortes e viáveis aqui, para forçar um segundo turno na disputa para governo do Estado.

A bancada estadual do PT adotou uma resolução reafirmando a necessidade de candidatura própria no Estado. Fez muito bem, o que não deveria ser interpretado como outra coisa, senão à disposição de trabalhar conjuntamente com os partidos da base do governo para que as diversas candidaturas convirjam numa frente eleitoral, para o segundo turno, e que todas as candidaturas defendam o voto em favor da Dilma no pleito nacional.

Para alguns analistas do PT, priorizar a eleição da Dilma significa apoiar os candidatos dos partidos da base de apoio do governo, que não sejam do PT, nos Estados. Uma postura simplista que poderá debilitar e não aumentar as chances de Dilma Rousseff no pleito nacional, debilitando também o número de deputados e senadores da sigla. Postura que, a mais de um ano das eleições enfraquece de entrada o PT para qualquer negociação, alem de ignorar olimpicamente as realidades locais. Esta postura já está provocando atritos e problemas no PT em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, para falar dos que são públicos e notórios.

Alguns comentaristas da mídia tem utilizado a questão cogitada do nome de Ciro em São Paulo, para tentar passar um atestado de óbito no PT de São Paulo que não teria candidato a altura. A soberba deles tem base na hegemonia que os tucanos conquistaram no Estado, produto por sua vez da capacidade por eles demostrada em hegemonizar o centro-direita conservador. A única vez em que algum candidato do PT obteve maioria contra um candidato tucano no Estado, foi em 2002 com Lula; que além de favorito na eleição presidencial contava com Marta Suplicy no comando da prefeitura da capital.

Acontece que a conquista pelos tucanos do governo federal é também uma prioridade para esses comentaristas, o que será bem mais difícil, se no Estado de São Paulo o PT continuar eleitoralmente forte, como ele é. A experiencia de 2006 está ainda fresca, quando o candidato tucano recuo em seu caudal de votos, entre o primeiro e o segundo turno, graças a extraordinária mobilização do PT de São Paulo, considerado morto também na época, por conta da história do “dossier”.

Muita água ainda vai correr, faltando muito para o pleito. O campo demo-tucano está longe, mesmo no Estado onde tem seu maior sustento, de apresentar um balanço muito positivo de suas realizações, particularmente na educação e na segurança. Fora contar com vários pretendentes dispostos a todo para desancar seus concorrentes.

Nada justifica a precipitação para decidir, menos ainda a de lançar um petardo molhado que mesmo assim pode acabar arrebentando no próprio pé.

Prudencia e caldo de galinha, uma receita adequada para este inverno em São Paulo. A receita me parece válida para todos os nomes que estão sendo cogitados hoje para disputar o governo de Estado, sejam eles da oposição ou da situação.

LF

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3 COMENTÁRIOS PARA "A questão de Ciro em São Paulo: factóide ou opção?":

Comentado por Sylvia Manzano em 18/06/2009 - 23:34h:

Eu acho que o Ciro Gomes é excelente opção e votaria nele se fosse candidato, mas perdi toda esperança de um dia ver o paulistano votar bem.
Começou com Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Maluf, Pitta, Serra e Kassab ganhando estrondosamente a última eleição.
Serra e Kassab só são denunciados pelos blogs, mas embora o número de internautas até sejam maior que os leitores de jornais, certamente não são maiores que os telespectadores da Globo.
O próprio PT no horário eleitoral gratuito, parece ignorá-los e prefere só falar dos seus projetos.
É muito nobre, mas por enquanto não deu certo.
Acredito que o Ciro bote a boca no trombone comme il faut e talvez consiga desmistificar essa farsa que hipnotizou a população.

Comentado por Vinícius em 19/06/2009 - 00:22h:

Concordo com seu artigo. Perceberam que a reação dos tucanos via mídia foi bem inferior à reação destes em sua conversas particulares.Não é bom falar demais. O jogo que se joga agora é para os adversários não é para os eleitores.É lógico que o PT tem credenciais para ter candidato próprio e ganhar as eleições.Mas daí ficar reafirmando em documentos a tese da candidatura própria para desencorajar aliado a se lançar candidato…Cruz credo.
Que venha o Ciro se for esse o destino.Votarei nele com gosto, como todo petista fará.

Comentado por Blog Leituras Favre em 06/07/2009 - 11:03h:

[...] Pessoalmente vejo com bons olhos a possibilidade de Ciro ser candidato em São Paulo, mais ainda que, segundo o artigo do jornal VALOR, “Ciro não descarta participar da corrida ao Palácio dos Bandeirantes mesmo que o PT lance candidato próprio, caso os aliados avaliem que a participação de dois nomes da base de sustentação de Lula pode evitar a vitória de Alckmin no primeiro turno.”, foi o que eu defendi em A questão de Ciro em São Paulo: factóide ou opção?: [...]

 

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