Alemanha e França voltam a crescer e puxam economia da zona do euro

Bloomberg – VALOR
Alemanha e França surpreenderam, voltando a crescer no trimestre passado. O resultado dos dois quase fez com que a economia da zona do euro não sofresse contração e sugere que a recessão da região, a pior desde a Segunda Guerra Mundial, pode estar chegando ao fim.
O Produto Interno Bruto da zona do euro encolheu 0,1% em relação ao primeiro trimestre, período em que contraiu 2,5% – o qual foi o maior declínio desde que os dados relativos ao bloco começaram a ser compilados, em 1995, informou o departamento de estatística da União Europeia (UE). Economistas haviam estimado que o PIB teria encolhido 0,5% nos três meses até junho, segundo mostra a mediana de 32 projeções colhidas em pesquisa da agência Bloomberg.
Na Alemanha, a maior economia da Europa, o PIB cresceu 0,3% (dado sazonalmente corrigido) em relação ao primeiro trimestre, quando caiu 3,5%. A economia da França também cresceu 0,3% no trimestre passado.
A Itália e a Holanda foram os países que puxaram a economia da zona do euro para baixo. A economia italiana contraiu 0,5%, e a holandesa teve queda de 0,9% no segundo trimestre.
O PIB da zona do euro recuou por cinco trimestres consecutivos, a mais longa contração desde o início da série histórica, que começou há 14 anos.
A demanda pelas exportações da zona do euro está melhorando no mesmo momento em que os pacotes de resgate dos governos e os juros baixos sustentam os gastos do consumidor interno. Os dados divulgados sugerem que o Banco Central Europeu (BCE) não precisará aumentar as medidas de incentivo, mas o crescente desemprego em toda região deverá ainda conter o consumo.
“Existe uma chance mais do que razoável de que a atividade econômica da zona do euro tenha agora chegado ao ponto mais baixo e que voltará a crescer no terceiro trimestre, com muitas das outras economias seguindo o exemplo da Alemanha e da França e saindo da recessão”, disse Martin van Vliet, economista-sênior do ING Bank de Amsterdã. “Tememos, porém, que a recuperação seja relativamente lenta e demorada.”
A melhora econômica da Alemanha acontece quando a premiê conservadora Angela Merkel está em campanha pela reeleição na votação marcada para 27 de setembro. “Merkel está numa boa posição para explorar a volta precoce ao crescimento econômico, mas eu me surpreenderei se ela fizer isso com muita ênfase”, disse Laurent Bilke, economista-sênior da Nomura de Londres. “Ainda se justifica uma certa cautela enquanto o mercado de trabalho continuar a se enfraquecer.”
A economia do Reino Unido, que pertence à UE, mas não à zona do euro, contraiu 0,8% no segundo trimestre, mais do que o dobro do previsto por economistas.
Em relação ao segundo trimestre de 2008, a economia da zona do euro encolheu 4,6 entre abril e junho, depois de uma contração de 4,9% nos três primeiros meses do ano, segundo o relatório.
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