30/07/2009 - 10:22h Fretados: Discussão sobre setor ficará para a Câmara

Projeto vai para a Casa na próxima semana e já mobiliza empresários

Diego Zanchetta e Renato Machado – O Estado SP

Apesar de promover mudanças diárias na restrição e admitir que os primeiros dias são de “ajustes”, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem só seis dias para consolidar as regras do setor em um projeto de lei específico e enviá-lo à Câmara Municipal. Conforme determina a Lei de Políticas Climáticas, aprovada pelos vereadores e sancionada no dia 5 de junho, o prazo para o prefeito apresentar o projeto expira em 5 de agosto. Depois de dois dias de protestos e fechamentos de vias, ontem não houve manifestações contra as novas regras e os vereadores aproveitaram para defender que as discussões se concentrem no Legislativo municipal.

O líder de governo, José Police Neto (PSDB), afirmou que o projeto será enviado no início da próxima semana. “O prazo será cumprido”, adiantou. Uma subcomissão específica será instalada na Comissão de Transportes, presidida pelo vereador Ricardo Teixeira (PSDB). Essa poderá propor mudanças nas regras do transporte. “Em agosto, discutiremos uma nova lei, por isso peço a união das entidades para juntos fazermos essa discussão na Câmara, sem parar a cidade”, afirmou ontem Teixeira, ex-gerente de Operações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

A discussão sobre a restrição deve ocupar pelo menos as duas primeiras semanas posteriores ao recesso. Representantes dos donos de empresas de fretamento têm procurado os vereadores nos últimos dias. Eles têm mantido interlocução principalmente com parte da bancada governista do PSDB, a maior da Casa, com 16 vereadores. “Com a volta aos trabalhos, a expectativa é de que a polêmica se volte para o plenário”, acredita Carlos Apolinário (DEM). Apesar do lobby dos fretados, Gilberto Kassab tem hoje o apoio de 40 dos 55 vereadores.

PARA SAIR DO ALVO

“Não dá para regulamentar um tema tão importante por meio de uma portaria absurda, que prioriza o transporte individual em detrimento do coletivo”, diz Antonio Donato (PT). A avaliação da cúpula governista, porém, é de que o projeto vai levar debate à Câmara e tirar do alvo das críticas o prefeito e o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes.

30/07/2009 - 09:55h Prefeitura infla dado positivo sobre trânsito

Informação incorreta sobre lentidão no trânsito superdimensionou os ganhos com a restrição à circulação de fretados

Secretaria dos Transportes divulgou queda de 70% na média de congestionamentos na manhã de terça-feira; redução real foi de 30%

Marlene Bergamo/Folha Imagem

Fila de ônibus na avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini, onde a circulação de fretados foi liberada desde ontem pela prefeitura

 

EVANDRO SPINELLI E ALENCAR IZIDORO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

A gestão Gilberto Kassab (DEM) divulgou dados errados que inflaram os ganhos no trânsito após a restrição aos ônibus fretados implantada nesta semana em São Paulo.
No balanço oficial feito para avaliar os efeitos da medida, a Secretaria Municipal dos Transportes divulgou ter havido uma redução de 70% na média de congestionamentos anteontem de manhã, das 7h às 8h30, em relação às demais terças-feiras de julho deste ano.
A versão oficial divulgada à imprensa dizia que a lentidão caiu de 40 km para 12 km. Na verdade, a queda foi de 30% -de 16,4 km para 11,5 km.
A Folha identificou a comparação superdimensionada por ter acesso a alguns números oficiais mais completos das medições do trânsito pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) -que a pasta dos Transportes, comandada por Alexandre de Moraes, tem se negado a passar oficialmente.
A Secretaria dos Transportes admitiu ontem a falha após ser questionada pela reportagem -e a atribuiu a um “erro na alimentação da planilha” da CET.
Especialistas consideram que a avaliação do impacto da restrição dos fretados no trânsito só é possível de ser feita após semanas ou até meses de medição dos congestionamentos, devido às interferências que podem elevar ou reduzir a lentidão em dias isolados.
A prefeitura também inflou outros dados positivos da restrição aos fretados em seu balanço oficial -neste caso, com estatísticas corretas, mas mudando a metodologia histórica de comparação adotada para aferir as médias de lentidão em horários de pico de trânsito.
O balanço oficial considerou, para efeito de cálculo do impacto das medidas no período da manhã, um intervalo de apenas uma hora e meia -das 7h às 8h30.
A CET sempre usou a variação das 7h às 10h como a hora de pico da manhã. E os índices de lentidão começam a subir justamente a partir das 8h30.
De acordo com a prefeitura, a restrição aos fretados reduziu em 11,5% a lentidão média na cidade na manhã de segunda-feira. A média teria sido de 23 km de lentidão das 7h às 8h30, contra 26 km da média das demais segundas deste mês.
Porém, segundo os dados completos da CET, a lentidão média no horário de pico tradicional (7h às 10h) de segunda-feira foi de 33,6 km, contra 31,3 km das outras segundas-feiras do mês. Ou seja, na primeiro dia de restrição dos fretados os congestionamentos subiram 7,3% pela manhã. Na versão oficial houve melhora de 11,5%.
No horário de pico da noite os dados do balanço da prefeitura não apresentam grandes divergências em relação aos índices oficiais.
No entanto, os índices de lentidão da noite da última segunda-feira podem ter sido reduzidos artificialmente. Isso porque a CET não registrou a lentidão na av. Ricardo Jafet onde, durante uma hora, usuários de fretados fecharam a via para protestar contra as medidas. A CET não explicou o porquê disso não ter ocorrido.

Secretaria só admite erro após ser questionada

DA REPORTAGEM LOCAL

A Secretaria Municipal dos Transportes admitiu ontem ter informado dados errados sobre a lentidão no trânsito nas terças-feiras deste mês.
A pasta reconheceu a falha após ter sido procurada à tarde pela Folha. Em nota, que decidiu distribuir para toda a imprensa à noite, a secretaria explica que, ao invés de usar apenas os dados de lentidão das manhãs de terça-feira deste mês, foi incluída de forma incorreta a informação sobre os índices de congestionamento de todas as terças-feiras do primeiro semestre de 2008.
Em resposta à reportagem, a secretaria informou que adotou o período das 7h às 8h30 no balanço do impacto das medidas de restrição aos fretados por ser este “um recorte definido pela constatação de que esses são os intervalos de maior concentração de circulação de fretados, conforme medição feita em campo pelos técnicos”.
Historicamente a CET adota como horário de pico da manhã o período das 7h às 10h.
Se fosse adotado o período todo, a redução dos índices de lentidão seria menor que o apresentado. O secretário Alexandre de Moraes afirmou que a metodologia usada para a comparação dos índices de lentidão seria a mesma da época da restrição aos caminhões.
A nota de ontem que admitiu a falha foi divulgada a todos os veículos de comunicação pela assessoria da Secretaria dos Transportes (que é comandada pela Giusti Comunicação, empresa contratada pela prefeitura para cuidar da assessoria de imprensa da pasta).
A empresa é dirigida pelo jornalista Edson Giusti e já cuidou também da comunicação do ex-secretário de Segurança Pública Saulo de Castro Abreu Filho e da antiga Febem, quando Moraes presidiu o órgão.

30/07/2009 - 09:43h A improvisação de Kassab

O editorial do Estadão reproduz o dado “corregido” e não o falsificado pela gestão Kassab sobre o impacto das restrições aos fretados, no trânsito. O dado falso, reconhecido hoje como tal pela secretaria de transporte de Kassab, procurava enganar a mídia para justificar a ação da prefeitura. Hoje Kassab reconhece que o dado era falso e que o impacto é quase impercebido. O responsável de tamanha tentativa de manipulação não deveria ser demitido? Ou não é escandaloso uma mentira desse tamanho? LF

http://blogs.jovempan.uol.com.br/transito/files/2009/05/fretados.jpg

EDITORIAL O ESTADO SP

Mudança improvisada

O recuo da Prefeitura, ao liberar a Avenida Luís Carlos Berrini para a circulação dos ônibus fretados, demonstra que não foram adequadamente planejadas as novas regras impostas para esses veículos. Essa era uma das avenidas em que, segundo a Secretaria Municipal dos Transportes, a restrição à circulação dos fretados seria rigorosamente mantida, com o objetivo de melhorar o trânsito na cidade. Em vigor desde segunda-feira, as novas regras para os fretados estavam prejudicando o tráfego na Marginal do Pinheiros, com reflexo em outras áreas, o que forçou a Secretaria a voltar atrás – a despeito de o prefeito Gilberto Kassab ter afirmado, horas antes, que nada seria mudado.

Os novos pontos de congestionamento criados pela concentração de fretados em locais inadequados foram as evidências mais notáveis da improvisação. Mas houve outras. Praticamente todos os afetados pelas mudanças passaram por momentos de irritação e desconforto. Longas filas nas bilheterias do Metrô, congestionamentos nas regiões de embarque, moradores impedidos de tirar o carro de sua garagem, protestos dos usuários, que bloquearam o tráfego em importantes avenidas, contrastavam com o otimismo do secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes.

Apesar das evidências do fracasso, Moraes apresentou dados sobre o que considerou a melhora do trânsito na cidade. Na terça-feira de manhã, disse ele, a média de congestionamentos foi 36% menor do que a de outras terças-feiras de julho. Mas esse é um dado isolado. É preciso observar os índices de congestionamento de um período mais longo, inclusive comparando-os com os de anos anteriores, para se ter uma noção mais precisa dos efeitos das mudanças.

A Prefeitura restringiu a circulação dos fretados numa área de 70 km² e criou 14 pontos para embarque e desembarque nas proximidades de estações do Metrô e da CPTM. A Secretaria dos Transportes garantiu que cada ponto “foi planejado de modo a absorver a demanda, sem prejudicar o trânsito das vias de entorno”. Mas ela não se preocupou em averiguar quais seriam os pontos de destino dos fretados e o momento de sua chegada. Ao contrário dos ônibus de linha regular, os fretados definem o roteiro e o horário de acordo com a conveniência dos usuários. Como não obedecem a uma escala, todos podem chegar ao mesmo local praticamente ao mesmo tempo.

Foi o que aconteceu em pontos de grande movimento, como o criado junto à Estação Santos-Imigrantes do Metrô. Entre 7 e 8 horas de segunda-feira, 200 ônibus chegaram ao ponto para desembarcar 7,5 mil passageiros, provocando grande congestionamento na região. Já o ponto com o maior número de vagas para os fretados, o da Rua Prudente de Morais, no Brás, ficou praticamente vazio.

Muitos dos novos locais de parada dos fretados são inadequados. Ou não há espaço suficiente para todos os que chegam num determinado horário ou as ruas são estreitas. Por isso, a Prefeitura reviu alguns, transferindo-os para avenidas de grande movimento, como a dos Bandeirantes, ou abrindo outros em avenidas que queria manter livre dos fretados, como a Berrini.

Obviamente, moradores das regiões de onde os fretados foram retirados gostaram, pois ficaram livres do incômodo que esses ônibus lhes causavam e do congestionamento que eles provocavam. Para a cidade, porém, o resultado pode ser quase nulo. Os incômodos e os congestionamentos apenas mudaram de lugar.

A Prefeitura diz que, com as mudanças, os usuários dos fretados utilizarão o sistema de transporte público para chegar a seu destino. É preciso perguntar se os usuários concordam em fazer isso. A experiência dos primeiros dias foi ruim, o que pode estimulá-los a buscar outros meios, como o automóvel. Em certos casos, ficará até mais barato ir para o trabalho com carro próprio do que com ônibus fretado, pois agora essas pessoas terão de arcar com outros custos. Se todas optarem pelo automóvel, o trânsito na cidade ficará ainda pior, pois 40 automóveis ocupam uma área muito maior do que a de um ônibus. Que utilidade terá, então, uma mudança dessas?

30/07/2009 - 09:30h Kassab é coerente com a prática demo-tucana de descaso com o transporte coletivo

A questão dos “fretados” joga luz sobre a orientação de fundo da administração demo-tucana: privilegiar o proprietário de carro em detrimento do transporte coletivo. Existe um cordão umbilical entre a não construção de nenhum novo corredor de ônibus na cidade nos últimos cinco anos, a diminuição no número de ônibus em circulação e as medidas contra os caminhões, os fretados e de proibição ampliada de estacionamentos da zona azul.

Existe uma coerência na orientação demo-tucana, o que explica que tenham investido tão pouco nestes 14 anos de governo na expansão do metrô. Pelo mesmo motivo que foram contra o Bilhete-Único implementado por Marta e que incentivavam em permanência as ações dos maus empresários de ônibus contra a administração do PT.

A falta de planejamento, as ações motivadas pelo marketing e os factóides configuram o método a serviço desta orientação focada em favor do transporte individual e mostra perfeita continuidade nisto com as administrações Maluf e Pitta.

Não é de estranhar, então, que para justificar sua ação desastrada contra os fretados, Kassab tenha manipulado os dados e transmitido a mídia informações falsas sobre o impacto da medida no trânsito. Procedendo à falsificação dos dados, Kassab fornecia argumentos aos jornais que o apoiam. O Estado SP e o JT, por exemplo, nunca “compraram” os “dados” de Kassab.

Na Folha hoje, este debate, iniciado com analise do jornalista Alencar Izidoro, prossegue com a opinião de um membro da Associação Nacional de Transporte Público, Marcos Pimentel Bicalho. Boa leitura. LF

http://fubango.blog.uol.com.br/images/metrosp.jpg

OPINIÃO

Velhos “remédios” para velhos problemas MARCOS PIMENTEL BICALHO
ESPECIAL PARA A FOLHA

A DECISÃO da Prefeitura de São Paulo de proibir a circulação dos ônibus de fretamento na região do centro expandido trouxe à tona velhos problemas: no primeiro plano, a questão dos ônibus fretados e, como pano de fundo, a caótica situação do trânsito paulistano.
É necessário organizar a circulação dos ônibus fretados, que causam uma série de transtornos para todas as demais pessoas que precisam se movimentar por algumas das principais vias da cidade.
Regras para a circulação e a parada desses ônibus seriam bem-vindas, mesmo que venham a impor restrições aos seus usuários ou às empresas que exploram o serviço.
Porém, no seu mérito e graves problemas devem ser destacados.
Quanto ao primeiro aspecto, essa ação não pode ser vista de forma isolada de outras medidas que estão sendo tomadas, ou foram anunciadas, em relação à gestão da circulação na cidade de São Paulo.
Alguns exemplos são restrições já praticadas à circulação do transporte de carga, tentativa (fracassada) de suspensão do rodízio, pacotes de obras viárias e paralisação da construção dos corredores de ônibus -todas com um claro objetivo em comum: abrir espaço nas ruas para o transporte individual, mesmo que isso cause impactos negativos nos demais modos de transporte.
Fossem outros os objetivos, isto é, se a sociedade percebesse a proposta da prefeitura como parte de uma política mais ampla, direcionada para priorizar de fato o transporte coletivo, medidas similares a essas colocadas hoje para os fretados seriam toleradas e até aplaudidas.
Ao contrário, teme-se que seu resultado venha a ser o agravamento do problema da cidade, tirando usuários de um modo de transporte coletivo, ainda que privado.
Caberia agora uma segunda crítica, com relação à forma aparentemente precipitada como a restrição foi colocada em prática. Mesmo em um ambiente favorável, medidas complexas como essa demandam cuidadoso planejamento, ampla negociação com os segmentos envolvidos e flexibilidade (sem perder de vista os objetivos desejados) na implementação.
As imagens das enormes filas de pessoas e de ônibus nos poucos locais destinados à parada dos fretados eram previsíveis; o número de ônibus afetados (cerca de mil, segundo a mídia) deveria ser de conhecimento dos técnicos da prefeitura, que deveriam ter tomado providências com antecedência para criar condições mínimas para essas operações; os serviços de transporte coletivo envolvidos, principalmente os de alta capacidade (metrô e ferrovia), parecem não ter sido envolvidos no planejamento da proposta e, ao contrário, terem sido pegos de surpresa no seu primeiro dia de validade.
Condenável pelo mérito e descuidada na sua operacionalização inicial, a medida perde força, mesmo em seus possíveis pontos positivos.


MARCOS PIMENTEL BICALHO é arquiteto, urbanista e superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos)

29/07/2009 - 22:00h Boa noite

Alfred Brendel no Liebestod durante concerto sobre Liszt no Japão

29/07/2009 - 19:59h Dicitencello Vuie

Tito Gobbi
Luciano Pavarotti, Placido Domingo, Jose Carreras

29/07/2009 - 19:24h Bruce Weber

 Bruce Weber, Chris and Ty, San Onofre Beach, California
Chris and Ty, San Onofre Beach, California

 

http://images.artnet.com/artwork_images_113308_185152_bruce-weber.jpg
Adirondack Park, New York

 

 

http://images.telerama.fr/medias/2009/01/media_38643/let-s-get-lost-avec-chet-baker,M17933.jpg
Chet Baker


 http://www.picturapixel.com/archive/wp-content/uploads/2008/04/brunet.jpg
Luiza Brunet

29/07/2009 - 19:12h Nua

Isabel Machado

Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba…
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura…
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios…
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer…
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua…

Luz & Vida, Editora Poesia Diária, 1999 – São Paulo, Brasil

29/07/2009 - 17:44h Aquarela bis

esquina_m_lopes.jpg
Esquina de Marcelo Lopes

Blog Aquarela

29/07/2009 - 12:03h Quércia trabalha para evitar que convenção nacional do PMDB apoie PT

Como Quércia quer voltar ao primeiro time

“Minha candidatura só existe se existir uma candidatura Serra”, diz o presidente do PMDB e ex-governador paulista

Gustavo Lourencao/ Valor Foto Destaque
Foto Destaque
Orestes Quércia em encontro com pemedebistas de Sorocaba: “O PMDB que vota na convenção nacional não é o mesmo PMDB que está no governo federal”

Caio Junqueira, de Sorocaba – VALOR

“Fui eu quem aproximou o presidente Lula do PMDB”. O ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) não esconde os motivos de seu rompimento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o levariam a se reaproximar de José Serra (PSDB) e transformá-lo no principal aliado do atual governador paulista no PMDB. “Não gostei da idéia de ministério de PMDB dividido entre outros partidos. E também me decepcionei com o presidente”.

O afastamento de Quércia do Planalto coincidiu com a influência crescente no governo de pemedebistas que haviam sido aliados do PSDB, como o atual presidente da Câmara, Michel Temer (SP), e o senador Renan Calheiros (AL). Quem fez a ponte para a reaproximação foi o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira. A aliança foi selada com a entrada do PMDB quercista na chapa à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o compromisso tucano em garantir a Quércia uma das duas vagas ao Senado. Aos 70 anos, Quércia está em franca campanha para tentar voltar ao primeiro time da política nacional. Mas depende 100% da definição tucana. “Minha candidatura só existe se existir uma candidatura Serra”.

Quércia integra o núcleo da pré-campanha serrista à Presidência, composto ainda pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), Aloysio Nunes Ferreira, o vice-governador Alberto Goldman, o ex-presidente do DEM, Jorge Bornhausen, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) e o presidente nacional do PPS, Roberto Freire.

Este grupo já se reuniu duas vezes este ano na casa de Kassab para tratar da campanha de Serra em 2010. A preocupação mais imediata deles é viabilizar as alianças estaduais que garantam o palanque presidencial de Serra. A principal meta do grupo é consolidar o PMDB como aliado nos Estados e, quando isso não for possível, ao menos conseguir que a legenda não apóie a provável candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), na sua convenção nacional do próximo ano.

Quércia duvida que Lula abrigue Temer na chapa de Dilma, mas reconhece que travará uma grande batalha para evitar que a convenção referende a composição se o convite lulista for feito. Como em todas as convenções pemedebistas, a de 2010 também promete controvérsias. Em 2006, o PMDB enfrentou uma batalha jurídica para decidir se teria a candidatura própria ou não. Convenções foram adiadas, candidaturas lançadas, retiradas e relançadas, insultos, rachas e até a greve do fome do pré-candidato Anthony Garotinho.

Quércia e seu grupo estão seguros de que, apesar da postulação de Temer, o PMDB, em São Paulo, vai de Serra. Aposta que terá o apoio também em Estados em que o PMDB e PT são rivais de longa data, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Pernambuco, noutros em que se ensaia uma composição, como Paraná e Mato Grosso do Sul, e até onde o partido almeja vôo solo, como a Bahia. Outra aposta do ex-governador se dá sobre os delegados que votam na convenção. “O PMDB que vota não é o PMDB do governo federal. A maioria é ligada ao MDB, tem história no partido e não crê na aliança com Lula como melhor caminho para o partido”, diz.

Na tarde chuvosa de sábado em Sorocaba, ele discursava no plenário da Câmara Municipal para uma platéia de 150 pessoas. “Esse partido hoje é muito dividido em nível nacional. Aqui em São Paulo temos uma posição. Discordamos do sentimento de grande parte do diretório nacional que apóia o governo Lula. Nossa proposta é apoiar Serra presidente e termos candidato ao Senado, que poderei ser eu.”

Era mais um encontro do PMDB paulista, o quinto dos dezoito programados pelo diretório para divulgar a candidatura Quércia ao Senado e ouvir as bases municipais daquele que um dia foi o partido onipresente no Estado, mas cuja identificação hoje se vale mais de ex-funções do que de poder. Algo constatado pela presença de alguns que acompanharam Quércia na mesa do evento: um vereador há onze mandatos de um município vizinho, um-ex-líder do governo, um ex-presidente da Câmara de Sorocaba.

A nostalgia é recorrente nos discursos dos que se oferecem para subir no púlpito do salão. Frases como “Gostaria que o PMDB voltasse a ser o PMDB de antes”, “Infelizmente o nosso partido aqui quase parou”, “Não quero mais trabalhar para outro partido em eleição”, “É momento do PMDB ressurgir das dificuldades”, “O diretório hoje caminha capengando” e “A gente tem que bancar do próprio bolso” apontam que tempos melhores já existiram. E a solução posta para que voltem é Orestes Quércia. Pelo menos para eles.

Apartados na política nacional, Quércia e Temer têm um acordo. Os quercistas comandarão o diretório estadual até as próximas eleições internas, quando passa o bastão para o deputado estadual Jorge Caruso, do grupo de Temer.

O ex-governador também tem sofrido pressão das bancadas legislativas em Brasília e em São Paulo, por exemplo, que ao longo dos anos viu seu número de integrantes diminuir gradativamente. Em 1994, após oito anos do PMDB no Palácio dos Bandeirantes, foram eleitos 14 deputados federais e vinte e três estaduais. Em 2006, após doze anos com os tucanos no poder, foram eleitos três federais e quatro estaduais.

Quércia, por sua vez, tem muito apoio nos mais tradicionalistas que, ao lado dele, compartilharam a hegemonia pemedebista no Estado. São eles hoje que criticam Sarney. “Como explicar, eticamente falando, que o partido tenha um Pedro Simon em uma ponta e Sarney em outra?”, questionou um desses em Sorocaba. É justamente essa rejeição a Sarney outra aposta dos quercistas, que acreditam que as sucessivas denúncias afastam ainda mais o interesse o “MDB histórico” de Lula.

Ainda que essa conjuntura do PMDB possa ameaçar sua candidatura, a avaliação é de que se trata de uma ameaça de pequeno porte. Embora possa causar algum constrangimento caso Temer seja o vice de Dilma, dificilmente Quércia desistiria. Encontraria respaldo no estilo Temer de evitar confrontos.

Ameaça maior é a candidatura do senador Romeu Tuma à reeleição. Em São Paulo, o PTB integra a base de Serra e já firmou compromisso com os tucanos de apoiá-los nas eleições de 2010, condicionando isso à candidatura Tuma ao Senado.

Nesse cenário, as duas vagas ao Senado da chapa de Serra têm pelo menos seis candidatos: Quércia, Tuma, e quatro tucanos: o presidente estadual do PSDB, deputado federal Mendes Thame; o líder do partido na Câmara, José Aníbal; o vereador em São Paulo, Gabriel Chalita; e o secretário paulista de Educação, Paulo Renato de Souza. Em seu partido, Serra tem preferência por Paulo Renato, mas os acordos com o PMDB e com o PTB no Estado podem comprometer sua escolha.

29/07/2009 - 11:37h Os curingas do Palácio

Colunista

Rosângela Bittar – VALOR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um plano, engendrou a estratégia, bolou a sucessão de procedimentos, colocou tudo em execução sob seu próprio comando e a percepção geral é que atingiu com muita antecedência seus objetivos. A ordem, não explicitada, por desnecessário, está clara: governo e PT, obedeçam, ou saiam de cena. Como ele tem uma popularidade amazônica, instrumentos à mão e ninguém produziu alternativa melhor, os súditos renderam-se às decisões do líder.

A candidata à sucessão presidencial é Dilma Rousseff, portanto uma certeza é que ficará vago o cargo de chefe da Casa Civil da Presidência da República. Também sairá o ministro do Gabinete de Relações Institucionais. E não propriamente dentro da Presidência, mas o cargo político mais importante do governo, sairá o ministro da Justiça. Lula prestará atenção a estes postos, em que se desempenham funções imprescindíveis à formação de uma boa retaguarda, para que possa dedicar-se integralmente à campanha, e o restante do governo seguirá funcionando rotineiramente.

O presidente explicou ao Ministério que precisava lançar a candidatura de Dilma antecipadamente por duas razões. Uma, para ter tempo de colar a candidata às políticas de governo e a si próprio; outra, para reduzir a vantagem inicial do adversário José Serra (PSDB) , com mais de 40% em todas as pesquisas.

A avaliação do presidente é que o objetivo já foi alcançado, e não há nada que exija, no momento, novas antecipações ou açodamento de nenhuma espécie..

Assim, seria cedo, por exemplo, para nomear diretores de campanha, como seus auxiliares pressionam e querem fazer crer que existem; é cedo para definir o novo comando da Casa Civil, que vai controlar o governo enquanto o presidente Lula viaja em campanha Brasil afora; é cedo para definir já o substituto do ministro de relações institucionais que deixará o cargo para integrar-se ao Tribunal de Contas da União; é cedo para a ministra Dilma deixar o governo.

Lula decidiu que ela deve sair no último minuto do último dia de março, limite final para a desincompatibilização. Acredita o presidente que o maior trunfo da candidata é ser a gerente do governo. Sair por aí ao léu, sem estar mais ligada às funções de governo, não lhe renderá os pontos que ganharia na gerência do Executivo, perdendo também o bônus do lançamento antecipado da candidatura.

Com o controle do tempo, o presidente arma opções à sua retaguarda. Para a Casa Civil, namora três nomes da equipe interna: O chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, o ministro da Comunicação, Franklin Martins, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

O ex-ministro Antonio Palocci saiu da lista de alternativas para a Casa Civil e para as Relações Institucionais, pelo menos por enquanto, porque as análises apontam que, mesmo se for inocentado do crime de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, o ex-ministro levaria para perto do presidente da República um problema, recolocando o governo no alvo dos ataques de adversários.

Lula, que vetou a possibilidade de Gilberto Carvalho disputar a presidência do PT, atribuiu-lhe novas tarefas e responsabilidades, e tanto pode ir para a Casa Civil como ficar onde está com as atribuições acumuladas. Gilberto delega a César Alvarez, alto funcionário da Presidência, a responsabilidade de cuidar da agenda presidencial, enquanto desempenha as novas funções de articulação com o Congresso, atuação com prefeitos e governadores, missões especiais junto ao empresariado.

Com Franklin Martins o presidente experimenta o mesmo sistema: as tarefas de Comunicação têm ficado com seus assessores enquanto o ministro tem sido chamado cada vez mais a fazer avaliações políticas, trabalhar as relações do governo com a opinião pública e a assumir atividades de confiança que lhe possibilitam fazer coordenações dentro do governo. Seus pronunciamentos em reuniões de coordenação política e ministeriais são bem recebidos pelo presidente e seus ministros. Pode ser transferido oficialmente a outro cargo.

Um terceiro curinga para a Casa Civil é o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que poderá, também, se lhe for determinado, continuar no Planejamento e não se candidatar a deputado em 2010. Como Carvalho e Franklin, que para ficar na retaguarda do presidente teriam altos funcionários técnicos para tocar a máquina, Paulo Bernardo contaria, no comando do PAC, o principal programa sob a coordenação da Casa civil, a atual responsável, Miriam Belchior, e o braço direito de Dilma, Erenice Guerra. Ambas sabem mais do programa que a titular.

A reorganização está sendo preparada para a Presidência. Com os Ministérios não há preocupação. O ministro da Justiça vai sair em janeiro, e há, sim, a possibilidade de ser feito um convite ao deputado José Eduardo Cardozo para o cargo. O deputado não tem interesse na reeleição para a Câmara, angariou a confiança e simpatia da ministra Dilma e poderá se afastar da disputa pela presidência do PT, deixando o caminho livre para a eleição de quem Lula quer ver no cargo, José Eduardo Dutra. Seria também, um ministeriável do governo Dilma, se vier a ser eleita.

Mas é só. Nos demais Ministérios o presidente pretende trabalhar com os secretários executivos. Na última reunião ministerial avisou a todos que não está disposto a abrir um processo de montagem de governo nos últimos nove meses de mandato. Isto significa que aproveitará Secretários Executivos, técnicos, soluções internas. De um deles, inclusive, o presidente não toma conhecimento. Saiu Mangabeira Unger, Lula recebeu uma lista de três nomes para seu lugar mas não demonstra o menor interesse por nenhum deles. O presidente quer fazer pouco movimento interno para fazer muito barulho externo. Porque não perdeu um mínimo de confiança na eleição da sua candidata e, ao contrário, acha que vai bater José Serra de “chicote”.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

29/07/2009 - 11:14h Brasil pode crescer 4,5% em 2010

Valor Econômico

BRASÍLIA – O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem estar cada vez mais convicto da possibilidade de a economia brasileira atingir uma taxa real de crescimento de pelo menos 4,5% já em 2010, como pressupõem os números da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A convicção decorre da avaliação de que todos os potenciais impactos da crise financeira mundial sobre o país já ocorreram e que, daqui para frente, portanto, não há perspectiva de nova piora.

” Quero dizer ´de cara´ que estamos muito otimistas. A previsão de que seríamos os primeiros a sair da crise é passado. Nós já saímos dela ” , afirmou o ministro, durante o 7º congresso internacional promovido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), do qual também participaram governadores e prefeitos. Bernardo reconheceu, por outro lado, que ” ainda há muito a fazer ” para restaurar a capacidade de expansão da atividade econômica. Preocupado com isso, revelou, o presidente Lula já pediu a sua equipe ministerial que faça uma ” reavaliação setor a setor, para ver que está bem e quem ainda precisa de uma maior interlocução com o governo ” , no sentido de superar obstáculos à retomada do crescimento.

Segundo Bernardo, os números do IBGE para o segundo trimestre de 2009 já deverão indicar crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) comparativamente aos primeiros três meses do ano.

Em resposta às preocupações com o aumento de gastos públicos federais num momento de queda real de receitas, Paulo Bernardo disse que o Brasil ” sai da crise com pouca sequela sob o ponto de vista fiscal ” . Para ele, o aumento da dívida líquida do setor público como proporção do PIB em 2009, após seis anos seguidos de redução, ” é um preço pequeno para salvar nossa economia ” .

No fim de 2008, consideradas as três esferas de poder, a dívida pública líquida equivalia a 38,8% do PIB. No fim de maio, essa mesma relação já tinha subido para 42,5%. Ainda que se reduza, o governo não espera que o percentual caia abaixo do verificado no fim de 2008 ainda em 2009. Já a partir de 2010, com a meta de superávit primário subindo para 3,3% do PIB (a de 2009 é de 2,5% do PIB), a perspectiva é de retomada da trajetória de queda da dívida como proporção do produto, disse o ministro.

Paulo Bernardo afirmou que a política fiscal anticíclica, adotada pelo governo brasileiro após o alastramento da crise financeira originada nos Estados Unidos, foi fundamental para que o Brasil fosse o último e o menos antingido entre os países que tiveram desaceleração de atividade econômica em função dessa conjuntura mundial adversa.

O empresário Jorge Guerdau Johanpeter, fundador e presidente do MBC, elogiou o aumento de investimentos públicos, mas considera isso insuficiente. Para ele, para que a economia consiga desenvolver todo seu potencial de crescimento, os investimentos públicos dos três níveis de governo , hoje na casa dos 3% do PIB, deveriam alcançar pelo menos 10% do PIB por ano, concentrando-se em infraestrutrura. Ele lembrou que o setor privado investe o equivalente a 17% do PIB total.

(Mônica Izaguirre | Valor Econômico)

29/07/2009 - 10:35h Pré-sal: sucesso garantido

Blog da Petrobras

mapa pré salEm relação à matéria divulgada no Jornal Valor Econômico nesta terça-feira  (28/7) sob o título “No pré-sal, 32% dos poços abertos são pouco viáveis”, a Petrobras esclarece que na região do pré-sal da Bacia de Santos, a taxa de sucesso é de 100%.
.
.
O mapa  (área azul) com a área do pré-sal, que se estende pelas Bacias de Santos e Campos, não corresponde a um único campo de petróleo. Além da existência da rocha reservatório, a descoberta de um campo petrolífero decorre da identificação e ocorrência simultânea de uma série de fatores geológicos, os quais definem o posicionamento dos poços exploratórios em determinada bacia sedimentar.
.

Clique aqui para ler o comunicado divulgado hoje ao mercado de capitais

 

 

http://www.cimm.com.br/portal/conteudo/noticias/imagem/Image/petroleo-estadao.jpg

VALOR Hoje

Infraestrutura: Informação de que nem todos os poços possuem potencial comercial surpreendeu analistas
Petrobras admite que sucesso não chega a 100% em todo pré-sal

Cláudia Schüffner, do Rio- VALOR

A Petrobras reconheceu ontem que a taxa de sucesso exploratório no pré-sal não é de 100%, ao contrário do que vinha sendo dito reiteradamente pela empresa e pelo governo. Ontem, ao comentar matéria do Valor, a companhia explicou que no relatório anual enviado para o órgão regulador de mercado de capitais americano – a US Securities and Exchange Commission (SEC) – informava que sua taxa de sucesso era de 87%. O percentual se refere a 30 poços perfurados em todo o pré-sal, e não apenas na bacia de Santos, até dezembro de 2008.

A nota da estatal e outra nota curta da Agência Nacional de Petróleo (ANP) foram as únicas referências da empresa ou do setor público brasileiro às informações apresentadas pelo Valor e que tiveram como base o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da ANP. Pelo levantamento da reportagem, nove de 28 poços perfurados foram classificados como secos ou como produtores subcomerciais de petróleo e gás.

Dos nove poços citados, a estatal e a ANP fizeram referência específica a apenas um deles, o de Corcovado-1. Em nota de três linhas, a ANP, responsável pelo banco de dados do BDEP, simplesmente informou que o banco de dados estava errado. Textualmente, ela disse que “a informação sobre o poço 6BG6P-SPS que consta no sítio do BDEP, como sendo poço seco e sem indício de petróleo, está equivocada. A informação correta (…) pode ser encontrada no sítio da ANP, na tabela Indícios de Hidrocarbonetos Constatados (…)”. Na reprodução ao lado consta a informação encontrada pelo Valor no site do BDEP e que agora foi corrigida pela agência responsável pelas informações do setor de petróleo e gás do país.

Na sua nota, a Petrobras faz referência a uma taxa de sucesso na “comprovação de presença de hidrocarbonetos”, o que pode ser traduzido como um sucesso do ponto de vista geológico, mas que não significa, necessariamente, um sucesso comercial. Tanto é que o Valor encontrou resultados desapontadores, com notificações de poços secos, subcomerciais ou apenas portadores de hidrocarbonetos entre os perfurados pela Petrobras no pré-sal. No jargão técnico definido pela portaria nº 76 da Agência Nacional de Petróleo (ANP) um poço portador é aquele “(…) incapaz de permitir a produção em quantidades comerciais, independentemente das facilidades de produção na área”. Já o subcomercial é aquele “cuja produção de petróleo e ou gás é considerada conjunturalmente antieconômica à época de sua avaliação”.

Entre os poços perfurados pela Petrobras no pré-sal e cujas informações estão disponíveis no Banco de Dados da ANP, existe pelo menos um classificado como portador (ver reprodução ao lado). Trata-se de Parati (1-BRSA-329D-RJS) que fica no bloco BM-S-10 da bacia de Santos onde a estatal é operadora tendo como sócias a BG e a portuguesa Partex. Uma perfuração em Roncador – onde a Petrobras tem um campo gigante no pós-sal – a uma profundidade de 4.964 metros informa que se trata de um “produtor subcomercial de óleo”. Pela profundidade tudo indica que o objetivo da companhia era testear o pré-sal na área.

Resultado quase idêntico foi encontrado no poço Baleia Franca (6-BRSA-639-ESS), no pré-sal da bacia do Espírito Santo, onde a perfuração a uma profundidade de 4.919 metros teve como resultado que ele é “produtor subcomercial de óleo e gás”. Todas essas informações são dados públicos disponíveis no BDEP, que organiza, administra, mantém e disponibiliza “todos os dados técnicos gerados pelas atividades de exploração e produção de petróleo no Brasil”, segundo informa a página na internet.

A Petrobras também não deu entrevistas sobre os dados dos demais poços que constam no site do BDEP e que são identificados como de resultados pouco animadores. Na nota, a estatal informou que no pré-sal da Bacia de Santos (sem incluir a área da Bacia de Campos) a taxa de sucesso se mantém em 100% . Esta é uma referência ao resultado da perfuração de onze poços operados por ela, que incluem Tupi, Iara, Iracema, Parati, Carioca, Iguaçu, Bem-Te-Vi, Caramba, Abaré, Guará e Júpiter. A classificação deles no BDEP reflete esse sucesso exploratório. Iara (1-BRSA-618-RJS), por exemplo, consta como “descobridor de campo com óleo”. É o mesmo resultado de Caramba (1-BRSA-56A), enquanto Bem-Te-Vi (1- BRSA-532A SPS) registra no resultado que se trata de “descobridor de nova jazida com óleo”.

Diante da informação da ANP de que os dados sobre Corcovado ( 6-BG-6P-SPS) no BDEP estão errados, o Valor tentou, sem sucesso, conversar com diretores da agência, que passaram toda a tarde de ontem em reunião, justamente para entender como a informação de “poço seco” foi parar no site alimentado pelo agência. Nenhuma explicação foi transmitida à reportagem.

A BG reiterou, em nota, que o poço Corcovado-1 (6-BG-6P-SPS) “mostrou indícios de hidrocarbonetos”, fato anunciado pela companhia dia 8 de abril de 2009. “Este resultado foi devidamente informado à ANP, conforme os procedimentos vigentes e a perfuração do poço Corcovado-2 ainda não está concluída e, portanto, não podemos comentar a respeito”. Hoje a companhia inglesa fará uma teleconferência e os analistas devem pedir mais informações sobre esses resultados.

Ontem o mercado reagiu mal às informações de que a área do pré-sal pode ser menos promissora do que a expectativa, ainda que a área continue a ser considerada a maior descoberta do setor nos últimos anos. Em relatório, o Deutsche Bank afirma que as novas informações “lançam uma sombra sobre o potencial das áreas do pré-sal e portanto questiona a necessidade de mudança na regulamentação atual”.

O Credit Suisse ressalta que o “fator de sucesso” no pré-sal continua bem acima da indústria e alguns poços secos são normalmente esperados. Mas o analista Emerson Leite frisa que “apesar disso, o desapontamento em relação ao BM S-22 e pontos de interrogação sobre outros poços, incluindo Corcovado, sugerem que alguma cautela é necessária e que qualquer superexpectativa deve ser, de algum modo, moderada”.

Confirmando que o Brasil tem reservas promissoras, a Repsol comunicou ontem que encontrou petróleo “muito leve e gás” no poço Vampira, perfurado no BMS-48, na Bacia de Santos, há pouco menos de 200 quilômetros da costa do Estado de São Paulo e a 140 metros de profundidade, portanto, fora do pré-sal. A empresa tem como sócios Petrobras (35%), Woodside (12,5%) e Vale (12,5%).

jornais2

Folha SP Hoje

TODA MÍDIA – FOLHA SP

SECANDO O PRÉ-SAL

O “Valor” deu ontem a manchete de papel “No pré-sal, 32% dos poços abertos são pouco viáveis”, citando “dados públicos”, no Rio. Ecoou fartamente no exterior, por Dow Jones, Bloomberg etc. No Brasil, como destacou o próprio Valor Online à tarde, “Petrobras puxa baixa da Bovespa”. Segundo o site, foi efeito das “preocupações” estimuladas pela “reportagem do “Valor’”. No fim do dia, a Petrobras respondeu que a taxa de viabilidade dos poços do pré-sal seria, na verdade, de 87%.
Ao fundo, a manchete do “Wall Street Journal” apontou ontem um “papel significativo dos especuladores” nos instáveis preços de petróleo.

refinaria

VALOR Hoje

Relações externas: Presidente da agência de fomento às exportações dos EUA chega ao país em busca de negócios
Pré-sal desperta interesse de americanos

Ricardo Balthazar, de Washington – VALOR

Empresas americanas que fornecem equipamentos e serviços para a indústria do petróleo estão se preparando para participar da exploração da camada pré-sal no Brasil mesmo se as mudanças que forem feitas na legislação brasileira inibirem a entrada de grupos estrangeiros nos novos blocos.

Essas empresas acreditam que a experiência que acumularam no setor oferece vantagens para o Brasil e decidiram lançar uma ofensiva para convencer as autoridades brasileiras disso, assegurando um volume significativo de recursos do governo americano para apoiar sua iniciativa.

“Nossas empresas têm grande experiência técnica nessa área e podem oferecer vantagens que competidores de outros países não têm”, disse em entrevista ao Valor Fred Hochberg, presidente do Export-Import Bank dos Estados Unidos, a agência oficial de fomento às exportações de produtos americanos.

Em maio, o Ex-Im Bank assinou com a Petrobras um acordo em que se compromete a financiar US$ 2,2 bilhões em compras de bens e serviços de empresas americanas pela estatal brasileira. Nenhum negócio foi fechado até agora, mas a linha de crédito continua aberta no guichê da agência.

Hochberg chega hoje ao Brasil para uma visita de três dias, em que fará contato com empresas e funcionários do governo. Sua agenda prevê encontros com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e executivos da Petrobras e da Vale. Ele assumiu a presidência do Ex-Im Bank há apenas dois meses.

O governo brasileiro está preparando várias mudanças na legislação que regula a exploração de petróleo no país e planeja adotar um novo modelo para os campos do pré-sal. Uma das propostas em discussão prevê a participação obrigatória da Petrobras como operadora de todos os novos blocos, o que daria à estatal maior controle sobre os investimentos que serão realizados e a contratação de fornecedores.

O projeto do governo deverá ser apresentado ao Congresso em agosto. Um dos seus objetivos é evitar que a exploração das gigantescas reservas de petróleo encontradas do pré-sal gere desequilíbrios na balança comercial do país e prejuízos para a indústria nacional, que teme ser passada para trás por fornecedores estrangeiros se não tiver ajuda.

“Independentemente do que o governo fizer para administrar suas reservas e a entrada de grupos internacionais no setor, o Brasil vai precisar de plataformas e equipamentos que não tem para explorar esses recursos”, afirmou o chefe de operações do Ex-Im Bank, John McAdams. “Haverá muitas oportunidades para empresas americanas.”

De acordo com o relatório anual da Petrobras, 78% das compras efetuadas pela empresa no ano passado foram feitas no Brasil. O plano de investimentos da companhia estabelece como meta para os próximos anos um índice de conteúdo nacional equivalente a 64% do valor total dos seus projetos.

O Ex-Im Bank ajuda a financiar uma fatia muito pequena do comércio americano, mas sua importância para muitas empresas cresceu com a crise internacional e a contração dos mercados de crédito. A agência viabilizou cerca de US$ 20 bilhões em vendas de produtos americanos no ano passado, quando as exportações dos EUA alcançaram US$ 1,3 trilhão.

O Ex-Im Bank tem atualmente uma carteira de US$ 2,3 bilhões em empréstimos e garantias concedidas ao Brasil. A agência ajudou a financiar nos últimos anos vendas de aviões da Boeing para a Gol e a TAM, helicópteros para a Líder Táxi Aéreo e equipamentos para a Vale e a Petrobras. A importância da agência para o Brasil foi maior na década de 90, quando o acesso do país a outras fontes de financiamento externo era mais restrito.

Hochberg diz ter interesse em financiar a venda de equipamentos para usinas hidrelétricas e outros projetos de interesse do governo e pretende discutir o assunto com Lobão. Mas sua prioridade agora é pôr em uso a linha de crédito aberta para a Petrobras. “Estamos ansiosos para ver essa linha aproveitada rapidamente, para que possamos pensar em outros projetos”, disse.

O maior cliente da agência americana atualmente é o México, onde sua exposição se aproxima de US$ 8 bilhões. A maior parte desse dinheiro financiou vendas de equipamentos e serviços para a Pemex, a companhia estatal que detém o monopólio da exploração de petróleo do México.

http://img115.imageshack.us/img115/4534/82903960cw2.jpg

Papel da Petrobras no pré-sal tem aval de Lula

Claudia Safatle e Cláudia Schüffner, de Brasília e do Rio – VALOR Online

29/07/2009

A estatal poderá deter blocos inteiros do pré-sal e será a operadora em todas as áreas que forem licitadas

O amplo papel destinado à Petrobras na exploração de petróleo no pré-sal é uma decisão estratégica de governo, previamente avalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e tem como objetivo reduzir o apetite das companhias estrangeiras sobre essas reservas, disse um ministro ao Valor. A estatal, pelas regras acertadas entre a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, poderá deter blocos inteiros do pré-sal e será a operadora em todas as áreas que forem licitadas, onde terá participação minoritária.

A nova política de pagamento de royalties sobre o petróleo do pré-sal também tem a anuência do presidente Lula. As áreas que já foram licitadas continuarão a pagar royalties e participações especiais (tributo cobrado sobre campos de alta produtividade) conforme a legislação em vigor, mesmo se o campo estiver no pré-sal, como é o caso de Tupi e Iara. As receitas públicas advindas da exploração de todas as outras áreas serão integralmente depositadas em um fundo que será criado para gerir os recursos dessas reservas. A rentabilidade das aplicações desse fundo é que serão distribuídas para todo o país, por meio do Orçamento da União, que os destinará a políticas sociais, sobretudo na educação.

“Não haverá mais royalties do pré-sal para os Emirados Fluminenses”, disse o ministro, referindo-se às gordas receitas que os municípios produtores do Rio de Janeiro recebem e que nem sempre são investidas em obras necessárias. Tornou-se famoso o caso de Rio das Ostras, que pavimentou o calçadão da praia com porcelanato.

Lula tem cobrado de Dilma e Lobão o marco regulatório do pré-sal. Na última reunião ministerial, ele disse a ambos: “Vocês estão me enrolando há um ano”. A intenção é submeter a proposta a especialistas antes de enviá-la ao Congresso.

Ontem, em nota, a Petrobras reconheceu que a taxa de sucesso exploratório no pré-sal não é de 100% – conforme reportagem do Valor -, ao contrário do que vinha sendo divulgado reiteradamente pela empresa e pelo governo. Já a Agência Nacional do Petróleo (ANP), também em nota oficial, informou que dados em seu site que classificavam um dos poços, o 6BG6P-SPS, como “seco e sem indício de petróleo” estavam equivocados.

29/07/2009 - 09:42h Kassab não sabia que Berrini não tem metrô

A restrição aos ônibus fretados em São Paulo leva a marca inconteste da gestão Kassab, a improvisação.

A justificativa para recuar da decisão na Avenida Berrini é a prova mais cabal da ausência de qualquer estudo ou planejamento na proposta inicialmente implementada; Kassab diz que foi necessário alterar o plano porque na avenida “não têm metrô”.

Que Kassab desconhecesse a inexistência do metrô pode se explicar pois ele usa o helicóptero alugado pela prefeitura para seus deslocamentos. Que seu Secretário de Transportes ignore o fato só mostra quanto está longe de suas preocupações o transporte público. Mas como explicar que o corpo técnico da secretaria ignore este fato?

Acontece, como já aconteceu repetidas vezes na atual “gestão” (como no “teste” com as motos na 23 de maio), que nenhum estudo é apresentado como basamento para decisões, nenhum debate é organizado sobre esses assuntos (a Câmara Municipal discutiu o assunto e a bancada do PT alertou sobre os fretados, mas de nada adiantou).

A improvisação é a irmã gémea do factóide. Procurando mostrar iniciativa para esconder a falta de investimento no transporte público, Kassab mostra preocupação pelo marketing e não pela gestão. Suas medidas buscam, com respaldo da mídia, transmitir a ideia de “ação” no setor pior avaliado de sua administração. Exemplificando, Kassab procura esconder com factóides que em 5 anos nenhum corredor de ônibus foi construído; que o aumento no número de passageiros correspondeu com diminuição do número de ônibus e que o trânsito piora a cada dia.

A mídia, em geral pouco crítica com os demo-tucanos, desta vez teve que apontar para os responsáveis pelo caos e deixaram Kassab mal parado. É que uma parte dos usuários dos fretados são leitores dos jornais, componentes da classe média que votou e vota nos demo-tucanos, o que provoca mais impacto que o descaso com os beneficiários do Bolsa-Família que por descaso de Kassab não recebem o dinheiro do governo federal.

Mesmo assim o tratamento do assunto é diferente no editorial de hoje do Jornal da Tarde e no editorial da Folha de São Paulo reproduzidos a seguir. Duas “sensibilidades” marcadas pelas orientações políticas e pela diversidade. LF

http://psolpinheiros.files.wordpress.com/2009/04/kassab.jpg

Editorial JORNAL DA TARDE

Deu no que deu

O que aconteceu no primeiro dia de vigência das restrições impostas pela Prefeitura à circulação dos ônibus fretados – protestos dos usuários desse tipo de transporte, lentidão média do trânsito acima do normal, mau funcionamento de muitos dos pontos de embarque e desembarque criados para os passageiros – era facilmente previsível, tendo em vista a forma improvisada e atabalhoada com que as mudanças foram adotadas e implantadas.

A situação ficou particularmente difícil, tanto de manhã como à tarde, nas imediações da Estação Santos-Imigrantes, da Linha 2 (Verde), do Metrô, como mostrou reportagem do Jornal da Tarde. Cerca de 200 ônibus fretados pararam no bolsão da Rua Guilherme Winter para o desembarque de 7,5 mil passageiros, entre 7 e 8 horas. A fila de veículos chegou à Avenida Ricardo Jafet, o que provocou congestionamento e dificultou a circulação de ônibus urbanos. Dentro da estação, passageiros esperaram até meia hora na fila para comprar bilhetes do metrô.

Casos semelhantes a esse ocorreram em vários outros pontos, o que fez com que, entre 7 e 10 horas, o índice médio de lentidão, de 31 quilômetros, fosse 40% maior do que o da segunda-feira da semana passada e 10% superior ao da última segunda-feira de julho de 2008. Não admira que, revoltados, os passageiros e outros que se sentiram prejudicados tenham promovido manifestações de protesto, com bloqueio de vias importantes – Avenidas Ricardo Jafet e Bandeirantes e Marginal do Pinheiros -, que ajudaram a piorar a situação.

Atribuir esses protestos a uma “postura intransigente de setores que se recusam a cooperar”, como fez a Secretaria Municipal de Transportes em nota oficial, é procurar fugir à realidade desagradável ou, como se diz, querer esconder o sol com peneira. Como assinalamos aqui quando essa medida foi anunciada, ela não se baseou em nenhum estudo técnico que recomendasse sua necessidade e indicasse sua viabilidade. Aí é que está a origem dos problemas que sua implantação vem enfrentando.

O fato de antes mesmo de sua aplicação ela ter sofrido alterações confirma que foi produto de improvisação. E os novos ajustes que o prefeito Gilberto Kassab prometeu fazer, depois da pouco feliz experiência do primeiro dia de vigência das restrições, só reforça essa conclusão. Agora, só resta ao prefeito e ao seu secretário de Transportes tentar limitar ao máximo, e rapidamente, os efeitos negativos de sua decisão, principalmente para evitar que a maior parte dos passageiros dos fretados opte por usar carro, porque, se isso ocorrer, vai complicar ainda mais o trânsito. E tomar consciência de que medidas desse tipo, que afetam a vida de milhões de paulistanos, exigem maiores cuidados.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/foto/0,,20849010-EX,00.jpg

Editoriais – FOLHA SP

editoriais@uol.com.br

Começo confuso

FOI MARCADO por transtornos o primeiro dia de restrição aos ônibus fretados na cidade São Paulo. Vias importantes para o tráfego foram interditadas por protestos. É preciso admitir que a ideia de impor regras à circulação desses veículos, em si correta, não foi bem aplicada. Faltou planejamento e algumas decisões terão de ser revistas.
O veto ao tráfego de ônibus contratados para transportar pessoas que trabalham numa mesma empresa ou numa mesma região da cidade vale de segunda a sexta, das 5h às 21h, numa área de 70 km2. A restrição inclui pontos de grande movimentação, como as avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Luiz Carlos Berrini.
As principais falhas foram a escolha de locais inadequados para embarques e desembarques e a incapacidade do sistema público, já saturado, de absorver a nova demanda em horários de pico.
Ainda é cedo para avaliar de forma conclusiva o impacto da restrição sobre o trânsito -que deveria, em tese, se beneficiar da medida, não apenas no que se refere à fluidez mas também ao respeito à ordem. Sabe-se que o crescimento do uso de fretados ocorreu de maneira desordenada, com paradas aleatórias e estacionamento dos veículos em locais impróprios.
É bom lembrar que a diminuição dos congestionamentos não beneficia só os automóveis. Também o transporte coletivo torna-se menos moroso. A medida adotada em São Paulo não pretende ser uma solução para os graves problemas da rede pública -apenas enfoca um aspecto importante. Cabe à prefeitura, nos próximos dias, acompanhar os resultados e mudar as regras se for necessário.

29/07/2009 - 09:05h Prefeitura recua e libera Berrini

Avenida simbolizava projeto que restringe circulação de fretados na cidade: mudança foi anunciada às 19h

http://img.limao.com.br/fotos/B2/BB/91/B2BB912441BA483C86935E42AC87582E.jpg

Renato Machado – O Estado SP

Os transtornos dos dois primeiros dias de restrição aos ônibus fretados fizeram a Prefeitura de São Paulo abrir mão do projeto original e liberar a circulação na Avenida Luís Carlos Berrini, na zona sul. Ao lado da Avenida Paulista, essa era a via mais emblemática do projeto municipal e citada como uma das que seriam mais beneficiadas pela restrição.

Veja também:

link Ônibus deixam rua residencial e complicam Marginal

link Metrô tem até 23% mais procura e quem usa fretado reclama de atrasos

forum Opine: a Prefeitura deve aliviar as regras aos fretados?

Na Berrini serão instalados seis novos pontos de embarque e desembarque de fretados – três de cada lado. A Chucri Zaidan, continuação da avenida, também receberá dois pontos especiais. Esses pontos começarão a funcionar hoje à tarde, segundo a Secretaria Municipal de Transportes. A parada perto da Estação Berrini da CPTM foi transferida para a Nações Unidas; e a da Rua Alvorada, para um recuo da Bandeirantes. “Esse é um período de ajustes. O trânsito é dinâmico e, por isso, as mudanças estão sendo feitas”, justificou o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes.

Ele anunciou as alterações ontem, por volta das 19 horas. No mesmo horário, uma fila de 80 ônibus fretados congestionava a Marginal do Pinheiros, perto da Estação Berrini. Na zona oeste, um grupo de 300 passageiros de fretados interditava as duas pistas da Dr. Arnaldo, em protesto contra a proibição. O secretário ressaltou que as alterações “não significam recuos na medida ou falhas no planejamento”. Ele afirma que o fato de haver pontos superlotados, como o da Estação Santos-Imigrantes, e outros que tiveram pouca adesão, como é o do Brás, é explicado “pela própria dinâmica das empresas de fretados”. O problema, segundo ele, será resolvido com um escalonamento de horários por parte dos empresários.

O presidente do Sindicato das Empresas de Fretamento de Turismo (Transfretur), Jorge Miguel dos Santos, elogiou a mudança na Berrini. “Em vez de atingir uma área tão grande, a Prefeitura tem de atuar em avenidas, organizar o serviço. Este é o momento de rever o que foi apresentado”, disse, ressalvando que o sindicato manterá a ação judicial para derrubar a restrição.

28/07/2009 - 22:00h Boa noite

Primeiro movimento do Requiem Aeternam de Fauré – Coral de Bow Valley

28/07/2009 - 19:57h Là ci darem la mano

Dom Giovanni – Christine Schäfer e Simon Keenlyside. Regente Claudio Abbado
Renee Fleming e Dmitri Hvorostovsky
Ruggero Raimondi e Teresa Berganza no filme de Joseph Losay Don Giovanni

28/07/2009 - 19:25h Teu corpo de agosto

Manuela Amaral

Teu corpo é Agosto

Tu cheiras a verão
por baixo das veias

Tu cheiras a quente

Tu cheiras à febre
do sangue maduro

Teu ventre de orgia
teu cheiro a sodoma
aroma-mulher

Teu corpo de Agosto
tem cheiro a Setembro.

Amor no feminino, Editora Fora do Texto, 1997 – Coimbra, Portugal

28/07/2009 - 18:44h Twisted angels and hidden feelings

Katy Bailey

katy_bailey_twisted_angels2.jpg

Twisted angels

 

 

katy_bailey_hifen_feelings.jpg

Hidden feelings

28/07/2009 - 16:57h Lançamento e convite

Olá, gostaria de convidar a todos debatedores do Blog para o lançamento do
meu novo livro de economia para leigos, com orelha do Mailson e prefacio do Herodoto
abraços

“Nemo mortalium omnibus horis sapit”
Prof.Dr.Carlos Eduardo Soares Gonçalves
Depto de Economia – FEA/USP

http://mail.mailig.ig.com.br/mail/?ui=2&ik=059ef31cd9&view=att&th=1229e284e3dbd60b&attid=0.2&disp=inline&realattid=f_fxeufzdh1&zw

28/07/2009 - 13:12h Não é facil

Não é fácil a situação dos senadores do PT, como mostra o desencontro entre as posições assumidas pelo líder Aloizio Mercadante e a executiva nacional do partido e do próprio Lula.

Certamente o que está em jogo na campanha da oposição e da mídia contra Sarney é debilitar o governo, rachar sua base de sustentação e enfraquecer o PMDB para inviabilizar o apoio a Dilma em 2010.

Nada disto tem a ver com ética, maracutaias ou privilégios e sim com ação sórdida que visa paralisar o governo e afastar a opinião pública das discussões sobre as escolhas essenciais para o país. É que nesse debate a oposição não tem nada a dizer e a ideologia neoliberal encontra maiores dificuldades para ser defendida pela mídia, seus argumentos não resistiram à crise.

Mas isto não significa que as maracutaias sejam inexistentes e que a opinião pública esteja errada em exigir o estabelecimento de padrões republicanos no funcionamento das instituições.

Os senadores do PT devem levar em conta essa opinião pública e encontrar mecanismos para desmontar a hipocrisia mediático-oposicionista, sem desencorajar a vontade ética que sensibiliza setores importantes da sociedade.

Esta tarefa parece fácil para os que recorrem ao “realismo” político, mesmo soando cinicamente aos ouvidos dos cidadãos, quando seus defensores não devem contas aos eleitores. Já quando se trata de senadores como Mercadante e Suplicy, todo cuidado é pouco e isto explica a atitude que eles assumem.

Isto não significa ceder à campanha oposicionista, nem vocação para ficar acima do muro e deixando para outros o “trabalho sujo”.

Mas é difícil ser ouvido no clima de radicalização, exagero e tartufaria que reina em Brasília e na mídia.

A postura de Mercadante risca de ser incompreendida. Não será aqui que receberá pedras. LF

28/07/2009 - 12:51h A falta que faz o “Sacro Colégio”

Colunista

Raymundo Costa – VALOR

A uma semana do fim do recesso, a crise do Senado continua tão ou mais grave do que antes. E o que é pior: não há ninguém à mão com autoridade política para negociar uma saída institucional satisfatória. Para o Senado e para a opinião pública. Enfraquecido, o atual Congresso está sob suspeição para tratar de assuntos que vão afetar as próximas gerações de brasileiros. A regulamentação da exploração das reservas do pré-sal, para citar apenas um exemplo.

A crise do Senado já seria ruim em si mesma, se não houvesse suspeita pior: a de que ela também está sendo manipulada por setores do Executivo e do PT para minar a candidatura da ministra Dilma Roussseff (Casa Civil) a presidente da República. Independente do mérito das denúncias contra o senador José Sarney, é fato que misturaram-se a crise do Senado e a sucessão presidencial de 2010.

É essa urdidura que explica que no Senado oposição – na guerra para reconquistar o poder perdido em 2002 – e governistas, esquerda e direita históricos, estejam taticamente do mesmo lado. Não é à toa que a oposição cobra a demissão de Tarso Genro, pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, do ministério que manda na Polícia Federal (Justiça).

As acusações contra Sarney ocorrem na sequência do escândalo em que envolveu o presidente anterior, Renan Calheiros, enredado numa trama de best-seller com sexo e dinheiro, política e poder. Renan, por seu turno, entrou em cartaz depois dos “Aloprados”, pastelão que nem de perto alcançou o sucesso e a bilheteria do “Mensalão”.

Estar no Congresso hoje virou demérito. Veja-se a frase do senador Tasso Jereissati à revista Época, edição que está nas bancas: “Às vezes, eu sinto vergonha de ser senador”. O senador José Sarney sem dúvida “se apequenou”, como afirma Tasso à revista. Era ele quem sempre mencionava o “Sacro Colégio de Cardeais”, um grupo de parlamentares de vários partidos que, por sua experiência e responsabilidade, como contou em livro o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, teria uma visão institucional – na hora das crises, era a eles que se devia apelar. O “Sacro Colégio” não há mais.

Era gente como Paulo Brossard, Roberto Campos, Tancredo Neves, Jarbas Passarinho, Delfim Netto (quando o tremor de terra era na economia), o próprio Sarney e – indo um pouco mais atrás – Afonso Arinos, para citar apenas alguns nomes.

No Congresso todo podia-se contar uns 50 parlamentares com essa visão institucional acima dos partidos e sectarismos políticos. Sem saudosismos: o radicalismo, o jogo da sobrevivência eleitoral e o patrimonialismo são hoje a regra e contaminam as relações do atual Congresso.

O dr. Ulysses, como era chamado o deputado Ulysses Guimarães, presidente do ex-MDB e do PMDB, um dos cardeais mais influentes do “Sacro Colégio” na ditadura e na redemocratização, costumava dizer que uma Legislatura era sempre melhor que a anterior e pior que a próxima (ele falava ‘Congresso’). Muito bom como frase de efeito, provavelmente um exagero, mas desconcertantemente atual, quando se vê o Senado emparedado com as denúncias contra Sarney.

Os cardeais que pontificam a atual crise parecem mais preocupados com os holofotes da TV Senado, quando não estão eles próprios devendo explicação a seus eleitores sobre a extensão do envolvimento de cada um na crise.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-candidato a presidente da República, nome acima de suspeitas e educador respeitado, já conseguiu armar uma confusão que levou a uma discussão sobre o fechamento do Senado – tese, aliás, da corrente no PT do ministro que chefia a PF. Mas Cristovam Buarque também estava na lista dos favores de Agaciel Maia, o ex-todo-poderoso diretor do Senado.

O mesmo aconteceu com Artur Virgílio (AM), o líder do PSDB e o “ético” Pedro Simon (RS). Jereissati, que fez um governo premiado no Ceará, anda, também jogado na roda de moer da crise, anda enfurecido, quando poderia ser uma voz de equilíbrio.

O líder do Democratas (DEM), José Agripino, ficou repetitivo. E Eduardo Suplicy (PT-SP)? Tem razão Lula, o grande sustentáculo do presidente José Sarney: como é que ele ficou mais de 18 anos no Senado – está no 3º mandado – e não viu nada?

O comportamento errático da bancada do PT no Senado confunde mais do que explica a situação dos partidos na crise. Tendo o senador Aloizio Mercadante (SP) à frente, petistas querem o afastamento de Sarney do cargo. Nisso, estão juntinhos com o Democratas e PSDB, seus adversários na disputa de 2010. O DEM votou declaradamente em Sarney para presidente do Senado; o PSDB, contra. Assim como o PT.

Nem todos os senadores do PT defendem essa posição. Mas, pelo menos até agora, todos foram obrigados a engolir o apoio irrestrito que o presidente Lula deu a José Sarney, aliado de primeira hora de seu governo.

O apoio de Lula a Sarney é registrado nos partidos como resultado de um acordo para o apoio formal do PMDB a Dilma Rousseff nas eleições de 2010. Daí a ofensiva da oposição contra o presidente do Senado, na esperança de dividir os pemedebistas e eles fiquem sem candidato na sucessão presidencial do próximo ano.

Os ataques do PT a Sarney têm o mesmo efeito: enfraquecem a ala mais dilmista do partido (a bancada dos senadores) e também contribuem para que os pemedebistas cheguem rachados à eleição.

Sem porta de emergência, os senadores assistem passivos o esgarçamento das instituições: o Executivo é um poder de um escaninho só, apenas Lula fala; o Congresso está de joelhos, com o presidente do Senado pendurado na corda bamba do que Lula diz, e o Judiciário, quando extrapola sua função para além de interpretar a Constituição.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br

28/07/2009 - 11:14h Construtoras retomam vendas para classe média

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/02/construcao.jpg

No 2.º trimestre, empresas viram mercado para imóveis acima de R$ 350 mil se recuperar

Chiara Quintão – O Estado SP

Num momento em que as incorporadoras voltam cada vez mais suas atenções para o segmento de econômico, principalmente por causa do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, o mercado começa a se deparar também com o início da retomada da demanda por imóveis destinados às faixas de renda média e média-alta. Essa tendência já aparece no desempenho, no segundo trimestre, das vendas contratadas de incorporadoras que não têm foco nas faixas de renda contempladas no pacote e que já divulgaram prévias operacionais.

Um dos principais estímulos para a demanda de unidades pelo segmento médio foi a ampliação do limite do valor máximo do imóvel a ser financiado com recursos da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), de R$ 350 mil para R$ 500 mil. “A velocidade de vendas de imóveis na faixa de R$ 350 mil a R$ 500 mil aumentou no segundo trimestre”, afirma o diretor Comercial da Tecnisa, Douglas Duarte.

A melhora do cenário macroeconômico também contribui para a tomada de decisão de compra pelos consumidores. “As empresas pararam de demitir e estão percebendo a necessidade de começar a admitir de novo”, diz Duarte. No segundo trimestre, as vendas contratadas da Tecnisa somaram R$ 298,5 milhões (parte da companhia), 10% a menos que no mesmo período do ano passado, mas 10% acima do valor vendido no primeiro trimestre. A Tecnisa lançou R$ 40,5 milhões no trimestre, cifra 86,6% menor que a do mesmo intervalo de 2008. Os estoques responderam por 93% das vendas.

“Houve impacto positivo da ampliação do limite do financiamento do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e do FGTS. Não temos visto postergação da decisão de compra”, afirma o diretor executivo de Investimentos da Brookfield Incorporações, Alessandro Vedrossi. A Brookfield registrou vendas contratadas de R$ 568,5 milhões no segundo trimestre, 77% a mais que no mesmo período do ano passado e 86% maiores que as do primeiro trimestre. Do total, o segmento residencial foi responsável por R$ 387 milhões, e o de escritórios, por R$ 181 milhões.

No segmento econômico (imóveis residenciais até R$ 130 mil), a Brookfield vendeu R$ 13,9 milhões, 37% a menos que no segundo trimestre de 2008. Na faixa de renda média-baixa (R$ 130 mil a R$ 350 mil), as vendas cresceram 80%, para R$ 188,3 milhões. No segmento médio (R$ 350 mil a R$ 500 mil), houve expansão de 17%, para 44,1 milhões. Na classe média-alta (R$ 500 mil a R$ 1 milhão), as vendas caíram 24%, para 54,2 milhões. Na alta renda (acima de R$ 1 milhão), o aumento foi de 61%, para 79,3 milhões. A companhia lançou R$ 587,5 milhões no segundo trimestre, sendo R$ 351,3 milhões para o segmento residencial, com todas as unidades até R$ 500 mil.

CONDOMÍNIOS-CLUBE

A Even Construtora e Incorporadora registrou vendas contratadas de R$ 252,9 milhões no segundo trimestre (parte da companhia), 100,8% a mais que no primeiro trimestre. Do total, R$ 99,5 milhões foram vendas de lançamentos do próprio trimestre e R$ 153,4 milhões de estoques. Os segmentos médio, médio-alto e alto responderam por 82% das vendas de estoque. “No primeiro trimestre, houve retração por parte da média e média-alta renda, pois o consumidor estava receoso de perder o emprego”, diz o diretor de Incorporação da Even, João Azevedo.

Com a ampliação do financiamento com recursos da poupança e do FGTS, a demanda foi retomada por unidades de R$ 350 mil a R$ 500 mil, principalmente de condomínios-clube, de acordo com Azevedo. A Even não fez lançamentos nessa faixa no segundo trimestre, dando prioridade à venda de estoques, mas pretende lançar projetos para o médio padrão no terceiro trimestre. Dos seis lançamentos da Even no segundo trimestre, quatro foram no segmento econômico (até R$ 200 mil) e dois na faixa média-alta.

A EZ Tec, que atua em todas as faixas de renda, com foco em empreendimentos para média e média-alta renda, vendeu R$ 243,5 milhões no segundo trimestre, 70,6% a mais que no mesmo período do ano passado. Do total vendido, a maior parte se concentrou no segmento comercial, cujas vendas foram impulsionadas pelo lançamento, em maio, do Capital Corporate Office, maior projeto que a EZ Tec já desenvolveu. No trimestre, a companhia lançou também um projeto residencial de alto padrão, com valor médio das unidades de R$ 1,4 milhão. Segundo o vice-presidente e diretor de Incorporação da EZ Tec, Silvio Zarzur, houve retomada da demanda por unidades de médio e alto padrão desde o início do ano.

NÚMEROS

R$ 500 mil é o novo valor máximo dos imóveis a serem financiados com uso do FGTS, uma das razões para o aumento das vendas no segmento

61% foi o aumento das vendas dos imóveis acima de R$ 1 milhão da Brookfield

28/07/2009 - 10:55h Grupos brasileiros crescem em ranking dos maiores do mundo. Petrobras avança do 37º para o 8º lugar

brasil_olho.jpg

Para consultoria, números mostram que empresas do País estão se recuperando mais rápido

Renato Cruz – O Estado SP

As grandes empresas brasileiras estão entre as que mais se valorizaram no mundo no primeiro semestre, avançando no ranking das 300 maiores empresas globais, por valor de mercado, elaborado pela consultoria Ernst & Young. O levantamento mostrou a recuperação das empresas depois do ponto mais crítico da crise mundial, no final do ano passado.

O número de empresas brasileiras na lista passou de cinco, em dezembro, para oito, em janeiro, com três delas entre as 100 maiores: Petrobrás (8º lugar), Vale (46º) e Itaú Unibanco (76º). Entre as 300 maiores, ainda aparecem o Bradesco (120º), a AmBev (147º), o Banco do Brasil (204º) e o Banco Santander do Brasil (254º). O estudo tem como base o valor das ações das empresas ao fim do semestre.

“A recuperação está muito alinhada com os Brics”, disse Paulo Sérgio Dortas, sócio da área de transações corporativas da Ernst & Young, referindo-se ao grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China. “A Rússia e a China também se recuperaram.”

O total de empresas chinesas na lista das 100 maiores passou de oito no fim de 2009 para 11 em junho. No entanto, as três brasileiras entre as 100 maiores foram as que apresentaram a maior valorização, com valor conjunto de US$ 313,8 bilhões. Elas subiram 101%, ficando muito à frente das russas, que acumularam um aumento de 42%, com o segundo melhor resultado entre os países.

A China tem três empresas entre as dez maiores: Petrochina (1º), Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) (3º) e China Construction Bank (6º). A operadora de telecomunicações China Mobile (5º) tem sede em Hong Kong. A Petrochina ultrapassou a americana Exxon Mobil, que ocupava o topo da lista no fim do ano passado e passou para o segundo lugar.

A Petrobrás é a única empresa brasileira entre as 10 maiores. Seu valor de mercado passou de US$ 95,895 bilhões para US$ 164,818 bilhões, avançando do 37º para o 8º lugar no ranking. A Vale subiu do 68º para o 46º lugar, com um valor de mercado de US$ 89,317 bilhões, o que equivale a um crescimento de 48% no trimestre. “A valorização da Petrobrás e da Vale reflete, em grande parte, a recuperação do mercado de commodities”, destacou Dortas.

A alta dos bancos brasileiros, com a entrada de dois deles na lista das 300 maiores empresas, mostra como eles foram pouco afetados pela crise, quando comparados com as instituições de países desenvolvidos. “Uma notícia muito boa foi o avanço da AmBev, que está muito mais ligada à situação do País que ao mercado internacional”, disse o consultor. “É uma empresa que depende mais do mercado interno, e sua recuperação mostra que as classes C, D e E continuam consumindo.”

Com base nos dados do estudo, Dortas apontou que já existem sinais de que a retomada do crescimento começa a acontecer mais rápido que o esperado, puxada pelos Brics. “O Brasil e a China são os carros-chefe, e estão surpreendendo quem só esperava uma recuperação para 2010.”

As empresas americanas e europeias perderam espaço na lista das 300 maiores do primeiro semestre, com um crescimento da Ásia. “Apesar de ainda estarem em primeiro lugar, essas economias têm perdido pujança”, apontou. O total de empresas americanas entre as 300 maiores manteve-se estável, com perdas de posições para muitas delas, enquanto o número de empresas europeias caiu de 110 para 95. Entre as 100 maiores, a presença europeia passou de 46 para 35 companhias.

Depois de cair 22% no primeiro semestre de 2008 e 33% no segundo, o valor das 300 maiores empresas voltou a crescer, com expansão de 8%, ou US$ 1,1 trilhão. No ano passado, perderam US$ 11,3 trilhões.

28/07/2009 - 10:14h Cracolândia para “inglês ver”

Arquitetos estrangeiros visitam a cracolândia

Em tour pela região, eles foram poupados de vias de uso de droga

http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2007/10/cracolandia-thumb.jpg

Fernanda Aranda – O Estado SP

A região onde fica a cracolândia, no centro, devastada pelo uso e comércio de drogas, foi apresentada ontem à elite mundial de arquitetos. Profissionais de todas as partes do mundo vieram conhecer o quadrilátero central que há anos espera receber um projeto de revitalização. Mas os “defeitos” da área não foram, assim, logo de cara escancarados. Escoltado por dois guardas-civis metropolitanos (GCM), o grupo realizou o tour às 10 horas e foi poupado de conhecer as Ruas Guaianases e Vitória – as vias que concentram o maior número de usuários crônicos de crack a qualquer hora.

O turismo realizado no centro paulistano fez parte do Fórum Urbano e Internacional. Estiveram presentes na caminhada arquitetos da China, Coreia do Sul, Marrocos, Austrália e Estados Unidos, entre outros. A visita ocorreu às vésperas do lançamento, pela Prefeitura, do edital de licitação para escolha de um projeto arquitetônico que, enfim, transforme a cracolândia em Nova Luz. O prazo previsto é agosto; e o governo municipal já afirmou desejar que escritórios internacionais participem da disputa.

O início do tour foi na Sala São Paulo. Lá, o arquiteto da Universidade Mackenzie Nélson Dupret, responsável pela obra, contou como foi transformar uma antiga estação ferroviária em um espaço de orquestras sinfônicas. Os estrangeiros anotavam tudo e disparavam flashes para tudo. As mesmas máquinas fotográfica iriam circular pelas ruas do centro, o próximo ponto do passeio. Como, de início, as Ruas Guaianases e Vitória faziam parte do roteiro, a orientação da guia era clara. “Cuidado por aqui, mantenham a bolsa próxima do corpo.” O tour ao ar livre começou às 10h30 – todo o passeio teria mais 20 minutos de duração – e ainda faltava conhecer a Pinacoteca. A garoa não dava trégua.

Essa foi a alegação do Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo (IAB-SP), organizador do evento, para tirar as ruas “problemáticas” do roteiro. Ainda que só três quadras tenham sido percorridas, o encontro com a “realidade” foi inevitável. “Me dá dinheiro”, pedia um dependente químico, com um vidro de cola, ao grupo internacional. Imediatamente, ele foi “espantado” pelos GCMs.

“Não era nossa ideia entrar na cracolândia”, afirmou no fim da tarde a presidente do IAB-SP, Rosana Ferrari. “Degradação é degradação em qualquer lugar. Queríamos mostrar obras que justificam o investimento arquitetônico, como a Sala São Paulo e a Pinacoteca. Foi isso o que fizemos.”

Apesar da degradação da região não ter aparecido no tour, é essa característica que faz da área “única no mundo”, afirmou ontem também Nádia Somekh, pesquisadora que em seu projeto reúne experiências de todo o planeta na área de recuperação de áreas degradadas. Ela, que é representante brasileira na União Internacional dos Arquitetos, avalia que a Nova Luz precisa de um projeto que contemple habitação, inserção social e trabalho.

O secretário de Controle Urbano, Miguel Bucalem, no fim do evento, também descreveu a Nova Luz como “única”. “O modelo internacional serve como troca de experiência, mas nenhum pode ser aplicado na região.”