Roubini, profeta da crise, espera onda de recessão
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Nouriel Roubini: crescimento “anêmico” e “abaixo da tendência”
Shamim Adam, Bloomberg News, de Cingapura – VALOR
Nouriel Roubini, o professor da Universidade de Nova York que previu a crise financeira, disse que a probabilidade de um segundo surto de recessão está aumentando, devido às possíveis consequências negativas do fim do incentivo monetário e fiscal mundial.
A economia mundial vai chegar ao seu ponto mínimo, a partir do qual começa a melhorar, neste segundo semestre do ano, escreveu Roubini em comentário publicado ontem pelo jornal “Financial Times”. A recessão dos EUA, Reino Unido e alguns países europeus não terá “acabado formalmente” antes do final deste ano, enquanto a recuperação de países como China, França, Alemanha, Austrália e Japão já começou, disse.
Os governos de todo o mundo prometeram cerca de US$ 2 trilhões em medidas de incentivo em meio à recessão global, a pior desde a Grande Depressão, iniciada em 1929. O presidente do Federal Reserve, Ben S. Bernanke, e outras autoridades mundiais de política monetária advertiram que a recuperação tende a ser tímida, numa indicação de que eles não vão eliminar em breve todas as medidas de estímulo inoculadas no sistema financeiro.
“Há riscos associados às estratégias de retirada do enorme abrandamento monetário e fiscal”, escreveu Roubini. “As autoridades serão amaldiçoadas se fizerem e serão amaldiçoadas se não fizerem.”
Os funcionários graduados dos governos e BCs deverão minar a recuperação e reconduzir suas economias à “estagdeflação” se elevarem impostos, reduzirem os gastos e enxugarem o excesso de liquidez em seus sistemas a fim de diminuir os déficits públicos, disse Roubini. Ele define a “estagdeflação” como recessão com deflação.
Os que mantêm grandes déficits públicos serão punidos por patrulheiros do mercado de bônus, com a alta das expectativas inflacionárias e dos rendimentos dos bônus governamentais de longo prazo e o aumento significativo do custo do dinheiro, escreveu ele. Isso, por sua vez, levará à estagflação, afirmou o economista.
Roubini atualmente prevê uma recuperação em U, em que o crescimento será “anêmico e ficará abaixo da tendência por pelo menos alguns anos”, disse. Uma recuperação mundial plena em relação à recessão atual deverá levar dois anos ou mais, disse o prêmio Nobel Paul Krugman, no início do mês.
A alta do desemprego, um sistema financeiro mundial ainda “severamente deteriorado” e uma lucratividade corporativa fraca estão entre os motivos pelos quais qualquer recuperação não será em forma de V, disse Roubini.
“Persistem desgastes em muitos mercados financeiros de todo o mundo”, disse Bernanke em discurso pronunciado na última sexta-feira em Jackson Hole. “A recuperação da economia tende a ser relativamente lenta de início, com uma queda apenas gradual do desemprego em relação a seus altos níveis.”
Os preços dos combustíveis e alimentos também estão aumentando mais rápido que o justificável pelos fundamentos econômicos. Isso deverá também elevar o risco de um novo surto de recessão, escreveu Roubini, acrescentando que eles poderão ser puxados por transações especulativas.
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