Bahia: Para Wagner, Estado inicia novo ciclo de investimento

Ruy Baron / Valor
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Jaques Wagner, governador da Bahia: “Um dado que faço questão de salientar, e que é uma de nossas bandeiras, é a redução de 10,8% no trabalho infantil”


Entrevista: Governador credita êxito à parceria com esfera federal

Genilson Cezar, para o Valor, de Salvador

O concorrido evento do dia 20 para anunciar a ampliação da fábrica da Ford em Camaçari, que contou com a presença do presidente Lula, foi visto por muitos como um reconhecimento do acerto da estratégia do governador Jaques Wagner (PT) para superar problemas crônicos de infraestrutura da Bahia por meio de pesados investimentos em várias frentes, como logística e transportes, saneamento e habitação. “A decisão da Ford representa o início de um novo ciclo de investimentos no Estado, mexendo com toda a economia”, afirma Wagner sobre o aporte em Camaçari, até 2015, de R$ 2,8 bilhões da montadora americana de automóveis. “Isso significa mais engenharia, mais tecnologia, mais geração de emprego. Aliás, serão mais de mil novos postos de trabalho criados”, conta ele em entrevista ao Valor. Leia abaixo.

Valor: Qual a estratégia do governo da Bahia para sustentar tão alto nível de investimentos (cerca de R$ 43 bilhões, entre investimentos públicos e privados) na área de infraestrutura de transportes, saneamento, habitação etc.? Interesses econômicos, sociais ou a busca de um desenvolvimento realmente sustentável para o Estado?

Jaques Wagner: O foco no social e a busca da sustentabilidade são diretrizes adotadas desde o início do governo. A nossa proposta sempre foi a de reduzir as desigualdades historicamente acumuladas ao longo de décadas e proporcionar o acesso da população pobre do Estado a bens e serviços essenciais. Nesse sentido, tem sido essencial o alinhamento com os programas do governo federal, principalmente na obtenção de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), implementado pelo presidente Lula. Essa integração favoreceu o desenvolvimento de projetos estruturantes, como a Via Expressa Baía de Todos os Santos, já iniciada, a Ferrovia Oeste-Leste, um grande porto em Ilhéus, além de um novo aeroporto, a recuperação da malha rodoviária estadual e da BR-324 e a duplicação da BR-116. Paralelamente a essas iniciativas, formulamos políticas públicas de geração de renda, abastecimento de água e esgotamento sanitário, habitação, inclusão digital e educação. Essas ações se desenvolvem no âmbito de programas como o Água para Todos, Casa da Gente e o Todos pela Alfabetização (Topa). Ao investirmos no que poderia ser chamado de infraestrutura social, criamos mais empregos, geramos mais renda e o efeito final é a dinamização da economia regional. O que queremos é desenvolvimento econômico com inclusão social e respeito ao meio ambiente.

Valor: O que significa para a Bahia o investimento da Ford?

Wagner: A Ford vai investir até 2015 mais de R$ 4 bilhões no país, sendo que a maior parte desse investimento, cerca de R$ 2,8 bilhões, valor superior ao investido na implantação da unidade em 2001, será direcionado para Camaçari. Serão criados mais de mil novos empregos no Estado. O investimento é resultado de negociações que duraram mais de um ano entre o governo do Estado, o governo federal e a direção da multinacional. Tudo isso para assegurar que a maior fatia dos investimentos da montadora fosse direcionada para a planta industrial, localizada em Camaçari, que já abriga o maior polo industrial integrado do país. A ampliação da Ford representa o início de um novo ciclo de investimentos no Estado, mexendo em toda a economia. Isso significa mais engenharia, mais tecnologia, mais geração de emprego. Aliás, serão mais de mil novos postos de trabalho criados. Portanto, é mais um ciclo de desenvolvimento que nós estamos conseguindo trazer. E o mérito é, principalmente, da qualidade da nossa mão de obra. Os trabalhadores baianos confirmaram que é bom investir na Bahia.

Valor: Quais as áreas prioritárias para investimentos e quais os projetos mais relevantes atualmente em desenvolvimento?

Wagner: No oeste baiano está um dos maiores celeiros agrícolas do país. A região concentra a maior parte da produção estadual de grãos – milho e soja -, de algodão, de girassol e agora parte para o plantio de café e a fruticultura. Lá, o agronegócio ganha força e também se instala a produção de biocombustível, atividade favorecida pela proximidade da matéria-prima. Em Camaçari, temos o maior polo petroquímico da América do Sul, que acaba de completar 30 anos e planeja, agora, sua inserção no cenário global dos próximos 30 anos. A mineração adquire dimensão e perspectivas promissoras com a implantação da Ferrovia Oeste-Leste, que vai garantir o escoamento da produção via o novo porto em Ilhéus. Também podemos destacar o polo naval na região de São Roque do Paraguaçu, em Maragojipe, no Recôncavo Baiano, que deve atender a grandes encomendas da Petrobras. É um investimento que vai gerar, inicialmente, 1.500 empregos. No setor do turismo, além da atração de empreendimentos hoteleiros de grande porte, investimos na qualificação profissional, serviços e facilidade de acesso, com a recuperação da malha rodoviária e a construção de novas estradas. Duas parcerias público-privadas (PPPs) estão em andamento: a construção de um novo estádio para a Copa de 2014 e o complexo viário da BA-093, obra essencial ao desenvolvimento do polo petroquímico de Camaçari. E, finalmente, é importante ressaltar que todos esses investimentos vão gerar milhares de empregos e renda, melhorando a vida dos baianos.

Valor: Quais os avanços sociais que já podem ser registrados como resultados dos investimentos realizados pelo governo nessa área de infraestrutura nos últimos anos?

Wagner: A Bahia avançou em tudo, segundo os números da PNAD. Fizemos um diagnóstico da situação do Estado e nos deparamos com um paradoxo: a Bahia é a sexta economia do país e amargava os piores indicadores sociais. Índices humilhantes nas áreas de saúde, habitação e educação, por exemplo. Três anos ainda é pouco tempo para solucionar essas questões, que acumulam equívocos de décadas, mas já fizemos muito e os resultados já podem ser notados. Em 2007, tínhamos na Bahia apenas 30% da zona rural com acesso a água de qualidade e até o final de 2010, vamos ter 50%. A Bahia é o Estado com a maior população rural do país. Outra iniciativa importante é o Água para Todos, que é o maior programa de acesso a água e saneamento do Brasil. Já levamos água para mais de dois milhões de baianos, sendo 500 mil atendidos com saneamento e 1,5 milhão contemplados com água de qualidade. Já fizemos 277 mil ligações de água, 117 mil ligações de esgoto, 1.400 poços e 35 mil cisternas para a captação de água de chuva. Também investimos alto na recuperação de estradas. Já fizemos 1.600 quilômetros de estrada e mais de 10 mil quilômetros já passaram por manutenção. Na área de habitação, construímos e entregamos 17 mil casas e, até 2010, serão ao todo 50 mil. O déficit habitacional no Estado chega a quase 700 mil unidades. Na área de saúde, construímos os hospitais de Juazeiro e Irecê e estamos construindo o Hospital do Subúrbio, em Salvador, e o Hospital da Criança, em Feira de Santana, e concluindo o Hospital de Santo Antônio de Jesus ainda neste ano, além da reforma de hospitais. Registramos também avanços na área da educação e um dos exemplos mais expressivos é a matrícula de 200 mil baianos no Programa Todos pela Alfabetização (Topa).

Valor: O que o governo estadual pode contabilizar em termos de aumento do nível de emprego e de melhoria da renda dos trabalhadores baianos?

Wagner: Apesar da crise mundial no fim do ano passado, que gerou perdas da ordem de R$ 700 milhões em nossa arrecadação, a Bahia foi um dos primeiros Estados brasileiros a sair do cataclismo financeiro que se abateu no planeta, o qual, pelo seu simbolismo, não posso me furtar de classificar como a queda do muro de Manhattan. A performance baiana, que não é fruto do acaso, mas resultado do diálogo com todos os setores da economia e da sintonia das nossas ações com programas federais de geração de renda, nos permitiu avançar naquilo que para nós é uma marca – a geração de empregos. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, a Bahia gerou, em outubro, 7.443 novas vagas com carteira assinada, acumulando 62.183 novos postos de trabalho em 2009, o maior entre os Estados do Nordeste e um dos maiores entre todos os Estados da Federação. E, nessas horas, um pequeno exercício de lógica não falha – se há emprego, há renda. E se há renda, há consumo. Quando esses ingredientes se somam, todos nós saímos ganhando. Quando o consumo aumenta, os negócios se aquecem. É o Estado estimulando o crescimento, dando às pessoas mais condições de comprar aquilo que precisam. Estamos assim criando um círculo virtuoso em toda a economia. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, os baianos, entre 2006 e 2008, tiveram um rendimento médio mensal que registrou crescimento de 26,2%. O número de pessoas com carteira assinada registrou acréscimo de 7,9%. E um dado que faço questão de salientar e que também é uma de nossas bandeiras – redução de 10,8% no trabalho infantil. Lugar de criança e adolescente é na escola e, para isso, temos trabalhado fortemente na Educação e os números da PNAD também mostram essa evolução. Aliás, a educação nos foi entregue em estado terminal.

Valor: As conquistas obtidas até agora já foram suficientes para mudar os indicadores sociais do Estado? A PNAD registra mudanças realmente efetivas no quadro?

Wagner: Sim, os números apurados pelo IBGE em 2008 mostram um quadro de recuperação econômica do Estado e temos certeza que a pesquisa do próximo ano trará números ainda mais animadores. O cenário é resultado de uma política, adotada por nós, de atuar integrado ao governo do presidente Lula, que desconcentra investimentos e distribui renda, o que favorece a um maior dinamismo da economia. Houve um incremento de 7,4% nos domicílios com acesso à rede geral de água com canalização, sendo que entre os domicílios rurais foi de 33,9%. São dados da PNAD. No que se refere ao esgotamento sanitário, o acréscimo foi da ordem de 9,5%, com um incremento de 4% na proporção de domicílios urbanos e 118% nos rurais. E graças ao Programa Todos pela Alfabetização (Topa) registramos uma redução de 6,7% na taxa de analfabetismo no Estado. Temos avanços também no indicador “bens de consumo”, cuja vedete foi o acesso ao computador, com o maior crescimento proporcional entre os bens de consumo, 63,5%. O computador está presente agora em 17,3% dos domicílios baianos. O acesso à internet teve uma evolução maior ainda, com 79,8% de incremento. Saímos de 7,5%, em 2006, para 13,5% dos domicílios baianos em 2008. E, nessa toada, estamos trabalhando num outro viés, levando os Centros Digitais de Cidadania (CDC) para o maior número de pessoas, especialmente para aquelas que moram no interior. Já são mais de 800, presentes em quase cem por cento dos municípios baianos e não somente nas sedes, mas em várias escolas da zona rural. O baiano também consumiu mais máquinas de lavar roupa (32,7%), telefones (28,3%) e geladeiras (10,5%), bens que, em diferentes graus, sempre estiveram distantes de grande parte da população.

Valor: A iniciativa privada tem apoiado as ações do governo e está encontrando melhores oportunidades de negócios?

Wagner: O governo tem trabalhado para criar um ambiente propício para os negócios e o empreendedorismo. Para isso, restabelecemos na Bahia um clima de relações democráticas e transparentes com o empresariado. Nossa convicção é pelo diálogo permanente. Ao Estado cabe o investimento em infraestrutura e o papel de indutor da atividade econômica. Tudo isso para que o empresário possa fazer aquilo que lhe é próprio, empreender. Assim, podemos dizer que a Bahia vive um novo momento, muito favorável e com inúmeras novas oportunidades de bons negócios. E é claro que acreditamos num crescimento econômico com planejamento. Recentemente, por exemplo, lançamos na Bahia um Guia de Atração de Investimentos, que orienta as bases para um novo ciclo de desenvolvimento sustentável, dando suporte à cadeia produtiva do nosso principal parque industrial, por meio de projetos estruturantes, a exemplo da PPP para o sistema viário da BA-093. E tudo isso foi feito em conjunto com os empresários ligados ao Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Nosso PIB cresceu pelo segundo trimestre consecutivo. O ICMS, em setembro de 2009, supera o montante recolhido em setembro de 2008. A produção industrial cresceu, em agosto, 5,7% em relação ao mês de julho, recuperando o recuo do período. O Estado foi um dos que apresentou média acima da nacional, ao lado de Pernambuco, Espírito Santo, região Nordeste, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Valor: A estratégia do governo para melhorar a infraestrutura e o desenvolvimento do Estado prevê ações que devam continuar no próximo governo?

Wagner: Os projetos que concebemos têm um horizonte de médio e longo prazo. Estamos preparando o Estado para que o crescimento aconteça de maneira contínua, ao longo dos anos, e não por ciclos econômicos. São obras como o sistema viário 2 de Julho, já entregue, a ponte Salvador/Itaparica, a duplicação do aeroporto de Salvador, o polo da indústria naval no Recôncavo Baiano, a expansão do Polo de Camaçari (Polo + 30) e a Via Expressa Baía de Todos os Santos, que melhora o escoamento e o tráfego na capital baiana e liga a BR-324 ao porto de Salvador, favorecendo a capacidade de importação e exportação. Também o complexo integrado Ferrovia Oeste-Leste, Porto Sul e aeroporto em Ilhéus, que vai garantir o escoamento da produção dos novos empreendimentos que atraímos para a Bahia. Na região será implantada uma zona especial de exportação. È preciso notar que esses projetos criam novos vetores de desenvolvimento no Estado, num movimento de desconcentração e interiorização das atividades econômicas. Esse processo demonstra outra característica fundamental para compreender essa nova Bahia que estamos ajudando a moldar, que é a inclusão social e econômica. Ou seja, um governo para todos, mas, principalmente, para os que mais precisam.

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2 COMENTÁRIOS PARA "Bahia: Para Wagner, Estado inicia novo ciclo de investimento":

Comentado por Edmundo Adôrno em 27/11/2009 - 12:59h:

Sr. Favre,
A Bahia já é rica de penduricalhos. Alguns desnecessários, principalmente este acento agudo que insistem em aparelhar a grafia de seu nome.
Aproveite o ensejo e corrija neste post, em que faço esse comentário, como de resto nos demais em que o presente de grego é oferecido.
A continuar assim, perderemos a razão de implicar com os Demos e tucanos que insistem em grafar Brasil com “Z”. Sei que a razão que move esses é diferente daquela que baliza esse blog.
Abraços.

Comentado por Luis Favre em 27/11/2009 - 13:40h:

Mil desculpas. meu português é fraco e cometo erros seguidamente. procurarei não repeter os mesmos.

 

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