Apoio rápido no gatilho
A Folha não precisa maiores esclarecimentos para manifestar rapidamente seu apoio a licitação de Kassab sobre mobília urbana. Dá como moeda corrente a afirmação da Emurb que a manutenção dos abrigos implicará em nenhum retorno aos cofres municipais pela concessão da publicidade. Não precisa saber se isto é verdade ou não, nem qual é a prática em outros países sobre o mesmo assunto.
O negócio é bom para a empresa que ganhar, mas para a prefeitura? Os abrigos já existem, pelo menos na área que mais publicidade ira receber, o centro expandido. A licitação prevê um novo modelo de abrigo a ser construído pela empresa ganhadora? aparentemente não. Ela ira vender o espaço publicitário e abocanhar lucro sem nenhum investimento prévio, utilizando os abrigos já existentes e construídos pela prefeitura? Ou a prefeitura utilizará o critério da outorga que é usado para as estradas em São Paulo?
Como essas, têm inúmeras peguntas que o editorial da Folha não faz, dedicado a apoiar o retorno da publicidade nesses abrigos.
Indiscutivelmente dobrar o número de relógios permitirá um extraordinário ganho de pontualidade dos cidadãos, permitindo que deixemos os nossos relógios de pulso, em casa; mas é uma contrapartida suficiente para quem ira explorar publicitariamente? ou a prefeitura deveria receber uma parte da receita publicitária?
Porem, em 15 de setembro 2007 a Folha informava do projeto de Kassab em estes termos:
“Funcionará assim: a empresa instala os abrigos de ônibus ou os relógios nos pontos predefinidos e vende anúncios nesses locais. Para poder explorar essa publicidade, terá de pagar um valor à prefeitura. Ganhará a licitação a empresa que oferecer o maior valor para “comprar” o direito de explorar o serviço.
O governo estima que possa arrecadar até R$ 150 milhões por ano com a concessão do serviço. Antes da Lei Cidade Limpa, por conta da poluição visual, a receita seria de, no máximo, R$ 40 milhões, disseram técnicos da prefeitura.
Kassab afirmou que o dinheiro será usado para começar a enterrar fios e cabos.
Contratos
Hoje, os abrigos de ônibus e os relógios têm propaganda. Os contratos são anteriores à Lei Cidade Limpa.
São 1.250 abrigos de ônibus, cujo contrato vence em 30 de setembro, e 350 relógios com hora e temperatura e contrato até 31 de dezembro.
A prefeitura arrecada cerca de R$ 140 mil por mês com os dois contratos, ou R$ 1,68 milhão por ano, pouco mais de 1% do que o governo pretende receber com a nova licitação.
Será permitida propaganda em pelo menos 8.000 abrigos de ônibus, que devem ser instalados pela própria empresa que vencer a licitação. Hoje, a prefeitura recebe R$ 0,60 para cada abrigo com publicidade, um pagamento simbólico, equivalente a R$ 750 por mês.” (FSP 15/09/2007).
Agora resulta que “a prefeitura não receberá quase nada -a vantagem é que deixará de gastar” (editorial FSP, hoje ver mais embaixo).
A Folha é rápida no apoio e silenciosa nas interrogações. LF
Editoriais
Abrigos e relógios
O PREFEITO de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), decidiu permitir a publicidade em abrigos de pontos de ônibus, além de triplicar o número de relógios de rua, onde as propagandas já são permitidas. A possibilidade de anúncios nos pontos já estava prevista quando a Lei Cidade Limpa entrou em vigor, há dois anos e meio. Agora, parte do chamado mobiliário urbano começa a ganhar peças publicitárias, que deverão custear sua renovação e manutenção.
Desde que bem conduzido, o projeto oferece vantagens à cidade. Não retrocede no ganho contra a poluição visual, promove uma fonte de recursos para o erário e se compromete com a conservação de um item importante para a boa qualidade do transporte público municipal, que é o oferecimento de abrigos de ônibus bem conservados.
No caso dos relógios de rua, cuja licitação para exploração será aberta hoje com uma consulta pública, a ideia é passar dos atuais 320 em toda a cidade para cerca de 850 equipamentos em até dois anos. Outros 150 ficarão em reserva técnica para novas avenidas ou ampliação da cobertura, a critério da prefeitura. Os relógios passarão a ter câmeras de vídeo conectadas com a Polícia Militar, a Guarda Civil Metropolitana e a Companhia de Engenharia de Tráfego.
A licitação para os abrigos de ônibus deve ser aberta até o próximo mês. A depredação inutiliza 15% dessas instalações todo ano. A estimativa dos técnicos da Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), que gerencia o projeto, é que a prefeitura não receberá quase nada -a vantagem é que deixará de gastar. Os contratos devem render R$ 2,4 bilhões, pagos em sua maioria com abrigos e relógios.
É de esperar que o projeto resulte em melhorias palpáveis para os cidadãos com a instalação de equipamentos de qualidade.
3 COMENTÁRIOS PARA "Apoio rápido no gatilho":
Favre, temos provas de que a licitacao dos relogios e abrigos ja tem dono… vc tem interesse em saber maiores detalhes para postar isso???
caso tenha, vamos falar pelo email cadastrado.
att
se tiver provas de alguma irregularidade pode enviar as provas aqui que serão publicadas e encaminhadas ao MP. Ou pode procurar diretamente o MP.
A lei da cidade limpa esta me parecendo uma desculpa para mudar o dinheiro da propaganda de mãos.
Uma pena que eu desperdicei meu voto com esse cara.