31/07/2009 - 20:32h Steven Soderbergh e Sasha Grey:a pornografia no mainstream
Dirigido por Steven Soderbergh – o homem por trás de filmes como Erin Brockovich, Sexo, Mentiras & Videotapes e do charmoso remake de Ocean’s Eleven – The Girlfriend Experience chega aos cinemas brasileiros sob a polêmica escalação da aclamada atriz pornô Sasha Grey para o papel principal.

O universo de um artista é sempre formada pelo conjunto das suas obsessões, pelos objetos recorrentes. Talvez por isso Steven Soderbergh, a despeito de uma obra considerável que conta com filmes de grande sucesso, não é o mais amado na lista dos cinéfilos. Uma das explicações é justamente a que aponta (ou acusa) Soderberg de não manter nenhuma aparente linearidade nas suas histórias, na escolha das produções, no modo como as trabalha. Sempre está salteando de conceitos, de estilos, tão difícil de ser identificado quanto sugere o título de “I’m not there”, produzido por ele, ou quanto os paradoxos quase inexistentes do Che Guevara que conjurou.
A não-linearidade se junta a críticas de tédio cinematográfico quando o assunto é seu novo filme The Girlfriend Experience. Depois da exaustão da ótima série Ocean’s Eleven e da maratona que foi gravar a biografia de Che junto com um obcecado Benício Del Toro, só o que se poderia esperar era um filme lento e sonolento, um filme de entressafra. É o que os críticos tem gostado de repetir. Para o autor, as razões são completamente alheias a esses argumentos, parecem ter outro foco que nada tem a ver com arte, mas com políticas e conservadorismos de uma indústria que sempre achou bonito ser conservadora: A [vodka] Grey Goose ia patrocinar a festa de lançamento do filme, e quando descobriram que Sasha fazia filmes adultos, eles desistiram, disse Soderbergh para a Rolling Stone Magazine.

Sasha Grey faz filmes adultos desde os 18 anos. Trata-se de uma das maiores estrela da indústria pornô – e isso diz pouco sobre ela. Sasha não se enquadra em nenhum dos clichês ou estereótipos de uma atriz de filmes adultos já visto até hoje.
Se a pornografia é transgressora, o é na mesma proporção em que faz questão de que as coisas permaneçam iguais. Claro, seu público consumidor principal não mudou, eles são homens e são héteros, o que significa dois minutos de sexo oral nela versus meia hora nele. Mas então ela aparece e os papéis subvertem. Sasha faz parte da categoria de atuação pornográfica conhecida como hard core e é, certamente, a única que consegue fazê-lo com terror e graça ao mesmo tempo. É rápida, voraz, enlouquecida, grita, bate apanha com homens, mulheres, vibradores e o que mais estiver em cena. É ela quem come. No fim de tudo, volta para casa confortável onde mora com o diretor de cinema independente Cinnamon, seu namorado há três anos, e cultiva música industrial alemã e filmes do Godard.

Sasha Grey é Chelsea – ou Cristine – a personagem principal de “The Girlfriend Experience, curiosamente a única atriz de verdade no elenco. O filme se passa durante a crise financeira de 2008, na cidade de Manhatan onde Chelsea trabalha como prostituta de alta classe. Para ela, a crise é apenas um assunto de que ouve muito falar, pela boca de seus próprios clientes bastante preocupados com o rumo das coisas, além de seu namorado que, trabalhando como personal training em uma academia, não consegue ganhar em um mês nem 10% do que ela arrecada em um único encontro. Para Chelsea a crise não existe e tudo indica que sua carreira verá um futuro promissor. Segue escalando degraus, de encontro em encontro, sem nenhuma aparente perda de dignidade, mas às custas de se tornar cada vez menos capaz de manter relacionamentos profundos.
Filmado em um estilo de câmera em movimento e bastante orgânico, o filme é tão frio, silencioso e contundente quanto o modo como Chelsea conduz sua vida. Talvez o excesso de improvisos faça a história parecer um tanto perdida, mas, positivamente, Grey é a estrela e executa seu papel com uma competência pela qual poucos devem ter torcido.
TGfE chega ao Brasil no dia 31 de Julho sob o título de “Confissões de uma Garota de Programa” e é um filme imperdível para quem quer conhecer mais sobre as experimentações de Steven Soderbergh e quer conehcer um pouco mais sobre a atriz pornô que pretende invadir o mainstream. Sem delicadezas, como é de seu feitio.


31/07/2009 - 19:40h Porgy & Bess
Bess, You Is My Woman Now – Willard White (Porgy), Cynthia Haymon (Bess). Regente: Simon Rattle, diretor: Trevor Nunn
Bess, You Is My Woman Now – Marisa Monte e Carlos Fernando Nogueira e Nouvelle Cuisine
31/07/2009 - 18:31h Luto
31/07/2009 - 18:25h Diz
Mini conto
Olha o rosto no espelho, diferente, mais claro.
Levanta devagar o vestido observando o corpo.
A calcinha apertada marca a gordura, encolhe a barriga. Alonga-se, abaixa o tecido de algodão florido, observa a púbis, alisa os poucos pelos. O rosto se crispa. Levanta a calcinha nas ancas buscando um angulo melhor. A cabeça cai para o lado, volta para o centro, retesa-se.
É com os olhos dele que se vê agora.
Ainda sente o elástico a apertando, mas se reconhece naquele outro olhar e sorri.
Micro conto
Sentiu a mão subindo pelas pernas, mãos suadas, ásperas. Fechou os olhos.
Perdeu a parada. Quando ele levantou, ofegante, viu a boca desdentada sorrindo sarcástica.
Permaneceu ali até o cobrador dizer:
- Ponto final, dona.
Diz
31/07/2009 - 16:51h É Ágora, é Teatro
31/07/2009 - 14:19h Fretados: Vereador Donato quer sustar portaria de Kassab
Entrevista ao Jornal da TV Câmara sobre PDL visando sustar os efeitos da Portaria que regulamenta a prestação de serviços de fretados no Município de São Paulo – 29/07/2009
31/07/2009 - 13:53h Restrição a fretados ameaça city tour em SP
Empresas de ônibus dizem que estão com dificuldade para obter autorização para circular com turistas pela cidade
Turistas japoneses e crianças em excursão foram barrados na Paulista; SPTuris admitiu o problema, mas disse que isso será resolvido rapidamente

Crianças e jovens japoneses do time de futebol Tokyo Verdi, que teve seu ônibus apreendido na terça-feira, na região da Paulista
EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Com a restrição à circulação de ônibus fretados em parte do centro expandido de São Paulo, determinada pela gestão Gilberto Kassab (DEM), até mesmo os city tours da avenida Paulista estão ameaçados.
Embora a portaria que regulamentou o serviço permita ônibus de turismo e transporte para eventos, congressos e centros culturais, na prática a Secretaria dos Transportes não está autorizando a entrada na avenida Paulista e em outras 11 vias importantes da cidade, como Faria Lima e 23 de Maio.
Quem insiste em burlar a regra corre o risco de ser multado e ter o veículo apreendido. A orientação é que os ônibus parem em vias próximas, o que obriga turistas e crianças a caminhar até os pontos turísticos.
Empresas de turismo reclamam que o site da prefeitura onde é feito o pedido de autorização especial não é adequado e que o processo é lento.
Há casos simbólicos. Na terça-feira, às 17h35, um ônibus com cerca de 30 crianças e jovens japoneses de equipes de base do time de futebol Tokyo Verdi foi apreendido em frente ao shopping Pátio Paulista.
Eles tiveram que descer e ficaram andando no shopping enquanto o fiscal fazia a apreensão. No fim, foram “escoltados” pelo fiscal ao hotel -não puderam seguir o passeio- e o ônibus foi recolhido.
A prefeitura disse que o ônibus foi retido “por realizar percurso intermunicipal quando tinha autorização para transporte fretado municipal”. Os atletas vinham de Guarulhos e visitariam pontos históricos do centro. Segundo a pasta, o ônibus não tinha autorização.
Outro exemplo ocorreu anteontem em frente ao Itaú Cultural. Um ônibus foi multado por parar na Paulista para desembarcar cerca de 40 crianças. O fiscal queria que ele parasse em ruas próximas. A secretaria não se manifestou.
Jorge Miguel dos Santos, diretor-executivo do Transfretur (sindicato das empresas de fretamento para turismo), disse que as restrições da prefeitura estão inviabilizando o setor. “Eles [a prefeitura] não avaliaram o impacto. Estão afetando toda uma cadeia produtiva.”
Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris (empresa municipal de turismo), admitiu o problema, mas disse que isso será resolvido rapidamente. “No início sempre tem problema, mas os técnicos vão encontrar uma solução”, afirmou.
Kassab disse que não deve fazer novas concessões como ocorreu na avenida Luiz Carlos Berrini -a prefeitura recuou e liberou os ônibus na avenida após um protesto.
Kassab também defendeu a Secretaria dos Transportes, que admitiu ter divulgado dados errados que inflaram os ganhos da restrição dos fretados, como a Folha divulgou ontem. “Foi um equívoco”, disse.

EDITORIAL DO AGORA
Não adianta enganar
É lamentável a notícia de que a Prefeitura de São Paulo maquiou dados referentes ao trânsito da cidade após a confusa aplicação das regras para fretados. No balanço oficial para avaliar os efeitos da medida constava que na manhã da última terça-feira os congestionamentos teriam caído 70% em relação às terças do mesmo mês do ano passado.
Mas, como o Agora publicou, a prefeitura inflou o bom resultado. A queda nos engarrafamentos foi, de fato, de 30%. Outros truques também foram usados para dar a impressão de que a medida foi um sucesso total.
Não foi bem assim. Embora disciplinar a circulação dos fretados seja uma decisão correta, ficou claro que o poder municipal não se planejou para aplicar as regras como deveria.
A série de transtornos não pode ser atribuída só a manifestações orquestradas por donos de fretados. Os protestos também aconteceram porque os passageiros foram surpreendidos por uma situação caótica.
O simples fato de o prefeito Gilberto Kassab (DEM) ter voltado atrás no segundo dia, liberando a circulação de veículos fretados na avenida Luís Carlos Berrini, é uma prova de que faltou planejamento. Nesses casos, o melhor é admitir as falhas. Não adianta, como fez a prefeitura, tentar tapar o sol com a peneira.
31/07/2009 - 13:19h Kassab na mira: MP investiga restrição a fretados
Prefeitura de SP tem 10 dias para prestar informações; associação da Baixada promete abrir outra ação judicial

Felipe Grandin e Renato Machado – O Estado SP
A promotora de Justiça do Ministério Público (MP) Cláudia Maria Beré determinou anteontem a abertura de um inquérito civil para apurar ilegalidades na Portaria 58/09 da Secretaria Municipal dos Transportes (SMT), que restringiu a circulação dos ônibus fretados. A Prefeitura de São Paulo tem agora dez dias para prestar informações sobre a medida e encaminhar cópias de estudos técnicos e dados levantados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) antes da implementação da restrição, que entrou em vigor na segunda-feira.
“O objetivo é apurar se a portaria é legal, se foram feitos os devidos estudos e se o governo municipal tem elementos para afirmar que a medida é necessária”, afirma Cláudia Beré, da Promotoria de Habitação e Urbanismo. “Sem dúvida acho que a medida foi implementada de forma muito apressada e não tenho conhecimento de ter havido discussão com interessados, conscientização da população sobre alternativas e experimentação que mostrasse que as alternativas funcionam.”
A promotora afirma que a Zona de Máxima Restrição de Fretamento (ZMRF) prejudicou “milhares de pessoas que se utilizam desse meio de transporte e sobrecarregou o transporte público”. A medida ainda pode estar contrariando o objetivo da Política de Circulação Viária e de Transportes previsto no Plano Diretor Estratégico – Lei nº 13.430/02.
Essa legislação prevê a priorização do transporte coletivo ao individual na ordenação do sistema viário. Segundo a portaria da promotora, a restrição também desrespeita o artigo 84 da mesma lei, que prevê que “a circulação dos ônibus fretados deve ser regulamentada (e não suprimida) e a operação do sistema viário deve priorizar o transporte coletivo, sendo que não diferencia o transporte coletivo público do privado”.
A SMT afirma, por meio de nota, que ainda não tem conhecimento desse inquérito, “porém, como sempre, vai colaborar com o Ministério Público”.
A divulgação dos estudos técnicos era uma das principais reivindicações do setor de fretados para manter negociações com a Prefeitura. O Transfretur, principal sindicato da categoria, protocolou um pedido para ter acesso a essas informações no dia 23 de junho, que foi negado pela SMT. “Nós queríamos saber o que estava se passando e passar sugestões. Como o secretário queria negociar se não apresentava os estudos?”, questiona o diretor do Transfretur, Jorge Miguel.
PROCESSOS
A Associação dos Executivos da Baixada Santista (AEBS) anunciou que vai entrar novamente na Justiça hoje pedindo a anulação da portaria que restringiu a circulação dos fretados. A entidade já havia entrado com um mandado de segurança durante o plantão do judiciário, no domingo, mas a ação foi rejeitada. “Não vamos desistir”, diz o presidente da AEBS, Luiz Antônio Lara.
O Transfretur, por sua vez, afirma que encerrou ontem o prazo para a Prefeitura se manifestar em uma ação judicial proposta pela entidade. A ação foi impetrada na segunda-feira e a partir de então o poder público teria 72 horas para dar seu parecer. A Secretaria dos Transportes afirmou que só foi notificada anteontem e por isso tem como prazo a próxima segunda-feira
31/07/2009 - 12:32h Governo Serra: crime em SP cresce pelo 2º trimestre seguido
Homicídios subiram 11,5% em relação ao mesmo período de 2008 e roubos bateram recorde; estupros e latrocínios também aumentaram

Delegado-geral afirma que, apesar de crescimento no total, números tiveram queda em junho; “vamos trabalhar para manter essa inversão”, diz
DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP
A violência voltou a crescer em todo o Estado de São Paulo pelo segundo trimestre seguido. De abril a junho deste ano, os casos de assassinatos subiram 11,5% em relação ao mesmo período do ano passado -um aumento que não ocorria desde 1998. O total de roubos bateu mais um recorde histórico. Também ocorreram mais casos de estupro e latrocínios (roubo seguido de morte).
Ao todo, no período foram 1.168 homicídios (a secretaria não divulgou o total de vítimas, apenas de casos) e 68.524 registros de roubo -até então, o recorde era de 65.635 nos primeiros três meses deste ano.
Os dados foram divulgados ontem pelo delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto. Ele, porém, afirmou que o crescimento da violência no Estado, em números absolutos, é “insignificante”.
“Embora tenha havido um aumento em relação ao segundo trimestre do ano passado, já registramos uma queda em junho. Vamos trabalhar para manter essa inversão”, disse.
Segundo Domingos Neto, em maio foram registrados 427 homicídios em todo o Estado, enquanto em junho foram 327. Uma redução de 23,4%.
“O crime de homicídio em São Paulo está controlado. O que temos que combater é o crime contra o patrimônio, principalmente o roubo”, disse o delegado-geral.
Os casos de roubo tiveram queda de apenas 1,25% de maio para junho deste ano.
O delegado lembrou que, em 2000, ocorriam, em média, 15 assassinatos por dia na capital paulista. Agora, são 3,5. Mas uma alta superior a 11% nos casos de homicídio não ocorria desde 1998. Naquele ano houve aumento de 19% em comparação com igual período de 1997.
Latrocínios
Apesar de terem aumentado em relação ao ano passado, os latrocínios sofreram uma queda em comparação com o primeiro trimestre deste ano. Foram de 94 para 78, segundo o levantamento.
Após registrar um maior número de estupros em quatro trimestres consecutivos, neste houve uma ligeira queda em relação ao anterior. Foi de 1.055 para 948. Queda de 9,7%.
De acordo com Domingos Neto, o governo estadual tem atuado em três frentes para reduzir a criminalidade: aproximação da polícia da comunidade, aumento da quantidade de prisões e investimento em tecnologia da informação.
Ontem, a Secretaria da Segurança da gestão José Serra (PSDB) não divulgou os dados de violência por regiões do Estado. Segundo a assessoria do órgão, esse detalhamento será apresentado na segunda-feira.
Alegando não ter ainda todos os dados, o delegado-geral evitou dar uma justificativa para o aumento da violência. “Não dá para falar sem uma análise nas regiões do Estado. Com quase 40 milhões de habitantes, fica difícil analisar sem ter um conhecimento específico do que teria motivado esse aumento.”
31/07/2009 - 11:46h Pré-sal: governo estuda compensação especial a estados e municípios produtores, como Rio e SP

O Globo
BRASÍLIA – Os estados e municípios que tiverem envolvimento direto com a exploração do petróleo do pré-sal poderão receber uma compensação especial. Como mostra reportagem de Gustavo Paul, publicada na edição do GLOBO desta sexta-feira, o tema está em estudo pela comissão interministerial que elabora o novo marco regulatório para as camadas ultraprofundas. A compensação iria beneficiar de cara os estados do Rio, São Paulo e Espírito Santo, além dos municípios costeiros que ficam defronte aos campos.
Os recursos viriam de uma parcela do que a União receberá no regime de partilha da produção, o que não implicaria a redução do que os demais estados da federação teriam direito a levar de um fundo que distribuirá os recursos proporcionalmente para todo o país.
A estratégia, segundo uma fonte com trânsito no Palácio do Planalto, é não denominar esses recursos como royalties, mas como compensação financeira por eventuais danos ambientais causados pela exploração do petróleo. O governo quer evitar que esses recursos se misturem à política de distribuição de royalties e Participação Especial (PE) em vigor para os poços do pós-sal, que segue o regime de concessão e não será alterada. Esse dispositivo estaria incluído no projeto de lei que define o marco regulatório do setor.
Uso do dinheiro seria restrito
Além disso, o dinheiro seria carimbado, ou seja, só poderia ser utilizado para um universo restrito de ações, basicamente nas áreas social e urbana. A medida seria uma forma de vedar o atual uso indiscriminado dos recursos de royalties e participações especiais em gastos correntes, como, por exemplo, calçamento e embelezamento de orlas por prefeituras.
Marco regulatório
Lula quer garantir votação do pré-sal em 90 dias apesar da crise no Senado
Luiza Damé – O Globo
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai usar a urgência constitucional para driblar a crise política do Senado e garantir a votação do marco regulatório do pré-sal no Congresso Nacional em até 90 dias. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, com isso, o governo cumpre a sua disposição de ver as novas regras aprovadas até o fim deste ano. Ele adiantou ainda que governo poderá enviar até três projetos de lei às Casas, tratando separadamente dos assuntos relacionados à exploração de petróleo nas camadas ultraprofundas. Um deles vai prever que a Petrobras pode entrar no pré-sal de três formas diferentes.
- Estamos contando com a aprovação do pré-sal este ano. A Constituição faculta ao presidente da República estabelecer um prazo limite para a votação de matérias determinadas, é o regime de urgência constitucional. São 90 dias. O presidente quase nunca se vale desse instrumento, mas deve usá-lo – disse Lobão.
Aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Lobão procurou desvincular a urgência constitucional – que estabelece prazo de 45 dias para votação do projeto em cada uma das Casas legislativas – do escândalo no Senado. Além dos problemas enfrentados por Sarney, a partir de agosto vai começar a funcionar a CPI da Petrobras no Senado.
A regulamentação do pré-sal poderá ser dividida em dois ou três projetos de lei (PLs), disse Lobão. Um trataria da criação do fundo social no qual será depositada parte – ou até mesmo o total – dos recursos recebidos pela União no sistema de partilha da produção do pré-sal. Ele financiará projetos de educação e combate à pobreza.
O segundo PL instituiria a partilha como regime de exploração do pré-sal e das grandes áreas estratégicas. E um terceiro texto criaria a empresa que vai administrar as reservas do pré-sal em nome da União.
O marco regulatório vai prever três modelos de licitação. Um das opções é a Petrobras ser a operadora dos campos mesmo sem participar da licitação. No segundo, ela participa do leilão e opera os campos em que ganhar. No terceiro, a empresa privada que vencer terá de colocar a Petrobras como sócia minoritária da operação.
31/07/2009 - 11:13h Eximbank dobra crédito à Petrobras
DA BLOOMBERG
O Export-Import Bank (Eximbank) dos EUA deve mais do que duplicar seus empréstimos à Petrobras para ajudar a estatal a desenvolver depósitos de petróleo e gás, disse o diretor do banco, Fred Hochbert. A instituição é o braço de financiamento de comércio do governo dos EUA.
Os futuros empréstimos à empresa, que também obteve um financiamento de US$ 10 bilhões da China, deverão ultrapassar os quase US$ 5 bilhões cedidos à estatal Petróleos Mexicanos, disse Hochbert, em entrevista no Rio de Janeiro. Hochberg afirmou que o empréstimo de US$ 2 bilhões concedido em abril era uma “”quantia inicial” e que não existe nenhum teto para o crédito à Petrobras.
Os investimentos no setor petrolífero brasileiro deverão disparar para mais de US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos.
O empréstimo à Petrobras quase duplica os atuais US$ 2,3 bilhões em empréstimos em aberto concedidos ao Brasil.
31/07/2009 - 10:46h Novas regras evitam “maldição”, diz Dilma
Marco do pré-sal não deixará que iniciativa privada explore novas reservas com “tranquilidade” de hoje, afirma ministra
“Parte expressiva da renda petrolífera tem de ficar com o povo brasileiro”, segundo a preferida de Lula para a sucessão presidencial

Luciano Coutinho (BNDES), José Sergio Gabrielli, Dilma Rousseff e o presidente Lula conversam em evento da Petrobras no Rio
PEDRO SOARES – FOLHA SP
DA SUCURSAL DO RIO
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem que o novo marco regulatório do pré-sal evitará “a maldição do petróleo” e não permitirá à iniciativa privada explorar as novas reservas da “forma tranquila” do atual modelo de concessão.
As afirmações foram feitas em discurso na assinatura do financiamento de R$ 25 bilhões do BNDES à Petrobras.
“O que está em jogo no novo marco regulatório é justamente esse conceito [o de evitar a maldição do petróleo] e de que parte expressiva da renda petrolífera tem de ficar com o povo brasileiro. Isso não significa que outros não poderão participar [da exploração do pré-sal], mas não vai ser da forma tranquila com que participavam antes [no atual modelo].”
Para Dilma, nas reservas fora do pré-sal, o risco é “altíssimo”, e o retorno, baixo -o que justifica o atual modelo. Agora, diz, o risco é baixo, e o retorno, elevado -o que leva à mudança.
Pela proposta do modelo do pré-sal, será criada uma estatal 100% federal que controlará todas as áreas não licitadas da nova província. A exploração será pelo sistema de partilha, pelo qual a União é dona de todo o óleo e remunera as empresas que vão administrar os campos com parte da produção. Há ainda a possibilidade de a Petrobras operar todos os blocos.
Dilma disse ainda que o novo modelo é mais um passo do governo para evitar a “maldição do petróleo”, pela qual grandes produtores exportam óleo bruto sem desenvolver o país.
Outros passos para atacar esse mal, diz, foram assegurar mais recursos à Petrobras em meio à crise e ter trazido as encomendas de plataformas para o país há alguns anos.
Caminho dos recursos
Por meio do BNDES, o Tesouro Nacional propiciou recursos para a Petrobras lançar seu plano de investimentos de US$ 174 bilhões até 2013. O banco foi capitalizado com títulos públicos de acordo com a necessidade de recursos da estatal. A Petrobras é que venderá os papéis no mercado.
De sua parte, a companhia vai remunerar o BNDES com a variação cambial, e o custo do empréstimo será compatível com captações externas, afirmou Almir Barbassa, diretor financeiro da estatal. O prazo de pagamento é de 19 anos e oito meses, com 7 anos de carência.
O executivo disse que, com a recuperação dos preços do petróleo, não há necessidade de usar os recursos do BNDES neste ano. O plano de investimento previa o barril a US$ 37 -hoje está acima dos US$ 60.
Mantida essa situação, a Petrobras também não vai precisar de outros US$ 10 bilhões do BNDES disponíveis para 2010.
A empresa já tomou empréstimos de US$ 31 bilhões (inclusive do BNDES), suficientes para os investimentos até 2013, disse Barbassa. Isso se o preço do óleo não baixar muito nem os custos explodirem.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que o problema não são recursos para financiar a estatal, mas sim criar uma cadeia de fornecedores competitiva que não “onere” as compras da companhia.
Receita do pré-sal irá para países vizinhos
Além de destinar recursos à área social, plano do governo Lula é investir em países da América Latina, da África e da Ásia
Estratégia busca evitar uma enxurrada de dólares no Brasil, ampliar mercados para produtos brasileiros e a projeção geopolítica do país
VALDO CRUZ – FOLHA SP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Além de investir os recursos da exploração do petróleo do pré-sal na área social, o governo Lula planeja destinar o dinheiro do futuro Fundo de Desenvolvimento Social a dois outros objetivos: reduzir o volume de dólares no país e fazer investimentos estratégicos em países da América do Sul, da África e da Ásia.
Segundo relato de um assessor presidencial, o fundo terá não só a finalidade de “combater nossas eternas carências sociais”, mas também criar “nossos próprios mercados” e “neutralizar a chamada “doença holandesa’” -valorização excessiva da moeda local, causada pela forte entrada de dólares devido a elevadas exportações de determinados produtos, como petróleo e gás, que acabam minando outros setores da economia nacional.
O uso dos recursos do fundo terá uma fase de carência, provavelmente de três anos. Durante esse período, ele ficaria sendo capitalizado com a renda do pré-sal para, só depois, ser utilizado em investimentos no país e no exterior.
O fundo brasileiro será diferente do da Noruega, país usado como modelo para a definição das novas regras de exploração de petróleo.
Enquanto no país nórdico atualmente se gasta apenas os rendimentos do fundo, no Brasil a ideia é gastar também parte do capital do fundo na área social e em inovação tecnológica.
Um dos responsáveis pelo novo marco regulatório defende essa ideia das futuras críticas com dois argumentos: o Brasil é diferente da Noruega, onde não há desigualdade social como aqui, e o fundo terá regras garantindo sua sustentabilidade.
Isso significa que o uso do capital do fundo petroleiro para gastos sem retorno financeiro, como na área social, não poderá comprometer a sua existência.
Caso isso acontecesse, frisa esse assessor presidencial, o país correria o risco de ser atacado pela “doença holandesa” -que tem esse nome em referência ao período de forte valorização da moeda da Holanda depois que aquele país achou grandes reservas de gás em 1959.
O governo brasileiro trabalha com a expectativa de forte entrada de dólares no país a partir da exploração comercial em larga escala do pré-sal -por conta, inicialmente, da vinda de investidores estrangeiros e, depois, da receita com a exportação do petróleo e de seus derivados.
Confirmada essa previsão, o real poderia sofrer uma valorização artificial em relação ao dólar e outras moedas, tirando a competitividade de outros setores da indústria brasileira. Em outros países, isso levou a uma grande dependência da exportação de um único produto, desmantelando o parque industrial.
Com a aplicação dos recursos do fundo no exterior, o governo teria condições de tentar equilibrar a entrada de moeda estrangeira no país. A ideia é investir em ações, títulos públicos e projetos de infraestrutura de retorno garantido.
Geopolítica
A escolha da América do Sul, da África e da Ásia, de acordo com um dos membros da comissão interministerial que elabora o novo modelo, tem caráter geopolítico e comercial -ampliar a influência brasileira no mundo e reduzir cada vez mais a dependência dos mercados tradicionais.
“Queremos criar nossos próprios mercados e neutralizar a “doença holandesa’”, sintetizou o assessor de Lula.
Pelos cálculos do governo e de especialistas, o fundo será abastecido com a renda do pré-sal por pelo menos 30 anos, período mínimo em que essas reservas de petróleo estarão sendo exploradas.
Seu uso de fato no país, com investimentos na área social, não vai ocorrer antes do final do mandato do sucessor de Lula. Afinal, a exploração comercial do pré-sal deve começar somente depois de 2015.
Na última versão do novo marco regulatório do setor de petróleo, ele vem sendo chamado de Fundo de Desenvolvimento Social. O nome, porém, ainda não é o definitivo e pode ser alterado porque atualmente já existe um com nomenclatura similar. A criação do fundo, além disso, depende de aprovação do Congresso.
31/07/2009 - 10:18h Para governo, FHC errou ao vender ações da Petrobras

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA SP
A equipe do presidente Lula classifica de “principal problema” em relação à Petrobras o fato de o governo ser minoritário no capital total da empresa. Por isso, decidiu capitalizar a estatal para tentar aumentar sua participação nela.
Na avaliação de assessores presidenciais, o governo FHC tomou uma “decisão errada” ao vender cerca de 30% das ações da empresa. Os tucanos se defendem alegando que, na época, a estatal precisava de recursos para atingir o atual estágio.
Hoje, a União detém apenas 39,8% do capital total. O restante está no mercado. Boa parte na Bolsa de Nova York. Antes das vendas no governo tucano, a parte da União superava 80%.
Apesar de minoritária no capital total, a União tem a maior parte do capital votante -55,7%, o que lhe dá o controle da empresa. Esse aspecto é destacado pelos tucanos.
Segundo a Folha apurou, por enquanto há apenas a decisão capitalizar a Petrobras. Não só na tentativa de aumentar o capital da União mas também de permitir que a estatal aumente a capacidade de buscar investimentos para explorar o pré-sal. Mas não está definido como, quando e onde.
Nas reuniões internas para discussão do novo modelo, os ministros de Lula costumam dizer que o governo FHC teve seus “motivos” fiscais e de filosofia de Estado para vender boa parte das ações, mas que a medida se mostrou errada.
Eles fazem comparações com a Argentina. Citam que o governo tucano conseguiu cerca de US$ 5 bilhões com a venda de parte das ações, enquanto os argentinos arrecadaram US$ 16 bilhões com a venda de sua estatal petrolífera. A diferença é que, no caso brasileiro, a Petrobras continuou sob comando estatal, enquanto a Argentina perdeu o controle sobre sua petrolífera -a YPF.
A dúvida do governo sobre a capitalização da Petrobras -que seria feita com a transferência para a estatal de campos do pré-sal ainda em poder da União- é que os demais acionistas terão o direito de fazer um aumento de seu capital na mesma proporção. Se boa parte exercer esse direito, a composição do capital não mudará.
O fato de boa parte das ações da Petrobras estar nas mãos do mercado -o que significa que seu lucro não vai todo para a União- foi determinante para o governo não entregar à estatal o controle total do pré-sal.
Daí surgiu a decisão de criar uma nova estatal para gerir toda a riqueza das novas reservas de petróleo. Chamada provisoriamente de NEP (Nova Empresa de Petróleo), ela será a representante da União nos comitês operacionais dos blocos a serem explorados no pré-sal.
Será sua função principal fiscalizar o custo de produção dos campos. Essa preocupação é fundamental no modelo de partilha. Quanto maior o custo, menor a parcela da produção a ser repassada à futura estatal. (VALDO CRUZ)
31/07/2009 - 09:43h Distribuição da riqueza do petróleo vai mudar
Leo Pinheiro/Valor Foto Destaque

Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, ovacionada aos gritos de “presidente”: risco no pré-sal é muito baixo
Energia: Além do fundo para combater a pobreza e investir em educação, ministra quer apoio à cadeia produtiva
Cláudia Schüffner e Rafael Rosas, do Rio – VALOR
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reforçou ontem o papel da Petrobras no desenvolvimento do pré-sal brasileiro e deixou claro que virão mudanças na distribuição da riqueza obtida com essas reservas, defendendo ainda o papel maior da estatal no novo modelo. Segundo a ministra, o pré-sal traz a oportunidade de se reconstruir a cadeia de equipamentos e da própria engenharia nacional com a ajuda da Petrobras.
“Acho que o marco pré-sal está cercado por essa decisão além de outra decisão fundamental, que é específica da indústria de petróleo, que é o fato do petróleo, como o ouro no passado, gerar uma renda superior, bastante superior do seu custo e do lucro normal. Ele gera um excedente, um sobrelucro, uma renda. E é essa renda que o governo do presidente Lula acha fundamental recuperar para a população brasileira. Que nós tenhamos condições de revertê-la para o conjunto da população brasileira sob a forma de um fundo especial de combate à pobreza, educação, inovação e ciência e tecnologia”, disse a ministra, que era ouvida por Sergio Cabral, governador do Rio de Janeiro, um grande oponente das mudanças.
Segundo ela, “o que está em jogo no marco regulatório é que parte expressiva da renda petrolífera tem que ficar com o povo brasileiro”. Ela ponderou ainda que mesmo considerando algum insucesso no pré-sal, o risco agora é baixo e o petróleo é de alta qualidade, ao contrário do que acontecia antes, quando, segundo ela, o risco era altíssimo e o petróleo de baixa qualidade.
Dilma participou da cerimônia de assinatura do contrato de financiamento de R$ 25 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Petrobras, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ministros, políticos e sindicalistas.
Ela, que iniciou seu discurso sendo ovacionada por sindicalistas presentes aos gritos de “nossa futura presidente”, disse que a Petrobras foi afastada do desenvolvimento do Brasil na década passada, quando se decidiu pelas importações de plataformas da Coreia e Cingapura, fazendo com que se levasse para o exterior um crescimento que era sustentado pela companhia. Agora, se o Brasil quiser evitar a “maldição holandesa”, traduzida por ela como sendo resultado das exportações de óleo bruto e a importação de equipamentos e serviços, será preciso permitir que a Petrobras exerça todo o seu potencial.
Em uma referência às mudanças no marco regulatório do setor que estão sendo finalizadas em Brasília, Dilma disse o governo começou a “evitar a maldição do petróleo ao recompor a indústria naval brasileira”.
Dilma enfatizou o papel da Petrobras no que chamou de reconstrução da cadeia de equipamentos e da engenharia nacional. O papel da Petrobras no desenvolvimento da cadeia de fornecedores da indústria de petróleo e gás também foi reforçado pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que quer no Brasil “um mínimo” de 70% dos investimentos da Petrobras, que hoje representam 2,3% do PIB brasileiro, para que eles sejam produzidos no Brasil por trabalhadores brasileiros.
O diretor de finanças da Petrobras, Almir Barbassa, revelou que o US Exim Bank acenou com a possibilidade de elevar o limite de crédito concedido à estatal para compra de equipamentos e serviços nos Estados Unidos. Barbassa ressaltou que o atual teto de US$ 2,2 bilhões poderia ser elevado para US$ 5 bilhões.
O executivo acrescentou que com o atual patamar dos preços do petróleo é possível que a Petrobras não utilize outra linha de financiamento com o BNDES, essa no valor de R$ 10 bilhões. Sobre o financiamento de R$ 25 bilhões assinado ontem, o superintendente de infraestrutura do BNDES, Nelson Siffert, explicou que os títulos serão reajustados de acordo com a variação cambial e que a remuneração do banco será de cerca de 1% ao ano.
Barbassa destacou que a amortização do empréstimo do BNDES começará em um período em que a companhia estará com uma produção crescente no pré-sal brasileiro, o que deverá garantir um fluxo de caixa robusto para a companhia, facilitando a quitação do financiamento. “Temos sempre que trabalhar com cuidado o aumento do endividamento, mas amortizar quando houver uma forte geração de receita nos dá tranquilidade”, frisou o diretor.
31/07/2009 - 09:29h Parceiras da Petrobrás serão submetidas às novas regras
Interessadas em explorar o pré-sal com a estatal seguirão regulamentação, diz Dilma Rousseff

Alberto Komatsu, Alexandre Rodrigues e Kelly Lima, RIO
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deixou clara ontem a determinação do governo de submeter a uma nova regulamentação as empresas interessadas em participar, com a Petrobrás, da exploração das reservas de petróleo no pré-sal. A ministra indicou que o governo pretende fortalecer a estatal para aumentar ainda mais seu impacto na economia.
Na cerimônia de assinatura do contrato de financiamento de R$ 25 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Petrobrás, a ministra disse que a definição do marco regulatório deve ser a continuidade da decisão do governo Lula de fortalecer a indústria nacional. Segundo Dilma, o governo está decidido a usar a riqueza das reservas para financiar políticas de educação, inovação tecnológica e combate à pobreza.
“Temos consciência de que esse é um momento decisivo em que o que sai do jogo da questão do marco regulatório é justamente este conceito: a parte expressiva da renda petrolífera tem de ficar com o povo brasileiro. Isso não significa que outros não poderão participar, mas não vai ser da forma tranquila com que se participava antes, quando o risco era altíssimo e a rentabilidade de baixa qualidade”, avisou Dilma, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que surpreendeu ao não discursar no fim da cerimônia. “A Petrobrás chegou ao pré-sal porque investiu para chegar e ousou investir para chegar.”
Para a ministra, mesmo se as taxas de sucesso dos poços no pré-sal baixarem a 30%, como preveem especialistas, as reservas já terão alta rentabilidade. Por isso mesmo, disse que a maior parte dos rendimentos deve ficar com o Estado para “encurtar o caminho” do desenvolvimento do País.
“Tenho certeza de que estaremos dando mais um passo na direção do fortalecimento da Petrobrás, da indústria de fornecedores, mas, sobretudo, da soberania do nosso País”, acrescentou Dilma, ressaltando a ideia de um fundo social financiado pelos lucros do pré-sal.
A ministra disse que o País vive um momento histórico e que a capacidade de investimento da Petrobrás em meio à crise econômica mostra que as decisões do governo foram acertadas. Ela disse que a estatal deve ser o instrumento para aumentar o impacto da exploração do pré-sal na cadeia nacional de equipamentos, evitando a chamada “maldição do petróleo”: apenas exportar óleo bruto e importar serviços. “O pré-sal é também uma afirmação da necessidade da Petrobrás ajudar a reconstruir uma cadeia de produção de equipamentos”, afirmou Dilma.
“Nós estamos elaborando um novo marco regulatório para o pré-sal que não visa a prejudicar ninguém, vai beneficiar o Brasil”, acrescentou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também no evento.
O ministro contou que se reunirá hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para traçar, junto com o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, um panorama de tudo o que vem sendo feito no pré-sal brasileiro.
Em sua apresentação, durante a cerimônia de assinatura do contrato de financiamento, Lobão negou frustração ou decepção com insucessos do pré-sal. “O pré-sal é uma realidade, e esperamos que possa ir muito além.” Segundo ele, “não é só a redenção em produção do petróleo por muitos anos, mas a elevação do prestígio da Petrobrás”.
Lobão lembrou do tempo em que o Brasil precisava correr atrás de empréstimos. “Hoje, com a Petrobrás, os bancos é que querem financiar a empresa”, acrescentou.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que assinou o contrato de financiamento com Gabrielli, disse que os investimentos de US$ 174,4 bilhões programados pela Petrobrás nos próximos cinco anos vão representar 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. A ministra Dilma acrescentou que, se for computada toda a cadeia de fornecedores da estatal, essa relação saltará para 10% do PIB.
De acordo com Coutinho, no início dessa década os investimentos da estatal correspondiam a 1% do PIB brasileiro. Segundo ele, no ano passado essa relação mais que dobrou, passando para 2,3%. Coutinho também comemorou o fato de os desembolsos do BNDES já representarem 17% das novas concessões de crédito no País, conforme dados do Banco Central. Nos últimos dois meses, acrescentou, 35% de todos os créditos novos foram aportados pelo BNDES.
31/07/2009 - 09:16h Petrobrás quer ter 30% de participação nos consórcios
Fatia a ser paga à estatal pela perfuração ainda está em discussão; proposta será enviada ao Congresso

Lu Aiko Otta e Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP
A proposta de novo marco regulatório do petróleo que o governo pretende enviar ao Congresso nas próximas semanas vai prever que a Petrobrás receberá até 30% do valor do óleo extraído como pagamento pelos serviços de perfuração nas áreas do pré-sal exploradas em regime de partilha. A maior estatal do País será operadora única nas novas reservas, conforme já informou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Isso significa que ela será responsável, sozinha ou em conjunto, por todos os poços na região.
O porcentual de pagamento à Petrobrás ainda está em discussão. Os 30% foram propostos pela própria empresa mas há, no governo e no Legislativo, quem avalie que a fatia deveria ser menor. Como a proposta ainda será submetida ao Congresso Nacional, o mais provável é que seja proposto um preço com alguma “gordura”, para ser negociado.
A Petrobrás também quis cobrar tão caro para perfurar poços nas áreas mais produtivas que a União sequer convidará empresas a participar da exploração. Nelas, o governo contratará a estatal apenas para prestar serviços de perfuração. A proposta inicial apresentada pela empresa era de 60%, mas Dilma descartou esse porcentual. O novo preço ainda está em discussão.
Um ponto polêmico desde o início das discussões do novo marco regulatório é a capitalização da Petrobrás. Discutiu-se a possibilidade de a estatal receber uma injeção de recursos do Tesouro Nacional, não na forma de dinheiro, mas em óleo que iria para a União. Outra hipótese seria a empresa receber áreas do pré-sal como forma de fortalecer seu caixa.
Ambas as opções são consideradas complicadas por parte da equipe de governo, pois não se sabe ao certo quanto petróleo há na região. Nas últimas semanas, ganhou força a hipótese de a Petrobrás ganhar fôlego para a exploração do pré-sal com recursos de mercado, principalmente por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O BNDES fechou ontem operação de empréstimo de R$ 25 bilhões à estatal. Segundo a Petrobrás, os recursos serão usados em seu plano de negócios de 2009 a 2013. Em maio, a estatal já havia obtido um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China (BDC).
A avaliação é que a “secura” do crédito por causa da crise internacional já diminuiu. Com isso, as outras hipóteses de capitalização deixaram de ser debatidas, embora ainda não estejam totalmente descartadas.
O marco regulatório do petróleo vai prever a convivência de três regimes de exploração. No de concessão, já existente hoje, as empresas disputam em leilão o direito de explorar uma determinada área e o petróleo extraído pertence a elas. O segundo modelo a ser criado é o de partilha. Nele, as companhias também disputam áreas em leilão, mas o petróleo extraído é da União. As empresas ficam com uma parte. Nesse regime, a Petrobrás será operadora única e a nova estatal do petróleo, ainda sem nome, participará de todos os consórcios, de forma minoritária.
O terceiro é o de contratação direta, no qual a União será a única exploradora, tendo a Petrobrás como operadora. Esses dois últimos regimes valerão para o pré-sal e para outras áreas estratégicas.
31/07/2009 - 08:56h Fundo do pré-sal ira prioritariamente à educação e desenvolvimento social

Fundo do pré-sal, administrado por supercomitê, fica fora do orçamento
Grupo vai decidir como os recursos serão usados, dando prioridade à educação e ao desenvolvimento social
Lu Aiko Otta e Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP
Um “supercomitê” vai administrar os recursos que o petróleo da camada pré-sal gerar para a União. O grupo será responsável pela gestão do fundo social do pré-sal, decidindo também como o dinheiro será usado. Está definido que os recursos não irão para o Fundo Soberano, como queria a Fazenda: a prioridade são os investimentos nas áreas de educação e desenvolvimento social.
O comitê gestor do fundo firmará convênios com prefeituras e governos estaduais, por meio dos quais as verbas serão repassadas. Os ministérios responsáveis pelas áreas sociais vão participar das decisões do comitê, mas o dinheiro não transitará pelo orçamento das pastas.
Esse é o desenho que deve constar da primeira versão do novo marco regulatório do petróleo, a ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima segunda-feira. Serão, ao todo, três projetos de lei: um tratando do fundo social, outro sobre a nova estatal que vai administrar os contratos do pré-sal e um terceiro regulamentando a exploração do óleo pelo sistema de partilha. As propostas seguirão para o Congresso em agosto e tramitarão em regime de urgência.
Nos debates internos para a conformação do fundo social, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi voto vencido. Ele queria que os recursos do pré-sal fossem para o Fundo Soberano, com o objetivo de reforçar as contas públicas e melhorar ainda mais a avaliação do Brasil no mercado internacional. A ideia, porém, foi descartada por Lula. O presidente vai usar o mote “o petróleo é nosso” na campanha eleitoral de 2010 e anunciar que investirá a verba em projetos sociais.
PARCELA INVESTIDA
O dinheiro do fundo social não será gasto integralmente conforme for arrecadado. Na Noruega, que serve de modelo para o Brasil, os recursos da exploração do petróleo ficam depositados num fundo e são aplicados no exterior. Somente os rendimentos são gastos.
É possível que o governo brasileiro siga o mesmo caminho, mas essa ainda é uma questão em aberto. Uma hipótese é o presidente utilizar uma pequena parte assim que os recursos forem gerados e aplicar a maior fatia no exterior.
Outro ponto que ainda não está definido e promete muita polêmica é o pagamento de royalties. Hoje, Estados e municípios onde há exploração de petróleo recebem uma participação sobre a riqueza gerada. Ainda não há definição sobre como isso será feito com o petróleo do pré-sal.
O governo acredita que esse tema provocará uma batalha no Congresso Nacional, com Estados hoje beneficiados de um lado – tendo o Rio de Janeiro encabeçando a lista – e os que se julgam prejudicados de outro. A tendência é que os projetos de lei não tratem desse tema agora, pois há risco de a questão do royalty monopolizar os debates e inviabilizar a discussão das outras propostas. Além disso, já existem projetos de alteração do regime de royalties tramitando no Congresso.
Na prática, Lula não quer mexer nesse vespeiro num ano pré-eleitoral, quando precisa de alianças e não quer se indispor com governadores e prefeitos. Se o governo não propuser mudanças nesse ponto, o regime de royalties permanecerá como está. Já está claro para o Planalto que o petróleo do pré-sal terá de gerar royalties a serem distribuídos, pois a participação dos Estados e municípios está prevista na Constituição.
OUTORGA
Os textos que serão levados a Lula não terão, também, uma definição quanto à cobrança ou não de bônus de outorga na autorização dada a empresas privadas para explorar as reservas. A outorga é uma espécie de “pedágio” que as companhias têm de pagar antecipadamente, antes de iniciar suas atividades.
A cobrança vem sendo defendida nos bastidores pelo Ministério da Fazenda. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é contra. Ela acha que o pagamento de outorga pode afastar potenciais concorrentes e encarecer o petróleo. Havendo ou não outorga, vencerá a disputa a empresa que oferecer maior participação à União.
30/07/2009 - 22:00h Boa noite
terceiro movimento
30/07/2009 - 20:42h Rosângela Rennó concede entrevista para o blog do Paraty em Foco
Blog Imagens & Visions
© Foto de Fernando Rabelo. Rosângela Rennó em seu ateliê no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, 2009.
Fernando Rabelo (editor do Images&Visions) entrevistou Rosângela Rennó em seu ateliê no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro. A entrevista foi concedida para o blog do Paraty em Foco, que é feito por alguns blogueiros convidados para produzir conteúdo editorial para o 5º Festival Internacional de Fotografia. A artista visual fala de arquivo, blog, digital e sobre a sua expectativa em participar do 5º Paraty em Foco. Rosângela Rennó é artista visual e doutora em Artes pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Mineira, radicada no Rio de Janeiro, é hoje referência obrigatória quando o assunto é a imagem fotográfica e seus desdobramentos. Ao ser indagada sobre o grande crescimento dos blogs fotográficos e sobre troca virtual na rede, Rosângela declarou: “Na minha opinião, o futuro do arquivamento poderá ser a própria circulação do arquivo. Um dia todas as imagens vão ficar circulando e todo mundo vai guardar tudo. 50 mil pessoas vão acessar e poder deter as imagens porque elas vão estar circulando. Os blogs são hoje o lugar onde se concentram informação e imagem. Talvez esteja aí a origem do novo modelo de arquivo”. Sobre suas expectativas de participar do Festival em Paraty, Rosângela afirmou: “Estou super empolgada com esse encontro em Paraty, pois estou muito impressionada com uma certa mudança do “foco” das discussões sobre as imagens técnicas, principalmente da fotografia. Não se discute mais, tanto, as questões técnicas, do meio fotográfico. Hoje a discussão está muito mais voltada para o conceito e isso me interessa pois estou curiosa pra ver onde tudo isso vai dar”. Participou da entrevista, Teresa Bastos, pesquisadora, jornalista e professora de fotografia da ECO-UFRJ.
Leia a entrevista completa no blog do Paraty em Foco Aqui
30/07/2009 - 19:40h Erlkönig
Regente: Claudio Abbado e a Orquestra de Câmara de Europa
30/07/2009 - 18:56h Até quando terás, minha alma, esta doçura
30/07/2009 - 17:45h Ágora comemora dez anos com releitura crítica de seu repertório
Estreia amanhã texto de Eugene O’Neill e, no sábado, monólogo de Frateschi
Águeda Amaral/Divulgação

Mawusi Tulani, Cynthia Chaves e Denise Cecchi em cena no Ágora
JOSÉ ORENSTEIN COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A ágora na Antiguidade Clássica era o espaço público por excelência, a praça da política e dos encontros. É esse espaço do encontro que o dramaturgo Celso Frateschi quis criar quando, há dez anos, fundou o teatro Ágora, em São Paulo.
Como parte das comemorações de sua primeira década de atividades, duas peças serão reencenadas. Uma é “Antes do Café”, texto do norte-americano Eugene O’Neill, apresentada em 2001 e que estreia amanha. A outra é “Diana”, monólogo do próprio Frateschi, apresentado na abertura do Ágora em 1999, e que volta à cena neste sábado. As releituras fazem parte de um processo de revisão crítica que Frateschi classifica como uma “radicalização de suas propostas estéticas iniciais”. Desde abril, peças do repertório do Ágora vêm sendo montadas, revistas e rediscutidas.
Na busca por flagrar o ser humano naquilo que tem de mais fundamental, na sua “menor grandeza”, Frateschi lança mão da perspectiva brechtiana para conceber suas peças.
A concentração é voltada para o mínimo de elementos cenográficos e o máximo de trabalho dos atores. “Os cenários começam entulhados no ensaio, mas aí vamos depurando, depurando, para deixar só o que é necessário, o elemento que sugere uma poesia ao espectador”, afirma Frateschi. E se o cenário é diminuto, a atuação é multiplicada por três.
Em “Antes do Café”, a personagem principal, uma mulher que prepara o café da manhã para o marido, é interpretada por três atrizes simultaneamente. As falas são as mesmas, mas não é combinada a hora em que cada uma deve entrar. “Criamos um estado de atenção e suspensão, que dá importância à visão que as atrizes têm do espetáculo”, analisa o diretor.”É uma perspectiva cubista, porque aborda o ser humano de vários ângulos”, prossegue Frateschi.
Nessa toada, até o fim do ano reencenações de “Ricardo 3º” e “Don Juan” voltam aos palcos do espaço que não desiste de promover o encontro: toda primeira quarta-feira do mês, o Ágora recebe convidados para discutir o teatro, com uma garrafa de vinho. Dionísio sorri.
ANTES DO CAFÉ
Quando: sex. e sáb., 21h, dom., 20h; até 13/9 (ambas as peças)
Onde: Ágora Teatro – Sala Gianni Ratto (r. Rui Barbosa, 672, tel. 3284-0290) Quanto: de R$10 a R$20DIANA
Quando: sáb., 21h, dom., 20h; na sala Edith Siqueira; até 13/9
Quanto: de R$15 a R$30
Classificação: 12 anos (ambas)
30/07/2009 - 15:08h CONTARDO CALLIGARIS Em defesa de Berlusconi
CONTARDO CALLIGARIS
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Berlusconi faz festinhas com prostitutas, e eu com isso? A capacidade de governar é afetada? |
NÃO TENHO simpatia alguma pelo premiê italiano, Silvio Berlusconi.
Para começar, não acho legítimo governar e, ao mesmo tempo, ser um megaempresário em exercício. A decência pede que os políticos, durante seu serviço público, se afastem da gestão de seu patrimônio e, ainda mais, da de suas empresas.
Além disso, Berlusconi é o triste símbolo do fim de uma época em que, na Itália, o fascismo era um divisor de águas. Dos comunistas até aos liberais (passando por socialistas, social-democratas, republicanos, radicais e cristãos-democratas), apesar das diferenças, havia um propósito comum: o passado totalitário não voltaria, nunca.
Berlusconi trouxe para o poder os próprios neofascistas e outros afins, que oferecem planos radicais, sedutores e esdrúxulos para as dificuldades da nação.
Nessa empreitada, a maior aliada de Berlusconi foi a mediocridade da esquerda e do centro, cada vez menos capazes de apresentar um projeto para o país.
Nas eleições de 2008, meus sobrinhos me confessaram que votariam em Berlusconi porque, ao menos, eles entendiam o que ele se propunha a fazer, enquanto não entendiam nada do que dizia Walter Veltroni, que liderava a centro-esquerda. Se meus sobrinhos, rebentos de uma tradição antifascista, preferiam Berlusconi, a batalha estava mesmo perdida.
A Itália continua sendo uma democracia. Do fascismo, Berlusconi ressuscitou (apenas?) a vulgaridade populista, que consiste em fazer apelo ao que há de pior no eleitor, tornando-o cúmplice das soluções mais fáceis, violentas, racistas e machistas.
Com isso, nunca pensei que escreveria um dia em defesa de Berlusconi. Mas, nestes últimos dias, os opositores do premiê adotaram a mesma vulgaridade que o caracteriza.
O semanal “L’Espresso” e o cotidiano “La Repubblica” (fundados por Eugenio Scalfari, um papa do jornalismo italiano) vêm soltando trechos de gravações de telefonemas entre o premiê italiano e Patrizia D’Addario, uma prostituta de 42 anos que, aparentemente, teve encontros sexuais com Berlusconi, comentou elogiosamente sua performance na cama, gravou as conversas e as tornou públicas para se vingar porque Berlusconi não teria cumprido sei lá qual promessa.
Antes disso, o cotidiano espanhol “El País” (outra referência da imprensa europeia) divulgou uma série de fotografias de Berlusconi, em sua vila na Sardenha, com topless feminino e nudez masculina. Tudo isso começou com a publicação em destaque de denúncias ressentidas da esposa do premiê.
A vida sexual de Berlusconi não me indigna. Como não sou fascista, tampouco espero que o líder encarne grotescamente a “virilidade” de todos nós (embora, como notou João Pereira Coutinho, muitos eleitores possam se regozijar com isso). Mas me sinto insultado pela própria suposição de que essas “notícias” me interessem. Berlusconi organiza festinha com prostitutas, E EU COM ISSO? Avisem-me se a coisa afetar sua capacidade de governar.
A invasão da privacidade de um governante se justifica quando ela demonstra sua hipocrisia pública. Se Ahmadinejad, em sua iminente visita ao Brasil, for flagrado dançando numa boate gay, isso me interessaria porque ele é líder de um país que pune a homossexualidade com a morte.
Quando se descobriu que Eliot Spitzer, governador do Estado de Nova York, era cliente de uma rede de prostituição, o escândalo foi relevante porque Spitzer, quando era promotor, tinha sido um ferrenho perseguidor das prostitutas e de seus clientes. Mas Berlusconi nunca pretendeu ser “um santo”.
A ausência de relevância política das fotos e das conversas transforma os melhores órgãos da imprensa europeia em tabloides sensacionalistas e confirma que o problema da Itália de hoje não é Berlusconi, mas a decadência da oposição.
É quase uma regra: quem cata argumentos de moral privada na roupa suja de seu adversário político 1) Quer esconder e censurar seus próprios trapos (tão sujos quanto os do opositor criticado) ou, então, 2) Ele não tem nada para dizer que interesse aos eleitores e apela para uma cumplicidade de botequim (”Cara, viu a de Berlusconi com a puta?”).
Parabenizo o PT, que, em seu “Código de Ética”, aprovado nestes dias, decreta que é terminantemente vedada (artigo 6, 1) “a exploração de aspectos da vida íntima de adversários em disputas políticas ou eleitorais, internas ou externas, de qualquer natureza” (íntegra em www.pt.org.br).
30/07/2009 - 13:57h Novos caminhos para os cartões de crédito


Antônio Palocci – O Estado SP
Nos últimos meses temos acompanhado um importante debate sobre cartões de crédito. Agências do governo, Congresso Nacional, representações do comércio e instituições privadas da área têm apresentado variadas propostas para o futuro do setor. Em geral, há uma preocupação crescente, pelo lado das agências e do Legislativo, no sentido de criar um novo arcabouço de regulação setorial. Por seu lado, a indústria de cartões expõe argumentos contrários ao aumento da regulação, alegando que traria constrangimentos e um impacto negativo para a expansão desse mercado e dos benefícios que vem trazendo para a sociedade.
Estamos diante de um debate sobre regulação em que as partes apresentam argumentos concretos e há o risco de uma regulação inadequada resultar em grandes perdas econômicas. Por outro lado, regulação alguma pode contribuir para um desenvolvimento pouco concorrencial no setor, com prejuízos para os usuários.
Os benefícios da indústria de cartões de crédito e débito são inegáveis. Basta citar o aumento da formalização dos procedimentos, o aumento da segurança das operações e a redução do custo das transações, pelo uso intensivo da tecnologia da informação. Não são ganhos desprezíveis, se considerarmos que, hoje, há 1,4 milhão de estabelecimentos comerciais usuários de cartão no Brasil.
Esses benefícios não atingem apenas grandes cadeias comerciais. Sabemos, por exemplo, que os assaltos a lojistas de pequeno porte são frequentes e que os custos para eles dos cheques devolvidos não são nada desprezíveis. Por essas e outras razões, esse mercado movimentou R$ 375 bilhões em 2008 e tem crescido a uma média anual de 20%, ao mesmo tempo que o uso de cheques caiu 47% nos últimos anos.
No campo da formalização, se um grande número de estabelecimentos e de consumidores adere ao uso de cartões, há um claro incentivo à formalização das pequenas atividades comerciais, que têm tendência natural à informalidade. Com isso ganham as finanças públicas, a Previdência Social e o trabalhador, com o aumento da formalização do trabalho.
A redução de custos de transação também é importante, na medida em que a circulação da moeda e dos cheques supõe custos muito mais elevados do que as operações eletrônicas.
Mas por que, então, alterar a regulação do setor? O fato é que há uma enorme reclamação do setor comercial quanto à distribuição desigual dos ganhos da atividade, em desfavor do comerciante.
As críticas concentram-se em dois pontos principais: o não-compartilhamento dos terminais (POSs), exigindo que o comerciante pague aluguel de máquinas de diferentes bandeiras, e as altas taxas cobradas pelas operações de compra. Uma rápida avaliação dos números dá algum amparo às queixas dos comerciantes. Em particular, quando se trata de cartão de débito, que substitui o cheque e geralmente não envolve risco de crédito do consumidor. Assim, algo precisa e deve ser feito. Mas os problemas começam quando se discutem as melhores maneiras de enfrentar a questão.
O debate sobre o tema no Congresso abrange um conjunto amplo de proposições, que vão do compartilhamento obrigatório dos terminais ao fim da verticalização das empresas de credenciamento, passando pela permissão do desconto no pagamento à vista, inclusão das empresas de credenciamento e das bandeiras no estatuto de instituições financeiras, limitação das taxas cobradas dos comerciantes e outras tantas ideias.
O risco maior é, ao agir de boa-fé no aumento da regulação, estarmos, de fato, cortando as pernas de uma indústria em pleno crescimento e com efeitos amplamente positivos sobre a economia. Por exemplo, se a lei obrigar o compartilhamento dos terminais imediatamente, o mercado de cartões vai simplesmente parar, até conseguir se adaptar à legislação. Entretanto, a medida é necessária e deve ser tomada. No caso, basta prever um prazo para a adaptação, que, quando efetivada, proporcionará uma redução de custos para os lojistas.
Mas medidas direcionadas à redução das taxas parecem mais complexas. Se as taxas são percebidas como altas, talvez o que falte nesse mercado não seja limitá-las diretamente, mas permitir que a boa e velha concorrência o faça. Medidas de defesa de maior concorrência no setor, inclusive com a entrada de novos atores, serão bem mais eficazes do que o tabelamento de taxas, o questionamento da verticalização das empresas ou seu enquadramento como instituições financeiras.
Atualmente, os contratos das credenciadoras com suas respectivas bandeiras preveem exclusividade no uso da bandeira. Além disso, algumas bandeiras se limitam a apenas um credenciador no mesmo mercado.
Uma regra que proíba essa dupla exclusividade parece ser um caminho simples, direto e certeiro em relação a muitos dos problemas apontados. Com ela, um número maior de credenciadores, oferecendo diferentes bandeiras, com máquinas compartilhadas e sistemas interligados, poderá levar à queda nas taxas cobradas atualmente. Já uma regulação excessiva poderá significar apenas aumento de custos de operação, com diminuição dos serviços e mesmo uma elevação dos custos ao usuário.
Agindo com base na vasta experiência e competência do País em automação bancária e no que há de melhor nos ensinamentos econômicos, podemos chegar a uma regulação equilibrada. E parece que, ao longo do tempo, nada apareceu no sistema econômico que substitua a velha e boa concorrência para a defesa efetiva do consumidor e do próprio lojista – que, no caso, também é consumidor do produto.
Antônio Palocci, deputado federal (PT-SP), foi ministro da Fazenda







