31/12/2009 - 23:00h Jóia

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31/12/2009 - 22:30h Que 2010 confirme um Brasil de todos

31/12/2009 - 22:00h Feliz Ano e boa noite


A Força do Destino: Prelúdio original da ópera de Verdi. Regente: Valery Gergiev e a Orquestra do Kirov

31/12/2009 - 19:01h O patria mia


A voz é da grande Renata Tebaldi. A atriz é Sophia Loren. A ária é “O patria mia” da ópera Aida, de Verdi

31/12/2009 - 11:25h ”Fiz o que era do interesse da cidade”

Para Kassab, a população considera justos os reajustes de IPTU e de ônibus e a retenção da taxa de inspeção veicular

Bruno Tavares e Iuri Pitta – O Estado SP


Entrevista
Gilberto Kassab: prefeito de São Paulo

Gilberto Kassab (DEM) é um prefeito otimista: encerra 2009 satisfeito com o próprio desempenho e confiante de que a população vai compreender medidas como os aumentos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e da passagem de ônibus e a retenção da taxa de inspeção veicular em 2010. “As pessoas precisam ter respeito por mim, no sentido de saber que estou zelando pelos interesses da cidade”, disse. Ao avaliar seu primeiro ano de mandato como prefeito eleito, Kassab destacou avanços nos “pilares” da gestão – educação e saúde – e os projetos em “transporte público” – com metrô e monotrilho ganhando espaço e receita antes destinados aos ônibus.

A cidade está melhor em 2009 do que em 2008?

Não tenho dúvidas. A cidade avançou em diversas áreas, principalmente em saúde e educação, pilares da gestão. Avançamos em uma das prioridades administrativas, que é a transparência. Algumas transformações importantes, como o meio ambiente, os parques criados, a inspeção veicular que hoje é nacional. Na questão das ações vinculadas à gestão mais austera, nós acertamos na dosagem, tanto é que fechamos o ano sem nenhum problema na cidade.

O ano termina sem problemas financeiros, mas houve as enchentes e a situação do Jardim Romano. Isso não está relacionado aos cortes orçamentários?

Não, até porque o Jardim Romano é algo que se arrasta há 30 anos. Pela primeira vez, uma administração enxergou o problema e trouxe um projeto – isso faz três anos, que é o projeto Parque Linear Várzea do Tietê. Esse projeto apresentado pelo governador e por nós prevê a solução definitiva de moradia para essas famílias, em função da constatação de que a impermeabilização chegou a tal ponto que agora choveu, alagou e a drenagem não é suficiente. Infelizmente, os últimos 30 anos de administrações erraram: além de não retirar as famílias, incentivavam as famílias. Por que nós pudemos responder rapidamente ao problema? Porque nós já tínhamos o projeto.

Está convicto de que a Prefeitura agiu de forma rápida? Que os moradores acham isso?

Sim, todos sabem. Em duas semanas as questões estão todas encaminhadas. As pessoas lá não podem estar satisfeitas. São pessoas desesperançadas. Uma família que tem como única opção morar naquele local… O importante é que nossa resposta já existia e, no curto prazo, fomos bastante presentes.

São Paulo é uma das cidades que menos usou recursos do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Por quê?

São Paulo tem uma diferença em relação a outros municípios, que são as áreas (para as unidades). Nesse projeto da zona leste tem recursos do Minha Casa, Minha Vida.

Ainda sobre habitação, e as remoções na Av. Roberto Marinho?

Não é uma simples remoção, é um projeto habitacional. As pessoas vão morar em construções em condições de dignidade. E com recursos já reservados dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção). É um grande projeto de reurbanização.

É uma meta entregar o projeto até o final do seu mandato?

É difícil falar em prazos. Os recursos existem. A obra é não só o túnel, a avenida e a urbanização, mas também a construção de 10 mil moradias. E já temos recurso, o que nós dá a tranquilidade de dizer que é um projeto irreversível.

Será o grande projeto da gestão?

Não, o grande projeto nosso é saúde e educação.

Mas em relação a transporte…

É metrô. Após 30 anos, a cidade investe em metrô. É um absurdo, é constrangedor. Estamos provando que é possível investir no metrô, tanto que vamos investir R$ 2 bilhões em oito anos.

Mas o metrô é uma obra do governo do Estado.

É uma mentalidade velha, arcaica, de quem quer por nome em placa, tem a vaidade de fazer licitação. Eu estou preocupado com a cidade. As pessoas cumprimentam na rua a gestão: “Puxa vida, é isso mesmo, é metrô.” O prefeito não querer colocar dinheiro no metrô é uma coisa de 50 anos atrás.

Mas foi a conjuntura política que permitiu isso, com o sr. na Prefeitura e Serra no governo estadual.

Não, qualquer que fosse o governador. É uma questão de convicção. Era um compromisso meu e do Serra, que estamos honrando.

Não se tem deixado de lado a construção de corredores de ônibus? O sr. não fez nenhum quilômetro.

Meu compromisso é de três corredores de ônibus, está no Plano de Metas: o Expresso Tiradentes, o Celso Garcia e o da zona sul. O Celso Garcia vai ser na forma de metrô, é um upgrade. O Expresso Tiradentes e o corredor zona sul vão ser na forma de monotrilho. Isso mostra que a nossa prioridade é o transporte público.

Mas e os ônibus? Os modais não devem se complementar?

Aqui não se complementa, se substitui. Tenho compromisso de três corredores, consegui viabilizar, porque é mais caro. Aqui, em vez de 500 mil pessoas usarem ônibus, vão usar metrô. Aqui, em vez de 500 mil pessoas usarem ônibus, vão usar monotrilho. Vai diminuir o número de ônibus, o que é muito bom para a cidade.

E quem depende do ônibus? O ano começa com aumento de tarifa.

Depois de três anos.

Mas o passageiro vai pagar mais.

Eles compreendem. É inédito isso. Depois de 30 anos, é a primeira vez que ficaram três anos sem ter reajuste.

A retenção do valor da inspeção veicular não soa como nova taxa?

De jeito nenhum. Os milhões de pessoas que usam transporte público acham que quem tem o transporte individual agora não pode ter essa restituição. Se você acha (que é) uma taxa, então o governo federal que explique. Agora, você vai perguntar a minha opinião em relação a essa medida? Eu apoio, acho correto. Seria privilegiar o transporte individual. Não tem sentido. Tanto é que não teve reação.

A reação foi de mais um custo.

O dinheiro não cai do céu. Você acha justo colocar R$ 300 milhões na inspeção veicular? Neste ano, como não era obrigatório, quem fez, a Prefeitura restituiu. Estou preocupado com o ar da cidade. Agora que é obrigatório, não vou te dar R$ 50 e deixar de pôr no metrô. Entendeu a filosofia?

A filosofia do sr. mudou a partir da resolução federal? Por que começou restituindo e voltou atrás?

Porque antes não era obrigatório, era ambiental. Agora é obrigatório. Acho justo socialmente. Duvido que algum município vá restituir. Só falta essa. Pago para ver.

O sr. encerra o ano com aumento do IPTU e da passagem do ônibus e a inspeção ambiental. Houve queda na aprovação do governo. Preocupa esse desgaste político?

Fui eleito para fazer o que é correto, o que é importante para a cidade. As pessoas precisam ter respeito por mim no sentido de saber que estou zelando pelos interesses da cidade. Entendo que o IPTU tem de ser atualizado e, em relação à tarifa do ônibus, se pudesse, ficaria mais um ano sem dar (reajuste), porque a prioridade é estar ao lado dos menos favorecidos.

A população vai compreender?

Para mim, o importante é que se saiba que não está sendo criada taxa, que não estão sendo aumentados impostos.

A gestão do sr. é uma vitrine para o seu partido, principalmente depois do escândalo no Distrito Federal. Como lida com isso?

Minha preocupação é com a cidade. Sou prefeito para corresponder à expectativa dos paulistanos. O cidadão não está preocupado com partido. Não existe partido na gestão. Aqui existe aliança, com o PSDB, com o PPS, com o PV.

É possível imaginar uma fusão de partidos?

Em São Paulo, essa aliança é sólida, como se fosse um partido só. Evidente que, se tiver a mesma identidade no plano nacional, é como se fosse uma coisa só. Não tenho porque não falar que não é boa a fusão, mas isso são circunstâncias que podem ou não ocorrer. Nas próximas eleições precisamos reproduzir essa aliança novamente para o governo do Estado e no plano nacional, se possível.

O sr. tem candidato para o governo do Estado?

Meu candidato vai ser o candidato do governador José Serra. Tem vários nomes sendo apresentados: o secretário Aloysio Nunes Ferreira Filho, por quem todos sabem que eu simpatizo, o secretário Geraldo Alckmin e o secretário Afif Domingos, sem falar no vice-governador, Alberto Goldman.

O sr. não?

Não. É meu primeiro mandato majoritário. Assim como eu senti quando o Serra era prefeito que a cidade pedia para ele sair, as pessoas pedem para eu não sair. Eu tenho o compromisso de não sair. Vou ficar até o final.

COLABOROU DIEGO ZANCHETTA

31/12/2009 - 11:00h Lula sanciona projeto que reduz impostos

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O presidente Lula sancionou o projeto de lei que enquadra produções cinematográficas, artísticas e culturais no regime de tributação para micro e pequenas empresas. A medida permitirá que, a partir de 2010, trabalhadores do setor cultural passem a pagar uma alíquota mínima de 6% em vez dos atuais 17,5%. A sanção foi publicada no Diário Oficial na terça-feira. Ao todo, o Simples da Cultura une quatro impostos federais, um estadual e um municipal. O texto sancionado altera a Lei Complementar nº 123/2006 para que trabalhadores do setor cultural possam ser enquadradas na tabela do chamado Simples Nacional.

31/12/2009 - 09:59h Governo destina mais R$ 10 bi para obras do PAC em 2010

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Liberação do dinheiro consta da Medida Provisória, publicada ontem

Leonardo Goy e Fabio Graner, BRASÍLIA – O Estado SP

Principal plataforma eleitoral da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ganhou um reforço orçamentário para 2010 no penúltimo dia de ano. Ontem, o governo concedeu crédito extraordinário de R$ 18,191 bilhões para beneficiar, principalmente, obras do programa, gerenciado pela ministra.

Segundo o Ministério do Planejamento, dos R$ 18,2 bilhões previstos, R$ 8,934 bilhões são oriundos de remanejamento de recursos já previstos. O restante, segundo o Planejamento, são verbas novas. A liberação do dinheiro consta da Medida Provisória (MP) 477, publicada ontem em edição extra do Diário Oficial da União.

Fora o reforço para o ano eleitoral, em janeiro, segundo o Planejamento, haverá uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros da equipe econômica, mais Dilma, para tratar de investimentos para os próximos anos, o que no governo vem sendo chamado de PAC 2.

Nos anexos da MP, estão detalhados os destinos dos recursos, que vão de obras de saneamento básico a investimentos em logística, como manutenção de rodovias federais.

SOBRAS

O governo federal prorrogou ontem a validade dos restos a pagar de 2007 e 2008 para o ano de 2010. Restos a pagar são despesas de obras federais que estão em andamento, mas não foram concluídas e, portanto, ainda não receberam o pagamento do governo. Segundo o subsecretário de Planejamento Fiscal do Tesouro Nacional, Cleber Oliveira, esses restos a pagar de 2007 e 2008 somam um valor “próximo de R$ 30 bilhões”.

Ele afirmou que a revalidação desses restos a pagar permite que obras públicas em andamento sejam concluídas no ano que vem. ”É comum que haja prorrogações de restos a pagar”, disse Oliveira.

Ele informou que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que estiverem dentro desse grupo de restos a pagar poderão ser somadas às possibilidades de abatimento da meta de superávit primário de 2010, que é de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Dessa forma, além dos 0,65% do PIB de obras do PAC previstas no Orçamento de 2010 que poderão deduzir a meta do ano que vem, o governo poderá somar os restos a pagar do PAC de 2009 – que fontes do ministério da Fazenda estimam que será da ordem de 0,4% do PIB – e, agora, também os de 2007 e 2008.

De qualquer forma, Oliveira reafirmou o discurso do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do secretário do Tesouro, Arno Augustin, de que o governo vai cumprir a meta fiscal cheia, ou seja, 3,3% do PIB, em 2010, sem utilização desses abatimentos permitidos.

31/12/2009 - 09:33h Capacidade de produção se aproxima do recorde

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Nível de utilização atinge 83,8% e já soa sinal de alerta no Banco Central

Márcia De Chiara – O Estado SP

Pelo nono mês seguido, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria cresceu em dezembro, deixando para trás o fundo do poço da produção, atingido em fevereiro deste ano por causa da freada no ritmo das fábricas em razão da crise financeira internacional.

Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que neste mês as 1.110 indústrias consultadas ocupavam 83,8% da capacidade de produção. O resultado é 1,1% maior que em novembro deste ano, descontadas as influências sazonais. E está apenas 2,9 pontos porcentuais abaixo do recorde histórico da série do Nuci, alcançado em junho de 2008, que foi de 86,7%, destaca o coordenador técnico da sondagem, Jorge Ferreira Braga.

Os resultados da pesquisa mostram que nos últimos cinco meses, entre julho e dezembro, houve uma expressiva aceleração do uso da capacidade das fábricas, com avanço de 3,9 pontos porcentuais no período.

O maior ritmo de produção já fez acender um sinal de alerta entre os formuladores de política monetária. No último relatório de inflação, o Banco Central (BC) prevê que, se for mantido o ritmo atual de produção, o uso da capacidade das fábricas poderá chegar a 86,5% em maio de 2010, nível muito próximo do recorde histórico (86,7%). O grande temor do BC é que o aumento repentino do uso da capacidade cause pressões inflacionárias.

“A recente recuperação do Nuci não chega preocupar”, afirma Braga. Exceto no caso dos bens duráveis, onde o Nuci atingiu 91% este mês, depois de ter alcançado 91,4% em novembro, há vários segmentos com ociosidade, diz Braga. A opinião é compartilhada pelo economista da LCA Consultores, Douglas Uemura. “Há grandes diferenças entre os setores.”

A pesquisa da FGV mostra que, de novembro para dezembro, praticamente todo o aumento do uso da capacidade instalada da indústria foi sustentada pelo avanço na produção de bens de capital, com crescimento de três pontos porcentuais. “Trata-se de uma recuperação com qualidade, pois indica a volta do investimento”, frisa Braga. Já no bens de consumo e nos materiais de construção, o Nuci recuou no período e, nos bens intermediários, ficou estável.

O maior ritmo de produção das fábricas foi desencadeado pelo aumento da demanda e a redução nos estoques das fábricas. De 12 setores consultados, em quatro deles o volume de produtos tende para insuficiência. São eles: a indústria mecânica, de material de transporte, matérias plásticas e têxteis.

CONFIANÇA

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), que sintetiza os resultados da sondagem industrial da FGV, atingiu neste mês 113,4 pontos, o maior nível desde julho de 2008 (113,7), antes da crise ter afetado a produção. Em relação a novembro, o crescimento foi de 3,5%,descontados os efeitos sazonais. Na comparação com o mesmo mês de 2008, a alta foi de 54,2%

Entre os componentes de destaque do ICI estão as perspectivas para os próximos meses, reafirmando o cenário de crescimento expressivo da indústria para o ano que vem.

A produção prevista para três meses, de dezembro a fevereiro, atingiu este mês 144,1 pontos, o maior nível da série apurada desde 1980. Segundo a sondagem, 46,9% das empresas acreditam numa produção maior para o período e só 2,8%, menor. Também a situação de negócios para seis meses foi recorde:atingiu 159,2 pontos este mês, com 61,8% das empresas prevendo melhora e 2,6% piora.

31/12/2009 - 08:57h Piso do professor será de R$ 1.024,67

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Em 2010, salário mínimo da categoria será 7% mais alto; secretários municipais dizem que não têm como pagar

Lígia Formenti, BRASÍLIA – O Estado SP

O piso salarial dos professores da rede pública do País aumentará de R$ 950 para R$ 1.024,67 em 2010. O reajuste, anunciado ontem pelo Ministério da Educação (MEC), será de 7,86%. O valor é R$ 255,05 a mais do que o salário médio do brasileiro no mês de outubro.

A lei do piso foi aprovada em 2008 e a categoria é a única no País a ter um salário mínimo próprio. Em 2009, segundo uma regra de transição, os municípios podiam pagar até dois terços do mínimo fixado. Quando a lei foi aprovada, cerca de 37% dos professores do País recebiam menos do que o piso.

Atualmente, não há estimativas de quantos municípios ainda não conseguiram pagar o valor completo. Estudo feito pelo MEC neste semestre mostra que o salário médio de professores do País era de R$ 1.527 em 2008. Uma pesquisa da USP indicou que o professor de ensino fundamental da rede pública recebe, em média, 11% mais do que o da rede privada.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CMN), Paulo Ziulkoski, boa parte das prefeituras terá dificuldade em arcar com novos custos em 2010, quando municípios terão de obedecer o piso definido pela lei. “Além do piso mínimo do professor, haverá outros aumentos que as prefeituras terão de pagar”, afirmou.

A secretária de comunicação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Célia Tavares, defende que o governo federal ajude os municípios que não conseguem pagar o salário mínimo a seus professores. A lei do piso determina que a União ajude Estados e municípios que provem essa incapacidade. “Esse valor ainda está aquém do que consideramos efetivamente a valorização do magistério”, afirma. “Mas sabemos também que existem municípios que não conseguirão pagar.”

O aumento foi anunciado ontem pelo o ministro da Educação, Fernando Haddad, depois de uma consulta à Advocacia Geral da União (AGU) sobre como fazer o cálculo do aumento.

A lei que institui o salário mínimo da categoria afirma que o piso deve acompanhar o reajuste do valor custo-aluno do Fundeb – fundo que financia a educação no País – por meio de um valor específico pago por cada estudante. A dúvida era se tal regra deveria ser aplicada sobre o valor projetado para 2010 ou o aplicado em 2009. A AGU considerou mais adequada a segunda alternativa. Se as contas fossem feitas com o valor projetado do custo-aluno, o salário seria de R$ 1.415,97.

Ao anunciar os dados, Haddad garantiu que Estados e municípios teriam condições de arcar com o reajuste. Uma das razões, segundo ele, seria o aporte adicional de R$ 1 bilhão do governo federal para Estados e municípios, resultado do aumento dos repasses para merenda e transporte escolar . Ele lembrou ainda o aumento das transferências da União ao Fundeb de R$ 5,07 bilhões, em 2009, para R$ 7 bilhões, em 2010.

“Com essas alterações, o reajuste de 7,86% é suportável”, avaliou. Ziulkoski classificou como “propaganda enganosa” o cenário apontado pelo ministro. “Merenda escolar e transporte é dinheiro de transferência voluntária. Ele quer que prefeitos sejam acusados de desviar dinheiro de merenda para pagar salários?”

Um outro problema está na dúvida sobre o que deve ser considerado como salário. A interpretação inicial era a de que gratificações não poderiam ser consideradas. Liminar no Supremo Tribunal Federal, no entanto, permitiu somar o salário base a vários tipos de gratificações.

COLABOROU MARIANA MANDELLI

30/12/2009 - 22:00h Boa noite


Concertino para Clarinete de Weber – Grant Anderson

30/12/2009 - 21:36h Desmantelando as Bases da GCM

Boa noite Favre !!!

Sou leitor do seu blog a muito tempo e resolvi lhe mandar essa minha indignação .

Depois do decreto do prefeito Kassab de acabar com as bases fixas da GCM já não bastasse tamanha loucura do prefeito ele não satisfeito em só as desativar no dia de hoje dia 30/12/2009 o prefeito resolveu demolir a que se encontrava na Praça Torquato Torquato Plaza no Jardim Grimaldi em Sapopemba para que não reste dúvida que ele não quer conversa alguma com a GCM.

Há gostaria de lembrar que já á muitos dias que não se vê base móvel nenhuma nesse lugar onde se pode comprovar nas fotos onde a base esta sendo destruída. (ver fotos no link embaixo)

E a promessa do prefeito kassab era que no lugar onde as bases fixas existiam iria ter sempre uma base móvel.


CARLINHOS COBRA

www.cobranoticias.blogspot.com

30/12/2009 - 19:49h Suicidio


Eva Marton – “Suiccidio” de Gioconda, de Ponchielli

30/12/2009 - 19:00h Espelho

Claudia Camara – Escritoras Suicidas

Eu vou falar porque transbordo. Só porque não tem jeito, vou dizer adagas afiadíssimas, impiedosas, sobre sua carne. Não me olhe ou esmorecerei e minha voz vai se calar, exausta de compaixão. Não me olhe, porque as palavras sairão como cuspes lançados contra seu rosto. Escarros antigos, empedrados de dores caladas. Não, por favor, não desista. Não cometerei escatologias de espécie alguma, prometo. Mas não me olhe. Ou engolirei os cacos da verdade que agora, encara o seu rosto sem, no entanto, olhar para você. E sangrarei inutilmenlhe sobre palavras que não me cabem.

Escuta. É quase certo que eu não te ame mais. Carrego sentimentos morredouros que rangem cada vez que respiro. Adivinho os extertores da esperança. Imagino apenas e, juro, espero estar errada.

No começo não era assim. No começo eu vivia sob as bênçãos da ignorância. Eu era o rio caudaloso em sua primeira água rumo ao oceano. Nunca mais essa liberdade que só os intrépidos, que só os inocentes, já que, você bem o sabe, liberdade é privilégio dos ignaros. Mas isso eu já disse e não quero esgotar sua boa vontade, enovelando palavras, tecendo sensações que, você sabe, são minha razão e conforto.

Eu, cega de eternidade, rolando solta por entre as frinchas da terra, abrindo caminhos com a voracidade dos recentes. Sei que metaforismos são irritantes, quando se trata de acontecimentos com datas e suores. Como agora, quando confesso o meu desamor por você. É um processo que, embora abissal, não surpreenderá seus passos com um vazio súbito, sem alardes . Estou convivendo com o desfolhamento desse legado que me foi deixado como testamento de vida. Não o pedi. Entende isso? Me foi ordenado como também veio a sentença: deve crescer, multiplicar-se e buscar a felicidade resoluta e, antes de tudo, amar aos outros como a si mesmo.

Percebe porque nunca experimentei o amor? Inventei, modelei meticulosamente histórias formidáveis mas que, você sabe, serviria em diversos protagonistas. Qualquer um. Os que foram. Os que são. Serão?

Não se preocupe, não choro enquanto confesso tantos silêncios. É que agora, como muitas vezes, me acontece o frio nos olhos e as águas salobras vêm protegê-los de alguma agudez indesejada deste sentido. Por exemplo, não verei o cansaço das suas carnes. Sua testa desolada e cabelos desconsolados sobre ombros.

Não verei seus olhos abaixados, perscrutando sua alma enquanto escovo ancestralidades, trazendo-as à luz impiedosa da realidade.

Olha. Vê que não há amor possível diante de tal constatação: você não cumpriu com a promessa e não é quem deveria ser. Ou poderia.

Seus sonhos meninados persistem enquanto o tempo arrancou cada uma das pontes suspirosas entre a possibilidade e o nunca. Não é possível que não tenha percebido isto! E, desculpe, mas eles não lhe caem nada bem agora que já não conta com a benevolência do futuro.

Não quero postar-me diante da sua inércia. Não suporto mais a docilidade com que mimetiza minha dor.

Apago a luz.

Claudia Camara é mineira de Belo Horizonte, cidade para onde sempre volta, embora viva fazendo malas e planos com os olhos para muito além das montanhas. Algumas vezes foi e experimentou o Rio de Janeiro e Paris. Mas voltou. Sempre volta.  Escritora, desde sempre, mãe desde 1987 (confirmada no posto em 1998), publicitária (ainda), por motivos justos. Jura de pés juntos que vai envelhecer em Paris. Publicou 5 livros, o mais recente a novela Quinze dias, sete anos e alguns minutos, pela Editora Biruta, São Paulo (finalista do Prêmio Jabuti na categoria infanto-juvenil). Criação de uma série para TV La minute Féminine comprada pela produtora francesa La Parisienne d’Animation e, em fase de produção, o livro Sol no céu da nossa casa para a Construtora Odebrecht. Escreve o blogue Mentiras Históricas.

30/12/2009 - 18:18h Governo espanhol adquire o acervo do fotógrafo Agustí Centelles

centelles
© Foto de Agustí Centelles. Soldados fazem barricadas com cavalos mortos. Barcelona, 1936.

O legado do fotojornalista espanhol Agustí Centelles, que morreu em 1985, chegou hoje ao Centro de Memória Histórica de Salamanca, depois que seus filhos venderam os arquivos fotográficos do Ministério da Cultura. Esta manhã, dois de seus filhos, Octavi e Sergi entregaram12.000 negativos em duas malas e um armário de arquivamento. A única condição é que o arquivo permanecesse completo, “sem divisão”, então eles decidiram depositá-lo no Centro de Memória Histórica de Salamanca, como foi explicado por Octavi Centelles. Ela também salientou que a venda para o Ministério da Cultura foi feita depois de ter recebido várias ofertas de compra por particulares. As razões pelas quais ele decidiu aceitar a proposta do Ministério sobre os outros como uma casa de leilões de Londres ” que triplicou a oferta,” foram baseadas em “uma maior divulgação e melhor projeto de exposições. Agustí Centelles Ossó, nascido em Valência em 1909, mas viveu na Catalunha desde muito jovem, recebeu o Prêmio Nacional de Artes Plásticas de Fotografia em 1984, concedido pelo Ministério da Cultura.

Leia mais sobre o fotógrafo Aqui

Images & Visions

30/12/2009 - 15:21h Estudo revela que ginkgo biloba é ineficaz

http://www.healthline.com/blogs/outdoor_health/uploaded_images/gingko-bottle-789495.jpgDeclínio cerebral não é retardado

Muitos adultos, especialmente aqueles de idade mais avançada, têm o hábito de consumir ginkgo biloba, na esperança de preservar suas funções cerebrais.

Acredita-se que essa erva medicinal tenha propriedades antioxidantes e antiinflamatórias que seriam capazes de proteger as membranas celulares, atuando também nos neurotransmissores cerebrais. Porém, um novo estudo, o maior já feito sobre os efeitos do ginkgo biloba, revela que ele não é capaz de impedir o declínio cognitivo.

— Ao analisar o efeito do ginkgo em voluntários idosos, não verificamos qualquer ação desse produto em termos de retardar ou diminuir as alterações cognitivas naturais da idade — afirma o coordenador do estudo, Steven T. DeKosky, da Universidade da Virginia, nos EUA.

O trabalho foi publicado na edição de fim de ano do “Journal of the American Medical Association”. Para testar a eficiência do produto, DeKosky e sua equipe analisaram mais de três mil pessoas, com idades entre 72 e 96 anos, ao longo de seis anos. Divididos em grupos, eles tomaram 120 miligramas do produto e também placebo, duas vezes ao dia, tendo as suas capacidades cognitivas testadas rotineiramente.

Passados seis anos, os pesquisadores descobriram que aqueles que tomaram ginkgo biloba não apresentaram evidências de que o produto fosse capaz de deter ou retardar declínios na memória, fala, concentração, pensamento abstrato e outras funções.

Os resultados foram os mesmos, independente do sexo, idade e raça dos voluntários.

30/12/2009 - 15:17h Para Berzoini, Serra tenta se associar a sucesso do PT

Valter Campanato/Agência Brasil
Ricardo Berzoini: A geração de emprego vem da política de estímulo à economia do governo Lula
Ricardo Berzoini: “A geração de emprego vem da política de estímulo à economia” do governo Lula

Eliano Jorge – Terra Magazine

A cerca de nove meses das eleições presidenciais, o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini, minimiza precipitações, mas já identifica aflição de seu principal concorrente.

Assim ele interpretou, para Terra Magazine, a declaração do governador paulista José Serra, do PSDB, que imputou aos investimentos de sua administração a criação de 800 mil empregos diretos e indiretos em 2009. “É uma tentativa desesperada de ficar sócio do sucesso do PT. A geração de emprego vem da política de estímulo à economia”, retrucou o petista.

- Na política, é legítima a tentativa do Serra, mas não resiste à menor análise do que é decisivo. Certamente a ação do governo federal é a parte mais forte da geração de emprego em todo o Brasil – respondeu Berzoini, que deixará a presidência do partido em fevereiro de 2010, substituído por José Eduardo Dutra.

Mais um sinal apontado por Berzoini é a sequência de comerciais televisivos do governo paulista no dia de Natal. “Eu acho escandalosa, é outra demonstração de desespero político. Nunca antes na história do Estado de São Paulo, teve tanta propaganda política”, ironizou, recorrendo a um dos bordões do presidente Lula.

O dirigente petista afirma não se importar com a indefinição da candidatura de Serra como candidato da oposição à Presidência da República em 2010. Para ele, tanto faz que seja agora ou em março. “É irrelevante”, insiste, amenizando o fato de a ministra Dilma Rousseff, com a visibilidade de quem encabeça a chapa governista, estar se aproximando da liderança tucana em pesquisas eleitorais.

- A minha convicção é que 70% da população só vai se integrar ao processo eleitoral apenas na campanha – prevê.

Ele também analisa a coalizão em torno da sua legenda, comparando a mudança dos métodos do passado. “Chegamos à conclusão de que um partido como o PT, que tem relações políticas em todo o País, não pode ficar restrito às alianças com partidos de esquerda. Tem que fazer aliança também ao centro. E até mesmo à centro-direita”, opina.

Veja a entrevista.

Terra Magazine – A definição da candidatura do governador José Serra apenas em março seria melhor para a ministra Dilma Rousseff na disputa da eleição presidencial?
Ricardo Berzoini -
É irrelevante. Mais cedo ou mais tarde, isso vai se definir. Na verdade, a parcela da população mais ligada à política já sabe quem são os candidatos do PT e do PSDB. Mesmo sem a confirmação, já têm esta percepção. A minha convicção é que 70% da população só vai se integrar ao processo eleitoral apenas na campanha. Portanto se a definição de algum candidato é janeiro, fevereiro ou março, para nossa visão do processo, é irrelevante.

Mas, enquanto isso, já candidata, a ministra Dilma não vem tendo mais visibilidade e se aproximando do governador Serra nas pesquisas?
A ministra está com agenda de ministra, e não uma agenda partidária. Até o final de março, ela se dedica prioritariamente, até em função da agenda, ao governo, ela tem pouco tempo para atividade partidária. O que vai ocorrer eventualmente é que um maior número de pessoas fica sabendo que ela é a candidata do PT.

O governador Serra atribuiu à sua própria administração a geração de 800 mil empregos diretos e indiretos em 2009. Como fica a disputa pela paternidade desses números, entre PT e PSDB?
É uma tentativa desesperada de ficar sócio do sucesso do projeto do PT. A geração de emprego vem da política de estímulo à economia. Só para fazer uma comparação: no ano em que o governo federal, de uma maneira extremamente responsável, ampliou a oferta de crédito, o governo de São Paulo abriu mão do seu principal fomentador de empréstimo, que foi a Nossa Caixa. Então, na política, é legítima a tentativa do Serra, mas não resiste à menor análise do que é decisivo, no Brasil, para gerar emprego. Certamente a ação do governo federal é a parte mais forte da geração de emprego em todo o Brasil.

Como o senhor avalia a sequência de propagandas do governo de São Paulo na televisão, no dia de Natal?
Eu acho escandalosa, é outra demonstração de desespero político. Nunca antes na história do Estado de São Paulo, teve tanta propaganda política. É Sabesp, é obra, é propaganda institucional…

O presidente Lula declarou, nesta terça-feira, que o PT perdia eleições porque não fazia alianças, “era metido a besta”. O senhor concorda?
Na verdade, o PT, durante um período da sua vida, foi muito resistente a alianças de centro. Isso era característica quando Lula era presidente do PT. Depois, com o tempo, o partido passou a fazer novas alianças e, mais para a frente, chegamos à conclusão de que um partido como o PT, que tem relações políticas em todo o País, não pode ficar restrito às alianças com partidos de esquerda. Tem que fazer aliança também ao centro. E até mesmo à centro-direita, dependendo da situação. Aliança é parte essencial de uma eleição municipal, estadual ou nacional. Você faz uma aliança momentânea, com base num projeto político, e apresenta nas eleições de uma maneira transparente. Isso não é contraditório. Em 2002, a aliança com o PL, do (vice-presidente) José Alencar, teve um papel importante até para demonstrar esta disposição do PT de apresentar um programa para o País que não era só do PT. Era um programa que representava um projeto político que hoje, sete anos depois, é bem-avaliado pela população. Então, o presidente tem razão. Não sei se é porque era metido a besta ou tinha uma visão diferente do processo, mas antigamente o PT acreditava que, para não se expor a determinados riscos, deveria fazer aliança só com partidos de esquerda ou nem fazer alianças.

Mas segmentos do PT ainda demonstram, na mídia, insatisfação com exageros nas aberturas permitidas a alguns aliados. Reclamam, por exemplo, do PMDB…
Esse debate já foi superado ao longos dos debates internos do PT. A maioria defende a aliança com partidos de centro e que possamos ampliar essas alianças. A nossa definição para 2010, até agora, inclui todos os partidos da base aliada do governo federal. É possível construir um programa de governo que combine a esquerda, a centro-esquerda, o centro e até a centro-direita, quando há um objetivo claro e não somente objetivos eleitorais. Se o programa de governo for bem executado, o país reconhece a legimitimidade da aliança.

Terra Magazine

30/12/2009 - 11:00h O Plano Brasil 2022

ColunistaCristiano Romero – VALOR

O ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, trabalha em ritmo acelerado para entregar ao presidente Lula, até 30 de junho, o plano “Brasil 2022″. O tempo é curto, mas o embaixador está confiante no cumprimento do prazo. Ele já conversou com cada um dos mais de 30 ministros e criou grupos de trabalho para cada área. O plano será submetido, por meio de seminário, a especialistas de quatro grandes áreas (de infraestrutura, social, econômica e institucional) e debatido com entidades da sociedade civil.

Cada grupo de trabalho tem quatro integrantes: um da SAE – a secretaria de Pinheiro Guimarães -, um do IPEA, outro do ministério em questão e um da Casa Civil, a quem cabe coordenar as ações de governo. Os grupos vão trabalhar, como informou o ministro a esta coluna, a partir do que já existe em termos de diagnóstico e mesmo de planejamento estratégico feito por equipes que o antecederam na SAE. Eles vão identificar metas e propor ações estratégicas para cada uma delas.

Haverá, por exemplo, uma meta de renda per capita. Em 2008, a renda brasileira foi de US$ 8,6 mil, para um PIB estimado de US$ 1,9 trilhão. Mencionando previsão publicada pela revista inglesa “The Economist”, segundo a qual, o Brasil terá um PIB, pelo conceito de paridade do poder de compra (PPP, na sigla em inglês), de US$ 5,7 trilhões em 2025, o ministro diz que a renda de 2022 deve acompanhar essa evolução – como o IBGE projeta população de 212,4 milhões de pessoas em 2025, a renda per capita atingiria, nesse caso, US$ 26,8 mil (o equivalente hoje à da Eslovênia, segundo o Banco Mundial).

Fixar metas é, sem dúvida, uma novidade. Em geral, os planos de longo prazo formulados no país são meras cartas de intenção. Dessa vez, haverá metas setoriais a serem cumpridas até o não muito distante ano de 2022. Evidentemente, o plano em questão será uma peça política para o ano sucessório – no decorrer da campanha, o governo deixará claro que ele só será executado se o ganhador do pleito presidencial for a ministra Dilma Rousseff, a candidata de Lula. De qualquer forma, seja quem for o ganhador da eleição, encontrará uma proposta de trabalho em cima da mesa. Mal isso não faz.

É vital que o Brasil planeje ações de longo prazo. Dotado hoje de estabilidade política e econômica e reconhecidamente detentor de potencialidades, o país precisa pensar estrategicamente o futuro. Que país queremos ser? Uma potência exportadora de commodities agrícolas e minerais ou uma economia industrializada e inovadora? Pinheiro Guimarães diz que uma visão de longo prazo tem que contemplar três coisas: uma visão do mundo em 2022, outra da América do Sul e a terceira, naturalmente, do Brasil. A pedido desta coluna, ele refletiu sobre o ponto de partida: “o Brasil de hoje”.

“A grande característica do Brasil não é a pobreza, mas as disparidades”, diz o ministro. Disparidades de todos os tipos: regionais; entre cidade e campo; entre centro e periferia metropolitanos; de gênero; de origem étnica; de renda e de riqueza. “A disparidade de renda mencionada muitas vezes nos estudos, o índice de Gini e essas coisas todas, é baseada na renda do trabalho. Esquecem a renda dos aluguéis, dos juros e dos lucros. A disparidade de riqueza, portanto, é extraordinária.”

O embaixador diz que, mesmo depois dos avanços dos últimos anos, o Brasil padece de vulnerabilidades em pelo menos cinco áreas. A primeira é política. “O Brasil não faz parte ainda dos principais mecanismos de decisão em nível internacional. Não faz parte do Conselho de Segurança da ONU, do G-8″, pondera. Uma outra vulnerabilidade está na área de defesa. “O país não tem recursos militares suficientes para defender seu território do ponto de vista terrestre, marítimo e aéreo.”

A terceira área onde há deficiências é a tecnológica. Pinheiro Guimarães lembra que, enquanto os Estados Unidos registram 40 mil patentes por ano, o Brasil inscreve apenas 500. Outra área em que o país é vulnerável, afiança o ministro, é no campo da ideologia, “do ponto de vista das ideias”. “Temos conhecimento do mundo normalmente através dos olhos dos outros.” Se quiser ler um livro sobre os EUA, o brasileiro é obrigado a recorrer a autores americanos ou ingleses. Se o tema é a Rússia ou a França, idem. “Raramente encontramos livros de uma visão brasileira de um tema qualquer. Nós nos vemos sob os olhos dos estrangeiros e damos muito valor a isso. Vemos os temas mundiais vistos do ângulo de outros interesses, mas não do ângulo dos interesses brasileiros.”

A quinta vulnerabilidade seria de natureza econômica. Uma prova disso, diz o embaixador, é a necessidade que o país tem de atrair capitais. A poupança externa tornaria o crescimento do país vulnerável no médio e longo prazos.

As deficiências do Brasil não se esgotam aí. O embaixador sustenta, sem receio de polemizar, que o Estado brasileiro é “muito pequeno” se comparado ao de outros países (”Há 500 municípios sem médicos”); não há coordenação entre os diferentes níveis de governo nas áreas de saúde e educação; a Câmara dos Deputados é pequena e, por isso, pouco representativa (”Há uma campanha permanente contra o Congresso desde 1822″).

Nacionalista e alinhado com as vertentes mais à esquerda do governo, Pinheiro Guimarães não vê necessidade de mudança da política econômica. Mas, para ele, a política econômica de Lula não se restringe ao tripé macroeconômico (superávit primário-câmbio flutuante-metas para inflação) vigente desde 1999. Ela é a combinação de três políticas: “a política do BC”, a política dos bancos estatais e de empresas públicas como a Petrobras e a política dos programas sociais, que têm ajudado a criar um grande mercado de consumo no país.

Concorde-se ou não com as ideias do ministro, que, no novo cargo, tem evitado falar sobre política externa, sua primeira especialidade, não é recomendável ignorá-lo. Com suas ideias, ele influencia uma geração inteira de diplomatas e burocratas. Tem trânsito livre no PT, onde é muito admirado. Contendor do tipo incansável, é um inconformado com a visão de que o Brasil é um país fadado à segunda divisão das nações. “Dos dez maiores países do mundo em território, PIB e população, apenas três reúnem as três condições: EUA, China e Brasil”, argumenta.

Cristiano Romero é repórter especial e escreve às quartas-feiras.

E-mail cristiano.romero@valor.com.br

30/12/2009 - 10:19h Inspeção veicular: Taxa em 2010 sobe mais que inflação e vai a R$ 56,44

Fábio Mazzitelli – O Estado SP

A taxa de inspeção veicular ambiental em São Paulo será reajustada de R$ 52,73 para R$ 56,44, um aumento de 7,04% em relação à tarifa dos dois primeiros anos do programa. O novo valor, que passará a vigorar em fevereiro, foi divulgado ontem pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

A contar do primeiro mês de operação da inspeção, o reajuste ficou acima dos 4,7% de inflação acumulada de maio de 2008 a dezembro de 2009, tomando como referência o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas.

No ano que vem, toda a frota de 6,5 milhões de veículos registrada na capital será convocada e quem vai arcar com o custo do teste ambiental será o proprietário. A Prefeitura não vai restituir o valor pago no teste, como fez neste ano.

A Controlar, concessionária que executa o programa ambiental, anunciou ontem que vai inaugurar no último dia do ano o 10º endereço de centro de inspeção, em Pirituba, o primeiro na zona norte.

29/12/2009 - 22:00h Boa noite


Melodia romena, de Bruch oito peças para viola, clarinete e piano N° 5
Michael Resetar, viola; Katherine Kohler, clarinete; Sophie Luo, piano

29/12/2009 - 19:54h Passional

Liz Christine

Seu olhar me desconcerta
Penetrante Inquietante
O prazer que em mim desperta
Inquietante Deslumbrante
Ter você sob as cobertas
Deslumbrante Fascinante

O fascínio do teu corpo
Me perco em suas curvas
Em cada esquina deste corpo

Você é minha perdição
Ao mesmo tempo é a razão
Da escrita com paixão

Observo contemplando
Esperando
Sua ação
Faça comigo o que desejar
Sei que vou gostar

Não quer escrever?
Não. Quero apenas você
Linda envolvente
Eterna adolescente
De beleza incandescente

Sua sensualidade latejando
Seus olhos convidam
Todo meu corpo desejando
Você me acariciando

Acabo por escrever
sobre a intensidade
De te querer

Inteligência provocante
A libido reclama
sufocante
Presença fascinante
Em minha cama
Ou banheiro, cozinha, chão
Só importa nossa paixão

29/12/2009 - 19:35h O mio babbino caro


Renata Scotto – Ópera Gianni Schicchi, de Puccini – O mio babbino caro

29/12/2009 - 14:51h Descoberta proteína que faz com que células cancerosas se multipliquem


Revelação pode ajudar a entender melhor como ocorrem metástases

Nina Lakhani Do Independent – O GLOBO

Cientistas britânicos descobriram uma proteína que inibe o câncer em pessoas saudáveis, mas que, em outras, pode causar a disseminação de tecidos doentes de um órgão para o outro, a chamada metástase.

A revelação ajuda a entender melhor o funcionamento da doença e pode levar a novos tratamentos.

A proteína, chamada de P53, sofre essa transformação em 50% de todos os tumores. Isso significa que a descoberta pode, eventualmente, levar ao controle da doença em milhares de pacientes a cada ano.

Nove entre cada 10 mortes por câncer são causadas por metástases.

Para os pesquisadores, entender os fundamentos básicos que levam uma célula cancerosa a se mover da área inicialmente afetada e se multiplicar, atacando outras áreas do corpo, é a chave para desenvolver novas terapias e aumentar as taxas de sobrevivência da doença. Esse processo é muito difícil de ser reproduzido em laboratório e, por isso, os progressos nessa área têm sido lentos.

— Essa descoberta é muito importante porque não estamos lidando com um evento raro e sim com algo que afeta um grande número de pessoas — diz a pesquisadora Karen Vousden, do Instituto Britânico de Pesquisas do Câncer, uma das autoras do estudo, publicado na revista “Cell”. — Entender o que causa esse erro nas células, fazendo com que elas se multipliquem desordenadamente, pode nos ajudar a encontrar uma forma de corrigir essa falha.

Identificados genes que causam tumores no cérebro Em outro estudo, pesquisadores da Universidade de Columbia, descobriram dois genes que parecem ser responsáveis pelo glioblastoma, um dos mais agressivos tipos de câncer do cérebro. Os genes — C/EPB e Stat3 — são ativados em 60% dos casos de glioblastoma. Eles parecem atuar em sintonia para “ligar” outros genes que tornam as células do cérebro cancerosas, revela o estudo, publicado na revista “Nature”.

Pacientes observados na pesquisa, que apresentavam evidências de ativação desses genes, morreram 140 semanas após o diagnóstico. Outros, nos quais esses genes não se encontravam ativos, sobreviveram além desse período. Segundo os pesquisadores, os dois genes atuam como controles gerais da doença.

— Quando ativados simultaneamente, eles fazem com que outros genes transformem as células do cérebro, que passam a crescer e migrar de forma agressiva — conta Antonio Iavarone, principal autor do estudo. — Com essa descoberta, podemos buscar uma combinação de remédios que iniba a ação desses dois genes.

29/12/2009 - 13:31h Metro extrapola

Favre,

Parabéns pelo seu blog.

Estou indignado com a postura do jornal “Metro”, de circulação gratuita.

Segue o e-mail que enviei a eles, para que você tome conhecimento.
Não sei se vale uma postagem. Não é de hoje que os jornais se valem
da seção de cartas como forma de expressar sua própria ideologia.

Att,
Sidneig

Hoje, 29/12, no Metro, tem uma carta sórdida, que vocês ao publicarem se tornaram cúmplices.

Com o título, “Lula rejuvescido”, diz que após receber o título de personalidade do ano pelo prestigioso
jornal francês “Le Monde”, o presidente “ficou com uma aparência rejuvenescida. Fez 64 anos, mas continua com cara de 51″.

Pois bem, essa gracinha insinuando que o presidente gosta de uma cachaça não passou em branco
por quem seleciona as cartas que são publicadas, e mais que isso, indicam uma linha da direção do “jornal”.

Não é à toa que, na mesma edição, Dilma Rousseff desce (na seçao “sobe e desce”), com base na manjadíssima
ONG Contas Abertas, cujo dono está ligado às propinas do panetoneduto do DEM no DF.
Também não é à toa que a publicação é recheada de propaganda do governo de José Serra.

Essa historia de publicar em seção de cartas um lixo desses (a insinuação de que Lula é cachaceiro)
NAO EXIME A RESPONSABILIDADE do jornaleco.

Além de escrever essa reclamação a vocês, vou espalhar isso por diversos sites na internet, através de comentários e e-mails.

29/12/2009 - 12:21h Cenários de crescimento, desigualdade e pobreza

ColunistaMarcelo Côrtes Neri – VALOR

Virada de ano, hora para se olhar para trás e para frente, fazer balanços e projeções. No caso de 2010 esse exercício ganha ares de final de década, além de ser o ano I depois da crise (D.C.). Nos 12 meses posteriores a 15 de setembro de 2008 praticamente todas as séries trabalhistas e de classes econômicas disponíveis ficaram no mesmo lugar, isto é: se não regredimos, também não avançamos. Se a comparação for feita em relação aos demais países, a estagnação brasileira de 2009 é de causar inveja aos olhares estrangeiros, à exceção de China, Índia e Coreia. Mas, na comparação com a meia década de ouro – 2003 a 2008 -, não. Vamos inicialmente focar no período 2003-08, quando a renda média do brasileiro volta a crescer a uma taxa média de 5,26% por ano em termos per capita. Usamos esse período de base para o cenário de crescimento pós-crise.

Antes de entrarmos nas incertezas futuras, vamos encarar as incertezas passadas. A magnitude da retomada do crescimento do período 2003-08 depende da base de dados utilizada, nas óticas das contas nacionais e do seu produto mais popular, o PIB. Mesmo após as sucessivas revisões para cima, enxergamos 3,78% em termos per capita ao ano, velocidade de expansão mais modesta que a da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). A diferença acumulada em 5 anos entre renda Pnad e PIB foi de 8,8 pontos de porcentagem. Isso representa mais dois anos em cinco anos. Se usarmos essas taxas como parte de um exercício de futurologia mais elástico de 25 anos, a diferença acumulada de crescimento por brasileiro subiria para 108 pontos de porcentagem. No curso desses 25 anos a renda per capita teria crescido 153% pelo cenário PIB e 261% pelo cenário pnadiano.

É verdade que no longo prazo a discrepância tende a desaparecer. Por exemplo, no período 1995 a 2008 a diferença acumulada é de 2,13 pontos de porcentagem favorável ao PIB. Agora a questão é: havendo ajuste nos próximos anos, o que puxa o que: o PIB puxa a Pnad para baixo, ou a Pnad puxa o PIB para cima.

O relatório da comissão comandada por Amartaya Sen e Joseph Stiglitz divulgado em setembro de 2009 constata fortes discrepâncias entre as pesquisas domiciliares e os PIBs mundo afora, sendo as taxas de crescimento do PIB em geral superiores. O relatório argumenta pelo uso das pesquisas domiciliares como medida de performance de uma dada sociedade. Outra vantagem da Pnad é permitir olhar para a distribuição dos frutos do crescimento. O elemento fundamental para traçarmos o futuro é o comportamento da desigualdade, a verdadeira jabuticaba brasileira. Esta década nos trouxe, ano após ano, quedas de desigualdade.

Agora quão razoável seria esse cenário de repetir a mudanças ocorridas nos cinco anos de 2003 a 2008 nos próximos cinco de 2010 a 2014. A análise por fonte de renda mostra um crescimento da renda do trabalho no período 2003-08 tão forte quanto as demais, o que sugere alguma sustentabilidade do processo de crescimento com redistribuição pregresso, interrompido mas não revertido com a crise. A tendência das séries de anos de estudo, fundamental tanto para a literatura de crescimento como da de desigualdade dão suporte tanto em nível como dispersão a continuidade da trajetória de crescimento. Nesse aspecto há que se lembrar dos problemas de qualidade de educação – que aqui representam oportunidades de melhorar que é o que importa quando se fala em crescimento, uma vez que hoje há aferição de proficiência por escola pública e metas de desempenho traçadas.

Vou centrar inicialmente num cenário de prazo mais longo encerrado em 2014. Projetaremos para frente o crescimento e a redução de desigualdade do período 2003-08. Esse cenário é possível de ser quantificado usando a desigualdade observada no Espírito do Santo em 2008. Nesse caso é possível obter uma redução de pobreza à metade, 50,32% dos níveis de hoje, isto é caindo de 16,02% da população em 2008 para 7,96% em 2015. Ora, 2014 é a véspera da data final das metas do milênio. Nós já cumprimos a primeira meta do milênio de fazer a pobreza cair à metade em metade do tempo. Isso significa cumpri-la de novo em cinco anos ao invés de 25 anos. A consequência desse movimento em termos das demais classes é o seguinte: queda da classe D de 18,28% (de 24,35% para 19,9%), aumento da classe C de 14,75% (de 49,2% para 56,48%) e aumento proporcional da classe AB de 50,3% (de 10,48% para 15,66% da população). Ou seja, o cenário auspicioso mostra que se a pobreza cai à metade, a classe AB dobra.

Vamos ilustrar o impacto da desigualdade em cenários assumindo um crescimento balanceado – uma situação onde a desigualdade nem aumenta nem cai. A proporção de pobres cairia 33,32% em cinco anos nesse cenário de crescimento neutro contra 50,32% ajudado pela redução da desigualdade. Ou seja, a pobreza cai pouco mais de 50% a mais se a redistribuição dos últimos anos retornar.

Mas e a curtíssimo prazo? Se ancorarmos 2010 no cenário para 2014, no cenário de redução do Gini dos últimos anos a pobreza cairia cerca de 10% em 2010. Se olharmos todos os possíveis limitadores da nossa expansão de curto prazo, inflação, déficits público e externos não há restrições a vista. O desaquecimento da economia mundial tem sido compensado pelo crescimento do mercado interno impulsionado pela redução do hiato mais brasileiro de todos, a desigualdade. Se não há fatores restritivos para além da restrição dos mercados externos, no curtíssimo prazo há fatores expansionistas no radar. O efeito estatístico denominado “carry-over” que jogou contra em 2009, ano de desaceleração, irá jogar a favor no ano seguinte. A redução generalizada de estoques ocorrida em 2009 sugere que os empresários previram uma recessão pior que a ocorrida e essa queda de estoques atuará como fator expansionista no futuro. O mesmo efeito ocorreu com o emprego formal que já revela a partir de outubro de 2009 sua face expansionista. Finalmente, se 2010 seguir a tradição de todos os anos eleitorais da nova democracia brasileira (na verdade desde 1981), há que se esperar ganho em todas as fontes de renda, nas transferências públicas em particular.

Marcelo Côrtes Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de “Retratos da deficiência”, “Cobertura previdenciária: diagnóstico e propostas” e “Ensaios sociais”.

29/12/2009 - 11:22h Conceição Lemes: Falta de limpeza do Tietê compromete obra bilionária que prometia acabar com enchentes

A jornalista Conceição Lemes foi atrás das causas das enchentes em São Paulo e constatou que durante três anos o governo estadual deixou de realizar as obras de desassoreamento do Rio Tietê. A informação já tinha sido publicada em 10/12/2009 pelo jornal O Estado SP, em artigo do jornalista Eduardo Reina, reproduzida aqui no blog. (Plano antienchente está defasado desde concepção).

A gravidade da denuncia, porem, não levou a mídia a questionar o governador sobre o assunto e o artigo de Eduardo Reina ficou como um simples registro.

No artigo de Eduardo Reina uma frase resume o descaso:

Entre 2006 e 2008, todo o serviço foi praticamente perdido, pois faltou fazer a manutenção do desassoreamento, retomado em outubro do ano passado.


Conceição Lemes: Falta de limpeza do Tietê compromete obra bilionária que prometia acabar com enchentes

Atualizado em 28 de dezembro de 2009 às 09:58 | Publicado em 27 de dezembro de 2009 às 22:40

por Conceição LemesVi o mundo

Experimente pesquisar as matérias sobre as enchentes de 8 de dezembro em São Paulo. Invariavelmente aparece este trecho do comunicado da Secretaria Estadual de Saneamento e Energia (SSE) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee):

O Daee executa periodicamente o desassoreamento e a limpeza dos rios Tietê, Cabuçu de Cima, Tamanduateí e dos piscinões do ABC e Pirajuçara e que só neste ano já foram retirados 380 mil metros cúbicos de sedimentos.

Reportagem de O Estado de S. Paulo afirma:

Anualmente, o Estado gasta cerca de R$ 27,2 milhões para retirar 400 mil m³ de sedimentos somente do Tietê, num trecho de 40 km. São quatro contratos que determinam retirada de 32 mil m³ por mês, para evitar enchentes.

A secretária de Energia e Saneamento de São Paulo, Dilma Pena, é uma das entrevistadas. Assim como na reportagem do Agora, de 11 de dezembro :

Em 2009, segundo Dilma [Pena] foram retirados 380 mil m³ de detritos. Segundo especialistas em drenagem urbana, o ideal seria retirar 1 milhão de m³ .

Na reportagem Enchentes em São Paulo refletem falta de governo, publicada pelo Viomundo, o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto aponta a falta do desassoreamento como uma das principais causas das inundações de 8 de setembro e 8 de dezembro na capital:

Na cidade de São Paulo, entre a barragem da Penha [Zona Leste] e o Cebolão [interligação entre as marginais Tietê e Pinheiros, Zona Oeste], o Tietê recebe aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos de resíduos por ano. Se você deixar isso no fundo do rio, a capacidade dele diminui. E o que o Departamento de Águas e Energia Elétrica, o Daee do governo do Estado de São Paulo, tem feito? O Daee faz a limpeza, mas tira apenas 400 mil metros cúbicos por ano.


TEM CERTEZA DE QUE O DAEE LIMPA O TIETÊ ANUALMENTE?

O desassoreamento anual de 380 mil ou 400 mil metros cúbicos de resíduos (lixo, dejetos, erosão, material de terraplenagem) da barragem da Penha ao Cebolão tornou-se versão oficial. A informação não foi desmentida pela SSE nem pelo Daee. Os próprios especialistas acabaram acreditando nela. Entre eles, o professor Júlio Cerqueira César Neto, que foi professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica da USP.

Mas será que realmente pelo menos os 380 mil ou 400 mil metros cúbicos de resíduos foram removidos em 2006, 2007 e 2008?

Uma primeira busca nos portais do Daee e da secretaria de Saneamento e Energia, nada a respeito.

Em dezembro de 2005, o alargamento e aprofundamento da calha do Tietê, iniciados em 2002, foram concluídos. A obra custou RS 1,7 bilhão (valor atualizado pelo IGD-DI).

Da barragem da Penha ao Cebolão (trecho principal do Tietê na capital, é o que transborda),  o rio foi rebaixado em cerca de 2,5 metros; 9 milhões de metros cúbicos de lixo e terra foram removidos. Segundo o governo estadual, a probabilidade de inundação caíra de 50% para 1%. A obra foi inaugurada em 19 de março de 2006 pelo governador Geraldo Alckmin.

A partir daí, as referências encontradas em portais vinculados aos órgãos do governo do estado sobre desassoreamento do Tietê se relacionam ao edital de licitação, realizada em 18 de setembro de 2008, e a notícias sobre o andamento da obra.
SC_80_1.jpg
SC_81-1_1.jpg

Entre dezembro de 2005, término da obra da calha, e outubro de 2008, início da vigência do contrato de desassoreamento, há um “buraco”. Um período sem explicações sobre limpeza do Tietê.

O Viomundo questionou a assessoria de imprensa da secretaria de Energia e Saneamento (SSE) sobre a limpeza em 2006, 2007, 2008 e 2009. O motivo:  a falta de dados oficiais mostrando que os 380 mil ou 400 mil metros cúbicos foram removidos nos três primeiros anos.

“A limpeza é feita sistematicamente todo ano”, diz por telefone a esta repórter o assessor de imprensa da SSE, Hugo Almeida. “Tem máquinas limpando o Tietê o ano inteiro.”

A repórter insistiu. Enviou e-mail a Hugo Almeida e, por orientação dele, também a Gregory Melo (da assessoria de imprensa do Daee, órgão vinculado à SSE). Reenviou a mensagem mais três vezes. Nenhum dos dois retornou.

A repórter reforçou por telefone a solicitação à assessoria de imprensa da SSE, já que, segundo ela, as informações seriam fornecidas pela SSE e não pelo Daee.

A primeira ligação, na segunda-feira cedo, 21 de dezembro, Hugo Almeida atendeu:

– Estou indo atrás das informações para você, mas esses documentos são difíceis, faz muito tempo…

– É impossível instituições como as de vocês [Daee e SSE] não terem esses documentos à mão, arquivados ou no Diário Oficial do Estado… São comprovações atestando que esses serviços foram feitos… Preciso deles, sim… São indispensáveis para a minha matéria…

Seguiram-se outros telefonemas para o assessor de imprensa: “Ele não está”. “Está numa reunião”. “Volta mais tarde”. “Deu uma saidinha, mas volta”. “Acabou de sair”…

Invariavelmente essas respostas eram precedidas pelo “Quem gostaria de falar? Vou verificar…”. Fazia-se breve silêncio. E aí vinha a negativa manjadíssima, aliás.

Na terça-feira, 22, como a mudez do outro lado era absoluta, esta repórter tentou logo cedo contato. Júnior, assistente da assessoria de imprensa, informou: “O Hugo não está, só volta no final da tarde”.

A  repórter ligou de novo, mas, propositalmente, deu um nome qualquer sem sobrenome.

Adivinhem o que aconteceu? Hugo atendeu.

– Hugo, tive de utilizar este subterfúgio para você me atender? Por que não responde aos meus e-mails nem atende as minhas ligações. Não é mais fácil… Apenas quero saber se foi feito o desassoreamento em 2006, 2007 e 2008 e os documentos comprovando…

Inicialmente, o assessor de imprensa da SSE/Daee tentou ser dono da verdade. Não deu certo. Acabou entregando os pontos:

– Não vou dispor das informações que você quer – disse e desligou.

O RIO TIETÊ FICOU QUASE TRÊS ANOS SEM SER DESASSOREADO?

A atitude da assessoria de imprensa, o fato de que enchentes que não deveriam ter acontecido aconteceram e as chuvas moderadas (nas duas inundações deste ano São Pedro está completamente isento) são fortes indícios de que o governo do Estado do São Paulo pode não ter removido os 380 mil ou  400 mil metros cúbicos de resíduos do Tietê em  2006, 2007 e 2008 (de janeiro a outubro).

Outro indício foi dado pelo engenheiro João Sérgio, responsável pela barragem da Penha, em entrevista à repórter Fabiana Uchinaka, do UOL, quando questionado sobre o fato de que o nível das águas no Jardim Pantanal, à montante da barragem, permanecia alto dias depois das chuvas terem cessado.

Disse o engenheiro:

“Também acho estranho o nível da água não baixar aqui e não sei por que está indo para os bairros, mas não precisa ser especialista para ver que está assoreado [o rio]“.

Em português claro: o rio Tietê pode ter ficado quase três anos sem ser desassoreado.

“Como, nem os 400 mil anuais foram retirados em 2006, 2007 e 2008?!”, espantou-se o professor Júlio Cerqueira César. “Eu estive na inauguração da calha do Tietê, e o Geraldo Alckmin anunciou na frente de autoridades, engenheiros, técnicos um contrato para a manutenção da limpeza. Achei ótimo. Agora, faltar com verdade, não cumprir nem isso, já é demais!”

Na época, Geraldo Alckmin afirmou que, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), um consórcio seria o responsável pela manutenção da calha do rio. O Viomundo apurou que a PPP não vingou. O setor privado não demonstrou interesse. Foi somente no segundo semestre de 2008 que o governo do Estado de São Paulo resolveu licitar o desassoreamento de 400 mil metros cúbicos de sedimentos do Tietê.

“Isso significa que a limpeza do Tietê não foi feita no último ano do Alckmin e nos primeiros dois anos do Serra”, sente-se ludibriado o professor Júlio. “Uma desgraça para a cidade . A situação do Tietê está muito pior do que eu imaginava. Tudo o que se ganhou com o rebaixamento da calha foi perdido!”

Da barragem da Penha ao Cebolão, relembramos, são lançados anualmente no rio Tietê cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos (1,2 milhão m³ ) de sedimentos. A partir daí o professor Julio fez as contas:

* 1,2 milhão m³  (em 2006) + 1,2 milhão m³ (2007) + 1 milhão m³  (em 2008, janeiro a final de outubro) = 3,4 milhões de metros cúbicos.

* Portanto, até outubro de 2008, já havia depositado na calha do leito do Tietê um passivo de 3,4 milhões de metros cúbicos.

* Do final de 2008 a dezembro de 2009, segundo a secretária Dilma Pena, removeram-se 380 mil metros cúbicos.  Ou seja, permaneceram no Tietê  820 mil metros cúbicos.

* Pois bem, somando os 3,4 milhões de metros cúbicos (não tirados de 2006 a final de 2008) com os 820 mil metros cúbicos (não removidos de 2008 /2009), o rio Tietê está com, pelo menos, 4,2 milhões de metros cúbicos de terra e lixo.

Conclusão 1: Atualmente, estima-se, o Tietê tem ao redor 4,2 milhões de metros de sedimentos depositados no seu leito na capital. É como se quase metade dos 9 milhões de metros cúbicos retirados durante a obra da calha tivesse sido jogada, de novo, dentro do rio.

Conclusão 2: Os 4,2 milhões de metros cúbicos dão uma altura de sedimentos de 4,2 metros. Supera de longe, portanto, os 2,5 metros de aprofundamento da calha.

Conclusão 3: O nível do Tietê voltou ao que era antes das obras da calha; R$ 1,7 bilhão praticamente jogado no lixo.

“Mantido o ritmo de entrar mais sedimentos do que sai, o Tietê vai ‘acabar’ na capital e a cidade submergir”, alerta o professor Júlio Cerqueira César. “É um descalabro.”

“O governo estadual não ter feito nada em quase três anos é muito sério. Toda a capacidade de vazão ganha com a ampliação da calha é perdida”, adverte o geólogo e consultor de geotecnia e meio ambiente Álvaro Rodrigues dos Santos, que já foi responsável pela Divisão de Geologia e diretor de Gestão e Planejamento do IPT (Instituto de Pesquisas  Tecnológicas, de São Paulo). “O Tietê transbordou em setembro e dezembro por estar totalmente assoreado. A vazão máxima dele nessas ocasiões foi de cerca de 700 metros cúbicos/segundo. Se estivesse limpo, seria próxima de 1,100 metros cúbicos /segundo e não teria transbordado.”

“Na verdade, eles [governo estadual] valem-se do desconhecimento técnico da população e da imprensa”, põe o dedo na ferida o geólogo Álvaro dos Santos, e vai fundo. “Com o não desassoreamento, eles sabiam perfeitamente que São Paulo corria o iminente risco de enfrentar tragédias como as de 8 de setembro e 8 de dezembro. Infelizmente em janeiro, fevereiro e março, meses naturalmente mais chuvosos, estaremos, de novo, na alça de mira das inundações. Ameaçou chover? Fuja das marginais. E se você mora em áreas sujeitas a inundações, chame imediatamente os bombeiros!”

O professor Júlio Cerqueira César Neto assina embaixo.