A cara, do Cara

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Dilma, a cara do Lula

A oposição não tem proposta, não tem programa e está sem rumo. Setores da mídia estão apavorados por não encontrar na oposição defensores aguerridos de combate ao governo Lula.

O melhor resumo do desamparo que expressa, entre outros, a coluna de Celso Ming no Estadão de hoje (ver a seguir) foi dado ontem, na entrevista do marketeiro tucano Gonzáles. Respondendo a pergunta do VALOR: “O senhor aposta numa campanha pela biografia, mas não acha que o governo vai se pautar por temas como Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo?” A resposta do publicitário tucano foi “Mas para cuidar disso aí você prefere esse cara aqui ou essa mulher [Dilma] que ninguém conhece?”. Ou seja, Serra seria o igual do Lula.

Acontece que o estelionato eleitoral consistente em pretender ser uma coisa durante a campanha eleitoral e depois executar outra, a exemplo do realizado na Prefeitura de São Paulo pela dupla Serra-Kassab, encontra cada vez mais dificuldades. Uma delas é que emperra a implementação plena da política conservadora e privatizante defendida por setores importantes da mídia e do empresariado, porque o “estelionatário” tem que manobrar para apagar as promessas eleitorais e dar livre curso ao seu “programa”, para não chocar violentamente os eleitores.

No fundo, o que certos jornais reclamam é que não exista uma força assumidamente de direita, o que se compreende pois nem José Serra, nem os demo-tucanos, têm vocação para o ostracismo.

Em um certo sentido a grande vitória de Lula é essa: para se eleger, a oposição tem que pretender que sua cara é a do “sapo barbudo”.

Caberá aos partidos da base do governo mostrar a cara do conquistado pelo povo nos 8 anos extraordinários que o Brasil vive, ou seja a cara, do cara, para tirar a mascara do travestimento demo-tucano e mostrar o verdadeiro rosto do conservadorismo reacionário. LF

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Procura-se a oposição

CELSO MING – O Estado SP

Está difícil de encontrar a oposição no Brasil.

Isso não acontece apenas porque a política econômica colocada em prática pelo governo Lula pouco mudou em relação à do governo anterior. A oposição está sumida porque não consegue ter alguma opinião consistente sobre o que é realmente relevante na economia e também na política.

Tome-se um dos temas mais importantes para o futuro do País, que é o marco regulatório do pré-sal. O governo levou mais de um ano para definir um modelo e encaminhou ao Congresso alguns projetos de lei que, para o bem e para o mal, mudam muita coisa.

Durante esse meio tempo, a oposição não se preparou, não discutiu, não formou opinião. E agora se comporta passivamente diante das propostas. Não foi até aqui capaz de propor nada de substancialmente novo e parece conformada com o sistema de partilha, com a criação de uma nova estatal para administrar a renda proveniente do pré-sal e com o papel que será confiado à Petrobrás no desenvolvimento e na exploração dos novos campos.

Entre as 258 emendas aos projetos do governo encaminhadas pelos parlamentares, nenhuma questiona de maneira relevante nem melhora efetivamente o que está proposto. As poucas críticas que pipocaram na imprensa pareceram irrelevantes e vêm sendo facilmente rebatidas pela Petrobrás ou pelas autoridades da área no governo.

Em outra matéria importante, a da reforma política, a oposição vinha balbuciando propostas a respeito da adoção do sistema de financiamento público de campanha, do voto distrital e do novo tratamento a ser dado à questão da fidelidade partidária. Mas discussões sobre o tema morrem nas vacilações e na pouca convicção de que é preciso mudar o sistema em vigor.

Outro assunto de grande relevância é a questão ambiental, que será objeto da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), a ser realizada dentro de dois meses em Copenhague, na Dinamarca.

Embora também vacile nesses temas e pouco tenha a propor, o governo até que vem buscando algumas posições a serem defendidas na Conferência. Mas a oposição está completamente parada; parece incapaz de sugerir e incapaz de confrontar eventuais fragilidades da posição do governo.

Lá de vez em quando alguém do PSDB ou do DEM faz um pronunciamento contra o processo de aparelhamento do Estado pelo PT e por outros partidos da base do governo. Mas não se vê nenhum plano de ação, nenhuma consistência de proposta para acabar com a apropriação do patrimônio público.

E não é coisa diferente disso que se pode dizer a respeito dos demais projetos de reforma: Reforma da Previdência, Reforma Tributária, Reforma Trabalhista. Todas essas iniciativas de outrora dormem em alguma gaveta de Brasília.

Paradoxalmente, a oposição parece hoje em melhores condições de eleger o futuro Presidente da República. No entanto, não se tem a menor ideia das bandeiras que submeterá ao crivo do eleitor. Isso acontece provavelmente porque ela não tem bandeiras diferentes das de tudo o que está aí. E não as tem não porque elas não existam, mas porque seus líderes não pensaram, não discutiram, não formaram posição sobre nada de importante.

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4 COMENTÁRIOS PARA "A cara, do Cara":

Comentado por Armando Bullshit em 14/10/2009 - 11:00h:

Nas condições de hoje até o segundo turno está difícil para os demo-tucanos.
Para felicidade geral da nação…

Comentado por José Roque da Silva Neto em 14/10/2009 - 11:34h:

Caro Favre,
Sempre e sempre, todos os dias religiosamente leio seu Blog. De ontem pra cá já li cada coisa e essa é o fim!
“Paradoxalmente, a oposição parece hoje em melhores condições de eleger o futuro Presidente da República” Devem tá falando sobre outro País, outra conjuntura. É Lula de novo, com a força do povo!!

Comentado por Marcelo Arruda em 14/10/2009 - 11:48h:

Onde se encontra a vigilante imprensa paulista? É. Ela só tem olhos e letras para o governo federal? Enquanto isso nós estamos atolados, aqui em São Paulo, na incompetência e descaso dos políticos do conluio demo-tucanos. A cada jacto de água que natureza lança sobre São Paulo os semáforos ficam às escuras [e olha que eu moro em bairro privilegiado]; engarrafamentos monumentais; serviços públicos entreguem à administração privada orientada ideologicamente, como os convênios com instituições de origem religiosas que se recusam a fazer procedimentos – de laqueaduras e vasectomias -, em homens e mulheres, pois alegam que ferir preceitos das suas religiões; o transporte público quer os do âmbito municipal, ônibus, quer no estadual, trens e metrô, estão cada vez mais sucatados; pois mesmo no feriado de 12 de out., trens e metrô na capital paulista estavam superlotados. Assim vingou tanto o mundo onírico infantilizado do “kassabinho” quanto a realidade virtual do “Expansão São Paulo” do Serra. E nós, cidadãos, estamos metidos nesse atoleiro todo… Tanto o Serra quanto Kassab são céleres em se apresentar quando há alguma tragédia que envolva o governo federal [lembremos o acidente com o avião da TAM], mas são vagarosos, na verdade omissos, quando tais tragédias os envolvem, como o ocorrido em 11-12/10-2009, no incêndio que vitimou uma população inteira de uma favela na zona Oeste da capital paulista. Nem o prefeito Kassab nem o governador Serra mostraram as suas caras por lá. Muito pelo contrário, enquanto o povo se encontrava lançado à própria sorte no pós-incêndio, em 12-10, durante os trabalhos de rescaldo e as vítimas-miseráveis revolviam os detritos, cinzas e aparas, pois foi isso que sobrou dos seus pertences, o Kassab “se emocionava, chegando às lagrimas…” em missa na Pça. da Sé; e o Serra tomava parte na homilia na Basílica de Aparecida, e admoestava os “moeurs” políticos do Brasil ao ler trechos do Novo testamento – Mateus [21; 12-13]: mas o povo da favela de Pirituba, sobrantes da ordem liberal, contava apenas com a solidariedade deles mesmos ou de algumas pessoas das imediações da favela transformada em entulhos…
Os dois políticos estavam acompanhados pela alta hierarquia católica de São Paulo tanto na capital quanto em Aparecida. Esses religiosos católicos olvidam hoje dos despossuídos materiais e preferem à companhia dos poderosos. Tal comportamento é muito diferente de, por exemplo, daquele dos anos 70. Em meados da década a Cúria Metropolitana de São Paulo foi co-patrocinadora do trabalho São Paulo, 1975: crescimento e pobreza, cujo um dos colaboradores é o grande urbanista Lúcio Kowarick. Ela acaba de publicar novo trabalho intitulando Viver em Risco. Sobre a Vulnerabilidade Socioeconômica e Civil, onde aponta, em termos de long durée, a forma como grandes contingentes da população da cidade de São Paulo, como essas vítimas do incêndio da favela da zona Oeste, são tratados. Pelo que se viu no último dia 12, os pobres e desvalidos não são mais objeto da preocupação de membros da hierarquia católica: hoje eles são, explicitamente, áulicos dos poderosos de plantão.

Comentado por SAVIO SOBREIRA- DO CEARÁ em 14/10/2009 - 14:35h:

TENHO DOIS PONTOS A COMENTAR, O PRIMEIRO É QUE A IGREJA CATÓLICA, AO QUAL FAÇO PARTE COMO FIEL, CONTINUA VENDIDA E CORRUPTA, DEFENDEM TÃO SOMENTE OS RICOS E PODEROSOS E NÃO MUDOU NADA DA VELHA IGREJA CONSERVADORA E INQUISICIONISTA…. 2- COMO A OPOSIÇÃO VAI TOCAR NA BANDEIRA DO MEIO AMBIENTE SE SÃO ELES ( KATIA ABREU, ONIX LORENZONY, RONALDO CAIADO, ETC, ETC), OS MAIORES INIMIGOS DO MEIO AMBIENTE???? ELES PREFEREM USAR A MANÉ, A ABESTADA DA MARINA SILVA PARA FAZER ESSE SERVIÇO POR ELES!!!!!

 

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