Cresce a contestação à substituição tributária de Serra
Setor elétrico se une contra decreto paulista
Josette Goulart, de São Paulo – VALOR
Uma rajada de ações coordenadas entre os agentes do setor elétrico tenta derrubar a substituição tributária estabelecida pelo governo paulista e que prevê que as distribuidoras recolham o ICMS da energia comercializada no mercado livre. O decreto entrou em vigor a partir da apuração dos impostos do mês de junho deste ano.
A associação dos comercializadores (Abraceel) está questionando a questão no Supremo Tribunal Federal (STF) e o processo já têm pedidos feitos pela Aneel, Apine (produtores independentes) e Abiape (autoprodutores) para ingressarem como partes interessadas. E a Abradee (associação das distribuidoras) também anunciou que vai ingressar no mesmo processo. Além disso, o Instituto Acende Brasil, a Anace (consumidores) e a Abrace (grandes consumidores), enviaram correspondência de apoio. Além disso, as associações das concessionárias de energia (ABCE), de geração (Abrage), de geração flexível (Abragef) e o sindicato da indústria de energia de São Paulo assinaram carta enviada à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo estadual contra o ato do governo paulista.
Na sexta-feira, o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, foi ao Supremo e, em conversa com o ministro Gilmar Mendes, expôs sua preocupação com o fato de o decreto paulista alterar o equilíbrio regulatório do setor. Hubner disse temer que o decreto paulista acabe gerando sobrecustos que, no final, tenham que ser repassados ao consumidor cativo de energia.
A fazenda estadual garante que a substituição tributária em nenhum momento vai gerar aumento de custo para os consumidores e se isso vier a acontecer se dispõe a negociar com o setor para resolver as arestas. O temor do setor, contudo, é que a medida acabe por descaracterizar o mercado livre de energia e quebre a confidencialidade dos contratos. Além disso, as distribuidoras temem correr o risco de inadimplência já que passam a ser responsáveis pelo pagamento do ICMS devido por comercializadores de energia.
Tags: ABCE, Abiape, Abrace, Abragef, Anace, Aneel, Apine, carga tributária, governo SP, ICMS, impostos, Instituto Acende Brasil, José Serra, PSDB, setor elétrico, STF, substituição tributária, Tributos
Redução de IPI da linha branca é anulada por substituição tributária em SP
SÃO PAULO – O impacto nos preços, ocasionado pela redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) nos produtos da chamada linha branca, foi anulado no estado de São Paulo devido à substituição tributária de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) promovida pelo governo estadual.
A substituição tributária representa uma intervenção direta nos modelos de precificação das empresas distribuidoras, segundo explica o engenheiro e diretor da Felisoni Consultores Associados, Nelson Bruxellas Beltrame, e tem como objetivo evitar possíveis sonegações.
Dessa forma, afirma o consultor, por meio da suposição de uma teórica margem para efeito de tributação do ICMS, passa o fisco a direcionar indiretamente os preços na ponta da operação, ou seja, para o consumidor.
Efeitos práticos
Como efeito prático, a medida acaba por anular o benefício da diminuição da alíquota do IPI, adotada recentemente pelo governo federal a fim de estimular o consumo, e acaba, muitas vezes, aumentando em vez de diminuir preços, conforme mostra tabela a seguir:
Preços no varejo paulista
Produto Preço antes da redução IPI Preço depois da redução do IPI Preço depois da redução do IPI com substituição tributária
Fogão de 4 bocas R$ 890,00 R$ 830,00 R$ 908,00
Geladeira com freezer R$ 1.400,00 R$ 1.240,00 R$ 1.350,00
Fonte: Felisoni Consultores Associados