Mercadante teme dano eleitoral

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília – VALOR
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a insistência do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) em marcar posição firme contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), vai além da necessidade de dar satisfações ao eleitorado petista de São Paulo. Seria uma tentativa do senador de angariar votos também entre os eleitores tucanos , já que o PSDB assumiu com firmeza uma postura contra Sarney.
Segundo estas autoridades do Palácio do Planalto, Mercadante terá uma eleição difícil em 2010 quando os Estados escolhem dois senadores -, por conta de episódios recentes, como o escândalo do dossiê dos aloprados e as pressões feitas por Lula para enquadrar a bancada do PT.
Segundo apurou o Valor, este cenário justifica a postura incisiva de Mercadante. Se a nota divulgada na semana passada, depois da publicação de grampos ligando Sarney aos atos secretos, reflete a mesma posição tomada pela bancada petista antes do recesso – como alega o próprio Mercadante – não haveria necessidade de novo pronunciamento em plenas férias parlamentares. Mas como o PSDB resolveu entrar contra Sarney no Conselho de Ética, Mercadante foi obrigado também a elevar o tom, para não deixar os tucanos sozinhos a bandeira da ética.
Dirigentes do PT paulista dizem que a situação de Mercadante no Estado é confortável. Amparam-se em duas pesquisas qualitativas recentes, feitas pelo Vox Populi e por técnicos da Fundação Perseu Abramo, mostrando que o senador petista tem baixa rejeição e é bem conhecido, tanto no interior quanto na capital. Poderia, inclusive, disputar o governo estadual. “Mercadante se elege com o primeiro voto”, aposta um dirigente petista. Ele acha que a polarização entre PSDB e PT na eleição estadual é tão grande que, se algum petista montar a estratégia baseado no segundo voto tucano, corre o risco de perder a disputa.
Mas isto não significa, necessariamente, campanha fácil para Mercadante. O senador tem “telhados de vidro e contas a serem prestadas ao eleitorado”, na avaliação de correligionários. E a principal cobrança não seria apoio ou não a Sarney e ao PMDB do Senado. “A oposição vai usar o dossiê dos aloprados contra o Mercadante. É isto que ele terá que explicar para angariar votos”, afirmou um petista da direção. O episódio envolveu petistas ligados à campanha de Mercadante, ao governo do Estado, e à reeleição de Lula, em 2006, na compra de um dossiê falso que implicava tucanos em irregularidades no Ministério da Saúde.
Não é só no governo que a postura de Mercadante tem causado incômodo. Líderanças do partido, como o presidente Ricardo Berzoini e o ex-ministro José Dirceu, o criticaram publicamente. Mas o senador Eduardo Suplicy (SP)disse que oito integrantes da bancada acompanharam Mercadante, portanto ela seria representativa.
Um integrante do diretório nacional afirma que “defender Sarney” traz desgastes tão fortes para Mercadante como para a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC). Ideli é candidata ao governo de Santa Catarina, mas assumiu o discurso da governabilidade, de interesse do Planalto, portanto a favor de Sarney.
Um deputado do partido com bom trânsito no parlamento e no executivo acha que a postura de Mercadante acaba sendo inútil. “Ele não consegue convencer como alguém que deseja o afastamento do Sarney e ainda atrai a ira do governo, porque complica a unificação da base aliada no Senado”, disse o petista.
Mercadante segue no interior do Estado, descansando e tratando de assuntos pessoais. Não foi encontrado pelo Valor, mas aliados do senador lembram que a nota divulgada na semana passada, embora reiterasse posição anterior dos senadores, era importante diante dos novos e graves fatos surgidos – a descoberta de um grampo no qual Fernando Sarney entra em contato com o pai para pedir emprego para o genro. Este seria nomeado por ato secreto. “Além disso, anti-nepotismo é uma posição histórica do PT e atos secretos ferem o artigo 37 da Constituição Federal”, disse um aliado.
Mercadante também angariou apoio da bancada com o ataque sofrido pelo ministro da coordenação política, José Múcio Monteiro, que o desautorizou em público. Múcio percebeu a falha e ligou para Mercadante, pedindo desculpas.
Tags: , 2010, José Sarney, Lula, Mercadante, PT, Senado9 COMENTÁRIOS PARA "Mercadante teme dano eleitoral":
Tá na hora do PT fazer o mesmo:
PMDB oferece a porta de saída para Simon e MaraJarbas
O PMDB divulgou uma nota, neste domingo, sugerindo que os dissidentes do partido deixem a sigla. O comunicado, assinado pelo presidente da Câmara, Michel Temer (SP), e pela presidente do partido, a deputada Iris de Araújo (GO), afirma que a sigla acata “o descontentamento de alguns poucos integrantes” com humildade e diz que eles não correm o risco de perder o mandato caso saiam do PMDB. As informações vem do Portal Terra.
“O PMDB acata com humildade o descontentamento de alguns poucos integrantes que perderam espaço político e apostaram na fama efêmera oriunda de acusações vaias. E faz isso porque acredita piamente na democracia. A estes, o recado: podem deixar a legenda o quanto antes sem risco algum de perder o mandato. Ganharão eles, porque deixarão de pertencer ao partido do qual falam tão mal, e ganhará o PMDB, por tornar-se ainda mais coeso e musculoso”, diz a nota
(do Blog AmigosdoPresidente)
Alguém precisa dizer ao Mercadante que seu destino político pessoal é menos importante que o destino do projeto político do governo Lula, eleito pelo partido dele, Mercadante. E que o destino do governo Lula, e de sua candidata preferencial, Dilma Rousseff, talvez dependam da manutenção de um político da base aliada na Presidência do Senado, para não jogá-la nas mãos de uma oposição desesperada e raivosa para usar de tudo, até de um golpe branco, a fim de impedir que Lula faça seu sucessor(a). Mercadante precisa se dar conta de que pelo menos uma grande parte do eleitorado dele já se deu conta de sua visão personalista, e que o personalismo nunca fez parte do programa do PT. Sobretudo que se ele pensa em trocar essa parcela do eleitorado petista por um naco do eleitorado do PSDB é possível que sua tática dê com os burros n’água. Afinal, entre Mercadante ou qualquer outro nome fiel ao projeto político do PT, o segundo terá mais confiabilidade para a esquerda, e entre Mercadante e qualquer outro político ligado ao PSDB, PPS, DEM, este último sempre srá preferível para a direita paulista. Ou ele acha que os paulistanos de direita e centro-direita terão capacidade para entender manobras de bastidores?
Por que esse Sr. se submete aos desmandos do Lula e sua matilha faminta de poder?
Ele se calou desde que foi desautorizado pelo ridículo Mucio, quem?
Se tivesse hombridade teria deixado o PT como fizeram aqueles realmente coerentes.
O que ele esta’ fazendo e’ jogar para a torcida.
Um dos maiores e piores problemas de Mercadante é sua arrogância e de sua assessoria, nada haver com o PT, quando vem à Campinas despreza a militância,na Unicamp é estrela, outro mundo.Sua reeleição não será fácil se depender da militância petista.À conferir!!
Se de verdade o senador Mercadante fez a tal nota em função da matéria do estadão, ele está mais errado ainda. Na verdade, como a publicação, estando o assunto sob sigilo de justiça e o jornal se negando a informar quem violou a ordem judicial, ocorreu crime de desobediência a ordem judicial, o senador Mercadante deveria ter se insurgido quanto ao cometimento do ilícito pelo jornal e não tentado servi-se de um fato delituoso pra tentar alavancar evetual candidatura a reeleição. Sendo de Rondônia não votarei nele, nem na Fátima Cleide, mas ele desceu ainda mais no conceito de pessoa digna da companhia do LULA em seu palanque. É uma pena!
De pleno acordo com as observações de Vera e Edmaar. Há uns três dias postei um comentário na mesma linha. Pessoal do PSDB e PFL não vai votar nele porque tem nomes mais palátaveis e fiéis à direita; se continuar no seu personalismo, cuidando só dos seus interesses políticos pessoais, sem se incomodar com o projeto global do Lula, não vai ter voto dos petistas “hard”. Será que ele não aprendeu nada com o susto do Suplicy, na última eleição, aliás, susto bem merecido?
José Maria
É nessas horas que a gente vê se a defesa do governo Lula e a eleição da ministra Dilma são mesmo prioridades de todos nós.
Notícia quente!
Pra quem gosta de estratégia de marketing político, vale a pena participar do Seminário que a George Washington University vai fazer no Brasil com a presença dos principais estrategistas que criaram a campanha do Obama nos EUA.
O site oficial do evento entrou no ar ontem – http://www.oefeitoobama.com.br.
Pelos nomes que já confirmaram presença nos painéis, parece que o evento vai ser grande e extremamente limitado às principais lideranças do país.
vale a pena conferir!!!
Att, Neto.
O meu voto é dele, sem a menor sombra de dúvida.