Intransigência de Kassab agrava greve da GCM

Almeida Rocha/Folha Imagem
gcm_greve.jpg
Guardas fizeram protesto ontem na porta da prefeitura

Categoria promete acampar hoje na porta da prefeitura

Léo Arcoverde do Agora

Insatisfeitos com a postura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) diante da greve, os guardas-civis decidiram acampar a partir das 7h de hoje em frente à prefeitura. Segundo o Sindguardas (sindicato da categoria), serão oferecidas barracas para os grevistas. A estimativa é que, no mínimo, 1.700 GCMs participem do ato.

“Vamos ficar de vigília por 24 horas. Não arredaremos o pé de lá enquanto algo de concreto sobre o reajuste não for apresentado pela prefeitura”, diz o diretor do sindicato, Ronaldo Gonçalves.

Durante todo o dia de ontem, manifestantes fizeram um protesto no local, pedindo uma audiência com o secretário de Gestão, Rodrigo Garcia. “Já que o secretário da Segurança Urbana [Edsom Ortega] já mostrou que não tem competência para negociar um aumento, vamos falar com quem resolve”, disse o presidente do sindicato, Carlos Augusto Souza.

Segundo ele, a principal reivindicação da categoria é que a prefeitura aumente a Retp (regime especial do trabalho policial) de 60% para 140% do salário. “Com isso, o salário inicial de um guarda-civil de terceira classe vai subir de R$ 855 para R$ 1.281. Não é um bom salário, porém, já é um avanço”, disse.

“Quando eu me aposentar, meu salário vai ser de R$ 534. Como vou sustentar a minha família assim?”, questionou um dos grevistas, que pediu para não ser identificado temendo represálias.

Sobre a adesão à paralisação, Silva rebateu a declaração do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que afirmou que os grevistas nem sequer correspondem a 10% do efetivo da GCM. “Cerca de 70% da categoria está parada. Se a adesão é tão pouca, para que chamar a PM para assumir nosso lugar?”, questionou. Silva também afirmou que a greve é legal. “Diferentemente dos PMs, que não podem parar, somos servidores municipais, civis e sindicalizados.”

 

 

 

Greve da GCM para ronda escolar e fiscalização

Léo Arcoverde e Flávia Martins y Miguel do Agora

O primeiro dia da greve da GCM (Guarda Civil Metropolitana) foi marcado ontem pela ausência absoluta de guardas-civis em escolas da rede municipal, parques e praças da capital, além da diminuição de cerca de dois terços do efetivo que fiscaliza a ação de camelôs na região da rua 25 de Março (região central).

Na Escola Municipal de Educação Infantil Arnaldo Arruda Pereira, na praça da República (região central), os dois guardas-civis que fazem a segurança diária não apareceram em nenhum dos dois turnos de aula. As mães dos alunos, que aguardavam a saída dos filhos, reclamaram da falta de policiamento. “É uma vergonha. Aqui é perigoso, cheio de drogas e de pessoas mal-intencionadas. Agora não podemos contar com ninguém”, disse Maria Bezerra Faria, 51 anos, mãe de um aluno.

No parque da Luz, também na região central, segundo um vigilante, nenhum guarda-civil foi trabalhar ontem. Já na região da rua 25 de Março, de acordo com um inspetor da GCM, o efetivo ficou abaixo do normal. Com isso, camelôs tomaram conta das calçadas dos dois lados da via, seguros de que não perderiam a mercadoria em uma apreensão.

Protesto
Entre as 6h e as 17h de ontem, centenas de guardas-civis ocuparam a frente da prefeitura. O Sindguardas (sindicato da categoria) estima que 1.200 manifestantes passaram pelo local ao longo do dia. Já a PM diz que em nenhum momento a aglomeração ultrapassou a marca de 400 pessoas. A prefeitura não aceitou conversar com a categoria, que reivindica aumento de salário e melhores condições de trabalho. A greve não tem data para acabar.

A faixa da direita da esquina do viaduto do Chá com a rua Líbero Badaró teve de ser interditada para que a população, impedida de usar a calçada, pudesse passar. De acordo com a SPTrans (empresa que gerencia o transporte municipal), cinco linhas de ônibus que passam pelo local tiveram o itinerário alterado por conta da manifestação.

Tags: , , , , , , , ,

8 COMENTÁRIOS PARA "Intransigência de Kassab agrava greve da GCM":

Comentado por gemanhosa em 26/08/2009 - 11:27h:

ja esta bem claro que kassb não gosta da gcm haja visto o tanto de coroneis, que comanda orgãos puplico, alen do mais só esta no poder das inspetorias quem o Ortega pode manipular.E com isso quem sofre com punições é o guarda, até pareçe que as chefias, ganham por punições aplicadas. se o senhor prefeito não gosta da corporação acabe com ela,se acha que a PM é suficiente para suprir a corporação, fique com ela , Ou o prefito esta galgando o governo nas proxima eleição e precisa dos votos da PM.

Comentado por Ladislau Xavier Santana em 26/08/2009 - 12:41h:

Nós, GCMs da capital, somos o “Patinho Feio” da Prefeitura, não temos condições dignas de trabalho, e absurdamente estamos sem reajuste salarial ha pelo menos 14 (quatorze) anos. HU MI LHA ÇÃO !!! Em comparação entre outras Guardas do Estado de São Paulo, embora sejamos da maior cidade, estamos em Vigésimo Segundo lugar em termos de Salário…. Vergonha… Kassab/Serra podam e humilham o trabalho da GCM

Comentado por jaqueline silva freitas em 26/08/2009 - 13:26h:

o prefeito kassab só faz o que lhe convém, apenas o que for dar lucro para ele. nem cuidar de uma cidade ele nao consegue… dê os Guardas Civis o aumento que dignamente eles merecem, pois fazer até mais do que o serviço deles. trabalham com um armamento antigo, sem spray de pimenta, com coletes que agora estao sendo de uso coletivo, pois a falta de respeito pela parte do prefeito é tao grande, que nem coletes novos ele enviou aos GCM’s, e agora eles tem que ficar revezando… que vergonha prefeito, pede o voto dos cidadaos e faz essa pilantragem com a gente.

Comentado por geronildo alves em 26/08/2009 - 18:24h:

O que nos deixa mais indignados é o Kassab dizer que não tem como nos da aumento e oferecer gratificação à PM que é obrigação do Estado deve favor pro Serra, não que a PM não mereça, mas achamos injusto a situação , por isso decretamos a GREVE!!!!

Comentado por GCM/CHÊ em 26/08/2009 - 19:36h:

É vergonho e covarde as declarações do prefeito dizendo que todos os anos a gcm tem aumento. Ganho 534 reais de base desde 2004, os aumentos não ultrapassam a 0,001 por cento. Dá para comprar um pãozinho? Esse prefeito deveria trabalhar uma semana como GCM, sem dinheiro para condução dando carteirada nos ônibus para deixar 5,00 reais para a esposa comprar leite e pão quando tem. Comer a marmita que comemos pois um GCM não tem condições de comprar um almoço digno todos os dias. Se a PMSP não tem dinheiro para aumentar o salário indigno de 6.500 GCMs, como tem para dar gratificação de 70 a 100% para Pms que só na capital passam de 20 mil? e como pode aumentar seu salário e o de seus secretários em quase 300%? È UMA VERGONHA CORONEL KASSAB, alías praça kassab, um PM frustado que não consegui ser polícial.A GCM tem 23 anos, fará agora.É a primeira greve na história e na tua história politica também. e nós não vamos desistir.A população irá contra você.

Comentado por IRA em 27/08/2009 - 05:24h:

Um homem se humilha se castram seus sonhos, seu sonho é sua vida e sua vida é seu trabalho. E sem, o seu trabalho um homem não tem honra, e sem a sua honra se morre, se mata… kassab está matando o sonho de 6.500 trabalhadores, tirando suas dignidade, seus orgulhos, o pão de seus filhos. GCM eu amo você, a gente morre mas não se rende.!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Comentado por diana araújo em 27/08/2009 - 15:21h:

Gente, infelizmente isso é só o começo, afinal o que esperar de um prefeito de uma cidade como São Paulo que diminui os gastos com a limpeza e obras de saneamento às vésperas da época das chuvas alegando falta de recursos e propõe aumento para si próprio e o secretariado? E pelos comentários ridículos que ele faz na mídia deixa claro q ele não gosta da GCM e vai fazer de tudo para desmoralizá-la.

Comentado por Delta em 27/08/2009 - 22:53h:

A politica do prefeito Kassab é desmotivar o efetivo da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, a maior do Brasil, que é reconhecida como polícia municipal em virtude de atendimentos de pronto a atos ílicitos que ocorrem na cidade de São Paulo, visto que a criminalidade cresce de maneira desenfreada. O interesse que esta por traz da politica adotada pelo prefeito Kassab, sucessor de Serra é colocar a GCM em 2° plano ou até extingui-la do processo de politica de segurança pública, uma vez que não é interesse dos militares(coronéis da PM de São Paulo) o desenvolvimento da Guarda Civil Metropolitana, os quais cerca de 18 coronéis estão distribuidos em cargos comissionados da administração da cidade de São Paulo, exercendo domínio e autoritarismo de forma a impedir o interesse da Guarda Civil Metropolitana no contexto de policiamento municipal. Existe uma resistência velada em as Guardas Municipais exercerem policiamento, talvez seja por que certos coronéis queiram instalar suas empresas de segurança privada para proteger o patrimonio dos municípios ou dominar a política de segurança pública de uma cidade, ficando essa na dependência da PM ou ainda temem a crescente tomada de situação das guardas municipais no enfrentamento da violência na cidade. Essa lei de gratificaçao a PM não vai melhorar em nada a seguarnça na cidade de São Paulo. Kassab não exerce uma gestão democrática quando ameaça punir os servidores da GCM em situação de greve, pois o pensamento punitivo vem de uma ideologia autoritária, resquício da Ditatura que ocorreu no Brasil. A greve é o ultimo recurso para ter suas revindicações atendidas. A ONU espera que o Brasil tenha até o ano de 2012 desmilitarizado e municipalizado suas policias. A guerra velada(de vaidades, dinheiro e poder)ocorre e quem perde é as Guardas Municipais e a população das cidades do Brasil que anseia cada vez mais por segurança.

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO: