The língua e demais


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©antónio sta.clara
the língua
pelo dedo
primeiro
do teu pé,
em curva
senoidal
de sobe e desce,
tocando
um a um
que se umedece,
falanges,
cinco unhas,
vante e ré,
solado,
metatarso,
calcanhar,
telúrico sabor,
salivo o pêlo
do contorno
de todo o
tornozelo
alternando
entre o
beijo e o
respirar…
lambuzo a
panturrilha
ondulada,
e encosto a
pele áspera
do rosto,
misturo
assim o
meu com o
teu gosto,
de boca e
de pele
já suada…
avanço
no joelho,
alcanço a
coxa,
mordidas
de mentira
em toda
parte,
o beijo a
pintar
obra-de-arte:
às vezes
nuvem
rubra,
às vezes
roxa…
(e as mãos e os
pés dos dois
rasgando a
colcha…)
subindo
pelo “S”
do quadril,
no rastro
salivar
chego ao
umbigo,
(de tão
pesados os
olhos,
só lobrigo…)
te ouço
sussurrar
um “não”
sem til…
na reta que
inicia-se
no ventre,
deslizo à
divisa
dos teus
seios,
no ritmo
pendular,
paro no
meio, e o
terno beijo
alterno
calmamente…
em todo o
teu pescoço
faço um giro,
molhando a
superfície
perfumada,
e após uma
descida
demorada,
eu cravo a
jugular,
feito vampiro…
adentro
umedecendo o
teu ouvido,
volteio,
vou e volto,
saio e entro,
penetro,
molho tudo,
fora e dentro,
(teus olhos,
como os meus,
calam franzidos…)
em torno
dos teus olhos
faço um 8
nariz,
maçã do rosto,
tudo beijo,
de tão extasiado,
não mais vejo,
e suga
minha boca
um beijo afoito…
encontram-se,
duelam-se,
se enroscam…
procuram-se,
encontram-se,
se tocam…
descansam,
brigam,
chupam-se,
se trocam…
de súbito
desço ao
vértice do “V”
que formam
tuas coxas
levantadas
e sorvo
e absorvo
em golfadas
o néctar que
me inunda
de você…
Antoniel Campos (1967, Pau dos Ferros, RN). Poeta, engenheiro civil, vive em Natal. Publicou Crepes e cendais (Ed. do autor, 1998), De cada poro um poema (Editora Sebo Vermelho, 2003) e A esfera (Plena Editora, 2005). Escreve o blogue Poros e Cendais. Mais aqui.
Fonte Germina Literatura
Tags: Antoniel Campos, arte, escrita, Literatura, Poemas, poesias, poetas2 COMENTÁRIOS PARA "The língua e demais":
“Mil beijos”
AC Oliveira
Beijo tua fronte,
Como pai beija a um filho.
Beijo tuas faces,
Como alguém beija um amigo.
Beijo tua boca,
Como um homem apaixonado e perdido.
Beijo teus seios.
Mordisco os teus bicos.
Beijo teu ventre,
Me demoro em teu umbigo.
Beijo tuas coxas,
Até que as tuas pernas fiquem frouxas,
Assanhando a tua libido.
Beijo teus pés,
Como um fã beija a um ídolo.
Mordo teu púbis,
Como se quisesse comer teus pêlos.
Beijo demoradamente teu clitóris.
Colo meus lábios nos teus.
Penetro com a língua no teu íntimo.
Intensificando. Saboreando os teus gemidos.
Num ímpeto. Seguro teu queixo,
E te chamo de linda.
Te viro de bruços.
E cravo meu dentes,
Lentamente em tua bunda.
Roço meu rosto.
Lambuzo com gosto,
Toda tenra textura das tuas nádegas.
Beijo com sofreguidão teu anus.
Pois, nenhuma parte do teu corpo,
Pode deixar de ser beijada.
Beijo tuas costas,
Cada vértebra da tua espinha.
Beijo tua nuca.
Até ficares, ainda mais arrepiada.
E num suspiro tolo,
Declaro solenemente que és só minha.
Te viro de frente.
Te beijo os dentes.
Os braços, as tuas axilas.
Beijo as tuas as mãos, uma a uma.
E assim a elas,
Entrego a minha existência.
Beijo teus os ombros.
O pescoço e adjacências.
Beijo tuas as pálpebras.
As tuas sobrancelhas.
A ponta do teu nariz.
Olho nos teus olhos.
E te digo baixinho:
- Você é tudo o que eu sempre quis.
- Eu sou todo teu,
Faças de mim o teu ninho.

“Marcas”
AC Oliveira
Não quero meu nome numa tatuagem.
Só quero marcas que eu mesmo faça.
Só quero dores que eu mesmo imponha.
Não quero letras como homenagem.
Quero marcas que sejam minhas
e que você exiba, sem vergonha.
Não quero a eternidade.
Quero as marcas dos meus dentes,
Dos meus dedos em simetria.
Só quero a intensidade,
O prazer e o privilégio,
De refazer as tuas marcas todos os dias.