Folha mostra uma promotoria muito esquisita nas suas acusações
É realmente curioso. Os promotores lançam publicamente acusações gravíssimas basados em suposta testemunha não identificada. Ele visam enlamear o nome da ex-prefeita do PT, preservando José Serra e Kassab, ambos igualmente acusados, na mesma base, de receberem propina.
A justiça determinará se as acusações contra Marta, Serra e Kassab tem fundamento. Mas o dano provocado pelo promotor já terá acontecido. LF
Promotoria relata propina na merenda
Promotores dizem que empresas deram dinheiro nas gestões Marta, Serra e Kassab para manter serviço e pedem suspensão de contratos
Ministério Público afirma que acusações são baseadas em cerca de dez depoimentos e em comprovantes de saques feitos pelas terceirizadas

Merendeiras preparam lanche de alunos de escola municipal da capital paulista
ALENCAR IZIDORO E CONRADO CORSALETTE – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério Público Estadual entrou ontem com ação na Justiça para tentar impedir a continuidade dos contratos terceirizados da merenda escolar na cidade de São Paulo sob a justificativa de que eles têm sido feitos e mantidos nos últimos oito anos em razão do pagamento de propina a agentes públicos e fraude em licitações.
O processo cita que os “pagamentos de comissões” por seis empresas que fornecem a merenda “atingiam e ainda atingem cerca de 10% do valor cobrado” da prefeitura -a estimativa dos novos contratos passa de R$ 35 milhões/mês.
A Promotoria diz que, conforme a investigação em curso, esse esquema “nefasto” foi iniciado na gestão Marta Suplicy (PT), em 2001, e continuou nas gestões José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM).
“Durante esse tempo todo houve pagamento de propina”, disse -citando se basear em relatos de testemunhas- Arthur Pinto de Lemos Jr., promotor que investiga a merenda ao lado de Silvio Antonio Marques.
A Promotoria, porém, só identifica pessoas da gestão petista que seriam favorecidas com os pagamentos. Afirma que, nas demais, os envolvidos ainda estão sob investigação.
Os promotores não apresentaram provas materiais. Afirmaram que as acusações são baseadas em depoimentos (dizem que em torno de dez citam a propina) e em comprovantes de saques de grandes volumes de dinheiro pelas empresas.
As citadas no esquema que eles chamam de “máfia da merenda” são: SP Alimentação, Geraldo J Coan, Sistal, Nutriplus, Convida e Terra Azul.
Com base no depoimento de uma testemunha mantida sob sigilo (denominada “Sr. X” sob a alegação de segurança), a Promotoria citou nominalmente a ex-prefeita Marta Suplicy e seu ex-secretário de Abastecimento Valdemir Garreta como destinatários de propina e de R$ 1 milhão para a campanha de 2000 em troca de contrato futuro com as empresas.
A mesma testemunha disse em depoimento em 11 de março de 2009, segundo consta da ação da Promotoria, que “dois ex-prefeitos receberam vantagens ilícitas expressivas para implantar ou continuar” com a terceirização da merenda.
O atual governador Serra e Marta são os únicos “ex-prefeitos” desde que esse sistema de merenda terceirizada foi implantado. O tucano, entretanto, não é citado nominalmente na ação -a Promotoria não explicou oficialmente a razão. O nome do prefeito Kassab também não é citado em nenhum momento -embora na ação os promotores afirmem que os pagamentos continuaram a ser feitos na atual gestão.
A Promotoria pede no processo que a Justiça impeça, por liminar, que a gestão Kassab assine contratos com as vencedoras de um novo pregão (que deve ser concluído nesta semana) ou que prorrogue os contratos com as seis empresas que prestam os serviços atualmente (quatro das quais venceram 8 dos 14 lotes da nova licitação).
Os promotores dizem que as empresas e pessoas acusadas de corrupção ou irregularidades serão alvo de outros processos penais e por improbidade administrativa após a conclusão das investigações.
O atual secretário da Educação, Alexandre Schneider, também é citado na ação. Segundo os promotores, ele está “indelevelmente envolvido nas irregularidades” porque “tinha ciência das diversas irregularidades praticadas e da péssima qualidade da merenda”, mas não impediu que as empresas participassem de nova licitação.
A Promotoria diz ainda que as empresas se envolveram em cartel nas últimas licitações -combinando os preços.
Argumenta também que elas fornecem comida de “péssima qualidade”, conforme relatórios do Conselho de Alimentação Escolar, e que preços são ao menos 30% superiores aos da merenda feita pelo município.
Para a Promotoria, a prefeitura deveria abandonar a terceirização da merenda.
outro lado
Kassab e Serra não comentam caso; Marta nega
DA REPORTAGEM LOCAL
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), não quis se pronunciar ontem sobre as acusações do Ministério Público Estadual sobre o suposto recebimento de propina por parte de sua gestão.
Também procurado ontem à noite, o governador José Serra (PSDB) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria comentar o assunto.
A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) divulgou nota na qual afirmou desconhecer as acusações do Ministério Público. Afirmou que, durante sua gestão (2001-2004), a qualidade da merenda em São Paulo melhorou.
“Declarações absurdas, acusações infundadas, submeterei à avaliação dos meus advogados”, afirmou a nota.
Valdemir Garreta, ex-secretário de Abastecimento de Marta, afirmou, também por meio de nota, que, assim como a ex-prefeita, desconhece as acusações. “O relacionamento com empresas fornecedoras sempre se deu de modo transparente, ético e legal”, disse.
outro lado
Empresas dizem que nunca pagaram propina
DA REPORTAGEM LOCAL
Empresas fornecedoras da merenda terceirizada em São Paulo ouvidas ontem pela Folha negaram participar de qualquer esquema de pagamento de propina à prefeitura.
A SP Alimentação afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não houve fraudes nas contratações e que nunca pagou propina. A empresa questionou o fato de os promotores não terem aberto ação penal contra aqueles que acusa.
A Nutriplus, outra acusada na ação do Ministério Público, negou “de forma categórica qualquer envolvimento com o suposto esquema de pagamento de propina”. “A Nutriplus não paga e não pagou vantagens ilegais e indevidas a funcionários públicos”, diz a nota.
A empresa afirmou ainda, na nota oficial, que “seu relacionamento com as administrações públicas é baseado no estrito cumprimento dos contratos e normas legais em vigor”.
“Esclarecemos que a liderança conquistada no segmento de alimentação escolar nestes mais de 27 anos de atuação no mercado nacional expressa suas práticas comerciais baseadas na ética e no profissionalismo”, diz a nota da Nutriplus.
A empresa Convida, também acusada pelos promotores, afirmou, em nota, que “desconhece o teor de qualquer ação do Ministério Público junto à Prefeitura de São Paulo em relação à última licitação para o fornecimento de refeições escolares”.
A nota afirma também que “a empresa sempre se pautou pela conduta ética e melhores práticas de mercado e não tem conhecimento de eventuais irregularidades no processo licitatório de terceirização da alimentação escolar”. Conclui o texto dizendo que “a Convida está à disposição das autoridades para colaborar com suas investigações e tornar mais transparente a terceirização do preparo das refeições servidas nas escolas municipais”.
A Folha não conseguiu contato com as outras três empresas acusadas pelo Ministério Público Estadual: Geraldo J Coan, Sistal e Terra Azul.
Das seis empresas que atualmente prestam o serviço de merenda terceirizada para a prefeitura, quatro devem manter os contratos. São elas a SP Alimentação, a Convida, a Geraldo J Coan e a Terra Azul.
A licitação está em fase final, aguardando apenas recursos dos concorrentes para que o contrato seja assinado.
2 COMENTÁRIOS PARA "Folha mostra uma promotoria muito esquisita nas suas acusações":
São Paulo (cidade e estado), se transformou num feudo tucano. Tudo esta contaminado. Esse ministério público paulista é altamente suspeito. Nós paulistas estamos ilhados.
A baixaria é impressionante. Vocês viram a entrevista do Serra ontem no Jô? Três blocos de pura “lambeção de botas” do gordo bajulador. Levantando bolas para o tucano jogar, sozinho na área. Assim, até eu.
E a manchete do Jornal Nacional ontem, destacando apenas o aumento recente do desmatamento na Amazônia, omitindo a contínbua queda desde 2004?
E a campanha da mídia para Marina Silva ser candidata à Presidência pelo PV, contra a Dilma?
Coisa de doido.