Quem ganhou o que, no debate da Band?
Bom, ontem teve o primeiro dos debates.
Com sua realização, o PSDB perdeu um dos seus argumentos preferidos. Ninguém deixou cadeira vazia, ninguém se esquivou em comparecer. Um primeiro ponto que convém estabelecer, antes mesmo de analisar quais foram os resultados do embate na Band. É uma primeira consequência, negativa para a campanha tucana, porque mesmo se a audiência do debate foi muito fraca, a sua realização é do conhecimento de um eleitorado bem mais amplo. Esse eleitorado ficou sabendo, portanto, que a afirmação tantas vezes repetida que Dilma fugia dos debates, não corresponde com os fatos. A afirmação tucana morreu ontem, antes mesmo que o debate começasse.
Qual foi o resultado do debate para os diferentes candidatos?
A resposta a essa pergunta deve ser relacionada com os objetivos fixados pelas respectivas campanhas para serem atingidos nesse evento.
Por exemplo, Plínio de Arruda Sampaio não tinha por objetivo ganhar o debate e sair içado à condição de candidato competitivo. Seu objetivo era bem mais modesto, ser protagonista do evento e não alguém que ficasse completamente ignorado pelos assistentes e pelos comentários da mídia, posteriores ao debate. Atingindo este objetivo, ele poderá talvez pontuar em alguma futura pesquisa ou até ser convidado para participar de algum outro debate. Seu papel provocador, sectário e por momentos histriónico, lhe permitiram atingir 100% do seu objetivo. Para ele o resultado foi positivo.
Marina Silva tinha um objetivo diferente de Plínio. Para ela, o debate deveria projetá-la como a candidata aberta e a “novidade” da eleição, alternativa a uma polarização agressiva entre os dois principais candidatos da situação e da oposição. Ela encarnaria assim a alternativa superadora ao confronto radicalizado, e quebraria a polarização plebiscitária assumida pelo processo eleitoral. Cesar Maia chegou a prognosticar, antes do debate, que “A candidata neutra e amazônica tem uma grande chance de ser o destaque no dia seguinte.” Para ele, Marina contando com a simpatia de boa parte da mídia, seria provavelmente a “vencedora do dia seguinte”. Em relação a esse objetivo, pode se dizer que ele não foi atingido. Em parte pela própria atuação de Plínio e também porque o debate entre Serra e Dilma foi sereno, sem agressividade maior e o formato do debate com a ordem do sorteio, acabou deixando os holofotes para a polarização principal de Serra versus Dilma. Marina saiu do debate igual que entrou e a edição posterior reforçou sua marginalização, já presente nas intenções de voto detetada nas pesquisas. Para ela, diferentemente de Plínio, o resultado não foi bom. Menos pelo que ela diz ou falou, mais pela situação objetiva e as atuações dos outros participantes.
Por último, fica a questão dos objetivos dos dois principais candidatos e dos resultados obtidos nesse debate.
Cabe aqui uma metáfora futbolística. Serra devia ganhar mostrando que é o mais preparado e experiente e sua rival um “poste” artificial. Para Dilma o objetivo era mostrar o contrário e se beneficiar com um empate. Por um lado, ela é a favorita nas pesquisas e seu objetivo é defender o governo e suas propostas.
Para não perder, Dilma devia mostrar que é preparada e que não representa só a força do governo bem avaliado, porque exitôso, do presidente Lula. Para ganhar, Serra devia demonstrar o contrário, mas não conseguiu. Não tem um único analista que avalie que Serra atingiu seu objetivo. A maioria concorda que Dilma obteve o seu empate.
O problema de Serra não é só que seu objetivo, não correspondendo com a realidade, era inatingível no que diz respeito ao preparo de Dilma.
A dificuldade de Serra é política, ele deve esconder sua oposição ao governo e particularmente ao presidente, e aparecer como uma alternativa que aportará uma melhora. Mas ele é a imagem do passado e da atuação da oposição. Que credibilidade pode ter sua afirmação, durante o debate, que ele nunca foi partidário de quanto pior melhor ou que não deve se olhar pelo retrovisor? Quando, imediatamente depois, ele é obrigado a reivindicar FHC e aparecer como crítico radical do governo, e não especificamente da Dilma -que de golpe é a representante do governo e não uma candidata frágil e marginal, como pretendiam os tucanos.
Serra mostrou eloquência e um pouco menos de nervosismo, mas isso não é suficiente. Não determina o voto de ninguém. As pegadinhas, menos ainda. Em 2002 Lula caiu em uma do Garotinho sobre a Cide e Genoino em outra, sobre o Aquifero Guarani. Não teve qualquer impacto.
Os jornais destacaram, na edição do debate, que o confronto mostrou a polarização e que ambos os principais candidatos se sairam razoavelmente, empatados.
Conclusão, Dilma atingiu seu objetivo. Serra fracasou no seu.
Os que atingem o resultado do objetivo que se fixaram para o debate, sairam vitoriosos. Os outros não.
Teremos ainda vários debates e uma campanha na TV. A eleição não está decidida e será uma disputa acirrada.
O “salto alto” com o qual os tucanos desfilaram na passarela em relação ao debate, a suposta superioridade da biografia e da experiência, agora já dve estar dando lugar a uma havaiana bem mais modesta.
Seria recomendável que nenhum petista considere que o sapato de salto, assim descartado, fica mais vistoso em seu próprio pé.
As sandálias da humildade que Dilma ostenta, deveria fazer moda na base aliada e no PT. Todo mundo deveria levar as suas sandálias de forma bem visível.
A eleição tem dois turnos e a campanha exige a contribuição do suor e lágrima de todos para ser ganha.
LF
Tags: 2010, debate Band, Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva, Plínio de Arruda Sampaio6 COMENTÁRIOS PARA "Quem ganhou o que, no debate da Band?":
Tb gostei da sua análise, mais abrangente q outras q li por ai.
Abs, Laura
Respeitos por e congratulações para com sua análise. Faz até a gente relembrar aqueles preciosos pontos de oreintação, que nos ensinaram, no meu caso, na tradição viva da Criteriologia, em universidade d´além-mar.
Favre, gostei do texto, com os pés no chão. Só faltou dizer que Plínio agora perdeu a condição de surpresa e se quiser manter a performance nos próximos debates, terá que moderar o tom senão pode ser visto como agressivo demais e isso os eleitores costumam rejeitar.
vc ao menos poderia ser um pouco mais imparcial, sua posição com certeza é petista……
Neste debate ficou muito clara a posição do Serra e Dilma, ou seja, entre
Estado mínimo do PSDB regulado pelo mercado do seu plano neoliberal e um
Estado mais atuante do PT, um estado que não abre mão de áreas estratégicas
para o país.
Alguns pontos me chamaram a atenção, mas o mais gritante, que demonstra o
jeito PSDB sabonete, em cima do muro de ser, além de querer que “pobre se
exploda” no mercado que se auto regula, e não ter a preocupação de fortalecer
uma classe potencialmente consumidora e sustentadora de um país, foi o
discurso Serra em relação às privatizações…
Privatizações que ele acusou o PT de também fazer… só que a grande
diferença, é que o PSDB neoliberal do estado mínimo, privatiza áreas
estratégicas para o país, como por exemplo o nosso patrimônio energético…
comparar isto com dois bancos estaduais? É de rir senão de chorar… Se este
caso só aparece na hora da eleição, é porque não nos sentimos ameaçados
durante no Governo Lula, em relação a algo tão sério…
As nossas telecomunicações foram privatizadas senão estaríamos na época
dos orelhões. Primeiro, eu não tenho celular porque acho um serviço muito
ruim e caro. Utilizo, assim como muitas pessoas que vejo na rua, os orelhões, e
por isso sei do péssimo estado em que se encontram em qualquer cidade que
vá. A maioria não funciona e não é por estar depredado, é acredito, devido a
uma falta de funcionamento estratégica para se forçar a pagar por um serviço
de celular (telefonia no Brasil não é de graça como disse o candidato Serra) É
um serviço caro que possui um dos maiores índices de reclamação no
PROCON. Além disso, lembro que a maioria das pessoas tem sim celular, mas
daquele que chamam de pai de santo, ou seja, que só recebe, devido as altas
tarifas… Então usam orelhão para ligar… o telefone público (orelhões) estão
sendo desprezados pois é assim no governo PSDB… o mercado que regule,
quem tem dinheiro compra o serviço, se não tem, que se exploda. O nosso
serviço de banda larga é um dos mais caros do mundo e um dos piores
também, por este motivo, Lula já fala há muito tempo, não é de agora, que irá
implantar um serviço de banda larga federal… ainda não o pôde fazer por conta
do chororô e gritaria das empresas que cuidam disto no país, que não querem
concorrência melhor e mais barata, apoiada pela imprensa partidária como
Globo, Estadão, Folha, Veja, Época e outras que todo mundo já conhece, pois
toda eleição elas fazem uma campanha descarada e na cara, só não vê quem é
muito gado (A Globo foi porta voz da ditadura no país, surgiu em plena
ditadura e chamou golpe militar de revolução, e fala em Ética e moral sem ter
moral para falar neste assunto já que pelo que consta foi criada em cima de um golpezinho
cambalacheiro com apoio dos militares na empresa TimeLife, quem quiser
saber da história assista ao documentário, que está proibido de ser exibido no
Brasil, cujo nome é Além do cidadão Kane… vocês também verão como a
Globo influenciou a eleição de Collor… quem viveu a época, como eu lembra
muito bem que colocou Collor lá.)
Da Ligth nem vou falar das explosões de bueiros…
Continuando com o termo valores e moral, qual a moral de se vender nosso
patrimônio para multinacionais, financiando esta venda? Lembro da minha
revolta na época quando foi tudo vendido se emprestando uma boa parte do
dinheiro do nosso Brasil para quem comprava. É como se uma pessoa fosse
vender o carro dela , ou a casa, emprestando para o comprador a metade do
preço de venda para pagar daqui a vinte anos, sei lá… foi algo que me deixou
indignada e continuo com isto na garganta… Escândalo? Escândalo é ninguem
falar sobre o que foi feito com o dinheiro da venda do nosso
patrimônio.Entrou nos cofres públicos? Cadê a imprensa livre e
investigadora… alguém fez uma prestação de contas deste dinheiro, ou
evaporou… A Petrobras estava no caminho disso…foi salva pelo governo
Lula, as Universidades federais, a água do nosso país também. fiz parte de um
abaixo assinado contra a privatização da Embasa na Bahia. Na época estava
horrorizada com um país da américa latina que tinha privatizado a sua água e o
preço tinha subido tanto que as pessoas estavam com baldes recolhendo água
da chuva para utilizarem. Tem setores que não dá para fazer isso, água,
energia… petróleo? Ouro negro supercobiçado no mundo todo, para que
multinacionais explorarem levando para fora ou nos vendendo novamente o
que é nosso, porque o estado não tem verba suficiente para investir na sua
exploração? Isso é balela, são as nossas riquezas naturais… No momento em
que Dilma tocou no assunto percebi que o sabonetão amarelo do Serra
escapuliu, escapuliu, até negar engolindo em seco várias vezes… por sua
expressão corporal dava para ver que estava nitidamente dando os sinais corporais de quem estava faltando com a
verdade (jeito psdb de falar)… Um escândalo. Aquele sorriso amarelo em
oposição aos olhos assustados de quem foi pego com a boca na botija não me
engana… quer privatizar tudo? Vá privatizar o tu para o FMI como o PSDB
sempre fez… Diziam que era impossível, lembro bem que várias pessoas
leitoras de jornalecos repetiam isto, era impossível administrar este país sem
pegar dinheiro do FMI. Lula, obrigada por ter levado esta país a outro
patamar… espero que não tenha retorno… é Dilma sim…
Muito bom Favre!
Excelente, realista e sincera análise.
Abc,