31/07/2009 - 22:00h Boa noite

Brahms – Sinfonia N° 3 – Pouco Allegretto

31/07/2009 - 20:32h Steven Soderbergh e Sasha Grey:a pornografia no mainstream

Dirigido por Steven Soderbergh – o homem por trás de filmes como Erin Brockovich, Sexo, Mentiras & Videotapes e do charmoso remake de Ocean’s Eleven – The Girlfriend Experience chega aos cinemas brasileiros sob a polêmica escalação da aclamada atriz pornô Sasha Grey para o papel principal.

Steven Soderbergh e Sasha Grey:a pornografia no mainstream

O universo de um artista é sempre formada pelo conjunto das suas obsessões, pelos objetos recorrentes. Talvez por isso Steven Soderbergh, a despeito de uma obra considerável que conta com filmes de grande sucesso, não é o mais amado na lista dos cinéfilos. Uma das explicações é justamente a que aponta (ou acusa) Soderberg de não manter nenhuma aparente linearidade nas suas histórias, na escolha das produções, no modo como as trabalha. Sempre está salteando de conceitos, de estilos, tão difícil de ser identificado quanto sugere o título de “I’m not there”, produzido por ele, ou quanto os paradoxos quase inexistentes do Che Guevara que conjurou.

A não-linearidade se junta a críticas de tédio cinematográfico quando o assunto é seu novo filme The Girlfriend Experience. Depois da exaustão da ótima série Ocean’s Eleven e da maratona que foi gravar a biografia de Che junto com um obcecado Benício Del Toro, só o que se poderia esperar era um filme lento e sonolento, um filme de entressafra. É o que os críticos tem gostado de repetir. Para o autor, as razões são completamente alheias a esses argumentos, parecem ter outro foco que nada tem a ver com arte, mas com políticas e conservadorismos de uma indústria que sempre achou bonito ser conservadora: A [vodka] Grey Goose ia patrocinar a festa de lançamento do filme, e quando descobriram que Sasha fazia filmes adultos, eles desistiram, disse Soderbergh para a Rolling Stone Magazine.

Steven Soderbergh e Sasha Grey:a pornografia no mainstream

Sasha Grey faz filmes adultos desde os 18 anos. Trata-se de uma das maiores estrela da indústria pornô – e isso diz pouco sobre ela. Sasha não se enquadra em nenhum dos clichês ou estereótipos de uma atriz de filmes adultos já visto até hoje.

Se a pornografia é transgressora, o é na mesma proporção em que faz questão de que as coisas permaneçam iguais. Claro, seu público consumidor principal não mudou, eles são homens e são héteros, o que significa dois minutos de sexo oral nela versus meia hora nele. Mas então ela aparece e os papéis subvertem. Sasha faz parte da categoria de atuação pornográfica conhecida como hard core e é, certamente, a única que consegue fazê-lo com terror e graça ao mesmo tempo. É rápida, voraz, enlouquecida, grita, bate apanha com homens, mulheres, vibradores e o que mais estiver em cena. É ela quem come. No fim de tudo, volta para casa confortável onde mora com o diretor de cinema independente Cinnamon, seu namorado há três anos, e cultiva música industrial alemã e filmes do Godard.

Steven Soderbergh e Sasha Grey:a pornografia no mainstream

Sasha Grey é Chelsea – ou Cristine – a personagem principal de “The Girlfriend Experience, curiosamente a única atriz de verdade no elenco. O filme se passa durante a crise financeira de 2008, na cidade de Manhatan onde Chelsea trabalha como prostituta de alta classe. Para ela, a crise é apenas um assunto de que ouve muito falar, pela boca de seus próprios clientes bastante preocupados com o rumo das coisas, além de seu namorado que, trabalhando como personal training em uma academia, não consegue ganhar em um mês nem 10% do que ela arrecada em um único encontro. Para Chelsea a crise não existe e tudo indica que sua carreira verá um futuro promissor. Segue escalando degraus, de encontro em encontro, sem nenhuma aparente perda de dignidade, mas às custas de se tornar cada vez menos capaz de manter relacionamentos profundos.

Filmado em um estilo de câmera em movimento e bastante orgânico, o filme é tão frio, silencioso e contundente quanto o modo como Chelsea conduz sua vida. Talvez o excesso de improvisos faça a história parecer um tanto perdida, mas, positivamente, Grey é a estrela e executa seu papel com uma competência pela qual poucos devem ter torcido.

TGfE chega ao Brasil no dia 31 de Julho sob o título de “Confissões de uma Garota de Programa” e é um filme imperdível para quem quer conhecer mais sobre as experimentações de Steven Soderbergh e quer conehcer um pouco mais sobre a atriz pornô que pretende invadir o mainstream. Sem delicadezas, como é de seu feitio.

Steven Soderbergh e Sasha Grey:a pornografia no mainstream
Steven Soderbergh e Sasha Grey:a pornografia no mainstream

Prill AvatarPriscilla Sant

 

  Fonte Obvius

31/07/2009 - 19:40h Porgy & Bess


Bess, You Is My Woman Now – Willard White (Porgy), Cynthia Haymon (Bess). Regente: Simon Rattle, diretor: Trevor Nunn

 

 


Bess, You Is My Woman Now – Marisa Monte e Carlos Fernando Nogueira e Nouvelle Cuisine

31/07/2009 - 18:31h Luto

Cristina García Rodero, Luto, Itália, 2000
© Cristina García Rodero

31/07/2009 - 18:25h Diz

Blog Caminhar

Mini conto

RenéMagritte
No espelho

Olha o rosto no espelho, diferente, mais claro.
Levanta devagar o vestido observando o corpo.
A calcinha apertada marca a gordura, encolhe a barriga. Alonga-se, abaixa o tecido de algodão florido, observa a púbis, alisa os poucos pelos. O rosto se crispa. Levanta a calcinha nas ancas buscando um angulo melhor. A cabeça cai para o lado, volta para o centro, retesa-se.
É com os olhos dele que se vê agora.
Ainda sente o elástico a apertando, mas se reconhece naquele outro olhar e sorri.

Micro conto

Sentiu a mão subindo pelas pernas, mãos suadas, ásperas. Fechou os olhos.
Perdeu a parada. Quando ele levantou, ofegante, viu a boca desdentada sorrindo sarcástica.
Permaneceu ali até o cobrador dizer:
- Ponto final, dona.

http://1.bp.blogspot.com/_RCojEL9WAfQ/SLoQ1cr7OcI/AAAAAAAABk0/ze-YvsUVv4g/S220/sorrindo%2Bvertical-4%2Bmenor.JPGDiz

31/07/2009 - 16:51h É Ágora, é Teatro


31/07/2009 - 14:19h Fretados: Vereador Donato quer sustar portaria de Kassab

Entrevista ao Jornal da TV Câmara sobre PDL visando sustar os efeitos da Portaria que regulamenta a prestação de serviços de fretados no Município de São Paulo – 29/07/2009

31/07/2009 - 13:53h Restrição a fretados ameaça city tour em SP

Empresas de ônibus dizem que estão com dificuldade para obter autorização para circular com turistas pela cidade

Turistas japoneses e crianças em excursão foram barrados na Paulista; SPTuris admitiu o problema, mas disse que isso será resolvido rapidamente

Leticia Moreira/Folha Imagem

Crianças e jovens japoneses do time de futebol Tokyo Verdi, que teve seu ônibus apreendido na terça-feira, na região da Paulista

EVANDRO SPINELLI – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Com a restrição à circulação de ônibus fretados em parte do centro expandido de São Paulo, determinada pela gestão Gilberto Kassab (DEM), até mesmo os city tours da avenida Paulista estão ameaçados.
Embora a portaria que regulamentou o serviço permita ônibus de turismo e transporte para eventos, congressos e centros culturais, na prática a Secretaria dos Transportes não está autorizando a entrada na avenida Paulista e em outras 11 vias importantes da cidade, como Faria Lima e 23 de Maio.
Quem insiste em burlar a regra corre o risco de ser multado e ter o veículo apreendido. A orientação é que os ônibus parem em vias próximas, o que obriga turistas e crianças a caminhar até os pontos turísticos.
Empresas de turismo reclamam que o site da prefeitura onde é feito o pedido de autorização especial não é adequado e que o processo é lento.
Há casos simbólicos. Na terça-feira, às 17h35, um ônibus com cerca de 30 crianças e jovens japoneses de equipes de base do time de futebol Tokyo Verdi foi apreendido em frente ao shopping Pátio Paulista.
Eles tiveram que descer e ficaram andando no shopping enquanto o fiscal fazia a apreensão. No fim, foram “escoltados” pelo fiscal ao hotel -não puderam seguir o passeio- e o ônibus foi recolhido.
A prefeitura disse que o ônibus foi retido “por realizar percurso intermunicipal quando tinha autorização para transporte fretado municipal”. Os atletas vinham de Guarulhos e visitariam pontos históricos do centro. Segundo a pasta, o ônibus não tinha autorização.
Outro exemplo ocorreu anteontem em frente ao Itaú Cultural. Um ônibus foi multado por parar na Paulista para desembarcar cerca de 40 crianças. O fiscal queria que ele parasse em ruas próximas. A secretaria não se manifestou.
Jorge Miguel dos Santos, diretor-executivo do Transfretur (sindicato das empresas de fretamento para turismo), disse que as restrições da prefeitura estão inviabilizando o setor. “Eles [a prefeitura] não avaliaram o impacto. Estão afetando toda uma cadeia produtiva.”
Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris (empresa municipal de turismo), admitiu o problema, mas disse que isso será resolvido rapidamente. “No início sempre tem problema, mas os técnicos vão encontrar uma solução”, afirmou.
Kassab disse que não deve fazer novas concessões como ocorreu na avenida Luiz Carlos Berrini -a prefeitura recuou e liberou os ônibus na avenida após um protesto.
Kassab também defendeu a Secretaria dos Transportes, que admitiu ter divulgado dados errados que inflaram os ganhos da restrição dos fretados, como a Folha divulgou ontem. “Foi um equívoco”, disse.

http://psolpinheiros.files.wordpress.com/2009/04/kassab.jpg

EDITORIAL DO AGORA

Não adianta enganar

É lamentável a notícia de que a Prefeitura de São Paulo maquiou dados referentes ao trânsito da cidade após a confusa aplicação das regras para fretados. No balanço oficial para avaliar os efeitos da medida constava que na manhã da última terça-feira os congestionamentos teriam caído 70% em relação às terças do mesmo mês do ano passado.

Mas, como o Agora publicou, a prefeitura inflou o bom resultado. A queda nos engarrafamentos foi, de fato, de 30%. Outros truques também foram usados para dar a impressão de que a medida foi um sucesso total.

Não foi bem assim. Embora disciplinar a circulação dos fretados seja uma decisão correta, ficou claro que o poder municipal não se planejou para aplicar as regras como deveria.

A série de transtornos não pode ser atribuída só a manifestações orquestradas por donos de fretados. Os protestos também aconteceram porque os passageiros foram surpreendidos por uma situação caótica.

O simples fato de o prefeito Gilberto Kassab (DEM) ter voltado atrás no segundo dia, liberando a circulação de veículos fretados na avenida Luís Carlos Berrini, é uma prova de que faltou planejamento. Nesses casos, o melhor é admitir as falhas. Não adianta, como fez a prefeitura, tentar tapar o sol com a peneira.

31/07/2009 - 13:19h Kassab na mira: MP investiga restrição a fretados

Prefeitura de SP tem 10 dias para prestar informações; associação da Baixada promete abrir outra ação judicial

http://www.maratimba.com/noticias/imagens/img_noticias/cb08122649da7e7d9ff0dc48a3bb9378.jpg

Felipe Grandin e Renato Machado – O Estado SP

A promotora de Justiça do Ministério Público (MP) Cláudia Maria Beré determinou anteontem a abertura de um inquérito civil para apurar ilegalidades na Portaria 58/09 da Secretaria Municipal dos Transportes (SMT), que restringiu a circulação dos ônibus fretados. A Prefeitura de São Paulo tem agora dez dias para prestar informações sobre a medida e encaminhar cópias de estudos técnicos e dados levantados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) antes da implementação da restrição, que entrou em vigor na segunda-feira.

“O objetivo é apurar se a portaria é legal, se foram feitos os devidos estudos e se o governo municipal tem elementos para afirmar que a medida é necessária”, afirma Cláudia Beré, da Promotoria de Habitação e Urbanismo. “Sem dúvida acho que a medida foi implementada de forma muito apressada e não tenho conhecimento de ter havido discussão com interessados, conscientização da população sobre alternativas e experimentação que mostrasse que as alternativas funcionam.”

A promotora afirma que a Zona de Máxima Restrição de Fretamento (ZMRF) prejudicou “milhares de pessoas que se utilizam desse meio de transporte e sobrecarregou o transporte público”. A medida ainda pode estar contrariando o objetivo da Política de Circulação Viária e de Transportes previsto no Plano Diretor Estratégico – Lei nº 13.430/02.

Essa legislação prevê a priorização do transporte coletivo ao individual na ordenação do sistema viário. Segundo a portaria da promotora, a restrição também desrespeita o artigo 84 da mesma lei, que prevê que “a circulação dos ônibus fretados deve ser regulamentada (e não suprimida) e a operação do sistema viário deve priorizar o transporte coletivo, sendo que não diferencia o transporte coletivo público do privado”.

A SMT afirma, por meio de nota, que ainda não tem conhecimento desse inquérito, “porém, como sempre, vai colaborar com o Ministério Público”.

A divulgação dos estudos técnicos era uma das principais reivindicações do setor de fretados para manter negociações com a Prefeitura. O Transfretur, principal sindicato da categoria, protocolou um pedido para ter acesso a essas informações no dia 23 de junho, que foi negado pela SMT. “Nós queríamos saber o que estava se passando e passar sugestões. Como o secretário queria negociar se não apresentava os estudos?”, questiona o diretor do Transfretur, Jorge Miguel.

PROCESSOS

A Associação dos Executivos da Baixada Santista (AEBS) anunciou que vai entrar novamente na Justiça hoje pedindo a anulação da portaria que restringiu a circulação dos fretados. A entidade já havia entrado com um mandado de segurança durante o plantão do judiciário, no domingo, mas a ação foi rejeitada. “Não vamos desistir”, diz o presidente da AEBS, Luiz Antônio Lara.

O Transfretur, por sua vez, afirma que encerrou ontem o prazo para a Prefeitura se manifestar em uma ação judicial proposta pela entidade. A ação foi impetrada na segunda-feira e a partir de então o poder público teria 72 horas para dar seu parecer. A Secretaria dos Transportes afirmou que só foi notificada anteontem e por isso tem como prazo a próxima segunda-feira

31/07/2009 - 11:46h Pré-sal: governo estuda compensação especial a estados e municípios produtores, como Rio e SP

http://edu.guim.blog.uol.com.br/images/lulapresal.jpg

O Globo

BRASÍLIA – Os estados e municípios que tiverem envolvimento direto com a exploração do petróleo do pré-sal poderão receber uma compensação especial. Como mostra reportagem de Gustavo Paul, publicada na edição do GLOBO desta sexta-feira, o tema está em estudo pela comissão interministerial que elabora o novo marco regulatório para as camadas ultraprofundas. A compensação iria beneficiar de cara os estados do Rio, São Paulo e Espírito Santo, além dos municípios costeiros que ficam defronte aos campos.

Os recursos viriam de uma parcela do que a União receberá no regime de partilha da produção, o que não implicaria a redução do que os demais estados da federação teriam direito a levar de um fundo que distribuirá os recursos proporcionalmente para todo o país.

A estratégia, segundo uma fonte com trânsito no Palácio do Planalto, é não denominar esses recursos como royalties, mas como compensação financeira por eventuais danos ambientais causados pela exploração do petróleo. O governo quer evitar que esses recursos se misturem à política de distribuição de royalties e Participação Especial (PE) em vigor para os poços do pós-sal, que segue o regime de concessão e não será alterada. Esse dispositivo estaria incluído no projeto de lei que define o marco regulatório do setor.
Uso do dinheiro seria restrito

Além disso, o dinheiro seria carimbado, ou seja, só poderia ser utilizado para um universo restrito de ações, basicamente nas áreas social e urbana. A medida seria uma forma de vedar o atual uso indiscriminado dos recursos de royalties e participações especiais em gastos correntes, como, por exemplo, calçamento e embelezamento de orlas por prefeituras.

Marco regulatório

Lula quer garantir votação do pré-sal em 90 dias apesar da crise no Senado

Luiza Damé – O Globo

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai usar a urgência constitucional para driblar a crise política do Senado e garantir a votação do marco regulatório do pré-sal no Congresso Nacional em até 90 dias. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, com isso, o governo cumpre a sua disposição de ver as novas regras aprovadas até o fim deste ano. Ele adiantou ainda que governo poderá enviar até três projetos de lei às Casas, tratando separadamente dos assuntos relacionados à exploração de petróleo nas camadas ultraprofundas. Um deles vai prever que a Petrobras pode entrar no pré-sal de três formas diferentes.

- Estamos contando com a aprovação do pré-sal este ano. A Constituição faculta ao presidente da República estabelecer um prazo limite para a votação de matérias determinadas, é o regime de urgência constitucional. São 90 dias. O presidente quase nunca se vale desse instrumento, mas deve usá-lo – disse Lobão.

Aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Lobão procurou desvincular a urgência constitucional – que estabelece prazo de 45 dias para votação do projeto em cada uma das Casas legislativas – do escândalo no Senado. Além dos problemas enfrentados por Sarney, a partir de agosto vai começar a funcionar a CPI da Petrobras no Senado.

A regulamentação do pré-sal poderá ser dividida em dois ou três projetos de lei (PLs), disse Lobão. Um trataria da criação do fundo social no qual será depositada parte – ou até mesmo o total – dos recursos recebidos pela União no sistema de partilha da produção do pré-sal. Ele financiará projetos de educação e combate à pobreza.

O segundo PL instituiria a partilha como regime de exploração do pré-sal e das grandes áreas estratégicas. E um terceiro texto criaria a empresa que vai administrar as reservas do pré-sal em nome da União.

O marco regulatório vai prever três modelos de licitação. Um das opções é a Petrobras ser a operadora dos campos mesmo sem participar da licitação. No segundo, ela participa do leilão e opera os campos em que ganhar. No terceiro, a empresa privada que vencer terá de colocar a Petrobras como sócia minoritária da operação.

31/07/2009 - 11:13h Eximbank dobra crédito à Petrobras


DA BLOOMBERG

O Export-Import Bank (Eximbank) dos EUA deve mais do que duplicar seus empréstimos à Petrobras para ajudar a estatal a desenvolver depósitos de petróleo e gás, disse o diretor do banco, Fred Hochbert. A instituição é o braço de financiamento de comércio do governo dos EUA.
Os futuros empréstimos à empresa, que também obteve um financiamento de US$ 10 bilhões da China, deverão ultrapassar os quase US$ 5 bilhões cedidos à estatal Petróleos Mexicanos, disse Hochbert, em entrevista no Rio de Janeiro. Hochberg afirmou que o empréstimo de US$ 2 bilhões concedido em abril era uma “”quantia inicial” e que não existe nenhum teto para o crédito à Petrobras.
Os investimentos no setor petrolífero brasileiro deverão disparar para mais de US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos.
O empréstimo à Petrobras quase duplica os atuais US$ 2,3 bilhões em empréstimos em aberto concedidos ao Brasil.

31/07/2009 - 09:43h Distribuição da riqueza do petróleo vai mudar

Leo Pinheiro/Valor Foto Destaque
Foto Destaque
Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, ovacionada aos gritos de “presidente”: risco no pré-sal é muito baixo

 

Energia: Além do fundo para combater a pobreza e investir em educação, ministra quer apoio à cadeia produtiva

Cláudia Schüffner e Rafael Rosas, do Rio – VALOR

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reforçou ontem o papel da Petrobras no desenvolvimento do pré-sal brasileiro e deixou claro que virão mudanças na distribuição da riqueza obtida com essas reservas, defendendo ainda o papel maior da estatal no novo modelo. Segundo a ministra, o pré-sal traz a oportunidade de se reconstruir a cadeia de equipamentos e da própria engenharia nacional com a ajuda da Petrobras.

“Acho que o marco pré-sal está cercado por essa decisão além de outra decisão fundamental, que é específica da indústria de petróleo, que é o fato do petróleo, como o ouro no passado, gerar uma renda superior, bastante superior do seu custo e do lucro normal. Ele gera um excedente, um sobrelucro, uma renda. E é essa renda que o governo do presidente Lula acha fundamental recuperar para a população brasileira. Que nós tenhamos condições de revertê-la para o conjunto da população brasileira sob a forma de um fundo especial de combate à pobreza, educação, inovação e ciência e tecnologia”, disse a ministra, que era ouvida por Sergio Cabral, governador do Rio de Janeiro, um grande oponente das mudanças.

Segundo ela, “o que está em jogo no marco regulatório é que parte expressiva da renda petrolífera tem que ficar com o povo brasileiro”. Ela ponderou ainda que mesmo considerando algum insucesso no pré-sal, o risco agora é baixo e o petróleo é de alta qualidade, ao contrário do que acontecia antes, quando, segundo ela, o risco era altíssimo e o petróleo de baixa qualidade.

Dilma participou da cerimônia de assinatura do contrato de financiamento de R$ 25 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Petrobras, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ministros, políticos e sindicalistas.

Ela, que iniciou seu discurso sendo ovacionada por sindicalistas presentes aos gritos de “nossa futura presidente”, disse que a Petrobras foi afastada do desenvolvimento do Brasil na década passada, quando se decidiu pelas importações de plataformas da Coreia e Cingapura, fazendo com que se levasse para o exterior um crescimento que era sustentado pela companhia. Agora, se o Brasil quiser evitar a “maldição holandesa”, traduzida por ela como sendo resultado das exportações de óleo bruto e a importação de equipamentos e serviços, será preciso permitir que a Petrobras exerça todo o seu potencial.

Em uma referência às mudanças no marco regulatório do setor que estão sendo finalizadas em Brasília, Dilma disse o governo começou a “evitar a maldição do petróleo ao recompor a indústria naval brasileira”.

Dilma enfatizou o papel da Petrobras no que chamou de reconstrução da cadeia de equipamentos e da engenharia nacional. O papel da Petrobras no desenvolvimento da cadeia de fornecedores da indústria de petróleo e gás também foi reforçado pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que quer no Brasil “um mínimo” de 70% dos investimentos da Petrobras, que hoje representam 2,3% do PIB brasileiro, para que eles sejam produzidos no Brasil por trabalhadores brasileiros.

O diretor de finanças da Petrobras, Almir Barbassa, revelou que o US Exim Bank acenou com a possibilidade de elevar o limite de crédito concedido à estatal para compra de equipamentos e serviços nos Estados Unidos. Barbassa ressaltou que o atual teto de US$ 2,2 bilhões poderia ser elevado para US$ 5 bilhões.

O executivo acrescentou que com o atual patamar dos preços do petróleo é possível que a Petrobras não utilize outra linha de financiamento com o BNDES, essa no valor de R$ 10 bilhões. Sobre o financiamento de R$ 25 bilhões assinado ontem, o superintendente de infraestrutura do BNDES, Nelson Siffert, explicou que os títulos serão reajustados de acordo com a variação cambial e que a remuneração do banco será de cerca de 1% ao ano.

Barbassa destacou que a amortização do empréstimo do BNDES começará em um período em que a companhia estará com uma produção crescente no pré-sal brasileiro, o que deverá garantir um fluxo de caixa robusto para a companhia, facilitando a quitação do financiamento. “Temos sempre que trabalhar com cuidado o aumento do endividamento, mas amortizar quando houver uma forte geração de receita nos dá tranquilidade”, frisou o diretor.

31/07/2009 - 09:29h Parceiras da Petrobrás serão submetidas às novas regras

Interessadas em explorar o pré-sal com a estatal seguirão regulamentação, diz Dilma Rousseff

http://www.portaldosudeste.com/imagens/dilma%20rousseff.bmp

Alberto Komatsu, Alexandre Rodrigues e Kelly Lima, RIO

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deixou clara ontem a determinação do governo de submeter a uma nova regulamentação as empresas interessadas em participar, com a Petrobrás, da exploração das reservas de petróleo no pré-sal. A ministra indicou que o governo pretende fortalecer a estatal para aumentar ainda mais seu impacto na economia.

Na cerimônia de assinatura do contrato de financiamento de R$ 25 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Petrobrás, a ministra disse que a definição do marco regulatório deve ser a continuidade da decisão do governo Lula de fortalecer a indústria nacional. Segundo Dilma, o governo está decidido a usar a riqueza das reservas para financiar políticas de educação, inovação tecnológica e combate à pobreza.

“Temos consciência de que esse é um momento decisivo em que o que sai do jogo da questão do marco regulatório é justamente este conceito: a parte expressiva da renda petrolífera tem de ficar com o povo brasileiro. Isso não significa que outros não poderão participar, mas não vai ser da forma tranquila com que se participava antes, quando o risco era altíssimo e a rentabilidade de baixa qualidade”, avisou Dilma, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que surpreendeu ao não discursar no fim da cerimônia. “A Petrobrás chegou ao pré-sal porque investiu para chegar e ousou investir para chegar.”

Para a ministra, mesmo se as taxas de sucesso dos poços no pré-sal baixarem a 30%, como preveem especialistas, as reservas já terão alta rentabilidade. Por isso mesmo, disse que a maior parte dos rendimentos deve ficar com o Estado para “encurtar o caminho” do desenvolvimento do País.

“Tenho certeza de que estaremos dando mais um passo na direção do fortalecimento da Petrobrás, da indústria de fornecedores, mas, sobretudo, da soberania do nosso País”, acrescentou Dilma, ressaltando a ideia de um fundo social financiado pelos lucros do pré-sal.

A ministra disse que o País vive um momento histórico e que a capacidade de investimento da Petrobrás em meio à crise econômica mostra que as decisões do governo foram acertadas. Ela disse que a estatal deve ser o instrumento para aumentar o impacto da exploração do pré-sal na cadeia nacional de equipamentos, evitando a chamada “maldição do petróleo”: apenas exportar óleo bruto e importar serviços. “O pré-sal é também uma afirmação da necessidade da Petrobrás ajudar a reconstruir uma cadeia de produção de equipamentos”, afirmou Dilma.

“Nós estamos elaborando um novo marco regulatório para o pré-sal que não visa a prejudicar ninguém, vai beneficiar o Brasil”, acrescentou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também no evento.

O ministro contou que se reunirá hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para traçar, junto com o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, um panorama de tudo o que vem sendo feito no pré-sal brasileiro.

Em sua apresentação, durante a cerimônia de assinatura do contrato de financiamento, Lobão negou frustração ou decepção com insucessos do pré-sal. “O pré-sal é uma realidade, e esperamos que possa ir muito além.” Segundo ele, “não é só a redenção em produção do petróleo por muitos anos, mas a elevação do prestígio da Petrobrás”.

Lobão lembrou do tempo em que o Brasil precisava correr atrás de empréstimos. “Hoje, com a Petrobrás, os bancos é que querem financiar a empresa”, acrescentou.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que assinou o contrato de financiamento com Gabrielli, disse que os investimentos de US$ 174,4 bilhões programados pela Petrobrás nos próximos cinco anos vão representar 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. A ministra Dilma acrescentou que, se for computada toda a cadeia de fornecedores da estatal, essa relação saltará para 10% do PIB.

De acordo com Coutinho, no início dessa década os investimentos da estatal correspondiam a 1% do PIB brasileiro. Segundo ele, no ano passado essa relação mais que dobrou, passando para 2,3%. Coutinho também comemorou o fato de os desembolsos do BNDES já representarem 17% das novas concessões de crédito no País, conforme dados do Banco Central. Nos últimos dois meses, acrescentou, 35% de todos os créditos novos foram aportados pelo BNDES.

31/07/2009 - 09:16h Petrobrás quer ter 30% de participação nos consórcios

Fatia a ser paga à estatal pela perfuração ainda está em discussão; proposta será enviada ao Congresso

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/08/plataforma-petrol.jpg

Lu Aiko Otta e Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

A proposta de novo marco regulatório do petróleo que o governo pretende enviar ao Congresso nas próximas semanas vai prever que a Petrobrás receberá até 30% do valor do óleo extraído como pagamento pelos serviços de perfuração nas áreas do pré-sal exploradas em regime de partilha. A maior estatal do País será operadora única nas novas reservas, conforme já informou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Isso significa que ela será responsável, sozinha ou em conjunto, por todos os poços na região.

O porcentual de pagamento à Petrobrás ainda está em discussão. Os 30% foram propostos pela própria empresa mas há, no governo e no Legislativo, quem avalie que a fatia deveria ser menor. Como a proposta ainda será submetida ao Congresso Nacional, o mais provável é que seja proposto um preço com alguma “gordura”, para ser negociado.

A Petrobrás também quis cobrar tão caro para perfurar poços nas áreas mais produtivas que a União sequer convidará empresas a participar da exploração. Nelas, o governo contratará a estatal apenas para prestar serviços de perfuração. A proposta inicial apresentada pela empresa era de 60%, mas Dilma descartou esse porcentual. O novo preço ainda está em discussão.

Um ponto polêmico desde o início das discussões do novo marco regulatório é a capitalização da Petrobrás. Discutiu-se a possibilidade de a estatal receber uma injeção de recursos do Tesouro Nacional, não na forma de dinheiro, mas em óleo que iria para a União. Outra hipótese seria a empresa receber áreas do pré-sal como forma de fortalecer seu caixa.

Ambas as opções são consideradas complicadas por parte da equipe de governo, pois não se sabe ao certo quanto petróleo há na região. Nas últimas semanas, ganhou força a hipótese de a Petrobrás ganhar fôlego para a exploração do pré-sal com recursos de mercado, principalmente por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O BNDES fechou ontem operação de empréstimo de R$ 25 bilhões à estatal. Segundo a Petrobrás, os recursos serão usados em seu plano de negócios de 2009 a 2013. Em maio, a estatal já havia obtido um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China (BDC).

A avaliação é que a “secura” do crédito por causa da crise internacional já diminuiu. Com isso, as outras hipóteses de capitalização deixaram de ser debatidas, embora ainda não estejam totalmente descartadas.

O marco regulatório do petróleo vai prever a convivência de três regimes de exploração. No de concessão, já existente hoje, as empresas disputam em leilão o direito de explorar uma determinada área e o petróleo extraído pertence a elas. O segundo modelo a ser criado é o de partilha. Nele, as companhias também disputam áreas em leilão, mas o petróleo extraído é da União. As empresas ficam com uma parte. Nesse regime, a Petrobrás será operadora única e a nova estatal do petróleo, ainda sem nome, participará de todos os consórcios, de forma minoritária.

O terceiro é o de contratação direta, no qual a União será a única exploradora, tendo a Petrobrás como operadora. Esses dois últimos regimes valerão para o pré-sal e para outras áreas estratégicas.

31/07/2009 - 08:56h Fundo do pré-sal ira prioritariamente à educação e desenvolvimento social

http://www.cimm.com.br/portal/conteudo/noticias/imagem/Image/petroleo-estadao.jpg

Fundo do pré-sal, administrado por supercomitê, fica fora do orçamento

Grupo vai decidir como os recursos serão usados, dando prioridade à educação e ao desenvolvimento social

 

 

Lu Aiko Otta e Vera Rosa, BRASÍLIA – O Estado SP

Um “supercomitê” vai administrar os recursos que o petróleo da camada pré-sal gerar para a União. O grupo será responsável pela gestão do fundo social do pré-sal, decidindo também como o dinheiro será usado. Está definido que os recursos não irão para o Fundo Soberano, como queria a Fazenda: a prioridade são os investimentos nas áreas de educação e desenvolvimento social.

O comitê gestor do fundo firmará convênios com prefeituras e governos estaduais, por meio dos quais as verbas serão repassadas. Os ministérios responsáveis pelas áreas sociais vão participar das decisões do comitê, mas o dinheiro não transitará pelo orçamento das pastas.

Esse é o desenho que deve constar da primeira versão do novo marco regulatório do petróleo, a ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima segunda-feira. Serão, ao todo, três projetos de lei: um tratando do fundo social, outro sobre a nova estatal que vai administrar os contratos do pré-sal e um terceiro regulamentando a exploração do óleo pelo sistema de partilha. As propostas seguirão para o Congresso em agosto e tramitarão em regime de urgência.

Nos debates internos para a conformação do fundo social, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi voto vencido. Ele queria que os recursos do pré-sal fossem para o Fundo Soberano, com o objetivo de reforçar as contas públicas e melhorar ainda mais a avaliação do Brasil no mercado internacional. A ideia, porém, foi descartada por Lula. O presidente vai usar o mote “o petróleo é nosso” na campanha eleitoral de 2010 e anunciar que investirá a verba em projetos sociais.

PARCELA INVESTIDA

O dinheiro do fundo social não será gasto integralmente conforme for arrecadado. Na Noruega, que serve de modelo para o Brasil, os recursos da exploração do petróleo ficam depositados num fundo e são aplicados no exterior. Somente os rendimentos são gastos.

É possível que o governo brasileiro siga o mesmo caminho, mas essa ainda é uma questão em aberto. Uma hipótese é o presidente utilizar uma pequena parte assim que os recursos forem gerados e aplicar a maior fatia no exterior.

Outro ponto que ainda não está definido e promete muita polêmica é o pagamento de royalties. Hoje, Estados e municípios onde há exploração de petróleo recebem uma participação sobre a riqueza gerada. Ainda não há definição sobre como isso será feito com o petróleo do pré-sal.

O governo acredita que esse tema provocará uma batalha no Congresso Nacional, com Estados hoje beneficiados de um lado – tendo o Rio de Janeiro encabeçando a lista – e os que se julgam prejudicados de outro. A tendência é que os projetos de lei não tratem desse tema agora, pois há risco de a questão do royalty monopolizar os debates e inviabilizar a discussão das outras propostas. Além disso, já existem projetos de alteração do regime de royalties tramitando no Congresso.

Na prática, Lula não quer mexer nesse vespeiro num ano pré-eleitoral, quando precisa de alianças e não quer se indispor com governadores e prefeitos. Se o governo não propuser mudanças nesse ponto, o regime de royalties permanecerá como está. Já está claro para o Planalto que o petróleo do pré-sal terá de gerar royalties a serem distribuídos, pois a participação dos Estados e municípios está prevista na Constituição.

OUTORGA

Os textos que serão levados a Lula não terão, também, uma definição quanto à cobrança ou não de bônus de outorga na autorização dada a empresas privadas para explorar as reservas. A outorga é uma espécie de “pedágio” que as companhias têm de pagar antecipadamente, antes de iniciar suas atividades.

A cobrança vem sendo defendida nos bastidores pelo Ministério da Fazenda. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é contra. Ela acha que o pagamento de outorga pode afastar potenciais concorrentes e encarecer o petróleo. Havendo ou não outorga, vencerá a disputa a empresa que oferecer maior participação à União.

30/07/2009 - 22:00h Boa noite

Henryk Szeryng – Concerto para Violino em D Maior, Op 77 de Brahms : I. Allegro non troppo (primeiro movimento)
segundo movimento

terceiro movimento

30/07/2009 - 20:42h Rosângela Rennó concede entrevista para o blog do Paraty em Foco

Blog Imagens & Visions

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© Foto de Fernando Rabelo. Rosângela Rennó em seu ateliê no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, 2009.

Fernando Rabelo (editor do Images&Visions) entrevistou Rosângela Rennó em seu ateliê no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro. A entrevista foi concedida para o blog do Paraty em Foco, que é feito por alguns blogueiros convidados para produzir conteúdo editorial para o 5º Festival Internacional de Fotografia. A artista visual fala de arquivo, blog, digital e sobre a sua expectativa em participar do 5º Paraty em Foco. Rosângela Rennó é artista visual e doutora em Artes pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Mineira, radicada no Rio de Janeiro, é hoje referência obrigatória quando o assunto é a imagem fotográfica e seus desdobramentos. Ao ser indagada sobre o grande crescimento dos blogs fotográficos e sobre troca virtual na rede, Rosângela declarou: “Na minha opinião, o futuro do arquivamento poderá ser a própria circulação do arquivo. Um dia todas as imagens vão ficar circulando e todo mundo vai guardar tudo. 50 mil pessoas vão acessar e poder deter as imagens porque elas vão estar circulando. Os blogs são hoje o lugar onde se concentram informação e imagem. Talvez esteja aí a origem do novo modelo de arquivo”. Sobre suas expectativas de participar do Festival em Paraty, Rosângela afirmou: “Estou super empolgada com esse encontro em Paraty, pois estou muito impressionada com uma certa mudança do “foco” das discussões sobre as imagens técnicas, principalmente da fotografia. Não se discute mais, tanto, as questões técnicas, do meio fotográfico. Hoje a discussão está muito mais voltada para o conceito e isso me interessa pois estou curiosa pra ver onde tudo isso vai dar”. Participou da entrevista, Teresa Bastos, pesquisadora, jornalista e professora de fotografia da ECO-UFRJ.

Leia a entrevista completa no blog do Paraty em Foco Aqui

30/07/2009 - 19:40h Erlkönig

Anne Sofie von Otter – Erlkönig de Schubert
Regente: Claudio Abbado e a Orquestra de Câmara de Europa

30/07/2009 - 18:56h Até quando terás, minha alma, esta doçura

Cecília Meireles

Até quando terás, minha alma, esta doçura,
este dom de sofrer, este poder de amar,
a força de estar sempre – insegura – segura
como a flecha que segue a trajetória obscura,
fiel ao seu movimento, exata em seu lugar…?

Melhores Poemas, Global Editora, 1984 – S.Paulo, Brasil

30/07/2009 - 15:08h CONTARDO CALLIGARIS Em defesa de Berlusconi

CONTARDO CALLIGARIS



Berlusconi faz festinhas com prostitutas, e eu com isso? A capacidade de governar é afetada?

NÃO TENHO simpatia alguma pelo premiê italiano, Silvio Berlusconi.
Para começar, não acho legítimo governar e, ao mesmo tempo, ser um megaempresário em exercício. A decência pede que os políticos, durante seu serviço público, se afastem da gestão de seu patrimônio e, ainda mais, da de suas empresas.
Além disso, Berlusconi é o triste símbolo do fim de uma época em que, na Itália, o fascismo era um divisor de águas. Dos comunistas até aos liberais (passando por socialistas, social-democratas, republicanos, radicais e cristãos-democratas), apesar das diferenças, havia um propósito comum: o passado totalitário não voltaria, nunca.
Berlusconi trouxe para o poder os próprios neofascistas e outros afins, que oferecem planos radicais, sedutores e esdrúxulos para as dificuldades da nação.
Nessa empreitada, a maior aliada de Berlusconi foi a mediocridade da esquerda e do centro, cada vez menos capazes de apresentar um projeto para o país.
Nas eleições de 2008, meus sobrinhos me confessaram que votariam em Berlusconi porque, ao menos, eles entendiam o que ele se propunha a fazer, enquanto não entendiam nada do que dizia Walter Veltroni, que liderava a centro-esquerda. Se meus sobrinhos, rebentos de uma tradição antifascista, preferiam Berlusconi, a batalha estava mesmo perdida.
A Itália continua sendo uma democracia. Do fascismo, Berlusconi ressuscitou (apenas?) a vulgaridade populista, que consiste em fazer apelo ao que há de pior no eleitor, tornando-o cúmplice das soluções mais fáceis, violentas, racistas e machistas.
Com isso, nunca pensei que escreveria um dia em defesa de Berlusconi. Mas, nestes últimos dias, os opositores do premiê adotaram a mesma vulgaridade que o caracteriza.
O semanal “L’Espresso” e o cotidiano “La Repubblica” (fundados por Eugenio Scalfari, um papa do jornalismo italiano) vêm soltando trechos de gravações de telefonemas entre o premiê italiano e Patrizia D’Addario, uma prostituta de 42 anos que, aparentemente, teve encontros sexuais com Berlusconi, comentou elogiosamente sua performance na cama, gravou as conversas e as tornou públicas para se vingar porque Berlusconi não teria cumprido sei lá qual promessa.
Antes disso, o cotidiano espanhol “El País” (outra referência da imprensa europeia) divulgou uma série de fotografias de Berlusconi, em sua vila na Sardenha, com topless feminino e nudez masculina. Tudo isso começou com a publicação em destaque de denúncias ressentidas da esposa do premiê.
A vida sexual de Berlusconi não me indigna. Como não sou fascista, tampouco espero que o líder encarne grotescamente a “virilidade” de todos nós (embora, como notou João Pereira Coutinho, muitos eleitores possam se regozijar com isso). Mas me sinto insultado pela própria suposição de que essas “notícias” me interessem. Berlusconi organiza festinha com prostitutas, E EU COM ISSO? Avisem-me se a coisa afetar sua capacidade de governar.
A invasão da privacidade de um governante se justifica quando ela demonstra sua hipocrisia pública. Se Ahmadinejad, em sua iminente visita ao Brasil, for flagrado dançando numa boate gay, isso me interessaria porque ele é líder de um país que pune a homossexualidade com a morte.
Quando se descobriu que Eliot Spitzer, governador do Estado de Nova York, era cliente de uma rede de prostituição, o escândalo foi relevante porque Spitzer, quando era promotor, tinha sido um ferrenho perseguidor das prostitutas e de seus clientes. Mas Berlusconi nunca pretendeu ser “um santo”.
A ausência de relevância política das fotos e das conversas transforma os melhores órgãos da imprensa europeia em tabloides sensacionalistas e confirma que o problema da Itália de hoje não é Berlusconi, mas a decadência da oposição.
É quase uma regra: quem cata argumentos de moral privada na roupa suja de seu adversário político 1) Quer esconder e censurar seus próprios trapos (tão sujos quanto os do opositor criticado) ou, então, 2) Ele não tem nada para dizer que interesse aos eleitores e apela para uma cumplicidade de botequim (”Cara, viu a de Berlusconi com a puta?”).
Parabenizo o PT, que, em seu “Código de Ética”, aprovado nestes dias, decreta que é terminantemente vedada (artigo 6, 1) “a exploração de aspectos da vida íntima de adversários em disputas políticas ou eleitorais, internas ou externas, de qualquer natureza” (íntegra em www.pt.org.br).

ccalligari@uol.com.br

30/07/2009 - 13:57h Novos caminhos para os cartões de crédito

http://2.bp.blogspot.com/_NnZp-xhsuks/R9Ml3e7DU1I/AAAAAAAAA40/NSML8cJcGAk/s400/cartaocreditose0.jpg

Antônio Palocci – O Estado SP

Nos últimos meses temos acompanhado um importante debate sobre cartões de crédito. Agências do governo, Congresso Nacional, representações do comércio e instituições privadas da área têm apresentado variadas propostas para o futuro do setor. Em geral, há uma preocupação crescente, pelo lado das agências e do Legislativo, no sentido de criar um novo arcabouço de regulação setorial. Por seu lado, a indústria de cartões expõe argumentos contrários ao aumento da regulação, alegando que traria constrangimentos e um impacto negativo para a expansão desse mercado e dos benefícios que vem trazendo para a sociedade.

Estamos diante de um debate sobre regulação em que as partes apresentam argumentos concretos e há o risco de uma regulação inadequada resultar em grandes perdas econômicas. Por outro lado, regulação alguma pode contribuir para um desenvolvimento pouco concorrencial no setor, com prejuízos para os usuários.

Os benefícios da indústria de cartões de crédito e débito são inegáveis. Basta citar o aumento da formalização dos procedimentos, o aumento da segurança das operações e a redução do custo das transações, pelo uso intensivo da tecnologia da informação. Não são ganhos desprezíveis, se considerarmos que, hoje, há 1,4 milhão de estabelecimentos comerciais usuários de cartão no Brasil.

Esses benefícios não atingem apenas grandes cadeias comerciais. Sabemos, por exemplo, que os assaltos a lojistas de pequeno porte são frequentes e que os custos para eles dos cheques devolvidos não são nada desprezíveis. Por essas e outras razões, esse mercado movimentou R$ 375 bilhões em 2008 e tem crescido a uma média anual de 20%, ao mesmo tempo que o uso de cheques caiu 47% nos últimos anos.

No campo da formalização, se um grande número de estabelecimentos e de consumidores adere ao uso de cartões, há um claro incentivo à formalização das pequenas atividades comerciais, que têm tendência natural à informalidade. Com isso ganham as finanças públicas, a Previdência Social e o trabalhador, com o aumento da formalização do trabalho.

A redução de custos de transação também é importante, na medida em que a circulação da moeda e dos cheques supõe custos muito mais elevados do que as operações eletrônicas.

Mas por que, então, alterar a regulação do setor? O fato é que há uma enorme reclamação do setor comercial quanto à distribuição desigual dos ganhos da atividade, em desfavor do comerciante.

As críticas concentram-se em dois pontos principais: o não-compartilhamento dos terminais (POSs), exigindo que o comerciante pague aluguel de máquinas de diferentes bandeiras, e as altas taxas cobradas pelas operações de compra. Uma rápida avaliação dos números dá algum amparo às queixas dos comerciantes. Em particular, quando se trata de cartão de débito, que substitui o cheque e geralmente não envolve risco de crédito do consumidor. Assim, algo precisa e deve ser feito. Mas os problemas começam quando se discutem as melhores maneiras de enfrentar a questão.

O debate sobre o tema no Congresso abrange um conjunto amplo de proposições, que vão do compartilhamento obrigatório dos terminais ao fim da verticalização das empresas de credenciamento, passando pela permissão do desconto no pagamento à vista, inclusão das empresas de credenciamento e das bandeiras no estatuto de instituições financeiras, limitação das taxas cobradas dos comerciantes e outras tantas ideias.

O risco maior é, ao agir de boa-fé no aumento da regulação, estarmos, de fato, cortando as pernas de uma indústria em pleno crescimento e com efeitos amplamente positivos sobre a economia. Por exemplo, se a lei obrigar o compartilhamento dos terminais imediatamente, o mercado de cartões vai simplesmente parar, até conseguir se adaptar à legislação. Entretanto, a medida é necessária e deve ser tomada. No caso, basta prever um prazo para a adaptação, que, quando efetivada, proporcionará uma redução de custos para os lojistas.

Mas medidas direcionadas à redução das taxas parecem mais complexas. Se as taxas são percebidas como altas, talvez o que falte nesse mercado não seja limitá-las diretamente, mas permitir que a boa e velha concorrência o faça. Medidas de defesa de maior concorrência no setor, inclusive com a entrada de novos atores, serão bem mais eficazes do que o tabelamento de taxas, o questionamento da verticalização das empresas ou seu enquadramento como instituições financeiras.

Atualmente, os contratos das credenciadoras com suas respectivas bandeiras preveem exclusividade no uso da bandeira. Além disso, algumas bandeiras se limitam a apenas um credenciador no mesmo mercado.

Uma regra que proíba essa dupla exclusividade parece ser um caminho simples, direto e certeiro em relação a muitos dos problemas apontados. Com ela, um número maior de credenciadores, oferecendo diferentes bandeiras, com máquinas compartilhadas e sistemas interligados, poderá levar à queda nas taxas cobradas atualmente. Já uma regulação excessiva poderá significar apenas aumento de custos de operação, com diminuição dos serviços e mesmo uma elevação dos custos ao usuário.

Agindo com base na vasta experiência e competência do País em automação bancária e no que há de melhor nos ensinamentos econômicos, podemos chegar a uma regulação equilibrada. E parece que, ao longo do tempo, nada apareceu no sistema econômico que substitua a velha e boa concorrência para a defesa efetiva do consumidor e do próprio lojista – que, no caso, também é consumidor do produto.

Antônio Palocci, deputado federal (PT-SP), foi ministro da Fazenda

30/07/2009 - 13:06h Nova estatal será sócia de todo pré-sal

http://www.fne.org.br/fne/var/eznewsletter_site/storage/images/noticias/extracao_no_pre_sal_comeca_com_festa/31376-1-por-BR/extracao_no_pre_sal_comeca_com_festa.jpg

Vera Rosa e Leonardo Goy – O Estado SP

O governo vai impor a nova estatal que administrará os contratos da camada de pré-sal como sócia do grupo de empresas selecionadas para explorar as reservas de petróleo. Inspirado no sistema norueguês, o modelo tem o objetivo de controlar o custo de extração do pré-sal. Na prática, além de ter a Petrobrás como operadora única, com direito de ser contratada diretamente nos campos mais produtivos, o governo quer uma espécie de “olheiro” para fiscalizar os negócios, controlar gastos e não ser enganado.

O plano é pôr a nova empresa pública nos consórcios para evitar desvios da produção e superfaturamentos. A justificativa do Planalto para apertar o cerco é que, se a companhia contratada para explorar os reservatórios achar petróleo, o custo será abatido na partilha da produção. O objeto dessa partilha é o excedente de óleo e as petroleiras serão remuneradas por um porcentual fixo.

Chamada informalmente no governo de Petrosal ou mesmo de Loboil – numa referência bem-humorada ao ministro das Minas e Energia, Edison Lobão -, a estatal não só participará das decisões como integrante dos consórcios como terá parcela nos lucros, ainda que pequena, na faixa de 1%.

CAPITALIZAÇÃO

Para fazer frente aos investimentos, a Petrobrás também será capitalizada, mas a comissão interministerial encarregada de propor o marco regulatório do pré-sal ainda estuda o melhor modelo. A Petrobrás quer aumentar o capital por meio da apropriação dos campos vizinhos da camada pré-sal, que são reservatórios não licitados.

Se essa fórmula for adotada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá capitalizar a companhia por meio de decreto, além dos outros três projetos de lei que enviará ao Congresso, em agosto, definindo as regras de exploração do pré-sal.

Pré-candidata do PT à Presidência, em 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ao Estado, na semana passada, que a Petrobrás poderá deter blocos inteiros do pré-sal. As sócias da estatal que administrará os contratos serão escolhidas por leilão. Haverá um artigo específico, num dos projetos de lei, para deixar claro que a União não vai arcar com eventuais prejuízos do setor privado na exploração das reservas.

Alvo de grande interesse político num ano que antecede as eleições, o pré-sal será usado como trunfo do governo contra a oposição nas discussões da CPI da Petrobrás. O discurso do Planalto para carimbar os adversários como impatrióticos baterá na tecla de que a gestão Fernando Henrique (1995-2002) vendeu ações da Petrobrás e fez de tudo para privatizar a estatal, enquanto o governo Lula resgata o papel do Estado. Na avaliação de Lula, trata-se de um mote forte contra os tucanos na temporada eleitoral.

http://www.soberania.org/Images/brasil_tupi_pre-sal_1.jpg

Petroleiras veem limitações

Dificuldades impedem reserva de mercado no pré-sal

Kelly Lima – O Estado SP

A dificuldade operacional na contratação de serviços e equipamentos é o principal obstáculo à Petrobrás para tornar-se a única operadora do pré-sal, na opinião de dois executivos de petroleiras estrangeiras que atuam no Brasil. “É difícil para qualquer empresa assumir uma postura deste porte”, comentou o presidente da norueguesa StatoilHydro no Brasil, Jorge Camargo, que já atuou na área de Exploração e Produção da Petrobrás. Já a diretora de Novos Negócios da americana Chevron, Patrícia Pradal, teme essa “reserva de mercado para a Petrobrás”. Em sua opinião, seria um contraponto ao processo transparente que todos esperam que predomine na definição do novo marco regulatório.

Para ambos, a demora do governo para o novo marco não atrapalha os planos de investidores para o Brasil. “O governo sabe o momento ideal para realizar o processo”, disse Patrícia. Ela lamentou, no entanto, a demora, que impede a realização de novos leilões. “Infelizmente isso vai adiando novos investimentos, novas decisões para investir no Brasil.” Mas destaca, no entanto, que no caso da Chevron isso não se aplica, porque a empresa tem investimentos no Campo de Frade, que acaba de iniciar a produção.

Já Camargo destacou que a companhia atua em vários países sob as mais diferentes condições e contratos e está interessada em explorar o pré-sal no País, seja em áreas já adquiridas na Bacia de Campos e na Bacia do Jequitinhonha, ou negociando participação em áreas de outras empresas.

Com algo entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões para investir no Brasil nos próximos anos, a Statoil enxerga o País como principal ativo estratégico fora da Noruega hoje. Camargo também considera “absolutamente normal” o fato de o risco no pré-sal ter se mostrado maior do que se esperava. “Quem é do setor sabe que a área de petróleo envolve riscos e não existe em hipótese alguma o risco zero.”

Para ele, o porcentual de 30% de sucesso para a área do pré-sal no futuro, esperado pelos geólogos com base no indicador obtido na Bacia de Campos, é excelente. Já a diretora de Novos Negócios da americana Chevron, Patrícia Pradal, disse que falar em risco zero é “estratégia de venda”. “Qualquer um que atue na área sabe que isso não existe.”

http://www.terra.com.br/istoegente/166/fotos/david_01.jpgPerigo à vista para o futuro do pré-sal

 

David Zylbersztajn* – O Estado SP

 


Dia vai, dia vem, e o tema do pré-sal volta ao noticiário com novidades, especulações sobre alguma coisa que se manifesta como uma espécie de sebastianismo salvador, dada a enorme expectativa criada em torno da descoberta de expressivas reservas de petróleo.

A subjetividade do termo “expressivas” é adequada ao conceito econômico de reservas. Ou seja, o petróleo só é viável se o custo de extração, processamento e transporte para o mercado consumidor for menor do que esse mercado está disposto a pagar.

Em outros termos, enquanto não soubermos quanto vai custar esse novo petróleo, será impossível conhecer a dimensão exata da riqueza que poderá proporcionar ao País.

Três desafios se impõem nessa etapa: 1) tecnológico, por causa das características geológicas e da profundidade na qual se encontra o óleo, que, seguramente, será superado pela reconhecida competência técnica da Petrobrás; 2) logístico, por causa das enormes distancias das descobertas em relação à costa; 3) financeiro, pois, se confirmados os volumes de reservas, as necessidades de capitais será de um volume monumental, podendo alcançar a US$ 1 trilhão para que seja disponibilizado o produto.

Diante dessas incertezas, a única certeza é que, para essas descobertas feitas pela Petrobrás e diversas outras empresas, foi decisivo o papel da Lei 9478/97, conhecida como Lei do Petróleo, que flexibilizou o monopólio da União, permitindo a entrada de novos agentes no processo de exploração do petróleo nacional. Gostem ou não alguns, a lei é um sucesso. E, como a lei é um sucesso, querem mudar a lei.

E aí começa o festival de absurdos: sem saber exatamente quanto do petróleo será efetivamente convertido em reservas (o que só ocorrerá daqui a alguns anos), o governo sinaliza a alteração do modelo de concessões.

No modelo atual, o Estado, por meio da Agência Nacional do Petróleo (ANP), controla o processo produtivo, cobrando as taxas e impostos decorrentes da produção, que vão diretamente para os cofres do Tesouro Nacional para serem distribuídos, segundo normas legais, para Estados, municípios e órgãos da União.

O processo é transparente e vantajoso para a sociedade, que vê os recursos do petróleo imediatamente transformados em meios que podem, a critério do governo, ser utilizados para segmentos sociais (saúde, educação, etc.) ou infraestrutura. Esses valores representam, atualmente, cerca de 65% do valor do petróleo extraído, podendo ser majorado, no que tange às participações especiais, apenas com a alteração de um decreto presidencial.

E aí dizem (sem que ninguém pare para pensar por quê) que o “modelo de partilha” é melhor, pois o governo poderá “controlar melhor” a produção. Atualmente, todo o processo produtivo é controlado pela ANP.

Nenhuma empresa pode determinar, segundo sua vontade, como e quanto petróleo pode chupar do subsolo, como se sorvesse um milk-shake na lanchonete da esquina.

É também importante ressaltar que no modelo de partilha o governo fica sócio do petróleo extraído! E aí que entra a tal “empresa estatal enxuta” (uma contradição na origem) que se pretende criar para “gerir” esses recursos. Perigo à vista! Já imaginaram quem vai indicar os diretores dessa empresa? Já pararam para pensar no que significa uma empresa estatal vendendo petróleo, fazendo negócios com países como China, Rússia ou Venezuela?

Não por acaso (basta ver a lista), os países que adotam o modelo de partilha são aqueles dominados por regimes autocráticos, onde o governo se confunde com os interesses petrolíferos para a execução de transações pouco transparentes.

Não falo deste governo. Falo de um modelo que, se adotado, será um enorme retrocesso em um setor que se notabilizou pelas regras estáveis e uma reputação de lisura em suas licitações e execução de seus contratos.

Ainda nesse aspecto da mudança da legislação, todos sabemos como entra um projeto no Congresso, mas nada sabemos sobre como ele sairá. Qualquer proposta de alteração da legislação atual encontrará um Congresso conturbado e às vésperas de uma eleição presidencial. Todos desejarão seu quinhão. Mais perigo à vista…

Por fim, nenhuma política pública está sendo formulada para que os recursos financeiros desse petróleo finito e altamente poluente sejam parcialmente utilizados para a inserção do Brasil nas modernas economias voltadas à produção de energia renovável e menos poluente. Transformar o finito sujo em perene e limpo.

O mundo está freneticamente em busca dessas energias modernas e se afastando cada vez mais do petróleo.

Não podemos correr o risco de, sendo o país mais avançado em uso de energias renováveis, ficarmos para trás nessa transição energética pela qual passam as economias deste sofrido planeta. Nunca é demais lembrar que a Idade da Pedra não terminou porque as pedras deixaram de existir.

* David Zylbersztajn é ex-presidente da ANP, professor da PUC e dono da DZ Negócios com Energia.

30/07/2009 - 12:25h Governo vai pedir regime de urgência para o pré-sal

Petróleo: Ministros ainda discutem total de projetos que irão ao Congresso

Ruy Baron / Valor Foto Destaque
Foto Destaque
Edison Lobão, de Minas e Energia: participação mínima pode ser de 1%

 

Paulo de Tarso Lyra e Daniel Rittner, de Brasília – VALOR

O governo cogita enviar ao Congresso Nacional dois ou três projetos de lei, em regime de urgência constitucional, para definir as regras de exploração e produção de petróleo na camada pré-sal. A urgência, pela qual a votação da matéria deve ocorrer em 90 dias (45 na Câmara e 45 no Senado) para não trancar a pauta do Legislativo, é uma forma de evitar que a disputa política em torno da CPI da Petrobras atrase a entrada em vigor do novo marco regulatório. Já a definição sobre o número de projetos, além de obedecer a critérios jurídicos, poderá acelerar a tramitação de uma parte das regras do pré-sal e fazer com que resistências pontuais não impeçam a aprovação de medidas mais consensuais.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, conduziu ontem à tarde mais uma reunião sobre o marco regulatório. Lobão informou que outras duas reuniões ministeriais, pelo menos, deverão ser feitas para fechar as propostas.

Um dos projetos de lei tratará especificamente do fundo social a ser criado com as futuras receitas dos blocos que ainda não foram licitados. A dúvida do governo é mandar, em um projeto único ou em propostas separadas, a instituição do sistema de partilha e a criação da nova estatal que cuidará de administrar as reservas de petróleo no pré-sal e em “áreas estratégicas”. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, se disse favorável a juntar as duas iniciativas em um único projeto de lei, mas admitiu que não há consenso no governo.

Lobão minimizou a notícia, publicada pelo Valor na edição de terça-feira, que informava que, segundo o Bando de Dados de Perfuração e Produção da Agência Nacional de Petróleo (ANP) nove de 28 poços perfurados no pré-sal estavam secos ou não têm viabilidade comercial. “Isso absolutamente não é verdade”, afirmou o ministro. De acordo com ele, foram perfurados 11 poços e apenas um estava seco – dados que são diferentes daqueles informados pela estatal. “Assim mesmo porque os técnicos da Petrobras furaram no local errado”, disse. O ministro também não fez nenhum comentário sobre o potencial comercial dos poços perfurados pela estatal.

Na terça, a ANP se empenhou em assegurar ao Ministério de Minas e Energia que não há nenhum revés nas perspectivas do pré-sal e teria negado as informações publicadas no Valor, mas prometeu a Lobão e ao restante do governo “estudos aprofundados” sobre o assunto.

Técnicos do ministério citaram dados encaminhados pela ANP dando conta de que, de 34 poços perfurados, três despertaram dúvidas quanto à viabilidade comercial. Novamente, a informação que a agência passou ao governo difere daquele que ela própria mantém no site do BDEP, que é de sua responsabilidade. Lembrando que essa taxa de sucesso ainda é maior do que em outras grandes reservas petrolíferas, os técnicos disseram que a discussão não deverá influenciar a definição das novas regras de exploração na camada pré-sal.

Fontes do mercado que acompanham atentamente as discussões avaliam que o governo, se dividir em dois projetos de lei a criação da nova estatal e a introdução do sistema de partilha, terá mais chances de acelerar a tramitação de parte do pacote.

Na avaliação das fontes, há menos resistência à proposta da estatal do que ao regime de partilha – a oposição e as petrolíferas estrangeiras já se manifestaram várias vezes a favor da manutenção das concessões para as áreas não-licitadas do pré-sal. Na hipótese de surgirem dificuldades para a aprovação da partilha, o aval do Congresso à nova estatal permitiria ao governo avançar na estruturação dos futuros leilões e, principalmente, na unitização dos blocos que estão sendo explorados. Hoje, formalmente, a unitização é uma atribuição da ANP, mas deve passar para a estatal quando ela for instituída.

A unitização é considerada importante para uniformizar a exploração entre as petrolíferas que detêm concessões dos blocos. Se uma empresa avançar mais do que a outra, o poço vizinho corre o risco de simplesmente secar, já que muitos blocos se misturam debaixo da camada de sal. O processo também será decisivo no procedimento de capitalização da Petrobras, se o governo optar por essa medida. Estuda-se, em troca de ceder à estatal o controle sobre blocos vizinhos àqueles já explorados, um aumento na quantidade de ações detidas pela União.

Lobão buscou minimizar a crise no Senado e a CPI da Petrobras. Aliado do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o ministro chegou a brincar que a crise internacional pode afetar mais o debate do que a crise envolvendo seu partido. Mas lembrou que o assunto começará a ser discutido na Câmara, onde não há crise.

O ministro afirmou também que, no projeto que estabelece o marco regulatório, estará definido o modelo de licitação dos novos campos de exploração do pré-sal. Ele confirmou a intenção do Executivo de permitir que a Petrobras seja a operadora de blocos sem a necessidade de licitação e disse que a empresa poderá atuar como sócia minoritária em leilões vencidos por multinacionais. “Essa participação poderia ser, por exemplo, de apenas 1%”, comentou Lobão, à saída de um almoço no Itamaraty para receber o presidente da Nigéria.

ANP ainda não detalhou informações sobre oito poços

Cláudia Schüffner, do Rio – VALOR

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) não esclareceu, pelo segundo dia consecutivo, se os resultados de outros oito poços do pré-sal descritos como secos, produtores subcomerciais ou portadores de petróleo e/ou gás no site do Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) estão corretos ou não. O BDEP – de responsabilidade da ANP – foi a base da reportagem do Valor que informava que a taxa de insucesso no pré-sal era de 32%, o que significa um sucesso de 68%, um resultado muito acima da média da indústria.

A reportagem contabilizava nove poços com resultados ruins em uma amostragem de 28 perfurados no pré-sal. Diante da polêmica levantada pela reportagem, o Valor solicitou ontem à Petrobras e à ANP que detalhassem o resultado de cada um dos poços listados (no dia anterior as duas falaram de apenas um dos nove poços perfurados, corrigindo a informação do site). A Petrobras orientou o Valor a procurar a ANP já que ela era a fonte da reportagem, mas a ANP não se manifestou.

O Valor também solicitou à Petrobras o detalhamento do resultado obtido em cada um dos 30 poços que ela informou ter perfurado no seu relatório para investidores americanos, mas este pedido também não foi atendido.

A diretoria colegiada da agência reguladora havia definido que ficaria a cargo de Magda Chambriard as explicações “dada a controvérsia do assunto” e porque ela dirige a área responsável pelo BDEP, como explicou uma fonte. Nem a assessoria de imprensa se pronunciou.

Para Wagner Freire, um experiente executivo da indústria e presidente da Associação das Pequenas Produtoras de Petróleo (Appom), está havendo tratamento político de um assunto eminentemente técnico. “A pergunta que se faz é se o site da ANP informou mesmo errado sobre o Corcovado e os outros poços. A mistura de política com embasamento técnico-científico é muito complicada. A ANP deveria prezar pelos aspectos técnicos e não os políticos. Essa questão deveria ser muito bem esclarecida”, afirma Freire, que foi diretor da Braspetro.

30/07/2009 - 11:22h Alguém de fora para vencer o antipetismo

Interessante analise de Maria Inês Nassif sobre o debate das candidaturas a governador de São Paulo no PT e na base aliada. Resta a provar que a rejeição ao PT é menor que a do próprio Ciro Gomes e se a ausência de um candidato próprio do PT amplia o diminui a votação dos eventuais candidatos tucanos. Como a questão de Ciro ser candidato, e o PT também apresentar o seu, não é cogitada pela reflexão de Maria Inês Nassif, está possibilidade deveria ser melhor abordada nas discussões e nas eventuais pesquisas.

Muitas vezes pesquisas “qualitativas” e que não são publicadas na sua integralidade, servem mais para uso político nas disputas internas e não para avaliar com serenidade e sem prejulgamento, das possibilidades que cada nome fornece para uma disputa eleitoral.

Uma parte deste debate é até um “remake” de outro, bem mais sigiloso, ocorrido em 1999 após a terceira derrota de Lula na disputa presidencial. Não foram insignificantes, nem poucos no PT, os que na época pressionavam para Lula cair fora e escolher um candidato menos rejeitado. Tarso Genro chegou a ser cogitado, contando com uma melhor aceitação na classe média “formadora de opinião”. A história quase não é mais lembrada, nem pelos protagonistas, ao ponto de ninguém evocá-la neste debate. LF http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/wp-content/uploads/2009/06/cirllo.jpg

Colunista

Maria Inês Nassif – VALOR

O PT de São Paulo não tem tradição de apoiar candidatos de partido alheio. Existem razões para isso. No período de construção do partido, lançar candidatos próprios era uma tática nacional para firmar-se no cenário institucional. O PT paulista não foi apenas o berço do partido, mas o centro de convergência das lideranças vindas do movimento sindical e dos grupos políticos que saíram da clandestinidade no final da ditadura defendendo a tese de unidade das esquerdas num partido socialista de massas. “Hegemônico” em relação ao resto do partido, o partido em São Paulo não apenas incorporou a tática de candidaturas próprias às eleições majoritárias, como fez delas o instrumento para projetar líderes paulistas no cenário nacional. Se isso definiu derrotas eleitorais, de outro lado construiu lideranças importantes, como a do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tática do isolamento prevaleceu desde então no Estado, mesmo quando as lideranças paulistas guindadas à direção nacional articulavam a ampliação do “arco de alianças” para viabilizar a candidatura de Lula à Presidência nas eleições de 2002 – e até porque sempre foram grandes as dificuldades de composição com o PMDB, partido que teria o poder de desequilibrar uma eleição a seu favor. O isolamento apenas não foi definitivo porque no Estado – como, aliás, em todo o país – os pequenos partidos de esquerda dependiam fundamentalmente do PT para sobreviver. PSB e PCdoB não teriam feito bancadas federais, não fossem as coligações nas eleições proporcionais feitas com o PT, que garantiram aos aliados o cumprimento do quociente eleitoral e a eleição de parlamentares na carona da proporcionalidade dos votos recebidos pela coligação, a maior parte deles petistas.

Ao longo do tempo, as sucessivas candidaturas próprias consolidaram o PT paulista como o partido que polariza à esquerda com um candidato da direita, ou do centro com apoio da direita. Nas eleições recentes, depois que o ex-prefeito Paulo Maluf saiu definitivamente de cena, o PT polariza com o PSDB ou com o partido a ele aliado. O PT, portanto, é um dos lados da polarização e rivaliza com ele o voto que tem fundamentalmente a característica de ser antipetista.

O PT paulista, assim, quando vai negociar uma aliança com outros partidos, apresenta, de cara, um piso de 25% das preferências do eleitorado. A contrapartida é uma rejeição igualmente alta. Nessas condições, tem forçado segundos turnos nas eleições majoritárias estaduais e na capital, mas sucumbido ao antipetismo na última etapa das eleições. Foi o que aconteceu nas quatro últimas eleições para o governo do Estado, que foram perdidas para o PSDB – duas para Mário Covas, uma para Geraldo Alckmin e a última para José Serra. O antipetismo se projeta também nas eleições presidenciais.

A dificuldade do PT de romper com a rejeição da classe média paulista explica porque não soou absurdo para o presidente Lula e para parcelas do diretório estadual a hipótese da candidatura do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, ao governo do Estado. Ciro é do PSB, fez sua carreira política no Ceará, pode desembarcar em São Paulo e postular imediatamente o governo da unidade mais rica da Federação – e ainda assim seria uma alternativa de rompimento do antipetismo já consolidado no eleitorado.

O PSB soltou o balão de ensaio da candidatura Ciro em São Paulo quando divulgou uma sondagem do Ibope que deu a Ciro 18% dos votos para o governo de São Paulo antes de qualquer movimentação pública em favor de sua candidatura. Segundo o presidente do PSB de São Paulo, deputado Márcio França, na mesma pesquisa 70% dos eleitores manifestam desejo de “quebrar a hegemonia tucana” no Estado. Mais surpreendente foi o resultado de uma pesquisa qualitativa feita pelo PT há cerca de duas semanas. Ciro, Marta Suplicy e Aloizio Mercadante foram apontados como candidatos. Contra Marta, existe uma enorme rejeição – parte transferida do partido, parte construída por ela mesma, parte produto do antipetismo radical. Mercadante não tem chances internas, segundo se avalia, embora tenha menor rejeição. Ciro Gomes, todavia, conseguiu ser identificado com Lula e como opositor dos tucanos sem atrair a rejeição histórica do PT. O “ruído” apontado por um parlamentar petista na candidatura de Ciro é evidentemente o fato de não ser um político de São Paulo.

O balão da candidatura de Ciro Gomes, portanto, prospera num ambiente em que o PT encontra forte resistência à agregação de votos no Estado. Ganhar votos paulistas é estratégico para a candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência. O ponto de resistência para essas articulações é o próprio PT estadual. Embora oficialmente tenham concordado em examinar essa hipótese, apoiada por Lula, os líderes não podem garantir a adesão de todo o partido a essa coligação. As tendências que já se articulavam em torno de candidatos – estão na mesa os nomes dos deputados Antonio Palocci e Arlindo Chinaglia, da ex-prefeita Marta Suplicy, do ministro da Educação Fernando Haddad e do prefeito de Osasco, Emídio de Souza – colocam o nome de Ciro Gomes como o sexto a ser analisado pelo partido, segundo um parlamentar petista. Não existe hipótese de o presidente Lula ganhar no grito essa parada. Com todo o recente pragmatismo do partido, não se consegue construir uma unidade partidária sem que ela transite internamente por um debate entre as correntes.

A favor de Ciro, trabalham setores do PT que defendem um “recuo tático” do partido paulista. Suas lideranças ainda estariam sob o desgaste do escândalo do mensalão – os paulistas estiveram no centro da crise – e isso seria um agravante para o já resistente antipetismo da política estadual. Apoiar um candidato de outro partido tira o PT do centro da ofensiva eleitoral e pode atenuar a radicalização de uma política que, no processo de polarização, trouxe o partido para o centro da política estadual, mas agregou elementos que tornam muito difícil romper a barreira da rejeição.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras

30/07/2009 - 10:48h PT teme desgaste em 2010 e contém racha interno

Congresso: Reprimenda de Berzoini anima PMDB a retribuir evitando investigações contra Petrobras na CPI

Leo Pinheiro / Valor RJ Foto Destaque
Foto Destaque
Mercadante: senador ameaçou ir à imprensa para rebater declarações do presidente do PT mas foi contido

 

Yan Boechat e Cristiane Agostine, de São Paulo e Brasília – VALOR

Dirigentes petistas contiveram os ânimos do senador Aloizio Mercadante (SP) que, chamado de infantil, precipitado e ansioso pelo presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, em reportagem no Valor, estava disposto a revidar, aumentando o racha interno do partido sobre o licenciamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Lideranças do partido em São Paulo, base eleitoral dos dois parlamentares, ligaram para Mercadante e Berzoini pedindo que as divergências não continuassem a ser expostas na imprensa. Os líderes temem os efeitos dessa disputa sobre a eleição da bancada petista ao Senado, uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.

Interlocutores foram escalados para apagar o incêndio que ameaçava se espalhar por outras esferas do PT. “Tivemos uma conversa de 40 minutos. Na primeira meia hora quase não falei, só ouvi reclamações furiosas e ameaças de responder às críticas no mesmo tom”, afirma um parlamentar do partido em contato com o senador, que passou o dia em seu sítio no interior de São Paulo preparando os detalhes do casamento de seu filho, que acontece no início de agosto.

Após o contato com diversos dirigentes do partido Mercadante teria aceitado não ampliar, ao menos publicamente, a crise que teve início na sexta-feira e atingiu seu ponto alto ontem. A colegas petistas, o senador prometeu que não daria declarações à imprensa, mas teria exigido que uma reunião da bancada no Senado com a Executiva Nacional do PT fosse agendada para breve. Além de não se pronunciar oficialmente, o senador também deixou de publicar pequenas notas sobre o assunto na comunidade virtual Twitter

Nem todos atuaram como bombeiros. Em seu blog, o ex-deputado José Dirceu engrossou o coro ao lado de Berzoini na censura a Mercadante. Para o ex-deputado, “é claro que o pedido é do líder e não da bancada petista”, e que “o PT não assinará representação” contra Sarney. Dirceu, que atuará na articulação da campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência, negocia alianças estaduais com o PMDB e deve voltar à direção do partido com a eleição interna do PT, no fim do ano.

O líder do PT do Senado foi procurado nos últimos três dias para comentar as divergências internas do partido, mas não quis se manifestar. Segundo sua assessoria, Mercadante se pronunciará depois da reunião da bancada, na próxima semana, mas reiterou que o teor da nota divulgada pelo petista segue o que foi debatido, aprovado e defendido pela bancada no início do mês.

Berzoini, por sua vez, teria concordado em manter o silêncio sobre o caso. O presidente do partido também foi procurado por lideranças pedindo que não ampliasse, ainda mais, o desconforto criado por suas declarações. De acordo com dirigentes do partido, ambos haviam concordado em conversar por telefone ainda ontem em busca de um caminho para que as divergências fossem resolvidas internamente.

Apesar de as críticas duras do presidente do PT a um senador paulista com ampla história no partido terem causado mal estar na cúpula da sigla, Aloizio Mercadante sai mais enfraquecido do que Berzoini nesse embate. O entendimento de dirigentes petistas é de que a nota divulgada na sexta-feira por Mercadante foi precipitada e atendia a interesses quase que exclusivos do senador. “É óbvio que foi um movimento ligado às preocupações eleitorais dele, não pensando no partido”, afirma um dirigente paulista. “A governabilidade tem um preço e ele não poderia ter tomado uma posição política como essa sem consultar as lideranças”. Aloizio Mercadante será candidato à reeleição no Senado em 2010.

A reprimenda de Berzoini foi suficiente para levar o PMDB a contabilizar apoio petista e traçar estratégia para esvaziar o início dos trabalhos da CPI da Petrobras a partir da próxima semana. Aliados de Sarney analisam que o aceno da cúpula petista e do presidente Lula é suficiente, a princípio, para que o PMDB impeça o aprofundamento das investigações sobre a estatal.

A base governista tem oito dos onze integrantes da comissão e o PMDB é o partido com mais senadores na CPI, três parlamentares. As investigações sobre a Petrobras começarão no mesmo período em que o Conselho de Ética – também com controle do PMDB- analisará representações e denúncias contra Sarney. Pemedebistas contam com o apoio do PT e do governo para dar sustentação política ao presidente do Senado. Com a manutenção desse respaldo, aliados de Sarney evitariam uma nova crise na Casa, esvaziando a CPI da Petrobras. “Para o governo, interessa tirar o foco da Petrobras”, comentou Wellington Salgado (PMDB-MG). “E o PT já mostrou que está do nosso lado. É natural essa posição da bancada, mas o partido está com a gente.”

Ontem mais uma representação foi protocolada para análise do Conselho de Ética contra o presidente do Senado. O P-SOL entregou sua segunda representação, acusando-o de quebra de quebra de decoro parlamentar. O partido questiona a omissão à Justiça Eleitoral de uma propriedade de R$ 4 milhões, o desvio de R$ 500 mil da Fundação Sarney e o fato de o senador ter afirmado que não teria responsabilidade sobre a Fundação. O PSDB já protocolou três representações e o líder tucano, Arthur Virgílio (AM), anunciou que entregará duas outras denúncias contra Sarney, assinada também pelo senador Cristovam Barque (PDT-DF).