Chalita acusa governo estadual de ter descontinuado seus projetos na área de educação
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Ciro Gomes sobre Chalita: “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos”
PSB filia Gabriel Chalita em ato anti-Serra
Caio Junqueira, de São Paulo – VALOR
Numa reunião que contou com a presença de petistas, a filiação do vereador paulistano Gabriel Chalita, ex-PSDB, ao PSB, transformou-se ontem em um ato contra o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). As críticas foram puxadas pelo seu mais novo integrante e tiveram como principal alvo a gestão da educação no Estado, que entre 2002 e 2006 teve à frente o próprio Chalita. O pré-candidato a presidente da legenda, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), reforçou os ataques, com discurso de candidato a presidente em 2010.
“Durante minha gestão, não tivemos uma greve no magistério. A evasão foi a mais baixa da história. E o currículo foi incrementado com a participação dos professores. Aí está uma diferença básica. Eu respeito os professores. Não coloco neles a culpa pelos eventuais fracassos. Culpados são os maus gestores por destruírem políticas públicas, por não terem a humildade de dar continuidade ao que dá certo. Pelo personalismo hediondo tão mesquinho daqueles que pouco entendem de ética”, disse Chalita em longo discurso.
Depois, afirmou que um dos motivos por que deixou o partido foi a falta de espaço para debater a educação. “A minha lamentação no PSDB é que eu faço um projeto nacional, e no meu partido essas teses não eram nem discutidas. Queria, por exemplo, convencer que a escola em tempo integral é um bom caminho e eu não tinha esse espaço”
Criticou ainda que os métodos do governador paulista na política. “Basta fazer qualquer movimento de saída partidária que vem uma quantidade de blogs te destruindo com coisas que a gente não sabe de onde vem. Tem gente que diz que é o Serra quem faz. Na política, a gente deveria parar de usar o subsolo. Serra não é um político que admiro.”
Filiado por quase 20 anos ao PSDB, foi o vereador mais votado em São Paulo em 2008, com 102 mil votos. Entretanto, por pertencer ao grupo político do ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, não encontrou espaço no partido para postular o Senado. Aceitou, então, a ida ao PSB sob essa condição. Foi recebido com fogos e escola de samba em um amplo e lotado auditório no Sindicato dos Eletricitários, no bairro da Liberdade, centro da capital paulista.
A assessoria da Secretaria da Educação disse ontem que as críticas de Chalita são infundadas, na medida em que não houve descontinuidade de projetos da gestão anterior e que há políticas de valorização e incentivo ao professor sendo tocadas pelo atual secretário, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.
Antes do discurso de Chalita, Ciro fez um discurso com nuances de candidato a presidente, que passou pela política e economia nacional e internacional. Sobre Chalita, disse que o novo correligionário é o símbolo do que o país precisa na política: “Um jovem que resolveu botar a mão na massa” e que “sem dúvida tem grande futuro na política de São Paulo e do Brasil”. “Conheço o ramo. Ele pode desestabilizar esse conservadorismo de 16 anos, que é razoavelmente bem avaliado mas pelo qual ninguém morre de amores”, disse Ciro, que chegou a mencionar Chalita como possível candidato do PSB ao governo do Estado.
Mas foi nos ataques a Serra, seu provável adversário em 2010, que Ciro, foi mais incisivo. “Ou o senhor José Serra é a volta da turma do presidente Fernando Henrique ou não é. Ele foi ou não foi ministro do FHC em dois mandatos, que tiveram o definhamento consistente da massa salarial em relação ao PIB, do crédito, o desfinanciamento dos investimentos em serviços públicos”, disse, afirmando em seguida que o país corre risco com a candidatura Serra. Em relação a si, disse: “Batam no mensageiro mas por favor prestem atenção na mensagem”.
Ciro reafirmou sua intenção de se candidatar a presidente, embora o partido pretenda definir isso no início do ano. Há a possibilidade de que ele transfira seu domicílio eleitoral para São Paulo, deixando em aberto a possibilidade de disputar o governo paulista. Uma reunião que ocorreria ontem e foi adiada para a manhã de hoje entre dirigentes do PSB deve debater essa transferência. Enquanto a decisão final não ocorre, Ciro se coloca como candidato e o PSB se movimenta para filiar o maior número possível de pré-candidatos com visibilidade a cargos proporcionais . Isso ocorre principalmente em São Paulo, onde pretende montar palanque para enfrentar o PSDB.
Anteontem, a reitora da USP, Suely Vilela, foi umas das que assinaram a ficha de filiação. Primeira mulher a assumir a reitoria da universidade, assumiu o cargo em novembro de 2005, durante a gestão Alckmin. Foi no governo Serra, porém, que enfrentou crises que desgastaram sua relação com o atual governador, como a ocupação da reitoria e greve de professores. Em conversa ontem com o Valor, disse que até deixar o cargo, em novembro, irá contribuir com plataformas educacionais para o partido. A decisão sobre uma possível candidatura ocorrerá depois. Afirmou se filiar ao PSB por acreditar nos ideais de “justiça, igualdade e participação” da sigla e que “a universidade é apartidária”. Sobre sua relação com o governador, disse que “Relação entre universidade e governo é sempre cordial”.
“É o maior fato político e eleitoral”, diz petista
“É o maior fato político e eleitoral do semestre. Muda a realidade em São Paulo e contribui para alterar a realidade nacional. Com Chalita entre nós, podemos apresentar a São Paulo algo para darmos um salto a frente.” As palavras foram ditas ontem pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, na cerimônia de filiação do ex-tucano Gabriel Chalita ao PSB, um dos principais partidos da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Vaccarezza era mais um dos petistas presentes e entusiasmados com a adesão do ex-secretário da Educação do então governador Geraldo Alckmin (PSDB) à base aliada federal. Ao seu lado na mesa estava o presidente do PT paulista, Edinho Silva, que postou no twitter, ao deixar o ato: “Saindo do ato de filiação do Chalita ao PSB, muito representativo e com muita força política. O projeto do governo Luiz Inácio Lula da Silva ganha mais força social.” Outros dois vereadores petistas compareceram: José Américo e João Antonio.
Antes do ato, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) comemorava, também pelo twitter: “Daqui a pouco o vereador de SP Gabriel Chalita deixa o PSDB e se filia ao PSB passando a apoiar o governo Lula e seu projeto de nação.”
Essa aproximação contraria o histórico da relação do PT com o vereador paulistano. Enquanto esteve no PSDB, Chalita era um dos alvos preferidos dos petistas paulistas.
Em 23 de setembro de 2008, o líder da bancada do PT, Roberto Felício, protocolou nos Ministérios Público Estadual e Federal pedido de investigação sobre possível irregularidade na evolução do patrimônio de Chalita. Em março de 2006, a bancada petista protocolou um pedido de “CPI do Chalita”. Queria verificar a cessão de uma fazenda de 87 hectares para a rede de Comunicação Canção Nova, onde o então secretário de Educação de Alckmin tem um programa.
Em outubro de 2005, a Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia, liderada pelo PT, aprovou a convocação de Chalita para prestar esclarecimentos sobre a existência de 200 vans e micro-ônibus destinados ao transporte escolar que estariam paradas no pátio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. (CJ)
Comentário LF
Não sei se Vaccarezza exagera quando afirma que a filiação de Chalita “É o maior fato político e eleitoral do semestre”, é possível que seja exagerado mesmo.
A Folha, ao que parece, está convencida que a afirmação do líder do PT é um exagero. Por isso dedica ao fato um espaço reduzido.
A cobertura da Folha se resume hoje a ecoar crítica de Alckmin a Chalita, no Painel, e a uma foto legendada delatando Ciro por fumo em lugar proibido.

Painel
RENATA LO PRETE – painel@uol.com.br
Alckmin sobre Chalita
No dia em que seu ex-pupilo Gabriel Chalita se filiou ao PSB e subiu o tom dos ataques a José Serra, Geraldo Alckmin resolveu romper o silêncio sobre o assunto. “Ele deveria ter continuado no PSDB. Respeito sua decisão, mas não concordo com suas críticas”, afirma o ex-governador, atual secretário do Desenvolvimento e líder isolado nas pesquisas sobre a sucessão no Palácio dos Bandeirantes.
“Primeiro, porque o Serra sempre foi nosso aliado e sabe que pode contar comigo”, diz Alckmin. “Segundo, porque o povo aprova e quer a continuidade do governo do PSDB em São Paulo. Assim como, mostram as pesquisas, quer uma nova Presidência tucana.”
Claque.
Os petistas Cândido Vacarezza, Edinho Silva, José Américo e João Antonio prestigiaram a filiação de Chalita. Depois, os dois últimos levaram o neoaliado almoçar.
Enquanto Sarney está extinguindo cargos de Diretores a Secretaria da Educação e a Fundap prepara a criação de várias Diretorias sem consultar os funcionários.