Lula: Dilma lá e Ciro aqui
A analise feita por Maria Inês Nassif (ver post embaixo) é pertinente. Lula decidirá o candidato de sua base em São Paulo e terá o apoio do PT-SP.
A posição defendida pelo presidente é que a eleição presidencial será plebiscitária -por ou contra o seu governo- procurando um desfecho favorável no primeiro turno. Dilma será ele na urna eletrônica, o julgamento dos seus dois mandatos. O terceiro mandato será esse, o da continuidade, ou a ruptura da volta ao passado. Esse é, esquematicamente, o desenho da disputa em 2010.
Para Lula a entrada de Marina Silva não muda esse cenário, mesmo persistindo Ciro Gomes na sua postura de pleitear o cargo de presidente em 2010. A lógica da articulação de Lula é que ambas candidaturas, sem espaço político na polarização, sem alianças substanciais e sem tempo de TV, serão desidratadas e acopladas aos dois candidatos fortes: Dilma e Serra.
No caso de Ciro, aliado de Lula durante todos estes anos, o presidente abre uma perspectiva mais que conveniente para ambos. Em troca de sua desistência e apoio a Dilma, uma candidatura turbinada ao governo de São Paulo.
A vantagem da proposta é que ela resolve favoravelmente a disputa entre duas candidaturas tentando ocupar o mesmo espaço nacional, pondo ao mesmo tempo em xeque a candidatura de José Serra no próprio bastião da oposição, São Paulo.
Não é a toa que cada vez mais a candidatura Serra é questionada na própria oposição, -uma parte do DEM e do próprio PSDB prefere Aécio- e o próprio Serra parece hesitar entre a reeleição mais tranqüila e uma derrota nacional cada vez mais provável.
A candidatura Ciro em São Paulo obriga Serra a reconsiderar suas próprias escolhas estaduais, pois nem Aluisio Nunes, nem Kassab e nem Alckmin teria um percurso tranqüilo na disputa para governador, tendo que enfrentar uma candidatura turbinada de Ciro Gomes (fora que Alckmin é um desafeto do governador de São Paulo).
Para o PT estadual, para seus candidatos ao senado e seus deputados, o efeito de não contar com o 13 na campanha majoritária, pesa negativamente na aceitação da estratégia de Lula. Pesa também para alguns os desdobramentos no futuro (2012) desse apoio a Ciro agora.
Sendo estes os argumentos e motivações da resistência a proposta de Lula, é evidente que elas não se sustentarão perante o desafio maior de vencer a eleição presidencial, a “mãe de todas as batalhas”. Os dirigentes e quadros do PT de São Paulo sabem disto.
Por isso, o PT-SP será provavelmente unânime em apoiar a candidatura Ciro… se ele, Ciro, aceitar a proposta de Lula, o que ainda ele não fez.
Descontando que isto é uma questão de tempo e nem Lula, nem Ciro, têm pressa para uma definição que pode perfeitamente acontecer em março (com vantagens indiscutíveis como a de não se expor prematuramente ao ataque tucano); a indicação de Palocci para ser um dos principais coordenadores da campanha da Dilma (mesmo cogitado por Lula para ser o candidato em São Paulo, no caso de Ciro não aceitar) é um sinal da orientação do presidente.
Salvo recusa definitiva de Ciro de sair candidato em São Paulo, qualquer outra alternativa que tente contrapor à linha presidencial, estará condenada ao ostracismo e por isso dificilmente emplacará.
O artigo de Maria Inês Nassif mostra em filigrana que os principais atores no PT começaram a entender e digerir este fato.
Quando mais cedo melhor, até para evitar multiplicar atritos que são verdadeiros tiro-no-pé dos afobados.
Luis Favre
Tags: 2010, Ciro Gomes, Dilma, Favre, governo SP, José Serra, Lula, PT Nacional, PT SP9 COMENTÁRIOS PARA "Lula: Dilma lá e Ciro aqui":
Prezado jornalista
Sempre defendi essa estratégia.
Essa idéia se realmente for implementada, com o apoio integral do PT, não tem como dar “chabú”.
E DILMA lá e CIRO aqui!
E pros Demotucanos; caixão e vela preta!
Excelente análise!!! Bravo!!!
A Turma de SP querendo fazer bobagem de novo? Abram pro Ciro aí, pra poder eleger a Dilma lá!
Boa análise. Até surpreendente, sobretudo depois das bobagens ditas pela Marta e tantos outros do PT paulista.
Se o PT de São Paulo não fechar com Ciro Gomes para governador, será a maior falta de juízo da história do PT Paulista. É preciso pensar no Povo de São Paulo.
O Ciro é jovem, se fizer um bom trabalho em Sao Paulo, poderá ser presidente mais pra frente. Ele terá meu voto com certeza.
Sinceramente espero que o os Petista de São tem um pouco de inteligência, não apoiar Ciro em SP, provavelmente será um nova derrotas para os Demos Tucanalhas e Qercia e outros lixos.
Não tem mais jeito para o Zé Pedágio:
SE CORRER A DILMA PEGA, SE FICAR O CIRO COME.
Se eles perderem o comando de São Paulo, o que será dos demotucanos?
A esquerda precisa aprender a fazer alianças, se o PT seder espaço para o PSB em SP, abrirá espaço para o PSB retirar a candidatura no RS (onde temos chances realíssimas de vencer), além de criar todo um novo cenário de fotalecimento das esquerdas, mesmo com derrota. O PT sairia enfraquecido? Sinceramente ñ sei, acho q talvez a escolha seja muito maior: preferimos q seja o PT o protagonista majoritário de eventuais vitórias, ou queremos acima de tudo vitórias progressistas, acima dos interesses partidários? Vale mais uma vitória da esquerda ou uma vitória do PT? Lula já fez sua escolha, falta o PT decidir.