Pesquisa Datafolha para governo de São Paulo
A nova pesquisa Datafolha trabalhou com cenários novos. Porque colocar o nome de Serra em disputa estadual, se ele é virtual candidato a presidente, salvo para alimentar a sua suposta dúvida sobre disputar a releição em São Paulo? Qual é o sentido de manter o nome de Erundina que já afirmou várias vezes não ser candidata ao governo e não pesquisar um cenário com o nome de Ciro e de Marta? Porque só colocar o nome da Marta, no caso dos candidatos do PT, quando todos sabem que Palocci e Emídio estão cogitados?
Independentemente das suas motivações, a nova pesquisa mostra alguns resultados interessantes. O favorito, Alckmin perdeu alguns pontos, mas ele tem mais intenções de voto que se José serra fosse candidato à releição. Como a aprovação de Serra é alta e os seus índices para presidente são elevados no seu Estado, o resultado é curioso. Marta na frente de Kassab em um dos cenários (em empate técnico) pode significar um descontentamento maior com a administração do prefeito? Só uma pesquisa específica de avaliação da administração municipal poderá entender isto melhor.
Como ainda estamos muito longe da disputa eleitoral, a pesquisa serve mais para o debate interno nos partidos para a escolha de seus candidatos. A maior liderança do PSDB na pesquisa, Alckmin, já esteve nessa situação folgada na dianteira quando das eleições para a prefeitura de São Paulo e nem sequer foi para o segundo turno. Já Kassab, mesmo empatado com Marta, aparece com um percentual bem superior ao que ele tinha no começo da disputa municipal que acabou ganhando. Ou seja, Kassab encontra nos resultados base solida para querer ser candidato ao governo estadual e Alckmin, mesmo com seu favoritismo pode ser preterido pelo Serra que comandara a escolha no PSDB.
Os resultados da Marta e de Ciro são expressivos no Estado. A primeira já foi candidata a governadora e prefeita, sendo sua liderança no Estado hoje a maior eleitoralmente da oposição. Ciro não tem implantação no Estado e por isso mesmo seu resultado é ainda mais expressivo e surpreendente. Em parte é um desdobramento de seu recall como candidato a presidente e em parte recupera uma parte do voto do próprio PT e da oposição aos tucanos. LF
Alckmin lidera com folga; Ciro tem de 12% a 18% em SP
Marta fica com 16% a 22%; se Kassab for o nome de Serra, disputa é acirrada
Tucano perdeu 4 pontos no único cenário que permite comparação com pesquisa anterior do Datafolha, mas tem de 43% a 46% dos votos
PEDRO DIAS LEITE – Folha SP
DA REPORTAGEM LOCAL
Principal novidade no cenário político paulista para 2010, a possível candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo atinge de 12% a 18%, a depender do adversário, mas os tucanos Geraldo Alckmin ou José Serra ainda lideram com folga.
Na disputa paulista, quando o nome do PSDB é o do ex-governador Geraldo Alckmin, Ciro tem 12%, contra 46% do tucano. O desempenho do deputado federal pelo Ceará é pior que o da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), que chega a 16% contra Alckmin, que fica com 43% com ela na disputa.
“O Ciro tem um percentual considerável como ponto de partida, mas isso não significa que ameace a liderança do Alckmin”, avalia o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino. “Não é um percentual desprezível”, afirma. É a primeira vez que o Datafolha inclui o nome de Ciro nos levantamentos sobre o governo paulista.
O quadro para a eleição ao governo de São Paulo ainda está indefinido, tanto no campo governista quanto na oposição, com vários nomes numa dura disputa de bastidores para conseguir a vaga.
Atual secretário de Desenvolvimento de São Paulo, Alckmin luta pela indicação do governo com nomes com desempenho mais fraco nas pesquisas -como o secretário estadual da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM)-, mas com apoio nos bastidores.
Na oposição, Ciro é o candidato preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o próprio deputado federal pelo Ceará ainda tenta se viabilizar para a disputa à Presidência. Além disso, parte do PT paulista resiste a essa ideia, especialmente a ala ligada a Marta.
O resultado de Ciro no Estado é mais fraco do que no plano nacional, onde ele tem de 14% a 23% das intenções de voto na disputa pela Presidência, como publicou a Folha ontem.
No único cenário que permite comparação com pesquisas anteriores, Alckmin perdeu quatro pontos e está com 43% das intenções de voto, mas ainda permanece bem à frente da segunda colocada, Marta, com 16%. Nesse quadro, o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) oscila de 9% para 11%.
Sem Alckmin na disputa, tanto Marta quanto Ciro sobem. A petista tem 22% quando o candidato governista é o prefeito Kassab, que fica com 20% -um empate técnico, já que a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Kassab lidera com 22% sem Alckmin e sem Marta, situação em que Ciro tem 18%. O resultado é no limite da margem de erro. Num cenário muito pouco provável, com Ciro no limite para cima e Kassab no limite para baixo, ambos ficariam com 20% das intenções.
Alckmin tem desempenho superior ao de seu chefe, nome mais cotado dos tucanos para concorrer à Presidência da República -mas disputa com Aécio Neves (PSDB-MG) a indicação tucana e ainda tem a opção de escolher concorrer à reeleição em São Paulo.
Serra tem 36% contra Marta, que fica com 17%, e 38% contra Ciro, que nesse cenário tem 12%. O diretor do Datafolha atribuiu o fato de o governador ter índices menores do que o ex à vinculação de sua imagem à disputa nacional. “O Serra já está muito marcado como candidato a presidente”, afirma.
O percentual de Serra em São Paulo é semelhante à sua performance nacional, quando lidera com vantagem tranquila sobre os oponentes.
Maluf e Soninha
Paulo Maluf, nome recorrente na política paulista, varia de 11% a 14%. Seu melhor momento é numa disputa com Ciro e Kassab. A subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS), que teve 4,2% dos votos na disputa pela prefeitura no ano passado, varia de 4% a 7%.
A ex-prefeita e hoje deputada federal Luiza Erundina, do mesmo PSB de Ciro, tem de 4% a 5%, dependendo dos concorrentes. Paulinho (PDT), Campos Machado (PTB), Ivan Valente (PSOL) e Paulo Skaf (sem partido) não passam de 3% em nenhum dos cenários.
Favre, pessoalmente tenho minhas dúvidas que o Alckmin venha a concorrer como governador novamente.
Neste caso é uma candidatura que tende a definhar a exemplo do que já ocorreu na candidatura a prefeitura de SP.
Ele seria nome mais seguro para o Senado, onde a disputa não é tão calorosa e a possibilidade de progredir politicamente pode ser maior (se considerando que ele já foi eleito governador num passado não muito distante).
Kassab seria outra bola fora, sendo que não estranharia a possibilidade de se colocar o Tuma ou o Afif (que teve bom resultado na onda azul de 2006) para o governo do estado.