Serra ataca PT e “loteamento” no governo
José Serra tem um senso de humor muito aguçado. É um traço da personalidade que eu ignorava e do qual, devo reconhecer, eu gosto. Humor é sempre bom, mas no caso a ironia e a capacidade de fazer piada consigo mesmo requer uma certa fineza. É o caso, aparentemente, de Serra. Ao mesmo tempo, a ironia do candidato tucano não está desprovida de intencionalidade no campo da política, mas o que prevalece neste caso é o humor, a grande piada, estilo Buster Keaton.
O candidato tucano à presidência foi prestigiar seu amigo, Roberto freire do PPS, e instado a fazer um discurso lançou um ataque contundente contra o PT, o governo Lula e sua política. A Folha SP registrou um aspecto do ataque e o Estadão outro. Reproduzo os dois a seguir, para os leitores terem o conjunto.
Agora, vejam se Serra não tem um senso aguçado da auto-derisão. Ao lado de Roberto Freire, o candidato do PSDB proclama: “Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do governo federal”.
Vocês imaginaram a cena?
Roberto Freire ao lado, ouvindo o amigo e aliado proclamar “Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do governo federal”?
Puxa Serra, você arrasou!
Freire é o presidente do PPS, o partido da Soninha em São Paulo. O cara mora em Pernambuco e não conseguiu se reeleger ao Senado no seu Estado. O seu amigo, o mesmo da frase citada acima, dá para ele um cargo remunerado como conselheiro de uma empresa municipal da prefeitura de São Paulo com remuneração de R$12.000 por participar em duas reuniões mensais. A própria Soninha, encorajada a sair do PT e candidatasse à prefeita pelo governador tucano, acaba loteada na subprefeitura de Kassab à pedido dela mesma.
Mas esses loteamentos talvez estejam motivados por razões sentimentais, como diria Arthur Virgílio para justificar os funcionários fantasmas no seu gabinete. mas, e os outros? Os cargos de subprefeitos para prefeitos da base tucana, derrotados nas suas cidades, nomeados por Serra na capital? e aqueles representantes dos diferentes partidos que participam de seu governo e que lotam os cargos de confiança no Estado e nas suas empresas e que somam quase 40 mil?
Ou Serra quis passar um recado a seu amigo Freire, do tipo “saia da boquinha, pois não poderei justificar minha grosseira mentira”, ou simplesmente mostrou um senso de humor fora do comum, estilo piscando o olho para o “amigão” e convidando-o a rir com ele.
Grande Serra! LF

De olho em alianças para a eleição de 2010, tucano promete atender aos pedidos dos prefeitos do PPS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM JAGUARIÚNA
Disposto a garantir alianças com vistas às eleições, o governador de São Paulo e potencial candidato à Presidência, José Serra, disse anteontem, em discurso no 16º Congresso Estadual do PPS, em Jaguariúna (134 km de São Paulo), que fará “o possível para atender aos pedidos dos prefeitos do PPS”.
Serra e o presidente nacional do PPS, o ex-deputado federal Roberto Freire, aproveitaram o encontro para criticar o governo federal e o PT.
“O PT usa o governo como se fosse propriedade privada. Quando o PT foi para o governo, incorporou esse patrimonialismo do partido. Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do governo federal”, atacou o governador.
Freire, por sua vez, afirmou que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) -vitrine do governo sob responsabilidade da ministra Dilma Rousseff- “não anda no país, o que anda é a corrupção”.
Na disputa
Além de Serra, o ex-governador e secretário estadual Geraldo Alckmin (Desenvolvimento) e o chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, também participaram do encontro. No partido, os dois postulam o direito de representar o PSDB na disputa pelo governo em 2010.
Também acalentando o sonho de concorrer, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) esteve no encontro, que contou com a presença de cerca de 300 representantes do PPS estadual, entre prefeitos, secretários e vereadores.
De acordo com uma nota do PPS paulista, o congresso estadual teve como objetivo “debater as estratégias para as eleições de 2010″.
Durante discurso, Serra disse ainda que conseguiu mudar a data do congresso do PPS -que estava marcado para a semana passada- para que pudesse participar. O governador contou que fez o pedido ao presidente do Diretório Estadual do PPS, deputado estadual David Zaia, porque estaria em viagem na data anterior. O governador ficou cerca de 45 minutos no evento e deixou o local de helicóptero.

Serra critica política econômica de Lula
Citado por Roberto Freire como nome forte para concorrer à eleição de 2010, governador de São Paulo ataca governo petista
Rose Mary de Souza, JAGUARIÚNA – O Estado SP
Reunidos no XVI Congresso Estadual do Partido Popular Socialista (PPS-SP), partidários da candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), criticaram, na cidade de Jaguariúna, no interior paulista, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No painel de abertura, o ex-governador de São Paulo e atual secretário estadual do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, fez uma apresentação com base no tema do congresso, Brasil: sem mudança, não há esperança. Os tucanos Aloysio Nunes Ferreira e José Aníbal também se inspiraram na proposta do evento para conduzir suas falas em tom de crítica ao governo petista.
Eleições 2010
As críticas ao presidente Lula tiveram discurso exaltado do presidente do PPS, Roberto Freire, ao afirmar que a campanha eleitoral começou mais cedo. “O grande responsável é o presidente Lula, que desrespeitou a legislação iniciando campanha já há algum tempo”. Na opinião dele, “há dois grandes nomes no PSDB neste momento para disputar a presidência nas eleições de 2010: José Serra e Aécio Neves”.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), também prestigiou o evento. Em sua fala, ele destacou que os democratas estão juntos com o PSDB, PPS e PV. “Já temos uma definição de caminharmos juntos sob o comando do governador Serra. A partir de janeiro vamos discutir os nomes dos candidatos com a liderança dele.”
Convidado mais aguardado do evento, o governador paulista foi recebido na quadra de esportes do Jaguar Tênis Clube. Serra referiu-se ao PPS como um partido irmão, que colabora com o governo do Estado. Por isso, não poderia deixar de prestigiar o congresso.
Em seu discurso, fez vários comentários com alusões claras ao governo do atual presidente da República. Disse, por exemplo, que Índia e China estão indo bem, “mas o Brasil não tem uma política econômica de desenvolvimento”.
Em outra parte de sua fala,Serra salientou que a indústria não está mais contratando. “O Poupatempo tem 32 mil ofertas de emprego, mas a grande maioria é da área de serviços”, declarou, acrescentando que houve uma época em que o País exportava muito. “Vamos voltar a exportar”, disse, em tom de campanha. “Isso é a questão número 1, é estrutural”.
COMPARAÇÕES
No decorrer de sua palestra, o governador destacou o que considera os pontos fortes de seu governo e repetiu basicamente o que foi veiculado no último horário gratuito do PSDB veiculado na TV. “O seguro desemprego é criação minha. Lá no Poupatempo, de maio do ano passado até este ano, cresceram em 28% os pedidos do seguro desemprego”, afirmou.
Com críticas indiretas à administração petista, Serra lembrou que Fernando Henrique Cardoso fez vários assentamentos da reforma agrária. “Até hoje vemos que isso não evoluiu.”
O próximo encontro estadual do PPS ocorrerá em agosto. Desta vez, no Estado Rio.
Tags: cargos, José Serra, loteamento, PPS, PSDB, Roberto Freire, Soninha, Tucanos
É MUITO importante levar em consideração o fato do “bico”. Se isso fede no governo municipal, imagina só no federal.
Como exemplo, Carlos Lupi, ministro do trabalho. Participa de uma reunião mensal do BNDES e ganha 13 mil.
Guido Mantega, Fazenda, participa da Petrobras, ganha 6 mil.
Miguel Jorge, Desenvolvimento, industria e comércio exterior, com o seu ‘bico’ fatura 13,1 mil por mes e 11,8 mil trimestralmente.
E, claro, não podemos esquecer da querida Dilma Roussef, a mãe do PAC. Até ela faz seus bicos. Participa do conselho da Petrobras e da distribuidora BR. Fatura 6 mil por CADA conselho, que ocorrem uma vez por mes.
Alaviar os dois lados da moeda deve ser prioridade sempre.