28/02/2010 - 22:00h Boa noite


Martha Argerich – sonata k. 141, de Scarlatti

28/02/2010 - 19:45h Fragmentada

http://weblogs.clarin.com/antilogicas/archives/eric%20fischl%20wc.jpg

Eric Fischl


Fonte Antilógicas

28/02/2010 - 19:28h Ah, não pensei que murcharias tão rápido


DVD “The Callas conversations”. Maria Callas canta “Ah, non credea mirarti”, de A Sonâmbula (Bellini) em 1965.

28/02/2010 - 19:00h Super-preço

Superman/Supercash – Civilización & Barbarie

Mientras miraba el noticiero de la TVE ayer por la noche me enteré y salí a confirmar la información.

Así es, el primer ejemplar del comic Superman se vendió en NYork por 1 millón de dólares.

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Según amplía la agencia AFP , las cosas sucedieron así: “Un ejemplar de la primera historieta de Superman, publicada en 1938, fue subastado el lunes en Nueva York al precio récord de 1 millón de dólares, informó el sitio especializado ComicConnect.com.

La portada de ‘Action Comics N°1′, que valía 10 centavos de dólar en junio de 1938, muestra al hombre de acero levantando con sus brazos un automóvil verde y estrellándolo contra una roca, mientras los transeúntes huyen asustados.

El anterior récord para una historieta había sido alcanzado en marzo pasado para otro ejemplar idéntico pero en peor estado de conservación, que fue vendido por 317.000 dólares.

“Este ejemplar estuvo en manos de un coleccionista privado durante más de 15 años y fue adquirido por un particular”, precisó el comunicado. El vendedor había comprado la revista también en una subasta, por 150.000 dólares. ‘Es el Santo Grial de las historietas’, declaró Stephen Fishler, experto en la materia y fundador de metropoliscomics.com. ‘Antes de Action Comics N°1′, los hombres no volaban y los superhéroes no existían’, añadió”.

¿Será una inversión para luego venderla en unos años por el doble o algo más, o la cabeza, para mí incompresible, de un coleccionista rico y caprichoso que enmarcará la tapa o la pegará con cinta adhesiva en un baño?

Un disparate.

Publicado por Cristina Civale

28/02/2010 - 18:38h A Foto de Domingo

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A Foto de Domingo é de autoria de David Jay. Fonte Images&Visions

O blog  Images&Visions traz novidades do mundo da fotografia

O blog exibe a célebre imagem de autoria da fotógrafa norte-americana Lee Miller. Na foto aparecem o poeta Paul Eluard abraçado com sua mulher Nusch, em companhia do pintor inglês Roland Penrose, do fotógrafo Man Ray e da dançarina Ady Fidelin, num piquenique de verão na Île Sainte-Marguerite, em 1937.

O fotojornalista carioca Custodio Coimbra, 56 anos, lança o livro intitulado “Rio de Cantos 1000”, da Réptil Editora, e inaugura uma exposição na Galeria Tempo, especializada em fotografia. A abertura com noite de autógrafos acontece na próxima segunda-feira, dia 1º de março, das 19h às 22h. A Galeria Tempo fica na Av. Atlântica 1782 – Loja E – Copacabana.

A Sony World Photography Awards, uma das competições fotográficas mais abrangentes do mundo, que premiará as melhores fotos em 12 categorias profissionais e nove amadoras, anuncia os 190 fotógrafos finalistas, de 48 países. Entre eles, estão três brasileiros: Duda Carvalho, na categoria Arquitetura; Calil Elias Neto, em Artes & Entretenimento; e Leonardo Gianetti, em Esporte.

Pela primeira vez na Argentina, o Centro Cultural Borges de Buenos Aires inaugurou a exposição intitulada Culturas, com 110 obras do fotógrafo norte-americano Steve McCurry. O fotógrafo estará no Brasil entre os dias 20 e 22 de maio de 2010, como convidado de um ciclo de palestras e workshops promovido pela revista Fotografe Melhor, em parceria com a organização do SP Photo Fest, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.

Leia muito mais no blog  Images&Visions

28/02/2010 - 17:15h Prisioneiros da cadeira

Homens foram feitos para andar, mas passam o dia todo sentados, diz médico

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O Globo ENTREVISTA James Levine

O corpo do Homo sapiens foi moldado para o movimento. Para caçar, nadar, coletar, plantar e, sobretudo, caminhar.

Mas mudamos radicalmente nosso estilo de vida nos últimos anos, tornando-nos cada vez mais sedentários.

Atualmente, a maioria da população passa grande parte do tempo sentada. São, em média, de 10 a 15 horas por dia no carro ou ônibus, no trabalho, em frente à TV. Sem falar nas horas de sono. As pessoas praticamente não andam mais e se movimentam muito pouco, constata o endocrinologista James Levine, da Clínica Mayo, em Rochester, nos EUA, que há dez anos estuda o papel dos movimentos cotidianos (atividades que queimam calorias mas não são exercícios físicos) em nosso metabolismo.

O especialista, autor de “Mexa-se um pouco, emagreça muito” (Ed. Rocco), fez uma fascinante descoberta: as pessoas que se movimentam mais queimam até 350 calorias extras por dia — o equivalente a mais de 15 quilos por ano. Por isso, acredita, a epidemia de obesidade estaria diretamente ligada à imobilidade do homem moderno. E de nada adianta ir com frequência à academia ou mesmo fazer uma corrida matinal, segundo o especialista, se, ao longo de todo o restante do dia, permanecemos sentados. O risco de engordar e de desenvolver problemas cardíacos e doenças como diabetes permanecerá elevado. Em resumo, passar muito tempo sentado é ruim para a silhueta e a saúde. “Nossos ancestrais queimavam tudo o que ingeriam se deslocando, buscando alimento, procurando abrigo, se reproduzindo. Alteramos a nossa maneira natural de viver e nos aprisionamos em cadeiras, atrás de computadores”, afirma Levine.

“A solução deve ser nos tornarmos naturalmente mais ativos.”

Roberta Jansen – O GLOBO

O GLOBO: Existe uma média de quantas calorias consumimos por dia e quantas deveríamos queimar para ficarmos magros?
JAMES LEVINE: É uma ótima pergunta porque, na verdade, ninguém sabe a resposta ao certo.

Mas a maioria das pessoas consome uma média de 2,7 mil calorias por dia — as mulheres, em geral, consomem 20% menos que os homens.

O que eu sempre sugiro é começar qualquer processo de emagrecimento com uma redução de 500 calorias e ir ampliando esse número paulatinamente.

Quais deveriam ser nossas atividades diárias para queimar essas calorias?

LEVINE: Se olharmos para os dados, veremos que uma pessoa normal queima, em média, 700 calorias em suas atividades diárias usuais. A minha proposta é que, em vez de fazer dieta, em vez de cortar muito na comida para queimar mais, aumentemos nossas atividades físicas. Não estou falando necessariamente de exercícios.

Mas se, por exemplo, eu andar normalmente por uma hora pela manhã, uma hora à tarde e outra hora à noite, eu vou passar a perder muito peso. Eu posso perder até dez quilos por mês.

Isso tudo?
LEVINE: Sim. Quando introduzimos em nosso cotidiano o que eu chamo de atividades Neat (sigla em inglês criada por Levine para definir atividades que fazem o corpo produzir calor, ou seja, que queimam calorias, mas não são exercícios) eu crio um balanço negativo de energia, então começo a perder tecido gorduroso e peso.

Além disso, ocorre um processo ainda não totalmente explicado de redução do apetite. Quando as pessoas aumentam as atividades Neat, elas começam, naturalmente, a reduzir a comida. Com isso, o processo de emagrecimento fica muito mais fácil

Mas por que a redução do apetite? Não deveria ser o contrário?
LEVINE: Não sabemos ainda por quê. Mas existem hoje mais de 6 mil estudos sobre o comportamento do cérebro nesta área. E, ao que parece, o cérebro processa de forma diferente as calorias quando passamos a nos movimentar mais. É como se o corpo estivesse se reajustando ao que costumava ser no passado, quando andávamos o dia todo.

Os nossos ancestrais, de fato, andavam o dia todo, para buscar comida, arrumar abrigos, se deslocar.

Mas em um mundo como o nosso, com o tipo de trabalho que a maioria tem, é realmente possível andar tanto?
LEVINE: Temos que reexaminar todas as coisas que fazemos em nosso dia, para introduzir as atividades Neat. Não temos que mudar nosso trabalho, mas a forma de fazêlo. Não precisamos mudar nosso hábito de assistir à TV, mas precisamos fazer algo mais saudável do que apenas ficar sentado em frente a ela. Não estou sugerindo que as pessoas trabalhem menos ou deixem de trabalhar. Mas tudo o que fazemos pode ser feito de uma forma mais saudável.

O senhor afirma que ir à academia todo dia e perder de 100 a 200 calorias na esteira não é suficiente.

Mas o senhor sugere que as pessoas façam, por exemplo, três caminhadas de 30 minutos ao longo de seu dia. Para algumas pessoas, não seria mais fácil ficar uma hora e meia na academia? Os resultados não são os mesmos?
LEVINE: O primeiro ponto, muito importante, é que, nos EUA, pelo menos três quartos das pessoas não fazem exercícios regularmente.

Outro ponto é que muitas delas simplesmente não têm acesso a academias ou não conseguem pagálas. Então, para a maioria das pessoas, isso é irrelevante. Filosoficamente, o que estamos dizendo é que não é preciso ter dinheiro para ser saudável. Todos podem ser saudáveis. Mas nada contra academias.

Academias são ótimas para quem tem acesso a elas e gosta. O problema é que muita gente não tem acesso e a maioria odeia. Por outro lado, estudos feitos na Austrália sugerem que atividades intercaladas ao longo do dia seriam mais eficazes. Um deles, bastante intrigante e surpreendente, mostra que pessoas que passam muito tempo sentadas estão prejudicando seus corpos, mesmo as que vão à academia todo dia. Mas só o tempo vai mostrar se isso é correto.

O senhor sugere que as pessoas tenham esteiras e bicicletas em seus escritórios. Isso é factível?
LEVINE: Essa é apenas uma ilustração da minha proposta. Mas eu desenvolvo programas em 48 empresas nos Estados Unidos e, para a grande maioria, não usamos isso, mas sim adotamos medidas de gerenciamento. Reuniões, que normalmente são feitas com as pessoas sentadas, podem ser transformadas em caminhadas.

Hoje, por exemplo, na minha agenda, eu tenho cinco reuniões de uma hora cada uma. Se eu transformar todas em caminhadas, devo queimar umas 700 calorias a mais do que se as fizesse sentado.

Esse tipo de coisa.

O senhor acha que o que costumamos chamar de um metabolismo mais rápido ou mais lento está diretamente relacionado à quantidade de movimento?
LEVINE: Indubitavelmente sim.

Pessoas com problemas de peso sempre disseram que tem metabolismo lento, enquanto os médicos pensavam que elas, na verdade, comiam mais. Mas a pouca movimentação seria a resposta certa.

Se, devido ao nosso novo estilo de vida, nos movemos menos, não seria lógico, então, comer menos? Por que é tão difícil comer menos?

LEVINE: Essa é a pergunta de US$ 1 bilhão. Não parece tão difícil. Mas é.

Por quê? Eu acho, não temos dados concretos ainda, que a comida é um dos instintos mais primitivos do homem, assim como dormir e reproduzir.

Então o nosso impulso é sempre pegar comida quando ela está disponível, é algo que está enraizado em nós há milhares de anos. Existe uma quantidade natural de comida que as pessoas comem por dia, somos sempre empurrados para esse tanto mesmo quando tentamos reduzir.

O que é ajustável é a quantidade de atividade que fazemos. Assim, as pessoas ativas ficam magras, enquanto aquelas que se movem menos engordam.

Nós perdemos o impulso de nos mover?
LEVINE: Nossos ancestrais queimavam tudo o que ingeriam se deslocando, buscando alimento, procurando abrigo, se reproduzindo.

Alteramos a nossa maneira natural de viver e nos aprisionamos em cadeiras, atrás de computadores. E continuamos comendo a mesma quantidade (ou até bem mais, graças aos alimentos processados). A solução deve ser nos tornarmos naturalmente mais ativos.

Dá para estimar o quanto andavam nossos ancestrais por dia?
LEVINE: Estimamos que eles queimavam de mil a 2 mil calorias a mais. Ou seja, eles andavam de 6 a 8 quilômetros a mais do que andamos hoje. A ideia é andarmos mais, andarmos o tempo todo.

O senhor está andando agora?

LEVINE: Claro. Nossa conversa já dura quase uma hora, então devo ter perdido umas 150 calorias.

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Dicas de movimento

Para o endocrinologista James Levine, ir à academia é muito bom, mas é preciso também inserir mais movimento no dia a dia. Veja como fazer isso em casa e no trabalho.

A CAMINHO DO TRABALHO: Seder para abrir mão do transporte, caminhe para o trabalho. Se for muito longe, busque estacionar a alguns quarteirões de distância ou descer um ponto antes.

ESCADAS: Tente não usar elevador. Encare os degraus.

REUNIÃO: Faça as reuniões caminhando, em vez de sentado. São 100 calorias extras por hora.

Se não der, ao menos fique de pé.

E-MAILS: Em vez de mandar um e-mail para uma pessoa que trabalha no mesmo escritório, ande até ela.

TELEFONE: Procure sempre caminhar enquanto fala ao telefone.

ALMOÇO: Procure caminhar durante uma parte da hora do almoço. Junte os amigos e faça um passeio.

JANTAR: Adicione 20 minutos de caminhada antes do jantar. Ou retome o velho hábito de dar uma volta depois da comida

28/02/2010 - 15:53h Novo paradigma em marcha?

Amir Khair – O Estado SP

A crise internacional pôs a nu a fragilidade financeira, monetária e fiscal dos países desenvolvidos, que estão sendo obrigados, para estimular o consumo, a operar com taxas de juros reais (excluída a inflação) negativas. A ajuda governamental ao sistema financeiro insolvente criou déficits fiscais e endividamentos públicos sem precedentes.

Os endividamentos elevados vão causar proximamente taxas de juros crescentes, ampliando os já elevados déficits fiscais, que por sua vez ampliarão ainda mais os endividamentos. O elevado nível de desemprego e o endividamento da população reduzem o consumo e os investimentos e isso atinge em cheio a arrecadação pública e amplia a demanda social.

Receitas públicas menores e necessidades de despesas sociais e de juros crescentes agravarão ainda mais os déficits fiscais dos países desenvolvidos e contaminarão as condições de vida de suas populações. Não se exclui, por causa da contração do consumo, a possibilidade de terem de enfrentar a deflação – queda de preços por causa da postergação das compras.

O mais grave é a possibilidade de aparecimento de crises sociais, com desestabilização política. Na Grécia, as crises sociais já começaram.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou que a situação fiscal dos Estados Unidos e do Japão não era muito melhor do que a da Grécia.

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), os déficits fiscais previstos para este ano em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) da Irlanda de 12,2% e da Inglaterra de 13,3% superam o da Grécia de 9,8%. E, em tamanho da dívida líquida, Itália (100,8%) e Japão (105%) superam o da Grécia (94,6%). Como destacou Celso Ming, em sua coluna de 21 de fevereiro no Estado, com dados da OCDE: “Ficha por ficha, a dos Estados Unidos está pior do que a maioria dos países europeus. Ostenta um déficit fiscal de 10,7% do PIB e uma dívida (líquida) de 65,2% do PIB ante 6,7% e 57,9%, respectivamente, da área do euro.”

Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da agência Bloomberg, nos últimos dez anos (2000 a 2009), o crescimento da economia em escala global foi de 42%, tendo os países desenvolvidos crescido 17,1% e os países emergentes, 75,1%, ou seja, os emergentes cresceram em média nesse período 4,4 vezes mais do que os desenvolvidos.

Para os próximos anos, a maioria das análises prevê que a diferença entre o desempenho de emergentes e desenvolvidos será reforçada, impulsionada, principalmente, pela Ásia, com grande peso para China. A previsão continua sendo de que a demanda doméstica (consumo e investimento privado) será o carro-chefe desse processo.

Ao que tudo indica, a crise serviu para acelerar um novo arranjo geopolítico em construção nas últimas décadas com o avanço da globalização, que radicalizou o processo de concorrência internacional.

A regulação de preços vai se deslocando gradualmente das políticas monetárias locais para os preços ditados pela concorrência internacional. Assim, a política monetária perde força face ao avanço da globalização comercial, que interconectou os mercados. A tendência dos preços a nível global passou a ser mais ditada pelo preço das commodities.

Dentro desse processo da globalização, a expansão natural do capital foi na direção da minimização de custos de mão de obra, de menor tributação e de localização da expansão geográfica do consumo mundial. Os países desenvolvidos têm custos elevados de mão de obra e mercados estagnados ou em declínio e, por isso foram e continuarão perdendo a atratividade que tiveram frente aos emergentes, notadamente da Ásia e em algum grau da América Latina. A consequência desse processo foi a transferência de oferta de empregos dos desenvolvidos para os emergentes, com uma incorporação sem precedentes de elevado contingente de pessoas no mercado de trabalho e de consumo nos emergentes. Essa expansão de consumo, por sua vez, reforça os movimentos do capital para esses países.

Esse movimento caminhou juntamente com os processos migratórios de mão de obra na busca de melhores oportunidades de emprego ocorrendo com a crise retorno da mão de obra a seus países de origem. A tendência desses dois movimentos é uma diminuição das desigualdades salariais em termos locais e globais. Em outras palavras, os salários mais altos e o emprego dos países desenvolvidos vão continuar cedendo terreno para os emergentes.

Ao lado desse processo, vem se desenvolvendo um enfraquecimento de controle político dos países desenvolvidos nos fóruns internacionais. Os países do G-7 (grupo dos sete mais industrializados) começam a ceder espaço aos países componentes do G-20 e são questionadas as representações dos desenvolvidos nesses fóruns.

Esse novo arranjo geopolítico está em processo e, com a crise internacional, que enfraqueceu os países desenvolvidos e fortaleceu os emergentes, a tendência é para aceleração do novo arranjo.

Outra forma de analisar esse processo de crise econômica, financeira e social dos países desenvolvidos é a do esgotamento do modelo de desenvolvimento experimentado desde o início da revolução industrial. Esse modelo se baseou numa concentração de renda e riqueza, o que levou inevitavelmente a crises de superprodução.

O novo modelo, em fase de implantação, se apoia na ascensão de forte contingente de novos consumidores pela geração de emprego e renda de populações antes marginalizadas da sociedade de consumo. Tudo leva a crer que esse novo modelo apresenta maior dinamismo e estabilidade do que o anterior. Dinamismo pela concorrência internacional sem paralelo e estabilidade por se apoiar numa base de consumo bem maior.

Dentro desse quadro, não é de esperar sustentação para a tentativa de retomada do modelo anterior, onde os países desenvolvidos detinham parcela significativa do crescimento da demanda mundial. A gangorra pende cada vez mais para a liderança dos emergentes no papel antes desempenhado pelos países desenvolvidos.

É possível que o novo paradigma econômico já esteja em fase de formação e, caso isso aconteça, a redistribuição de renda tende a beneficiar as populações dos emergentes.

Será que o capitalismo experimentará uma nova fase na qual sua viabilização se dê apoiada numa melhor distribuição de renda e riqueza?

Especialista em finanças públicas

Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela FGV-SP, é consultor. Foi secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo na gestão da prefeita Luiza Erundina (1989-1992). Atualmente é consultor na área fiscal, orçamentária e tributária.

Coordenou a elaboração do Manual de Orientação para Crescimento da Receita Própria Municipal da FGV-SP, sob o patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Elaborou o Guia de Orientação para as Prefeituras – Lei de Responsabilidade Fiscal do BNDES – e do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em 2000.

Dentre os trabalhos que realizou, destacam-se as assessorias em gestão financeira nas prefeituras de Belo Horizonte, Salvador, Goiânia, Guarulhos, Ipatinga, Londrina, Angra dos Reis e Juiz de Fora e a criação de um sistema de acompanhamento de gestão fiscal para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

28/02/2010 - 15:34h “O impacto favorável do crescimento é maior do que o custo político da percepção de o BC estar num ciclo de alta dos juros”

O Globo ENTREVISTA Paulo Leme

Depois de aumentar a projeção do PIB de 5,8% para 6,4% este ano, o diretor de Pesquisa para Mercados Emergentes do Goldman Sachs, Paulo Leme, refez as contas e concluiu que a inflação não será comportada este ano. Os primeiros sinais de pressão inflacionária já foram captados e o mais provável é estourar a meta.

Leme, que completa 17 anos à frente do banco em setembro, está prevendo uma inflação de 5,4% e diz que um crescimento de 6,4% “não é sustentável”.

Depois de três décadas nos Estados Unidos, Leme trocou o estresse de Wall Street, em Nova York, por Miami, onde passa o dia esquadrinhando os números dos países emergentes.

Leme está convencido de que nem a inflação vai ofuscar o brilho do país aos olhos dos investidores estrangeiros.

Liana Melo – O GLOBO

O GLOBO: O Goldman Sachs revisou a projeção do PIB para 2010. Por que?
PAULO LEME: Iniciamos o ano prevendo crescimento de 5,8%, mas agora estamos trabalhando com uma projeção de 6,4%. Vamos continuar monitorando, inclusive levando em consideração o cenário externo.

Esta expansão prevista é sustentável?
LEME: Em condições normais, o crescimento sustentável da economia gira entre 4,5% e 5%.

Depois de uma contração em 2009 de 0,5%, como estamos projetando, é normal que se gere certa ociosidade. Com uma base deprimida, dá para crescer mais rápido do que é sustentável. Tivemos um programa de expansão da demanda agregada, que gerou um crescimento, que era visto como seguro, dada as incertezas daquele momento, em que não se sabia o quanto poderia piorar o quadro externo. Depois de conhecidos os fatos, talvez tenha havido uma certa sobredosagem de estímulos. Passado este período, voltamos à restrição de crescimento acima de 5%, que só é possível com investimento e reformas estruturais.

O que é necessário para crescer de forma sustentável?
LEME: Estimular a poupança doméstica e a do governo, o que significa aumentar o superávit fiscal primário. Em segundo lugar, reduzir as despesas do governo, para que os gastos sejam de capital e não correntes. É melhor gastar com infraestrutura do que inchar o funcionalismo público. Por último, estimular a poupança do setor privado. O ideal é que os investimentos domésticos variem de 21% a 24% do PIB, por cinco a sete anos.

Além do PIB, que outros indicadores foram revisados?
LEME: O aumento da pressão inflacionária nos levou a elevar a taxa para 5,4%, ou seja, acima da meta de inflação, que é de 4,5%. Na projeção anterior do PIB de 5,8%, estávamos apostando numa inflação de 4,6%. Com a deterioração do déficit em transações correntes, dobramos nossas projeções de US$ 24,3 bilhões, em 2009, para US$ 58 bilhões, este ano. Ou seja, o déficit deve dobrar em relação a percentagem do PIB, de 1,5% para 3%.

Sua projeção é de que a inflação vai romper a meta.Isso é um sinal de preocupação?
LEME: Não, porque a previsão é de que, na medida em que a inflação acelere, o governo adote medidas restritivas. Em 2008, o Banco Central reduziu os depósitos compulsórios. A medida foi acertada. Dado que os bancos públicos agora estão gerando um fluxo de crédito anual perto de 4,6% do PIB e os bancos privados estão com muita liquidez, o correto seria eliminar as medidas extraordinárias adotadas na crise.

Antes de usar o freio, é sempre uma boa medida tirar o pé do acelerador. (na quarta-feira, dia 24, à noite, o BC decidia enxugar R$ 71 bilhões em compulsórios).

O senhor considera que estas medidas são suficientes?
LEME: O BC ainda precisa mexer na Selic. Acredito que os juros básicos comecem a subir antes de abril. Iniciando o ciclo de alta em março, com um aumento de meio ponto percentual, devemos chegar em outubro com uma taxa de 12,50%.

Até que ponto o aumento da inflação influencia negativamente num ano eleitoral?
LEME: O impacto da inflação é muito menor do que suas causas.

A inflação está subindo no país porque a economia está crescendo, assim como a massa salarial real e o consumo do setor privado. Estes aspectos positivos da economia estarão mais coincidentes com a data eleitoral do que os malefícios da inflação. O impacto favorável do crescimento é maior do que o custo político da percepção de o BC estar num ciclo de alta dos juros.

O Goldman Sachs já “precificou” o risco da vitória deste ou daquele candidato?
LEME: É prematuro, porque nem todas as candidaturas já foram oficializadas, à exceção da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff. Em função da informação disponível, a postura sensata é trabalhar com um cenário inercial

Como o senhor avalia o impacto da crise financeira no país?
LEME: Pequeno, limitado e curto. A recuperação começou já no segundo trimestre de 2009. O país demonstrou uma capacidade de retomada de crescimento muito rápida e vigorosa, além de ter se mantido muito bem posicionado em relação aos Brics.

O senhor acredita que a Grécia pode contaminar outros mercados como ocorreu com o Lehman Brothers?
LEME: São situações muito diferentes. A Grécia representa um risco soberano enquanto o banco representava um risco financeiro. Acredito que existe um interesse, tanto da Grécia quanto da União Europeia, para garantir a sobrevivência da república helênica.

Claro que haverá volatilidade, até que se encontre os mecanismos para promover o ajuste. O problema é que a União Europeia não pode mexer no câmbio nem na política monetária.

28/02/2010 - 15:10h Vozes que não se deixam morrer

Nos antigos porões da repressão argentina, hoje espaços de memória, desaparecidos insistem em voltar

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Francisco Foot Hardman* – O Estado de S.Paulo – caderno Aliás

Quando pensamos na história de Francisco Madariaga Quintela, bebê sequestrado por militares argentinos durante a ditadura naquele país, o 101º identificado entre os prováveis 500 ainda por serem, graças ao trabalho das Avós da Praça de Maio; Francisco, que acabou de conhecer seu pai 32 anos depois de ter nascido (a mãe foi morta logo após o parto, como em geral ocorria com as prisioneiras grávidas no centro clandestino de detenção e extermínio do Campo de Mayo, controlado pelo Exército), persiste a dúvida: o que é mais fácil de esquecer, um rosto ou um nome?

Julio Cortázar, num esboço de conto alegórico que publicou na Revista del Occidente, em 1981, narra o projeto de “um grupo de argentinos” de fundar uma cidade numa planície propícia, sem se dar conta de que ali era um cemitério do qual não restava “nenhum rastro visível”. Somente os chefes o sabiam, mas se calaram porque “o lugar facilita seus projetos”, já que é “uma planície alisada pela morte e pelo silêncio”. Mas, aos poucos, “os mais sensíveis” começam a perceber coisas estranhas, que estão a rigor assentados “sobre a morte” e os mortos “sabem voltar à sua maneira”; e aquela cidade projetada aos poucos desperta “do pior dos pesadelos, na fria e viscosa presença de repulsas invisíveis, de uma maldição que não se expressa com palavras, mas que faz tinir com seu indizível horror tudo o que esses homens ergueram sobre uma necrópole”. Indagado por que não desenvolvera o conto, o escritor, falecido em 1984, disse que não o fizera porque “já estava escrito no livro da história”.

O Parque da Memória – Monumento às Vítimas do Terrorismo de Estado, fundado em 2007 às margens do Rio da Prata, numa das pontas da baía em plena Costanera Norte, em Buenos Aires, parece representar, como antimuseu, ao revés, esse argumento da narrativa de Cortázar. Está assentado numa verdadeira “planície alisada pela morte e pelo silêncio”. A cidade ainda resiste a incorporá-lo a sua geografia cultural e histórica. E ali, numa tarde chuvosa, céu gris, muita ventania, encrespadas as águas do Prata, visitei sozinho aquele lugar, recebido na porta por um cão enorme, mas amistoso, e nos trailers ao fundo por um guarda sonolento e pela artista plástica Lucila Anigstein, filha de perseguidos da ditadura, como muitos dos que trabalham, voluntariamente ou como funcionários, nesses vários espaços da memória do terror argentino.

Como sempre, faltam recursos e o apoio oficial é precário. Mas o voluntarismo dos comitês “de consenso” que dirigem efetivamente esses centros supera, em muito, as dificuldades materiais. Afora 6 esculturas já instaladas (de um total de 18 previstas, vencedoras de concurso internacional que contou com 665 projetos de 44 países), sobressaem, na escalada suave de uma colina, as quatro enormes esteiras de granito do principal monumento, como feridas na relva, “forradas” atrás de lascas de pedras e gravadas nas suas frontes de centenas de metros, com os nomes de quase 10 mil mortos e detidos-desaparecidos. São registros que remontam da ditadura de Onganía, em 1969, até o fim da ditadura Galtieri, em 1983. Ao lado de cada inscrição, em ordem alfabética de sobrenomes e listados por ano de massacre, há apenas a idade da vítima. É um passeio doloroso, mas necessário. Quando chegamos aos anos 1976, 77 e 78, parece que paramos no tempo porque a lista se mostra infinda. Bastaria conferir essas marcas para dar completa razão ao jovem juiz Daniel Rafecas, que acaba de responsabilizar penalmente o general Videla por 30 homicídios, 552 sequestros e 264 casos de tortura. Numa entrevista ao jornal La Nación, feita em Paris, onde estava participando de seminário sobre genocídio, o juiz Rafecas afirmou ter plena convicção de que o presidente da primeira junta militar instalou, de fato, a “solução final” como estratégia de combate não só aos movimentos guerrilheiros, mas a qualquer outra dissidência política da sociedade civil, pouco importando se desarmada ou se capaz de se opor ao regime de exceção. E quando meu olhar passou a se fixar não mais nos nomes (sem rosto), mas nos numerais que indicam as idades, não há como negar a avaliação de Rafecas: a casa dos 20 se repete a exaurir nervos, toda uma geração de jovens comuns, sonhadores, ingênuos, utópicos, agressivos, criativos, eróticos, libertários, estúpidos, enfáticos, desapareceu.

Se chamássemos por seus nomes, apenas o sibilo do vento forte do Atlântico Sul responderia. E as pedras, como em Treblinka, seriam suas mais íntegras e praticamente únicas testemunhas. Já que as águas em grande parte os tragaram, nos “traslados para cima”, isto é, voos da morte saídos com regularidade diabólica durante mais de dois anos todas as quartas-feiras da Esma (Escola Superior de Mecânica da Marinha). Como disse a esposa de um empresário ligado aos negócios clandestinos dos militares, por volta de 1995, depois do tremendo impacto que a confissão do capitão de corveta Adolfo Francisco Scilingo, primeira de um perpetrador, veio à luz no impressionante livro do jornalista Horacio Verbitsky, El vuelo (O voo): “Porque há um problema na sociedade. Parecia que os desaparecidos são eles, não são nós. São nossos, somos nós”.

Nos desvãos entre memória e esquecimento reescreve-se a história contemporânea da Argentina, que numa dimensão extrema, reproduz processos tão conhecidos na América Latina, em países como o Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, para não falar de massacres na Guatemala, El Salvador, México. E para não falar dos crimes contra os direitos humanos continuados em Cuba, para os quais nem a epopeia da Sierra Maestra nem o deplorável bloqueio norte-americano poderão oferecer licença ideológica ou poética que justifique tanta indiferença e omissão.

Entre os projetos escultóricos do Parque da Memória ainda por construir está o do artista brasileiro Nuno Ramos, Olimpo, grande estrutura de vidro e granito inspirada na arquitetura labiríntica e claustrofóbica de vários centros clandestinos de detenção e extermínio, entre eles a velha estação terminal de bondes, depois de trólebus e ônibus, no pacato bairro operário e de classe média baixa Floresta, em Buenos Aires, tema do filme Garagem Olimpo, do cineasta ítalo-chileno Marco Bechis, em 1999. Pretendendo inverter os usos costumeiros dos materiais (o vidro para paredes, soalho, teto, e o granito para portas e janelas), a obra pensada por Nuno sugere uma suspensão do tempo, numa analogia inversa à dos algozes do Exército que dominaram aquele cenário entre o final de 1978 e início de 79 (”Olimpo” é a denominação tenebrosamente irônica que deram ao local, na autorreferência elogiosa à sua condição de deuses da vida e da morte). Na visita que fiz, impressionou-me a disposição de todos que lá trabalham – jovens antropólogos, arqueólogos, teatrólogos, bibliotecários, arte-educadores, sobreviventes voluntários – para integrar o espaço da memória à vida das comunidades do bairro, com uma programação de eventos culturais e educativos intensa e viva. A própria geografia do bairro assim o faculta, ao contrário de outros centros relativamente mais isolados. No cronograma, anualmente, organiza-se uma passeata de cerca de um quilômetro entre Olimpo e a antiga oficina mecânica Automotores Orletti, no mesmo bairro, maior centro de detenção da famigerada Operação Condor, para onde foram levados cerca de 300 sequestrados do Cone Sul, dos quais apenas cerca de 40 sobreviveram.

Denúncias e recuperações desses vários centros do terror de Estado como novos espaços públicos da memória não foram fácies. Entre os instrumentos, as associações de direitos humanos que se mobilizaram em torno valeram-se do escrache, que são atos públicos bem humorados em que se revelam identidades de torturadores ou o destino clandestino de lugares como esses durante a ditadura. Os escraches, em geral levados adiante pelos grupos de filhos dos desaparecidos, foram bastante eficazes ao produzirem incômodo aos que pretendem tudo esconder e indignação de moradores vizinhos. Ao mesmo tempo que simpatia difusa pelas boas causas da memória.

Do alto de sua arrogância, o almirante Massera, comandante da Marinha e membro ativo da primeira junta durante os anos de terror da Esma, condenado à prisão perpétua, disse em audiência num de seus vários processos criminais, em 1985: “Me sinto responsável, porém não culpável. Meus juízes dispõem da crônica, mas eu disponho da história e é dela que se escutará o veredicto final”.

No silêncio de hoje dos porões e sótãos do Cassino dos Oficiais, a maior casa de horrores da Esma, por onde passaram milhares de sequestrados, ali torturados, despojados de seus bens – as mães grávidas de seus bebês – e selecionados, olimpicamente, com o L de liberdade (poucos) ou o M dos voos da morte (a esmagadora maioria), durante vários anos, de modo metódico e implacável pelo alto comando das Forças Armadas, as vozes dos desaparecidos teimam em não se deixar esquecer. E pelo menos uma centena de fotos ainda trazem seus rostos, desfigurados por seus carrascos. A história, sim, já escreveu os contornos dessa planície alisada pela morte. E as vozes voltam, o vento na cara, os restos de memória que o rio e o mar não souberam destruir. E voltam nomes e voltam rostos. É sempre possível fazer de cada crônica uma outra história. Do que você se lembra primeiro?…

* Professor de Teoria e História Literária da Unicamp. Autor, entre outros títulos, de Euclides da Cunha – Poesia Reunida (Unesp, 2009)

28/02/2010 - 14:49h O fim da ditadura

http://www.psolsp.org.br/capital/wp-content/uploads/2009/07/kassab_serra.jpg
Kassab, sobreviveu graças à estratégia política do atual governador de São Paulo – foto Guilherme Lara Campos/ SPMETROPOLE.com


A foto de Carlos Alkmin foi substituída, a seu pedido (ver embaixo nos comentários)

Debacle do Democratas, herdeiro da Arena, encerra de fato o regime que formalmente acabara em 85

Francisco de Oliveira* – O Estado de S.Paulo – caderno Aliás

O desmoronamento do Democratas com os escândalos do Arrudagate e do quase já consolidado desmascaramento do Kassabgate assinala, felizmente, o ponto final da ditadura civil-militar que formalmente durou até 1985. Como se sabe, o Democratas se originou no bipartidismo imposto pela ditadura, quando Castelo Branco extinguiu os partidos pré-64 e enfiou todos na Arena e no MDB. Na reforma partidária de 1978, o MDB transformou-se em PMDB e a Arena em PFL. Sucessivas operações plásticas o fizeram chegar à atual denominação, que nem sequer guarda o nome de “partido”. A diferença entre o sucesso da transformação, no caso do MDB, e o fiasco da Arena é que o segundo não passava de um fantoche da ditadura, enquanto o MDB respondia aos anseios e à vontade política da maior parte da cidadania para sair da “camisa de força” ditatorial. Já em 1980, o PMDB transformado abria a porta para que sua ala esquerda criasse o PT e sua ala social-democrata evoluísse para o PSDB. Partidos menores também puderam ajustar-se ao novo sistema político-partidário.

Todos os partidos fazem parte do novo ciclo de “organizações paraestatais”, uma transformação que Gramsci não previu, pois as formas do capitalismo contemporâneo fazem do Estado não apenas o garantidor das condições gerais da produção, mas sua vértebra insubstituível. O barbudo de Tiers também deixou passar a oportunidade teórica de introduzir na sua equação da mercadoria a passagem necessária pelos fundos públicos, mas concedamos que o fenômeno estava apenas em seus começos.

O velho PSD mineiro já sabia que “fora do Estado não há salvação”. Essa sentença do anedotário político das raposas mineiras é mais do que certeira nas condições do capitalismo contemporâneo. Onde é que o Democratas não entendeu o recado? Em primeiro lugar, por refugiar-se nos chamados “grotões” que tanto o desenvolvimento capitalista quanto as reformas do Estado e finalmente o assistencialismo do Bolsa-Família liquidaram. Aí o Democratas acreditou que, mudando o nome e dirigindo-se às classes médias urbanas, voltaria a ser protagonista principal e não apenas coadjuvante (um Oscar para ele!). Acreditou que as classes médias urbanas são liberais, não gostam do Estado, e pagam tudo pela liberdade. Não entendeu nada de Brasil, e não leu, certamente, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e Florestan Fernandes. Ficou em Casa Grande & Senzala.

Daí para resvalar na vala comum da corrupção não há uma distância muito grande, sobretudo em Brasília, cidade campeã e emblema do patrimonialismo. Quanto a Kassab, sobreviveu graças à estratégia política do atual governador de São Paulo, que lhe transmitiu o cargo de prefeito , cujos rendimentos ainda lhe deram fôlego para a reeleição. Mas por aí termina. Entendamo-nos: não é que inexista corrupção e patrimonialismo nos outros partidos políticos, principalmente nos dois principais. Mas eles conseguem administrar interesses bem definidos, o que não foi o caso do Democratas. Mas estão também no modelo “partidos paraestatais”: a irrelevância do PSDB em certas regiões do País o afirma: aliás os tucanos não são propriamente um partido, mas como no Vaticano, um colégio de cardeais.

Desde o fim da República Velha não há lugar para o liberalismo no Brasil, nem nas periferias capitalistas. O último liberal brasileiro, Rui Barbosa, lutou várias vezes para chegar à Presidência, fracassando em todas elas; é certo que “coronelismo, enxada e voto” – a obra maestra de Victor Nunes Leal – não consentia que um liberal estivesse no topo do Estado. Depois, o Brasil entrou definitivamente – com Vargas, um caudilho gaúcho – na senda da industrialização sustentada no Estado, e então as chances liberais sumiram pelo ralo da indústria e da urbanização acelerada. Os neoliberais tomaram emprestado do avô sua primitiva designação, mas aí a fraude já era evidente, pois mercado nas economias periféricas e no capitalismo contemporâneo só com uma dose cavalar de Estado – que me permita minha querida Maria da Conceição Tavares usar assim de graça seu bordão, e Obama por acréscimo.

O Democratas chegou tarde. É uma pena, pois teriam sido um elemento civilizador no começo do século 20. Já no século 21, é apenas um anacronismo. Não quer isso dizer que desaparecerá, pois a diversidade regional, política, social e econômica do Brasil permite várias formações e agrupamentos de interesses. Mas está condenado a ser satélite – e não é do Banco do Brasil que estamos falando – enquanto o ciclo dos partidos paraestatais não se esgota. É bom para a República que a lição que o Democratas não aprendeu esteja sendo dada em Brasília, antiga capital da esperança. Quem sabe ela volta?

*Professor emérito da FFLCH-USP, autor de Crítica à Razão Dualista: o Ornitorrinco (Boitempo)

28/02/2010 - 14:25h Porque Serra hiberna?

Dirigentes tucanos apreensivos consideram que o crescimento de Dilma nas pesquisas, exige o adiantamento do lançamento de José Serra como candidato. Eliane Cantanhede (ver post de hoje de manhã, embaixo) considera que o resultado do Datafolha “Significa que o tempo de hibernação de José Serra se esgotou e que ele tem de se lançar já à Presidência, antes que seja tarde.”

Ansiedade natural, porem injustificada, na minha opinião. Penso que Serra esta agindo corretamente, do seu ponto de vista -que não é o meu- e os resultados das pesquisas só traduzem o inexorável processo eleitoral, na conjuntura atual.

Não sem razão, Clovis Rossi, disse que a surpresa do Datafolha é Serra ainda estar em primeiro lugar. Pois tudo “conspira” contra uma candidatura de oposição. Como diz Clovis: “o fator predominante é o que os ingleses chamam de “feel good”. Quase dá para segurar com as mãos esse “sentir-se bem”.
Daí a votar no governista de turno é um passo. O trabalho de Lula, portanto, é apenas o de gravar a fogo no sentimento do público que Dilma é a sua parceira no “feel good”.
(Folha SP 28/2/2010 Clovis Rossi). Para o articulista da Folha a conjuntura é favorável ao governo e a continuidade. E conclui que a candidatura terá que ser empurrada “ladeira acima” pelo PSDB, ou seja a contra-corrente.

Em defesa da atitude de Serra vale também acrescentar que ele tem feito tudo o possível para alavancar sua campanha. Utilização abrumadora do dinheiro público, em campanhas publicitárias no Estado de São Paulo e também, via estatais paulistas, em outros Estados. Périplo carnavalesco no Nordeste. Terceirização dos ataques ao governo e a Dilma (via bancadas ou FHC).

Serra também foi meticuloso para preservar sua imagem do catástrofe de sua gestão, tanto na questão relativa as enchentes -não fez dessassoreamento do Tietê durante 2 anos-; como na questão da criminalidade -a curva de todos os delitos no Estado é ascendente-; como na educação -o Saresp registra piora em matemática e pouca melhora em português- mas ele não comentou o assunto. A mídia tem preservado sua “hibernação” relacionada a todos estes assuntos, pelo qual seu desgaste é o produto natural de seus resultados governamentais, percebidos como medíocres e não de erros de marketing dele.

Podemos acrescentar que seu aliado privilegiado, o DEM, ocupou o noticiário negativamente, envolvidos em corrupção e inépcia nas suas duas figuras de proa: José Roberto Arruda e Gilberto Kassab. E para completar o quadro, a atitude inicial de Aécio reforça seu isolamento como candidato paulista, em detrimento de uma representação nacional (o vice sairá de onde?).

No que, o anuncio antecipado de sua candidatura teria modificado alguma coisa do que descrevo acima? Fora de assumir uma formalidade, mas da qual depois é impossível recuar sem gravíssimos prejuízos, o lançamento antecipado nada teria modificado nas relações de forças eleitorais tal e qual aparecem fotografadas nos resultados do Datafolha.

O problema de Serra não é assumir ou não sua candidatura. É ter o que dizer.

Como candidato da oposição ele não ganha a eleição, por isso Serra não assume o discurso demo-tucano destes últimos 8 anos. Como candidato do retorno da era FHC, ele tampouco ganha a eleição, ninguém tem saudades e Serra falar bem da política de Malan soaria esquisito. Como candidato da continuidade sem continuismo, -a única opção que ele e seus marqueteiros vem como possível- ela apresenta a dificuldade de Serra ser uma figura do passado e não uma promessa de futuro e mesmo assim para ser implementada é necessário tempo de TV que só existirá mais para frente. Adiantar sua saída do governo estadual em nada ajudaria.

Acuado e sem discurso, Serra faz o que toda pessoa inteligente faria. Aguardar e ver o que acontece, antes de decidir qualquer coisa.

Ele chama isso “nervos de aço”, outros pensam que é “cagaço”.

Eu penso que é só compasso de um mês, para Serra decidir se ele é ou não é.

Luis Favre

28/02/2010 - 14:00h Urbanismo em cordas bambas

http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/Images/10wilheim352.jpgPrefeitura de SP deve tirar o Plano Diretor da cidade da inoperância dos vereadores e promover, ela própria, uma revisão de políticas

Jorge Wilheim* – O Estado de S.Paulo – caderno Aliás

Duvido que a Câmara Municipal, da qual numerosos membros estão sendo acusados pelo Ministério Público de terem recebido da empresa AIB, vinculada ao Secovi, entre 20% e 70% do custo de suas campanhas eleitorais, tenha a ousadia de aprovar a revisão do Plano Diretor, vigente desde 2002, proposta pelo Executivo. Pois essa revisão, conforme denúncia de 180 entidades da sociedade civil – entre as quais Defenda São Paulo, Polis, Movimento Nossa São Paulo – apenas beneficia o setor mais voraz do mercado imobiliário, precisamente representado por aquelas entidades que financiaram suas campanhas.

Em nenhuma das reuniões públicas em que o projeto de lei dessa revisão foi apresentado procedeu-se a uma comparação entre os artigos do plano vigente e os artigos contidos no novo, a fim de que os participantes pudessem aquilatar a enormidade do que se pretende alterar. Por isso tais debates foram viciados e ineficazes. As entidades da sociedade civil até apontaram para a Comissão de Urbanismo da Câmara quais são as principais alterações e como elas beneficiam o setor imobiliário mais voraz. Por exemplo, inexiste qualquer avaliação do plano vigente pela Prefeitura que possa justificar as alterações. Foram retirados todos os artigos determinando diretrizes de longo prazo (dez anos) aos setores sociais, econômicos, culturais, de segurança, educação e saúde, reduzindo o Plano a uso do solo, ambiente e sistema viário. A retirada de artigos e mapas referentes às macroáreas elimina orientações para o zoneamento de cada setor urbano, bem como orientações quanto às características de preservação, contenção, qualificação de urbanização consolidada, expansão com estruturação. Abre-se, assim, perspectiva para graves alterações no zoneamento. Nas ZEIS (Zona Especial de Interesse Social) propõe-se alterar a divisão proporcional entre habitação de interesse social, mercado popular e outros usos.

Parece-me que seria mais prudente se a Câmara devolvesse o projeto de lei à Prefeitura, para que esta venha proceder, eventualmente, a uma revisão. Tal revisão deveria acontecer apenas após uma avaliação e justificativa criteriosa, além de pública, de quais artigos conviria alterar, sempre obedecendo ao artigo 293 da lei vigente, que limita revisões de curto prazo, mantendo-se integralmente as diretrizes de longo prazo – que somente serão modificadas pelo próximo Plano Diretor (2012-2022).

O Plano Diretor Estratégico vigente apresenta uma vintena de artigos que aguardam sua regulamentação por decreto do Executivo, para que possam efetivamente funcionar. Entre esses encontra-se o artigo que exige a retenção, por uma hora, da água de chuva que venha a cair nos grandes pátios de shoppings, fábricas, estacionamentos, diminuindo a gravidade do volume de água que desce para as vias de fundo de vale. Tem-se também o artigo que trata da retenção da água de chuva em edifícios, permitindo sua reutilização interna, para fins não potáveis. Há, portanto, muito trabalho normativo e legislativo a se fazer, antes de pensar em rever o plano.

Estamos em 2010. Dentro de dois anos iniciaremos formalmente a elaboração do próximo Plano Diretor (2012-2022). Ressalvados os bons artigos sobre melhorias ambientais, que constam do projeto de lei em questão e poderiam ser objeto de um documento normativo separado, por que a Prefeitura não se dedica à elaboração dos planos de Bairro, etapa seguinte dos planos diretores das subprefeituras ? Por que não reúne subsídios setoriais para o próximo Plano Diretor? Tarefas de planejamento, portanto, não faltam, e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano tem técnicos para realizá-las.

*Jorge Wilheim é arquiteto e urbanista

28/02/2010 - 13:40h Alargando a banda

http://2.bp.blogspot.com/_k0IVHs07nGc/Sa13SahZRcI/AAAAAAAAACI/JCCvMoWR56g/s320/Como+ter+internet+banda+larga.jpg

Denúncias de tráfico de influência não invalidam um plano governamental de baratear a internet rápida

Luiz Carlos Bresser-Pereira* – O Estado de S.Paulo

O governo federal vem desenvolvendo o Plano Nacional de Banda Larga a fim de universalizar e baratear o acesso dos brasileiros à internet, mas está enfrentado forte oposição das empresas de telecomunicação e agora surgem acusações de que haveria empresários e políticos beneficiados no processo. Não vou entrar nesse tipo de discussão. O que importa saber é qual o papel do Estado em uma questão como essa, que diz respeito a um serviço de utilidade pública – as telecomunicações. Como esses serviços são fundamentais para a sociedade, e em boa parte, monopolistas, no passado entendia-se que deviam ser realizados diretamente pelo Estado. Nos “30 anos neoliberais” (1979-2008), entendeu-se que deveriam ser privatizados e, em seguida, regulados. Especialmente os serviços de telecomunicação, porque haviam deixado de ser puramente monopolistas. Agora, no quadro de um governo crítico do neoliberalismo, surge o projeto de desenvolver um serviço de banda larga do Estado. Fará sentido uma iniciativa dessa natureza?

Não sei se a Telebrás – a empresa que se ocupará da banda larga – logrará cobrar apenas entre R$ 15 e R$ 35 por mês pelo acesso de internet rápida. Sem dúvida, além de fornecer seus serviços a organizações públicas terá que estabelecer todo um conjunto de relações com as empresas privadas do setor para chegar aos setores mais distantes. Dessa forma, a Telebrás poderá desempenhar um papel complementar na regulação do sistema de telecomunicações. E o Estado estará, assim, exercendo seu papel regulador de forma mais efetiva.

Isso não significa a volta ao Estado produtor. O Estado produtor é justificado em uma fase inicial do desenvolvimento de um país. Nós sabemos quão importante foi o papel de empresas estatais na área de siderurgia, da petroquímica, da construção aeronáutica, etc. A partir, porém, do momento em que o setor privado nacional passa a ter a capacidade técnica e a dispor de capital para assumir esses setores competitivos, o Estado deve se retirar. O mercado e a regulação geral do Estado exercida por meio da lei realizarão melhor o trabalho: com mais eficiência e menos corrupção.

Diferente é a situação das empresas que, ou são monopólios naturais ou são beneficiadas por rendas ricardianas, como é o caso da mineração, inclusive o petróleo, ou são empresas produzindo serviços de utilidade pública. Neste último caso o setor privado pode ter um papel importante, mas na condição de concessionário. A atividade é de tal forma importante e estratégica para a nação que esta, por meio dos seus representantes no Poder Legislativo, a torna responsabilidade do Estado – o qual, entretanto, poderá concedê-la à exploração do setor privado. Nesse caso, porém, o serviço de utilidade pública deverá se pautar pelas políticas definidas pelo governo democraticamente eleito e seus preços deverão ser determinados e fiscalizados nos termos estabelecidos por agência reguladora. O papel dessa não é o de definir políticas, mas o de fazer o papel do mercado que não existe: é garantir que os preços cobrados pelas empresas sejam próximos dos que existiriam se um mercado competitivo existisse.

Entretanto, a agência reguladora administrada por técnicos independentes não é a solução mágica para os serviços de utilidade pública. O papel de reproduzir o mercado é muito difícil. As manobras das empresas reguladas para escapar ou enganar a regulação são infinitas. E a literatura econômica sobre sua capacidade de capturar o regulador é antiga e respeitável. Foi especialmente desenvolvida por um economista ilustre da Universidade de Chicago, George Stigler.

Na falta de um mercado competitivo, a regulação é um second best – é uma boa alternativa, mas uma alternativa sempre imperfeita: está longe de garantir que um serviço de utilidade pública seja eficiente e barato. Os dirigentes da agência estão sempre sujeitos à captura. Por isso, é às vezes conveniente dar ao Estado instrumentos adicionais de regulação, como se está fazendo agora com a implementação do Plano Nacional de Banda Larga. A Telebrás e sua banda larga oferecerão um serviço que será também instrumental na regulação do setor. O fato de que as empresas do setor se oponham ao plano é uma indicação de que ele poderá ser efetivo em limitar lucros abusivos.

Mas surge então a pergunta inevitável: “E a corrupção que esse tipo de ação governamental pode ensejar?” Sempre que uma atividade não possa ser regulada de forma relativamente automática e impessoal pelo mercado, e o Estado precise regulá-la, surge a possibilidade da corrupção, porque as empresas envolvidas não hesitarão em tentar corromper os servidores públicos e porque, em casos mais raros, servidores aproveitarão a oportunidade para chantagear as empresas. Mas não é por isso que se deixará de tomar decisões – de governar. No caso do Plano Nacional de Banda Larga, o governo está tomando decisões que, em princípio, me parecem boas. As denúncias de tráfico de influência surgidas recentemente não invalidam o plano.

A força do capitalismo decorre do fato de que nele as atividades econômicas são reguladas pelo mercado. Mas o capitalismo é também uma forma de organizar a produção na qual a ganância e a corrupção estão sempre presentes. Por isso, quanto mais desenvolvida e mais complexa é uma sociedade, mais ela precisa de regulação, e, portanto, mais necessárias se tornam as decisões. Governar é tomar decisões – e essas poderão ser boas ou más, honestas ou corruptas, republicanas, voltadas para o interesse público, ou individualistas, orientadas apenas pelo interesse privado. Para evitar as decisões desonestas precisamos de polícia, de Ministério Público, de Poder Judiciário, de imprensa livre. Para termos políticos republicanos e boas decisões precisamos de cidadania ativa e de um Estado crescentemente democrático e transparente. Não é pela omissão, não é deixando de tomar decisões por medo da corrupção que um país será bem governado. A corrupção está sempre à nossa volta e não será fugindo dela, mas a enfrentando, que o País poderá avançar.

*Economista, cientista político, três vezes ministro (no governo Sarney e nos dois mandatos de Fernando Henrique), é desde 2005 professor emérito da FGV

28/02/2010 - 12:59h Baixa renda atropela imóvel de luxo


Lançamentos populares aumentaram 350% de 2005 a 2009, e os de alto padrão caíram pela metade no período

Paula Pacheco – O Estado SP

Os lançamentos de imóveis para a baixa renda dispararam na Região Metropolitana de São Paulo. De 2005 a 2009, a oferta mais do que triplicou. O crescimento foi de 350%, segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Já o número de lançamentos para quem tem altíssimo poder aquisitivo e pode pagar a partir de R$ 2 milhões por uma casa ou apartamento tem encolhido. Caiu de 265 unidades em 2005 para 113 no ano passado. De 2008 para 2009, a queda foi ainda maior, com uma diferença de 246 unidades de um ano para outro.

Ainda não falta habitação para quem tem milhões de reais para gastar, mas a queda na procura fez com que as construtoras desacelerassem o ritmo de projetos para a classe A e se voltassem para os imóveis de dois dormitórios.

O programa federal Minha Casa, Minha Vida, lançado há quase um ano, foi um dos estímulos à habitação popular, segundo Luiz Paulo Pompéia, presidente da Embraesp. O projeto prevê a entrega de 1 milhão de moradias para a baixa renda.

Quando o plano foi apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem se cogitava um prazo para a meta ser cumprida. Mas a adesão das construtoras foi acima do esperado, ainda que tenha esbarrado na falta de pessoal na Caixa Econômica Federal, agente financiador do programa. Agora, segundo a direção da Caixa e alguns representantes das construtoras e incorporadoras, a meta de Lula deve ser batida antes do fim do ano.

A execução antecipada do programa e o bônus eleitoral para o partido governista fizeram com que Lula anunciasse, na última sexta-feira, durante visita a El Salvador, que vai incluir a construção de mais 1 milhão de casas na segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), previsto para ser apresentado em março.

Além do Minha Casa, o aumento de linhas de crédito para as construtoras e os mutuários, especialmente por parte dos bancos públicos, como Caixa e Banco do Brasil, motivou o setor imobiliário a se voltar também para a baixa renda. Em 2003, os recursos da caderneta de poupança financiaram 30 mil contratos imobiliários. No ano passado, foram 300 mil.

Em 2010, diz Celso Petrucci, economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), a concorrência será ainda maior por causa do interesse dos bancos privados em ganhar espaço num setor em crescimento. Com isso, o mutuário poderá se beneficiar de juros e condições contratuais melhores.

As construtoras que aderiram logo de início ao segmento de baixa renda já faturam alto. A Gafisa encerrou 2009 com vendas contratadas de R$ 3,248 bilhões – R$ 1,361 bilhão veio de contratos assinados com a Tenda, braço popular da empresa. Wilson Amaral, presidente da Gafisa, acredita que neste ano a participação da Tenda chegará a 45%, com até 80% dos negócios vindos do Minha Casa.

Para calcular o desempenho nos dois segmentos de renda, Pompéia definiu alguns critérios. Primeiro, levou em consideração para os imóveis populares o teto de R$ 130 mil, valor máximo das residências incluídas no Minha Casa. Depois, transformou a cifra em salários mínimos, chegando a 280 salários. Ele usou o período entre abril (mês de início do programa ) e dezembro para medir o número de lançamentos. No caso dos imóveis de luxo, Pompéia fixou o preço de R$ 2 milhões.

“Depois de tantos lançamentos nos últimos anos, a demanda pelo luxo está quase totalmente atendida. Em 2007 e 2008, a quantidade de lançamentos foi absurdamente grande, uma verdadeira aberração em relação à necessidade para o dois dormitórios”, avalia.

Pompeia explica que a produção de imóveis para a baixa renda foi tímida entre 2006 e 2008, “justamente para a fatia que apresenta maior demanda”.

PREÇO DOS TERRENOS

O presidente do Secovi, João Crestana, acredita que haja muita oportunidade para crescer com os projetos do Minha Casa. Segundo ele, em São Paulo apenas 26% da meta de moradias do Minha Casa para quem ganha até três salários mínimos foi atingida. Para a faixa de seis a dez mínimos, chegou-se a 34% da meta de oferta de moradia do programa habitacional do governo federal. “Há algo errado. O valor do empreendimento não pode ser o mesmo no País todo. Em São Paulo os terrenos são mais caros”, diz.

Pompéia tem uma opinião diferente: “Infelizmente, em alguns casos a indústria imobiliária se aproveita do teto de R$ 130 mil do Minha Casa para quem ganha até 10 mínimos e não oferece empreendimentos para as faixas mais baixas, em especial a de até três mínimos”.

Para Crestana, a faixa de zero a três mínimos de renda deve ser atendida também pelo poder público, seja por meio de crédito tributário ou terreno para as construtoras.

28/02/2010 - 12:25h Minha Vida com direito a piscinas e salão de festas

Em Cajamar (SP), lançamento popular ganha ares sofisticados

PAULA PACHECO – O Estado SP

http://imoveis.trovitbrasil.com.br/img/apartamentos%20minha%20casa%20minha%20vida,%20rio%20de%20janeiro/br_1_4853805.jpgEnquanto muitas construtoras e incorporadoras ainda reclamam da dificuldade de formular projetos que se enquadrem na planilha de custos do Minha Casa, Minha Vida, algumas estão atrás de ganhos de escala para pegar carona no programa federal e ampliar os ganhos ao oferecer diferenciais.

Esse é o caso da Construtora Brookfield, dona do maior projeto do Minha Casa no País, com cerca de 3 mil unidades habitacionais, voltado para a faixa de renda entre três e seis salários mínimos. Localizado em Cajamar, na Grande São Paulo, a 29 quilômetros do centro da capital paulista, o empreendimento, que contará, ao todo, com 20 edifícios, teve a segunda fase lançada ontem.

Diferentemente da imagem que se tem de moradia popular, com prédios sem elevador e aparência acanhada, no projeto de Cajamar não houve economia nos opcionais.

Quem conseguir aprovação no financiamento e assinar contrato vai ter direito a piscina, playground, salão de festas, quadra, churrasqueira, guarita com porteiro e garagem. O terreno tem 104 mil metros quadrados.

Os condôminos poderão aproveitar um espaço verde na vizinhança de dar inveja a quem mora nos grandes centros. A mata ao lado do condomínio tem 305 mil metros quadrados e é uma área de preservação ambiental, ou seja, não pode ser derrubada para dar espaço a outro empreendimento. O projeto é de Roberto Candusso, arquiteto conhecido por alguns dos projetos mais luxuosos da cidade (leia mais ao lado).

Os apartamentos custam, respectivamente, R$ 79,5 mil (39 m²) e R$ 99,5 mil (45 m²).

A renda familiar não pode passar de R$ 1.250 e a prestação é de R$ 375, com financiamento de 25 anos e prestações com valor decrescente. O subsídio dado pelo programa habitacional é de até R$ 23 mil, de acordo com a renda do mutuário.

A primeira etapa do projeto foi lançada em setembro do ano passado, com 1.584 unidades, e a previsão é que sejam entregues no segundo semestre do próximo ano.

José de Albuquerque, diretor de Incorporação da Brookfield, calcula que o condomínio deverá custar entre R$ 50 e R$ 100, valor que pode representar uma despesa alta no orçamento da baixa renda. “Deu mais trabalho do que os empreendimentos que costumamos fazer; foi um grande desafio”, diz o executivo.

O terreno em Cajamar já fazia parte da carteira da Brookfield antes do lançamento do Minha Casa. Assim que o governo confirmou que teria um programa de estímulo à habitação popular, o projeto foi adaptado e apresentado à Caixa para aprovação. A baixa renda responde hoje por 18% da carteira da empresa.

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Projetos populares atraem arquiteto especializado em ricos

Mesmo nova, empresa soma 100 mil unidades projetadas

Roberto Candusso é um dos nomes mais paparicados entre os arquitetos paulistanos. Ele é criador da maioria dos projetos do Minha Casa de Cajamar. Também são deles edifícios como o Florida Penthouse, no bairro do Brooklin, na capital paulista, e o Fascination, no Campo Belo, alguns dos metros quadrados mais estilosos da cidade.

Acostumado a projetos luxuosos, Candusso começou a perceber que a baixa renda estava emergindo também para o mercado imobiliário há cerca de dois anos. Foi quando criou o escritório K2 Arquitetos, voltado ao segmento econômico. A divisão de negócios conseguiu num curto tempo acumular em carteira por volta de 100 mil unidades projetadas.

Segundo o arquiteto, com 40 anos de experiência, o maior desafio para atender ao segmento popular é melhorar o aproveitamento dos espaços pequenos. “Neste tipo de empreendimento, simplesmente não se pode nem pensar em desperdiçar áreas, por menores que elas sejam. É preciso pensar muito bem na melhor forma de reduzir os corredores e as áreas em comum dos condomínios”, explica Candusso. E completa: “Não basta apenas fazer um projeto na base do vamos que vamos.”

Apesar da divisão de negócios dedicada à baixa renda, no caso do Minha Casa de Cajamar, quem elaborou o projeto foi o escritório principal de Candusso, que atende a todas as demandas da construtora Brookfield.

Candusso diz que pensou no K2 Arquitetos não só como um negócio, mas como uma forma de dividir com a sociedade o que conseguiu na carreira. Para ele, é uma maneira de fazer parte de um novo momento habitacional do País.

“Esse pessoal vai passar quase a vida toda pagando pela casa que eu projetei. É justo que eu entregue não apenas uma casinha, mas um lugar onde ele deseje estar. Do contrário, vamos ver mais e mais moradores desiludidos, que fazem reformas e descaracterizam tudo. É assim que surgem bairros degradados”, explica.

ECONOMIA DE ESCALA

Para fechar as contas de um projeto do tamanho do localizado em Cajamar, a Brookfield teve de fazer várias contas e negociar muitas e muitas vezes com os fornecedores com quem costuma trabalhar em outros projetos.

Além de Candusso, a Brookfield acertou o fornecimento dos elevadores das 20 torres com a Atlas Schindler. “Conseguimos oferecer um bom preço pelo ganho de escala. O empreendimento de Cajamar é muito grande e os custos são diluídos”, diz Osvaldo Gazola, gerente regional da empresa.

28/02/2010 - 11:16h ”Há problemas nas instituições, mas eles são pontuais”

Ela lembra que há alguns anos as universidades mal conseguiam pagar as contas e afirma que hoje elas têm novo papel

ENTREVISTA
Quem é: Maria Paula

É formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde cursou mestrado e doutorado na mesma área

Foi procuradora-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ligado ao Ministério da Justiça

Assumiu a Secretaria de Ensino Superior (Sesu), do Ministério da Educação (MEC), em novembro de 2008

Lisandra Paraguassú – O Estado SP

Nas novas universidades federais, queixas de alunos são comuns. Com a criação das instituições e a abertura de mais de cem câmpus, surge a discussão se era necessário fazer tudo ao mesmo tempo. Em entrevista ao Estado, a secretária de Ensino Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, afirma que a pasta deu conta do recado e que os problemas são pontuais. É preciso lembrar, diz ela, que há alguns anos as universidades mal conseguiam pagar as contas. “Tudo o que falarmos deve partir desse quadro.” A seguir, os principais trechos da entrevista.

Nos últimos anos, o governo Lula investiu na expansão das universidades federais. Em vários câmpus há reclamações de falta de infraestrutura ou de professores. Qual é a análise do MEC dessa situação?

Em 2002, a universidade vivia um momento em que havia, em todas as instituições, greve ano sim, ano não, um calendário bagunçado e complicações na entrada dos alunos. Era essa realidade. Hoje não. Há um ciclo escolar inteiro não tem mais greve. O orçamento foi de R$ 9 bilhões para R$ 18 bilhões, sem os inativos. Quando cheguei à Secretaria de Ensino Superior (Sesu), em novembro de 2008, paguei uma conta atrasada de água da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) de R$ 26 milhões. Essa era a realidade. Não podemos perdê-la de vista. Estamos falando de outra realidade, de uma universidade revitalizada, que tem mais de 15 mil professores e técnicos e mais de 20 mil funcionários. Há problemas, claro, mas, no geral, as coisas estão indo bem. A universidade está sendo repaginada. Tudo o que falarmos deve partir desse quadro.

Mas não teria sido mais fácil se essa expansão fosse mais lenta?

Não, porque essas questões são pontuais. Na universidade pública, a dinâmica de reivindicações nunca para. Estamos reivindicando restaurante, alojamento, mas temos de lembrar que já temos mais de 600 prédios prontos, com laboratórios e equipamentos sofisticados, o que era uma coisa inimaginável há alguns anos. Há um tempo vieram reclamar que não tinha talher no restaurante de uma universidade. Isso chega perto do ridículo. Antes não existia nem programa de assistência estudantil. Hoje essa rubrica já está em R$ 300 milhões. A universidade resolveu suas carências, é protagonista no desenvolvimento. Assumiu outro papel. O problema do talher é ínfimo.

Qual é o orçamento da expansão?

No Reuni (programa de expansão das federais), a conta inicial era de R$ 2,4 bilhões de investimento, mas hoje fecha em R$ 3,5 bilhões. As novas federais têm, para 2010, R$ 1,1 bilhão.

Qual é a previsão de expansão daqui para frente? Existe a possibilidade de novas universidades?

Esse é um ano de edição do Plano Nacional de Educação e do estabelecimento dessas diretrizes para a década. Existe demanda porque o País não atingiu a meta para o ensino superior, que é colocar 30% dos jovens de 18 a 24 anos na universidade. O que está sendo feito agora é o descongelamento de uma demanda que já existia.

Mas devem ser criadas novas universidades?

Neste momento não há previsão. Só falta o Congresso aprovar a criação da Unilab (Universidade Federal da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, que será em Redenção, Ceará).

Na atual expansão, como foi feita a escolha dos locais? Em alguns casos, as instituições começaram com dez câmpus, caso da Unipampa (RS). Era preciso tudo isso?

A Unipampa tem um projeto multicâmpus. Como a expansão ficou congelada por muito tempo, haviam demandas históricas. Levamos três aspectos em conta: onde devem ser localizadas as universidades e seus câmpus, os Ifets (institutos federais tecnológicos) e os polos da UAB (Universidade Aberta do Brasil, com cursos a distância). A lógica é que as pequenas cidades tenham polos da UAB, as médias, unidades dos institutos e as maiores, unidades ou câmpus das federais.

Mas o número de vagas ociosas têm subido nas federais. O último censo apontou uma sobra de mais de 7 mil postos nos vestibulares, o que dá mais de 4% da oferta?

Haviam informações erradas. Na verdade, o número está em torno de 5 mil. No cenário do crescimento da educação superior é um dado pequeno, da ordem de 3%. E se tem tomado medidas efetivas para o pleno aproveitamento, como o Reuni. Outro instrumento importante será o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) combinado com o Sisu (Sistema de Seleção Unificada das Federais). O Sisu mostrou que houve uma divulgação de vagas até então desconhecidas. Algumas instituições, como a Recôncavo da Bahia, comemorou recordes de inscrições. O sistema é um grande difusor.

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Novas universidades ampliam vagas, mas sofrem com falta de estrutura

Em 5 anos, foram criadas 15 instituições federais no interior do País; prédios são improvisados e falta professor

Mariana Mandelli e Luciana Alvarez – O Estado SP

A criação e a consolidação, nos últimos cinco anos, de 15 universidades federais distantes dos grandes centros urbanos cumpriram o objetivo do governo de aumentar o número de cursos e vagas no ensino superior público brasileiro. No entanto, na velocidade que foi feita, a expansão transformou municípios espalhados pelo interior do País em canteiros de grandes obras, com alunos tendo aulas em prédios improvisados, sem infraestrutura e com quantidade insuficiente de professores.

Levantamento feito pelo Estado nas novas unidades mostra que os problemas e as reclamações se repetem em todas as regiões – e que até que as instituições se consolidem, uma geração de universitários está se formando em condições mais precárias do que gostariam.

Para o Ministério da Educação, os problemas enfrentados pelas novas instituições são normais quando se tem um crescimento acelerado e, aos poucos, a situação deve ser resolvida. O MEC planeja contratar mais 1.097 professores neste ano e outros 1.858 até 2012.

CONSOLIDAÇÃO

No Rio Grande do Norte, por exemplo, foi criada a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) a partir da Escola Superior de Agricultura de Mossoró, de 1967. Em quatro anos, a Ufersa quadruplicou o número de cursos e vagas. E há planos de dois novos câmpus. “Temos salas e laboratórios superlotados. O laboratório para 20 alunos é usado por 50″, disse o estudante Flávio Luiz Barbosa Magalhães. No câmpus de Angicos, a situação é pior: não há laboratório e aulas práticas são “empurradas” para frente.

O pró-reitor de graduação, José Arimatéa de Matos, reconhece que há 52 obras em andamento, mas diz que a infraestrutura para as disciplinas básicas está em funcionamento. Encontrar professores tem sido outro desafio, e editais foram reabertos duas vezes. “É difícil preencher as vagas. Primeiro abrimos só para doutores. Se não temos inscritos, mudamos os pré-requisitos.”

Em Minas, o reitor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, Pedro Angelo Almeida Abreu, também reconhece a falta de docentes. “O País não estava preparado para a abertura de 18 mil vagas de professores com doutorado.”Abreu avalia que a situação é transitória.

Fundada em 1953 como Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina, a instituição foi elevada à universidade em setembro de 2005. Hoje tem 32 cursos de graduação. Mas o câmpus de Teófilo Otoni foi entregue no semestre passado. O acesso é feito por estrada de terra – e as aulas ficaram suspensas por duas semanas porque choveu e o local ficou inacessível. No início do mês, o presidente Lula foi vaiado por alunos durante evento de inauguração de dois prédios da instituição.

Segundo a reitoria, estão sendo edificados nove prédios no câmpus de Teófilo Otoni e há cem obras em andamento em Diamantina. O aluno Magno Ferreira diz que está tudo em obras, mas acredita que os problemas são secundários em relação ao privilégio de ter uma universidade pública na região.

Outro caso desse tipo é o da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), criada com sede em Chapecó (SC) a partir de um movimento liderado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul e pela Via Campesina. A instituição tem instalações provisórias em 4 dos 5 câmpus, e os projetos pedagógicos dos 42 cursos estão em “processo de elaboração”.

Lá, a oferta de 2.160 vagas deve exceder a demanda. Nove cursos tiveram menos de um inscrito por vaga. No caso dos professores, a situação também é essa – 148 das 163 vagas foram preenchidas.

Na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), das 83 vagas para docentes, 51 foram ocupadas. Na Federal de Alfenas, 2 dos 3 câmpus no interior de Minas estão em prédios provisórios. No Paraná, alguns alunos da Universidade Federal Tecnológica do Paraná, que tem unidades em 11 cidades, têm aulas em prédios improvisados. Segundo o reitor Carlos Eduardo Cantarelli, as obras estão dentro do previsto. “Os dois blocos que vão dar suporte à unidade estão em fase final de construção.”

A mais recente em implantação é a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), que terá câmpus em Foz do Iguaçu (PR), com projeto de Oscar Niemeyer. Como o prédio não começou a ser construído, a Unila terá sede temporária no Parque Tecnológico de Itaipu, para os cursos bilíngues com vagas para alunos dos países vizinhos. A previsão é de que os cursos comecem no segundo semestre.

28/02/2010 - 10:53h Nº de vagas nas universidades federais cresce 63% em quatro anos

Foram criadas mais de 77 mil novas desde 2006; cursos noturnos também tiveram expansão

Lisandra Paraguassú – O Estado SP

Em quatro anos, o número de vagas nas universidades federais do País cresceu 63%. O primeiro relatório do programa de Reestruturação das Universidades (Reuni), preparado pelos reitores das instituições federais, mostra que foram criadas mais de 77 mil novas desde 2006. E, pela primeira vez, as universidades brasileiras conseguiram inverter uma tendência histórica e investiram no desenvolvimento dos cursos noturnos.

O relatório foi comemorado no Ministério da Educação. Depois de anos de resistências, as universidades federais – em troca de mais recursos – começaram o investimento em cursos noturnos, programas para reverter evasão e ociosidade e aumento da produtividade dos próprios professores.

Apenas no período em que o Reuni foi implantado, a partir de 2008, as vagas noturnas subiram 63%. Nas licenciaturas, outra área prioritária para o ministério, o acréscimo foi de 27%.

“O Reuni é um programa ambicioso, de caráter nacional. Nossa avaliação é que ele já tem um impacto extremamente positivo, apesar de a maior parte das metas ser para 2012 e depois”, analisa Alan Barbiero, reitor da Universidade Federal do Tocantins e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

ENGENHARIA

Um dos pontos que mais agradaram ao MEC foi o crescimento dos cursos de Engenharia no País, área considerada crítica para o desenvolvimento e em que faltam profissionais de todos os setores. De acordo com o relatório, as vagas praticamente dobraram, passando de 16.340 para 32.502 entre 2006 e 2010.

Se já era a área em que mais havia vagas nas federais – isso levando em conta cursos que vão das tradicionais mecânica, civil e elétrica a outras mais novas, como têxtil ou ambiental – as engenharias hoje estão muito à frente da segunda colocada, a área de Letras, que oferece 19.348 vagas a cada ano letivo.

“Há algum tempo as universidades tinham perdido seu poder de interferência maior no processo de desenvolvimento do País por conta do baixo nível de investimento, mas ainda assim a maior parte da produção científica do País passa pelas federais. O Reuni possibilitou uma recuperação, mas ainda precisamos manter o crescimento e a área de engenharia é um dos pontos-chave em um País que planeja crescer 5% ao ano”, disse Alan Barbiero.

INVESTIMENTO

Iniciado em 2008, o Reuni planeja um investimento de R$ 2 bilhões nas federais para expansão e reestruturação das instituições.

Em troca, o MEC exige aumento de cursos noturnos, queda no número de vagas ociosas e na evasão e aumento da proporção de alunos por professores para 16 por um – hoje está em torno de 10 para um. O relatório não traz dados sobre queda na evasão ou aumento na proporção de alunos por professor.

“Esse é um cálculo que só será confiável quando estivermos no final do Reuni. O importante é que os problemas foram identificados e medidas estão sendo tomadas”, disse Barbiero.

O relatório lista medidas que estão sendo feitas em várias universidades. Há casos que vão desde o aumento de bolsas de apoio até análise da situação de cada aluno, com oferecimento de aulas de reforço e nivelamento.

Um dos casos é o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em que foi criado um programa específico para ajudar os alunos que precisam passar pela disciplina de cálculo, um dos maiores gargalos da área de exatas.

O ministério faz um acompanhamento do Reuni mas, por enquanto, o ministro da Educação, Fernando Haddad, comemora o que diz ser um avanço coerente na média das instituições.

“Os dados preliminares guardam coerência com o sistema de acompanhamento do MEC. Agora vamos bater esses números e analisar caso a caso para ver se há instituições aquém da metas. Mas, no conjunto, o sistema cumpriu o acordado com MEC”, afirmou Haddad ao Estado.

28/02/2010 - 10:23h Pré-sal está atrasado, mas quem liga?

Alberto Tamer* – O Estado SP

A produção plena de petróleo no pré-sal, de mais 2 milhões de barris por dia, poderá sofrer atraso de cinco anos se o Congresso Nacional não aprovar os projetos para a sua exploração, que estão praticamente parados desde setembro do ano passado. Somente assim, a Petrobrás poderá mobilizar os recursos previstos de U$ 112 bilhões nos próximos 10 anos.

Há problemas, porém. Não técnicos, mas políticos, pois a natureza tem sido extremamente generosa com o Brasil, nos proporcionando reservas estimadas em mais de 50 bilhões de barris. E política pequena e rala. Política com p minúsculo.

Num ano de eleição presidencial, a oposição não quer dar ao governo o trunfo de anunciar a autossuficiência plena na produção de petróleo e derivados, em que capitais nacionais e estrangeiros se associam e colocam o País na posição de um dos grandes produtores mundiais.

E a oposição vem criando todos os obstáculos, alguns de apelo eleitoral insofismável, como dar aos aposentados 5% dos recursos do pré-sal destinados a combater a pobreza. A emenda, obviamente, passou, nesta semana, por 309 votos contra 92.

E devem aparecer mais armadilhas como essas por aí. Ninguém é contra melhorar a renda dos aposentados, mas usar uma riqueza finita para isso não é o caminho. Há outros a serem explorados.

PETROBRÁS AMARRADA

Na verdade, a Petrobrás está de mãos amarradas, à espera da regulamentação do pré-sal. A cada cinco anos, a empresa aprova um plano de negócios para os cinco anos seguintes explicitando as estratégias para cada segmento, os recursos necessários e as fontes de financiamento.

Antes do pré-sal, os investimentos podiam ser bancados com a geração própria de caixa (84% a 94%) da estatal, complementados por financiamentos, em menor escala, de 16% a 26%. Com isso, vinha conseguindo desenvolver os projetos previstos em seu plano de negócios, principalmente os do segmento de exploração e produção, que representava 60% do total investido anualmente pela empresa.

Com as dimensões das reservas no pré-sal e as severas condições de localização – profundidade de água e de poço, grandes distâncias do litoral e existência de camada de sal que se movimenta -, a necessidade de investimentos mais do que dobrou. Daí a necessidade de levantar mais recursos, de capitalização, que o governo autorizou, mas depende da aprovação do Congresso Nacional.

Como nada foi aprovado, as encomendas estão sendo adiadas e a produção do pré-sal, de até 2 milhões de barris por dia, ficaria para 2020.

É oportuno lembrar que, se não houver mais atrasos no Congresso, a Petrobrás, só no pré-sal, estará extraindo, em apenas 10 anos, um volume idêntico ao que levou 56 anos para produzir no Brasil, desde a sua criação. Só que desta vez de forma sustentável, racional, em associação com o capital privado nacional e estrangeiro. Sem as xenofobias histéricas da campanha do “petróleo é nosso”, que causaram tanto atraso ao Brasil.

Mas quem disse que não era? Afinal, a Petrobrás não terá, sozinha, condições para explorar os 50 bilhões de barris do pré-sal.

SÓ POLÍTICA NO CONGRESSO

Mas o Congresso atrapalha, mesmo? Não estaria apenas exercendo um dos seus papéis de vigiar o Executivo. Atrapalha, sim, porque a maioria está sendo inspirada por políticas partidárias. Teve sete meses para se informar sobre tudo e agora o que discute é quem fica com os royalties da produção de petróleo. Se todos os Estados, ou apenas aqueles onde se localiza o petróleo, vão ganhar, como se os outros, por razões puramente geológicas, não tivessem direito a essa enorme riqueza.

Quando essa discussão vier a plenário, aí, sim, é que não se aprova nada, ameaçando atrasar ainda mais a produção do petróleo do pré-sal.

VEJAM COMO ESTÁ…

…e como pode ficar. O colega Renato Andrade, que cobre o Congresso Nacional na sucursal do Estado em Brasília, fez um balanço recente da situação. O quadro é o seguinte: dos quatro projetos encaminhados pelo governo ao Congresso em setembro de 2009, dois já foram aprovados na Câmara – o que cria a Petro-Sal e o que cria o Fundo Social.

Na próxima semana, os deputados devem votar a proposta de capitalização da Petrobrás e no dia 10 vão se debruçar sobre aquele único destaque que falta para concluir a votação do projeto que estabelece o modelo de partilha na exploração.

O cenário para essas votações é bastante conturbado. A oposição tem tentado obstruir as votações de todas as formas. O DEM é o partido que tem capitaneado esse movimento. Mas o governo tem enfrentado dificuldades dentro da própria base aliada para derrubar propostas que têm sido apresentadas com franco caráter eleitoreiro.

O caso mais evidente foi a inclusão daquela destinação de ao menos 5% das receitas do Fundo Social do pré-sal para reajuste do valor das aposentadorias acima de um salário mínimo. A emenda foi apresentada por um parlamentar da base aliada, Márcio França, do PSB de São Paulo.

Se os líderes governistas não conseguirem manter a base unificada, como aconteceu esta semana, veremos o Planalto saindo derrotado mais uma vez do plenário da Câmara. E há, ainda, a questão dos royalties, que já se transformou em batalha.

No fundo, a coluna pode afirmar: são interesses políticos, partidários e regionais que tornam difícil aprovar mais rapidamente os projetos do pré-sal que, parece, não são prioritários.

*Email: at@attglobal.net

27/02/2010 - 22:00h Boa noite


Irena Koblar – Sonata K. 119 em D maior, de Scarlatti

27/02/2010 - 19:21h Amour viens rendre à mon ame

Vesselina Kasarova – ária “amour viens rendre à mon âme”, da ópera Orfeu e Euridice, de Gluck

27/02/2010 - 10:49h Mais atual que nunca

AGORA
Serra_caricatura_matematica_atual

Quando os tucanos culpam o professor pelos resultados ruins, devem estar falando deste aqui.

27/02/2010 - 10:39h Governo Serra altera classificação das notas do Saresp para elevar médias

O título acima é do jornal AGORA e dá conta da mudança “metodológica” (sic) introduzida agora na avaliação do Saresp. A nota embaixo é da Folha SP, do mesmo grupo que o AGORA, dando conta desta modificação na tabulação dos dados.

Paulo Renato, que ontem responsabilzou os professores pelos resultados ruins da prova, declarou hoje: “É “fundamental reconhecer” avanço’. Pode ser “fundamental” para os tucanos vender a idéia de avanço para melhorar a nota de Serra em ano eleitoral.

Ao cabo de 16 anos governando o Estado mais rico do país o balanço é um verdadeiro estigma do qual o PSDB gostaria de se livrar. A alteração está a serviço da propaganda e da manipulação com objetivos eleitorais. LF

FOLHA SP

NOVO CRITÉRIO INFLA PERCENTUAL DE “SUFICIENTES”
A Secretaria da Educação alterou a tabulação dos dados do Saresp, aumentando o número de alunos no estágio considerado por ela satisfatório. Até o ano passado, as notas eram agrupadas em quatro níveis: abaixo do básico, básico, adequado e avançado. Só eram considerados satisfatórios os dois patamares mais altos (adequado e avançado). Agora, a pasta decidiu somar ao nível adequado os alunos que estão no básico, dando o nome para o grupo de “suficiente”.

26/02/2010 - 22:00h Boa noite


Prelúdio em C Maior de J.S. Bach


Prelude and Fugue No. 1 in C major, BWV 846, from the Well-tempered Clavier by Johann Sebastian Bach. Played by Friedrich Gulda

26/02/2010 - 20:55h Um torrente de amor

Crachat sexuel : un torrent d’amour

par Agnès Giard – les 400 culs

Le fétichisme du crachat (spit fetish) possède ses adeptes. Ils partagent sur internet des sites mouillés qui assimilent le jet de salive à un acte amoureux, quelque chose entre le baiser baveux, l’éjaculation faciale et l’échange des coupes. Bois, ceci est ma salive. Ceci est mon cœur.

Spit-swappers-1

Sur SpitSwappers ou Dogma les fétichistes de la salive font leur miel de filets gluants qu’ils reçoivent, bouche ouverte, à la façon d’une hostie. Proche du sperme ou de la cyprine, la salive revêt à leurs yeux les mêmes propriétés érotiques que les fluides génitaux, mais avec ce petit côté humiliant supplémentaire qui rapproche leurs pratiques du sado-masochisme.

Spit-swappers-2

Il y a une forme d’avilissement dans le fait de se faire cracher dessus ou de recevoir, en onction, des éclaboussures mousseuses. Et pourtant, rien n’est plus proche du french kiss que le fait d’avaler un crachat. Comme dit Martin Monestier: «Le crachat est au baiser ce que la crème chantilly est au lait». Dans un livre magistralement intitulé Le Crachat Beautés, techniques et bizarreries des mollards, glaviots et autres gluaux aux éditions du Cherche-Midi, il analyse tout ce qui touche à l’art de lancer ce projectile liquide: droit au visage, droit au cœur. «Quand le pape arrive dans un pays et baise le sol, il réitère le même geste que les conquérants mongols qui crachaient par terre pour s’assurer la possession d’un territoire. Chez les Massaï, on crache sur sa bien-aimée. C’est un compliment, une preuve de bienveillance et d’affection

Au Ier siècle de notre ère, les femmes crachaient sur leur nourrisson pour le protéger du mauvais œil et cette pratique s’est perpétuée jusqu’au XIXè siècle en Irlande, en Suède ou en Italie. En Corse, il est arrivé qu’un militaire complimente une petite fille et oublie de lui cracher au visage pour la protéger du mauvais œil. Sa grand-mère se rendit le lendemain à la garnison, armée d’une petite cuillère, pour que le fautif y dépose un glaviot à faire ingurgiter à l’enfant. Pendant des millénaires on a cru que le crachat pouvait guérir. Jésus rendit la vue à un aveugle en crachant par terre et en lui maculant les yeux de ce mélange de salive et de poussière… Le crachat a des dimensions ésotériques, érotiques, mystiques, métaphysiques, sociales, religieuses… Il ne correspond à aucune nécessité physiologique, ce qui lui donne tant d’importance: cracher est un acte volontaire, parfois lourd de sens. Quand il atteint sa cible, il peut tuer plus sûrement qu’une balle.

C’est le fluide organique le plus mal-aimé du monde (il se place loin derrière la sueur, l’urine, le vomi et même les excréments) et surtout le plus utilisé: «60% de la jeunesse en France crache, explique Martin Monestier. Il y a toutes sortes de cracheurs: les occasionnels, les invétérés, les expressionnistes, les automatiques, les semi-automatiques… Un Européen sur deux est un cracheur. La Terre est un immense crachoir. Chaque jour, elle est couverte de 13.000 à 15.000 tonnes de crachat (la Chine est l’Inde représentent à elles seule la moitié de cette gigantesque manne). Il est si répandu de cracher que les gens qui sont dans l’impossibilité physique de cracher développent parfois des maladies psychologiques dues à la frustration: ceux qui ont un bec de lièvre, une déformation de la mâchoire… Ceux qui sont aveugles aussi, car dans le crachat, la grande satisfaction c’est de voir l’impact. Cracher quand on est aveugle, c’est comme lancer une bouteille à la mer. Ils ne voient pas où ça atterrit, alors à quoi bon?».

Il n’existait à ce jour aucun texte sociologique ou ethnographique consacré au crachat. En explorant son histoire, mais aussi sa consistance, sa balistique, son odeur et ses goûts, Martin Monestier dissèque le mollard avec une jubilation contagieuse. «Ça a sa personnalisé le crachat, assure-t-il. A force de l’étudier, j’ai fini –suivant un phénomène d’anthropomorphisme– par lui prêter une identité. Aucun crachat ne se ressemble: sa force, sa direction, sa façon de s’écraser sur la cible, sa nature (quelle intention du tireur se cache derrière?)… Chaque crachat est doté d’une personnalité propre et j’en suis même venu à le considérer comme un bel objet, aux nuances de marbre de Carrare. J’ai même écrit un texte intitulé «la séduisante polychromie du mollard» parce que j’ai voulu montrer qu’il avait une âme: c’est un petit cœur qui bat ce glaviot». On pourrait même dire qu’il palpite. Les crachats les plus épais sont des nids d’infection grouillant de bacilles, de staphylocoques et de virus qui peuvent rester actifs plus de deux ans après le largage du crachat.

Véritables bombes bactériologiques, les crachats qui sèchent –transformés en poussière– libèrent des microbes en quantité astronomiques: en 1903, le docteur Fraenkel calcule qu’un tuberculeux disperse quotidiennement au vent, «par le funeste vecteur de ses glaviots», plus de 7 milliards de bacilles. Sa simple expectoration projette à près d’un mètre à la ronde des particules contagieuses qui restent en suspension dans l’air. Pour limiter les dégâts, le gouvernement français essaie d’imposer l’usage du crachoir, mais en vain: les cracheurs crachent autour et beaucoup s’indignent même qu’on veuille leur apprendre le caniveau. Dans d’autres pays, c’est par la force qu’on veut faire rendre gorge aux cracheurs: ils sont punis d’une amende de 500 dollars et d’emprisonnement allant jusqu’à un an aux Etats-Unis (loi de 1900). A Singapour, dont les rues étaient autrefois visqueuses, la propreté règne depuis 1984 à coups d’amendes: 200 euros, c’est cher payé le crachat. En France, une loi datant de Pétain (1942) reste applicable… de façon controversée: 135 euros d’amende. A Paris, les règles sanitaires datant de 2001 prévoient une amende plus douce (38,10 euros pour jet de mégot et crachat). Mais ces sanctions sont rarement appliquées.

Depuis quelques années, on assiste même à une recrudescence des crachats chez les jeunes, qui salivent à qui mieux mieux sur les trottoirs et dans le métro pour prouver leur virilité: Martin Monestier appelle cela «l’effet Zidane». «Les footballeurs sont les plus grands cracheurs du monde, explique-t-il. Zidane, le chouchou des Français, se faisait régulièrement photographier en train d’étirer des crachats filants de 30 cm. Et parmi les catégories socio-professionnelles les plus glaviottées au monde, il faut mettre en tête les forces de l’ordre. Gendarmes, CRS, PJ, brigades anti-criminelles… Tout corps de police confondus, ce sont ceux qui se font le plus cracher dessus en France: 20.000 crachats sont enregistrés chaque année. Ils doivent recevoir le triple dans la réalité. A la fin de mon livre, j’ai interviewé le plus grand spécialiste des crachats. C’est le fils de Pandreau, ancien ministre de la police».

UN EXTRAIT DU POEME “LE SERPENT QUI DANSE” (BAUDELAIRE)

Comme un flot grossi par la fonte
Des glaciers grondants,
Quand l’eau de ta bouche remonte
Au bord de tes dents,

Je crois boire un vin de Bohême,
Amer et vainqueur,
Un ciel liquide qui parsème
D’étoiles mon coeur!
La plus belle scène de crachat sexuel au cinéma: dans le film Poison, tiré des romans de Jean Genêt.

26/02/2010 - 19:59h O melhor amigo do vinho

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Composto presente na bebida também tem ação anticancerígena

Renato Grandelle – O GLOBO

Um brinde ao vinho: além de sua capacidade antioxidante, que pode reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, a bebida tem um composto que induz a morte de células cancerígenas.

A constatação é do Programa de Oncologia da UFRJ, que isolou a substância da bebida para estudá-la.

O estudo, porém, não justifica um porre. Coordenadora da pesquisa, Eliane Fialho, professora do Instituto de Nutrição da universidade, pondera que o resveratrol — o composto em questão — sofre modificações durante sua digestão. Para que seus efeitos sejam sentidos, o ideal é alimentar-se regularmente de hortaliças que contenham a substância.

O conselho, ressalte-se, não significa um cardápio restrito.

— Mais de 70 alimentos têm o resveratrol — assinala Eliane. — São plantas que, além dos nutrientes, têm compostos bioativos que diminuem o risco do desenvolvimento de doenças crônicas, como câncer e diabetes. Mas não adianta se entupir de uma delas em um dia e depois só voltar a ingeri-las daqui a um mês. É preciso consumi-las diariamente.

Uvas de casca escura e amendoim também contam com resveratrol, mas é no vinho tinto que o composto está mais solúvel. Os estudos relacionados à substância intensificaramse nos últimos 15 anos. A maioria das pesquisas, porém, atua apenas com modelos em laboratório, sem testes clínicos.

— O resveratrol tem efeito em células de alguns tipos de câncer, entre eles mama, próstata e pulmão — explica a pesquisadora da UFRJ. — Há perda do composto no organismo, antes de ele chegar à corrente sanguínea e aos tecidos-alvo. Por isso, tomar uma taça de vinho não é suficiente para inibir o câncer.

A substância, de acordo com levantamentos recentes, leva à morte natural de células cancerígenas e regula os níveis de p53, uma proteína supressora de tumor. A equipe de Eliane percebeu que, quanto maior o grupo do resveratrol, mais rápido o câncer é atacado.

Substância age até contra obesidade

Embora seu papel anticancerígeno ainda careça de novos estudos, o resveratrol já coleciona títulos. O composto, conhecido como um antibiótico natural, é, também, anti-inflamatório, aumenta a expectativa de vida, atua contra o diabetes e ataca a obesidade.

— A presença do resveratrol é mais um motivo para consumir frutas e hortaliças — opina Eliane. — A Organização Mundial de Saúde recomenda o consumo de 400 gramas desses alimentos por dia. É o suficiente para evitar doenças crônicas.

Cerca de 30% dos casos de câncer tem origem na dieta inadequada. É um percentual maior do que o atribuído a fatores genéticos (aproximadamente 20%).

O Programa de Oncologia, agora, testa a associação do resveratrol com drogas quimioterápicas em culturas de células de câncer de mama.

A expectativa é de que seja possível preparar um composto que, embora tenha essas drogas em menor quantidade, consiga reduzir os sintomas desagradáveis de um tratamento.