30/09/2010 - 22:00h Boa noite


“It Don’t Mean a Thing (If It Ain’t Got That Swing)” de Duke Ellington, com letra de Irving Mills – Duke Ellington e sua orquestra


Love Handles (slightly silly swing) com cenas de dança em diversos filmes e também Hellzapoppin, Untamed Youth, Twiced Blessed e mais…

30/09/2010 - 20:05h Don Juan no inferno

Bettina_rehims
Bettina Rheims



Charles Baudelaire – Le Clown Lyrique

Quand Don Juan descendit vers l’onde souterraine
Et lorsqu’il eut donné son obole à Charon,
Un sombre mendiant, l’oeil fier comme Antisthène,
D’un bras vengeur et fort saisit chaque aviron.

Montrant leurs seins pendants et leurs robes ouvertes,
Des femmes se tordaient sous le noir firmament,
Et, comme un grand troupeau de victimes offertes,
Derrière lui traînaient un long mugissement.

Sganarelle en riant lui réclamait ses gages,
Tandis que Don Luis avec un doigt tremblant
Montrait à tous les morts errant sur les rivages
Le fils audacieux qui railla son front blanc.

Frissonnant sous son deuil, la chaste et maigre Elvire,
Près de l’époux perfide et qui fut son amant,
Semblait lui réclamer un suprême sourire
Où brillât la douceur de son premier serment.

Tout droit dans son armure, un grand homme de pierre
Se tenait à la barre et coupait le flot noir,
Mais le calme héros, courbé sur sa rapière,
Regardait le sillage et ne daignait rien voir.


Charles Baudelaire, «Don Juan aux Enfers», Les Fleurs du Mal, 1857

Tradução de Jorge Pontual

Quando ao mundo da treva desceu Don Juan,
Assim que a Caronte o óbolo pagou,
Um mendigo sombrio, mirada malsã
E braço vingador, cada remo tomou.

Com as roupas abertas e os seios de fora,
Um bando de mulheres, na negra manhã,
Rebanho sensual que matadouro implora,
Mugia atrás do herói num lânguido cancã.

Leporelo, a zombar, o salário cobrava.
O velho Don Luís, totalmente tantã,
Apontava a um morto, que ali passava,
O filho que jogou na lama o seu clã.

Histérica de dor, a casta e magra Elvira,
Ao marido traidor que era o seu afã,
Suplicava um último olhar sem mentira,
Um sorriso com a velha pose de galã.

O gigante de pedra, visão imponente,
Assomava à proa tal Leviatã,
Mas o calmo herói, a tudo indiferente,
Olhava sem temor o reino de Satã.

30/09/2010 - 19:21h Inverno


Antonio Vivaldi, As quatro estações, Inverno – Coro de Câmera Accentus
Transcrição: Franck Krawczyk

Accentus Chamber Choir
Laurence Equilbey – Regente
Andy Sommer – diretor do filme

30/09/2010 - 18:54h Poema do homem só

António Gedeão

Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.

Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem.

Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de dentro se refracta,
nenhum ser nós se transmite.

Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.

Dão-se os lábios, dão-se os braços,
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.

Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarce,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.

30/09/2010 - 17:47h Programa de TV – Tarde – 30/09

30/09/2010 - 17:26h A estreia de Lula na argentina

Ariel Palacios CORRESPONDENTE BUENOS AIRES – O Estado de S.Paulo

Lula, o Filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto, debutou nos cinemas portenhos na quinta-feira passada, transformando a Argentina no primeiro país no exterior a exibir o filme que retrata a vida do presidente brasileiro. Foram 8 mil espectadores no fim de semana da estreia. Mas a expectativa do coprodutor do filme, o argentino Eduardo Costantini Jr., é que um total de 100 mil pessoas vejam a produção na Argentina nos próximos meses.

Otávio de Souza/Divulgação
Otávio de Souza/Divulgação – Mãe coragem. Gloria Pires no filme que revê a vida de Lula


Costantini, que confessa seu “fascínio” pelo Brasil, será o responsável pela distribuição do filme em toda a América Latina. Em entrevista ao Estado, no café do Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires), instituição criada por seu pai, o financista Eduardo Costantini, o produtor de 34 anos – que considera que para as próximas gerações Lula será mais conhecido do que Pelé – falou sobre seus projetos e a repercussão que o filme teve na área política.

Qual sua expectativa de público para a obra no país?

Estreamos com 20 cópias em Buenos Aires. Não é a melhor época para a estreia, pois na primavera, com o sol, as pessoas vão em peso aos parques e deixam de lado os cinemas. Além disso, com a proximidade das eleições no Brasil, houve até críticas de que havia um interesse eleitoral, o que é um absurdo, já que no país o volume de brasileiros que vota na embaixada é mínimo… Mas, de forma geral, nossa estimativa é que poderíamos chegar aos 100 mil espectadores. Uma coisa peculiar é que o filme foi até comentado nos jornais argentinos no meio de matérias sobre a economia brasileira. Nas próximas semanas, levaremos o filme às cidades de Córdoba e Rosário (respectivamente, a segunda e terceira cidade da Argentina). Esta é a primeira estreia fora do Brasil. Estamos viabilizando a distribuição no México, Venezuela, Colômbia, Chile, Paraguai, Equador e Uruguai. A ideia é estrear em todos esses países até meados de 2011. Minha expectativa de público para a Argentina é de 100 mil pessoas, o que é um volume grande. Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, atraiu um público de 150 mil espectadores na Argentina.

Nos dias de hoje, há um crescente fascínio pelo Brasil por parte dos argentinos. Antigamente, o Brasil interessava mais pelas praias e pelo carnaval.

Mas, desde o final dos anos 1990, os políticos brasileiros, tanto da oposição como do governo, são citados como exemplos a seguir pelos argentinos. E de quebra, os empresários argentinos confessam sua inveja da economia brasileira.

A que atribui essa “brasilmania” que agora tomou conta da Argentina?

Acho que o Brasil está vivendo um período de enormes transformações que vem de várias décadas. Já na época do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso começou a tornar visível a estabilidade graças ao Plano Real e ao crescimento da economia. E, depois, Lula, com todo o seu carisma, continuou esse plano, dando prosseguimento ao crescimento do Brasil.

Seria possível fazer um filme sobre outra figura política da região, como Chávez ou os Kirchners?

Acho que poderiam ser feitos filmes sobre Evo Morales e Chávez. Mas a política não me interessa. O que me interessa é o Brasil, e especificamente, a figura de Lula, além do prazer de ter trabalhado com Fábio Barreto. O Brasil me interessa como um todo, mais do que fazer filmes sobre políticos da região.

Foi criticado por ter produzido um filme que alguns setores enquadraram de “direita” como o Tropa de Elite e agora é criticado por ter produzido um filme definido como de propaganda política da esquerda…

São acusações ridículas. A intenção de um filme como Tropa de Elite era a de mostrar a violência da polícia com os narcotraficantes. Não apoiamos essa violência, mas a mostramos e denunciamos. No caso do filme do Lula, alguém dizer que tem intenções políticas é um absurdo. Além disso, o trabalho está focalizado na relação de Lula com a sua mãe.

Quais as chances para o Oscar de melhor filme estrangeiro?

Acredito que ele tem altas chances de ser selecionado. Fico feliz que o Brasil tenha escolhido este filme para o Oscar. A produção é sobre Lula, logo, Hollywood deve ficar bem interessada. Ora, para que escolher outro filme para representar o Brasil?

Tem novos projeto para o país?

Estivemos conversando com o cantor e produtor americano Lenny Kravitz, que quer fazer um filme no Brasil, no qual ele seria protagonista. O diretor seria um inglês que reside em Hollywood. Estamos atrás do financiamento. Tudo deve estar definido até o fim do ano.

Nas últimas décadas foram feitos filmes sobre figuras como Gandhi e Mandela. Gandhi já morreu e Mandela está aposentado… é complicado fazer um filme sobre um líder político que ainda está na ativa?

Complicado não foi. Mas aprendi que muitas pessoas não gostaram porque acharam que era um filme proselitista por coincidir com o ano eleitoral…

Como imagem do Brasil, para as novas gerações, Lula poderia ser mais conhecido do que Pelé?

Sim, acredito que daqui para a frente, Lula deverá se tornar mais conhecido do que Pelé.

O presidente Chávez assistirá a Lula, o Filho do Brasil quando o filme estrear em Caracas?

Não sei… mas seria ideal!

Modernismo
Em 1995, o pai do produtor cinematográfico Eduardo Costantini Jr., o financista Eduardo Costantini, comprou em Nova York o Abaporu, da pintora brasileira Tarsila do Amaral. Esta peça ícone do modernismo brasileiro está no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba), criado pelo financista.

30/09/2010 - 16:50h Na reta final: O que pode e o que não pode, nas campanhas eleitorais

1- VÉSPERA DA ELEIÇÃO (02 DE OUTUBRO):

CARREATAS, PASSEATAS, CARROS DE SOM E PANFLETOS:

Permite-se até às 22 horas do dia que antecede a eleição (02 de outubro), a distribuição de material gráfico (panfletos, santinhos), caminhada, carreata, passeata ou carro de som que transite pela cidade divulgando jingles ou mensagens de candidatos. ATENÇÃO: os microfones não podem ser usados para transformar o ato em comício (art. 10, § 6º da Res. 23.191/09).

2- DIA DA ELEIÇÃO

DOMINGO – 1º turno (03 de outubro) e 2º turno (31 de outubro)

É CRIME ELEITORAL: (art. 54, I, II e III da Res. 23.191/09)

  • o uso, no dia da eleição, de alto-falantes e amplificadores de som ou a promoção de comício ou carreata (Lei nº 9504/97, art. 39, § 5º, I);
  • a arregimentação de eleitor ou a propaganda de boca de urna (Lei n.º 11.300/06 e Lei nº 9504/97, art. 39, § 5º, II);
  • a divulgação de QUALQUER ESPÉCIE de propaganda de partidos políticos ou de seus candidatos (Lei nº 9504/97, art. 39, § 5º, III).
  • o uso de vestuário ou objeto que contenha qualquer propaganda de partido político, de coligação ou de candidato, por servidores da Justiça Eleitoral, mesários e escrutinadores, no recinto das seções eleitorais e juntas apuradoras (Lei 9.504/97, art. 39-A, § 2º).

MANIFESTAÇÃO SILENCIOSA E INDIVIDUAL:

Não caracteriza o crime eleitoral acima previsto a manifestação individual e silenciosa da preferência do cidadão por partido, coligação ou candidato, revelada EXCLUSIVAMENTE no uso de bandeiras, broches ou dísticos e pela utilização de adesivos em veículos particulares, não se admitindo aglomerações de pessoas portando vestuário padronizado e os instrumentos de campanha acima enunciados, de modo a caracterizar manifestação coletiva, com ou sem utilização de veículos (Lei nº 9.504/97, art. 39-A, caput e art. 49, § 1º da Res.23.191/09).

Crachás e camisetas de fiscais: Aos fiscais partidários, nos trabalhos de votação, somente é permitido que de seus crachás constem o nome e a sigla do partido político ou coligação a que sirvam, vedada a padronização do vestuário, portanto, proibida a utilização de camisetas da mesma cor (art. 49, § 3º da Res. 23.191/09).

3- NÃO ESQUEÇAM:

PROIBIDA a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor (art. 10, § 3º da Res. 23.191/09 e art. 39, § 6º da Lei n.º 9.504/97). Vale dizer, é proibida a confecção, distribuição e utilização de camisetas, durante toda a campanha eleitoral, com propaganda do nome ou número do candidato, bem como a confecção, distribuição e utilização de brindes com o nome ou número do candidato, ou seja, qualquer bem ou material que tenha algum valor e que possa proporcionar vantagem ao eleitor.

PROIBIDO o oferecimento de troféus, prêmios, ajudas de quaisquer espécies feitas por candidato, entre o registro e a eleição, a pessoas físicas ou jurídicas.

ALTO FALANTES NOS COMITÊS:

PODEM funcionar até a véspera das eleições (02 de outubro), das 08 às 22 horas, nas sedes e dependências, assim como em seus veículos ou à sua disposição, em território nacional, com observância da legislação comum, desde que estejam distantes, no mínimo, a 200 metros das Sedes dos Executivo e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e respectivas Prefeituras Municipais; dos órgãos e Tribunais Judiciais; dos quartéis e outros estabelecimentos militares; dos hospitais e casas de saúde; das escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros quando em funcionamento (art. 10, inciso II, § 1º e 2º da Res. 23.191/09).

CAVALETES:

Devem ser retirados das vias públicas até 22 horas da véspera das eleições. NO DIA DA ELEIÇÃO É CRIME ELEITORAL QUALQUER ESPÉCIE DE PROPAGANDA ELEITORAL. O eleitor que colocar cavalete de candidato NO DIA DA ELEIÇÃO, além de sujeitar o candidato à multa, poderá ser detido e responder por crime eleitoral.

NA IMPRENSA ESCRITA:

É permitida a divulgação paga, na imprensa escrita, até a antevéspera das eleições (01/10), de ATE 10 (dez) anúncios de propaganda eleitoral, por veículo, em datas diversas, de propaganda eleitoral no espaço máximo a ser utilizado por edição, para cada candidato, de 1/8 de página de jornal padrão e de ¼ de página de revista ou tablóide.

SITES NA INTERNET:

Os sites e blogs de PARTIDOS E CANDIDATOS NÃO PRECISAM SAIR DO AR antes das eleições. A Lei 12.034 aprovada em 2009 trouxe dispositivo específico, que foi reproduzido no artigo 82 da Resolução 23.191 (de Propaganda).

NÃO HÁ NECESSIDADE DE RETIRAR OS SITES DO AR.

ATENÇÃO PARA UMA RECOMENDAÇÃO IMPORTANTE: NO DIA DA ELEIÇÃO é crime eleitoral a DIVULGAÇÃO de qualquer espécie de propaganda de partidos ou candidatos. O site ou o blog não pode, portanto, ser alimentado com NOVAS propagandas. Recomendamos, assim, que NO DIA DA ELEIÇÃO não haja qualquer ATUALIZAÇÃO dos sites e blogs. Quaisquer modificações sobre PROPAGANDA devem ser efetuadas até a meia noite da véspera.

Lei 12.034/09:

Art. 7o Não se aplica a vedação constante do parágrafo único do art. 240 da Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 – Código Eleitoral, à propaganda eleitoral veiculada gratuitamente na internet, no sítio eleitoral, blog, sítio interativo ou social, ou outros meios eletrônicos de comunicação do candidato, ou no sítio do partido ou coligação, nas formas previstas no art. 57-B da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997.

Código Eleitoral:

Art. 240. A propaganda de candidatos a cargos eletivos somente é permitida após a respectiva escolha pela convenção. (Vide Lei nº 12.034, de 2009)

Parágrafo único. É vedada, desde quarenta e oito horas antes até vinte e quatro horas depois da eleição, qualquer propaganda política mediante radiodifusão, televisão, comícios ou reuniões públicas.

Lei 9504/97:

Art. 39-A.  É permitida, no dia das eleições, a manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor por partido político, coligação ou candidato, revelada exclusivamente pelo uso de bandeiras, broches, dísticos e adesivos. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

Art. 57-B.  A propaganda eleitoral na internet poderá ser realizada nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009) (Vide Lei nº 12.034, de 2009)

I – em sítio do candidato, com endereço eletrônico comunicado à Justiça Eleitoral e hospedado, direta ou indiretamente, em provedor de serviço de internet estabelecido no País; (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

II – em sítio do partido ou da coligação, com endereço eletrônico comunicado à Justiça Eleitoral e hospedado, direta ou indiretamente, em provedor de serviço de internet estabelecido no País; (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

III – por meio de mensagem eletrônica para endereços cadastrados gratuitamente pelo candidato, partido ou coligação; (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

IV – por meio de blogs, redes sociais, sítios de mensagens instantâneas e assemelhados, cujo conteúdo seja gerado ou editado por candidatos, partidos ou coligações ou de iniciativa de qualquer pessoa natural. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

Art. 57-C.  Na internet, é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

§ 1o É vedada, ainda que gratuitamente, a veiculação de propaganda eleitoral na internet, em sítios: (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

I – de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos; (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

II – oficiais ou hospedados por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

§ 2o A violação do disposto neste artigo sujeita o responsável pela divulgação da propaganda e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o beneficiário à multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 30.000,00 (trinta mil reais). (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009

Atenciosamente,

Assessoria Juridica DN/PT

30/09/2010 - 16:46h Exortação aos últimos idealistas

Prezado Favre,

Envio-lhe esse artigo para que você ajude a divulgar essa mensagem à militância do PT no seu blog. Creio que o momento assim o exige. Não podemos brincar em serviço. Não é mesmo?
O artigo foi publicado originalmente ontem no site da Carta Maior. Já está liberado, basta citar a fonte.
Leio seu blog todas as noites com minha mulher, a Malu.

Até a vitória, companheiro!

Um abraço

Lula Miranda

Exortação aos últimos idealistas

Lula Miranda – Carta Maior

É chegada a hora! Chegamos à reta final de uma das eleições mais importantes e decisivas da nossa história. Passamos por momentos de alegrias e muitas apreensões. Agora é o momento de sairmos às ruas, de conversarmos com as pessoas nas praças, nos pontos de ônibus, no trem, no metrô; com nossos colegas de trabalho, nossos parentes e amigos. Enfim, é chegada a hora de fazermos, com tranqüilidade, generosidade e competência a nossa parte de militantes e/ou cidadãos. Pois, “do lado de lá”, vi, in loco, com meus próprios olhos, que verdadeiras hordas de militantes a soldo, com seus indefectíveis coletes azuis, já invadem as casas com sua pregação plena em infâmias, aleivosias e falsas promessas. É preciso mostrar-lhes a força e graça da nossa militância.

(mais…)

30/09/2010 - 16:30h Morre Tony Curtis, ator de ‘Quanto mais quente melhor’

AE-AP – Agência Estado

O ator norte-americano Tony Curtis morreu ontem aos 85 anos, informou hoje o juiz investigador Mike Murphy. Curtis foi coprotagonista, em 1959, de uma das comédias mais aclamadas da história do cinema, “Quanto mais quente melhor”, de Billy Wilder, quando contracenou com Marilyn Monroe e Jack Lemmon. A morte ocorreu às 21h25 (horário local) na casa do artista em Las Vegas, por uma parada cardíaca. Curtis já havia sido submetido a uma cirurgia cardíaca, em 1994, quando recebeu uma ponte de safena.

Ele começou sua carreira como um galã na década de 1950, mas se converteu em intérprete respeitado graças a filmes como “Acorrentados” (1958) e “A embriaguez do sucesso” (1957). Por “Acorrentados”, recebeu uma indicação ao Oscar de melhor ator, por seu papel de um racista convicto algemado a um fugitivo negro, interpretado por Sidney Poitier.

Curtis era considerado um ator versátil, pois brilhou em papéis diversos, entre eles um agente corrupto em “A embriaguez do sucesso” e um galã romântico na comédia “Quanto mais quente melhor”. Sua primeira esposa foi a atriz Janet Leigh, com quem teve uma filha, a também atriz Jamie Lee Curtis.

Após superar uma batalha contra o álcool e as drogas, o ator retornou à televisão e ao cinema e virou pintor. Seus quadros chegaram a ser vendidos por US$ 20 mil. Ele trabalhou ainda em filmes como “Spartacus”, de Stanley Kubrick, em 1960, e Pavilhão 7, dirigido por David Miller, em 1963.

30/09/2010 - 14:48h Liberdade na internet também

Alexandre Barros – O Estado de S.Paulo

A discussão sobre a liberdade de informação é ótima, mas está centrada na mídia tradicional. Sem liberdade de circulação de ideias tudo para, dos pequenos prazeres às grandes inovações.

Mas pouco espaço tem sido dedicado à manutenção da liberdade na internet. Como ela é livre, poucos se lembram da importância de preservá-la assim.

Quem cresceu sem internet acha-a interessante, mas a maioria não explora todas as suas virtudes e liberdades. Quem cresceu com ela é mais audaz em buscar seus meandros mais interessantes e ousados, mas a estes falta a noção de como era o mundo sem internet.

A internet livre é o que mais se aproxima do mercado perfeito de Adam Smith, John Stuart Mill e Milton Friedman. Na internet você acha tudo o que quiser e faz praticamente o que bem entender, do mais interessante ao mais enjoativo. Se todos concordassem a respeito do que é interessante ou enjoativo, não teríamos apostas nem discussões.

Há muitas gente poderosa que quer censurar a internet. O controle pode ocorrer, acabando com a neutralidade da rede (que permite que todas as ideias circulem com a mesma velocidade e amplitude) ou censurando-a por acharem que ela é um depósito de informações perigosas.

Mas perigosas para quem? Se levarmos em conta as diversidades culturais, a internet serve tanto para defender o direito de Sakineh de não ser apedrejada quanto para defender a cultura que acredita que ela deva ser apedrejada.

Da diversidade e do embate das ideias é que surgem novidades criativas. Com censura as pessoas não podem informar-se sobre alternativas nem discuti-las.

Muitos acham inútil e perigoso que adolescentes passem horas sem fim navegando ou jogando com alguém do outro lado do mundo. Quem inventou a internet não pensou nisso, nem em que as pessoas poderiam comprar, vender, discutir, debater, namorar, casar ou encontrar almas irmãs para compartilhar os mais esdrúxulos (não necessariamente malévolos) gostos e preferências.

Dito assim parece chocante, mas a diversidade dos interesses humanos é muito maior do que imaginamos. Pessoas que visitam países “exóticos” porque tiveram dinheiro e interesse em lá ir comentam achar estranho que na Coreia se coma carne de cachorro ou que na China se cozinhe com gordura de iaque.

A internet permite-nos tudo isso de graça. Mais importante do que apenas preferências, a internet oferece a oportunidade a um enorme número de pessoas, que nunca teriam acesso a mais informações do que seus cinco sentidos e seus recursos econômicos permitem, de andar por caminhos impensados há 30 anos.

Nos início da internet a coleção de artes do Vaticano ficou famosa e competia em pé de igualdade com receitas para fazer bombas, como uma vez disse um senador da República, justificando a necessidade de censurar a internet.

Mas não nos esqueçamos de que a excentricidade tem livre trânsito na internet e dela surgem grandes invenções.

Foi preciso que Ford e outros excêntricos atinassem com a solução de colocar um motor na carruagem para as pessoas pararem de pensar que a solução para transportes mais rápidos seriam cavalos mais rápidos.

Outro excêntrico, menos conhecido porque muitas de suas ideias circularam limitadamente num mundo que ainda não estava pronto para elas, foi Nikola Tesla. Ele foi o inventor da corrente alternada que sai da sua tomada e alimenta todos os seus eletrodomésticos, das lâmpadas aos computadores. Tesla ficaria no anonimato, restrito a poucos entusiastas, se não fosse pela internet. Interrompi este artigo e busquei Tesla no Google: 14,7 milhões de referências. Sem ela poucos saberíamos que Tesla sequer existiu.

Prepare-se para as invenções dele. Estão sendo aplicadas no carro elétrico da marca Tesla, já lançado em mercado restrito. Tem a performance de uma Ferrari, sem consumir combustível fóssil. Daqui a alguns anos a sua tomada elétrica ficará obsoleta porque a transmissão da eletricidade se dará sem fios. Adeus àquela confusão das casas nas quais os fios se embaraçam pelo chão e dão choques nos cachorros (que retornaram, no Google, 37 milhões de resultados).

Falei só do pitoresco, mas quem gosta de ir ao cinema e pouco se interessa por internet não imagina que os jogos de internet já faturam mais do que a indústria cinematográfica.

Precisamos incluir a preservação da liberdade na internet quando nos queixarmos dos ataques do governo à mídia.

A internet, do ponto de vista da mídia, permite até que a mídia impressa, falada e televisiva multiplique seu alcance muitas vezes. Este artigo que você pode estar lendo aqui, no Estadão impresso, está disponível na internet inteiramente grátis. Milhões de pessoas têm acesso a ele. Diariamente, em torno de 1 milhão de pessoas acessam o estadao.com.br, sem precisar gastar papel ou dinheiro.

A internet merece respeito, carinho e proteção. Boa parte das coisas que você estará consumindo daqui a 25 anos ainda não foi inventada e a internet é o principal ambiente em que essas ideias e invenções serão compartilhadas, difundidas e aperfeiçoadas. Sem liberdade na internet os benefícios do progresso científico demorarão muito mais tempo.

E o que um censor proíbe hoje pode ser a salvação de milhares ou milhões, ali na esquina ou espalhados pelo mundo.

A aids, nos seus primórdios, não tinha financiamento de pesquisa do governo americano por ser considerada castigo divino para comportamento sexual inadequado ou pecaminoso.

A hepatite C assola 170 milhões de pessoas no mundo (e mata anualmente mais de 10 mil) e se transmite de maneira parecida com a aids. O desenvolvimento de remédios para ela pode ser muito mais rápido com liberdade na internet.

CIENTISTA POLÍTICO, É DIRETOR-GERENTE DA EARLY WARNING: OPORTUNIDADE E RISCO POLÍTICO (BRASÍLIA) E-MAIL: ALEX@EAW.COM.BR

30/09/2010 - 10:30h Dilma deve vencer eleições ‘na aba de Lula’, diz ‘Washington Post’

Jornais internacionais destacam reta final da campanha eleitoral e possível vitória de Dilma no primeiro turno.

BBC – Agência Estado

Lula está constantemente presente na campanha, diz Washington Post

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, deve vencer as eleições presidenciais neste domingo graças ao carisma e apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirma reportagem do jornal americano Washington Post nesta quinta-feira.

Com título “Na aba do popular presidente brasileiro, ex-radical deve ganhar”, o jornal lembra que, apesar de não ser candidato à reeleição, Lula está constantemente presente na campanha eleitoral, prestando seu apoio à Dilma.

“Com 80% de aprovação depois de oito anos no governo, o ex-líder sindical gordinho e barbudo que exala carisma está em toda a parte, virtualmente garantindo a vitória de sua sucessora escolhida a dedo, Dilma Rousseff.”

Mas o jornal comenta que, apesar do apoio de Lula, Dilma não tem o apelo popular que é a marca registrada do presidente.

Também nesta quinta-feira, o diário espanhol El Mundo traz uma série de reportagens sobre a reta final da campanha.

Em uma delas, o jornal compara a trajetória de Dilma e da candidata do Partido Verde, Marina Silva, lembrando que Dilma tem, em comum com Lula, a militância de esquerda, enquanto que Marina divide com o presidente a origem humilde.

Em outro artigo, o diário espanhol ressalta que nem Dilma, nem o candidato tucano José Serra, seu principal opositor, apresentaram suas plataformas ao Tribunal Superior Eleitoral antes das eleições, afirmando que “se não está escrito, não há por que cumpri-lo”.

‘The Guardian’

O jornal britânico The Guardian traz um artigo assinado pelo analista internacional Raul Zibechi, afirmando que “só a mágica de Lula explica a ascensão de Dilma”.

Segundo o comentário, “o último milagre do torneiro mecânico que se tornou presidente do Brasil em 2003 foi passar sua enorme popularidade para uma mulher quase desconhecida chamada Dilma Rousseff”.

Zibechi lembra que, quando a candidatura de Dilma foi anunciada, em outubro de 2008, apenas 8,4% dos eleitores pretendiam votar nela. Hoje, a expectativa é de que a candidata vença já no primeiro turno.

Ele destaca os sucessos do governo Lula, como a estabilidade econômica e o fato de o presidente ter tirado milhões de pessoas da pobreza.

“Mas a contabilidade dos oito anos de Lula também deve reconhecer as fraquezas em um país que aspira o status de potência global”, diz o artigo, afirmando que a primeira é o fato de a economia se basear fortemente na exportação de commodities sem valor agregado, e a segunda é que, apesar do crescimento e do bom desempenho econômico, o Brasil permanece um dos países mais desiguais do mundo.

‘Le Monde’

Na França, o jornal Le Monde destaca os candidatos inusitados dessas eleições, como Tiririca, que deve ser o candidato a deputado federal mais votado.

“No Brasil, o voto é obrigatório. É impossível se abster para manifestar o descontentamento. Enviar um palhaço ao Parlamento é um belo meio de protestar contra o sistema”, afirma o diário.

O Le Monde ainda destaca as candidaturas de Bebeto, Romário, Andréia Schwartz – a ex-garota de programa que provocou a queda do governador de Nova York Eliot Spitzer -, a Mulher Melão e a ex-prostituta Gabriela Leite, que fez campanha de prevenção à Aids.

30/09/2010 - 10:01h Mercadante investe em maratona para chegar a 2º turno

Candidato petista tem visitado pelo menos cinco cidades por dia e seu vice viaja pelo interior para conquistar votos

Adriana Carranca , Flávia Tavares – O Estado de S.Paulo

O PT paulista vai concentrar todos os esforços na capital e Grande São Paulo na esperança de levar a disputa ao governo do Estado para o segundo turno. Na avaliação da coordenação de campanha, o candidato petista Aloizio Mercadante tem mais chances de ganhar votos rapidamente no “cinturão vermelho”, onde a maioria das prefeituras está nas mãos do partido.

Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE – Acelerando. Mercadante, Netinho e Marta contarão com o reforço de Lula e Dilma na reta final


Desde as 10 horas de ontem, Mercadante disparou uma série de compromissos, entre caminhadas e carreatas, por cidades no entorno da capital. Animado com a possibilidade de levar a eleição para novembro, quando indagado se tinha propostas específicas para a região de Itapecerica da Serra, Mercadante respondeu: “Hoje só quero falar de campanha.”

A programação começou em Taboão da Serra, seguiu para Embu das Artes, Itapecerica e culminou com um almoço em Cotia. De lá, a comitiva de Mercadante, que contava com Netinho de Paula (PC do B), candidato ao Senado, e Eduardo Suplicy (PT), passaria ainda por Itapevi e Jandira. Assessores do petista afirmaram que eles estão apostando principalmente em carreatas, que atingem mais pessoas do que caminhadas curtas.

Marta Suplicy e Netinho estarão ao lado de Mercadante na maioria dos compromissos. Nestes últimos três dias, o “trio do Lula” percorrerá as principais cidades da região metropolitana – a média prevista é de cinco cidades por dia. A estratégia da reta final inclui dois grandes eventos com o presidente Lula: o último comício da campanha, hoje, em São Bernardo do Campo, e uma “caminhada silenciosa” pelo centro de São Paulo na sexta-feira. A cidade onde Lula se fez politicamente marcará também a sua “despedida simbólica” do cargo de presidente. Dilma Rousseff não está confirmada no comício de hoje, por conta do debate na TV Globo. No sábado. Mercadante e seus escudeiros devem passar ainda por Campinas.

Para reforçar os eventos, a militância dos 11 partidos da coligação, liderada pelo PT, foi convocada para fazer um “porta a porta” nas 39 cidades da região.

Vice. O interior do Estado ficou a cargo do candidato a vice, Coca Ferraz (PDT). Desde o dia 6, o pedetista percorreu 59 cidades paulistas, quase três por dia – de Jaú a Lençóis Paulista, de Lins a Americana, de Araras a São João da Boa Vista, de Amparo a Cruzeiro, de Peruíbe a Araraquara, sua cidade natal. Para a coordenação da campanha, o ex-presidente do PSDB de Araraquara, que deixou o partido para se aliar à coligação petista, tinha mais chances do que Mercadante de abarcar votos do adversário tucano Geraldo Alckmin.

A última agenda no interior foi feita ontem. A partir de hoje, Coca Ferraz também se junta a Mercadante, Lula, Dilma, Marta e Netinho no esforço conjunto na Grande São Paulo.

A confiança dos petistas de levar a eleição ao segundo turno, segundo o coordenador da campanha, Emídio de Souza, vem da “tradição do PT de conseguir uma arrancada” na reta final da campanha. “Veja os casos de (José) Genoino, em 2002, e do próprio Mercadante. Em 2006, ele tinha somente 23% das intenções de voto e chegou a 32% no final. Agora temos uma aliança mais ampla e a imagem do presidente Lula muito mais consolidada. Não tem como não chegarmos ao segundo turno”, disse Emídio.

Pesquisas internas do PT paulista mostram Mercadante a apenas dois pontos porcentuais de levar a disputa ao segundo turno. Se isso ocorrer, e com a possível vitória de Dilma Rousseff já no domingo, o PT nacional promete concentrar todos os esforços para acabar com a hegemonia tucana em São Paulo.

30/09/2010 - 09:41h PT e PSDB se manterão como polos, diz Limongi

Eleições: Cientista político aposta na eleição de Dilma e numa oposição mais forte do que a dos governos FHC

Davilym Dourado/Valor – 30/7/2008

Limongi: “A oposição sairá tão forte que até candidato já tem, Aécio Neves”


Caio Junqueira | VALOR

Considerado um dos principais estudiosos da política brasileira, Fernando Limongi, doutor pela Universidade de Chicago e livre docente pela USP, considera as eleições deste ano definidas em favor da candidata oficial do governo, Dilma Rousseff (PT), mas posiciona-se contrariamente às vozes que vaticinam o fim da oposição no país. Para ele, o principal partido que a representa, o PSDB, se manterá como polo oposicionista em contraponto à principal legenda governista, o PT, mantendo-se, assim, o duopólio político-partidário nestas e nas próximas eleições presidenciais.

“Há um duopólio no Brasil já constatado desde 1994 e que se manterá em 2014, 2018… Essa é a a tendência e muito dificilmente alguma terceira força conseguirá furar isso”, afirmou ontem em palestra na avenida Faria Lima, um dos centros financeiros de São Paulo. Durante duas horas, Limongi, avesso a exposições do gênero, apresentou a mais de duzentos advogados e clientes do escritório Araújo e Policastro suas expectativas para o cenário político nos próximos anos.

“Sempre tem um terceiro partido tentando destruir esse duopólio, mas sempre com distância grande, sem ameaçar o segundo colocado. Mais do que isso, a identidade do terceiro colocado se altera eleição a eleição, não é uma força emergente”, disse.

Ele avaliou que a vitória de Dilma -que ele dá como certa- é mais obra da repercussão do crescimento da economia nas camadas mais populares do que de uma estratégia errática da oposição no decorrer do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou mesmo na campanha eleitoral.

“Em certa medida, a derrota do Serra independe do que ele tenha feito. Quem quer que tivesse sido candidato pelo PSDB seria derrotado, dada as condições da economia. Raramente foi observado no mundo um processo de distribuição de renda tão rápido e tão espetacular. Dificilmente a oposição venceria”, afirmou, a quatro dias da disputa do primeiro turno em um cenário no qual as pesquisas apontam indefinição quanto à possibilidade ou não de segundo turno.

Ele afirmou, porém, que “se analisar como o PT se comportou quando era oposição e como o PSDB e o DEM se comportaram quando oposição, é claro que o PT foi capaz de formular e passar à população a imagem de que tinha uma proposta alternativa”. “O PT claramente soube se distinguir e marcar diferença em relação ao que faria diferente. Não fez nada do que disse, mas isso são ‘outros quinhentos’. O importante é, enquanto oposição, dizer que é alternativa. O PSDB ficou em posição muito difícil porque, ao dar continuidade ao programa do PSDB, se viu em uma sinuca de bico. Como vai criticar o PT por fazer o que ele havia feito?”, disse.

No entanto, o cientista político avalia que “as previsões de que a oposição vai desaparecer são absolutamente exageradas”. “O temor, o tom da campanha do PSDB, de alguns intelectuais ligados ao PSDB, de que a oposição estava ameaçada, em um processo de ‘mexicanização’ e ‘venezualização’, são absolutamente equivocadas”, declarou. “Será uma oposição em um quadro similar ao que era a da oposição ao governo FHC, mas muito mais forte por conseguir manter Estados como Minas Gerais e São Paulo. Não existe nenhum sinal de que ela esteja sendo esmagada.”

Tanto é assim, que Limongi afirma que os tucanos já têm até candidato daqui a quatro anos. “Já tem candidato até. O Aécio. Foi preservado nessa eleição e isso foi bom para o PSDB. Foi bom que não entrou de vice do Serra para não sair chamuscado. Pode ter uma grande vitória em Minas, elegendo o sucessor e dois senadores, o que é muito importante. Ele sai muito fortalecido.”

À força do tucano mineiro, porém, Limongi atribui parcela de responsabilidade ao PT, que estabeleceu uma estratégia de privilegiar a campanha nacional em detrimento das estaduais.

“A vitória do Aécio tão significativa se deve a uma estratégia do PT também, que tinha candidatos fortes para governador mas em nome dessa composição, cedeu a vez para o PMDB”, disse.

Limongi disse que o PT assume a mesma estratégia eleitoral das eleições de 1998, de ceder a disputa para governos estaduais em troca do apoio à disputa presidencial. Naquele ano, isso foi feito no Rio de Janeiro em troca do apoio do PDT. “Não é de hoje que o PT troca compromissos programáticos por votos. Sempre fez coalizões, sempre foi um partido pragmático, eleitoral”, diz.

Ele lembra que, nas eleições de 1989, o PT foi o único partido a se coligar dentre os 21 postulantes. Coligou-se com o PSB. Em 1994, com o PCB, PV e PSB. Em 1998 o PDT entrou nesse grupo. É ao apresentar essa evolução nas candidaturas de centro-esquerda no que ele defende a tese do bipartidarismo informal brasileiro. No campo político-partidário de centro-direita, afirma que a evolução das candidaturas foram se consolidando em torno do PSDB, que agregou partidos como o DEM (ex-PFL), o PTB e o PP. “Trato essas duas coalizões como se um partido fosse. E ela se repete nas disputas estaduais também”

O PMDB, segundo Limongi, é o único partido que faz sombra a esses dois “partidos”. “É o que tem capacidade de se opor a esses dois polos, mas não é propriamente independente deles. Em diferentes Estados tem ido para um ou outro lado. Por isso que as eleições são fundamentalmente bipartidárias”, avalia. Diz também que “o PT sempre quis vir para o centro com o PMDB mas, enquanto o PSDB fechou essa possibilidade se aliando com os pemedebistas, o PT não encontrou parceiros para esse deslocamento”. “Quando em 2002 houve a luta na coalizão PSDB e PFL, esse espaço foi aberto”, disse.

O quadro de concentração na disputa para os Executivos não se reflete, contudo, no Legislativo. Ali, Limongi vê grande e crescente fragmentação partidária, com características típicas de um regime parlamentarista. “O presidencialismo brasileiro confere grande poder de agenda política e capacidade legislativa ao presidente, por isso precisa compor uma coalizão. O presidente aqui é análogo a um primeiro ministro da Inglaterra ou da França”.

Ele disse ainda que, ao contrário do que é pregado na “mitologia do sistema político brasileiro”, é mais importante aos partidos pequenos e médios se coligarem com o governo do que o contrário. “A questão é saber qual o poder de barganha e de ameaça desses partidos pequenos e médios. Eles não têm nenhum poder de barganha. Para onde iriam sem o governo? Não têm para onde correr. Não têm aspiração a nenhum governo estadual e a menor chance de ganhar a Presidência”.

30/09/2010 - 08:51h Uma democracia sem adjetivos vai às urnas

Maria Inês Nassif | VALOR

“Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.” Esta é uma das mais repetidas afirmações do filósofo alemão Karl Marx, que abre “O 18 Brumário”, talvez porque a realidade sempre se confronte com formas de farsas saudosas de tragédias.

O clima criado nestas eleições foi uma farsa inspirada na tragédia de 1964. Chegou-se ao grotesco. A guerra eleitoral ressuscitou de um passado que merece ser deixado para trás teses paranoicas de implantação de uma república sindicalista ou do comunismo totalitário, e acusou e pintou de tintas fortes supostos algozes da democracia. É uma situação irreal, pois o cenário dessa batalha é uma campanha eleitoral onde todas as instituições democráticas estão a postos e operantes: partidos legalmente constituídos apresentam seus candidatos aos eleitores e pedem seus votos; o acesso ao eleitor é democraticamente garantido por leis estáveis; uma Justiça que bate a cabeça, mas julga, mantém-se como poder independente; um governo eleito e reeleito pelo voto direto governa; o Congresso faz leis; a polícia investiga, criminosos vão para a cadeia. O país tem um presidente que, a despeito da alta popularidade, rejeitou artifícios constitucionais comuns no continente para concorrer a um terceiro mandato, afastando os exemplos de Hugo Chávez, da Venezuela, e Álvaro Uribe, da Colômbia. A oposição fala o que quer – e raras vezes na história falou tantos desaforos contra autoridades elevadas ao poder pelo voto popular. Aliás, não disse um centésimo deles a militares eleitos por Colégios Eleitorais, na ditadura militar.

Enfrentar a candidata de um presidente com 79,4% de aprovação, segundo o CNT/Sensus divulgado ontem, não é uma tarefa fácil, mas a disputa democrática em nenhum momento deve usar de qualquer meio para chegar a um fim. A mobilização de setores conservadores, a ida à caserna com discursos de “denúncia” de supostos atentados à democracia, o insuflamento do clima de Guerra Fria 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, o terror à mobilidade social – tudo isso traz do passado o que o Brasil não gostaria de recriar para o seu futuro. Os velhos medos conservadores não cabem no novo mundo. Nem no Brasil de 2010. E são eles que estão sendo chamados às urnas, na impossibilidade de interlocução com setores que fogem ao controle da política tradicional.

Clima de Guerra Fria tirou os programas do debate eleitoral


Esse clima tirou do eleitor oportunidades preciosas. Como, por exemplo, a de ouvir do candidato do PSDB, José Serra, algum projeto coerente de Brasil para um eventual governo tucano. A campanha de Serra voltou ao período pré-governos FHC, onde as promessas surgiam do nada e visavam atingir um público sem discernimento. As campanhas eleitorais pós-Collor – que deram dois governos a Fernando Henrique Cardoso e dois a Luiz Inácio Lula da Silva – introduziram no linguajar de campanha a promessa responsável, que tinha que vir com a devida prova de que o Orçamento permitiria seu cumprimento. Serra vai asfaltar a Transamazônica, aumentar o salário mínimo para R$ 600 e dar 10% de aumento para os aposentados no ano que vem – e vai prometer o que mais vier à cabeça com o fim de suplantar o apelo popular de Dilma Rousseff (PT), a candidata que vem com o carimbo de Lula.

Dilma, por sua vez, ao se colocar na defensiva e grudar a sua imagem no governo de Lula, deixou de dizer muito. “Estamos no meio de uma guerra cambial internacional”, constatou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os EUA e a China protagonizam a guerra. “Quando dois elefantes deste porte lutam, os espectadores podem ser pisoteados”, alerta Martin Wolf, do Financial Times, no artigo “Guerras cambiais e demanda fraca”, publicado no Valor de ontem. O eleitor vai para as urnas sem saber o que a candidata favorita da disputa fará para desarmar a armadilha cambial, como ela vê a política de juros de Lula e como conduziria a política monetária, antes que as patas dos elefantes repousem num país que vive o seu maior período de estabilidade, e gostaria de aproveitá-lo para vencer a desigualdade e a pobreza.

Do debate eleitoral, também escapou o que pensa Marina Silva (PV), que cresceu nos últimos dias de campanha e tende a se consolidar como uma nova e bem-vinda liderança no cenário nacional. Para não ser acusada de candidata de uma nota só, engrossou o seu programa com vários outros temas, mas sem conseguir vencer a contradição de ser uma candidata que veio da esquerda e se encontrou no centro com outras pessoas – pessoas de bem, que se diga. Um programa bem intencionado não revela, todavia, uma proposta que transcenda a ideia central da sustentabilidade.

Vamos para as urnas no domingo. Faltou informação relevante para a decisão do voto, sobraram boatos e vitupérios. Ainda assim, vamos votar num país governado por um presidente eleito pelo voto popular, com um Congresso funcionando e uma Justiça atuante. Nosso voto será direto e secreto. Os eleitos serão empossados. Os derrotados à Presidência farão oposição; os vencedores serão legítimos governantes. Assim é a democracia. Que o bom senso dos atores políticos não a levem de novo para dentro dos quartéis. Deixem o país fora disso. O voto direto e secreto tem que ser capaz de resolver as diferenças políticas entre os brasileiros.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

E-mail maria.inesnassif@valor.com.br

30/09/2010 - 08:36h Polícia política? pergunta O Globo

Panorama Político – O GLOBO

Agentes da Polícia Civil de Barueri, sem mandado judicial, tentaram na terça-feira entrar na casa do candidato ao Senado Netinho de Paula (PCdoB), em Alphaville (SP). A quatro dias da eleição, eles queriam fotografar o interior da residência do cantor. Uma representação foi feita ontem na Corregedoria da Polícia paulista pedindo para averiguar a conduta dos policiais. A campanha de Netinho vai levar o caso ao governador Alberto Goldman e ao ministro Luiz Paulo Barreto (Justiça).

29/09/2010 - 22:00h Boa noite


Clip com Maxim Vengerov tocando Meditação de Thaís

29/09/2010 - 19:26h Asteria


Marijana Mijanovic canta a ária de Asteria de Bajazet

29/09/2010 - 19:06h Delicadeza

Fabián Pérez© – Meias Pretas

Fonte Uno de los nuestros

29/09/2010 - 18:28h Araras versáteis

Hilda Hilst

Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii…
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

29/09/2010 - 17:46h Faltam poucos dias…

Alguns comentaristas tem insistido em alertar contra uma onda eleitoral que produza não só a vitória de Dilma já no primeiro turno, neste domingo, como o de uma maioria muito nítida dos candidatos do governo no Congresso e nos governo estaduais. Chegou-se a falar em riscos para as instituições democráticas ou para algumas das nossas liberdades fundamentais, pela suposta fraqueza em que ficariam as forças representativas da oposição.

Deixemos de lado o argumento de circunstância ou hipócrita consistente em arvorar esse pressuposto quando se trata das eleições federais e esquecer da situação no Estado de São Paulo, por exemplo, onde um mesmo partido governa há 16 anos com uma sólida maioria na Assembleia Legislativa, sem provocar os mesmo gritos de alerta.

Alguns pretendem que o próprio sistema eleitoral em dois turnos visa a permitir um debate mais apurado entre os dois principais candidatos, após uma primeira seleção provocada pelo voto nas mais diversas opções. Nada mais alheio à realidade.

A essência do presidencialismo, como sistema basado na eleição do presidente pelo sufrágio universal visa a delegar ao escolhido o mandato soberano do povo, designado-o pelo voto majoritário dos cidadãos. A instauração de um segundo turno é um recurso inserido pelo legislador para evitar precisamente a eleição de um presidente que não represente a maioria absoluta dos eleitores. A razão de ser da escolha pelo sufrágio direto é assegurar essa maioria, mesmo quando ela inexiste inicialmente, “obrigando” os eleitores a afirmar um mandato claro.

A melhor situação para um país democrático com sistema presidencialista, é a existência de maiorias definidas e de minorias estruturadas e atuantes que não possam travar o funcionamento institucional, mas que possam opor, mobilizar, manifestar e criticar a atuação do governo respeitando seu mandato.

Todas às pesquisas indicam que essa maioria existe no país em favor da Dilma e da continuidade do atual governo. Todos os candidatos tiveram igualdade de condições para defender suas bandeiras, reivindicar seus espaços e disputar o voto. Uma das bandeiras mais fortes desta campanha eleitoral foram os resultados de oito anos de governo do presidente Lula. Essa bandeira esta identificada na candidatura Dilma, após o fracasso da tentativa de Serra de apropriar-se dela. A escroqueria, lançada com apoio de setores da imprensa, foi rejeitada rapidamente pelos eleitores e abandonada estrepitosamente pelos seus mentores. Os próprios eleitores da oposição recusaram acompanhar seu candidato no caminho do estelionato que pretendia.

Percebendo que a identificação dos resultados governamentais, da popularidade do Lula eram transferidas para a candidata que representa esta continuidade lançou-se mão do recurso às acusações e denuncias visando exclusivamente a impedir a manifestação de uma maioria clara para o novo mandatário. Fernando Henrique Cardoso reconhece hoje que a eleição do presidente no 1° turno seria normalmente uma situação mais positiva para o eleito. Segundo o ex-presidente, “Em condições normais, a vitória no primeiro turno dá muita força política ao novo presidente e torna seu apoio político no Congresso mais fácil”, disse Fernando Henrique à Reuters. Mas ato seguido procura colocar em dúvida esse significado político para Dilma, por ter sido uma escolha de Lula e eleita com seu apoio, como se o voto dos cidadãos fosse desprezível.

Para atingir o objetivo de enfraquecer o futuro governo, utilizam o recurso a denuncias e acusações lançadas pela metralhadora giratória fornecida por setores da mídia, identificados com a candidatura da oposição, visando o objetivo de impor um segundo turno. Não que todas as acusações sejam necessariamente invencionices, nem que exista um plano preconcebido por um suposto estado maior mediático. Bem que no caso do sigilo fiscal a tentativa seguiu um plano consciente do candidato tucano e contou com o apoio da mídia em peso. Já a denuncia de espionagem feita pelas autoridades judiciais contra um colaborador da tucana Yeda Crusius não teve o mesmo tratamento. Atirasse à esmo, mas na mesma direção, e às vezes acertasse algum alvo; depois se faz um esforço para tentar convencer o eleitor que todos são pássaros do mesmo teor e que a única ave que presta é a de plumagem preta e bico predador. En passant, sonegasse ao eleitor a discussão de propostas e programas, balanços e perspectivas para o país, evitando assim que ele identifique nos progressos conquistados nestes oito anos a candidata a ser escolhida no pleito. Note-se que esse clima de denuncismo só estourou quando o candidato tucano perdeu a liderança nas pesquisas. Quando ainda era o favorito e afirmava com muito cinismo que Lula estava acima do bem e do mal, pouco espaço fornecia-se a esses tiros à granel aos quais assistimos posteriormente.

Os últimos cartuchos estão sendo utilizados agora em apoio a uma suposta onda, na qual quem pretende surfar é o candidato tucano. As pesquisas são trituradas para apresentar uma versão mais acorde com à vontade de impor um segundo turno, que com a frieza que corresponde ao tratamento isento dos resultados fornecidos com certo rigor pelos próprios institutos. Isso permite a alguns analistas e jornais pretender à existência de uma queda generalizada em todos os segmentos e todas as regiões da candidata favorita, como escreveu cheio de otimismo Merval Pereira ontem no Globo.

Não é que as pesquisas sejam manipuladas para criar esse impacto. Seus resultados não apresentam enormes diferencias entre si, todas mais ou menos coincidentes nas margens de erro. Mas sonegasse uma informação aqui – a rejeição de Serra, por exemplo -; destacasse um fato ali – o voto de um segmento, outro exemplo – mas não se diz de quanto é a margem de erro da pesquisa aplicada a esse segmento, e por ai vai. Tempera-se o conjunto com manchetes apropriadas e diagramação estudada para obter o objetivo pretendido. Sempre existirá o álibi da margem de erro, do resgate de matérias críticas publicadas sobre outros governos ou a publicação de uma crítica aqui e outra denuncia acolá. Mas o senso geral do procedimento é muito claro, só que difícil de ser implementado. A dificuldade provem em primeiro lugar, e pode parecer paradoxal, da liberdade total de expressão e de imprensa existente no Brasil. De sorte que a diversidade acaba se expressando na ação de inúmeros atores do processo de transmissão da informação e da formação da opinião pública. Jornais, revistas, publicações regionais, internet, blogs, e mais geralmente uma população com acumulo de experiência e o trabalho de milhares de militantes anônimos de partidos, sindicatos e entidades das mais diversas.

Esse embate acabou provocando “vítimas colaterais” e cruzadas inadequadas. Como o adversário se dissimulava detrás de alguns biombos, alguns investem contra os mesmos como se estes fossem o candidato a ser derrotado no domingo. Alguns pegam carona nesses embates, para resolver suas próprias pendencias ou galgar reconhecimento. Coube a direção da campanha da Dilma a sabedoria de não se deixar arrastar para esse confronto.

Ainda teremos outras pesquisas com resultados semelhantes e diferentes. Assim até o domingo inclusive. Ainda teremos um debate e a pesquisa do debate. Teremos denuncias e denuncismos, rumores e boatos, guerra suja e factoides. Nada de isso alterará substancialmente a determinação do eleitorado que já esta com o voto bastante consolidado, mas pode definir se a disputa se encerra no domingo.

Para o país seria o melhor desfecho. Os eleitores decidirão.

Luis Favre

29/09/2010 - 15:16h Mais da metade das pessoas com HIV não sabe da infecção

Aids
Relatório da OMS mostra que só 1/3 dos doentes tem acesso a remédios; no Brasil, há poucos centros de diagnóstico

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA – O Estado de S.Paulo

Mais de 50% das pessoas infectadas pelo vírus da aids não sabem que estão contaminadas e 10 milhões em todo o mundo não têm acesso a remédios e tratamento. O alerta está em novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta para a necessidade de US$ 10 bilhões para garantir o tratamento a todos.

No mundo, 33,4 milhões de pessoas são portadoras do HIV, mas apenas um terço tem acesso a remédios. No Brasil, cerca de 250 mil não sabem que estão contaminadas. O País não integra o grupo de nações que garantiram acesso universal ao tratamento.

A constatação da OMS é de que, em uma década, avanços importantes foram feitos para garantir que a população mundial tivesse acesso a remédios. Mas nenhuma das metas estabelecidas pela ONU foi atingida. Em 2003, a meta era ter, após dois anos, 3 milhões de pessoas sob tratamento. O número só foi atingido em 2007.

Para 2010, a meta era conseguir, nos países em desenvolvimento, que 80% da população – um total de 15 milhões de pessoas – tivesse acesso aos tratamentos. Mas, segundo a OMS, ao final de 2009 o número era de apenas 5,2 milhões, 36% do total.

Só oito países atingiram a marca dos 80%, entre eles Romênia, Ruanda, Cuba e Botsuana. A ONU adotou 2015 como o novo prazo para atingir esse objetivo.

Polêmica brasileira. Os dados sobre o Brasil são alvo de polêmica. Por uma disparidade na forma de contar o número de doentes e de pessoas com acesso a remédios, a OMS indica que entre 50% e 80% dos brasileiros com o HIV recebem tratamento. Entre 20 mil e 190 mil pessoas no País precisariam de medicamentos. A OMS considera a epidemia da aids no Brasil “concentrada” em determinadas parcelas da população.

“Temos várias razões para acreditar que o acesso ao tratamento no Brasil é superior a 90%”, diz Dirceu Greco, do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Ele cita como exemplo a queda na transmissão vertical e a estabilidade na taxa de mortalidade. “E não há fila para entrar no programa de tratamento.”

Para Mariângela Simões, da Unaids, o desafio no Brasil é garantir que os infectados sejam diagnosticados para que possam entrar no programa. Em média, há 3 centros de diagnóstico e aconselhamento para cada 100 mil brasileiros. Na Argentina, são 38 centros e no Peru, 32.

No entanto, afirma Greco, o teste para detectar a doença pode ser feito em qualquer Unidade Básica de Saúde.

COLABOROU KARINA TOLEDO

29/09/2010 - 11:33h Mercado vai às urnas de olho na inflação

Eleições: Avanços institucionais garantem calmaria, mas rumo das políticas monetária e cambial preocupa

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Angela Bittencourt | VALOR

A consolidação de avanços institucionais reduziu o espaço para especulação financeira no Brasil. De 2002 para 2010 o país mudou para melhor. O mundo, para pior. O Brasil consolidou o tripé de política econômica, orientado pelo regime de metas de inflação, câmbio flutuante e disciplina fiscal. Saiu inteiro da crise global. O mundo, em meio a fragilidades econômico-financeiras, patina num caos fiscal. Esse cenário diverso, mas de um Brasil vencedor, inspira confiança na continuidade da política econômica e é condição adicional para a calmaria que prevalece nos mercados às vésperas do 1º turno das eleições gerais.

A estabilidade dos ativos financeiros confirma crédito dos mercados ao novo governo. Mas a inflação está sob escrutínio. A projeção 12 meses à frente, de 5,6% às vésperas da eleição de 2002, oito anos depois crava 5,15%. A resistência das projeções acima do centro da meta, fixado em 4,5% até 2012 e por oito anos consecutivos, está na mira do mercado e dá pista de que as prioridades de política econômica do próximo presidente sofrerão vigilância diuturna. E deslizes podem acabar com a calmaria a qualquer momento.

A possibilidade de rápido delineamento do novo governo, caso a favorita ao Planalto, Dilma Rousseff, emplaque no 1º turno, já turbina expectativas sobre o comando do Banco Central (BC) e as diretrizes das políticas monetária e cambial. A pressa por definições, sem repercussão sobre os negócios, é embalada pelo persistente ruído provocado pelo que o mercado considera mudança de posicionamento do BC nas decisões mais recentes sobre o juro básico do país. Parte do mercado considerou frustrada a expectativa de que o BC seria intransigente com a inflação. E de um embate silencioso sobre o fôlego da atividade restou o temor quanto a um BC leniente com prejuízos para o controle da inflação.

Câmbio banca polêmica induzida pelo real forte e desafio imposto na gestão das reservas


Essa visão de curto prazo não desabona, entretanto, a constatação de que o juro básico recuou em ritmo inédito no governo Lula. Seguem como exemplos do Brasil diverso, a queda da Selic quase à metade em oito anos com extensão aos juros cobrados de consumidores. Opção do governo pelo incentivo ao consumo, dinheiro relativamente mais barato e fortalecimento da renda propiciaram forte alavancagem do crédito que praticamente dobrou em proporção do PIB, com o escoamento de R$ 1,2 trilhão dos bancos.

O câmbio também ganha foco nesse momento pela firme valorização do real, pelo discurso do Ministério da Fazenda e agora do BC acenando com tributação de capital estrangeiro e pela entrada de um novo ator no mercado: o Fundo Soberano. Ainda que o BC coordene a atuação do Fundo na compra de dólares, a demora em esclarecer procedimentos operacionais vem semeando tensão. Mas é fato que o câmbio passou a ter nova configuração no Brasil.

Às vésperas do pleito em 2002, a taxa de câmbio exibiu brutal desvalorização alavancada por temores com a chegada ao poder de uma esquerda desconhecida, pela fragilidade das contas externas e pela penúria das reservas internacionais. Hoje, o câmbio ainda revolve polêmica. Mas às avessas, induzida pelo real fortíssimo, também pela conjuntura internacional adversa à moeda americana, e pelo desafio imposto à gestão de reservas sete vezes superior aos minguados US$ 38 bilhões de setembro de 2002.

O salto das reservas é traço de avanços viabilizados por uma condição política e outra econômica explícitas antes do pleito de 2002: o compromisso de manutenção da política econômica pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva e a trajetória da China como estrela emergente. Sem a China e seu apetite por commodities que levaria ao fortalecimento das exportações brasileiras, sancionando a política de acumulação de reservas cambiais, a história recente do Brasil poderia ter outro enredo.

Grande diferença também fizeram medidas de ordem prática, algumas compulsórias, que tiveram profundas consequências.

A marcação a mercado dos títulos públicos, hoje rotina contábil mas que baratinou o sistema em 2002, é outro exemplo de avanço bem conduzido ainda que forçado pelos fatos. A reação exagerada dos mercados ao candidato Lula precipitou a fuga de dinheiro para o curto prazo e forte desvalorização dos papéis federais de longo prazo. Impor a marcação a mercado, na tentativa de conter perdas a pequenos investidores, foi decisão do BC que levou o sistema a uma configuração moderna.

A adoção de um novo Sistema de Pagamentos, também em 2002, atualizou ainda mais o Brasil ao impor novo ritmo à liquidação das transações financeiras. O fim dos pregões viva-voz da Bolsa de Valores de São Paulo em 2005 e da Bolsa de Mercadorias & Futuros em 2009 e a consolidação dessas bolsas também levaram o mercado a algo mais próximo das grandes economias.

Independência do BC é alvo mais almejado, mas sem progresso em oito anos expectativa é pequena


O ajuste do perfil da dívida pública interna, principalmente quanto à desindexação cambial, e a política de acumulação de reservas conduziram o risco Brasil a grau de investimento. Essas mudanças, combinadas a um vigor extraordinário do consumo doméstico, escoraram o Brasil quando a crise financeira atropelou o mundo em 2008.

Na esteira da crise, o país obteve um reconhecimento com impacto tão relevante para a comunidade financeira internacional quanto o grau de investimento: o Federal Reserve elegeu o Brasil como um dos 15 países com acesso à linha de swap de dólares americanos. A linha, sem condicionalidades à política econômica, não chegou a ser usada. O sinal verde do Fed para o swap também revelou a importância sistêmica do Brasil no mundo.

O país se virou muito bem. Sozinho. A gestão da crise pelo governo –com ativação de instrumentos monetários e regulatórios pelo BC e fiscais pela Fazenda– foi adequada. E uma das vantagens brasileiras foi a possibilidade de a autoridade monetária agir, com providências administrativas e independentes de subordinação a trâmites do Congresso. É fato que a crise balançou o crescimento brasileiro, mas as perspectivas tornaram-se incomparáveis de 2002 para cá. Isso também vale para a taxa de desemprego que estampa o virtuoso momento brasileiro.

Tantos avanços também têm custos tão emblemáticos, quanto arriscados. Cobram compromissos. É fato que o espaço para aventuras encolheu, graças ao amadurecimento macroeconômico do país. Mas o risco de escolhas e decisões erradas, do ponto de vista do mercado, existe. Por ora, esse risco não trinca a confiança de que o governo preservará as conquistas alcançadas. Mas desafios virão. E aos montes. Entre eles, a definição de uma nova agenda que acabará se impondo, se nada for feito.

A agenda deverá ser pautada por definições rigorosas na política fiscal, no trato do aumento da competitividade da economia e na segurança jurídica. É certo que a confecção da nova agenda vai mirar o cenário externo, pois ainda ainda que tudo caminhe bem e sobre dinheiro para o mundo emergente, o país terá de fazer por merecer –seja investimento, seja financiamento. O déficit externo, de 1,5% do PIB em 2002 que pode chegar a 3% do PIB em 2011, estará aí para lembrar o governo de que a qualidade de sua gestão política mas sobretudo econômica será o bilhete de ingresso de capitais estáveis e consistentes.

Um ajuste fiscal estrutural deverá ser feito. Mobilização tardia nesse sentido pode arranhar o crédito do novo governo, mas dificilmente surpreenderá espectadores externos e domésticos que reconhecem a questão fiscal como destaque perene da agenda brasileira. Por mais reticentes que sejam as iniciativas para aprovar as reformas tributária, previdenciária e trabalhista, expectativas serão renovadas ante a confortável maioria governista no Parlamento.

No sistema financeiro, que elege entre prioridades a desindexação das operações ao juro de curtíssimo prazo e fôlego para um mercado secundário de instrumentos que financiem o longo prazo, a independência do BC permanece como o alvo mais almejado. Vai dar para alcançar esse estágio? Talvez não, considerando que nada foi feito nos últimos oito anos de inédita estabilidade na presidência da instituição.

O mercado já torce, portanto, por um BC conservador, exigente e focado no seu principal mandato que é manter a inflação na meta. Isso, porque o histórico do país confirma que inflação nos trilhos é sinônimo de poder de compra que leva à inserção social. A preferência dos eleitores confirma que essa, sim, é uma das maiores conquistas dos brasileiros. Em qualquer tempo.

29/09/2010 - 11:08h Acordo salarial, com a conquista de 10,5% de reajuste, encerra greve na Mercedes-Benz

João Villaverde | VALOR

A greve dos trabalhadores na Mercedes-Benz terminou ontem, após 12 dias de duração, com a conquista de 10,5% de reajuste salarial, o que representa um aumento de 6,2% acima da inflação. Os salários dos mais de 800 funcionários da fábrica serão reajustados com data retroativa a 1º de setembro, data-base da categoria.

Aprovado ontem, em assembleia promovida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, o acordo prevê também reajuste de 20,5% aos 165 trabalhadores do setor de remanufatura de veículos importados da Alemanha e de 12,5% para os pouco mais de cem operários do setor de peças.

Esses valores, segundo o sindicato, equivalem ao plano de cargos e salários que a empresa ainda não havia efetuado – justamente o ponto que provocou a greve, há quase duas semanas. Descontando a inflação, o acordo de 20,5% para o setor de remanufatura da Mercedes equivale a uma alta real de 16,2% nos salários.

29/09/2010 - 10:54h Novo estímulo à abstenção

Jairo Nicolau – O Estado de S.Paulo

O atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) obteve, no segundo turno das eleições de 2008, apenas 55 mil votos a mais do que o seu adversário, Fernando Gabeira (PV). Naquele ano, o governador Sérgio Cabral antecipou um feriado (Dia do Funcionário Estadual) para a sexta-feira antes do domingo das eleições.

Muitos cariocas foram passar o feriado ensolarado em cidades vizinhas e não votaram. Criou-se uma versão de que a abstenção teria sido suficiente para explicar a diminuta diferença entre os candidatos. Uma pesquisa mostrou que essa versão não correspondeu aos fatos. Na verdade, quem perdeu mais votos com a ausência dos eleitores foi o candidato Paes.

Talvez esse seja o caso mais conhecido no qual a abstenção foi mobilizada para explicar o resultado das eleições. Os políticos, sobretudo aqueles com forte apoio nas áreas populares, temem que a alta abstenção os prejudique. Em 2006, Lula fez campanha pelo comparecimento. Este ano, Dilma faz o mesmo.

Em que pese o voto ser obrigatório, sabemos que a abstenção não é a mesma nas cidades e nos Estados. Nas eleições gerais de 2006, por exemplo, abstenção variou entre 20% (Maranhão) e 13% (Rio Grande do Sul.)

A principal causa dessa variação se deve ao fato de muitos eleitores estarem fora de seu domicílio eleitoral. O mais frequente é que eles mudem de cidade, mas não transfiram o título para o novo domicílio. Nas eleições de 2006, 880 mil moradores de outros Estados justificaram o voto em São Paulo; o maior contingente é de originários da Bahia: 206 mil eleitores. Todos esses apareceram como faltosos nas estatísticas de suas cidades de origem.

Outro fator que afeta marginalmente a taxa de comparecimento é que o voto não é obrigatório para eleitores analfabetos e com mais de 70 anos. Existe ainda um contingente de eleitores que deixam de comparecer por protesto. Não existem pesquisas que dimensionem o peso de cada um desses fatores.

O gráfico apresenta a taxa de abstenção do primeiro turno das eleições presidenciais. Dois dados chamam a atenção. O primeiro é que a as Regiões Norte e Nordeste tiveram maiores taxas de abstenção em todas as disputas. O segundo é que a diferença entre as regiões tem diminuído.

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Duas alterações na legislação podem afetar a taxa de abstenção neste ano. A primeira é a possibilidade de que os eleitores que estão fora do domicílio eleitoral possam votar para presidente (o voto em trânsito). A medida faz todo sentido, pois vivíamos uma situação curiosa: um eleitor brasileiro morando fora do País podia votar para presidente, mas outro que mudou para uma cidade vizinha (e não transferiu o título) era proibido de fazê-lo.

O problema é que o voto em trânsito funciona apenas nas capitais e os eleitores precisavam se cadastrar previamente. Por isso, seus efeitos devem ser marginais. Afinal, a maior parte da abstenção se deve aos eleitores que moram fora de sua cidade de origem, e não aos que estão fora apenas no dia das eleições.

A segunda medida que deve afetar o comparecimento é a exigência de que os eleitores apresentem dois documentos para votar: o titulo e mais um documento de identidade com foto.

O atual título eleitoral começou a ser utilizado em 1986. Desde 1932, todos os títulos eleitorais tiveram fotografias. O atual não tem. Creio que isso se deve ao fato de ele ter sido criado simultaneamente à criação do cadastro nacional informatizado de eleitores. Naquele momento, ainda não existiam fotos digitais.

Desde então, as exigências para votar foram relaxadas. Ou se levava o título ou um documento de identidade. Afinal, além de a foto identificar o eleitor, a semelhança da assinatura era outro instrumento de controle. Lembro ter votado, em diversas eleições, apresentando apenas a carteira de identidade.

Por alguma razão, os legisladores avaliaram que essa decisão permitia que eleitores votassem em lugar de outros. Não me lembro de denúncias graves de fraudes desse tipo. Curiosamente, se deram conta desse risco após duas décadas de vigência do título sem foto. Justamente quando a fiscalização e o controle eleitoral são mais rigorosos.

O único problema é mesmo a ausência de foto no título. Se sei onde é a minha seção eleitoral, sou eu quem está na foto e assino como no meu documento, para que a exigência de portar o título? A medida mais razoável seria alternativamente apresentar o titulo e mais um documento com foto, ou apenas um documento com foto.

Apesar das campanhas feitas pelo TSE e pelos candidatos que temem ser prejudicados com a abstenção, tenho a impressão de que muitos eleitores deixarão de votar, pois não terão os dois documentos para levar.

Por um preciosismo, corremos o risco de trocarmos a redução de uma fraude que acontecia em pequena escala, por um aumento significativo da abstenção; sobretudo, em áreas populares. Uma péssima troca.

29/09/2010 - 10:08h Ônibus vai para R$ 2,90 em dezembro

Proposta do orçamento de 2011 que será enviada na quinta-feira à Câmara também prevê R$ 600 milhões de subsídios para empresas

Diego Zanchetta, Renato Machado, Rodrigo Burgarelli – O Estado de S.Paulo

A passagem de ônibus na capital paulista vai passar para R$ 2,90 em dezembro – atualmente está em R$ 2,70. A informação foi dada ontem pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) ao detalhar a proposta para o orçamento de 2011 e noticiada em primeira mão pelo portal estadão.com.br. “Pode ser um pouco mais, um pouco menos. Mas a cidade tem de ter um reajuste com base na reposição da inflação todo ano, sem deixar acumular (o preço). Isso é transparência”, afirmou o prefeito ao Estado.

Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE – Compensação. Verbas foram remanejadas até de corredores de ônibus


O orçamento é um projeto de lei que todo ano deve ser encaminhado pela Prefeitura para a Câmara Municipal. O texto deve conter as previsões de receita, despesas e investimentos do poder público para ano seguinte.

O valor da tarifa de ônibus que constará na proposta representará um reajuste de 7,4%. Essa alta vai ficar acima da inflação estimada pelos institutos de pesquisa para 2010. A meta do Banco Central é de que o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 4,5% (o mercado espera 5%) e o acumulado até agosto do IPC-Fipe, que mede a variação de preços para o consumidor na cidade de São Paulo, foi de 3,45% (se o ritmo for mantido, ficará perto de 5,2%). Esse será o segundo reajuste na tarifa de ônibus em menos de um ano – o último foi em 1.º de janeiro.

Além dele, a gestão Kassab prevê aumento no ano que vem dos recursos que serão repassados para as empresas de ônibus em forma de subsídios. Serão R$ 600 milhões no total. A Prefeitura não explicou por que aumentou esses repasses. Em anos anteriores, sua justificativa era de que essa era a única forma de manter baixas as tarifas – uma promessa de campanha de Kassab, que disse que não promoveria aumentos no primeiro ano do segundo mandato (2009).

A Prefeitura agora afirma que repasses são necessários para garantir as gratuidades a idosos, estudantes e portadores de deficiência, por exemplo, e manter a renovação da frota (veja abaixo).

Especialistas apontam que os reajustes são “inevitáveis”, mas a consequência é que acabam afastando os usuários do transporte público.

“É fato que muitas pessoas preferem financiar uma moto, por exemplo, com o dinheiro que gastavam em passagens”, afirma o superintendente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Marcos Pimentel Bicalho.

A entidade estima que os congestionamentos são responsáveis pelo encarecimento da tarifa em 25%. “É o custo pela falta de investimentos na melhoria dos transportes, em corredores de ônibus”, completa.

Cálculo. Apesar da informação do prefeito e do secretário do Planejamento, Rubens Chammas, a Secretaria Municipal dos Transportes afirmou, em nota, que ainda não iniciou os cálculos de correção da tarifa.
Destino do dinheiro

GILBERTO KASSAB
PREFEITO DE SÃO PAULO
“Nós estamos pagando a renovação da frota por meio das compensações tarifárias também. Não existe aumento de subsídios para viações”

“O aperfeiçoamento na prestação de contas é um objetivo contínuo”

Neste ano, subsídios a viações já somam R$ 480 milhões

Os R$ 120 milhões a mais que o previsto vieram de obras de infraestrutura no transporte público que deixaram de ser feitas

Diego Zanchetta, Renato Machado, Rodrigo Burgarelli – O Estado de S.Paulo

A gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) já extrapolou em R$ 120 milhões o total previsto em pagamentos de subsídios para as viações de ônibus em 2010. A verba suplementar foi remanejada de ações de melhorias na infraestrutura do transporte público, conforme execução orçamentária da própria Prefeitura.

Kassab afirmou em janeiro, quando a passagem saltou de R$ 2,30 para R$ 2,70, após três anos congelada, que reduziria os subsídios, cujo pico de pagamentos, em 2009, atingiu R$ 780 milhões. Para 2010, a reserva dos subsídios caiu para R$ 360 milhões, mas o montante pago até dia 27 chega a R$ 480 milhões.

Para aumentar as transferências às empresas do transporte coletivo, Kassab remanejou R$ 70,4 milhões que haviam sido reservados, por exemplo, para a construção de novos corredores e terminais de ônibus. Outros R$ 26 milhões saíram da requalificação de terminais e corredores já existentes. A execução do orçamento mostra ainda que o prefeito empenhou apenas R$ 3,1 milhões de um total de R$ 133 milhões destinados para melhorias na rede de ônibus.

Prefeitura. A Secretaria de Transportes alega que dos R$ 480 milhões aplicados sob a rubrica compensação tarifária, R$ 210 milhões se referem à cobertura das gratuidades previstas em lei e R$ 270 milhões foram para a renovação da frota. No entanto, é difícil determinar o quanto dos recursos para as empresas são subsídios e quanto é destinado à renovação da frota. Isso porque em 2009 a Prefeitura deixou de utilizar a rubrica específica “renovação da frota” pois a uniu com a “compensação tarifária”, sem especificação. A Secretaria não respondeu por que adotou esse formato.

Para cobrir a diferença entre o custo real e o preço das passagens ainda deverá haver um repasse de R$ 80 milhões até o fim do ano. Segundo a administração, a diferença entre os valores deveria ser coberto pelos R$ 200 milhões que o Município deverá receber quando for concluída a licitação para privatizar os serviços de bilhetagem da SPtrans e do Metrô. O valor se refere à indenização que a Prefeitura tem direito por ter desenvolvido o sistema do bilhete único. A licitação, no entanto, ficou parada nos Tribunais de Contas do Estado (TCE) e do Município (TCM), e ainda não há data para ser encerrada.

A Prefeitura informou também que esse remanejamento orçamentário não compromete as obras de corredores e terminais, uma vez que o valor será liberado assim que as obras começarem a ser executadas. Conforme nota oficial, as obras estão em fase de projeto. “A administração trabalha com a previsão da Agenda 2012, que é de implementar 60 km de corredores de ônibus.”