Kassab não sabia que Berrini não tem metrô

A restrição aos ônibus fretados em São Paulo leva a marca inconteste da gestão Kassab, a improvisação.

A justificativa para recuar da decisão na Avenida Berrini é a prova mais cabal da ausência de qualquer estudo ou planejamento na proposta inicialmente implementada; Kassab diz que foi necessário alterar o plano porque na avenida “não têm metrô”.

Que Kassab desconhecesse a inexistência do metrô pode se explicar pois ele usa o helicóptero alugado pela prefeitura para seus deslocamentos. Que seu Secretário de Transportes ignore o fato só mostra quanto está longe de suas preocupações o transporte público. Mas como explicar que o corpo técnico da secretaria ignore este fato?

Acontece, como já aconteceu repetidas vezes na atual “gestão” (como no “teste” com as motos na 23 de maio), que nenhum estudo é apresentado como basamento para decisões, nenhum debate é organizado sobre esses assuntos (a Câmara Municipal discutiu o assunto e a bancada do PT alertou sobre os fretados, mas de nada adiantou).

A improvisação é a irmã gémea do factóide. Procurando mostrar iniciativa para esconder a falta de investimento no transporte público, Kassab mostra preocupação pelo marketing e não pela gestão. Suas medidas buscam, com respaldo da mídia, transmitir a ideia de “ação” no setor pior avaliado de sua administração. Exemplificando, Kassab procura esconder com factóides que em 5 anos nenhum corredor de ônibus foi construído; que o aumento no número de passageiros correspondeu com diminuição do número de ônibus e que o trânsito piora a cada dia.

A mídia, em geral pouco crítica com os demo-tucanos, desta vez teve que apontar para os responsáveis pelo caos e deixaram Kassab mal parado. É que uma parte dos usuários dos fretados são leitores dos jornais, componentes da classe média que votou e vota nos demo-tucanos, o que provoca mais impacto que o descaso com os beneficiários do Bolsa-Família que por descaso de Kassab não recebem o dinheiro do governo federal.

Mesmo assim o tratamento do assunto é diferente no editorial de hoje do Jornal da Tarde e no editorial da Folha de São Paulo reproduzidos a seguir. Duas “sensibilidades” marcadas pelas orientações políticas e pela diversidade. LF

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Editorial JORNAL DA TARDE

Deu no que deu

O que aconteceu no primeiro dia de vigência das restrições impostas pela Prefeitura à circulação dos ônibus fretados – protestos dos usuários desse tipo de transporte, lentidão média do trânsito acima do normal, mau funcionamento de muitos dos pontos de embarque e desembarque criados para os passageiros – era facilmente previsível, tendo em vista a forma improvisada e atabalhoada com que as mudanças foram adotadas e implantadas.

A situação ficou particularmente difícil, tanto de manhã como à tarde, nas imediações da Estação Santos-Imigrantes, da Linha 2 (Verde), do Metrô, como mostrou reportagem do Jornal da Tarde. Cerca de 200 ônibus fretados pararam no bolsão da Rua Guilherme Winter para o desembarque de 7,5 mil passageiros, entre 7 e 8 horas. A fila de veículos chegou à Avenida Ricardo Jafet, o que provocou congestionamento e dificultou a circulação de ônibus urbanos. Dentro da estação, passageiros esperaram até meia hora na fila para comprar bilhetes do metrô.

Casos semelhantes a esse ocorreram em vários outros pontos, o que fez com que, entre 7 e 10 horas, o índice médio de lentidão, de 31 quilômetros, fosse 40% maior do que o da segunda-feira da semana passada e 10% superior ao da última segunda-feira de julho de 2008. Não admira que, revoltados, os passageiros e outros que se sentiram prejudicados tenham promovido manifestações de protesto, com bloqueio de vias importantes – Avenidas Ricardo Jafet e Bandeirantes e Marginal do Pinheiros -, que ajudaram a piorar a situação.

Atribuir esses protestos a uma “postura intransigente de setores que se recusam a cooperar”, como fez a Secretaria Municipal de Transportes em nota oficial, é procurar fugir à realidade desagradável ou, como se diz, querer esconder o sol com peneira. Como assinalamos aqui quando essa medida foi anunciada, ela não se baseou em nenhum estudo técnico que recomendasse sua necessidade e indicasse sua viabilidade. Aí é que está a origem dos problemas que sua implantação vem enfrentando.

O fato de antes mesmo de sua aplicação ela ter sofrido alterações confirma que foi produto de improvisação. E os novos ajustes que o prefeito Gilberto Kassab prometeu fazer, depois da pouco feliz experiência do primeiro dia de vigência das restrições, só reforça essa conclusão. Agora, só resta ao prefeito e ao seu secretário de Transportes tentar limitar ao máximo, e rapidamente, os efeitos negativos de sua decisão, principalmente para evitar que a maior parte dos passageiros dos fretados opte por usar carro, porque, se isso ocorrer, vai complicar ainda mais o trânsito. E tomar consciência de que medidas desse tipo, que afetam a vida de milhões de paulistanos, exigem maiores cuidados.

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Editoriais – FOLHA SP

editoriais@uol.com.br

Começo confuso

FOI MARCADO por transtornos o primeiro dia de restrição aos ônibus fretados na cidade São Paulo. Vias importantes para o tráfego foram interditadas por protestos. É preciso admitir que a ideia de impor regras à circulação desses veículos, em si correta, não foi bem aplicada. Faltou planejamento e algumas decisões terão de ser revistas.
O veto ao tráfego de ônibus contratados para transportar pessoas que trabalham numa mesma empresa ou numa mesma região da cidade vale de segunda a sexta, das 5h às 21h, numa área de 70 km2. A restrição inclui pontos de grande movimentação, como as avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Luiz Carlos Berrini.
As principais falhas foram a escolha de locais inadequados para embarques e desembarques e a incapacidade do sistema público, já saturado, de absorver a nova demanda em horários de pico.
Ainda é cedo para avaliar de forma conclusiva o impacto da restrição sobre o trânsito -que deveria, em tese, se beneficiar da medida, não apenas no que se refere à fluidez mas também ao respeito à ordem. Sabe-se que o crescimento do uso de fretados ocorreu de maneira desordenada, com paradas aleatórias e estacionamento dos veículos em locais impróprios.
É bom lembrar que a diminuição dos congestionamentos não beneficia só os automóveis. Também o transporte coletivo torna-se menos moroso. A medida adotada em São Paulo não pretende ser uma solução para os graves problemas da rede pública -apenas enfoca um aspecto importante. Cabe à prefeitura, nos próximos dias, acompanhar os resultados e mudar as regras se for necessário.

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3 COMENTÁRIOS PARA "Kassab não sabia que Berrini não tem metrô":

Comentado por José Rocha em 29/07/2009 - 10:22h:

Favre: desplazamentos=deslocamentos

Comentado por Jefferson em 29/07/2009 - 16:26h:

Obrigado Kassab! Por esbofetear a cara da classe média paulista depois de ter votado em vc em massa. Sorriam agora!

Comentado por Rafa em 04/08/2009 - 00:40h:

Votei no Kassab, porém não dei procuração para ele e sua equipe fazerem estas besteiras!!Hoje tô arrependido, inclusive repensei o “Cidade Limpa”, e fiz também uma avaliação operacional depois do tempo decorrido, e vi que a cidade saiu perdendo!!?? São Paulo está sem vida!!!tá ficando mais careta!!Na próxima naum voto nele e nem no Serra que foi o seu mentor. Armaram um campo propício para o surgimento de novas lideranças! será que o contestador veemente terá que vir lá das Alagoas??

 

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