Intolerante, Serra se queixa do resultado de sua própria propaganda

Qual foi a reação de José Serra as críticas de Gabriel Chalita, o vereador mais votado de SP, e a sua saída do PSDB?
“Não estou nem aí”, foi a ríspida resposta do candidato-governador.

Conhecido por não tolerar críticas, perseguir jornalistas e desprezar sindicatos, a resposta do governador é típica dos que não aceitam nenhuma contestação.

Não deve surpreender, por isso, que hoje o jornal Valor publique duas cartas de tucano-leitores, penas emprestadas para refletir a alma de José Serra:

Isolado

“Sempre rigoroso na reconstituição dos fatos políticos, o Valor lembra na matéria ‘Alckmin se isola’ (28/09 página A6), que ele dividiu sistematicamente o PSDB paulista e nacional. Em 2004, tentou impedir a candidatura de Serra à Prefeitura, impondo um candidato praticamente desconhecido, e não levou. Em 2006, com Serra à frente de todas as pesquisas, impôs sua própria candidatura à Presidência, levou, mas perdeu as eleições por falta de coerência e de liderança. Em 2008, tentou romper a aliança Serra/Kassab, vitoriosa na prefeitura, levou no partido, mas não chegou ao segundo turno. É o chamado oportunismo sem resultado. Agora, isolado, ele tem a alternativa de ficar e dividir o partido, ou seguir a trilha de seu herdeiro político, o Chalita – porta da rua, serventia da casa.”

Wanderlei Fonseca

Fonseca@uol.com.br

“O Geraldo Alckmin é tão pretensioso e arrivista que faria um enorme favor ao PSDB saindo do partido como seu pupilo Chalita.”

José de Arimatéia Silva Pereira

josearimateiasp@gmail.com

Não é por acaso que muitos no PSDB, a boca pequena, acusam Serra de desagregador e antípoda de alguém como Lula, bem-humorado e unificador.

Esse traço voltou a se manifestar ontem e está nos jornais hoje.

Durante uma inauguração, o candidato-governador partiu para o ataque contra Lula e Marta, proclamando que suas grandes realizações não são divulgadas, contrastando com o exagero petista.

O Estadão, que reproduz a fala de Serra, esqueceu de confrontá-lo com os fatos, o que a Folha sim fez.

Segundo Serra: “Na prefeitura e no Estado é muito difícil levantar aquilo que está sendo feito. Tem um fenômeno psicológico qualquer que o pessoal resiste teimosamente em contar o que está fazendo”. Como se alguém aqui ignorasse a massiva propaganda de Estado e Prefeitura diariamente nos canais de TV e rádios, verdadeiro “conto” das fantasias serristas.

Mas como sempre Serra é traido pelo seu inconsciente. É realmente muito difícil “levantar aquilo” em matéria de corredores de ônibus, por exemplo. Em 7 anos de Serra-Kassab a prefeitura não construiu nenhum novo corredor e o Celso Garcia ainda nem saiu do papel. Difícil de saber, por exemplo, que contrariamente a imensa propaganda, Kassab não aportou R$ 1 bilhão para expandir o metrô. Muito difícil, ainda, descobrir quantos piscinões foram construidos para combater as enchentes na cidade, 1 em 7 anos (Marta fez 7 em 4 anos e com menos da metade do dinheiro que Kassab tem no orçamento).

“Não se trata de inventar” disse Serra, sem arrancar gargalhadas da platéia tucana bem comportada. Basta comparar a propaganda do metrô na TV e a via-crúcis quotidiana de seus usuários para morrer de rir. Para não falar nas obras da marginal apresentadas na TV como grande preocupação ambiental e ecológica do governo estadual.

Mas basta confrontar a palavra do governador com as cifras da publicidade dele, como faz a Folha para escancarar o cinismo do candidato-governador tucano. Nunca antes na história do Estado de São Paulo um governador gastou tanto em publicidade. A única rubrica que não foi nem cortada, nem congelada pelo seu pupilo Kassab.

Como fazem políticos exagerados, nunca antes desde o descobrimento gastou-se tanto em publicidade para preencher tamanho vácuo de realizações. LF

A seguir os artigos da Folha e do Estadão

Oposição terá batalha dura em 2010, diz Serra

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou ontem à noite que a oposição ao governo Lula deve se preparar para uma “batalha dura” em 2010. “Não será uma batalha tranquila, vai ser uma batalha dura, difícil, mas nós vamos enfrentá-la”, disse Serra, sem, no entanto, assumir que é pré-candidato à Presidência.
O tucano participou do evento de filiação ao PSDB do ex-prefeito de São Bernardo do Campo (SP), William Dib, que deixou o PSB -uma espécie de “troco” pela ida do vereador paulistano Gabriel Chalita para o partido de Ciro Gomes.
Mais cedo, ao discursar na entrega de uma escola técnica em Heliópolis, Serra disse que precisa melhorar ainda mais a divulgação de suas ações. Neste ano, a verba para publicidade oficial do Estado cresceu 43% em relação ao ano passado.
“Antigamente, tinha muito discurso e pouca ação. Hoje, talvez a gente tenha pouco discurso e muita ação”, disse, após enumerar obras para a região.
No mês passado, conforme a Folha revelou, o governo Serra iniciou a distribuição de um “boletim mensal” para 52 municípios no Estado divulgando obras e projetos da administração estadual. São 2,3 milhões de exemplares, ao custo anual de R$ 8,2 milhões. A verba publicitária de Serra neste ano é de R$ 227 milhões.
“Acho que tem que intensificar a divulgação. Não se trata de inventar nada. É dizer aquilo que está sendo feito”, disse.
Serra aproveitou para fazer críticas indiretas aos seus ex-adversários petistas, sem citar nomes. Primeiro, foi a ex-prefeita Marta Suplicy, sua adversária em 2004. “Quando fui eleito, achei que Heliópolis era um canteiro de obras, pelo que falava na propaganda. Quando cheguei aqui, não tinha nada”.
Antes disso, brincou fazendo plágio dos discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Como diriam os políticos exagerados: “[vamos] fazer tantas quantas foram feitas desde a época do Descobrimento [risos]“, disse, ao citar a ordem de dobrar de 26 para 52 o número de escolas técnicas do Estado.

***

Serra faz crítica indireta a Lula

Governador referiu-se ao presidente como ‘político exagerado’ durante evento na capital paulista

Silvia Amorim – O Estado SP

Ao entregar a 40ª escola técnica da sua gestão com evento em uma das maiores favelas de São Paulo, o governador José Serra (PSDB) referiu-se indiretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um “político exagerado”. A crítica, velada, foi feita enquanto o tucano comentava o plano de expansão de faculdades de tecnologias no Estado. “Quando o (Geraldo) Alckmin foi governador tinham nove Fatecs, ele deixou 26. Eu propus dobrar para 52. Como diriam políticos exagerados, fazer tantas quantas foram feitas desde a época do descobrimento”, disse o governador ontem, arrancando risos do público.

A expressão “nunca antes desde o descobrimento do Brasil” é usada com frequência por Lula para exaltar suas realizações. “Nunca, desde o descobrimento do Brasil, se fez tanto pelo Nordeste brasileiro como no meu governo”, afirmou o presidente numa dessas ocasiões.

Em entrevista, Serra não negou nem confirmou que estivesse falando de Lula. “Não, especificamente. Mais de um político falou isso”, desconversou.

Provável candidato do PSDB à Presidência, Serra mostrou preocupação com a divulgação das ações do governo. Ele cobrou de sua equipe – estendendo o recado à Prefeitura de São Paulo – mais publicidade das obras no Estado. “Na prefeitura e no Estado é muito difícil levantar aquilo que está sendo feito. Tem um fenômeno psicológico qualquer que o pessoal resiste teimosamente em contar o que está fazendo”, ironizou.

“O córrego do Sacomã eu não sabia que havia sido canalizado. Tem que intensificar a divulgação. Não se trata de inventar. É dizer aquilo que está sendo feito para que as pessoas saibam”, prosseguiu. Serra estava acompanhado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, na inauguração em Heliópolis – escolas técnicas são vitrines do governo tucano.

A avaliação do tucanato é de que o PSDB ficou muito atrás do PT na divulgação de ações. O próprio Serra já manifestou em público o reconhecimento de que os adversários são melhores na hora de capitalizar politicamente suas realizações.

“Quando fui eleito prefeito, achei que Heliópolis era um canteiro de obras pelo que se falava na propaganda. Cheguei aqui e não tinha nada. Agora, não vou exagerar dizendo que é um canteiro de obras, mas mudou bastante”, cutucou Serra, referindo-se à gestão da petista Marta Suplicy na prefeitura paulistana. “Antigamente tinha muito discurso e pouca ação. Hoje talvez a gente tenha pouco discurso e muita ação”, emendou.

Serra pediu a uma líder comunitária que leve famílias para conhecer a obra. “Cleide, vale a pena trazer o povo de Heliópolis para ver a escola. Não apenas os estudantes, mas as famílias, mesmo quem tenha filho pequeno. Seria muito interessante.”

Ele reagiu a declarações do deputado e pré-candidato do PSB à Presidência, Ciro Gomes (CE). “Comigo não tem risco, porque não entro no baixo nível”, disse Serra. “Isso toma tempo e tenho mais o que fazer, que é trabalhar para corresponder a expectativa da população.”

Na sexta-feira, Ciro, em discurso a sindicalistas em São Paulo, disse que o governador era “feio para caramba, mais na alma que no rosto”. E, depois, acusou Serra de ter “atitude destrutiva” com rivais. “A conduta dele é feia, de não enfrentar o adversário com linguagem civilizada. No meu caso é uma coisa terrível, até minha conta-salário ele conseguiu que um juiz de São Paulo bloqueasse.” O deputado foi condenado a pagar indenização de cem salários mínimos por ter chamado Serra de “candidato dos grandes negócios e negociatas”. Ambos são inimigos declarados.

Serra adotou o mesmo tom de desprezo ao se referir ao vereador Gabriel Chalita, que se desligou do PSDB e oficializa hoje a filiação ao partido de Ciro. No sábado, em entrevista ao Estado, Chalita criticou a gestão Serra na educação, área que o vereador chefiou no governo Geraldo Alckmin, e apontou o tucano como responsável por sua saída do PSDB. “Não estou nem aí”, disse Serra, a respeito das críticas.

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1 COMENTÁRIO PARA "Intolerante, Serra se queixa do resultado de sua própria propaganda":

Comentado por Tânia Caradori em 29/09/2009 - 22:56h:

Desculpe, não to com tempo de ler essa reportagem q recebi por e-mail, só to aproveitando a oportunidade para elogiar e agradecer as melhorias e mudanças feitas no atendimento do Heliópolis. Sou temporariamente “Ostomizada”, uso o serviço do Heliópolis apenas para pegar as bolsas de colostomia. Obrigada e um abraço!

 

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