Base petista segue discurso de Lula pela manutenção de Sarney

Não faço parte da corrente petista Mensagem, de Tarso Genro e José Eduardo Cardoso, mas apoio a postura deles em relação a crise no Senado (ver embaixo).

O que está em jogo passa bem longe da ética ou da necessária luta contra os privilégios. Os que exigem o afastamento de Sarney em nome dos princípios republicanos só poderiam ser credíveis se exigissem Comissão de Ética para Arthur Virgílo e todos os outros senadores que como ele, mamaram conscientemente nas tetas irregulares desses privilégios.

Não o fazem porque o que os motiva é outra coisa. Bastaria José Sarney ingressar na ala do PMDB hoje alinhada com José Serra, para que cesse imediatamente a campanha contra ele. Se José Sarney proclamasse uma aliança com seus colegas, o senador Pedro Simon e o ex-governador Orestes Quercia, declarasse com força sua oposição a qualquer CPI do governo gaúcho e denunciasse como “eleitoreiras” as denuncias contra Beto Richa, os jornais passariam novamente a reverenciar o autor de Saraminda, considerando um prestigio contar com ele como articulista nas suas páginas.

Curioso é que os desmandos no senado perdurarem durante 14 anos e só agora à existência dos mesmos e os privilégios da sua burocracia mancomunada com uma parte dos senadores, apareçam a luz do dia. É que procuram cargar nas costas de Sarney, já bastante cargadas pela sua própria história, os desmandos que preexistiam a sua eleição como presidente.

Contrariamente as acusações que agora são lançadas contra Lula e o PT -a de determinar sua postura pelos interesses de Dilma e de 2010-, é precisamente porque os que visam Sarney o fazem exclusivamente pensando em derrotar Dilma e o PT em 2010 e não por ética alguma, que defendo a posição assumida pela corrente de José Eduardo Cardozo e por todo o PT. Trata-se de aproveitar está crise para passar a limpo a instituição, corrigir os desvios, aprimorar os mecanismos de controle e de transparência e acabar com os privilégios.

A tentativa de desbancar Sarney e debilitar o PMDB que governa com Lula, para depois manter toda essa podridão, mudando de foco para o próximo escândalo, não pode contar com o aval de nenhum militante honesto de qualquer partido.

Uma filiada ao PSDB fez circular um e-mail que dizia, grosso modo, como vou atacar os outros se “os nossos” agem igual (em referência a conduta escandalosa, irregular e vergonhosa do líder do PSDB no senado). A resposta me parece ser dupla: atuar politicamente em favor do fim das irregularidades no funcionamento do Senado e não reeleger Senadores como Arthur Virgílio. Pode juntar ao nome dele a de vários outros preeminentes líderes do seu próprio partido e aí sim, acrescentar o de Sarney e outros que ela considerar igualmente nefastos ao sistema democrático e republicano.

Perceberá rapidamente que, contrariando um certo niilismo alimentado por uma certa imprensa, encontrará sim no PT, PSDB, PMDB e outros partidos políticos, suficientes nomes para escolher. Pois, contrariamente ao udenismo rasteiro que ocupa o noticiário, a democracia brasileira e seus partidos -assim como as instituições republicanas- estão compostas em sua imensa maioria por homens e mulheres honestos e que agem nos partidos por paixão pela política e os destinos da nação. LF


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Deputado, José Eduardo Cardoso, dirigente da corrente Mensagem “Não acho que a saída dele (Sarney) neste momento possa resolver o problema”

Importância de aliança com PMDB é destacada em reunião de corrente de Tarso Genro

Silvia Amorim – O Estado SP

O recado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos senadores petistas para que apoiem a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado, em defesa de um projeto vitorioso do PT em 2010, já surtiu efeitos na base do partido. Ontem, em encontro de uma das correntes do PT – a Mensagem ao Partido – , em São Paulo, o discurso dominante foi a favor da manutenção de Sarney no cargo.

Lançado oficialmente no fim da manhã como candidato da Mensagem ao Partido à presidência do PT, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) pediu uma apuração rigorosa das denúncias envolvendo Sarney e o Senado, mas defendeu a tese de que a crise – iniciada com o caso dos atos secretos – não é de uma pessoa, mas da instituição. “O PT deve ter posição firme para que se apure e puna quem quer que seja. Isso não se discute”, disse, em entrevista antes da abertura da reunião. “O que também não se pode imaginar é que a saída pura e simples de quem preside o Senado resolva todo o problema ético. Não acho que a saída dele neste momento possa resolver o problema.”

O ex-prefeito do Recife João Paulo, uma das lideranças da Mensagem ao Partido, corrente que tem entre seus líderes o ministro da Justiça, Tarso Genro – que não participou da reunião – , foi ainda mais enfático. Em discurso, ele disse que o PT não pode trocar “o acessório pelo essencial”. “A manutenção de Sarney (na presidência), pela importância que tem para uma candidatura da ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil), é o essencial. Estamos pagando um preço altíssimo e caríssimo, mas é em função do estratégico”, afirmou.

Os discursos indicam que o pedido de Lula deverá ser atendido no Senado e, mais importante, que já encontra apoio na militância. A Mensagem ao Partido nem é a ala petista mais ligada a Lula.

Na quinta-feira à noite, o presidente fez em um jantar com os senadores petistas e pediu apoio a Sarney, alegando que a aliança entre PT e PMDB não poderia se romper, sob a ameaça de desestabilizar a candidatura de Dilma ao Planalto em 2010. No dia anterior, parte dos senadores do PT havia se colocado publicamente favorável à saída do peemedebista da presidência.

Na próxima terça-feira, a bancada do PT no Senado fará uma reunião para fechar uma posição em relação a Sarney.

ELEIÇÕES INTERNAS

Se não houver surpresas até o dia 25 de julho, data final para o registro das chapas, cinco candidatos disputarão a presidência do PT. As eleição estão marcadas para novembro.

O favorito é o ex-senador e atual presidente da BR Distribuidora José Eduardo Dutra, nome da corrente Construindo um Novo Brasil, grupo de Lula e do atual presidente Ricardo Berzoini.

Com a bandeira da renovação do partido, Cardozo, hoje secretário-geral do PT, disse que o objetivo da disputa interna não é aprofundar as diferenças. “A ideia não é fazer uma disputa que desagregue o partido É fazer uma disputa que agregue. Precisamos estar muito coesos para eleger Dilma em 2010.”

É a segunda vez que o deputado lança uma candidatura à presidência do PT. Na anterior foi derrotado pelo atual presidente, Berzoini.

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8 COMENTÁRIOS PARA "Base petista segue discurso de Lula pela manutenção de Sarney":

Comentado por rafael j em 05/07/2009 - 12:27h:

Essa postura do presidente Lula (PT) faz algum sentido. Mas só terá validade se o apoio de momento ao senador Sir Ney (pessoa não comum) vier acompanhado de uma agenda séria de mudanças no senado. Não só no aprimoramento da transparência daquela casa, mas também outras reformas que tornem o senado menos corporativista e mais necessário ao bem comum do brasileiro comum.

Comentado por rafael j em 05/07/2009 - 12:35h:

Os partidos de oposição queimam energia centrando fogo no aliado lulista, criando uma cortina de fumaça nos próprios atos. Os partidos da base adotam o discurso do macro e colocam a necessidade de mudanças mais efetivas e menos imediatistas enquanto embalam a criança enlameada (coitado , vítima do sistema).

Enquanto isso, o ator principal de qualquer democracia, o povo, continua fazendo papel de platéia. Comédia.

Comentado por Blog Leituras Favre em 05/07/2009 - 13:32h:

[...] Foi assim que concluí minha nota Base petista segue discurso de Lula pela manutenção de Sarney. [...]

Comentado por Brenno Ferrari Gontijo em 05/07/2009 - 17:33h:

Como podemos deixar de encararmos a questão de forma pragmática?
Favre vc tem toda razão, o que está em jogo é o apoio a Dilma.
Como pode o Mercadante ter deixado passar a oportunidade de arrasar o Athur Vigilio, e ao invés disto, desagravá-lo, como fez em seu ultimo pronunciamento no plenário do Senado.
O mais importante hoje é viabilizar a candidatura de Dilma.
É o momento, a oportunidade, de termos definitivamente o PMDB de nosso lado, com raras exceções, as quais, hoje, são insignificantes.
As correntes dentro do partido nos faz mais mau do que bem.
Sou filiado do partido e membro do Conselho de Ética do Diretório de Taubaté-SP.

Comentado por Brenno Ferrari Gontijo em 05/07/2009 - 17:56h:

Luis, outra questão: Da mesma forma que vc encara a questão Sarney, com pragmatismo, o que está correto, como já afirmei, a questão Ciro também deve ser encarada dessa forma. A candidatura de Ciro ao governo de São Paulo é muito estrategicamente importante, muito mais importante de que um projeto exclusivo de São Paulo.

Comentado por rafael j em 05/07/2009 - 21:30h:

Brenno, é essa a gênese do projeto Dilma?
Tocante!

A saída do Brasil não virá da oposição(?) tão pouco de um castelo construido sobre base tão fraca. O futuro virá de algo além dos atuais partidos políticos, a não ser que o brasileiro troque definitivamente voz e liberdade por aparente proteção (de sí mesmo) e migalhas materiais. O PT não mudou o Brasil, que sabe feche um ciclo, e quem sabe seja bom.

Comentado por rafael j em 05/07/2009 - 21:35h:

Membro de um Conselho de ética do PT atacando a diversidade no partido e defendendo o PMDB de Sarney tendo em vista a próxima eleição.

mais sintético impossível, para não dizer caricato.

Comentado por MarcFlav em 06/07/2009 - 18:13h:

Eu só tenho um voto: pela extinção do estado capitalista brasileiro.

 

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