30/04/2010 - 22:00h Boa noite


Tine Thing Helseth, no terceiro movimento do Concerto para trompete de Haydn

30/04/2010 - 20:16h Animalia fortis domina

Melissa_Steckbauer2
Melissa Steckbauer – Dearest Femme Domme• 2008, acrylic on paper, 16cm x 19.25cm

30/04/2010 - 19:28h A locura


Musiciens du Louvre e Marc Minkowski – L’air de La Folie (a locura) na ópera bufa Platée, de Rameau. Soprano Mireille Delunsch.

30/04/2010 - 19:00h Um abraço negro

http://4.bp.blogspot.com/_q08M1ajACHg/S9poe_lcjtI/AAAAAAAAJ-Y/rYxhDtkTS1E/s1600/alexandre+battibugli1.jpg

© Foto de Alexandre Battibugli. O jogador Diego Souza é abraçado pelo lateral Armero, após um gol do Palmeiras, 2009.

Essa imagem intitulada “Um Abraço negro”, de autoria de Alexandre Battibugli, foi a vencedora do Prêmio Abril de Jornalismo (categoria fotojornalismo). Publicada na Revista Placar em junho de 2009, a foto mostra o jogador Diego Souza sendo abraçado pelo lateral Armero, após um gol do Palmeiras. Alexandre Battibugli é ex-editor de fotografia da Revista Placar (atualmente realiza trabalhos para vários veículos da Editora Abril). Além de várias competições nacionais, Alexandre cobriu quatro Copas do Mundo, incluindo a mais recente, na Alemanha. Fonte Images & Visions

30/04/2010 - 18:37h Intimidade

Adriana Roitman – Releituras

A intimidade intimida
pois nem sempre é bela
e raramente é falada
de peito aberto.

A intimidade é para poucos,
é para aqueles que não julgam
e que não destroem
com um olhar a fantasia.

A intimidade intima
à verdade
à dor, à culpa,
ao medo de não ser mais.

A intimidade não perdoa,
pois se intitula real,
traz conflitos, paradoxos,
sonhos esquecidos.

A intimidade se mostra
na despretensão de ser o que se é,
na crueza da alma,
na palavra perdida.

Adriana Roitman nasceu em 1967. Psicóloga clínica, faz pós-graduação em Psicologia Hospitalar pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, e é sócio-fundadora e coordenadora do Beneditta – Grupo terapêutico.

E-mail: adrianaroitman@hotmail.com

30/04/2010 - 17:42h Notas Sobre o Ouroboros

Beto Palaio chegou no Zygote e nos escreve. Esperemos que volte…

Amigos,

Fui convidado pela poetisa americana Aleathia Drehmer a fazer parte da edição 134 (Julho) do Zygote in my Coffee.

Afinal, cheguei no Zygote… Para o HarperCollins é só um pulinho…

Este Zygote (záigot), além de uma célula dupla nos gametas, é um zine com vários colaboradores que é publicado no formato eletrônico e em forma de um livreto.

Eles me pediram algo sintético e pósmoderno, claro está que, com esse pedido, eles imaginassem que eu iria decolar misturando realismo fantástico com os novelões da Gloria Magadan, mas enganei todos eles deixando a Gloria Magadan de lado…

A edição 131 aqui:
http://www.zygoteinmycoffee.com/

Meu texto é este “Notas Sobre o Ouroboros”:

NOTES ON OUROBOROS

Should she lock him outside? Abruptly and quietly, he left. His Harley aimlessly entered the ferry of Hades despite the fact she begged him to stay for just one more week. She was under the sun sipping orange juice listening to daily updated surf reports and forecasts for Florida.

She walked almost a mile carrying the weight of a diamond ring. She was far from home when a VW van splashed water along the sidewalk. At this moment, she thought of her marriage as something as dirty as that; she took the ring off her slim and divine finger and tossed it away.

All of this happened for the elite of generation X before forbidden Betamax tapes and waterproof digital watch members of the chain gang got married on Tamarindo Beach in Puerto Rico was considered a form of punishment. That priest, owner of an aged James Bond 007 suit, bagged his employment opportunities–concealed in an old paper grocery bag with fonts in bitmap; it was nothing more than 8X8 pixels in an ultimate 4X4 pickup rally with Beavis and Butt-Head stickers on fenders that were created with you and me in mind.

Pequetito pero cumplidor!

Beto Palaio

30/04/2010 - 16:41h Banda larga alcança 67,9% das escolas públicas do País

escolas

GERUSA MARQUES – Agência Estado

O Ministério das Comunicações informou hoje que o programa Banda Larga nas Escolas, feito em parceria com as concessionárias de telefonia fixa, já conectou com internet rápida 44 mil escolas públicas urbanas em todo o País. A meta é conectar, até o fim deste ano, todas as 64 mil escolas urbanas do Brasil, o que beneficiará 37 milhões de estudantes.

Até o momento, 67,91% das escolas já têm acesso gratuito aos serviços de banda larga. Segundo o Ministério das Comunicações, só no primeiro trimestre deste ano, 1.371 escolas foram conectadas. Citando dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o ministério mostra que em São Paulo, por exemplo, mais de 5 mil escolas já foram beneficiadas. O programa previa inicialmente 56 mil escolas, mas outras 8 mil instituições passaram a integrar a lista das escolas urbanas.

O projeto surgiu em 2008 com a troca de obrigações de universalização que teriam que ser cumpridas pelas concessionárias. Antes, elas tinham que instalar Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs), que seriam espaços públicos com orelhões e acesso à internet. Essa exigência contratual foi substituída pela construção de uma infraestrutura nacional de banda larga e pelo fornecimento gratuito dos serviços às escolas urbanas até 2025.

30/04/2010 - 15:59h Beethoven na bagagem


Jovens de Heliópolis tocam em outubro na cidade do compositor e serão tema de documentário na Alemanha

João Luiz Sampaio – O Estado de S.Paulo

A melodia melancólica de Villa-Lobos soa pela sala enquanto, pela janela, a neblina da manhã de quarta-feira se dissipa e revela a paisagem a perder de vista de uma das maiores favelas da América Latina. A mesma música, no entanto, espanta qualquer tendência à tristeza? pouco antes, os cerca de 70 músicos da Sinfônica de Heliópolis ofereciam uma bela interpretação da Sinfonia nº 8 de Beethoven. A plateia, no entanto, era especial: músicos da Filarmônica de Berlim e a diretora do Festival Beethoven, de Bonn. Vieram acompanhar o trabalho da orquestra e acertar os detalhes da viagem que o grupo fará em outubro para a Alemanha, onde vai tocar Beethoven, Villa-Lobos, Tchaikovsky e André Mehmari em uma série de concertos. “São tantas as lições que um projeto como esse nos dá! É um futuro que está sendo construído”, diz Ilona Schmiel, chefe do festival.

Parte mais visível das atividades do Instituto Baccarelli, que há décadas trabalha com crianças carentes na favela de Heliópolis, a sinfônica será tema também de um documentário da Deutsche Welle, parceira do Festival Beethoven e responsável pela turnê do grupo por cidades como Berlim, Munique e Dresden. Desde o começo dos anos 2000, o canal tem corrido o mundo em busca de orquestras jovens para levar à Alemanha.

Não é um fenômeno isolado. Da mesma forma, nos últimos anos, o projeto venezuelano conhecido como El Sistema tornou-se xodó mundial, com suas orquestras e músicos viajando pela Europa e pelos Estados Unidos. Em março, o projeto 2 de Julho, cria do sistema venezuelano na Bahia, recebeu uma delegação de alunos e professores da Juilliard School of Music, de Nova York, que passaram duas semanas em Salvador trabalhando com as crianças comandadas pelo pianista e maestro Ricardo Castro. Se não são novidade, projetos sociais ligados à música clássica definitivamente viraram febre.

Realidades. “Música é emoção e emoção é o ponto de partida para a transformação”, diz Gero Schliess, diretor de Programação e Promoção da Deutsche Welle, que esteve em São Paulo esta semana acompanhando o trabalho dos jovens de Heliópolis. “Projetos como esse estão espalhados pelo mundo e o nosso objetivo é propor o diálogo entre a música e a mídia, dando visibilidade e revelando realidades como a desses jovens. São enormes os significados de uma viagem como a que eles vão fazer à Alemanha. Eles levarão na bagagem Beethoven, mostrando a universalidade dessa música; mas também é a história de cada um desses músicos que será mostrada lá, proporcionando uma troca de experiências muito grande. E essa troca é emocionante, empolgante mesmo.”

Para um dos coordenadores do Instituto Baccarelli, Edilson Venturelli, fica claro nos olhos das crianças a emoção por conta da viagem. “Imagina a quantidade de histórias que eles vão ter para contar na volta?”, brinca. Os músicos ficarão hospedados em casas de famílias alemãs e terão contato com jovens músicos do país, além de trabalhar com professores locais e com o maestro Yutaka Sado, que vai dividir a regência da turnê com o titular da sinfônica, Roberto Tibiriçá. A viagem conta ainda com o apoio do Mozarteum Brasileiro ? os artistas da temporada de concertos da entidade têm dado master classes para os integrantes da sinfônica; e o solista da turnê alemã será o violinista Shlomo Mintz, que vai interpretar o Concerto para Violino e Orquestra de Tchaikovski. A Deutsche Welle encomendou ainda uma obra ao compositor André Mehmari, Cidade do Sol, que vai estrear durante a turnê. “É fundamental para nós também o aspecto da troca de informações no que diz respeito à criação.”

Patrimônio. Após ouvir a interpretação da Sinfonia nº 8 de Beethoven, Ilona Schmiel conversou com os músicos da orquestra e brincou. “O maestro disse que esse é só o segundo ensaio de vocês, mas não acredito.” Ao Estado, mais tarde, se disse impressionada com o andamento imposto pelo maestro Tibiriçá, “bastante rápido”, e com a capacidade dos músicos de acompanhá-lo. “Há uma energia extremamente cativante na maneira de tocar dessa orquestra. Em Bonn, recebemos sempre orquestras de fora, mas desde agora estamos todos ansiosos pela presença desta sinfônica. Quando os ouço, penso que essa energia fala muito claramente não apenas do futuro dessas crianças, mas, também, do futuro da própria música clássica.”


Confira a Sinfonia nº 8 de Beethoven, que a Sinfônica Heliópolis apresentou na recepção para Gero Schliess, Diretor de Projetos de Programa e Promoção da Deutsche Welle e Ilona Schmiel, superintendente do Festival Beethooven.

Apresentação: SInfônica Heliópolis
Regente: Roberto Tibiriçá
Sinfonia nº 8 – Ludwig van Beethoven

***

Um toque pessoal


Sinfônica Heliópolis e Bateria da Gaviões da Fiel em evento que dá início às comemorações de centenário do Corinthians. 28.09.2009 Regência: Edilson Ventureli

30/04/2010 - 14:52h Homossexuais poderão adotar criança no MT

SOCIEDADE

- O Estado de S.Paulo

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso reconheceu, por unanimidade, o direito de um casal homossexual a adotar uma criança. A criança já morava com o casal havia três anos, pois foi adotada por um dos pais. O advogado entrou com pedido requerendo o direito de paternidade para o outro companheiro. Houve parecer favorável do Ministério Público.

30/04/2010 - 13:11h Brasil caminha para atingir o pleno emprego

Brasil Econômico

“O céu do emprego no Brasil é azul.” A frase é do pesquisador Hélio Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da Universidade de São Paulo, que desde 1976 estuda o mercado de trabalho brasileiro. Para ele, o leve aumento do desemprego registrado por institutos de pesquisa como o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês de março é marginal, pois “enquanto a demanda – leia-se consumo-estiver aquecida e a economia crescendo, a oferta de postos de trabalho só tende a aumentar.” Zylberstajn arrisca até a dizer que o Brasil caminha para atingir o que os economistas chamam de “pleno emprego”, situação em que a procura por trabalho é igual ou menor do que a oferta. “Temos condições de chegar lá”, diz.

O pleno emprego não significa que a taxa de desemprego será zero. De acordo com Paulo Sandroni no seu Dicionário de Economia do Século XXI, o chamado pleno emprego existe quando não mais do que 4% da força de trabalho está desocupada. Isso acontece porque as pessoas têm a opção de trabalhar ou não. Os Estados Unidos, por exemplo, chegaram a ter desemprego de 1,2% em 1944 – quando a economia estava mobilizada pela Segunda Guerra Mundial. Para alguns economistas, os anos de governo Bill Clinton – quando o desemprego chegou a ser de 3,9% – podem ser considerados de pleno emprego também. “No caso do Brasil, essa situação acontecerá quando a taxa de desemprego recuar para os 5%, o que pode ocorrer em breve se a economia mantiver o atual ritmo de expansão”, diz Zylberstajn.

Aos números

De acordo com o IBGE, o desemprego no Brasil subiu de 7,4%em fevereiro para 7,6% em março – aquela alta considerada quase insignificante na avaliação dos economistas. Para a LCAConsultores, por exemplo, descontando fatores sazonais, a taxa de desemprego no Brasil recuou de 7,2% em fevereiro para 7% em março. “O desemprego está declinando e deve continuar assim”, diz Zylberstajn, lembrando que mesmo, com a crise que causou retração da economia no ano passado, o emprego – e a renda do brasileiro, o que é ainda melhor – seguiram em expansão -ao contrário do que aconteceu nas demais economias do planeta (leia mais na página 8).

Cimar Azeredo, coordenador da pesquisa mensal de emprego do IBGE, explica que a melhora da economia – a expectativa é de crescimento de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano – trouxe otimismo para a população, fazendo com que um maior número de pessoas fosse às ruas procurar trabalho. Por isso, as vagas geradas não foram suficientes para atender a demanda, pois há mais gente interessada agora em encontrar um emprego. Em termos absolutos, 38 mil pessoas começaram a procurar emprego em março. A pesquisa do Seade/Dieese mostra tendência parecida. Entre março deste ano e março de 2009, foram criados 591 mil vagas, número maior que o da entrada de pessoas no mercado, que foi de 364 mil.

Saturação e salários maiores

Em março, a soma dos salários de todos os trabalhadores subiu 5,2%. “Há um sinal claro de saturação”, disse ao BRASIL ECONÔMICO o economista Felipe França, do banco ABC Brasil. O motivo é excesso de demanda, que eleva os salários. Esse aumento da procura, com queda da oferta de mão de obra – especialmente a mais qualificada – cria um fenômeno que os especialistas chamam de “leilão de salários” (leia mais nas páginas 6 e 7) e em alguns casos obrigam as empresas a importar mão de obra, como já acontece em setores como mineração e petróleo e gás. “Isso é bom. O brasileiro precisa mesmo ganhar mais”, comemora Zylberstajn.

30/04/2010 - 11:52h Mercadante promete reduzir tarifa de pedágios

dilmaagro

Jornal da Tarde

Em clima de campanha durante visita à Agrishow, em Ribeirão Preto, o pré-candidato do PT ao governo, senador Aloizio Mercadante, fez duras críticas à gestão tucana e prometeu pedágio mais barato no Estado. “As tarifas em São Paulo são sete vezes mais caras do que as de outros pedágios do Brasil”, disse, acrescentando que pretende reduzir o valor dos pedágios nas rodovias administradas por concessionárias.

Acompanhado das pré-candidatas petistas à Presidência, Dilma Rousseff, e ao Senado, Marta Suplicy, além do deputado Antonio Palocci, Mercadante falou sobre o problema da segurança pública no Estado, um dos “calcanhares de Aquiles” do governo tucano, segundo os petistas.
Ao lembrar da recente orientação do governo norte-americano para que os turistas evitem visitar a Baixada Santista por conta da onda de violência na região, desabafou: “Isso é uma agressão direta”, afirmou, referindo-se aos turistas. “Vamos valorizar a polícia de São Paulo e fazer o que o governo Lula fez com a Polícia Federal”.

Mercadante criticou a falta de políticas de incentivo ao desenvolvimento regional e prometeu criar conselhos específicos para cada região. Ele também considera possível a extensão do trem de alta velocidade entre Rio de Janeiro e Campinas até Ribeirão Preto.
O senador lembrou a aliança comandada pelo PT com oito partidos de oposição que, segundo ele, dará boas condições para a disputa da eleição. Na opinião de Marta, ainda há esperança de um acordo entre PT e PSB para que o candidato socialista, Paulo Skaf, aceite ser vice do petista ao governo.

VICE DO PSB?
Pré-candidato ao governo do Estado pelo PSB, Paulo Skaf, foi irônico ao responder se poderia ser o vice na chapa de Mercadante

“Qual a possibilidade de o PSB apoiar a candidatura do PT para o governo do Estado? É a mesma possibilidade de o PT apoiar a candidatura do PSB”, afirmou em entrevista ao portal ‘Terra’

30/04/2010 - 10:55h Confira a íntegra do perfil de Lula na revista ‘Time’

1° na lista das personalidades mais influentes do mundo da revista TIME, Lula teve seu perfil escrito pelo cineasta norteamericano Michael Moore. A tradução é do Jornal da Tarde.

“Quando os brasileiros elegeram pela primeira vez Luiz Inácio Lula da Silva presidente, em 2002, os barões que assaltavam o País checaram, nervosamente, o nível de combustível em seus aviões particulares. Eles haviam transformado o Brasil em um dos lugares com maior desigualdade do planeta, e parecia que agora era o tempo da recuperação.

Lula, 64 anos, é um verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina – na verdade, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores -, que chegou a ser preso por liderar greves.

Quando Lula finalmente conquistou a presidência, após três tentativas fracassadas, ele já era uma figura familiar na vida da nação brasileira. Mas o que o levou à política? Foi seu conhecimento pessoal de quanto é difícil o duro trabalho que muitos brasileiros têm para sobreviver? Ser forçado a abandonar a escola na quinta série para sustentar sua família? Trabalhar como engraxate? Perder um dedo em um acidente na fábrica onde trabalhava?

Não, foi quando, aos 25 anos, ele viu, ao lados dos filhos, sua esposa morrer no oitavo mês de gravidez, porque a família não podia pagar um assistência de saúde decente.

Há aqui uma lição para os bilionários do mundo: deixe que as pessoas tenham melhores cuidados com a saúde, e eles causarão menos problemas a vocês.

O que Lula quer para o Brasil é o que acostumávamos chamar de Sonho Americano. Nós, nos EUA – onde 1% da população mais rica possui mais riqueza que os 95% restantes -, ao contrário, estamos vivendo em uma sociedade que a cada dia está se tornando mais parecida com o Brasil”.

___

MICHAEL MOORE é cineasta, conhecido por produzir documentários polêmicos que criticam o atual sistema político. Seu último filme ‘Capitalism: a Love History’ tem como foco a crise financeira de 2009

30/04/2010 - 10:36h O ridículo no mata

A revista TIME decidiu escolher as 100 personalidades mais influentes do mundo. A lista publicada pela revista é encabeçada pelo presidente do Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva.

Esse lugar na lista do TIME é motivo de orgulho para os brasileiros, que se vêm assim reconhecidos na homenagem a aquele que pela sua política e projeção personifica a importância que o Brasil adquiriu no mundo, Lula.

Mas provocou um tremor perceptível na torcida do “contra”, que saiu a campo para tentar apagar o acontecimento.

O amigo e apoiador de Serra, deputado Paulo Bornhausen (SC), líder do DEM na Câmara, saiu na frente da turma é vociferou que a revista “ficou louca ou ganhou um patrocínio de uma estatal brasileira”. “Ele não fez nada para merecer, deve ter servido como um prêmio de consolação por sua saída, ou será usado para sua candidatura para um cargo na ONU” (citado pelo jornal Valor).

Mostrando que o DEM nunca ficará sozinho e sem os tucanos, quando de ridículo se trata, o PSDB na boca de seu líder, deputado João Almeida (BA), disse que Lula não merecia ser escolhido e “apenas capitalizou os feitos que o Brasil vem conquistando faz tempo”.

Da turma que espuma raiva, também ganha destaque uma que, com ar de snobe, pondera “É claro que mal não faz para o Brasil Lula ser reconhecido pela revista “Time” como líder de personalidade.” (Barbara Gancia na Folha).

Mas as mais engraçadas foram as reações investigatórias dos jornais, que assediaram a direção da revista TIME para saber se Lula podia ser considerado “o homem mais influente do mundo” ou “um dos mais influentes do mundo”.

O destino da humanidade dependendo da resposta, os jornais ficaram aliviados quando puderam esclarecer seus ávidos e angustiados leitores, que “Lula é um dos…” e não “O mais…”

Assim a Folha, no lide da matéria, destaca: “Por ser o primeiro citado na categoria, brasileiro foi visto por algumas horas como o líder mais influente, o que gerou controvérsia; publicação diz não haver ranking”

Apesar dos esclarecimentos, a dúvida persiste. Porque raios o nome do Lula foi parar no topo da lista, se ela não estabelece hierarquia entre os ilustres eleitos da revista? Já que a lista não foi ordenada por ordem alfabética, qual foi o critério para estabelecer essa ordem? Em 2004, Lula também figurou na lista do TIME, mas em 3° posição, após George Bush e Hu Jintão. Porque agora foi para o 1° lugar e Barack ficou em 4to., eis um mistério digno do Código Da Vinci.

Nada que se assemelhe ao silêncio jornalístico que acompanhou aquela propaganda fajuta de Serra e dos tucanos, proclamando no horário eleitoral gratuito, que Serra tinha sido eleito pela ONU, melhor ministro da saúde do mundo. A mentira foi passada sob silêncio, talvez porque, parafraseando uma barbaridade, “É claro que a inverdade não faz mal aos tucanos” e ninguém queria saber o que a ONU pensava do assunto.

O fato é que a distinção feita pela revista TIME – até pela segunda vez -, assim como Le Monde e EL País terem também designado Lula o homem do ano 2010 e Obama ter proclamado nosso presidente, “O cara”; irrita alguns. Mais ainda porque coincide com o fato de quase 80% dos brasileiros acharem o governo Lula ótimo ou bom, mostrando que o reconhecimento internacional corresponde com o sentimento do povo aqui.

Esses irritados preferem o ridículo de suas posturas, a ter que engolir calados ou mentir sobre seus sentimentos, como faz o candidato dessa turma que não para de elogiar o escolhido do TIME.

LF

The World’s Most Influential People

In our annual TIME 100 issue we name the people who most affect our world

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30/04/2010 - 10:14h Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação: Brasil é um dos 15 maiores investidores

Os dispêndios em P&D passaram de US$ 6,64 bilhões (1,3% do PIB) em 2000, para US$ 20 bilhões (1,43% do PIB) em 2008.

http://inovacao.scielo.br/img/revistas/inov/v3n1/a24img03.jpg

Brasil na rota global de P&D

Por Ricardo Camargo Mendes – VALOR

Para o National Science Board (NSB), o Brasil é um dos 15 maiores investidores em P&D

Nas últimas duas décadas, o mundo assiste ao redesenho do mapa de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I). Nesse processo, está diminuindo a concentração dos recursos aplicados nos e pelos países desenvolvidos, e aumentado os registrados nas economias em desenvolvimento. No entanto, há diferenças relevantes nesse último grupo, chamando a atenção para a necessidade de aplicação, pelo Brasil, de uma estratégia para fazer o melhor proveito possível do movimento em curso.

Tal movimento deve-se a diversos fatores, sendo um dos principais a inclusão de P&D&I nas políticas de desenvolvimento de vários países. Para incentivar a produção do conhecimento que é capaz de se transformar em bem ou serviço de maior tecnologia e valor agregado, esses países adotaram medidas em diferentes áreas. E empresas inovadoras que procuram reduzir custos e acessar novos processos de pesquisa não tardaram a reconhecer, nessas economias, oportunidades de investimento.

O Science and Engineering Indicators 2010 do National Science Board (NSB), dos Estados Unidos, mostra a descentralização em P&D. Em 2007, América do Norte e União Europeia respondiam por 63% do US$ 1,1 trilhão em investimentos mundiais nessa área, ante 71% em 1996. O principal ganho foi da Ásia/Pacífico, que subiu de 24% para 31%, em boa parte devido à China e tigres asiáticos. A fatia do resto do mundo subiu de 5% para 6% (2,6% são da América Latina e Caribe).

As multinacionais dos EUA são outro indicador importante. Em 1995, cerca de 90% dos investimentos em P&D de suas afiliadas (mais de 50% de capital dos EUA) foram em países europeus desenvolvidos, Canadá e Japão. Em 2006 foram 80%. Enquanto isso, as filiais na China, Coreia do Sul e Cingapura puxaram a participação da Ásia, excluído o Japão, de 5,4% para 13,5%. China e Índia, que em 1994 respondiam por menos de US$ 10 milhões cada, passaram a contar com US$ 800 milhões e US$ 310 milhões, respectivamente. No Brasil foram US$ 570 milhões, a maioria no setor automobilístico.

Para o NSB, o Brasil é um dos 15 maiores investidores em P&D. De fato houve um salto no país, que também identificou nessa área chances de acelerar seu desenvolvimento. Segundo o governo, os dispêndios em P&D passaram de US$ 6,64 bilhões (1,3% do PIB) em 2000, para US$ 20 bilhões (1,43% do PIB) em 2008. Isso reflete ações como as leis de patentes (1996), que foi um divisor de águas em P&D, a da Inovação (2004), a Política de Desenvolvimento Produtivo (2008), a criação de órgãos como a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a reestruturação de outros como o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Reflete também a liberação de recursos do governo e investimentos do setor privado. Com isso tudo, áreas de destaque global estão surgindo, incluindo a de saúde e biotecnologia, além da consolidação de outras, como a de tecnologia verde e de exploração petrolífera. Isso se comprova ainda pelos temas predominantes nos artigos brasileiros em publicações indexadas.

O que esses e muitos outros dados demonstram, portanto, é que o Brasil responde aos estímulos para gerar e exportar conhecimento produtivo. Mas o país deve agora avaliar os resultados obtidos desde a implantação da lei de patentes e estabelecer diretrizes para o futuro. Ainda há tempo para correções de percurso, evitando que fiquemos para trás na corrida global do conhecimento.

As travas à maior competitividade que já podem ser identificadas têm solução. Um exemplo: falta uma estratégia que coordene as ações dos atores envolvidos em P&D&I dentro e fora do governo, o que é possível de ser feito. Isso resolveria outras questões, como o temor de algumas empresas de usar a lei da Inovação para desoneração de impostos. Como a definição de inovação na lei é ampla, teme-se que o fisco não aceite a aplicação feita. Outro exemplo são incertezas referentes à proteção da propriedade intelectual, causadas em grande parte devido ao posicionamento adotado pelo Brasil em fóruns internacionais.

Há espaço para incrementar a parceria empresas/universidades, reconhecida internacionalmente como produtiva. A parceria cresceu, mas continua em nível que impede que boa parte da produção dos cientistas atinja o mercado. A co-operação entre países – como entre governo/governo, governo/empresa, empresa/empresa, universidade/universidade e empresa/universidade – também deve ser estimulada.

Os financiamentos para P&D aumentaram, porém é necessário mais, porque os inovadores lidam com investimentos elevados e de alto risco. Os investimentos em inovação pelas filiais dos EUA no Brasil mostram áreas ainda pouco exploradas e que podem ser atrativas, como a de serviços científicos e a indústria farmacêutica.

Outro ponto crucial é educação. Nossas universidades são um foco importante de produção científica. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) diz que em 2006, os Bric (Brasil, Índia, Rússia e China) formavam 50% mais doutorandos que a OCDE. Mas outros dados nessa área mostram diferenças. Segundo o NSB, de 1980 a 2000, a fatia de China de pessoas com terceiro grau passou de 5% para 11% do total mundial. O da Índia subiu de 4% para 8%. O Brasil ficou estagnado em 2%.

O Brasil está amadurecendo rapidamente em P&D&I e por isso deve ter uma estratégia para utilizar melhor suas capacidades competitivas. O mais preocupante é que estamos perdendo terreno em diversos aspectos para vários asiáticos. Poucas são as economias em desenvolvimento com atrativos como a nossa – como estabilidade econômica e política, segurança nas regras de propriedade intelectual e presença de empresas multinacionais no mercado há mais de cem anos. Por isso, aqui dentro é preciso equacionar os gargalos para a inovação e, no exterior, é fundamental promover esses ativos.

Ricardo Camargo Mendes é mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Cambridge e sócio-diretor da Prospectiva Consultoria em Negócios Internacionais.

30/04/2010 - 09:47h Brasil perto do pleno emprego: as dificuldades para entrar no mercado de trabalho é maior para as mulheres, jovens e com ensino médio

http://2.bp.blogspot.com/_-wuJfFJbt_c/RzUczplUeAI/AAAAAAAAAJQ/jSOqUr0m2dY/s320/17388.jpg

Desempregado é, na maioria, mulher, jovem e com ensino médio

De São Paulo – VALOR

Quem está desempregado hoje no Brasil é em sua maioria mulher, jovem e com no mínimo o ensino médio completo. Num período em que o país chega perto do pleno emprego, há um contingente de 1,8 milhão de pessoas que está fora do mercado de trabalho e com dificuldade para entrar. Os dados são da Pesquisa Mensal do Emprego (PME), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A exigência cada vez mais forte das empresas por qualificação chega a uma população que está saindo da escola, sem experiência nem especialização, explica Cimar Azeredo, gerente da pesquisa. Eram 760 mil jovens de 15 a 24 anos procurando emprego em março deste ano. A desocupação ficou estável em relação ao mês anterior.

Foto Destaque

A mulher é maioria do público que está buscando emprego (58,5%) e também maioria da população economicamente ativa. Fora essa explicação para a participação maior do grupo feminino entre os desocupados, Azeredo acredita que pesa o fato de a mulher não ser majoritariamente o chefe da família.

Por não ser a primeira pessoa responsável pelo sustento da casa, ela fica menos forçada a procurar o subemprego como primeira alternativa (o que a tiraria do grupo de desocupados) e se mantém na parcela de pessoas à espera de um trabalho melhor. “Se a casa está sendo sustentada por outra pessoa, a mulher pode escolher esperar por algo melhor em vez de migrar para o subemprego”, diz ele.

Na fila da contratação, há 1,3 milhão de pessoas que não são os principais responsáveis pela família, ou 74,5% do total.

A população na fila para contratações não é pouco instruída. Mais da metade (59,5%) tem ao menos o ensino médio completo. A parcela com menos de oito anos de estudo representa apenas 17% do grupo.

No entanto, as empresas reclamam de falta de profissionais qualificados. Considerando que parte expressiva dos desocupados é de jovens, pode-se concluir que existe uma corrida contra o tempo para quem está entrando no mercado de trabalho agora. “O jovem historicamente tem mais dificuldade de ser contratado por conta da falta de experiência, de especialização”, diz o gerente da pesquisa.

Metade dos desempregados (49,8%) está em busca de trabalho há no mínimo 31 dias e no máximo seis meses. Para Azeredo, esse volume concentra as pessoas que se animaram com a notícia de melhoria da economia nacional e decidiu voltar a procurar trabalho. Se considerar um período ainda menor, de até 30 dias, a proporção do público na fila para uma ocupação é de 24,7% do total.

“Com a notícia de que o mercado está bom, mais pessoas decidem buscar um trabalho”, diz o gerente da pesquisa. De acordo com a PME, 352 mil pessoas estão em busca do seu primeiro emprego, maior número desde outubro do ano passado.

A Região Nordeste concentra o maior índice de desocupação do país, com 11,3% em Salvador e 8,1% em Recife. “São regiões com um cenário diferenciado, uma economia menos desenvolvida e com grande contingente de jovens”, diz Azeredo. Porto Alegre apresenta o menor percentual, de 5,9%. No Sudeste, São Paulo tem 8,2%, Rio de Janeiro, 6,4% e Belo Horizonte, 6,3%. (SM)

30/04/2010 - 09:17h Mão de obra qualificada vira maior problema da construção

Valter Campanato/ABr
Foto Destaque
Renato da Fonseca, gerente da pesquisa: a expectativa é de que o ritmo de contratações aumente ainda mais


Samantha Maia, de São Paulo – VALOR

O aquecimento da construção no primeiro trimestre do ano fez com que a atenção dos empresários se voltasse ainda mais para a dificuldade de obter mão de obra qualificada. Segundo sondagem do setor realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a falta de trabalhador qualificado passou de segunda para primeira preocupação dos empregadores neste começo de ano, comparado ao último trimestre de 2009. Nos últimos três meses do ano passado, o primeiro lugar era ocupado pela elevada carga tributária.

“Em dezembro de 2009, nossa pesquisa piloto mostrava que a carga tributária era o maior problema para o setor da construção. Hoje é contratar pessoas qualificadas, que vai desde o pedreiro ao gerente de obra”, explica Renato da Fonseca, gerente-executivo da Sondagem da Construção Civil. A evolução do emprego é calculada de três em três meses.

A expectativa é de que o problema se agrave no curto prazo, mas que aos poucos se normalize, como resultado de investimentos das próprias empresas em qualificação desde que o setor começou a ficar mais aquecido no ano passado. “Essa questão dificulta o crescimento de imediato, faz as obras andarem mais devagar, mas tem muita gente se especializando, fazendo os cursos necessários”, diz.

A pesquisa da CNI mostra que o nível de atividade da construção se intensificou no primeiro trimestre de 2010. Em março, o indicador do setor ficou em 55,8 pontos, onde números acima de 50 pontos indicam aumento da atividade. O índice está 2,6 pontos acima do resultado de fevereiro. Isso significa que mais empresas responderam que a atividade cresceu mais em março do que no mês anterior.

Também há mais empresas neste começo de ano dizendo que contrataram mais que no último trimestre de 2009. Segundo a sondagem, o indicador sobre evolução do número de empregados ficou em 56,4 pontos, ante 53,6 no período anterior. “O índice acima de 50 pontos mostra que há mais empresas contratando do que demitindo e a expectativa é de que o ritmo de contratações aumente mais”, diz o gerente da pesquisa.

O índice que mostra a disposição das empresas continuarem contratando ficou em 66,2 pontos em março, mesmo nível de janeiro deste ano (66,8 pontos). As contratações devem ser mais forte por parte das grandes companhias, grupo em que o indicador de expectativa de emprego ficou em 74,1 pontos.

A arrancada da atividade da construção em março está relacionada às obras de infraestrutura, que não apresentaram crescimentos nos dois meses anteriores. Neste grupo, o indicador sobre o nível da atividade em março ficou em 56 pontos, enquanto mercado mobiliário ficou em 53,9 pontos. “Infraestrutura demorou um pouco mais para se recuperar no começo do ano que o setor mobiliário. Por conta da novidade da sondagem, ainda fica difícil analisar se é algo sazonal ou se houve algum impacto específico”, explica Fonseca.

O aquecimento da construção também é verificado nas vendas da indústria de materiais, cujo faturamento cresceu 26% em março sobre fevereiro, segundo a Abramat, entidade que representa o setor. Projeções da FGV Projetos, mostram que o Produto Interno Bruto da construção deve crescer 9% em 2010 em relação a 2009. “Há capacidade para segurar esse crescimento, pois ainda não foi recuperado o patamar de 2008. A mão de obra é o único ponto delicado da história”, diz Ana Maria Castelo, coordenadora da FGV Projetos.

30/04/2010 - 08:58h Taxa de desemprego em março, após o ajuste sazonal, fica em 7% , a menor da série iniciada em 2001

emprego-na-industria.jpg

Mercado de trabalho exibe força no 1º tri

Sergio Lamucci, de São Paulo – VALOR

O mercado de trabalho teve um primeiro trimestre extremamente positivo, com forte criação de empregos e avanço da renda. A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas encerrou março em 7,6%, um pouco acima dos 7,4% de fevereiro, mas muito abaixo dos 9% do mesmo mês do ano passado. Na série livre de influências sazonais, a taxa ficou em 7%, a menor da série histórica iniciada em 2001, segundo cálculos da Rosenberg & Associados. Para alguns analistas, o mercado de trabalho já se encontra numa situação de pleno emprego, com um nível de desemprego que acelera a inflação – uma tese controvertida.

O aumento da ocupação foi um dos grandes destaques do mês passado, como destaca a economista-chefe da Rosenberg, Thaís Marzola Zara. É uma tendência que ganha força a cada mês. Em março, a população ocupada aumentou 3,8% em relação ao mesmo mês de 2009, um ritmo superior aos já elevados 3,5% de fevereiro. Em novembro do ano passado, a alta tinha sido de 0,7% nessa base de comparação.

Segundo Thaís, a demanda robusta tem dado confiança às empresas, que contratam mais para atender a um consumo que se afigura como expressivo nos próximos meses. “As perspectivas são de que o mercado de trabalho continue aquecido, com a falta de mão de obra qualificada e especializada começando a aparecer em alguns segmentos”, afirma.

O caso mais evidente é o da construção civil. Em março, a renda média no setor cresceu 11,1% em relação a março de 2009, já descontada a inflação, enquanto o rendimento médio de todos os setores subiu 1,5%. O estoque de ocupados na construção também cresceu com força: 10,6%. Segundo a LCA Consultores, a construção ajudou no aumento geral da ocupação pela intensidade da alta. O setor de serviços, com alta em março de 4% na população ocupada, foi importante não apenas pela variação expressiva, como também por seu peso, já que se trata do segmento que mais emprega, diz a LCA.

O economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, acredita que a taxa média de desemprego pode encerrar o ano abaixo de 7%, num cenário de forte crescimento da atividade econômica. Se confirmada, será com folga a menor taxa média de desocupação da série iniciada em 2001, que tem como ponto mais baixo os 7,9% de 2008. “O desemprego é sazonalmente mais alto no começo do ano. Depois de abril ou maio, ele tende a cair mais”, afirma ele, que projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 7% em 2010.

A LCA Consultores reduziu a sua projeção para a taxa média de desemprego em 2010, mas ela continua bem acima de 7% – a revisão foi de 7,6% para 7,5%. A estimativa é mais cautelosa que a de Camargo, porque a consultoria acredita que um número mais expressivo de pessoas passe a procurar emprego nos próximos meses por conta da economia aquecida, levando à diminuição do fenômeno conhecido como desalento. Com alta da população economicamente ativa (PEA), isso pode dificultar novas reduções significativas da taxa de desemprego na série com ajuste sazonal, considera a LCA.

Camargo acredita que o desemprego no Brasil já atinge níveis que causam a aceleração da taxa de inflação. Também professor da PUC-Rio, diz que estudos feitos por ele em 2008 apontam que uma taxa de desocupação de 7,5% a 8% tende a provocar pressões inflacionárias, ao levar os salários a crescer acima da produtividade. “Acho que de lá para cá a situação não mudou”, acredita Camargo, para quem o aquecimento do mercado de trabalho foi um dos vários fatores que fizeram o Banco Central aumentar os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de quarta-feira. Em março, a massa salarial cresceu 5,2% sobre março de 2009, em termos reais.

O diretor-adjunto do Centro de Estudos Sindicais e da Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Anselmo Luiz dos Santos, tem uma visão diferente. Ele vê uma redução importante da desocupação nos últimos anos, em função do crescimento mais forte a partir de 2004, mas considera que o país ainda está longe de uma situação de pleno emprego. Ele lembra que a metodologia da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE mede apenas o chamado desemprego aberto, que classifica como desocupado quem procurou trabalho nos 30 dias anteriores. Quem não procurou emprego ou fez algum bico no período não entra na estatística dos desempregados da pesquisa do IBGE.

Na pesquisa divulgada pela Fundação Seade/Dieese, que inclui também a desocupação oculta por desalento (quem não foi atrás de emprego nos últimos 30 dias) e o desemprego oculto por trabalho precário (quem faz bico, por exemplo), a taxa é bem mais alta – 13,7% no mês passado, a menor para um mês de março desde 1998.

“No Brasil, ainda há muita gente que vive de bicos ou tem trabalhos precários, que caracterizam na verdade estratégias de sobrevivência”, diz Santos. Para ele, se a economia continuar a crescer na casa de 5%, é possível que o país fique mais próximo de uma situação de pleno emprego, mas isso só tende a ocorrer num prazo superior a cinco anos.

30/04/2010 - 06:37h Importante pronunciamento do presidente Lula em homenagem ao Dia dos Trabalhadores

Discurso em rede nacional do presidente Lula no Dia do Trabalhador

29/04/2010 - 22:00h Boa noite


Stephen Hough interpreta 3 peças curtas de Rameau

29/04/2010 - 20:01h Ansiedade e nova posição sem a parte de cima

Melissa_Steckbauer
Melissa Steckbauer – Anxiety and New Positions in Toplessness• 2009, oil on un-stretched canvas, 153cm x 250cm

29/04/2010 - 19:21h Flores


Tuva Semmingsen e Inger Dam-Jensen – Dueto das Flores (’Sous le dôme épais’) da ópera Lakmé de Delibes


Para comparar – “Flower duet” from Lakme, deLeo Delibes

Natalie Dessay – Soprano
Delphine Haidan – Mezzo soprano
Orchestre National du Capitole de toulouse
Michel Plasson – conductor

29/04/2010 - 19:03h Arrebátame, amor, águila esquiva…

Antonio Gala

Arrebátame, amor, águila esquiva,
mátame a desgarrón y a dentellada,
que tengo ya la queja amordazada
y entre tus garras la intención cautiva.

No finjas más, no ocultes la excesiva
hambre de mí que te arde en la mirada.
No gires más la faz desmemoriada
y muerde de una vez la carne viva.

Batir tu vuelo siento impenetrable,
en retirada siempre y al acecho.
Tu sed eterna y ágil desafío.

Pues que eres al olvido invulnerable,
vulnérame ya, amor, deshazme el pecho
y anida en él, demonio y ángel mío.

***

Antonio Gala – Poeta, dramaturgo y novelista español nacido en Brazatortas, Ciudad Real en 1930. Cordobés por adopción, es licenciado en Derecho, Filosofía y Letras y Ciencias Políticas y Económicas. Ha cultivado todos los géneros literarios, incluidos el periodismo, el relato, el ensayo y el guión televisivo. Ha obtenido numerosos premios no sólo por la poesía, sino por su valiosa contribución al Teatro y la Ópera: Calderón de la Barca, Nacional de Literatura, Adonais, Ciudad de Barcelona, Quijote de Oro y Planeta, han sido sus galardones más significativos. De su obra poética se destacan las siguientes publicaciones: «Enemigo íntimo», «Sonetos de La Zubia», «Poemas de amor»
y «Testamento Andaluz».

29/04/2010 - 18:43h O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, pela revista norte-americana Time, a pessoa mais influente do mundo

Vejam a linda homenagem feita pelo blog do Estadão “Olhar sobre o mundo”. Nada a acrescentar. LF

OLHAR SOBRE O MUNDO – BLOG O ESTADO SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, pela revista norte-americana Time, a pessoa mais influente do mundo. Umas das marcas da sua atuação política é o diálogo. Os chapéus, bonés, capacetes, quipás, turbantes entre outras indumentárias que ele vestiu nesses últimos anos, em diversos lugares e circunstâncias, mostram um pouco da sua atuação política. Leia matéria.
Pesquisa: Natália Russo

Cabrobó, PE. 16/10/2009. Foto: Dida Sampaio/AE
Cabrobó, PE. 16/10/2009. Foto: Dida Sampaio/AE

Presidente Nursultan Nazarbayev, com Lula. Astana, Casaquistão,  17/06/2009. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Nursultan Nazarbayev, com Lula. Astana, Casaquistão, 17/06/2009. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Rio de Janeiro, 23/06/2009. Foto: Fabio Motta/AE
Rio de Janeiro, 23/06/2009. Foto: Fabio Motta/AE

Paraná, 22/06/2009. Foto: Valéria Gonçalvez/AE
Paraná, 22/06/2009. Foto: Valéria Gonçalvez/AE

Granja do Torto, Brasília, 27/04/2009. Foto: André Dusek/AE
Granja do Torto, Brasília, 27/04/2009. Foto: André Dusek/AE

Brasília, 20/07/2009. Foto: Celso Junior/AE
Brasília, 20/07/2009. Foto: Celso Junior/AE

Barras, BA, 14/10/09. Foto: Ed Ferreirar/AE
Barras, BA, 14/10/09. Foto: Ed Ferreirar/AE

Guarulhos, SP, 09/03/2007. Foto: Nilton Fukuda/AE
Guarulhos, SP, 09/03/2007. Foto: Nilton Fukuda/AE

Palácio da Alvorada, Brasília, 11/08/2009. Foto: Wilson  Pedrosa/AE
Palácio da Alvorada, Brasília, 11/08/2009. Foto: Wilson Pedrosa/AE

Anápolis, Goiás, 13/08/2009. Foto: Celso Junior/AE
Anápolis, Goiás, 13/08/2009. Foto: Celso Junior/AE

Cabrobó, PE, 16/10/2009. Foto: Dida Sampaio/AE
Cabrobó, PE, 16/10/2009. Foto: Dida Sampaio/AE

Custódia, PE, 15/10/2009. Foto: Dida Sampaio/AE
Custódia, PE, 15/10/2009. Foto: Dida Sampaio/AE

Fortaleza, Ceará, 11/09/2009. Foto: Hélvio Romero/AE
Fortaleza, Ceará, 11/09/2009. Foto: Hélvio Romero/AE

Boa Vista, Roraima, 14/09/2009. Foto: José Luis da Conceição/AE
Boa Vista, Roraima, 14/09/2009. Foto: José Luis da Conceição/AE

Presidente Lula recebe roupa típica chilena de Sebastián Piñera.  Brasília, 24/11/2009. Foto: Sergio Dutti/AE
Presidente Lula recebe roupa típica chilena de Sebastián Piñera. Brasília, 24/11/2009. Foto: Sergio Dutti/AE

Rio Branco, Acre, 21/08/2009. Foto: Sergio Dutti/AE
Rio Branco, Acre, 21/08/2009. Foto: Sergio Dutti/AE

Cabrobó, PE, 15/10/09. Foto: Evelson de Freitas/AE
Cabrobó, PE, 15/10/09. Foto: Evelson de Freitas/AE

Presidente Lula recebe da delegação de Benin. Salvador, BA,  20/11/2009. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula recebe da delegação de Benin. Salvador, BA, 20/11/2009. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Floresta, PE, 15/10/09. Foto: Evelson de Freitas/AE
Floresta, PE, 15/10/09. Foto: Evelson de Freitas/AE

Palácio do Planalto, Brasília, 24/10/2009. Foto: Beto Barata/AE
Palácio do Planalto, Brasília, 24/10/2009. Foto: Beto Barata/AE

São Paulo, SP, 29/10/2009. Foto: Hélvio Romero/AE
São Paulo, SP, 29/10/2009. Foto: Hélvio Romero/AE

El Tigre, Venezuela, 30/10/2009. Foto: Dida Sampaio/AE
El Tigre, Venezuela, 30/10/2009. Foto: Dida Sampaio/AE

Manaus, AM, 26/11/2009. Foto: Celso Junior/AE
Manaus, AM, 26/11/2009. Foto: Celso Junior/AE

Brasília, 06.11/2009. Foto: Sergio Dutti/AE
Brasília, 06.11/2009. Foto: Sergio Dutti/AE

Brasília, 06.11/2009. Foto: Sergio Dutti/AE
Brasília, 06.11/2009. Foto: Sergio Dutti/AE

Lula com o turbante do grupo afoxé Filhos de Gandhi. Rio de  Janeiro, RJ, 25/11/2009. Foto: Marcos Arcoverde/AE
Lula com o turbante do grupo afoxé Filhos de Gandhi. Rio de Janeiro, RJ, 25/11/2009. Foto: Marcos Arcoverde/AE

Foto: Valéria Gonçalvez/AE
Ciclista utiliza máscara com o rosto de Lula. São Paulo, 06/12/2009. Foto: Valéria Gonçalvez/AE

Recife, PE, 27/01/2010. Foto: Clayton de Souza/AE
Recife, PE, 27/01/2010. Foto: Clayton de Souza/AE

Brasília, 02/02/2010 . Foto: Ed Ferreira/AE
Brasília, 02/02/2010 . Foto: Ed Ferreira/AE

Presidente Lula recebe roupa típica chilena de Sebastián Piñera.  Brasília, 24/11/2009. Foto: Sergio Dutti/AE
Presidente Lula recebe roupa típica chilena de Sebastián Piñera. Brasília, 24/11/2009. Foto: Sergio Dutti/AE

29/04/2010 - 18:17h Beleza juvenil, sempre tensa e indócil

O Despertar da Primavera realiza atualização inteligente dos conflitos da juventude do século 20

http://www.neilopes.blogger.com.br/despertar.jpg

Crítica: Mariangela Alves de Lima – O Estado de S.Paulo

Foi tão radical e tão amplamente disseminada a reviravolta da moralidade sexual no decorrer do século 20 que deve ser espantoso para os adolescentes de hoje imaginar uma puberdade vivida sem a mínima noção das práticas reprodutivas da espécie humana. O estranhamento provocado pela situação histórica diferente é, no entanto, parte insignificante da composição de O Despertar da Primavera, peça musical com texto e letras de Steven Sater e música de Duncan Sheik. Inspirada na obra homônima de Frank Wedekind, a peça dos autores norte-americanos toma como ponto de referência a trama original e se afasta dela ao reduzir o papel da ideologia no conflito entre gerações.

Encenado pela primeira vez em Berlim no primeiro quinquênio do século 20, o texto de Wedekind é, na formalização e nos temas, um dos primeiros gestos explícitos de rebelião contra a repressão sexual da cultura europeia no fim do século 19. Além disso, por meio de recursos simbólicos que se assemelham a procedimentos da psicanálise, a peça prefigura terríveis consequências para as sociedades, cujo culto à razão implica o aniquilamento do prazer sensorial. A educação das personagens juvenis consiste em uma ginástica mental, cujo único propósito é a disciplina. Na sala de aula, a ocupação principal é o estudo “dos clássicos”, enquanto o conhecimento de si, do outro e das circunstâncias são interditados pelos mestres e pais. Enfim, textos decorados em uma língua morta compõem uma litania ao fundo de experiências vitais cuja expressão é interditada.

Há um propósito ao mesmo tempo acusatório e instrutivo em uma narrativa que expõe o sadismo dos pais e mestres, o incesto, a homossexualidade e a gravidez prematura como ocorrências subterrâneas, experimentadas com uma intensidade dramática proporcional ao rigor com que se pretende domar a energia erótica. Em princípio, nada impede o teatro musical de adotar uma postura combativa ou explorar os recantos mais sinistros da psique coletiva. Seja em prosa ou verso, no entanto, a ótica deste século não pode ignorar que os bastiões da hipocrisia sexual foram atacados com inegável competência pela teoria freudiana, pela ciência e pelas práticas terapêuticas e pedagógicas derivadas.

Certamente, há outros sofrimentos reservados aos adolescentes de hoje, cuja intensidade se equivale ao das vítimas do puritanismo do século 19, mas o desenho de um paralelismo histórico exigiria um esforço de caracterização incompatível com a moldura do musical. Imagético, sensorial e ritmado pela percussão, o gênero é excelente veículo para teses e incitamentos de toda ordem, mas inadequado para ponderar diferenças e analogias entre dois períodos históricos.

O fulcro dramático do texto norte-americano é, talvez em razão da vivência explícita da sexualidade contemporânea, a celebração do ímpeto juvenil que, como onda, retorna a cada geração ansiando, além da gratificação amorosa, por horizontes mais amplos. Sentimentos à flor da pele e vigor físico são também dois componentes fundamentais nessa história recontada no século 21 para uma plateia que aprendeu de onde vêm os bebês quase ao mesmo tempo em que aprendia a falar.

Detalhes. Neste espetáculo dirigido por Charles Möeller, as ações são mais claras do que as palavras e é um defeito ponderável a sonorização que amplia volumes até tornar incompreensível boa parte das frases cantadas. Com esforço, é possível entender alguma coisa do que dizem as canções, mas há detalhes e nuances sufocados sob vibrações. Esse é um problema técnico incomum nas produções capitaneadas por Möeller e Cláudio Botelho e é pena, porque os musicais da dupla têm sido recriados em um português caprichado e sem pedantismo e um prazer suplementar do musical é a versificação talentosa de Botelho. É possível que o rock, acompanhado por guitarras e por arranjos vocais adequados para timbres agudos, seja mais estridente, mas essa é uma boa razão para diminuir o volume e caprichar na elocução.

Descontada a vontade de ouvir mais e melhor, o espetáculo é uma sensível e inteligente atualização do princípio vitalista que animou a vanguarda alemã do século passado. Energia física, entusiasmo, agilidade e expressão emotiva foram, sem dúvida, qualidades que presidiram a formação de um elenco quase tão jovem quanto as personagens de Wedekind. O desenho das cenas e a composição das personagens transformam essas qualidades dos intérpretes em estilo e o que se vê com maior nitidez sob o sofrimento é a beleza da juventude, uma espécie de beleza comovente, indócil, tensa como um arco.

29/04/2010 - 17:17h Imprevisível! Assim é o amor na obra de Allen

É o que diz o principal biógrafo do diretor, ao comentar filme Tudo pode dar certo, que estreia amanhã

http://www.verdestrigos.org/agora/woody%20allen.JPG

Luiz Zanin Oricchio – O Estado de S.Paulo

Eric Lax, Jornalista e escritor

O encontro entre dois tímidos. Foi assim na primeira vez em que se viram Woody Allen e Eric Lax. Um era jornalista de pouca experiência; outro, um cineasta talentoso, porém de fama restrita. O ano era 1971. Desde então, Lax e Allen se falam com a frequência a que se permitem apenas os amigos. Woody logo virou um diretor de repercussão mundial e Lax acabou sendo seu biógrafo mais acreditado. Seu Conversas com Woody Allen (Cosac Naify, 2008) tornou-se obra referencial. O novo filme de Allen, Tudo Pode dar Certo, estreia amanhã. Seu biógrafo chega a São Paulo para participar do II Congresso de Jornalismo Cultural, que tem início segunda-feira. Na própria segunda, Lax participa de uma mesa, com o jornalista Ruy Castro, que debate o tema A Formação do Biógrafo: história, jornalismo e vida real.

Quais foram suas impressões sobre Woody Allen durante as entrevistas que fez com ele?

Minha primeira entrevista, em 1971, foi um completo desastre. Eu era um novato no ofício de escrever e encontrar com alguém que admirava me deixava nervoso; além disso, ele era muito tímido e tudo isso fazia uma combinação terrível. Sua resposta mais curta às minhas perguntas era “não”, o que não teria problema nenhum se a mais longa não fossem “sim”. Mas nós falamos outras vezes e o relacionamento ficou confortável. É sempre um prazer falar com ele. Ele é iluminado, fala como se escrevesse parágrafos completos e, em geral, é auto-depreciativo. E, claro, pode ser muito divertido. Mas não conta piadas. O humor surge como parte natural da conversação.

Você já viu o novo Allen, Tudo Vai Dar Certo?

Achei muito divertido, uma meditação iluminada sobre a imprevisibilidade do amor. Eu acho que esse tema da aleatoriedade foi uma constante ao longo de toda a sua vida. E envelhecer é apenas um aborrecimento a mais nesse processo.

Por falar nisso, a presença do aleatório é também muito grande em Match Point, um dos melhores filmes de Allen.

Para mim, Match Point é o melhor filme de Allen até agora. É também um dos favoritos de Allen, um puro drama. Ele já havia feito algo nesse sentido em Crimes e Pecados. Vivemos em um universo indiferente, no qual um crime pode ficar impune, mas ele teve de suavizar tudo isso na parte mais centrada em seu personagem.

Vicky Cristina Barcelona é filme de exceção na obra de Allen?

A imprevisibilidade do amor é tema regular em sua na obra. Aqui temos um filme no qual os personagens se perguntam que tipo de amor gostariam de ter. Seguro, como o da personagem de Rebecca Hall (embora ela sempre mantenha o sentimento de “e se fosse diferente”), inseguro e portanto nunca satisfatório, como o de Scarlett Johansson), ou apaixonado e cheio de emoções perigosas como o dos personagens de Pelenope Cruz e Javier Bardem.

Você vê grande diferença quando ele filma nos EUA ou na Europa, ou é o mesmo Allen qualquer que seja a locação e a produção?

É sempre o mesmo Allen. O que muda é a atenção com a cultura e o modo de ser do país onde ele filma. Mas suas histórias baseiam-se na emoção humana, independentemente do lugar onde ele as filma.

Quais são os seus favoritos entre os filmes de Allen?

Um Assaltante bem Trapalhão (alegre, uma comédia exuberante), Tiros na Broadway (é sobre o que faz um artista, e a diferença entre um artista e a obra), A Rosa Púrpura do Cairo (a vida de fantasia é fascinante mas estamos presos à realidade, que acaba por nos matar), Broadway Danny Rose (a virtude da lealdade), Match Point (se você não tem uma consciência para importuná-lo, pode praticar um homicídio, porque não existe um Deus para punir quando a polícia falha).

O que você pensa que podemos esperar dos próximos trabalhos de Allen?

Continuará a abordar seus temas: relacionamentos, comédias, o sentido da existência em universo regido pelo acaso. Ele o fará de maneira cada vez mais livre pois, como já disse que não pretende mais atuar, libertou-se do personagem que ele encarna tão bem e para o qual se obrigava a escrever seus filmes. Mas provavelmente ainda nos reserva algumas surpresas.