PSDB vê ”arapuca” no desafio de Lula

Painel

RENATA LO PRETE – FOLHA SP

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http://1.bp.blogspot.com/_dT6LtK9KDJc/ShRzugZMv_I/AAAAAAAAEBc/_Cw-9lHE5IY/s200/charge-tucano-nonobico%5B1%5D.JPGNem pensar

Ao dizer ontem que não comentaria a crítica recebida de Lula “porque ele não é candidato a presidente no ano que vem e porque eu não defini se serei candidato ou não”, acrescentando que “essa decisão só será tomada pelo meu partido e por mim no ano que vem”, José Serra estava respondendo não apenas ao adversário mas também ao aliado. No caso, o DEM, que, preocupado com a desenvoltura da campanha de Dilma Rousseff (PT), aumentou a pressão para que o PSDB coloque sem demora o bloco na rua.
Em público, Serra foi “light”. Em privado, escalou Sérgio Guerra para avisar aos “demos” em termos mais duros que não há hipótese de ele ceder à pressão.


À flor da pele. O presidente do DEM, Rodrigo Maia, ligou para o do PSDB, Sérgio Guerra, em protesto por não ter sido chamado para um jantar que reuniu em São Paulo os “demos” Gilberto Kassab e Jorge Bornhausen, Orestes Quércia (PMDB) e o tucano Aloysio Nunes Ferreira.

Incomodou 1. Não passou despercebida pelo Planalto a entrevista dada ao jornal “Valor” pelo marqueteiro Luiz Gonzalez, colaborador de longa data de Serra e provável responsável pela comunicação se o tucano disputar a Presidência em 2010. O adjetivo mais usado pelos governistas foi “arrogante”, pelo fato de Gonzalez ter se referido a Dilma como “essa mulher”.

Incomodou 2. Para colaboradores de Lula, o marqueteiro esboçou uma linha de campanha ao dizer que Serra conservará êxitos do atual governo, como o Bolsa Família, e poderá aprimorá-los porque tem “experiência”. Dizem, porém, que Serra teria se desviado desse curso já no dia seguinte, ao bater na visita da comitiva presidencial às obras no rio São Franscisco.

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Cúpula tucana diz que rival é Dilma e tucano não cairá na armadilha de aceitar provocação para brigar com presidente

Christiane Samarco, BRASÍLIA – O Estado SP

A cúpula do PSDB considera as provocações eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governador paulista e pré-candidato do partido a Presidência, José Serra, uma arapuca. “O Lula escalou o Serra para confrontar os 80% de apoio popular que tem, mas com ele o Serra não vai brigar. O confronto de 2010 é com a Dilma”, avisa o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). “Nesta armadilha o Serra não cai”, completa o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA).

Os tucanos não têm dúvida de que a estratégia do Planalto nessa nova fase da pré-campanha, com a ministra Dilma Rousseff ( Casa Civil) liberada da quimioterapia para viajar Brasil afora, é “chamar o Serra para a briga”. Entendem que, para alavancar a candidatura petista, Lula assume a linha de frente e usa sua popularidade como forma de desgastar o tucano em um embate irreal, contra alguém que não está na corrida presidencial.

CACOETE

“Ele não perdeu o cacoete de candidato”, analisa Jutahy. O deputado alega compreender a dificuldade que Lula tem para “desencarnar” de uma candidatura sustentada ao longo dos últimos 25 anos, desde a redemocratização, mas devolve a provocação. Afirma que “o povo é mais sábio” e já entendeu que a candidata é a ministra Dilma, e não o presidente.

Expoente da ala serrista do PSDB, Jutahy insiste que Serra seguirá governando São Paulo e conhecendo a realidade do País, “sem entrar na arapuca da baixaria e do bate-boca”.

Um dirigente do PT que acompanha a ofensiva do Planalto em favor da pré-candidata petista revela que o presidente Lula age orientado por pesquisas eleitorais. Estes levantamentos mostrariam, segundo alardeiam, que o Serra é o melhor adversário para o PT em uma campanha polarizada, com o qual o Planalto trabalha.

RINGUE

Diante desse quadro, os petistas entendem que as provocações do presidente são úteis para estimular o tucano a entrar na corrida sucessória. “É exatamente por isso que o Lula tem puxado o Serra para o ringue”, diz o senador Delcídio Amaral (PT-MS). “Agora, é esperar para ver se a briga começa já, ou fica para depois.”

A cúpula do PSDB reconhece que já está passando da hora para a oposição se recompor e reavaliar a tática da pré-campanha. “Essa viagem do Lula pelo São Francisco serviu para mostrar que o Planalto não vai ter limite na ação publicitária para a campanha da Dilma”, afirma Sérgio Guerra. Os tucanos admitem que precisam se organizar porque o enfrentamento terá de ser feito. Advertem, contudo, que essa não é uma tarefa do Serra. Ao menos não, por enquanto.

No que depender do governador paulista, o enfrentamento não se dará antes de fevereiro do ano que vem. Apesar da pressão do tucanato e de dirigentes do DEM para que ele assuma logo sua candidatura, Serra não está sozinho na resistência à antecipação do jogo sucessório.

Reunida em Brasília na quinta-feira, a Executiva Nacional do DEM pôs em pauta a “angústia” com a falta de um candidato da oposição para se contrapor a Dilma, que tem buscado o apoio de partidos aliados ao governo.

PARALISIA

“Podíamos procurar o PTB, mas não estamos habilitados a articular porque não temos candidato”, queixa-se o tesoureiro do DEM, Saulo Queiroz. “Enquanto aguardamos paralisados, a Dilma conversa cada dia com uma bancada”, lamenta o tesoureiro, engrossando o coro do presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ).

O DEM de São Paulo, ao contrário, não pressiona Serra a se definir. Prefere ganhar tempo para trabalhar uma candidatura alternativa a Geraldo Alckmin para o governo paulista. O partido está fechado com a campanha de Serra para presidente, mas também estimula a candidatura do secretário estadual da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, para entrar na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, depois das brigas de Alckmin com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).

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2 COMENTÁRIOS PARA "PSDB vê ”arapuca” no desafio de Lula":

Comentado por Francisco Ávner em 17/10/2009 - 15:54h:

Zé Pedágio está com medo, muito medo.

Ele sabe que quando a campanha começar Dilma, com o apoio de LULA, vai disparar nas pesquisa.
Zé Pedágio vai apanhar de mulher, ele e o marketeiro garganteiro dele.

DILMA NELES!

Comentado por Sylvia Manzano em 17/10/2009 - 15:59h:

Quando o Serra perdeu a eleição para presidência para o Lula, ele estava tão depauperado, que parecia ser o fim da carreira dele.
Porém, nós permitimos que ele ganhasse a eleição para a prefeitura contra a Marta.
Ganhou por muito pouco, um esforço a mais nosso, uma população que foi tão benefiada pela Marta e ele teria sido derrotado e para sempre.
Mas não.
Permitimos na eleição para governador que o Mercadante ganhasse a prévia e o Serra ganhou logo no primeiro turno.
Cresceu: pronto, agora ninguém tira os tucanos mais de lá.
Na eleição para a prefeitura, quando permitiram que Marta fosse novamente candidata, nós nos esforçamos muito pouco de novo.
Uma indiferença, uma apatia, uma preguiça se abateu sobre nós, fomos vendo o Kassab ganhando votos, mas nos contentávamos em ficar escrevendo no blog e nada mais.
Quem jamais poderia imaginar que um DEM ocuparia cargo tão importante no cenário nacional?
Ser prefeito da cidade mais importante do Brasil?
A Marta, claro, como sempre, trabalhou como uma moura e nós, só ali: teclando, teclando, teclando…
Os eleitores não assumem para si a responsabilide pela eleição dos candidatos, acham que basta ir lá no dia da eleição e votar.
Agora só nos resta chorar pelo leite derramado e chorar muito, lágrimas de sangue, porque esses novos eleitos não saem do poder tão cedo.

 

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