31/08/2010 - 22:00h Boa noite

Sinfonia n° 25 k. 183, de Mozart

Wiener Philharmoniker – Karl Bohm

31/08/2010 - 20:12h Subconsciente assistido por computador

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Paul Sutton

Fonte Uno de los nuestros

31/08/2010 - 19:26h Laudate dominum


Mozart – “Laudate Dominum”
Vesperae solennes de confessore

Anja Harteros, soprano
Chor der Sächsischen Staatsoper Dresden

31/08/2010 - 18:53h O amor de agora é o mesmo amor de outrora

Dante Milano

O amor de agora é o mesmo amor de outrora
Em que concentro o espírito abstraído,
Um sentimento que não tem sentido,
Uma parte de mim que se evapora.
Amor que me alimenta e me devora,
E este pressentimento indefinido
Que me causa a impressão de andar perdido
Em busca de outrem pela vida afora.
Assim percorro uma existência incerta
Como quem sonha, noutro mundo acorda,
E em sua treva um ser de luz desperta.
E sinto, como o céu visto do inferno,
Na vida que contenho mas transborda,
Qualquer coisa de agora mas de eterno.

31/08/2010 - 18:22h Sempre o espelho

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Susana e os velhos – Tintoretto

31/08/2010 - 09:53h Dilma e a economia – novas escaramuças

José Paulo Kupfer – Agência Estado

Enquanto a grande diferença entre os candidatos Dilma Rousseff e José Serra, nas pesquisas de intenções de voto, autorizar especulações sobre o governo de Dilma, elas continuarão pipocando naturalmente na mídia. O que não quer dizer que seja o caso de levá-las a sério. Anunciadas como temas em discussão, seja no governo Lula ou no comando da campanha dilmista, não passam, por enquanto, de balões de ensaios. Ou de pontas a descoberto de brigas antecipadas pelo poder num futuro governo. Talvez as duas coisas ao mesmo tempo.

Podem, em alguns casos, nem mesmo passar de fabulações que, involuntariamente ou não, alimentam motes do marketing da campanha do opositor tucano, segundo os quais a petista já se equilibra no salto alto e se sentou antes da hora na cadeira presidencial. De qualquer maneira, não custa acompanhar os lances – mas com modos, valendo-se de cautela redobrada para não dar de barato a distância que separa os motes da realidade. No mínimo, eles dão passagem a boas discussões sobre os assuntos “vazados”.

Depois das primeiras escaramuças em torno da política fiscal do novo governo, nas quais revelações de que seriam adotadas medidas de ajuste ao gosto mais ortodoxo foram contestadas dentro da própria coordenação da campanha de Dilma e, de um jeito não inteiramente convincente, pela própria candidata, agora aparecem “estudos” sobre a reforma da Previdência. Segundo reportagem do jornal “O Globo”, publicada nesta segunda-feira em sua nobre página 3, uma proposta estaria sendo produzido, de forma reservada”, na Secretaria de Política Econômica do ministério da Fazenda, sob o comando do secretário Nelson Barbosa, tido, no texto, como o “principal interlocutor de Dilma na área econômica e cotado para assumir o ministério da Fazenda (…)”.

Tal proposta, conforme descrito na reportagem produzida inteiramente a partir de informações “off the records”, prevê uma convergência da aposentadoria do setor público para os limites vigentes no setor privado e a limitação a três anos para o pagamento de pensões a viúvas jovens e sem filhos, resolvendo, neste último caso, uma sangria com indicações de, digamos, fraude dentro da lei.

Um dos pontos mais importantes da reforma seria a introdução de uma regra que combina idade do contribuinte com tempo de contribuição para efeito de acesso ao benefício da aposentadoria. As mudanças só valeriam para novos ingressantes no sistema e isso facilita enormemente sua aprovação no Congresso. O outro lado dessa moeda é que a eliminação, ou pelo menos a entrada dos déficits numa trajetória rumo do equilíbrio, seria jogada bem mais para frente.

* * *

O fator combinado da soma da idade e tempo de contribuição em estudo, no caso da regra de acesso à aposentadoria, de acordo com a reportagem, seria de 105 para homens e 95 para mulheres. Trata-se de uma fórmula para aumentar a idade mínima e o tempo de contribuição, sem as complicações do fator previdenciário. Para se aposentar, um trabalhador com 65 anos teria de ter contribuído no mínimo 40 anos para poder requerer o benefício.

Considerado o pouco que Dilma já adiantou, publicamente, a respeito do tema, a ideia de introduzir um fator que estabeleça idades mínimas para recebimento da aposentadoria faz sentido. Quando se pronunciou sobre a reforma da Previdência, a candidata sempre afirmou preferir ajustes de tempos em tempos a reformas definitivas e insinuou que, em sua concepção, esses ajustes periódicos visariam adequar uma idade mínima à evolução da expectativa de vida da população.

De acordo com a reportagem, ao se aposentar, os servidores receberiam no máximo o teto previsto para o setor privado, podendo complementar sua remuneração com a adesão a fundos de pensão. Mas não é informado, se, com as novas regras, a contribuição mensal dos servidores públicos, como na iniciativa privada, ficará limitada a dez salários mínimos – hoje, o servidores contribuem com 11% de sua renda bruta, sem teto – e se inativos do serviço público continuariam contribuindo. Seria coerente.

Muita coisa, de fato, continua no ar sobre os “estudos” que darão forma à reforma previdenciária de um eventual governo Dilma. Não se tem a menor ideia, por exemplo, se, com a fixação de idades mínimas ajustáveis no tempo e o conseqüente aumento no tempo de contribuição, a alíquota das contribuições seria reduzida.

Sem essa definição, o peso futuro da Previdência nas contas públicas poderia ser aliviado e, quem sabe, caminhar, no tempo, para o equilíbrio. Mas a antiga e crucial demanda por uma desoneração da folha salarial das empresas continuaria desatendida.

31/08/2010 - 09:43h Com câmbio flutuante não se tem meta de câmbio, diz Barbosa

Secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda respondeu ao ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira que afirmou que a taxa de câmbio de equilíbrio do País deveria ser de R$ 2

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado

SÃO PAULO – O secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, discordou do ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira de que a taxa de câmbio de equilíbrio do País tendo em vista a saúde do balanço de pagamentos deveria ser de R$ 2,00. “Com câmbio flutuante não se tem meta de câmbio”, disse o secretário.

De acordo com ele, se a situação internacional permanecer com grande entrada de fluxo de capital externo no Brasil, o câmbio permanece no nível que está e aí se colocam desafios para aumentar a competitividade via outros instrumentos. Mas, se o câmbio continuar como está, afirma Barbosa, o que vai acontecer é que a inflação vai cair mais rápido, o que possibilita reduzir a taxa de juro mais rapidamente e abre espaço fiscal para fazer outras políticas de competitividade. “Se a situação externa se deteriorar, o câmbio se ajusta e o Brasil, com saldo de reservas, atravessa essa situação como atravessou o final de 2008 e 2009″, disse o secretário da Fazenda. Para ele, a política atual é consistente e robusta para suportar qualquer uma das duas situações.

Nelson Barbosa participou do 7º Fórum de Economia realizado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. A discussão se travou enquanto os dois compunham a mesa para discutir o tema “o que é necessário para o Brasil crescer mais com a estabilidade de preços e de balanços de pagamentos?”. Durante o debate se discutiu se além da meta de inflação o País deveria ter também uma meta de taxa de câmbio, ainda que informalmente.

31/08/2010 - 09:00h Executivos veem continuidade com Dilma

VALOR

Os empresários presentes ao evento de lançamento da décima edição do Anuário Valor 1000 acreditam que um eventual governo de Dilma Rousseff, líder nas pesquisas de opinião para a presidência da República com 24 pontos à frente do candidato José Serra, do PSDB, pela última pesquisa Ibope, terá a marca da continuidade. Eles não temem problemas de governabilidade entre outras razões porque avaliam que os partidos que apoiam a candidatura de Dilma também elegerão bancadas expressivas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Hudson Calefe, presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), é um dos que estima que, eleita, Dilma não enfrentará problemas de governabilidade. “Existe a possibilidade de se fazer uma grande bancada no Congresso, com renovação na Câmara e no Senado favorável à Dilma”, aposta o executivo. Para Francisco Schmitt, diretor de relações com investidores da Grendene, “imaginar que um candidato com as vantagens indicadas pelas pesquisas não tenha liderança é uma fantasia”. Ele acredita “que um eventual governo Dilma será uma continuidade do governo Lula”.

A mesma opinião é compartilhada por Gilberto Colombo, presidente da Usina Colombo, que não acredita em paralisia de um possível governo Dilma para tocar reformas. “Acredito em um continuísmo das políticas implementadas pelo governo Lula, principalmente no que tange às obras do PAC e aos sistemas de apoio às famílias carentes, como o Bolsa Família”, diz Colombo. Vanderlei Micheletto, da Mili Papel e Celulose, espera que o candidato vencedor, qualquer que seja, não intervenha na economia. “No caso dos atuais programas, acredito que serão mantidos os que têm efeito sobre distribuição de renda e crescimento das classes C e D”, diz ele.

Para o presidente da Votorantim Cimentos, Walter Schalka, “o Brasil já adquiriu maturidade institucional de tal grandeza que já não se admite colocar os interesses pessoais, políticos ou partidários acima dos interesses da nação”. Fausto Costa, diretor da Chocolates Garoto, diz que “as reformas serão fundamentais para qualquer um dos eleitos. Eles terão de trabalhar com suas bases para que elas sejam discutidas com seriedade para avançar no Congresso”.

Caso a candidata apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva vença as eleições, Valentino Rizzioli, vice-presidente do Grupo Fiat e presidente da CNH, acredita que ela dará continuidade aos projetos de infraestrutura e sociais do atual governo. “Os grandes projetos do país estão acima de interesses partidários, pois são indispensáveis para que a economia continue em crescimento. Seria um suicídio paralisá-los, pois em muitos ela teve participação e outros estão dando certo”. Ao seu ver, a candidata deveria concentrar mais investimentos na educação.

O presidente da Cielo, Rômulo Dias, está diz otimista com a capacidade política da atual candidata do PT. “Ela terá todo o suporte do PT e de seus aliados. Não acredito em paralisia”, afirmou, referindo-se a um eventual governo Dilma.

Fernando Pinheiro, diretor de assuntos corporativos da Souza Cruz, acredita que, quem quer que seja o substituto do presidente Lula, terá boas condições de governabilidade e saberá dar continuidade aos avanços obtidos nos últimos 15 anos nas áreas econômica e social. “Nenhum dos três candidatos que disputam a eleição terá dificuldade para governar, porque não é um caminho personalista”, pondera Pinheiro.

Outro empresário que não acredita em rupturas é Maurício Vasconcellos, presidente da concessionária Autoban, do grupo CCR. “O Brasil já está no rumo. Continuamos no caminho do desenvolvimento, só precisamos avançar mais”, afirma Vasconcellos.

O presidente da BIC Amazônia, Horácio , Horácio Bolseiro, a credita que Dilma saberá costurar a base política sem interferência do presidente Lula. “Se o presidente Lula acredita que vai estar por trás do governo Dilma, está cometendo um erro. ” Para Bolseiro, todos os programas sociais serão mantidos pela candidata Dilma.

31/08/2010 - 08:51h É a desindustrialização

Celso Ming – O Estado SP

Na sua rápida intervenção feita no 7.º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em realização na segunda-feira e amanhã, em São Paulo, o presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, advertiu para o risco de forte desindustrialização no Brasil.

Esse é um tema que os dirigentes da Fiesp vêm abordando frequentemente em tom de denúncia, algumas vezes porque estão de fato convencidos de que a indústria esteja sendo sucateada no País e, outras vezes, apenas porque querem mais atenção e mais estímulos do governo.

A principal evidência estatística para o fenômeno, tal como apontada pelos empresários, é a queda da participação da indústria na renda nacional (PIB). O professor José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília, está convencido de que está em curso um processo de desindustrialização. E apresenta o gráfico que mostra a redução do peso da indústria (veja o Confira).

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MANTEGA - ‘Não há isso’ (Foto: Celso Junior/AE – 27/7/2010)


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi taxativo: “Não há desindustrialização no Brasil.” É um desmentido corroborado por estatísticas de forte aumento do consumo. Mas não é só isso. As curvas de produção da indústria são impressionantes nos setores de veículos, máquinas e equipamentos, materiais de construção, aparelhos domésticos, alimentos e por aí vão. Mais do que isso, o emprego está crescendo consistentemente, inclusive na indústria, e os investimentos estão aumentando, o que não parece compatível com essa reclamação renitente dos empresários.

Por motivos diferentes, a queixa de desindustrialização é frequente nos países de alta renda, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. Os americanos, por exemplo, denunciam a enorme competição desleal que lhes é feita pelos importados chineses. E os europeus, mais focados na concorrência da mão de obra mais barata dos antigos países que formavam a antiga União Soviética, amargam a migração de setores industriais inteiros para a Europa do Leste. Um pouco das lamúrias dos empresários nacionais sobre esse tema deve ser visto como reflexo das queixas manifestadas pelos empresários do Hemisfério Norte.

E, no entanto, a perda de participação da indústria no PIB na maior parte dos países industrializados (inclusive no Brasil) tem a ver com o crescimento da área de serviços na economia moderna. Há 150 anos, o fenômeno que mais impressionava os líderes dos setores produtivos na Velha Europa era a significativa perda de importância da agricultura diante do avanço da Revolução Industrial e dos transportes movidos pelas máquinas a vapor.

Mas a questão de fundo consiste em saber o que se pretende com o desenvolvimento: se é a recuperação da participação da importância da indústria na economia ou se é o bem-estar da população. Há alguns anos, a indústria tinha o dobro do peso no PIB brasileiro e, no entanto, o povo não tinha poder aquisitivo para consumir as mercadorias que saiam de suas linhas de produção.

A indústria perdeu importância relativa e, no entanto, já há no Brasil um certo mercado de massas. É um mercado que, além de apresentar uma forte perspectiva de desenvolvimento, não está sujeito ao desaparecimento súbito numa crise qualquer. E essa é a melhor garantia de que o futuro da indústria no País não é o sucateamento, mas o crescimento e a mudança de qualidade, desde que devidamente capitalizada e atualizada tecnologicamente.

Confira

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Valorização do real. O professor José Luis Oreiro, da Universidade de Brasília, identifica no gráfico acima “sinal claro de desindustrialização” no Brasil. Ele o associa ao aumento da participação das matérias-primas nas exportações e à valorização do real (queda do dólar), que, por sua vez, tira competitividade da indústria.

Doença holandesa. O professor Luis Carlos Bresser-Pereira chama esse efeito de “doença holandesa”. É o aumento de preços das commodities exportadas que traz dólares e que derruba o câmbio.

31/08/2010 - 08:22h Queda da desigualdade de renda no país coloca mais 31, 9 milhões no mercado

João Villaverde, de São Paulo – VALOR

“No futuro, as pessoas não olharão Lula como o novo Getúlio Vargas. Mas entenderão Vargas como o Lula do passado. O presidente encarna a principal mudança por que passou o Brasil nos últimos anos, ele é a nova classe média. Lula é o Nelson Mandela tupiniquim”. A análise é de Marcelo Néri, economista da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ) e um dos maiores especialistas em política social do país.

“Na última década, a desigualdade de renda caiu como nunca em nossa história. O equivalente a 31,9 milhões de pessoas ascenderam à classe C, ingressando no mercado consumidor, ampliando a capacidade de nossa economia crescer”, avalia Neri, para quem, no entanto, o futuro do país está nas classes A e B. “Quando terminarmos o processo de transferir pessoas das classes D e E para a C, passaremos a transferi-las da C para cima, o que gerará maior pressão sobre os ricos.”

A percepção de Neri não é isolada. Durante seminário realizado ontem pela Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, economistas e cientistas políticos configuraram o atual momento da economia brasileira como “privilegiado”. Para o cientista político André Singer, as condições econômicas e sociais estão próximas do período do New Deal, nos Estados Unidos, quando o governo americano, por meio de gastos em programas de amparo social e em obras de infraestrutura, impulsionou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) após o “crash” de 1929. “Para ir além”, disse Singer, “é indispensável manter a elevação do salário mínimo”.

O processo virtuoso, conforme avaliação dos participantes do debate, está assentado em “pontos-chave”, como denominou Neri. Segundo números do economista da FGV, a renda oriunda do trabalho respondeu por 67% da redução na desigualdade, a frente dos 17% oriundos de programas de transferência direta de renda, como Bolsa Família, e dos 15,7% provenientes da Previdência Social . “O tripé é este”, diz Singer, “quer dizer, aumento do emprego, seguido de gastos com pobreza extrema e aposentadorias”.

Este quadro, no entanto, também revela problemas. “Do ponto de vista do crescimento acelerado combinado com redução da desigualdade, o jogo como está colocado hoje é preocupante”, avalia Mariano Laplane, economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Ficamos por quase 30 anos completamente à margem do desenvolvimento. O mundo moveu seu eixo tecnológico e industrial para os países asiáticos, ao longo dos anos 1970, e nós ficamos parados, assistindo isso tudo”, afirma.

A lógica de Laplane, compartilhada por outros economistas da FGV, é que o ritmo acelerado do PIB – que neste ano, segundo estimativas do governo, deve passar por ampliação de 7%, a maior em 24 anos – não se sustentará, uma vez que o parque industrial brasileiro é pouco desenvolvido tecnologicamente, quando comparado com outros países, como a China.

“Os ganhos de produtividade que nossa indústria fez após a abertura comercial, em 1990, são claramente incapazes de fazer frente aos competidores externos”, avalia Laplane, para quem a ampliação do mercado de trabalho passa, principalmente, por maior oferta de empregos no setor industrial.

“Nos próximos dez anos, nosso crescimento será focado no mercado interno. Se não quisermos que a renda que estamos dividindo vaze para o exterior, por meio do consumo de importados, é preciso atenção maior com a indústria”, raciocina Paulo Gala, economista da FGV-SP.

A pressão por mudanças, no entanto, ocorrerá de forma difusa, avaliam Neri e Singer. Para este, a nova classe média é “parcialmente conservadora”, uma vez que quer continuar ascendendo socialmente, mas deseja que isso ocorra dentro da ordem, sem radicalizações. “Seja para fortalecer o processo de redução da pobreza, seja para efetuar mudanças do lado econômico, como alterar o câmbio e reduzir os juros, o Estado têm diante de si um novo proletariado, que está no setor de serviços, como os operadores de telemarketing”, diz Singer.

Para Neri, a nova classe média “não precisa tanto do Estado quanto os mais pobres”, assim, passa a ser natural que o Estado “foque mais em políticas sociais aos mais necessitados, deixando a classe ascendente com margem para desenvolvimento próprio”.

31/08/2010 - 07:57h Copa e Olimpíada vão atrair capital doméstico e externo, avaliam empresários

VALOR

A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio são uma oportunidade para o Brasil país corrigir defasagens na área de infraestrutura. Se o pais for capaz de manter uma boa gestão, não faltarão recursos – domésticos ou externos – para bancar os investimentos necessários, avaliam empresários que ontem participaram da solenidade de premiação da campeã e das campeãs setoriais do “Anuário Valor 1000″, em São Paulo.

O presidente da BIC Amazônia, Horácio Balseiro, não vê nenhuma restrição de financiamento externo e diz que grupos gigantes de infraestrutura querem hoje é investir no Brasil. “O governo precisa mandar sinal para o mercado de que está aberto para os investimentos privados e que não será o Estado a fazer todos os projetos”, ponderou o executivo.

Hudson Calefe, presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), acredita que o país está menos dependente do exterior para financiar grandes projetos de infraestrutura. Na visão do executivo, a Caixa Econômica Federal e o BNDES desenvolveram musculatura necessária para fomentar as demandas da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos de 2016. “O Brasil está rigorosamente preparado com os financiamentos internos, não acho que haja necessidade nenhuma de recorrer a fontes estrangeiras, embora seja uma ajuda bem-vinda.”

A vice-presidente de finanças da Vivo, Cristiane Barreto, tem visão um pouco diferente. Para ela, o Brasil deve captar mais recursos para investimentos de infraestrutura. “Muitas empresas do país e o governo têm estrutura que permite essa captação. Além disso, os bancos de fomento têm muito interesse em trazer recursos para o Brasil. O Brasil é hoje um dos países que têm maior potencial de crescimento entre os emergentes e já possui uma infraestrutura organizada. O país certamente tem condições de captar esses recursos”, disse.

Walter Schalka, presidente da Votorantim Cimentos, empresa premiada na categoria materiais de construção, afirmou que, independentemente da origem do capital, “o mais importante são os sinais positivos que indicam que o Brasil terá recursos privados e públicos suficientes para atender à demanda por investimentos em infraestrutura do país, em especial na melhoria de portos, aeroportos, rodovias, transporte urbano, saneamento, energia e moradia”. O desafio, ressaltou ele, será aprimorar a gestão dos recursos disponíveis e ter capacidade administrativa para transformar projetos em obras, ideias em realização, com velocidade, custo e qualidade.

Na avaliação de Gilberto Colombo, da usina de mesmo nome, a economia brasileira transmite confiança ao mundo. Por isso, ele não acredita que haverá resistência dos investidores em financiar obras de infraestrutura necessárias ao desenvolvimento do país. A avaliação é partilhada por Francisco Schmitt, diretor de relações com investidores da Grendene. “Não vejo escassez de recursos internacionais, pelo contrário, vejo muita liquidez à procura de bons ativos. Se o país se mantiver um destino confiável de investimentos não creio que tenha problemas em obter recursos”, disse.

Para Denise Soares dos Santos, presidente do Hospital São Luiz, o Brasil é hoje a nona maior economia do mundo e tem se destacado internacionalmente, principalmente pela estabilidade na área econômica e pelo crescente potencial de consumo interno. “Apesar da situação favorável, o país ainda enfrenta obstáculos e um deles refere-se à infraestrutura. Tanto a iniciativa privada quanto a esfera pública enfrentam problemas com transportes e distribuição, custos e tributos, legislação e regulamentação, falta de mão de obra, entre outros. É evidente que esse gap precisa ser enfrentado com atenção pelo próximo governo”, observou.

De acordo com Rômulo Dias, presidente da Cielo, o capital estrangeiro deve financiar as futuras obras de infraestrutura no Brasil. “De alguma forma, o Brasil vai ter de se financiar. Acho provável a vinda dos estrangeiros, tanto por meio do financiamento via dívida quanto pelo próprio capital.”

Para Paulo Godoy, presidente da Alusa (sócia da EATE) e também presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura (Abdib), o Brasil precisará por ano de R$ 170 bilhões para financiar os projetos de infraestrutura. Para atrair investidores externos, acredita que o país precisa fazer uma reforma do aparelho do Estado. “Os projetos de infraestrutura lidam com diversos órgãos seja de licenciamento ambiental, patrimônio histórico, que cuidam dos direitos dos índios e é preciso que se melhore a gestão deste aparelho para que os projetos sigam”, acredita Godoy. Para atrair capital externo e aumentar a poupança do país, defende um pacote de estímulo ao mercado secundário de títulos.

31/08/2010 - 07:35h Fazenda eleva projeção do PIB de 2010 para 7%

Luciana Otoni, de Brasília – VALOR

O Ministério da Fazenda elevou de 6,5% para 7% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2010. O ajuste é baseado na constatação de que o investimento, o consumo das famílias e as exportações avançarão neste ano em um nível maior que o projetado inicialmente. Na demanda externa, a equipe econômica revisou também a perspectiva de alta das importações.

Na nova estimativa para o PIB de 2010, a Fazenda informou que a projeção para 2011 será de 5,5% e elevou de 5,7% para 5,8% a média de expansão da economia para o período entre 2010 e 2014.

Os ajustes foram apresentados ontem pelo ministro Guido Mantega, 20 dias após a divulgação do relatório “Economia Brasileira em Perspectiva”, no qual a pasta havia indicado 6,5%.

O aumento para 7% se deve ao recálculo de quatro variáveis que compõem o PIB. O maior ajuste foi feito na estimativa da Formação Bruta de Capital Fixo, o indicador que afere o nível de investimentos, cuja previsão de alta passa de 20,4% para 22,1%.

Para as exportações, a taxa de aumento passa de 6,9% para 7,7%. No consumo das famílias, a projeção de ampliação de 6,6% foi revista para 6,9%. No lado da demanda externa, o percentual de expansão das importações passou de 29,6% para 30,5%.

Nesse ajuste das estimativas, a equipe econômica considerou a realização do superávit primário de 3,3% do PIB, o pagamento de juros da dívida pública de 5,2% do PIB e a apuração de déficit nominal de 2,1%. No dia 3, o IBGE divulga o desempenho da economia no segundo trimestre do ano.

Ao apresentar as novas projeções, o ministério destacou o conceito do neodesenvolvimentismo como um dos paradigmas que ajudaram o país a enfrentar a crise e a retomar o crescimento. Para a equipe do ministro Mantega, o objetivo do neodesenvolvimento é perseguir crescimento “forte e sustentável”; geração de emprego e transferência de renda; mercado de massa; ampliação do investimento e redução da vulnerabilidade externa.

Ao listar as tarefas do próximo governo, a Fazenda salientou que a economia precisará rever a estrutura de tributação a fim de reduzir os custos de produção. Entre as modificações previstas constam a desoneração da folha de pagamento e a redução da quantidade de licenças necessárias para a liberação dos investimentos públicos.

31/08/2010 - 07:31h Renda per capita vai alcançar US$ 10 mil, diz ministro

VALOR

O Brasil está iniciando a implantação de um Estado de bem-estar social, com a ascensão das classes de baixa renda. A afirmação foi feita ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante a cerimônia de premiação das campeãs setoriais do “Anuário Valor 1000″ e da “Empresa de Valor 2010″ – a escolhida foi a Cielo. No discurso feito aos participantes, Mantega citou que a renda per capita anual do Brasil – que já foi de US$ 3 mil há cerca de dez anos – deverá ficar neste ano em US$ 10 mil. Apesar disso, o ministro ponderou que o país ainda tem um longo caminho pela frente, pois as nações desenvolvidas apresentam renda próxima a US$ 30 mil por habitante.

“Estamos na rota do bem-estar social. Hoje, há mobilidade social no Brasil, o que não acontece em muitos países. Mas apenas começamos este caminho”, afirmou o ministro, que destacou que o volume de renda da classe C, em termos absolutos, já supera o da classe B. Segundo ele, a classe intermediária deverá somar neste ano R$ 500 bilhões em poder aquisitivo. A robustez do mercado interno é o que tem impulsionado o crescimento do Brasil nos últimos anos, permitindo ao país sair da crise financeira internacional de forma mais célere, disse o ministro da Fazenda, que revisou suas projeções para o crescimento da economia brasileira e espera alta de 7% este ano.

Diante de críticas no processo eleitoral sobre a falta de investimentos reais em infraestrutura, Mantega lembrou que foram investidos R$ 120 bilhões nessa área. “Hoje posso dizer que no Brasil temos um amplo programa de investimentos. Temos muitos projetos listados, o que possibilita nosso crescimento”, argumentou.

Ele também ressaltou que a proximidade das eleições não está afetando o desempenho da economia, como em outras épocas. Mantega reafirmou ainda o compromisso de cumprir neste ano a meta de superávit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2011, a expectativa do governo é de um novo crescimento expressivo para a economia, de 5%. Mantega afirmou que a economia deverá crescer a um ritmo médio de 5,5% a 6% nos próximos quatro anos.

30/08/2010 - 22:00h Boa noite


David Oistrakh com Frida Bauer ao piano – Claire de lune, de Debussy

30/08/2010 - 19:38h Vênus

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Titian, Vênus com um espelho

30/08/2010 - 19:20h La ci darem la mano


“La ci darem la mano” e “Ah! fuggi il traditor!”. Dueto e ária de Don Giovanni – Rodney Gilfry (Don Giovanni), Liliana Nikiteanu (Zerlina) e Cecilia Bartoli (Donna Elvira). Regente: Nicolaus Harnoncourt.

30/08/2010 - 15:40h Le réalisateur Alain Corneau est mort

Le réalisateur Alain Corneau, en 2006.
AFP/OLIVIER LABAN-MATTEI – Le réalisateur Alain Corneau, en 2006.

LE MONDE

Le réalisateur et scénariste français Alain Corneau est décédé lundi 30 août à l’âge de 67 ans, des suites d’un cancer. Ses obsèques seront célébrées samedi à 14 h 30, au cimetière du Père-Lachaise à Paris. “Après Bernard Giraudeau en juillet, le cinéma français est à nouveau frappé par une perte cruelle. Avec Alain Corneau disparaît un très grand réalisateur, vaincu lui aussi dans la force de l’âge par la maladie”, s’est exprimé le président Nicolas Sarkozy, emboîtant le pas à de nombreux hommages du monde politique et culturel. Cinéaste touche-à-tout et respecté dans la profession, Alain Corneau avait consacré son dernier film, Crime d’amour – sorti à la mi-août, avec Kristin Scott Thomas et Ludivigne Sagnier –, au thème du harcèlement au travail.

DE MULTIPLES REGISTRES

Né le 7 août 1943, musicien de formation, Alain Corneau devient stagiaire sur des films puis assistant de Constantin Costa-Gavras en 1970 sur L’Aveu. Il y rencontre Yves Montand, qu’il dirigera en 1976 dans Police Python 357, inspiré du film américain Dirty Harry et témoin des débuts du réalisateur dans la veine du film policier. Sa carrière décolle véritablement grâce au remarqué Série noire, sorti en 1979, aux dialogues écrits par l’écrivain Georges Perec, et dont Marie Trintignant et Patrick Dewaere tiennent les rôles principaux.

Alain Corneau s’essaye ensuite à des films plus ambitieux dans les années 1980, dirigeant notamment Philippe Noiret, Gérard Depardieu, Catherine Deneuve dans Fort Saganne en 1984, à l’époque le film le plus cher de l’Hexagone. Compagnon de Nadine Trintignant et collaborant avec de nombreux acteurs, il devient une des figures du cinéma français et l’un de ses fins connaisseurs, comme en témoigne son interview lors de la mort de Patrick Dewaere, en 1982 (voir la vidéo).

Poursuivant son œuvre dans des directions parfois inattendues (Nocturne indien, en 1989, se concentre sur la société indienne), la consécration de son œuvre arrive grâce à Tous les matins du monde, en 1992. L’histoire d’un violiste au XVIIe siècle, avec Gérard et Guillaume Depardieu, connaît un grand succès populaire et reçoit le César du meilleur film (voir la bande-annonce ci-dessous).

“UN HOMME DE GRAND TALENT”

Après des comédies et d’autres films à gros budgets  dans les années 1990 qui ne connurent pas forcément le succès escompté (Le Prince du Pacifique, sorti en 2000, avec Patrick Timsit et Thierry Lhermitte), Alain Corneau se recentre ensuite sur des réalisations plus personnelles. Il continue à puiser dans la littérature et dans les nouvelles générations d’acteurs français, s’attachant plus particulièrement à Sylvie Testud, qu’il fait jouer en 2003 dans Stupeur et tremblements (adaptation d’un roman d’Amélie Nothomb) et dans Les Mots bleus, en 2005.

Après avoir été distingué en 2004 par le prix René-Clair pour toute sa carrière, il donne vie en 2007 à un projet de plus de trente ans, son ultime polar : Le Deuxième Souffle, avec Daniel Auteuil, Monica Bellucci, Jacques Dutronc et Michel Blanc. En 2010, le prix Henri-Langlois a encore récompensé l’ensemble de son travail en tant que réalisateur, producteur, scénariste et occasionellement acteur.

Interrogés sur la radio RTL, Gérard Depardieu s’est dit très peiné par la mort de l’artiste tout en évoquant ses “souffrances de plusieurs semaines” dues à sa maladie, tandis que le réalisateur Claude Chabrol a salué “un homme de grand talent qui aimait le cinéma”.

30/08/2010 - 15:34h Morre diretor de cinema francês Alain Corneau

Célebre diretor de ‘Todas as Manhãs do Mundo’ morreu no domingo, devido a um câncer

EFE – AGÊNCIA ESTADO

O diretor, roteirista e produtor francês Alain Corneau, célebre diretor de “Todas as Manhãs do Mundo”, (1992) entre outros grandes filmes, morreu na noite de domingo, 29, devido a um câncer, informou hoje seu agente, Artmedia Bratislava.

O cineasta, que em 7 de agosto completou 67 anos, acabava de estrear seu último filme “Crimes D’Amour”, uma obra policial, como seus primeiros sucessos no cinema.

Corneau começou sua carreira como assistente de Costa Gavras. No início de sua trajetória na década de 70, ele colaborou com a cineasta Nadine Trintignant.

Alguns dos maiores atores franceses, de Gérard Depardieu a Yves Montand, passando por Jacques Dutronc, Michel Blanc e Daniel Auteuil, Monica Bellucci e Ludivine Sagnier, trabalharam com ele ao longo de sua carreira.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, prestou homenagem à obra de Alain Corneau e à memória “de um homem valente que soube defender os direitos dos autores em todas as circunstâncias”.

Um homem que “sabendo a importância da arte e da necessidade de preservar aos criadores nunca cedeu à demagogia”, celebrou Sarkozy em comunicado.

O ministro de Cultura francês, Frédéric Mitterrand, cinéfilo e profissional do cinema, elogiou o conjunto da biografia e considerou que Corneau deixará a lembrança “de um grande adaptador” da literatura ao cinema, “e de um homem aberto e sensível, com paixão, à pluralidade das culturas”.

30/08/2010 - 12:43h A FALSIDADE CONTINUADA CONTRA O PT

Por José Eduardo Dutra

O Partido dos Trabalhadores se constituiu na luta pela redemocratização do país, tendo como primado a vigência do Estado de Direito. Foi o exercício contínuo da democracia, com liberdade de expressão, de crítica e de imprensa, que conduziu o PT à Presidência da República, em eleições que expressaram a vontade soberana da maioria da população.

Foi a Democracia que nos trouxe até aqui e dela não vamos nos afastar jamais. Ao longo de sua existência, o PT esteve à frente de todas as iniciativas destinadas a aperfeiçoar e consolidar as práticas democráticas entre nós – desde a luta pelo restabelecimento do direito de greve e da liberdade de organização sindical e política, passando pela campanha das Diretas, a convocação da Assembléia Constituinte, até o aperfeiçoamento da legislação eleitoral.

O governo do presidente Lula vem atuando de forma republicana na reconstituição de instituições públicas essenciais que haviam sido esvaziadas, de maneira irresponsável, em governos passados. Por meio de concursos públicos e de investimentos submetidos à fiscalização do Congresso e do Ministério Público, o governo do PT está reconstituindo a capacidade do Estado para atender às demandas do país por saúde, educação, infra-estrutura, segurança, desenvolvimento científico e tecnológico e proteção ambiental, dentre outras.

Compreendemos que outros partidos e setores da sociedade tenham visão distinta sobre a melhor maneira de colocar o Estado a serviço do desenvolvimento econômico e social do país. Mas não podemos aceitar que o legítimo debate político desborde para a agressão, a injúria e a calúnia, como faz o editorial do Estado de S. Paulo de 27 de agosto.

Não é verdade que o PT ou a campanha da nossa candidata, Dilma Rousseff, tenham buscado ou recebido, por meios ilegais, informações sobre políticos e homens de negócios ligados ao candidato da oposição – nem mesmo por interpostas pessoas, como diz o editorial.

Se a Folha de S. Paulo, em quem se socorre o editorial para repetir a afirmação infamante, teve acesso a dados sigilosos de quem quer que seja, cabe a ela apontar sua origem, antes de acusar o PT e a campanha. Repetir sistematicamente que tenham “circulado na campanha” ou conformem um dossiê que ninguém viu; repetir sem amparo em fontes, provas, sequer indícios, é mau jornalismo. É antiético. É uma continuada falsidade.
O PT não fez, não fará nem autoriza que em seu nome se faça qualquer ação fora da lei. Diante da notícia de vazamento de dados fiscais do vice-presidente do PSDB, fomos nós, do PT, que solicitamos a abertura de inquérito na Polícia Federal para esclarecer o fato. Buscamos a verdade.

Tomamos essa iniciativa porque consideramos incompatível com o Estado de Direito democrático a violação de direitos protegidos pela Constituição, não importando a motivação nem a preferência partidária de quem perpetra esse crime.

Agimos assim, à luz do dia e da lei, para que não se repitam episódios como a violação das dívidas com o Banco do Brasil de nove deputados do antigo PPB, que à época (1996) eram constrangidos a apoiar a emenda da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Agimos assim para que não se repita a manipulação da Polícia Federal em benefício de intrigas palacianas, como ocorreu em 1995, quando um embaixador da confiança do ex-presidente teve seu telefone grampeado e suas conversas expostas.

Agimos assim em defesa das instituições em que acreditamos e dos cidadãos que representamos. Para que crimes como esses não fiquem impunes, como não deverá ficar impune a violação do sigilo fiscal dos diretores da Petrobras, devassado em junho do ano passado.

Certas vozes que hoje apontam, sem qualquer fundamento, uma suposta manipulação de setores do Estado no caso da Delegacia da Receita de Mauá, foram as primeiras a fazer exploração política do crime cometido contra os diretores da Petrobras. É uma seletividade que desqualifica a indignação.

Oferecemos esse artigo para publicação em respeito aos leitores, em defesa da verdade e em consonância com o equilíbrio editorial que notabilizou o Estado de S. Paulo ao longo de sua história. A seção de editoriais do jornal – que em outros tempos foi exemplo de independência e coragem política – recusou-se a fazê-lo, interditando o debate de argumentos no mesmo espaço em que fomos caluniados. Como diriam os editorialistas que sabiam polemizar sem recorrer ao sofisma e à desfaçatez: Sic transit gloria mundi.

***

“O crime continuado do PT”

O editorial do Estadão de 27/8 (A3) é uma agressão à verdade e uma ofensa ao PT, aos seus dirigentes e à nossa candidata Dilma Rousseff. Ao contrário do que ali se afirma, sem nenhuma base de realidade, nem o PT nem a nossa coligação jamais buscaram, tentaram buscar ou receberam, por meios ilegais, informações sobre políticos e homens de negócios ligados ao candidato da oposição – nem mesmo por interpostas pessoas. Repetir sistematicamente que tais dados tenham “circulado na campanha” ou conformem um dossiê que ninguém viu; repetir sem amparo em fontes, provas, sequer indícios, é mau jornalismo. É uma falsidade continuada contra o PT. O PT não fez, não fará nem autoriza que em seu nome se faça qualquer ação fora da lei. Fomos nós, do PT, que solicitamos inquérito da Polícia Federal para esclarecer os fatos. Da mesma forma que exigimos o esclarecimento da violação dos dados fiscais dos diretores da Petrobrás, objeto de exploração política por parte da oposição em junho do ano passado. A indignação, quando seletiva, é desqualificada. O PT constituiu-se na luta pela redemocratização do País, pela vigência plena do Estado de Direito. São valores incompatíveis com a violação de salvaguardas constitucionais dos cidadãos, não importando o motivo ou o partido de quem o faça. A nós interessa a verdade.

JOSÉ EDUARDO DUTRA, presidente nacional do PT

São Paulo

30/08/2010 - 11:21h Política para resíduos levou duas décadas para sair do papel

Marco Antonio Gonçalves, para o Valor, de São Paulo

Passaram-se 21 anos, desde o primeiro projeto até a sanção da lei nº 12.305 pelo Congresso Nacional para definir o marco legal que ordena a gestão e o gerenciamento dos resíduos produzidos ao longo das diversas etapas do processo de produção e de consumo. Três tópicos são apontados como as causas de tamanha demora. A incineração como medida para a destinação final dos resíduos gerados, a inclusão da logística reversa – que coloca nas mãos do setor privado a responsabilidade pelo recolhimento das embalagens e dos produtos descartados no pós-consumo – e a importação de materiais descartados em outros países, especialmente de pneus para remoldagem. Foco de divergências dentro do próprio governo federal, esse último tópico acabou superado em 2009, com a proibição da importação de pneus usados pelo STF.

A incineração de resíduos descartados opôs, de um lado, ambientalistas e entidades de catadores de recicláveis e, de outro, multinacionais de plantas incineradoras e empresas nacionais interessadas em suprir sua crescente demanda por materiais de alto poder calorífico, como plásticos. “Havia uma disputa em torno desses resíduos que, para os catadores é fonte de renda, e para as incineradoras, um insumo que lhes permite diminuir o consumo de combustível no processo de queima”, explica Titan de Lima que acompanhou por 15 anos a tramitação do tema, como assessor da Liderança do PT na Câmara dos Deputados. A incineração tinha ainda a oposição de entidades ambientalistas por seu caráter poluente. Mesmo como última opção, foi suprimida da lei.

Somente em 2008 foram superadas as divergências em torno da logística reversa, tida com um dos problemas críticos do pós-consumo, ou seja, a destinação final de embalagens e de produtos como pilhas, baterias, pneus, lâmpadas e eletroeletrônicos. “A indústria argumentava que se tratava de um instrumento de gestão dos resíduos, e que não caberia a uma lei dizer ao setor como fazer”, destaca Titan de Lima. Segundo Grace Dalla Pria, gerente de meio ambiente da CNI, a indústria nunca foi contra a logística reversa.

“Nós defendíamos que a responsabilidade sobre a gestão dos resíduos fosse compartilhada por todos os atores do ciclo de vida do produto”, explica.

“A posição da indústria foi perdendo força, e começamos a discutir também a responsabilidade compartilhada para toda a cadeia produtiva e os instrumentos econômicos para financiar as medidas previstas”, explica o deputado Arnaldo Jardim. Ainda assim, o artigo que detalha a logística reversa esteve sob pressão até dias antes da aprovação do texto final. “Fizemos muita pressão para que a menção a lâmpadas e eletroeletrônicos fossem incluídos de novo ao texto”, recorda Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), para quem a inclusão da logística reversa é um avanço importante trazido pela lei.

O texto aprovado traz um capítulo com instrumentos econômicos para financiar várias das medidas previstas. Após ter sido sancionada pelo presidente da República no início de agosto, a Política Nacional de Resíduos Sólidos seguiu para a etapa de regulamentação, sob os cuidados do Ministério do Meio Ambiente.

30/08/2010 - 10:36h Outra carta da Dorinha

Veríssimo – A Tarde

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, sempre esteve envolvida com política, embora negue que fosse cabo.

Ela confirma que carregou, sim, o Getúlio Vargas no colo, mas diz que ele já era presidente na ocasião. À frente do grupo de pressão Socialaites Socialistas, que luta pela implantação no Brasil do socialismo na sua etapa final, antes da volta ao tzarismo, Dorinha chegou a ser cogitada como candidata a presidente da República. Foi descartada, justamente quando játinha acertado com o PMDB todos os cargos que eles teriam no governo em troca do seu apoio, segundo ela, “porque queriam uma mulher, mas não mulher demais”.

Apesar disso ela e seu grupo (Tatiana “Tati” Bitati, Susana (”Su”) Cata, Olenka (”Ó”) Minas Gerais e outras) continuam ativas, num trabalho de conscientização política da população visando as próximas eleições. No momento, por exemplo, fazem um seminário reunindo os seus “personal trainers”, para…

Mas deixemos que a própria Dorinha nos conte. Sua carta chegou,como sempre,escrita com tinta roxa em papel grená, perfumado com “Ravage Moi”, o único perfume do mundo que vem com um habeas corpus preventivo para o caso de prisão por atentado ao pudor.

“Caríssimo. Beijos disseminados.

Como você sabe, todas as Socialates Socialistas tem “personal trainers” em diferentes estágios de evolução.

O meu, Jorjão, é da era quaternária, quando apareceram os primeiros bíceps. Cada uma de nós tem seu “personal” mas fazemos intercambio, para escapar da rotina, que é a segunda maior inimiga de uma vida sexual saudável depois da comichão de fundo alérgico. São todos eles bons rapazes, surfam, correm e fazem abdominais com muita inteligência, mas são inocentes em matéria de política.

Tivemos que repetir a primeira aula do seminário, sobre o voto eletrônico e a máquina de votar, porque nem todos entenderam o conceito de”tecla”.

O Jorjão, especialmente, vem acompanhando com atenção os programas eleitorais e ainda não conseguiu compreender porque o Serra, que é candidato à presidência, está fazendo a propaganda do Lula, que ele nem sabia que também é candidato à presidência, enquanto o Lula apoia a Dilma para o mesmo cargo.Tenho tentado explicar mas também me atrapalho, ainda mais quando ele começa a morder minha orelha. Da tua confusa Dorinha.”

30/08/2010 - 10:17h Área no Pontal do tamanho do Rio é considerada terra devoluta

José Maria Tomazela SOROCABA – O Estado de S.Paulo

Ao julgar um processo de mais de 50 anos, na última quinta-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou como terra devoluta uma área de 92,6 mil hectares do 15º Perímetro do Pontal do Paranapanema, no extremo oeste de São Paulo, ocupados por fazendeiros.

A área, quase do tamanho do município de Rio, compreende uma larga faixa de terra entre os Rios Paraná e Paranapanema que vai da cidade de Euclides da Cunha Paulista a Teodoro Sampaio.

A região do Pontal concentra o maior número de conflitos fundiários do Estado. As glebas são disputadas para a instalação de assentamentos de sem-terra.

Líderes do Movimento dos Sem-Terra (MST) vão pressionar o governo para que a decisão seja executada de imediato, com a destinação das áreas para a reforma agrária.

O acórdão, que ainda não foi publicado, teve aprovação unânime, com votos favoráveis dos ministros Herman de Vasconcelos Benjamin (relator), Eliana Calmon Alves, José de Castro Meira e Humberto Soares Martins. A medida atinge mais de cem propriedades rurais, entre elas dezenas de fazendas agrícolas e de criação de gado, além de uma usina de açúcar e álcool.

Recurso. A decisão pode ser reformada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Se for mantida, os ocupantes terão de entregar as terras ao Estado para que sejam distribuídas aos sem-terra. “Vamos fazer uma grande mobilização, montando acampamentos em volta dessas áreas para que todos saibam quais são e o governo apresse a realização dos assentamentos”, prometeu José Rainha Júnior, líder da dissidência conhecida como MST da Base. Segundo ele, a usina instalada na região recebeu financiamento do governo.

A União Democrática Ruralista (UDR) informou que a decisão não é definitiva. O advogado da UDR, Fernando Neves Baptista, vai entrar com recurso no próprio STJ. Caso seja indeferido, o caso será mandado para o Supremo. “É um processo muito antigo e já tem vários recursos pendentes.”

Ele contou que a ação foi iniciada em dezembro de 1957 e somente este julgamento mais recente consumiu quase dois anos. De acordo com o advogado, o acórdão estabelece ressalvas para a decisão, como a obrigação do Estado de indenizar os ocupantes da área. “Só por isso já sabemos que o processo está longe de terminar.”

Segundo Baptista, a região foi ocupada em meados do século 19 e um século depois o governo decidiu questionar a origem das propriedades.

Movimentos. “É indisfarçável que o objetivo do Estado era retomar as propriedades e redistribuí-las entre os chamados sem-terra”, diz o advogado.

O MST se instalou na região no início dos anos 90 e, nesse período, realizou mais de 500 invasões de fazendas. Muitas delas foram transformadas em assentamentos. Das 10 mil famílias assentadas em São Paulo, 5,6 mil estão no Pontal.

Além do MST, atuam na região o MST da Base, Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), Unidos pela Terra (Uniterra).

30/08/2010 - 09:36h Olho na Copa

Setores têxtil, de serviços e informática abrem oportunidades de quase R$ 15 bilhões em negócios.

Por Jacilio Saraiva, para o Valor, de São Paulo

A Copa do Mundo de 2014 vai gerar mais de R$ 140 bilhões para, pelo menos, dez setores da economia nacional. Estima-se que os segmentos com grande concentração de micro, pequenas e médias empresas, como têxtil, serviços e informática, que serão direta e indiretamente atingidos pelo evento, movimentem quase R$ 15 bilhões. Os números fazem parte do estudo Brasil Sustentável-Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014, elaborado pela Ernst&Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“As empresas já estão se movimentando para oferecer produtos e serviços para um contingente estimado de 7,4 milhões de turistas estrangeiros que vão circular pelo país em 2014″, afirma José Carlos Pinto, sócio da Ernst&Young.

Foto Destaque

Pequenas e médias empresas de diferentes setores, como o Portal da Educação, da área de treinamento, e a Tecnoblu, que atende o setor têxtil, já fazem investimentos de olho na Copa. A previsão das companhias é crescer cerca de 20% entre 2013 e 2014. Para o consultor da Ernst&Young, todas as empresas com interesse em captar oportunidades com o mundial devem iniciar imediatamente um processo de planejamento.

“As pequenas e médias companhias, que têm fluxo de caixa menor e disponibilidade de crédito limitada, devem preparar-se, a partir de agora, para atender às demandas que irão surgir”, diz.

Segundo o levantamento, os setores mais beneficiados pela Copa do Mundo serão os de construção civil, alimentos, bebidas e serviços. Ao todo, essas áreas deverão ter a produção aumentada em R$ 50,1 bilhões. Rodrigo Teles, diretor geral do Instituto Endeavor, organização que apoia o empreendedorismo em dez países, comenta que, de acordo com o Ministério dos Esportes, de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões devem entrar na economia, “o que significa mais contratos para empreendedores antenados”, afirma.

Segundo Teles, se as pequenas e médias empresas abocanharem um pequeno pedaço dos aportes previstos, poderão duplicar ou até triplicar de tamanho. O diretor do Endeavor acredita que as principais oportunidades surgirão em nichos como infraestrutura, telecomunicações, segurança, energia e mobilidade.

Em Campo Grande (MS), o Portal Educação, que oferece cursos on-line de atualização profissional e de pós-graduação, deve criar mais dez cursos de inglês e oito novos treinamentos para os setores de turismo e hotelaria. O site oferece mais de 500 cursos em 25 áreas, como administração, direito, esporte, gestão e liderança.

“Os preparativos começaram antes mesmo de o país ser anunciado como sede do evento”, garante o presidente da empresa, Ricardo Nantes. Até o final de 2011, o portal lança uma bateria de cursos para atender o público envolvido com a Copa. A ideia é qualificar profissionais de turismo e oferecer mais aulas de inglês e espanhol.

A meta de Nantes é aumentar a participação de mercado do site em 20%, com cursos para profissionais liberais e empresas. De acordo com o estudo da Ernst&Young, os investimentos projetados na área de hotelaria, de cerca de R$ 3 bilhões, adicionarão 19,4 mil novas unidades habitacionais ao pool hoteleiro das cidades-sede da Copa. “Será preciso investir em qualificação profissional.”

Na Tecnoblu, de Blumenau (SC), a expectativa é a alta dos negócios no setor têxtil, área com impacto estimado de R$ 580 milhões por conta da Copa. A empresa de 192 funcionários desenvolve etiquetas, metais e botões para marcas como Colcci, Forum e Animale.

“Já definimos um grupo de profissionais que vai trabalhar parte do expediente somente no projeto Copa 2014″, adianta o diretor de inovação e marketing Cristiano Buerger. “Temos potencial para crescer cerca de 20%, entre 2013 e 2014.” Para garantir o retorno dos negócios, o plano da Tecnoblu, que deve faturar R$ 30,5 milhões em 2010, é investir R$ 300 mil até o final de 2011, em novas linhas de produtos e pesquisa de mercado.

30/08/2010 - 09:10h Argentina: Ex-dona da Papel Prensa acusa jornais. Ela disse que seu marido foi assassinado e ela torturada em 1976 para que vendessem a fábrica de papel ao Clarín e La Nación


- O Estado de S.Paulo

Em entrevista ao jornal Tiempo Argentino, Lidia Papaleo disse que seu marido, David Gravier, foi assassinado em 1976 e ela foi torturada até aceitar vender a Papel Prensa, fábrica de papel hoje controlada pelos principais jornais argentinos. A afirmação contradiz suas declarações anteriores. Na semana passada, o governo levou à Justiça acusação de suposta ilegalidade na compra da empresa durante a ditadura pelos jornais Clarín e La Nación, para quem ela é estratégia do governo contra a mídia.

30/08/2010 - 09:00h Largada para novos hotéis no RIO: Pacote olímpico prevê 21 mil novos quartos, inclusive em áreas residenciais

Paes propõe mudanças fiscais e urbanísticas provisórias para estimular oferta de quartos

Luiz Ernesto Magalhães – O GLOBO

O prefeito Eduardo Paes encaminha hoje à Câmara dos Vereadores o chamado pacote olímpico, com uma série de medidas visando a preparar a infraestrutura da cidade para as Olimpíadas de 2016. As mais importantes preveem a criação de incentivos fiscais e mudanças provisórios na legislação urbanística, para permitir a construção de hotéis em áreas da Zona Sul, da Barra e do Recreio, entre outras, onde esses empreendimentos hoje são proibidos.

Atualmente, o setor hoteleiro tem 29 mil quartos. Ainda sem os incentivos propostos, a oferta cresce em cerca de mil novas unidades por ano. Mas, para atender aos Jogos Olímpicos, é necessário criar mais vagas em hotéis, pousadas, resorts e albergues. No dossiê da candidatura do Rio, entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI), a cidade se comprometeu em oferecer 50 mil quartos — ou seja, 21 mil a mais. Nessas 50 mil unidades, além de vagas tradicionais em hotéis, estão incluídos quartos em navios de cruzeiro e nas vilas olímpicas que serão construídas.

Hotéis têm que estar prontos até 2015

De acordo com um dos projetos, as autorizações para a construção de unidades de hotelaria valeriam apenas para os empreendimentos que recebam licença de funcionamento (habite-se) até o dia 31 de dezembro de 2015. Na Zona Sul, a proposta vale para ruas internas de Copacabana e Leme; trechos da Avenida Niemeyer (já em São Conrado); a Autoestrada Lagoa-Barra; e as estradas da Gávea e do Joá. Na Barra e no Recreio, o prefeito propõe autorizações provisórias para novos hotéis na Estrada do Itanhangá, nas avenidas das Américas e Ayrton Senna e na Via Parque.

Os bairros da Ilha do Governador, Guaratiba, Deodoro e Alto da Boa Vista também estão incluídos.

Os novos empreendimentos, no entanto, seriam liberados mediante algumas restrições. Na maior parte dos locais, eles terão que respeitar os gabaritos existentes para prédios residenciais.

No caso de áreas de preservação de caráter ambiental (Apas) ou cultural (Apacs) terão de obedecer a altura e o adensamento.

A legislação em vigor permite a construção de hotéis de 15 andares na orla da Barra. Na orla da Zona Sul, geralmente os novos empreendimentos não podem passar de sete pavimentos.

O limite de altura, nesse caso, é determinado pelo chamado cone de sombra: ou seja, os prédios não podem provocar sombra na areia.

No Alto, incentivo a pousadas e resorts

Na Zona Sul, a altura proposta para os novos hotéis será o máximo tolerado para os prédios residenciais de cada área. No Alto da Boa Vista e em Guaratiba, onde o objetivo é estimular a construção de pousadas e resorts, os empreendimentos deverão respeitar as restrições existentes para se construir em áreas de preservação. Na Zona Oeste algumas pousadas aproveitam o ecoturismo para atrair hóspedes. Há aquelas que têm vista, inclusive, para a Restinga de Marambaia.

— O Rio precisa de mais oito mil quartos em hotéis até as Olimpíadas.

A proposta tenta atender às demandas do setor, mas com a preocupação de termos serviços de qualidade.

Afinal, o objetivo não é apenas atender aos megaeventos, mas também aos interesses da cidade.

No Alto da Boa Vista, por exemplo, a expectativa é que poderá ajudar a requalificar imóveis que estão vazios ou sendo subutilizados — disse o prefeito Eduardo Paes.

A autorização para os empreendimentos também ficaria condicionada à assinatura, em cartório, de uma espécie de termo de compromisso dos construtores dos novos hotéis com a prefeitura. Um dos compromissos é oferecer 90% das vagas para o Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 a preços de mercado. Outra medida tem o objetivo de evitar a especulação imobiliária, desencorajando os que queiram aproveitar os incentivos urbanísticos e fiscais para reduzir os custos de construção.

Ou seja, aqueles que, após a conclusão das obras, mudem de ideia e resolvam fazer alterações no projeto, para revender os prédios como condomínios residenciais, por exemplo.

— O proprietário terá que se comprometer a manter aquele imóvel destinado ao uso hoteleiro por tempo indeterminado. Não será permitida a transformação de uso — explicou o secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias.

A prefeitura também oferecerá R$ 34,5 milhões, em renúncia fiscal, com isenções ou abatimentos de IPTU, ISS e ITBI para empreendimentos que sejam inaugurados até 1ode abril de 2016 (quatro meses antes dos Jogos Olímpicos), independentemente da localização. Caso o empresário não honre o prazo, terá que pagar todos os impostos com os juros acumulados.

O investidor terá a garantia de isenção do ITBI (pago em transações imobiliárias) e o perdão de dívidas de IPTU de áreas inscritas em Dívida Ativa, que sejam compradas até 31 de dezembro de 2012. Após a compra do imóvel, o proprietário continuará isento do IPTU até a expedição do habitese. A prefeitura também propõe ampliar o prazo de validade da aplicação de uma alíquota simbólica (0,5%) de ISS para obras de construção ou transformação de imóveis em hotéis até dezembro de 2015. Pela legislação atual, esse benefício terminaria no fim de 2014. O pacote olímpico não altera os incentivos que já são oferecidos pelo setor hoteleiro em relação ao IPTU. Conforme as regras atuais, que estão em vigor desde 2008, até 2014 os empresários recolhem apenas 40% do imposto.

— Os benefícios de IPTU e ISS valerão para a compra de terrenos.

E ainda de imóveis já existentes, que hoje não são aproveitados como hotéis, mas nos quais o investidor pretenda alterar seu uso.

Se o interessado quiser reformar um imóvel já usado para hospedagem, que acumula dívidas, não terá direito ao benefício — explicou o secretário Sérgio Dias.

O pacote também apresenta novidades em relação a detalhes arquitetônicos.

A Secretaria municipal de Urbanismo, por exemplo, não vai considerar como área edificada as varandas dos novos prédios.

O objetivo é incentivar os empresários a construir hotéis com espaços para os hóspedes contemplarem a paisagem do Rio. Hoje varandas como a do Hotel Fasano, em Ipanema, são raras nos projetos de hotéis porque, pelas regras atuais, implica ter uma área útil menor para a construção de quartos.

Incentivo ao turismo de negócios

Um dos projetos do pacote olímpico voltados para o setor hoteleiro pretende estimular a abertura de novos centros de convenções. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Felipe Goes, o crescimento do turismo de negócios garante mais receitas para a manutenção dos próprios hotéis. Pela proposta, o correspondente a pelo menos 10% da área total de quartos deve ser destinado a centros de convenções, de lazer e a serviços de alimentação, incluindo bares e restaurantes.

Outra exigência para os novos hotéis é que os prédios sejam ambientalmente sustentáveis.

Os imóveis devem ser projetados de forma a economizar água e energia elétrica, por exemplo.

Fechado há mais de uma década, o prédio do antigo Hotel Nacional, comprado no ano passado por investidores em um leilão, teria tratamento especial.

O pacote autoriza a construção de um centro empresarial, com salas numeradas, ou a ampliação do número de quartos existentes no mesmo lote do hotel.

A proposta da prefeitura mantém as restrições para a construção de apart-hotéis no Rio. O prefeito decidiu que os hotéis-residência só continuarão a ser licenciados onde já são permitidos: no Centro (desde 1994) e na Zona Portuária (com a aprovação da lei do Porto Maravilha, no ano passado). Mas os aparts também terão direito aos incentivos fiscais de IPTU, ISS e ITBI dos demais emprendimentos.

A construção dos hotéisresidência em outros pontos do Rio está proibida desde 2002. Na época, o Tribunal de Justiça julgou inconstitucional as regras fixadas por lei, em 1999, que permitiam a construção desses empreendimentos.

Um dos motivos era a existência de um dispositivo que liberava a construção de aparts em qualquer área da cidade.