31/05/2010 - 22:00h Boa noite

Concerto para violoncelo em E menor op. 85, de Edward Elgar – Sol Gabetta

31/05/2010 - 20:42h RIO: Palecete e prédio modernista interligados por cobertura vão abrigar museu

Solução encontrada pelos arquitetos Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen foi ‘tirar um pedacinho do mar e colocar lá em cima’

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo

RIO – A solução encontrada pelos arquitetos Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen para unir um palacete de 1916 ao prédio modernista vizinho foi “tirar um pedacinho do mar e colocar lá em cima”. Essa é a definição de Jacobsen para a cobertura “fluida” projetada para interligar os dois prédios, de estilos completamente distintos.

Unidos, eles vão abrigar o Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, zona portuária. A inauguração está prevista para o fim de 2011.

“Foi uma espécie de charada. A gente precisou queimar a mufa para fazer uma coisa que unisse e não fosse completamente absurda. A sensação é a de um tapete voador, uma nuvem, um pedacinho do mar”, diz o arquiteto, referindo-se à cobertura ondulada. Duas passarelas suspensas, de estrutura translúcida, vão permitir a travessia entre os prédios, distantes dez metros um do outro.

Além da cobertura e das rampas, um teleférico vai conectar o MAR ao Morro da Conceição, enclave colonial no centro do Rio. A estação ficará no terraço do prédio modernista (o da esquerda), onde haverá uma praça. As visitas ao MAR vão começar de lá. Não será possível ter acesso ao palacete ao lado, onde ficarão concentradas as exposições, do térreo.

“A praça suspensa será um lugar de desfrute, terá um café-bar. O fluxo de cima para baixo passou a ser determinante em função do teleférico”, explica o arquiteto. “Procuramos não fazer da arquitetura a vedete, mas uma vitrine viva, para que as pessoas apareçam. Por isso as passarelas e varandas translúcidas. Espero que aquilo fique cheio de gente.”

Em função do grande pé-direito e do vão livre, o palacete neoclássico vai abrigar uma exposição permanente sobre a história da cidade nos dois últimos andares. Os dois primeiros vão receber mostras temporárias. A proposta do curador do MAR, Leonel Kaz, é utilizar acervos públicos e, principalmente, privados. “Existem acervos raros em importantes coleções de arte que merecem se tornar conhecidos do grande público”, aponta Kaz.

No prédio modernista, da década de 1940, que já abrigou estruturas da Polícia Civil e é interligado a um antigo terminal rodoviário, será instalada a Escola do Olhar, um lugar de “aprendizado, produção e provocação”. Essa ala também receberá salas de exposição multimídia e áreas de administração.

Com a retirada de apliques de fechamento das fachadas, a estrutura modernista de colunas recuadas se tornará visível. Trechos dos pavimentos ficarão abertos, o que permitirá a circulação por varandas com ventilação e iluminação natural. A área dos pilotis de 7 metros de altura, no térreo, hoje usada como acesso para o terminal, será transformada em um grande foyer do complexo, com jardins e auditório para 220 pessoas.

O público subirá de elevador para a praça suspensa, que ficaria aberta à noite, após o fechamento do museu. Uma das atividades previstas é a projeção de imagens na cobertura ondulada, que seria transformada em uma grande tela horizontal.

Jacobsen pretende que o museu funcione como “escada” para o morro, e vice-versa. “A ideia é que haja um posto avançado lá em cima. As pessoas do museu também vão visitar o Morro da Conceição”, diz. “Acho que a revitalização da zona portuária passa pela humanização de áreas degradadas como a Praça Mauá. Mas ações isoladas não funcionam. O museu tem um papel nessa valorização, e a ligação com o morro é muito importante.”

Abandonado há décadas, o palacete de 1916 abrigou o Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais. Foi cedido à prefeitura pelo governo federal no ano passado, após imbróglio judicial. Depois de eleito, o prefeito Eduardo Paes chegou a cogitar a transferência da sede da administração para o prédio, tombado em 2000, mas mudou de ideia. O plano seguinte foi instalar ali a Pinacoteca do Rio, que virou Museu de Arte do Rio.

O projeto do MAR será anunciado nesta terça-feira, 1º, - a previsão de custo é de R$ 43 milhões. Trata-se de iniciativa da prefeitura e da Fundação Roberto Marinho, responsável pelos museus do Futebol e da Língua Portuguesa, em São Paulo.

31/05/2010 - 20:01h Além do símbolo


A Roda da Fortuna – Jean Delville


O Tesouro de Satã -  Jean Delville

The Love of Souls
O Amor das almas –
Jean Delville

http://www.jeandelville.org/Paintings/images/del4.jpg

Jean Delville

parsifal_jean_delville
Parsifal – Jean Delville

31/05/2010 - 19:36h Dilma: Inovação tecnológica pode sustentar crescimento da economia brasileira

Inovação tecnológica pode sustentar crescimento da economia  brasileira

FOTO: Roberto Stuckert Filho

Os investimentos em inovação tecnológica podem garantir o crescimento sustentado da economia brasileira nos próximos anos. A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, avalia que esse é o caminho a ser trilhado pelo país. Nessa trajetória, a Embrapa e a Petrobras desempenham um papel muito importante nas pesquisas e servem de exemplo para outras empresas.

“O Brasil não pode deixar de atuar na área de biotecnologia e nanotecnologia. Do meu ponto de vista essa á a trajetória mais sustentável da economia brasileira”, afirmou Dilma, num fórum promovido hoje pela Revista Exame, em São Paulo.

Junto à inovação, segundo ela, as prioridades para o Brasil devem ser o investimento maciço em educação, o fim da pobreza extrema na próxima década, a manutenção da mobilidade social registrada nos últimos sete anos e as reformas econômicas. Se o país alcançar esses objetivos, deve ser tornar a 5ª maior economia mundial.

“É fato que, entre os [países] emergentes, somos o mais democrático e precisamos garantir que isso se amplie e se aprofunde. Temos que garantir a liberdade de expressão, de imprensa e de organização”, disse.

Dilma apontou os segmentos da economia que mais vão crescer nos próximos anos: petróleo, energia, logística de transporte, construção habitacional e agronegócio. Para o bom desempenho econômico, ressaltou a petista, será necessário aumentar o crédito no país para as empresas terem novas fontes de dinheiro, sobretudo por meio do mercado de capitais (ações na bolsa e títulos) e financiamento dos bancos privados. Hoje, há uma grande dependência dos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo a pré-candidata do PT, o volume total de crédito no Brasil pode chegar a um valor equivalente a 70% do Produto Interno Bruto (PIB) de forma sustentável e sem pressões na inflação. Em abril de 2010, o país tinha um nível de crédito de 45,2% do PIB, correspondente a R$ 1,468 trilhão de empréstimos.

O reflexo do crescimento sustentado é a ascensão de renda. “Hoje, 70% da população pertencem às classes A, B e C”, disse ela, acrescentando: “Para chegar nisso [ser a 5ª maior economia do mundo] precisamos manter um patamar mínimo de classe média no Brasil. Aí, talvez seja [necessário] mais de uma década. Mas, o compromisso de erradicar a pobreza começa em 2011”.

A contrapartida para o avanço econômico está na melhoria da área social, principalmente nas salas de aula. Dilma defendeu a necessidade de garantir Educação de qualidade para os jovens. É preciso, segundo ela, dar atenção para as crianças de até 5 anos, construindo creches para que elas entrem no ensino fundamental mais preparadas.

“Um país tem que ser avaliado pelo nível de proteção que dá aos jovens e as crianças. No caso especifico das crianças de 0 a 5 anos, elas têm melhores condições na formação efetiva quando tem ensino desde cedo”, disse.

Fonte Dilmanaweb.com.br

31/05/2010 - 19:22h Luto, consternação e vergonha


Va pensiero da ópera Nabucco de Verdi

Slovak Philharmonic Choir
Slovak Radio Symphony Orchestra
Oliver Dohnanyi,Conductor

31/05/2010 - 19:15h Meirelles: o time está ganhando de 4 x 0

Em palestra no EXAME Fórum, em São Paulo, presidente do Banco Central destacou que a economia brasileira já supera o período pré-crise em vários indicadores

Luís Artur Nogueira, de EXAME.com

>Egberto Nogueira/imafotogaleria

Ótimista, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, apresenta a sua palestra duarnte o Fórum Exame.

São Paulo - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira (31) que a economia brasileira está ganhando a partida de 4 x 0. “Se jogássemos a defesa para frente, poderíamos vencer de 7 x 0, mas também poderíamos perder”, disse Meirelles, que fez a palestra de abertura do EXAME Fórum, em São Paulo, que debate o tema “Brasil - A Construção da 5ª Maior Economia do Mundo”.

Meirelles mostrou vários indicadores econômicos que constatam a rápida recuperação do Brasil após a crise internacional. Entre eles, a taxa de desemprego do IBGE, com ajuste sazonal, que ficou em 7,1% em março, índice inferior ao registrado no período que antecedeu as turbulências. O Banco Central prevê que o volume total de investimentos estrangeiros diretos chegue a US$ 45 bilhões neste ano, o mesmo patamar atingido em 2008. No ano passado, o montante foi menor, de US$ 26 bilhões.

O presidente do Banco Central ressaltou a importância do sistema de metas de inflação para a credibilidade da economia brasileira. “A ancoragem das expectativas é fundamental para o funcionamento do sistema de metas”, disse. Meirelles enalteceu a atuação “anticíclica” do governo durante a crise com medidas monetárias e fiscais. “O governo não colocou um centavo em banco, ao contrário de outros países”, ressaltou.

Meirelles previu uma queda consistente da relação dívida pública líquida/PIB nos próximos anos, passando de 42,9% em 2009 para 35,4% em 2014. “Isso acontecerá se as metas fiscais foram cumpridas”, ressaltou. “A redução do risco fiscal proporciona um menor prêmio de risco, o que permite juros menores”, explicou.

Durante a palestra, o presidente do Banco Central divulgou previsões otimistas para a economia brasileira até 2014, com mais 36 milhões de pessoas entrando na classe média, e mais 14,5 milhões de brasileiros deixando a linha de pobreza.

31/05/2010 - 19:00h Nada elementar, Watson


“Albert Watson © – Kate Moss”



“Albert Watson© – Kara”



“Albert Watson© – Nina, From The Series – Twelve, New York, 1978″



“Albert Watson© – Heels, From The Series – Twelve, New York, 1978″



“Albert Watson© – Omahyra, New York, 2004″



“Albert Watson© – Frank Kennedy, Pittsburgh, 1988″



“Albert Watson© – Berta”



“Albert Watson© – Mia, Palomino Club, Las Vegas, 2000″



“Albert Watson© – Vivienne Westwood Shoe, New York City, 1993″


.


“Albert Watson© – Leslie, Yohji Yamamoto, London, 1989″



“Albert Watson© – Gisella, París, 1990″



“Albert Watson© – Ana”



“Albert Watson© – Sandrine”



“Albert Watson© – Omahyra, New York, 2004″



“Albert Watson© – Yvette, Berlin, 1990″



“Albert Watson© – Gabriel Reece, Paris, 1989″


“Albert Watson© – Laurent, New York, 1992″



“Albert Watson© – From Nude Series, New York City, 1986″



Albert Watson© – David Bowie, New York, 1996″



“Albert Watson© – Mick Jagger, Los Angeles, 1992″



“Albert Watson© – Naomi Campbell, Palm Springs, 1989″



“Albert Watson© – Heel, Budget Suites, Las Vegas, 2000″



“Albert Watson© – Leslie Weiner, London, 1989″



“Albert Watson© – Monica Gripman, St. John, U.S. Virgin Islands, 1988″



“Albert Watson© – Rachel Williams, New York City, 1995″



“Albert Watson© – Breaunna, Budget Suites, Las Vegas, 2000″



“Albert Watson© – Clark Inn Motel, Las Vegas, 2000″


Fonte Uno de los nuestros

31/05/2010 - 18:22h Nel mezzo del cammin di nostra vita

Felipe Cussen | Sibila

Nel mezzo del cammin di nostra vita like a rolling stone
Like a rolling stone nel mezzo del cammin di nostra vita
like a rolling stone
nel mezzo del cammin di nostra vita vita like a rolling stone.

Non, je ne regrette rien,
cerrar podrá mis ojos la postrera sombra.
Non, je ne regrette rien nel mezzo del cammin di nostra vita
like a rolling stone
like a rolling stone nel mezzo del cammin di nostra vita
nel mezzo del cammin di nostra vita like a rolling stone.

Felipe Cussen
Traducción de memoria, 2009

31/05/2010 - 17:13h Escultora Louise Bourgeois morre aos 98 anos

http://www.cafepedagogique.net/lemensuel/lenseignant/artistique/artsplastiques/PublishingImages/91/louise_bourgeois.jpg

Maman: Louise Bourgeois por cybertect.


Photo: Christopher Burke / © Louise Bourgeois

http://www.aymericpatricot.com/dotclear/images/louise-bourgeois-bite.jpg

http://www.enfrentearte.com/hotel-ronda/uploaded_images/LouiseBourgeois-775718.jpg

http://img.over-blog.com/630x470-000000/0/41/57/61//sculptures/The-Welcoming-hands-Louise-Bourgeois.jpg

31/05/2010 - 15:28h Sol faz Hoffman dialogar com Haydn

A violoncelista Sol Gabetta traz repertório com os dois compositores

João Luiz Sampaio – O Estado de S.Paulo


Autenticidade.
Violoncelista, de 29 anos, celebra a liberdade de tocar aquilo que gosta

“Eu preciso ser autêntica, desenvolver uma relação especial com o que faço. Se não consigo isso, simplesmente não funciona, sou incapaz de me comunicar com o público.” Com esse credo, a violoncelista argentina Sol Gabetta, de 29 anos, tem construído uma carreira de destaque mundo afora, nos palcos e nos estúdios – e chega hoje a São Paulo, onde faz duas apresentações na Sala São Paulo, como parte da temporada da Sociedade de Cultura Artística.

Sol conversou por telefone com o Estado na semana passada, já durante a turnê com a Orquestra de Câmara de Basel, com quem se apresenta por aqui. Vai interpretar os concertos de Leopold Hofmann e Haydn. Se a peça de Haydn, ela lembra, é um dos pilares do repertório para o instrumento, o concerto de Hoffman é raramente ouvido. “É uma pena”, diz Sol. “E acho particularmente interessante ouvi-lo ao lado do célebre concerto de Haydn. O que acontece é que, de alguma forma, eles dialogam. E não apenas pelo fato dos dois terem vivido na mesma época. Hofmann trabalha de maneira diferente com o instrumento, já buscando um novo tipo de expressividade. É como se flagrássemos o violoncelo se transformando.”

Sol Gabetta nasceu em Córdoba, em 1981. Com pouco mais de 10 anos, mudou-se para a Espanha, onde estudou na Escola Superior de Música Rainha Sofia, em Madri. De lá, foi para a Suíça, estudar na Academia de Música de Basel com Ivan Monighetti. Lá também conheceu o brasileiro Antonio Meneses, com quem fez masterclasses. Curiosamente, há um ou outro ponto de contato entre a trajetória dos dois – como Meneses décadas antes, Sol venceria o prestigiado Concurso Tchaikovsky de Moscou, na edição de 2004. Logo em seguida, com o maestro Valery Gergiev, faria sua estreia com a Filarmônica de Viena. Não parou desde então.

“Diálogos como esse dão à música um caráter vivo”, diz ela, retornando ao programa dos concertos. “E são mais importantes do que a preocupação com a especialização. É claro que aprendemos muito com os movimentos de pesquisa histórica, mas eles não podem ser camisas de força, o importante é o artista encontrar a sua maneira de passar a mensagem da música. E isso passa pela escolha do repertório, as combinações que você faz e a necessidade da busca por liberdade individual, sem se preocupar muito com o que dizem os outros.”

Prêmios. Sua discografia parece prova disso. Seu primeiro CD, por exemplo, reunia peças de Tchaikovsky, Saint-Saens e Ginastera. Em seguida, um álbum todo dedicado a peças para violoncelo de Vivaldi, que lhe rendeu prêmios internacionais – o que aconteceria também com seu disco dedicado a Shostakovich, com o Concerto n.º 2 e a Sonata Op. 40, duas peças fundamentais em sua trajetória. Parada preciosa é Cantabile, em que ela recria árias de óperas e canções. As peças de Hofmann e Haydn ela gravaria em seguida, com a Orquestra de Câmara de Basel, ao lado de peças de Mozart. O CD mais recente traz a sua interpretação para o célebre Concerto para Violoncelo e Orquestra do inglês Edward Elgar. “Acredito que de alguma maneira a minha personalidade foi transformada por meio da música, de uma maneira positiva. Com a música, aprendi a necessidade de se libertar daquilo que os outros esperam de você, o que consideram ser o melhor caminho a seguir. Eu hoje me sinto bem comigo mesma, assumo as minhas escolhas, o que eu faço, e tenho prazer em compartilhar com as pessoas. E isso tem me gerado uma sensação encantadora de liberdade”, diz.


Sol Gabetta – Allegro molto (Haydn Konzert für violoncello und Orchester)

QUEM É SOL GABETTA

VIOLONCELISTA ARGENTINA

CV: De ascendência franco-russa, Sol Gabetta é natural de Córdoba, Argentina, onde nasceu em 1981. Fez estudos na Espanha (Escola Superior de Música Rainha Sofia, em Madri) e Suíça (Academia de Música de Basel, com os professores Ivan Monighetti e David Geringas). Seu último disco, lançado pela RCA, é dedicado ao Concerto para Violoncelo e Orquestra do compositor inglês Edward Elgar. /J.L.S.


Sol Gabetta (cello) – Dolcissimo & Fortissimo from “The Book” de Peteris Vasks

31/05/2010 - 12:31h Comunidade internacional condena ataque israelense à frota humanitária

Reação internacional vê ataque como desproporcional e exige respostas de Israel

estadão.com.br

ISTAMBUL – O ataque de Israel a uma frota que levava ajuda humanitária a Gaza e que deixou ao menos 10 mortos causou reações de condenação na comunidade internacional, principalmente nos países de origem árabe e nações predominantemente islâmicas. Governos convocaram diplomatas israelenses em seus territórios e pediram que o caso fosse levado ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Turquia, país predominantemente islâmico com boas relações com Israel, pediu que sejam “punidos” os culpados pelo ataque israelense. O presidente da Turquia, Abdullah Gül, por meio de comunicado divulgado no site da Presidência da República, afirmou que o Governo turco fará todo o necessário para preservar os direitos e interesses dos cidadãos turcos que viajavam na frota atacada.

Além disso, o comunicado diz que Ancara se reserva o direito de pedir todas as investigações necessárias e a punição aos responsáveis pelo ataque. “Condeno o uso da força por parte das forças militares de Israel contra o comboio com ajuda humanitária a Gaza, no qual viajavam membros de organizações da sociedade civil de 32 nacionalidades”, disse o chefe do Estado turco.

“Com seu comportamento, Israel prejudicou seriamente a consciência pública internacional”, acrescentou. Segundo o comunicado, Israel põe em sério risco o processo de paz recém retomado com os representantes palestinos. “Espero que o bloqueio desumano (a Gaza) seja suspenso”, manifestou.

O líder turco pediu àqueles com “bom senso” dentro do Estado e na política israelenses que digam “basta” às ações como a ocorrida nesta segunda. Por outro lado, Gul fez um apelo aos cidadãos turcos para que ajam de forma solidária e se comportem com “bom senso” nos protestos.

Ancara também convocou seu embaixador em Israel para consultas em protesto ao ataque israelense. O governo também pediu a convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto.

O vice-primeiro-ministro turco, Bülent Arinç, disse também que a Turquia suspendeu seus exercícios militares conjuntos com Israel, país com o qual havia criado uma forte relação econômica e militar. O vice-premiê também anunciou que pedirá à Organização da Conferência Islâmica, à União Europeia e à Liga Árabe que se reúnam para avaliar os fatos em caráter de urgência.

A Síria apoiou o pedido da reunião da Liga Árabe. “A representação síria na Liga Árabe publicou um comunicado formal pedindo uma reunião do grupo”, informou a agência oficial da Síria. Junto do Líbano, o país emitiu um comunicado condenando “o selvagem ataque israelense contra civis” logo após uma reunião entre os presidente sírio, Bashir Al-Assad, e do premiê libanês, Saad al-Hariri.

O ministro de Defesa do Irã fez um apelo aos países do mundo para que cortem todas as relações com Israel. “O mínimo que a comunidade internacional deveria fazer com relação ao horrível crime cometido pelo regime sionista é boicotá-lo totalmente e cortar todas as relações diplomáticas, econômicas e políticas com o regime sionista”, disse Ahmad Vahidi, segundo a agência semi-oficial de notícias ILNA.

Já o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, considerou o ataque como um “ato desumano do regime sionista”. “Este ato contra o povo palestino e o feito de impedir que a ajuda humanitária chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de debilidade desse regime. Tudo isso mostra que o fim deste regime sinistro está mais próximo que nunca”, disse.

ONU

Por sua vez, o ministro de Assuntos Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, irá a Nova York para pedir a convocação do Conselho de Segurança da ONU, do qual a Turquia pertence como membro rotativo. “Este incidente ressalta mais uma vez a temeridade de Israel. É uma mancha negra na história da humanidade”, disse Arinç.

O pedido da realização de uma reunião na ONU foi respaldado pelo governo do Líbano, que preside durante este mês o Conselho de Segurança da ONU, ao qual pertence como membro rotativo para o biênio 2010-2011.

As fontes disseram que o pedido de convocar esse órgão foi feita diretamente pelo primeiro-ministro libanês. Segundo as mesmas fontes, o representante do Líbano na ONU está coordenando ações com autoridades turcas nas Nações Unidas, a fim de definir uma resposta ao ataque.

Diplomatas

Egito e Jordânia também convocaram diplomatas israelenses para esclarecer as causas do ataque, informaram fontes oficiais dos dois países, os únicos dois de origem árabe que mantém relações diplomáticas com Israel. Em Cairo, foi convocado o embaixador, enquanto em Amã foi chamado o encarregado de negócios.

Em comunicado oficial, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, condenou “o uso exagerado e sem motivos de força por parte de Israel e as vítimas inocentes que a ação causou”. A mensagem presidencial expressa a solidariedade egípcia “com o povo de Gaza” e indica que “a reconciliação palestina é o único caminho para retirar o bloqueio e colocar fim ao sofrimento dos cidadãos de Gaza”. O Egito era um dos mediadores das negociações de paz entre israelenses e palestinos.

Já o ministro de Informação da Jordânia, Nabil Sharif, disse que o ataque “violou todos os princípios humanitários e as leis internacionais, porque nada justifica o uso da força contra a expedição humanitária. Ele ainda confirmou que a Jordânia participará da reunião urgente convocada pela Liga Árabe para tratar do tema.

EUA

Os EUA emitiram nenhuma palavra repreendendo Israel, país do qual são parceiros, mas mostraram-se solidários às vítimas. “Os EUA realmente sentem pela perda de vidas e pelos ferimentos causados, e está atualmente trabalhando para entender as circunstâncias que rodeiam essa tragédia”, disse o porta-voz da Casa Branca Willian Burton.

O presidente Barack Obama estava em Chicago para o feriado do Memorial Day. Ele havia combinado de encontrar o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente palestino Mahmoud Abbas na Casa Branca na terça-feira, mas o encontro agora é incerto já que Netanyahu pode voltar para Israel para lidar com a crise.

Europa

O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, condenou o ataque israelense à missão humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza, deixando pelo menos 19 mortos, segundo a televisão israelense.

Para Kouchner, “nada” justifica o uso de tal violência.

Após declarar-se “profundamente” horrorizado pelas trágicas consequências da operação militar israelense contra a “Frota da Liberdade”, o chefe da diplomacia francesa expressou condolências às famílias e amigos das vítimas. “Não entendemos o balanço humano, ainda provisório, dessa operação contra uma iniciativa humanitária conhecida há vários dias”, acrescentou.

Kouchner pediu que sejam esclarecidas as circunstâncias deste drama e se mostrou favorável à abertura “sem demora” de uma investigação detalhada sobre o assunto. “Tomaremos todas as medidas necessárias para evitar que esta tragédia provoque novas escaladas de violência” na região, concluiu.

A Alemanha considera o ataque israelense como sendo “a primeira vista”, de caráter “desproporcional”, afirmou Ulrich Wilhelm, porta-voz do governo alemão, que raramente dirige críticas à Israel. “Os governos alemães sempre reconheceram o direito de Israel a defender-se, mas esse direito deve dar-se em marco de uma resposta proporcional”, disse Wilhelm em uma conferência de imprensa.

O ministro britânico das Relações Exteriores, Willian Hague, deplorou a perda de vidas humanas no ataque israelense contra a frota e pediu a Israel que atue com “moderação”. “Também urgiu ao Estado hebraico a pôr fim às inaceitáveis e contraproducentes” restrições importas às ajudas que se ao território palestino.

“Deploro as perdas de vidas humanas durante a operação contra a frota que se dirigia a Gaza”, afirmou Hague em um comunicado. “Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais”, assinalou.

União Européia

O Parlamento Europeu fez coro às reações da França e da Alemanha e condenou o ataque. A Espanha ainda aguarda informações sobre espanhóis que se encontravam na embarcação no momento do ataque.

A União Europeia realizará uma reunião de embaixadores para estabelecer uma resposta comum ao ataque. Os embaixadores do Comitê Político e de Segurança da UE (Cops) se reunirão nesta tarde em Bruxelas (às 10h de Brasília) para avaliar os eventos e aprovar uma reação em nome dos 27 países-membros da organização.

Em comunicado, a alta representante de Política Externa da UE, Catherine Ashton, pediu às autoridades israelenses uma “investigação completa” sobre o ataque e manifestou sua rejeição a qualquer ato de violência. Além disso, a responsável da política externa comunitária deplorou o “excessivo uso da força” e reivindicou que Israel suspenda o bloqueio que mantém sobre Gaza, que é “inaceitável” e “contraproducente”.

Já o presidente do Parlamento Europeu (PE), Jerzy Buzek, advertiu hoje que o ataque israelense representa uma “violação clara e inaceitável da legalidade internacional” e pediu a Israel que dê

explicações imediatamente e realize investigações. Este é um ataque injustificado”, assinalou Buzek em comunicado.

Mais reações

A Alta comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Navi Pillay, juntamente com o secretário geral da organização, se mostram comovidos por causa do ataque israelense. Ela disse estar “comovida” com as informações do ataque, que provocou “mortos e feridos”.

Navi, além disso, destacou seu “profunda preocupação” com as ordens militares recentemente impostas em Israel em relação a Gaza. “Na Faixa de Gaza, o bloqueio continua menosprezando diariamente os direitos humanos de seus cidadãos. Houve muitos poucos avanços na quantidade de produtos que se permite entrar na região. A situação atual está longe de permitir que os cidadãos de Gaza levem uma vida normal e digna”, acrescentou a Alta comissária.

O Vaticano expressou sua “grande preocupação” e “dor” pelo ataque israelense. “Se trata de um acontecimento muito doloroso, em particular pela perda inútil de vidas humanas. A situação é seguida pela Vaticano com grande “apreensão e preocupação”, afirmou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.



31/05/2010 - 11:53h Dilma promete mais financiamento habitacional a pequeno produtor

Chapecó - SC por dilmarousseff.

Júlia Pitthan, de Chapecó (SC) – VALOR

Um pavilhão lotado com 6 mil agricultores, churrasco e pedidos de melhoria na liberação de crédito para a habitação rural marcaram a recepção da pré-candidata à Presidência da República do, Dilma Rousseff, em Chapecó, no oeste catarinense. Durante o Encontro Nacional de Habitação da Agricultura Familiar, promovido pela Cooperativa dos Agricultores Familiares dos Três Estados do Sul, Dilma se comprometeu a criar um setor para tratar da habitação rural. “Defendo a criação dentro da Caixa [Econômica Federal], na gerência nacional de habitação de interesse social, de uma área especifica para tratar da habitação da agricultura familiar”, afirmou.

O compromisso atendeu aos pedidos do presidente da Cooperativa de Habitação dos Agricultores Familiares (Cooperhaf), Celso Ricardo Ludwig. “Conquistamos uma política de financiamento para a habitação rural, mas queremos avançar mais”, disse Ludwig. Desde dezembro passado, o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) financiou 778 moradias pela Caixa Econômica Federal, com subsídios que somam aproximadamente R$ 9,1 milhões.

Ao todo, o programa prevê R$ 500 milhões para a construção de moradias. Entre as melhorias sugeridas pelos trabalhadores, foi apresentada à candidata a inclusão de uma linha específica para reforma de residências. “Eu sei que a agricultura familiar é responsável por 40% de toda riqueza que se produz no campo, sei que oito em cada dez tratores estão na agricultura familiar. Ela está mudando e está se tornando uma agricultura com mais técnica e mais profissionalização”, afirmou Dilma Rousseff aos agricultores.

Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), das 7,2 mil cooperativas no Brasil, 1,6 mil reúnem associados do ramo agroindustrial. A OCB calcula que, no ano passado, as cooperativas tenham gerado 274 mil empregos diretos, reunido 8,2 milhões de associados e movimentado o equivalente a 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, o financiamento da produção e da mecanização das propriedades rurais subiu de R$ 4,5 bilhões na safra 2002/2003 para R$ 15 bilhões na safra 2009/2010. Os recursos foram liberados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que financia agricultores familiares e assentados da reforma agrária. O crédito é destinado ao custeio da safra, à atividade agroindustrial e ao investimento em máquinas, equipamentos e infraestrutura de produção.

A política de ampliação dos recursos para o meio rural, somado ao ambiente de camaradagem política garantiu passagem tranquila à candidata na segunda visita à Santa Catarina desde o lançamento de sua pré-candidatura. O oeste do Estado é reduto do PT. Das seis cadeiras ocupadas pelo partido nas 40 da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), três são de parlamentares com base na região. Pedro Uczai, ex-prefeito de Chapecó, Dirceu Dresch, ex-prefeito de Saudades, e Padre Pedro Baldissera, ex-prefeito de Itapiranga. Na bancada da Câmara de Deputados, o PT tem três vagas ? Claudio Vignatti representa a região.

Apesar do clima de lua-de-mel da agricultura familiar do Sul com o governo federal; no Nordeste, representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Pernambuco (Fetraf-PE) reivindicam um delegado especial para acompanhar as investigações sobre a morte do trabalhador Zito José Gomes, assassinado na quarta-feira, no município de Pombos, no Agreste pernambucano. O agricultor era dirigente sindical e um dos líderes de um acampamento para desapropriar terras ocupadas por uma usina de cana-de-açúcar desativada. A Fentraf pernambucana vai aguardar 15 dias até que a investigação se encaminhe, mas informou que pretende tomar medidas para que o crime não fique impune.

Chapecó - SC por dilmarousseff.

Chapecó-SC. Abertura do Encontro de Habitação da Agricultura Familiar. Fotos: Roberto Stuckert Filho.

31/05/2010 - 11:34h ‘Com reformas, Brasil poderia crescer 7% por uma década’

http://diskrepans.files.wordpress.com/2009/02/nouriel_roubini.jpg

Entrevista com Nouriel Roubini, economista e professor.

Economista que previu a crise financeira mundial diz que ‘teto’ da expansão nacional está atualmente entre 4% e 5% ao ano


Fernando Scheller – O Estado de S.Paulo

Após ganhar fama por prever a crise financeira mundial, o economista Nouriel Roubini agora lança um livro sobre as turbulências globais periódicas do capitalismo – A Economia das Crises, com o historiador Stephen Mihm – e afirma que os países em desenvolvimento terão “expansão diferenciada” nos próximos anos. Ele diz, porém, que o Brasil precisa de mudanças estruturais para crescer mais de 5% ao ano. “Com reformas, o Brasil poderia crescer 7% por uma década.” Em entrevista ao Estado, Roubini falou dos perigos da dívida de países europeus – avisando que a Grécia é só a “ponta do iceberg” – e sobre as dificuldades dos governos para fazer as reformas necessárias para evitar que a crise de 2008 e 2009 se repita.

No seu livro, o sr. fala em uma recuperação contínua para a economia. O “Dr. Catástrofe” está mais otimista?

Tento ser realista. A visão mais otimista é a de uma recuperação em “U”. Mas me preocupa a situação na Europa. A previsão atual para o crescimento da zona do euro este ano está em 0,8% e pode chegar perto de zero. Com isso, pode-se dizer que existe o risco de uma dupla crise na Europa. Haverá uma recuperação mais anêmica nos EUA, na Europa e no Japão e uma expansão mais forte nos países em desenvolvimento.

Vamos passar da crise dos bancos para a crise das dívidas?

A crise global começou com muita alavancagem no setor privado. O problema foi para o setor público, com déficits orçamentários de 10% do PIB e dívida pública acima de 100% do PIB nas economias avançadas. Isso aconteceu por causa do gasto dos governos para evitar que a recessão se tornasse uma depressão. Os problemas na Grécia são a ponta do iceberg. Já se espalham por Espanha e Portugal e podem afetar Japão, Reino Unido e os EUA.

O papel dos governos na economia mudou após a crise?

A crise mostrou que a economia de mercado é a melhor solução, mas que a regulação também é necessária. A função da intervenção do governo foi reconhecida, mas é preciso que ele não se envolva demais, que tenha um papel prudencial. Acreditar em regulação privada é o mesmo que acreditar que o sistema não precisa de regulação alguma. Durante a crise, os bancos se tornaram mais avessos ao risco, mas agora estão de volta ao velho jeito de negociar, não aprenderam a lição.

Mas há poder político para fazer as reformas necessárias?

É preciso acelerar as reformas estruturais na Europa e mudar a regulação do sistema financeiro. A questão é se os governos vão conseguir fazer isso. Até agora, mais se falou sobre o que é necessário fazer do que se tomou medidas reais.

Na contramão do cenário externo, no Brasil fala-se em crescimento excessivo. Por quê?

O Brasil está crescendo mais de 7%, mas isso não se sustenta, pois está acima da capacidade do País. É pontual: as commodities estão em alta e há entrada de capital. Com reformas, o Brasil poderia crescer 7% por uma década. É preciso aumentar a produtividade, com reformas econômicas, investimento em capital humano e físico e em inovação. Sem isso, o Brasil não cresce 7% (ao ano). Hoje, o potencial está entre 4% e 5%.

Um artigo defendendo a ditadura no Brasil foi publicado no RGE (Roubini Global Economics). Como isso ocorreu?

Somos abertos a diferentes pontos de vista, mas não queremos publicar nada extremado. Esse texto em particular pregava algo errado, e nós nos desculpamos por tê-lo publicado. Por isso, depois foi retirado do ar.

31/05/2010 - 11:09h Brasil tem 2º maior crescimento global

PIB do País no 1º trimestre deve registrar aumento anualizado superior ao da China, ficando atrás apenas da Índia entre as maiores economias

Leandro Modé – O Estado de S.Paulo

O Brasil deve ocupar o segundo lugar no ranking das maiores taxas de crescimento do mundo no primeiro trimestre, à frente até mesmo da China. O dado oficial só será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira da semana que vem, mas, levando-se em conta as projeções do mercado financeiro, já é possível cravar que o País será um dos líderes em expansão no período.

O Itaú Unibanco, por exemplo, estima uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o quarto trimestre do ano passado. É uma das projeções mais elevadas de todo o mercado. Em um cálculo anualizado ? ou seja, assumindo que o ritmo se manteria pelo resto do ano ?, seria o equivalente a crescer 12,6% em 2010.

Para ter uma ideia, a China se expandiu a um ritmo anual de 11,2% entre janeiro e março. O líder do ranking deve ser a Índia, que avançou a uma taxa anual de 13,4%. Os Estados Unidos, que ainda lutam para se recuperar da forte crise que atingiu o país em 2008, cresceram 3%.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, observa que há risco de a expansão brasileira no trimestre ser ainda mais forte. O departamento econômico da instituição calcula a alta do PIB mensalmente. Considerando os resultados de janeiro, fevereiro e março nesse levantamento, o crescimento no trimestre seria de 3,6%. Ele admite que os próprios analistas se surpreenderam com o número. Por isso, preferiram optar por uma estimativa mais conservadora.

Recuo. Independentemente da posição do Brasil nesse hipotético ranking global, o fato é que a expansão no trimestre foi bastante superior ao que praticamente todos os analistas esperavam. Por isso, sem uma única exceção, eles projetam uma desaceleração daqui para a frente.

O próprio Itaú acredita que o ritmo de crescimento do PIB vai cair da faixa de 12% para algo como 4% ou 5% no último trimestre do ano. É essa freada que explica a projeção de alta para 2010 inteiro, hoje em 7,5%.

Os especialistas argumentam que, nesse cenário, a expressiva desaceleração é bem-vinda. O Brasil, dizem, não consegue crescer a uma taxa superior a 4% ou 5% de forma sustentável ? ou seja, sem uma alta da inflação para um nível acima da meta estabelecida pelo governo e/ou sem abrir um rombo nas contas externas.

“O risco de acelerar demais é sair da estrada e ser obrigado a voltar para trás para retomar a rota”, diz o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. Por isso, avalia, o Banco Central (BC) acertou ao iniciar no mês passado o ciclo de elevações da taxa básica de juros (a chamada Selic subiu de 8,75% para 9,50% ao ano).

Se o BC demorasse para agir, diz Rosa, seria obrigado a retrair a economia de uma forma mais intensa, o que poderia causar até mesmo retração do PIB em algum trimestre.

Ritmo de expansão deve desacelerar

Para economistas, País chegará até dezembro com taxa anualizada de crescimento de 4% ou 5%; recuo, porém, é considerado benéfico

Leandro Modé – O Estado de S.Paulo

A economia brasileira sofrerá ao longo do ano uma desaceleração relativamente brusca. Afinal, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha saído de uma expansão ao redor de 12% no primeiro trimestre (em termos anualizados) para algo entre 4% e 5% no quarto trimestre. Economistas explicam que, apesar da freada substancial, o brasileiro não sentirá efeitos ruins no dia a dia.

“Essa acomodação é positiva porque levará o País a crescer mais devagar e de forma mais sustentável”, afirma a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif. “A economia continuará indo para a frente, mas em ritmo mais lento. É um crescimento mais equilibrado”, diz, por sua vez, o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa.

Para André Loes, economista-chefe do HSBC, o maior problema para o País sustentar um crescimento mais elevado é a falta de investimentos. “O País não adiciona capacidade produtiva em uma velocidade suficiente para evitar um descompasso entre a oferta e a demanda”, explica.

Alta de preços. Um dos efeitos mais imediatos desse quadro é a inflação. Nos últimos meses, os índices de preços já vêm apresentando alta, fruto, em grande medida, da pressão de demanda. A expectativa do mercado é de que o índice oficial de inflação brasileiro (IPCA) supere substancialmente a meta de 4,5% neste ano. Muitas empresas estão aproveitando o bom momento da economia para elevar seus preços e, consequentemente, suas margens de lucro.

Segundo o mais recente boletim Focus, síntese de uma pesquisa feita pelo Banco Central com instituições financeiras e consultorias, a expectativa é de que o IPCA termine 2010 em 5,67%. A meta de 4,5%, porém, tem uma tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima.

Além da ação mais restritiva do BC na condução da taxa de juros, os analistas lembram que o governo retirou a maior parte dos estímulos adotados durante o auge da crise para evitar uma queda ainda mais profunda da economia.

“Parte do forte crescimento do primeiro trimestre foi efeito da antecipação de consumo. As pessoas sabiam que a redução de impostos ia acabar e foram às compras”, diz a economista Thaís Zara, da Rosenberg & Associados.

Também se espera que a acomodação do ritmo de crescimento da economia leve a uma desaceleração das importações, o que, por sua vez, tende a reduzir o déficit do Brasil com o exterior. Em abril, o País registrou o maior rombo na conta corrente da história para este mês do ano, de US$ 4,6 bilhões.

Emprego. O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, observa que um dos impactos dessa desaceleração também se dará no emprego. Segundo ele, diferentemente do que ocorre hoje, uma alta do PIB entre 4% e 5% é capaz de absorver a mão de obra que ingressa no mercado de trabalho, mas não os desempregados que estão inativos há muito tempo. “Atualmente, as empresas estão contratando pessoas que estão paradas há bastante tempo”, afirma.

Thaís Zara, da Rosenberg & Associados, acredita que, no fim do ano, as pessoas provavelmente sentirão mais dificuldades para tomar dinheiro emprestado. Isso deve se refletir diretamente nos níveis de consumo. “É a partir desse momento que vai ficar mais claro o aperto da política monetária promovido pelo Banco Central”, afirma a economista.


31/05/2010 - 10:41h Indústria indica desaceleração no 2º tri, como previsto

Conjuntura: Resultado de abril, a ser divulgado amanhã, deve mostrar queda da produção em relação a março

Sergio Lamucci, de São Paulo – VALOR

Depois do forte crescimento dos três primeiros meses do ano, a produção industrial de abril, a ser divulgada amanhã, deve mostrar recuo em relação a março, confirmando a desaceleração da economia no segundo trimestre. Indicadores como a fabricação de automóveis, o fluxo de veículos pesados e as vendas de papelão ondulado caíram em abril na comparação com o mês anterior, levando os analistas a projetar quedas da indústria que variam de 0,3% a 1,8%, feito o ajuste sazonal. O provável resultado negativo, porém, não compromete as perspectivas positivas para a produção industrial e o Produto Interno Bruto (PIB) em 2010.

O Santander estima para abril contração de 1,5% da indústria sobre o mês anterior, mas mantém a projeção de alta de 13,6% para o ano. Depois da expansão acelerada no primeiro trimestre – em especial em março, quando subiu 2,8% sobre fevereiro -, um recuo do produto industrial era esperado. Em relatório, a economista Luiza Rodrigues, do Santander, observa que, mesmo se confirmada a queda de 1,5% sobre o mês anterior, haverá alta significativa ante abril de 2009, de 15,9% (em março, a expansão foi ainda mais forte, de 19,7% nessa base de comparação).

Em abril, a produção de veículos recuou 5,8% em relação ao mês anterior, segundo o ajuste sazonal da LCA Consultores. A questão é que a indústria automobilística funcionou a todo vapor em março, último mês de vigência da alíquota reduzida do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros flex. Com isso, formaram-se estoques elevados, que levaram a uma fabricação menor no mês seguinte.

“A contração estimada para a indústria em abril é, em grande parte, resultado do impacto da retração na produção de veículos no mês”, diz o economista-chefe do Safra Banco de Investimento, Cristiano Oliveira, que espera um recuo de 1,8%. Segundo ele, também pesa o fato de que abril teve 20 dias úteis, três a menos em relação a março.

O economista Fernando Rocha, da JGP Gestão de Recursos, ressalta que, além da produção de automóveis, outros indicadores importantes “vieram fracos”, como o fluxo de veículos pesados e as vendas de papelão ondulado. Ele estima recuo da indústria de 1% em relação a março, considerando possível nova queda em maio, com base no recuo do licenciamento de veículos na primeira quinzena do mês e nas informações de retração nas vendas de eletrodomésticos.

A desaceleração no segundo trimestre é esperada pela maior parte dos analistas, mesmo pelos que projetam um crescimento do PIB, em 2010, de 7% ou mais. As vendas no varejo também devem perder fôlego, depois de terem crescido muito de janeiro a março, em parte por causa da antecipação de consumo provocada pelo IPI reduzido para bens duráveis.

Há estimativas, como a do Itaú Unibanco, de que o PIB do primeiro trimestre cresceu 3% sobre o trimestre anterior, o que equivale a mais de 12% em termos anualizados. Para o PIB fechar 2010 em 7,5%, como projeta o banco, o crescimento trimestral terá que cair para a casa de 1%. Além da antecipação do consumo, a alta dos juros e a retirada dos estímulos fiscais tendem a segurar a atividade, que pode ser prejudicada em alguma medida pela crise na Europa. Mas o mercado de trabalho aquecido e a recuperação do investimento jogam a favor da continuidade de um ritmo forte da economia.

31/05/2010 - 10:19h Pipas para inglês ver

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Aulas para ensinar brincadeira a turista

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As favelas do Rio estão cheias de exímios soltadores de pipa, e alguns deles estão aprendendo a passar sua sabedoria a turistas.

Graças ao projeto Pipa na Laje, crianças do Morro do Cantagalo, em Ipanema, vêm aprendendo inglês com o objetivo de ensinar a brincadeira a estrangeiros na cidade. Segundo Daniel Plá, organizador da atividade, 25 visitantes, entre australianos, americanos e franceses, já tiveram aulas na comunidade. Ontem, o projeto aconteceu, pela primeira vez, no Morro Dona Marta, em Botafogo.

— Levamos crianças do Cantagalo para o Dona Marta e tivemos uma aula muito proveitosa, com 15 alunos, na laje do Michael Jackson (onde o cantor gravou um vídeo em 1998). Só não conseguimos encontrar turistas, por causa da baixa temporada — disse Daniel. — As crianças aprendem frases como “Pull the line” (puxe a linha), “It’s raining, we have to stop” (está chovendo, temos que parar) e “Look at the direction of the wind” (veja em que direção está o vento).

Dessa maneira, elas aprendem uma forma de ganhar dinheiro com o turismo. No Cantagalo, os estrangeiros amaram

Fonte O GLOBO

31/05/2010 - 10:00h UPPS: UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU EM 2008

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Instalada em dezembro de 2008 no Morro Dona Marta, em Botafogo, a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) deu início a uma nova política de segurança, que já se consolidou. O projeto foi concebido para que o poder público retomasse o território dominado por quadrilhas de traficantes ou milicianos.

Depois da favela de Botafogo, as UPPs foram instaladas em outras seis favelas da Zona Sul (Babilônia, Chapéu Mangueira, PavãoPavãozinho, Cantagalo, Tabajaras e Cabritos), além da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, do Jardim Batam, em Realengo, e do Morro da Providência, no Centro.

No dia 7 de junho, será a vez de sete comunidades da Tijuca, que há mais de um mês estão ocupadas pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope): Borel, Casa Branca, Formiga, Indiana, Catrambi, Morro do Cruz e Chácara do Céu. A sede da nova unidade ficará no Morro do Borel e haverá um posto avançado no Morro da Formiga. Até o final deste ano, outras duas comunidades da chamada Grande Tijuca vão ganhar UPPs: Salgueiro e Macacos.

A Secretaria de Segurança quer chegar a 2014, quando o Rio sediará um dos grupos da Copa do Mundo, com 40 UPPs instaladas.

31/05/2010 - 09:28h Borel e Casa Branca agora disputam só bola no campo

Moradores de comunidades da Tijuca participaram ontem do Primeiro Torneio de Futebol da Pacificação


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Isabel Boechat* – O GLOBO

O Morro do Borel e o Morro da Casa Branca voltaram a se enfrentar na tarde de ontem. A frase, que antes poderia remeter a mais um capítulo da guerra entre facções rivais na Tijuca, se refere, na verdade, ao Primeiro Torneio de Futebol da Pacificação, realizado no campo de terra batida do Morro da Chácara do Céu. Times masculinos e femininos da anfitriã e outros formados por moradores dos morros do Cruz e da Formiga completaram a programação do torneio.

As comunidades estão na área de abrangência da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Borel, que tem inauguração prevista para o próximo dia 7 de junho.

O torneio contou com torcedores ilustres, como o jogador Ibson, ex-volante do Flamengo, e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que entregou o primeiro troféu ao time feminino da Chácara do Céu.

— É, principalmente, um sonho realizado. Porque aqui é um dos locais sobre os quais ouvi, segundo o Bope (o Batalhão de Operações Especiais), os relatos mais tristes, relatos que agora também escutei dos próprios moradores.

Conseguir inverter esse quadro é muito bom — afirmou o secretário de Segurança, que esteve no campo da Chácara do Céu pela primeira vez ontem, acompanhado da mulher Rita de Cássia e do filho Francisco. — Agora temos um espaço de lazer que passa segurança, confiança e tranquilidade.

É possível compartilhar este momento de distração com a família.

Morador do Borel, J., de 54 anos, que preferiu não se identificar, contou que há dez anos não via seu sobrinho, morador da Casa Branca.

— Agora tudo mudou. Circulo por onde eu quero. Nunca fui bandido, mas não queria me arriscar indo a outra área — disse J., ao lado de policiais do Bope, que ontem substituíram a farda e o fuzil por bermudas e o apito do torneio

31/05/2010 - 09:05h Tudo junto, misturado

Escolas têm estratégias para evitar a influência de traficantes e milicianos, e agora convivem com a realidade das UPPs

Ruben Berta e Sérgio Ramalho – O GLOBO

Tia, toma cuidado porque o meu pai é “bondido” — disse uma criança de 6 anos à diretora de uma escola no Complexo da Maré.

A resposta dela foi à altura: — “Bondido”? O que é isso, menino? Ah, sim… Seu pai é motorista de bonde…

A história é apenas mais um exemplo de como educar em áreas de risco está longe de ser uma ciência exata: a convivência com o fantasma do poder paralelo do tráfico ou o da milícia, além da chegada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), é o tema da segunda reportagem da série “O X da questão: rascunhos do futuro”. Ontem, O GLOBO mostrou um levantamento com 726 crianças, feito em dez escolas, que revela que os tiros e os bandidos são os principais vilões de alunos da rede municipal que moram em favelas.

Na queda de braço entre educação e criminalidade, é comum que professores e, principalmente, diretores de escolas em áreas de risco atuem como mediadores de conflitos. Nessas regiões, a simples discordância de um pai sobre um castigo recebido pelo filho pode representar um risco ao educador. Foi o que aconteceu numa escola que funciona numa das comunidades mais violentas da Zona Norte do Rio. Após repreender um aluno, de 9 anos, impedido de ir para o recreio com os demais colegas, a jovem professora não imaginou que a medida a levaria a ser confrontada por um dos “gerentes” do tráfico local. O menino, que passou a aula fazendo bagunça e ameaçando a educadora, era filho de bandido.

No dia seguinte, ele foi à porta da escola, acompanhando o garoto, para exigir explicações sobre o castigo.

O pai criminoso não chegou a exibir a arma, mantida na cintura encoberta parcialmente pela camisa larga. Assustada, a professora recorreu à diretora, que após duas horas de conversa conseguiu convencê-lo de que o filho estava errado. Para não perder a pose, o pai se voltou contra o garoto, que escapou de levar uma surra na frente dos outros alunos. Novamente por intervenção da diretora.

Tráfico usou terreno de escola como trincheira

Há casos, porém, em que uma conversa não basta para evitar que um simples problema de indisciplina vire um caso de polícia.

Na escola da Zona Norte, onde as balas perdidas assombram as crianças, conforme O GLOBO revelou ontem, a diretora foi obrigada a procurar o chefe de uma das facções em guerra para pedir que o terreno do colégio não fosse mais usado como trincheira pelos integrantes da quadrilha.

Durante um dos confrontos, bandidos armados atravessaram o pátio da unidade, localizada numa das regiões com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Rio.

O direito de ir e vir também fica prejudicado no meio dos interesses de criminosos. Numa escola da Zona Sul, há cerca de dois meses, um veículo que levava professores foi cercado por traficantes armados quando subia a favela.

Os bandidos temiam uma invasão de uma facção rival e, como o carro tinha película escura nos vidros, todos foram obrigados a descer. O grupo teve que se explicar aos criminosos, que permitiram o acesso dos profissionais à escola, mas proibiram o uso de película escura no veículo.

Mas, apesar das pressões nas áreas dominadas pelo tráfico, diretoras de escolas contam que muitos pais ligados ao crime não gostam que seus filhos usem o parentesco com bandidos para fazer ameaças dentro do colégio. Em muitos casos, as crianças são repreendidas com veemência.

— Tive o caso de uma criança que passou a ficar muito agressiva, arredia de uma hora para outra. Descobri depois que o pai havia sido preso. Quando ele foi solto, veio para a escola acompanhar uma reunião. Era um pai como outro qualquer aqui dentro.

Prometeu que ia botar o filho na linha.

Eles não querem que o seu destino se perpetue — conta a professora de uma escola na Maré.

Com a experiência de quem atuou em áreas dominadas pelos dois lados do poder paralelo — tráfico e milícia —, a diretora de uma escola na Zona Oeste, região de atuação de milicianos, afirma que a relação com os paramilitares é mais complicada do que com os traficantes: — O miliciano gosta de ter status. Quando comecei a trabalhar na escola, eles logo vieram se apresentar, já dizendo as suas patentes. A estratégia que adoto, nessas horas, é me fingir de desentendida.

Ela conta ainda que sofreu uma pressão maior de milicianos para a realização de bailes funk na quadra da escola do que quando trabalhava em comunidades dominadas pelo tráfico, mas conseguiu resistir em ambos os casos.

Se nas escolas em áreas de tráfico e de milícia a situação é complicada, a transição para as Unidades de Polícia Pacificadora também tem suas peculiaridades. Em um colégio localizado numa favela com UPP, a presença dos policiais foi apontada como o maior problema da comunidade por 14,8% dos alunos ouvidos na enquete feita pelo GLOBO. Crianças como um menino de 10 anos cujos pés descalços e sujos contrastavam com o uniforme novo da escola. O garoto disse que os policiais sempre entram armados na sua casa.

Filho de um dos ex-chefes do tráfico de drogas na região, ele passou a atribuir à polícia a perda de poder aquisitivo da família. Situação semelhante à dos demais alunos que apontaram a PM como problema: — Essas crianças eram tratadas como herdeiras de uma espécie de império baseado no tráfico. Hoje, elas enfrentam dificuldades financeiras, muitas vêm à escola com sandálias de dedo, por não terem tênis. Com isso, passaram a enxergar a figura do policial como inimigo — avalia uma professora.

Nesse novo cenário, a resposta de um aluno de 11 anos para a questão da enquete relacionada ao que deseja ser quando crescer, revela a confusão instalada na cabeça das crianças. O menino quer ser “juiz de polícia” para soltar o pai, preso por envolvimento com o tráfico

31/05/2010 - 08:21h Regularização de favelas avança em todo o país

Habitação: Milhares de pessoas começam a ter acesso a títulos de propriedade e de uso de imóveis

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Luciana Otoni, de Brasília – VALOR

Simultaneamente à expansão do crédito para aquisição da casa própria e do boom imobiliário, um movimento silencioso, mas representativo, de regularização de favelas em fase de urbanização e de bairros e condomínios em situação de clandestinidade tem permitido que milhares de famílias de baixa renda comecem a ter acesso a títulos de propriedade e de uso de imóveis nos quais se estabeleceram ao longo de anos e pelos quais são responsáveis.

Nesse processo de transferência de titularidade de terras em áreas urbanas, essas famílias deixam para trás uma situação de incerteza jurídica e passam a deter um título transferível, que pode ser negociado no mercado imobiliário, dado em garantia para acesso a crédito e usado como moeda de troca na obtenção de financiamento.

Essas ações de regularização estão em curso em centenas de municípios. De acordo com o Ministério das Cidades, as regularizações feitas com recursos do governo federal atingem 624 grandes áreas urbanas em 143 municípios, abrangendo 277 mil famílias. Desse total de grupos familiares, 49.484 obtiveram os títulos, sendo que 25.389 já tiveram esses documentos registrados em cartório.

As iniciativas feitas sem recursos do governo federal transcorrem em 1.967 assentamentos, com 1,418 milhão de famílias, das quais 320,7 mil obtiveram os títulos de posse ou uso dos imóveis e 11.773 possuem documentos registrados em cartório. Os números não incluem a regularização no âmbito do programa de urbanização de favelas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujas obras de infraestrutura também são acompanhadas de ações de transferência de posse dos imóveis.

Entre as cidades onde essas ações conjuntas dos governos federal, estadual e municipal estão em andamento, o secretário de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, Celso Carvalho, cita favelas, bairros e condomínios de baixa renda do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia, Salvador, Recife, Manaus, Porto Velho e São Luís.

Entre as localidades constam, entre outros, as favelas do Alemão e Rocinha no Rio; Paraisópolis, em São Paulo; Vila São José, em Belo Horizonte; comunidades ribeirinhas de Manaus, e famílias que vivem da extração do açaí na Ilha de Marajó. “Às vezes, o papel do governo federal é colocar as pessoas para conversar”, diz Carvalho ao se referir à União, Estados e municípios e também o Poder Judiciário e às entidades representativas da União. Ele diz que essas iniciativas tendem a se intensificar à medida que a urbanização de favelas avançar, obras para as quais o PAC 2 prevê R$ 35 bilhões.

Essas ações estão, também, vinculadas à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), responsável pelas condições da transferência da titularidade dos terrenos da União. O secretário-adjunto do órgão, Jorge Arzabe, aponta o arcabouço legal como a pré-condição que proporcionou o início da regularização das áreas urbanas. Arzabe cita a Lei 11.481/2007, na qual foram criados os instrumentos legais para a efetiva transferência dos imóveis construídos em terras públicas.

Entre esses instrumentos constam a concessão de direito real de uso, a concessão de uso especial para fins de moradia, a doação para fins de regularização, a concessão de uso especial e o aforamento (para as situações em que o domínio de terras não pode ser transferida). As leis 11.952/2009 e 11.977/2009 também compõem esse novo marco regulatório. “Anteriormente, esses instrumentos não se aplicavam em áreas da União. Agora, isso é diferente”, salienta Jorge Arzabe.

A partir disso, a União, e também os Estados e os municípios, puderam dispor de tipos distintos de títulos para o enquadramento de diferentes realidades de ocupação de terras públicas. Todo esse procedimento é longo, dispendioso e subdividido em quatro etapas: regularização ambiental, cartorial, urbanística e cadastral. O secretário-adjunto da SPU acrescenta que anteriormente todo esse procedimento era ainda mais dispendioso, porque cada fase somente era iniciada após o término da outra. “Atualmente, temos conseguido fazer com que essas etapas corram juntas para efeito de agilização dos procedimentos.”

A regularização abrange, também, famílias que há anos ocupam prédios públicos. No ano passado, a SPU destinou R$ 17 milhões para a compra de 25 imóveis direcionados à moradia para a população com renda de até cinco salários mínimos. E neste ano há R$ 47 milhões para a aquisição de mais 42 imóveis, alguns do INSS.

31/05/2010 - 07:53h Minha Casa, Minha Vida: um balanço com avanços e dificuldades

Foto Destaque

Habitação: Planejamento deficiente afeta prazos do Minha Casa, Minha Vida em dez Estados do Norte e NE


Falta de infraestrutura atrasa projetos

Samantha Maia, de São Paulo – VALOR

A construção de 503 moradias populares do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) na “área do Osvaldinho”, terreno com ocupação irregular em Taboão da Serra, município da região metropolitana de SP, contará com verdadeiro mutirão de investidores. Além de R$ 24 milhões da construtora, o governo do Estado entrará com R$ 6,3 milhões para pavimentar as ruas e fazer o sistema de drenagem, a Sabesp investirá R$ 1,3 milhão em saneamento básico e a prefeitura, R$ 1,5 milhão para iluminação pública, trabalhos sociais e recuperação ambiental. O projeto foi encaminhado à Caixa Econômica Federal (CEF) na semana passada e aguarda aprovação.

A atuação dos governos – antecipando-se aos investimentos privados e equipando áreas com serviços públicos – tem sido fundamental para viabilizar os empreendimentos do MCMV. Onde esse trabalho não funciona bem, os projetos atrasam. Dos 13 Estados abaixo da média nacional de contratação do programa, 10 são do Norte e do Nordeste, áreas onde, além da valorização dos terrenos gerada pelo aquecimento do mercado, a ausência de infraestrutura adequada reduz as opções de investimento.

Atrás de um terreno caro, o que se encontra não é apenas uma disputa entre investidores, mas também a falta de planejamento das prefeituras para estabelecer áreas voltadas a investimentos em habitação popular. “O Minha Casa, Minha Vida está obrigando os municípios a terem um planejamento. Quando você prevê que determinada área pode ser ocupada por habitação popular, você se antecipa às necessidades”, diz Inês Magalhães, secretária de Habitação do Ministério das Cidades.

Antecipar-se às necessidades, porém, não é a prática mais comum no Brasil. O cenário geral mostra um crescimento urbano desordenado e uma precária oferta de serviços públicos. A cobertura de saneamento, por exemplo, chega a apenas 43% das casas, no caso da coleta de esgoto, e a 81%, no abastecimento de água, índices que crescem num ritmo lento e insuficiente para garantir a universalização num futuro próximo.

Segundo Roberto Senna, presidente da construtora Bairro Novo, o saneamento é um grande gargalo para o programa habitacional. “É natural que as concessionárias não tenham a mesma intensidade de investimento que o programa exige hoje.” Kazuo Nakano, urbanista do Instituto Pólis, diz que o programa exige mudança de cultura das concessionárias. “As companhias de saneamento não costumam se antecipar à demanda.”

Um dado que dá a medida da aceleração dos investimentos em habitação no país é o do volume de financiamentos da CEF, que saltou de R$ 5 bilhões em 2003 para R$ 47 bilhões em 2009. Para liberar o crédito, a instituição exige soluções para água, energia, esgotamento sanitário, vias de acesso, serviços de limpeza, serviços de correios e escolas nas proximidades para atender nova demanda a ser gerada.

Quando não é possível fazer acordo com governos e concessionárias para resolver as pendências, as empresas assumem o investimento e incorporam o novo custo ao preço da casa. O presidente da Bairro Novo, porém, diz que nos projetos para a faixa de de zero a três salários mínimos, a conta não fecha.

No caso da faixa de três a dez salários mínimos, onde não existe um teto fixado para financiamento por unidade habitacional, há espaço para adaptar custos. Foi o que fez a MRV em seu empreendimento em Valparaíso (GO), 40 km de Brasília. O plano de saneamento para atender 2 mil unidades, voltadas para o público de três a seis salários mínimos, saiu do bolso da construtora, que submeteu o projeto à aprovação da Saneago, companhia de saneamento do Estado. O gasto com a perfuração de um poço e a construção da rede coletora de esgoto representarão 1,07% do total do projeto.

“Se não fizermos esse investimento, não viabilizamos o empreendimento”, diz Rubens Menin, presidente da MRV, mas preferimos buscar terras já urbanizadas.” A empresa possui terrenos comprados para investir nos próximos três anos. Ele alerta, no entanto, que com o ritmo atual de investimentos em habitação, o estoque de terrenos urbanizados deve acabar. “Já está difícil nos grandes centros”, diz.

Na região metropolitana de São Paulo, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) doou os terrenos urbanizados que tinha para a construção de 24,5 mil unidades. “Tem que escolher terrenos já com infraestrutura, porque se precisar fazer os investimentos, o custo fica acima do teto de R$ 52 mil a unidade “, diz Lair Krahenbuhl, secretário de Habitação do Estado de São Paulo.

Segundo ele, o custo de uma estação de tratamento de esgoto compacta é de cerca de R$ 3 mil por unidade. Se houver necessidade de investimentos em rede de água, o custo pode chegar a R$ 5 mil por unidade.

Para avançar, Nordeste usa recursos públicos

Murillo Camarotto e Samantha Maia, do Recife e de São Paulo – VALOR

Na lanterninha da lista de contratações do programa Minha Casa, Minha Vida, o Nordeste tem tentado recuperar o tempo perdido por meio dos investimentos públicos. O governo de Alagoas, por exemplo, deve entrar com R$ 23 milhões em terrenos e equipamentos urbanos para viabilizar a construção de 4 mil moradias para famílias com até três salários mínimos em Maceió, já contratadas pela Caixa Econômica Federal (CEF).

Além da carência de infraestrutura, a região não era foco das construtoras. Os projetos começaram do zero. “As construtoras não estavam no Nordeste, então faltou capacidade para iniciar os investimentos rapidamente, mas a região tem grande potencial”, diz Rubens Menin, presidente da MRV.

Segundo Marco Fireman, secretário de Habitação de Alagoas, por conta da necessidade de um período de adaptação do mercado, os lançamentos devem se fortalecer apenas neste ano. “Apesar das dificuldades, Alagoas está com o ritmo acima da média nacional, por isso esperamos que em agosto a meta seja cumprida”, diz.

Em Pernambuco, a contrapartida do Estado para viabilizar o programa é a doação de terrenos próprios. O governo acertou, até o momento, a doação de dez áreas. Já os investimentos em infraestrutura somam R$ 4,6 milhões. Foram contemplados três projetos, que totalizam mais de 4 mil moradias nas cidades de Santa Cruz do Capibaribe, São Lourenço da Mata e Moreno. O Estado cumpriu até o primeiro trimestre deste ano só 21% da sua meta de contratações.

No Ceará, que amarga o penúltimo lugar no balanço do programa, com 6,5% da meta, apenas um projeto do MCMV recebeu a garantia de investimento estadual em infraestrutura. O governo local se comprometeu a dar R$ 1,2 milhão para ligar a rede estadual de água e esgoto a um conjunto habitacional do município de Caucaia, onde serão construídas 880 moradias.

O coordenador de Habitação da Secretaria das Cidades, Sérgio Barbosa, explicou que na região de Fortaleza, o governo só se responsabiliza pela ligação dos projetos localizados a, no máximo, um quilômetro da rede de água e esgoto. No interior, a distância cai para 500 metros. “Isso foi pré-acordado com as construtoras”, disse. Segundo Barbosa, foram identificados no Ceará 114 terrenos aptos a receberem projetos, com potencial para pelo menos 38 mil unidades habitacionais. No Rio Grande do Norte, o governo se comprometeu a investir R$ 2 mil por moradia construída em municípios com menos de 50 mil habitantes.

Para Fireman, de Alagoas, o formato do programa é inteligente, mas algumas exigências da CEF podem travar os investimentos. “Recentemente, fomos informados que para empreendimento com mais de 500 mil unidades acima de três salários, o Estado terá que construir escolas, creches e postos de saúde. Isso engessará o programa, porque o ritmo de investimentos do setor público não é o mesmo do privado”, diz ele.

Gilberto Occhi, superintendente da CEF de Alagoas, diz que a exigência sempre existiu e revela a preocupação da instituição com o desenvolvimento da cidade. “Essa é uma preocupação nova dos governos, porque até pouco tempo não havia investimentos desse porte em habitação popular.”

30/05/2010 - 22:00h Boa noite


Dirigido por David Lynch, a reação psicótica e emotiva de Dennis Hooper durante o acompanhamento da canção “In Dreams”

30/05/2010 - 19:27h Lábios fechados

Franz Lehár (1870 -1948)
Die lustige Witwe, Opereta
Lippen schweigen

Plácido Domingo
Ana María Martínez
Mozarteum Orchester Salzburg
Jesús López-Cobos

30/05/2010 - 18:21h Beijos noturnos

Rodney Smith




Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.



Ricardo Reis


Fonte foto-poética Regiani Morais

30/05/2010 - 15:24h Analistas já veem o País em pleno emprego

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Desemprego de 6,7%, dessazonalizado, já provoca pressões inflacionárias

Fernando Dantas – O Estado de S.Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter sido modesto quando disse na semana passada que o Brasil se aproxima do pleno emprego. Para diversos analistas, o País, na verdade, já ultrapassou a marca do “pleno emprego” na visão econômica.

Nessa definição, o termo não significa que todo mundo que procura trabalho seja bem-sucedido. Na verdade, trata-se de uma taxa de desemprego mínima a partir da qual começam a faltar trabalhadores em diversas funções, levando à alta de salários, mas também a pressões de custos, que atiçam a inflação.

Assim, se a comemoração do presidente em relação ao pleno emprego é justificada, por outro lado esse é mais um sinal de que a economia pode estar vivendo um período de superaquecimento em pleno ano eleitoral, criando riscos inflacionários.

O pleno emprego é um indicador difícil de estimar, que varia muito de analista para analista. Mas o atual nível da taxa de desemprego livre de influências sazonais, de 6,7% em abril, está abaixo ou bem abaixo da maioria das estimativas de nível de pleno emprego obtidas pelo Estado – que correspondem a níveis de desemprego entre 6,5% e 8,5%.

Essas taxas de desemprego referem-se à Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com indicadores do mercado de trabalho das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. Os bancos recalculam a série eliminando os fatores sazonais, com resultados que são praticamente os mesmos.

“Já caímos abaixo do pleno emprego, em termos econômicos”, diz Cristiano Souza, economista do Santander. A estimativa da instituição é de que a “taxa neutra”, ou “taxa não inflacionária” de desemprego – a definição mais precisa usada hoje para pleno emprego – seja de 8%. Na verdade, bem no meio do intervalo de 7,5% a 8,5% calculado pelo próprio Banco Central (BC), no início de 2008, para o indicador.

Riscos. Uma taxa de desemprego abaixo do nível correspondente ao pleno emprego provoca escassez de mão de obra em muitos setores e alta dos custos salariais, o que vem ocorrendo na construção civil. A população empregada no setor cresceu 10,6% na comparação de abril de 2010 com o mesmo mês de 2009, enquanto a população empregada como um todo crescia 4,3%. Dessa forma, no mesmo período, a renda média real da construção aumentou 13,4%, comparado com uma alta de 2,3% para todos os trabalhadores. “São as taxas mais fortes entre todos os setores”, nota Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco.

Desde o início da atual série da PME, em março de 2002, o desemprego caiu quase pela metade em termos dessazonalizados, saindo de 12,3% para 6,8% em abril de 2010. O movimento acelerou-se a partir de 2006, quando o desemprego médio no ano ficou em 10%. Para 2010, o Banco Santander projeta um desemprego médio de 6,8%, e o Bradesco, de 7,1% – ou seja, bem abaixo do nível de 8,1% em 2009, e mesmo da taxa média de 7,9% em 2008, um ano de forte desempenho da economia.

Até o fim de 2010, as previsões variam de uma ligeira alta no desemprego em relação a abril até uma queda expressiva. Uma das projeções mais fortes é a de Fábio Ramos, da Quest, gestora de recursos do ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros.

Ramos prevê, baseado nos resultados sobre emprego formal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que a taxa de desemprego dessazonalizada atinja 6% em dezembro deste ano. Itaú Unibanco, Bradesco e Santander têm projeções para dezembro que variam de 6,6% a 7%. No caso do Bradesco, a previsão é para a média do último trimestre.

“Se o fluxo de criação de vagas formais no Caged continuar na atual cadência, a taxa pode cair até para menos de 6% no fim do ano”, diz Ramos, referindo-se ao desemprego dessazonalizado. Ele acha mais provável, porém, que o ritmo de criação de vagas formais caia do nível dos últimos meses, em torno de 200 mil, para algo mais próximo a 150 mil – o que o economista considera compatível com a previsão de desemprego de 6% no fim do ano.

Bradesco e Itaú apostam que o mercado de trabalho continuará aquecido até o fim de 2010, mas num ritmo menos explosivo que o do primeiro trimestre. Bicalho, do Itaú Unibanco, observa que os números do emprego no momento refletem a atividade econômica muito acelerada do último trimestre de 2009 e do primeiro deste ano, para a qual o banco prevê crescimento de 3% (ou 12,6% em termos anualizados). O economista acha que, a partir de agora, a economia deve crescer a 1% ou pouco mais por trimestre, o que seria suficiente para manter o desemprego próximo a 7% até o fim do ano.

No Departamento Econômico do Bradesco, nota-se que o mercado de trabalho exuberante faz com que mais pessoas que estavam à margem busquem emprego, aumentando a população economicamente ativa. Isso, por sua vez, pode reduzir o ritmo da queda do desemprego. O crescimento da população economicamente ativa saltou de 1,4% em dezembro (ante mesmo mês do ano anterior) para 2,5% em abril.

“Esperamos que a melhora no mercado de trabalho continue, mas de forma mais lenta, já que o número de pessoas procurando emprego deverá aumentar, em conformidade com as notícias favoráveis”, diz Octavio de Barros, diretor de Pesquisa Macroeconômica do Bradesco.