31/12/2010 - 23:59h 2011

Feliz_ano_novo


What a wonderful world – LOUIS ARMSTRONG

31/12/2010 - 22:00h Boa noite

Georges Brassens, 1961.
LE TEMPS NE FAIT RIEN À L’AFFAIRE

Quand ils sont tout neufs,
Qu’ils sortent de l’oeuf,
Du cocon,
Tous les jeunes blancs-becs
Prennent les vieux mecs
Pour des cons.
Quand ils sont devenus
Des têtes chenues,
Des grisons,
Tous les vieux fourneaux
Prennent les jeunots
Pour des cons.
Moi, qui balance entre deux âges,
Je leur adresse à tous un message:

Le temps ne fait rien à l’affaire,
Quand on est con, on est con.
Qu’on ait vingt ans, qu’on soit grand-père,
Quand on est con, on est con.
Entre vous, plus de controverses,
Cons caducs ou cons débutants,
Petits cons de la dernière averse,
Vieux cons des neiges d’antan.

Vous, les cons naissants,
Les cons innocents,
Les jeunes cons
Qui ne le niez pas,
Prenez les papas
Pour des cons,
Vous, les cons àgés,
Les cons usagés,
Les vieux cons
Qui, confessez-le,
Prenez les petits bleus
Pour des cons,
Méditez l’impartial message
D’un type qui balance entre deux âges:

Le temps ne fait rien à l’affaire,
Quand on est con, on est con.
Qu’on ait vingt ans, qu’on soit grand-père,
Quand on est con, on est con.
Entre vous, plus de controverses,
Cons caducs ou cons débutants,
Petits cons de la dernière averse,
Vieux cons des neiges d’antan.

31/12/2010 - 19:15h LE TEMPS NE FAIT RIEN À L’AFFAIRE…


Sylvie Vartan: La Plus Belle Pour Aller Danser

” La plus belle pour alller danser ” est probablement sa meilleure chanson ” yé-yé “. Le montage vidéo est basé sur un clip vidéo de 1964, une bande-son, les images de son concert à l’Olympia, music-hall Parisien, avec les Beatles autour d’elle, alors qu’elle était âgée de 19 ans, ainsi que de sa prestation sur la Romania TVR-1 en 2007, alors âgée de 63 ans.

“La Plus Belle Pour Aller Danser”
(Paroles et Musique: Charles Aznavour 1964. Charles Aznavour a écrit cette chanson pour Sylvie Vartan)

Ce soir, je serai la plus belle
Pour aller danser
Danser
Pour mieux évincer toutes celles
Que tu as aimées
Aimées
Ce soir je serai la plus tendre
Quand tu me diras
Diras
Tous les mots que je veux entendre
murmurés par toi
Par toi

Je fonde l’espoir que la robe que j’ai voulue
Et que j’ai cousue
Point par point
Sera chiffonnée
Et les cheveux que j’ai coiffés
Décoiffés
Par tes mains
Quand la nuit referme ses ailes
J’ai souvent rêvé
Rêvé
Que dans la soie et la dentelle
Un soir je serai la plus belle
La plus belle pour aller danser

Tu peux me donner le souffle qui manque à ma vie
Dans un premier cri
De bonheur
Si tu veux ce soir cueillir le printemps de mes jours
Et l’amour en mon cœur
Pour connaître la joie nouvelle
Du premier baiser
Je sais
Qu’au seuil des amours éternelles
Il faut que je sois la plus belle
La plus belle pour aller danser

31/12/2010 - 18:56h Corpo a corpo

Isabelle_bonzom2
Isabelle Bonzom

31/12/2010 - 18:40h Relação íntima

«Todos os impulsos, as emoções, as manifestações de vontades imagináveis, todas estas contingências da alma humana lançadas pela razão na imensidade negativa da noção de «sentimento», podem ser expressas por meio da multidão infinita das melodias possíveis, mas sempre exclusivamente na generalidade da forma pura, sem a substância, sempre somente como coisa em si, e não como aparência, de algum modo como a alma da aparência, incorporalmente. Esta relação íntima, que existe entre a música e a verdadeira essência de todas as coisas, explica-nos também por que, quando com pretexto de uma cena, de uma ação, de um evento, de um ambiente qualquer, ressoa uma música adequada, esta parece revelar-nos a significação mais secreta e afirmar-se como o mais exato e mais luminoso dos comentários; compreendemos igualmente como é que aquele que se abandona sem reservas à impressão produzida por uma sinfonia julga ver desenrolar-se perante os seus olhos todos os acontecimentos imagináveis da vida e do mundo.»

Nietzsche, 1872
in A Origem da Tragédia
Guimarães Editores, p.130

31/12/2010 - 18:18h “Nunca antes na história deste país”

Lula_Madri
Obrigado, presidente Lula


VALEU!

31/12/2010 - 17:51h A força das palavras

HANS BØRLI – Poesia & Ltda.

AS PALAVRAS

Temor das palavras –
eis algo que aprendi.
Versos que escrevi
versos que queimei.

Da dúvida no meu coração
sussurros crueis começam:
“Fraco, escreves
com uma arte emprestada.

A folha é adorável
quando é branca.
Poupa o espaço para a palavra
que não podes escrever”.

(1949)

NÓS TEMOS AS FLORESTAS

Nunca fui dono de uma árvore.
Nenhum dos meus
alguma vez teve uma árvore –
embora o percurso da minha familia sopre
desde há séculos sob o cume
da floresta.

Floresta na tempestade,
floresta na acalmia –
floresta, floresta, floresta,
através dos anos.

Os meus
foram sempre uma gente pobre.
Sempre.
Filhos de vidas
e noites duras e geladas.

Os estranhos possuem as árvores,
e a terra,
a terra de pedras amontoadas
que meus pais removeram
à luz do luar.

Estranhos
com faces lisas
e mãos bonitas
e carro sempre aguardando
ao portão.

Nenhum dos meus
alguma vez teve uma árvore.
E ainda assim possuímos as florestas
pelo direito hereditário do nosso sangue.

Homem rico,
com teu carro e livro de cheques
e acções na companhia de madeiras de Borregaard:
podes comprar mil acres de floresta,
e mil acres mais,
mas não podes comprar o pôr-do-sol
ou o sussurro do vento
ou a alegria de regressar a casa
quando a urze floresce ao longo do caminho –

Não, nós temos as florestas,
do modo que uma criança tem sua mãe.

(1952)

DISTÂNCIA

Levanto-me e olho o céu
numa tarde de primavera sob o vôo das galinholas.
Estranho! A estrela maior
é uma coisa minúscula, pequenina
que a folha do vidoeiro pode cobrir.
– – –
Distância, é a distância
que torna o que é eterno suportável
Ainda bem que lança tão grande sombra,
a pequena coisa que está próxima…

(1958)

DEPOIS DE AUSCHWITZ

É difícil
olhar os próprios olhos
depois do que aconteceu
em Auschwitz.
Em Hiroshima.
Em Song My –

MAS NÃO VOLTES O ESPELHO.

Não penses
que aquele inferno teria sido possível
sem tu e eu.

(1972)

UMA COISA É NECESSÁRIA

Uma coisa é necessária – aqui
neste nosso mundo díficil
de sem-abrigos e desterrados:

Fixares residência em ti.

Entra pela escuridão
e limpa a fuligem da lâmpada.

Para que as pessoas na estrada
possam entrever uma luz
em teus olhos habitados.

(1974)

ENVELHECER

Envelhecer é um comércio triste,
incurável e solitário
como a alopécia.
E o pior é que
nunca consegues dividir
o cordão umbilical esticado
que te liga à juventude.

De repente podes dar contigo
saltando descalço na relva
e pulando em saltos loucos
sobre as alegres nascentes da juventude,
embora realmente estejas sentado numa pedra
apoiando o queixo numa bengala curva
sentindo a osteoartrite rasgar a
marcha dos pés, velhos e pesados.

(1991, publicação póstuma)

HANS BØRLI

HANS BØRLI (1918-1989) nasceu em Eidskog, próximo da cidade de Kongsvinger, no condado de Hedmark, sudeste da Noruega. Faleceu com 71 anos. De dia exerceu a profissão de lenhador; à noite, enquanto os outros madeireiros descansavam, escreveu poesia. Os seus poemas mais conhecidos (“We Own the Forests” ou “Have You Listened to the Rivers in the Night”, por exemplo), refletem numa linguagem clara e escassamente metafórica, a estreita ligação que manteve com a natureza (aliás, uma das caracteristicas transversais à poesia escandinava), bem como certas particulariedades geográficas e climatéricas do longínquo Norte. A experiência da pobreza e do trabalho árduo, bem como a vivência das florestas e a solidariedade entre trabalhadores tiveram forte reflexo na sua poesia. Leitor compulsivo, foi-lhe mais tarde oferecido um lugar como estudante na academia militar de Oslo, cujos estudos teve que interromper com o irromper da Segunda Guerra Mundial, onde combateu os alemães, tendo sido capturado em Verdal. No final da guerra, regressou a Eidskog, tendo então trabalhado como professor e guarda-florestal. A estreia de Hans Børli na poesia ocorreu em 1945, e durante a vida terá escrito mais de onze mil poemas, dos quais traduzi oito, retirados da antologia “We Own the Forests and other Poems” (tradução do norueguês para inglês por Louis Muinzer), editado pela Norvik Press, em 2004 (2ª edição, 2007), editora fundada em 1984 em Norwich, com o apoio financeiro da Universidade de East Anglia, do Ministério da Cultura da Dinamarca, do Departamento Cultural Noroeguês e do Instituto Sueco.

31/12/2010 - 17:27h Entre avanços e instabilidade

Dança

Conquistas foram expressivas, mas se mantém como grave questão a sobrevivência de profissionais


Dança

Helena Katz – O Estado de S.Paulo

Dança foi o que não faltou em 2010. A princípio, o aumento na produção seria um ótimo motivo para comemorar, mas, infelizmente, a situação é um pouco mais complexa. Foi um ano importante em políticas públicas, porque nele se publicou o Plano Nacional da Dança. Fruto do Plano Nacional da Cultura (que foi gestado nas Pré-Conferências Setoriais que reuniram representantes de 14 linguagens artísticas de todas as regiões brasileiras), será, de agora em diante, o norteador das diretrizes a serem adotadas.

Apesar dessa conquista expressiva, no Brasil, o dia a dia de quem pretende viver profissionalmente de dança permanece instável. A sobrevivência depende dos editais, e eles continuam atendendo somente a demandas imediatas. Infelizmente, ainda não contemplam programas de média e de longa duração que diferenciem quem começa de quem já tem percurso, abrigando ambos em rubricas específicas.

Na prática, o tipo de financiamento para a dança que existe hoje implica uma alucinada fabricação de projetos com todos os gatos amontoados no mesmo saco. Boa parte do tempo dos artistas é dedicada a inventar projetos, modelizando a sua arte no formato das linhas de montagem da eficiência desenhado por Henri Ford para suas fábricas.

Muitos projetos, muitos editais, muitas coreografias. Tudo muito rápido e ritmado pela insalubre associação entre arte e consumo, que não é a mais recomendável quando se dá prioridade à pesquisa artística.

Na cidade de São Paulo, a Lei de Fomento à Dança acelera ainda mais o sistema estabelecido em todo o País porque aumenta aqui a quantidade do que é produzido. Quando se iniciava o importante movimento de reflexão sobre o que a gestou e no que ela se transformou, a classe, surpreendida pelo Decreto 51.300, que modifica a sua atual estrutura jurídica, já se mobilizou para mais uma luta política, convocando uma reunião para o próximo dia 10 de janeiro, às 20 horas, no Galpão do Folias (Rua Ana Cintra, 213, no bairro de Santa Cecília).

Um outro fantasma, esse já com um ano de vida, continua assombrando a área. Trata-se do Complexo Cultural que o Estado ameaça construir na vizinhança da sede da Osesp (nossa orquestra estadual). Apelidado de “Teatro da Dança”, esse fantasma autista – que reproduz um modelo de gestão pública que prioriza edificações milionárias que desprezam a relação custo-benefício (tanto na sua construção quanto na sua manutenção) – não se comunica com as necessidades da dança que São Paulo produz.

Como foi gestado em gabinete, sem a indispensável consulta à pluralidade dos profissionais da área da cidade na qual será instalado, transferirá para a materialidade dos muitos vidros da sua arquitetura o que o Estado já pratica com o seu orçamento de dança. Como se sabe, a predadora desproporção entre o que é destinado para uma única companhia (São Paulo Companhia de Dança) e o que sobra para todas as outras atividades em dança do Estado de São Paulo está muito longe do que se espera de uma gestão democrática.

Mas há esperança. A recente edição do Rumos Dança abandonou o problemático modelo de festival-vitrine, demonstrando ser possível apoiar a pesquisa; no próximo ano, o Ballet Stagium vai completar 40 anos de luta, fazendo desse marco um exemplo de coerência de percurso para inspirar quem vem vindo; fortalece-se a percepção entre vários coreógrafos de que também na dança é necessário praticar uma “epistemologia do sul” – conceito do sociólogo português Boaventura de Souza Santos que põe em questão a importação que os colonizados continuam a fazer de padrões dos colonizadores.

E, felizmente, começa a se popularizar a compreensão de que é preciso conhecer a economia da dança para fazê-la avançar politicamente. Seminários são organizados, grupos de discussão têm sido montados, atestando a vitalidade do assunto. Porque apenas a consolidação de um discurso competente conseguirá sacudir os que ainda estão apáticos para lidar com as urgências que já se instalaram. Esse é o caminho a ser tomado em 2011, para que, ao seu final, o balanço sobre a dança que nele se produziu seja outro.

31/12/2010 - 17:00h Fetiche compõe fotos de Helmut Newton

Newton_Sie_Komenvariante

As 2 fotos de Helmut Newton (1920-2004), Sie Kommen (”Nuas e Vestidas“), Paris, 1981.

Newton_sie_komen

Veja todas as fotos de Helmut Newton publicadas no blog aqui

31/12/2010 - 11:30h ‘O modelo político brasileiro está podre’

ENTREVISTA Luiz Sérgio


Novo ministro das Relações Institucionais defende reforma política e diz que pretende mudar as emendas individuais

Escolhido ministro das Relações Institucionais em meio a uma acirrada disputa por cargos e após um forte lobby do PT fluminense, o ex-sindicalista, deputado e presidente do partido no Rio, Luiz Sérgio, de 52 anos, agora terá como uma das principais tarefas lidar com as diferentes vozes do Congresso e dos partidos.

Ao lembrar o episódio do mensalão, que em 2005 mostrou a fragilidade dessa relação, ele afirmou que “o modelo político brasileiro está podre”. O novo ministro — que já havia dito que não acredita em “revanchismo” do PMDB — defendeu que a base governista precisa estar unida “para dar a governabilidade necessária”
à presidente eleita, Dilma Rousseff. Luiz Sérgio conserva em seu escritório, no Centro do Rio, uma parede coberta com fotos onde aparece ao lado do presidente
Lula. Sobre a mesa, uma pasta com informações sobre o ministério que assumirá. A respeito do perfil técnico de Dilma, ele diz que o equilíbrio ficará por conta do Ministério, “bastante político”.

Dandara Tinoco e Maiá Menezes – O GLOBO

O GLOBO: Houve uma frustração inicial do PT do Rio com a formação do Ministério, mas o estado acabou ganhando pastas de peso. Como o Rio ficou nessa composição?

LUIZ SÉRGIO: Tão importante quanto a presença de pessoas é a manutenção da atenção que o governo federal tem dado ao Rio de Janeiro. Uma das tarefas do
Ministério das Relações Institucionais, principalmente na Secretaria de Assuntos Federativos, é acompanhar essa relação do governo federal com os estados
e municípios.

● O senhor disse que o fato de o novo ministro do Turismo, Pedro Novais, ter gastado verba indenizatória em um motel não significa um escândalo. Por que não?

LUIZ SÉRGIO: Existe uma denúncia. Espero que a Câmara esteja apurando. O que eu defendi sempre, desde o início, foi que, num caso como este, ele tem, pela
norma, um direito de se defender. A comissão existente na Câmara que faz a avaliação e a triagem dessas notas apresentadas também precisa ter eficiência.


● Seu ministério requer um traquejo político num governo comandado por uma presidente com um perfil técnico. Como o senhor vê isso?

LUIZ SÉRGIO: O Ministério é bem equilibrado entre a técnica e a política. Paulo Bernardo foi deputado federal, Palocci foi prefeito e deputado federal… O Ministério tem até um perfil bastante político. Um governo precisa sempre se complementar. Eu diria que a presidente Dilma é uma técnica extremamente
competente. Mas quem disputa uma campanha para presidente no Brasil faz um doutorado em política, e ela se saiu bem.

● O senhor teme que a candidatura de Marco Maia para a presidência da Câmara abra espaço para um deputado do baixo clero, como aconteceu com Severino
Cavalcanti?

LUIZ SÉRGIO: Naquele momento o próprio PT acabou com duas candidaturas, a do Greenhalgh (Luiz Eduardo) e a do Virgílio Guimarães. Essa é uma divisão do PT que não existe. (…) É preciso que esse processo de escolha do presidente da Câmara seja instrumento para unificar ainda mais os partidos que estiveram juntos no processo eleitoral. E é muito importante que a base possa estar unida para dar a governabilidade necessária.

● Uma candidatura do baixo clero ameaçaria isso?

LUIZ SÉRGIO: Não é o ideal. Mas eu confio muito na maturidade dos deputados.

● Como será esse contato permanente com os deputados?

LUIZ SÉRGIO: A relação com a Câmara muitas vezes tem atritos por questões muito simples. O parlamentar não quer ser resumido a um apertador de botão, a um levantador de mão. Ele quer ser um agente político e para isso há um pressuposto mínimo de que possa ser ouvido. Há, por exemplo, um processo na Câmara que tem sido um dos mais desgastantes, a velha história das emendas individuais.

● Esse será o principal nó?

LUIZ SÉRGIO: É preciso estabelecer uma regra com mais critério, porque se evidenciou que recursos pararam em ONGs, sem explicação. Num período muito curto, o limite de uma emenda saiu de R$ 3 milhões para R$ 12,5 milhões. Não liberar nada também é absurdo. Acho que o melhor é que as emendas pudessem ser feitas dentro de programas já existentes dentro do próprio ministério.

● Todos perguntam sobre a sua relação com o José Dirceu.

LUIZ SÉRGIO: Chama atenção o fascínio que a imprensa tem pelo José Dirceu. Há sempre uma tentativa de colocar as pessoas como amigo ou inimigo, como
aliado ou adversário.

● Essa relação que fazem entre vocês incomoda?

LUIZ SÉRGIO: Não diria que incomoda, mas acaba cansando o fato de que talvez seja a centésima vez que eu tenha que explicar isso. Eu tenho esse escritório há quatro anos, o Zé nunca esteve aqui. Com toda a sinceridade, eu falo uma média de quatro vezes por ano com o Zé Dirceu.

● O mensalão existiu?

LUIZ SÉRGIO: O mensalão, enquanto versão que foi apresentada para construir base de apoio para votar matéria de governo, essa versão não existiu. Nós estamos sempre debatendo as consequências e não estamos debatendo as causas. Tivemos a crise dos partidos, que foi do PT, com PTB, com PP, que tinha a
ver com financiamento de campanha. Em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Brasília também. O que isso evidencia, de forma muito clara? Que o modelo atual que nós temos é um modelo que está podre. Com esse modelo, pode aparecer crise a qualquer momento. A outra questão é que a reforma política é muito difícil, porque cada um se acha um professor da matéria.

● Qual a solução?

LUIZ SÉRGIO: Essa não é uma matéria que dependa da vontade do presidente. A reforma política, a meu ver, só sairá com uma mobilização da sociedade civil, das organizações sociais. É um modelo que se esgotou.

● O senhor diz que a “versão” que se propagou sobre o mensalão não existiu. O que existiu?

LUIZ SÉRGIO: O que existiu foi que o diretório do PT acertou via partidos — Roberto Jefferson era presidente do PTB, Pedro Corrêa era presidente do PP — que iam viabilizar de partido para partido recursos para ajuda na campanha eleitoral, que teríamos na prefeitura do ano seguinte. E deu nesse grande problema. Mas esse é um tema que está na Justiça e ela irá esclarecer.


● Com relação à Presidência do Senado, o senhor acha que Sarney é o candidato natural? Como será a relação com o forte e insatisfeito PMDB?

LUIZ SÉRGIO: Caminha para isso. O Senado tem uma tradição de sempre eleger o candidato da maior bancada. E quem dá esse direito são os eleitores, que elegeram o PMDB a maior bancada do Senado. Espero compreensão dos partidos aliados.


● Como é sua relação com a presidente eleita?

LUIZ SÉRGIO: Conheci a Dilma como ministra das Minas e Energia. E ali é um bom exemplo do que o governo teve que reconstruir de máquina pública. Ali tinha mais motorista do que engenheiro. Teve que reorganizar todo o sistema.

● Houve aproximação na época da CPI dos Cartões Corporativos, quando o senhor era relator, e ela não foi convocada?

LUIZ SÉRGIO: Não, sinceramente não.

● O que o senhor achou do Campo de Lula?

LUIZ SÉRGIO: Nós temos mexilhão, temos garopa, cocoroca… Lula é até mais nobre do que alguns peixinhos que eles usaram para batizar. A Petrobras tomou como uma das suas políticas dar nome de peixes ou moluscos. Lula está nessa cadeia. Não é um absurdo. Porque está nessa lógica.

● E tem o fato de ser o maior campo descoberto…

LUIZ SÉRGIO: Tem tudo a ver. Tem a ver com a política. Quem quiser entender como uma homenagem é justa. Lamento que a oposição não tenha entendido.

● O PT possivelmente apoiará o PMDB no Rio em 2014? Como fica Lindberg Farias?

LUIZ SÉRGIO: A coisa mais natural do mundo é que o Cabral defenda o nome do Pezão para sucedê-lo. Mas quatro anos na política é um século. Evidentemente
que Lindberg é uma liderança política em ascensão no Rio. Não tenho dúvida de que um dia será candidato governador. Mas ele terá que ter sabedoria para escolher o momento. ■

31/12/2010 - 10:27h Novo governo promete poupança fiscal extra


Segundo o ministro Guido Mantega, o governo cortará gastos, adotará desonerações tributárias e novas medidas cambiais

Adriana Fernandes, Fabio Graner e Eduardo Rodrigues – O Estado de S.Paulo

No primeiro ano do governo Dilma Rousseff, a equipe econômica fará uma poupança fiscal adicional à meta de superávit primário das contas públicas, cortará gastos, adotará desonerações tributárias e novas medidas cambiais e de estímulo ao comércio exterior. Pelo menos foi o que prometeu ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois de ter sancionado nos últimos dois anos uma política de expansão de gastos que o levou a lançar mão de diversas manobras contábeis para fechar as contas do governo.

O ministro antecipou as linhas gerais da estratégia de política econômica traçada nas últimas semanas com a futura presidente. E aproveitou para, mais uma vez, empenhar a sua palavra, que está em xeque pelos últimos números das contas públicas, de que o governo fará de 2011 um ano de austeridade fiscal, com maior controle dos gastos. O primeiro sinal foi o anúncio de que já está assinada a Medida Provisória que mantém a proposta de salário mínimo em R$ 540, apesar das pressões de trabalhadores por um reajuste maior.

Desonerações. Após ter aprovado a redução da meta de superávit primário, de 3,3% para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), prevista para 2011 (com a retirada da Eletrobrás do cálculo), o ministro agora diz até que o governo fará uma “poupança adicional” no ano que vem. Segundo ele, o esforço além da meta será usado para reforçar o caixa do Fundo Soberano do Brasil (FSB) ou bancar novas desonerações tributárias.

“Posso garantir que no ano que vem estaremos cumprindo a meta cheia de superávit”, assegurou. A meta cheia corresponde ao superávit integral, sem os abatimentos contábeis. Em 2009, Mantega prometeu a meta cheia e não cumpriu. A promessa foi repetida em 2010, mas o ministro já antecipou que dificilmente será cumprida, colocando a culpa nos Estados e municípios.

Para viabilizar o superávit até acima da meta, Mantega disse que o governo já estaria impedindo aumentos de gastos. Ele sinalizou que o bloqueio do Orçamento de 2011 será definido na primeira quinzena de janeiro.

No esforço de ganhar credibilidade, o governo tem buscado dar um novo “embrulho”, com ares de pacote, para a política fiscal que será executada a partir de 2011. Fontes do governo têm procurado espalhar a ideia de “ajuste fiscal” ou “programa fiscal” para ações que, na prática, são normais de controle de despesas, como o rotineiro contingenciamento de recursos do Orçamento e o aumento do esforço fiscal por meio do mero cumprimento da meta cheia de superávit. A poupança adicional também não chega a ser grande novidade, porque o governo poderia ter mantido a meta em 3,3%, mesmo retirando a Eletrobrás da conta.

Câmbio. O ministro disse que o próximo governo vai enfrentar a questão cambial, com foco voltado para novas medidas na área de comércio exterior. Para ele, a valorização do real dos últimos dias se deve, além do movimento internacional do dólar, ao fechamento de posições de investidores. “É momento atípico, mas o câmbio está oscilando dentro de uma faixa moderada.”

Mantega também aproveitou para fustigar o Banco Central. Ele avaliou que não há nenhum perigo de a inflação “fugir” da meta e, ao comentar a queda do IGP-M por causa do recuo dos preços das commodities, principalmente de alimentos, alfinetou: “Não foi por falta de dizer. Era uma inflação com componente sazonal e não estrutural.”

31/12/2010 - 10:21h Em editorial de 1ª página, ‘Le Monde’ lista os desafios de Dilma

Jornal francês destaca sucessão presidencial brasileira e diz que Dilma assume com o país em situação muito mais confortável que em 2002.

AGÊNCIA ESTADO

Para jornal, Dilma assume em situação melhor do que Lula em 2003

O prestigioso jornal francês Le Monde dedica em sua edição desta sexta-feira um grande destaque à sucessão presidencial no Brasil, com a posse da presidente eleita, Dilma Rousseff, marcada para o sábado.

Em um editorial que ocupa cerca de um terço de sua primeira página, o Monde afirma que ela assume com o país numa situação muito melhor do que a que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, encontrou ao ser eleito em 2002.

Mas o jornal adverte que Lula deixa o cargo com muitos trabalhos inacabados, deixando vários desafios para sua sucessora, listados pelo editorial.

“A educação continua pobre e desigual. O sistema de saúde funciona em duas velocidades. Violência e insegurança corrompem as metrópoles. A corrupção e o nepotismo na vida pública corroem um país no qual a política é muitas vezes vista apenas como um meio de se enriquecer. A infraestrutura precisa ser desenvolvida rapidamente para enfrentar o desafio especial da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016″, lista o jornal.

Para o diário, “Lula deixa para a nova presidente um país ouvido e respeitado na arena internacional”, mas que também é alvo de algumas críticas, como em sua relação com o Irã.

Apesar disso, observa o editorial, Dilma já começou a expressar suas diferenças com comentários sobre sua preocupação com os direitos humanos, principalmente das mulheres, no Irã e em outros países.

O jornal comenta que Dilma deve seu “destino glorioso” ao mentor Lula, do qual não tem nem o carisma nem o dom da oratória.

O editorial conclui afirmando que ela deve se esforçar para não decepcionar os quatro em cada cinco brasileiros que, segundo as pesquisas, acreditam que ela fará um governo tão bom ou melhor do que o de Lula.

31/12/2010 - 07:28h Governo de SP deve tentar privatizar Cesp pela quarta vez

Futuro secretário de Energia quer retomar ideia assim que conseguir a renovação da concessão de duas das principais usinas da empresa, que vencem em 2015

Anne Warth, da Agência Estado

SÃO PAULO – O futuro secretário estadual de Energia, deputado federal reeleito José Aníbal (PSDB-SP), disse nesta quinta-feira, 30, que o governo de São Paulo pretende retomar a ideia de privatizar a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) assim que conseguir a renovação da concessão de duas das principais usinas da empresa, Ilha Solteira e Jupiá, que vencem em 2015. De acordo com ele, as conversas entre o governo paulista e a União para obter a renovação das concessões serão intensificadas nos próximos meses. Será a quarta tentativa do governo de São Paulo de privatizar a empresa, que já foi tentada em 2000, 2001 e 2008.

“O governador deixou claro que hoje nós não temos imediatamente o que privatizar. A Cesp, para se tornar uma empresa com boa condição de negociação no mercado, precisa ter ampliado seu tempo de concessão, que hoje está em um universo curto de quatro anos. Isso certamente vai acontecer e depois vai se ver qual a decisão que o governo tomará em função da ampliação do prazo da concessão”, afirmou. “As conversas têm sido feitas, mas agora serão intensificadas porque o propósito realmente é fazer a ampliação do tempo de concessão para tornar a empresa mais viável e passível de negociação.”

Aníbal lembrou que o prazo das concessões das duas usinas foi uma das principais causas do fracasso da última tentativa de vender o controle da empresa. Como a renovação não é automática e, na semana do leilão, o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, enviou carta ao governador José Serra (PSDB) para informar que não garantiria a renovação das concessões, nenhum dos consórcios interessados fez o depósito das garantias financeiras, de R$ 1,74 bilhão. Na época, o preço mínimo da venda da companhia era de R$ 6,6 bilhões, e o valor total da companhia era de cerca de R$ 20 bilhões, levando-se em conta a oferta que deveria ser feita aos minoritários e as dívidas da companhia. “Não conseguimos (privatizar a companhia) porque o prazo de concessão (das usinas) era muito curto. Ampliando esse prazo, claro que a possibilidade será muito firme”, confirmou Aníbal.

O futuro secretário disse ainda que sua meta será ampliar a segurança energética e a participação da energia renovável na matriz energética do Estado por meio de usinas de cogeração, com o uso de bagaço de cana, pequenas centrais hidrelétricas, etanol, energia eólica e solar. “Geramos mais de 40 milhões de toneladas de bagaço de cana todos os anos e a queima desse bagaço, feita adequadamente, com geração de excedente, pode gerar o equivalente a uma Itaipu ao longo de dez anos até 2020. Certamente 5 mil MGW até 2015. Vamos trabalhar fortemente com esse objetivo”, afirmou.

O objetivo, segundo ele, é cumprir a meta de redução de emissões de gases causadores de efeito estufa a 20% do emitido em 2005 até 2020, conforme legislação aprovada. “É uma meta ambiciosíssima. Vamos ter que mudar muito também o transporte coletivo, com a queima de combustíveis não poluentes como gás e etanol. Essas ações não necessariamente demandam grandes investimentos públicos, mas a organização, indução, regulamentação e fiscalização do setor público para propiciar e estimular o investimento privado.”

De acordo com Aníbal, o governo paulista pretende estreitar a relação com a Petrobrás com vistas à exploração do pré-sal. “O governador quer pessoalmente tratar desse assunto, porque é algo que já está impactando a Baixada Santista muito positivamente”, afirmou, citando que o Estado pretende oferecer cursos para qualificar a mão de obra para a atividade. “Vamos zelar para que isso não conflite com a sustentabilidade que toda a sociedade quer.” Sobre a discussão dos royalties do petróleo, ele garantiu que o governo está acompanhando as negociações no Congresso. “Claro que o governo estará atento para que a nossa parte seja devida e devidamente paga.”

30/12/2010 - 22:00h Boa noite


TERESA BERGANZA – “L´amour est un oiseau rebelle”(Habanera), da ópera Carmen, de Bizet

30/12/2010 - 20:02h A origem do mundo

Bonzom_origine du monde

Peintures et dessins d’Isabelle Bonzom, tirés de sa série
de nus masculins créée entre 1994 et 2002,

30/12/2010 - 19:20h Molly Ban


The Chieftains & Alison Krauss
Molly Ban (Live)

Down the Old Plank Road
The Nashville Sessions CD

30/12/2010 - 18:49h O importante é a rosa


Gilbert Bécaud – L’important c’est la rose

Toi qui marches dans le vent
Seul dans la trop grande ville
Avec le cafard tranquille du passant
Toi qu’elle a laissé tomber
Pour courir vers d’autres lunes
Pour courir d’autres fortunes
L’important…

L’important c’est la rose
L’important c’est la rose
L’important c’est la rose
Crois-moi

Toi qui cherches quelque argent
Pour te boucler la semaine
Dans la ville tu promènes ton ballant
Cascadeur, soleil couchant
Tu passes devant les banques
Si tu n’es que saltimbanque
L’important…

L’important c’est la rose
L’important c’est la rose
L’important c’est la rose
Crois-moi

Toi, petit, que tes parents
Ont laissé seul sur la terre
Petit oiseau sans lumière, sans printemps
Dans ta veste de drap blanc
Il fait froid comme en Bohème
T’as le cœur comme en carême
Et pourtant…

L’important c’est la rose
L’important c’est la rose
L’important c’est la rose
Crois-moi

Toi pour qui, donnant-donnant
J’ai chanté ces quelques lignes
Comme pour te faire un signe en passant
Dis à ton tour maintenant
Que la vie n’a d’importance
Que par une fleur qui danse
Sur le temps…

L’important c’est la rose
L’important c’est la rose
L’important c’est la rose
Crois-moi

30/12/2010 - 18:35h A rosa

Leiter
Saul Leiter

Fonte Le Clown Lyrique

30/12/2010 - 18:15h Soneto 15

William Shakespeare

Quando penso que tudo o quanto cresce
Só prende a perfeição por um momento,
Que neste palco é sombra o que aparece
Velado pelo olhar do firmamento;

Que os homens, como as plantas que germinam,
Do céu têm o que os freie e o que os ajude;
Crescem pujantes e, depois, declinam,
Lembrando apenas sua plenitude.

Então a idéia dessa instável sina
Mais rica ainda te faz ao meu olhar;
Vendo o tempo, em debate com a ruína,

Teu jovem dia em noite transmutar.
Por teu amor com o tempo, então, guerreio,
E o que ele toma, a ti eu presenteio.

30/12/2010 - 17:58h Sonetos de Shakespeare

Arnaldo poesias

~ Sonetos de William Shakespeare ~

1609-2009 — Sonetos de Shakespeare completam 400 anos

Os Sonetos de Shakespeare (The Sonnets) constituem uma coleção de 154 poemas sob a forma estrófica
do soneto inglês que abordam uma galeria de temas tais como o amor, a beleza, a política e a morte.

Foram escritos, provavelmente, ao longo de vários anos, para no final, serem publicados, exceto os dois primeiros, em uma coleção de 1609; os número 138 (”When my love swears that she is made of truth”) e 144 (”Two loves have I, of comfort and despair”) haviam sido previamente publicados em uma coletânea de 1599 intitulada The Passionate Pilgrim.

Os Sonetos foram publicados em condições que, todavia hoje seguem sendo incertas. Por exemplo, existe uma misteriosa dedicatória no começo do texto onde um certo “Mr. W.H.” é descrito pelo editor Thomas Thorpe como “the only begetter” (o único inspirador) dos poemas; se desconhece quem era essa pessoa. A dedicatória se refere também ao poeta com a igualmente misteriosa frase “ever-living”, literalmente imortal, mas normalmente aplicado a uma pessoa já morta. Mesmo que os poemas tenham sido escritos por William Shakespeare, não se sabe se o editor usou um manuscrito autorizado por ele ou uma cópia não autorizada. Estranhamente, o nome do autor está dividido por um hífen na capa e no começo de cada página da edição. Estas controvérsias têm incentivado o debate sobre a autoria das obras atribuídas a Shakespeare.

Os primeiros 17 sonetos se dirigem a um jovem, incentivando-o a casar-se e a ter filhos, de forma que sua beleza possa ser transmitida às gerações seguintes. Este grupo de poemas é conhecido com o nome de procreation sonnets (sonetos da procriação).

Os sonetos que vão do 18 ao 126 também são dirigidos a um jovem, porém agora ressaltando o amor que é descrito com muito lirismo.

Os compreendidos entre o127 e o152 abordam temas como a infidelidade, a resolução para controlar a luxúria, etc.

Os últimos dois sonetos, o 153 e o 154, são alegóricos.

~ Estrutura ~

Cada soneto é formado por quatro estrofes, três quartetos e um terceto final, compostos em pentâmeros iâmbicos (o verso também usado nas obras dramáticas de Shakespeare) com um esquema de rima abab cdcd efef gg (forma que hoje em dia é conhecida como soneto shakespereano). Há três exceções: os sonetos 99, 126 e 145. O número 99 tem quinze versos. O 126 consiste em seis tercetos e dois versos brancos (sem rimas) escritos em letras itálicas. Por outro lado, o 145 está em tetrâmetros iâmbicos, e não em pentâmeros. Com frequência, o começo do terceiro quarteto assinala a volta do verso no que o tom do poema muda, e o poeta expressa uma revelação ou aparição.

~ Personagens ~

Três são os personagens aos que se dirigem a maioria dos sonetos: um bonito jovem, um poeta rival e a dama morena; convencionalmente, cada um destes destinatários é conhecido pelo sobrenome de, respectivamente, o Fair Youth, o Rival Poet e a Dark Lady. A linguagem lírica expressa admiração pela beleza do jovem, e que mais tarde mantém uma relação com a Dark Lady. Desconhece-se se os poemas e seus personagens são fictícios ou autobiográficos. Se fossem autobiográficos, as identidades dos personagens estariam abertas ao debate. Diversos especialistas, especialmente A. L. Rowse, têm sugerido identificar os personagens com figuras históricas.

~ Fair Youth ~

O “Fair Youth” é um jovem sem nome a quem se dirigem os sonetos que vão do 1 ao 126. O poeta descreve o jovem com uma linguagem romântica e carinhosa, um fato que tem levado vários comentaristas a sugerir uma relação homossexual entre os dois, considerando que outros interpretam como um amor platônico.

Os primeiro poemas da coleção não sugerem uma relação pessoal estreita; pelo contrário, neles se recomendam os benefícios do matrimônio e de ter filhos. Com o famoso soneto 18 (”Shall I compare thee to a summer’s day”: Deveria comparar-te a um dia de verão), o tom muda dramaticamente para uma intimidade romântica. O soneto 20 se lamenta explicitamente de que o jovem não seja uma mulher. A maioria dos seguintes sonetos descreve os altos e baixos de um relacionamento, culminando com um caso, digamos assim, entre o poeta e a Dark Lady. O relacionamento parece terminar quando o Fair Youth sucumbe aos encantos da dama.

Tem havido numerosas tentativas de se identificar o amigo misterioso. O protetor de Shakespeare durante algum tempo, Henry Wriothesley, terceiro conde de Southampton, é o candidato que mais vezes tem sido sugerido para essa identificação, ainda que o último protetor de Shakespeare, William Herbert, terceiro conde de Pembroke, foi recentemente cogitado como outra possibilidade. Ambas as teorias estão relacionadas com a dedicatória dos sonetos a ‘Mr. W.H.’, “the only begetter of these ensuing sonnets” (o único inspirador dos seguintes sonetos): as iniciais podiam ser aplicadas a qualquer dos condes. Sem dúvida, já que a linguagem de Shakespeare parece em certas ocasiões indicar que o amigo seja alguém de um status social mais elevado que o deles, poderia não ser assim. As aparentes referências à inferioridade do poeta podem ser simplesmente partes da retórica da submissão romântica. Uma teoria alternativa, exposta no relato de Oscar Wilde “The Portrait of Mr. W. H.” aponta a uma série de jogos de palavras que poderiam sugerir que os sonetos foram escritos para um jovem ator chamado William Hughes (Mr. W. H.); sem dúvida, o conto de Wilde reconhece que não há evidências da existência de tal pessoa. Samuel Butler, por sua vez, acreditava que o amigo fosse um marinheiro, e recentemente Joseph Pequigney (’Such Is My love’) sugeriu ser um desconhecido plebeu.

Henry Wriothesley, 3rd Earl of Southampton:Shakespeare's patron at twenty one years of age, one candidate for the "Fair Lord" of the sonnets.

– Henry Wriothesley, terceiro conde de Southampton: O protetor de William Shakespeare que mais vezes tem sido sugerido para essa identificação

~ The Dark Lady ~

Os sonetos do 127 ao 152 se dirigem a uma mulher geralmente conhecida como a “Dark Lady”, pois de seus cabelos dizem que são pretos e de sua pele que é morena. Estes sonetos têm um caráter explicitamente sexual, diferentemente dos escritos ao “Fair Youth”. Da leitura se percebe que o jovem dos sonetos e a dama mantiveram uma relação apaixonada, mas que ela lhe foi infiel, possivelmente com o “Fair Youth”.

Humildemente, o poeta se descreve como calvo e de meia idade no momento da relação.

Muito se tem imaginado em numerosas ocasiões identificar a “Dark Lady” com personalidades históricas, tais como Mary Fitton ou a poeta Emilia Lanier, que é a favorita de Rowse. Alguns leitores têm sugerido que a referência a sua pele escura poderia sugerir uma origem espanhola ou mesmo africana (por exemplo, na novela de Anthony Burgess sobre Shakespeare, Nothing Like the Sun). Outras pessoas, pelo contrário, insistem em afirmar que a Dark Lady não é mais do que um personagem de ficção e que nunca existiu na vida real; sugerem, afinal, que a tonalidade da pele da dama não deve ser entendida literalmente senão como representação do desejo pecaminoso da luxúria como oposta ao amor platônico ideal associado com o “Fair Youth”.

~ The Rival Poet ~

O poeta rival é, às vezes, identificado com Christopher Marlowe ou com George Chapman. Sem dúvida, não há evidências contundentes de que o personagem tenha uma correspondência com alguma pessoa real.

~ Temas ~

Os sonetos de Shakespeare são, frequentemente, mais sexuais e prosaicos que as coleções de sonetos contemporâneas de outros poetas. Uma interpretação disto é que os sonetos de Shakespeare são, em parte, uma imitação ou uma paródia da tradição de sonetos amorosos petrarquistas que dominou parte da poesia européia durante três séculos. O que Shakespeare faz é converter a “madonna angelicata” em um jovem ou a formosa dama em uma dama morena. Shakespeare viola também algumas regras sonetísticas que haviam sido estritamente seguidas por outros poetas: fala de males humanos que não tem nada a ver com o amor (soneto 66), comenta assuntos políticos (soneto 124), faz gracejos sobre o amor (soneto 128), parodia a beleza (soneto 130), joga com os papéis sexuais (soneto 20), fala abertamente sobre sexo (soneto 129) e inclusive introduz engenhosos matizes pornográficos (soneto 151).

~ Legado ~

Além de situar-se ao final da tradição sonetística petrarquista, os sonetos de Shakespeare podem também ser vistos como um protótipo, ou inclusive como o começo, de um novo tipo de moderna poesia amorosa. Após Shakespeare ser descoberto durante o século XVIII — e não só na Inglaterra — os sonetos cresceram em importância durante o século XIX.

A importância e influência dos sonetos se demonstram na inumerável série de traduções que se tem feito deles. Até hoje, só nos países de língua germânica, já foram feitas centenas de traduções completas desde 1784. Não há nenhuma língua importante que não tenham sido traduzidos, incluindo o Latim, Turco, Japonês, Esperanto, etc.; e até em alguns dialetos


Capa da edição de 1609 dos
Sonetos de Shakespeare

30/12/2010 - 17:27h Uma costela progressista

Mark Bittman – O Estado de S.Paulo

A maneira clássica de se preparar uma costela de cordeiro é cobri-la com uma mistura conhecida como persillade – combinação de salsa picada, alho fatiado, azeite e migalhas de pão (quase sempre de pão branco francês).

Apesar de um pouco conservadora, é impossível negar que a receita seja deliciosa. Na verdade, a maioria das carnes fica uma delícia quando é coberta com persillade.

Quis fazer alguns experimentos com a receita e fugir do aspecto conservador, mas sem inventar um prato tão maluco a ponto de se sobrepor à maciez e suculência da própria costela de cordeiro.

Pensei na receita e na sua relação com as migas, a mistura espanhola de migalhas de pão e chorizo. Este raciocínio me levou a alterar alguns ingredientes. O resultado foi um interessante cordeiro assado.

Deixei de lado a salsa, ingrediente tão amado e versátil, e a substituí por minha querida páprica – o pimentón espanhol, ou páprica defumada -, um dos principais ingredientes do chorizo. E então comecei a pensar numa alternativa mais saborosa de pão.

Como eu tinha à disposição algumas fatias de pão de centeio integral dormido, decidi usá-las para fazer as migalhas. Foi um fantástico golpe de sorte. Processados com azeite e uns dentes de alho, a páprica e o pão de centeio se combinaram para formar algo semelhante a um chorizo vegan: uma mistura escura, defumada e gorda.

É claro que, como seria depositada sobre uma costela de cordeiro, a mistura não se destinava a vegans. Mas é uma combinação que pode transformar o mais simples prato de legumes grelhados em uma iguaria verdadeiramente especial.

Passei a mistura de páprica e pão de centeio sobre a carne de cordeiro e levei ao forno por cerca de 20 minutos. Houve época em que eu tratava uma costela de cordeiro como um prato para duas pessoas, mas hoje a considero mais adequada para quatro comensais. Isso é especialmente verdadeiro se o cordeiro for servido com acompanhamentos e coberto com a mistura de páprica e migalhas de pão, complemento forte o bastante para que não precisemos de tanta carne para nos sentirmos satisfeitos.

Receita

Costela de cordeiro com pimentão, alho e azeite

Ingredientes

1 costela de cordeiro (de cerca de 1 kg)
1/4 de xícara de azeite extravirgem
2 dentes de alho
1 colher (sopa) de páprica
defumada
Sal e pimenta-do-reino moída na hora
1 fatia de pão de centeio média quebrada em pedaços

Preparo

Aqueça o forno a 230°C. Remova o excesso de gordura do cordeiro, mas deixe um pouco sobre a carne. No sentido longitudinal, corte como se fosse separar uma costela da outra, mas vá só até a metade: esse corte permitirá deixar a carne entre elas crocante.

Ponha o azeite, o alho, a páprica e uma pitada de sal num processador e bata. Acrescente o pão e pulse algumas vezes, para obter migalhas grandes. Esfregue essa mistura no lado de carne da costela e polvilhe com mais sal e pimenta-do-reino moída.

Ajeite a costela numa assadeira, leve ao forno e asse por 18 a 20 minutos. Introduza um termômetro de leitura imediata na parte mais carnuda. Se marcar 50°C ou mais, tire o cordeiro imediatamente. Se marcar menos de 50°C, leve de volta ao forno por 5 minutos, não mais. Retire e deixe descansar por 5 minutos.

Separe as costelas, cortando entre elas, e sirva.

30/12/2010 - 17:00h Livros de dar água na boca

Um dos lançamentos traz receitas de doces de fábula; o outro, uma seleção dos maiores chefs do mundo – feita pelos próprios maiores chefs do mundo. O livro dos doces é tão luxuoso e bonito que dá até pena de levar para perto do fogão

Olívia Fraga – O Estado de S.Paulo

A editora Senac fecha o ano com dois lançamentos de encher os olhos – e as mãos. 100 Grandes Chefs Contemporâneos Escolhidos por 10 Mestres Internacionais é um “must-have” por conta da polêmica levantada quando foi lançado no Reino Unido, em 2009.

Editado pela inglesa Phaidon Press, o livro dá voz a dez chefs que selecionaram, cada um, seu próprio “top 10″ de cozinheiros. Entre os arautos estão Ferran Adrià, Alain Ducasse, Alice Waters, Mario Batali, Gordon Ramsay e até René Redzepi, o über-chef do Noma, em Copenhague, o número um do mundo.

A editora deixou os chefs à vontade para eleger quem quisessem. Escolhidos os cem nomes (por isso a coleção da Phaidon tem o nome 10×10), cada curador faz a apresentação de seus eleitos. Na sequência, fotos do chef e pratos icônicos da carreira, com receita.

Alex Atala está entre os eleitos (é o único da América do Sul), mas a balança pende para o lado dos europeus. Há distorções inevitáveis, como Gordon Ramsay escolher, entre seus dez chefs preferidos, seis britânicos, e Ferran Adrià mencionar pelo menos três chefs que passaram pelo elBulli. A revista New York reclamou da “ausência” de talentos nova-iorquinos. E as mulheres apareceram pouco: apenas 11.

Existem outras leituras. Se for verdadeiro o ditado “é preciso ser particular para ser universal”, então há justiça na eleição sentimental de cada mestre. O que parece defeito vira virtude, por retratar um instantâneo que revela o que hoje os grandes chefs sentem apontar para o futuro. O mesmo Adrià que listou cinco espanhóis lembrou-se do moscovita Anatoly Komm, do Green.It, proclamando que “o futuro da gastronomia está na Rússia”. Pelos depoimentos e textos em primeira pessoa, deve virar obra de consulta.

Outro livro recém-lançado pela editora Senac é a versão em português de Doces, da lendária doceria Ladurée. Vem em uma caixa e embrulhado em papel de seda. Tem capa de camurça almofadada e folhas de bordas douradas. A obra, que também acaba de ser traduzida para o inglês, traz cem receitas clássicas da maison aprimoradas pelo confeiteiro Philippe Andrieu. Estão lá os caramelos, a tarte tatin e o mil-folhas que fazem a fama da doceria de 1862. Quem conhece a Ladurée vai ficar entusiasmado com as receitas dos macarons. Pena que muitos ingredientes são difíceis de achar aqui, caso do ruibarbo, e que itens essenciais, como açúcar, aparecem de forma ultrarrefinada, o “sucre semoule”(açúcar impalpável, com amido de milho). O outro problema: quem vai ousar levar para o fogão um livro tão bonito?
DOCES DA LADURÉE
Editora: Senac
392 págs., R$ 100, no site da editora

100 GRANDES CHEFS
CONTEMPORÂNEOS
Editora: Senac
440 págs., preço a definir

ENCICLOPÉDIA DA GASTRONOMIA FRANCESA
Autor: Vincent Boué e Hubert Delorme
Editora: Ediouro (505 págs., R$ 98,90)

Em formato de livro de arte, dedica-se às técnicas fundamentais da culinária francesa desde o séc. 19. Os autores são professores no Lycée Hôtelier Sainte-Thérèse, em La-Guerche-de-Bretagne, uma das principais escolas de gastronomia e hotelaria da França. A obra foi dividida em três partes: a primeira, de técnicas; a segunda, um caderno prático; e por último, as receitas. Vale uma espiada nas tabelas de Denominação de Origem Protegida e de Origem Controlada.

DOUBLE DELICIOUS!
Autor: Jessica Seinfeld
Editora: William Morrow Cookbooks (208 págs., R$ 65,81, na Livraria Cultura)

Mãe de três filhos e mulher do comediante Jerry Seinfeld, Jessica Seinfeld tinha uma missão: fazer suas crianças gostarem de vegetais e verduras. Saiu-se bem na tarefa em Deliciosos e Disfarçados (2008). Como no primeiro livro, Double Delicious!, não abandona a ideia de transformar legumes em purê para “enganar” as crianças, o que é um tanto decepcionante. Mesmo assim, as belas fotos desmentem a impressão inicial de que Jessica faz comida virar “papinha” de bebê.

30/12/2010 - 13:19h Cidadãos reagem ao aumento de Kassab

Abaixo-assinado contra o aumento da passagem de ônibus para R$3 e a favor da execução (urgente!) de medidas em prol da melhora do transporte público na cidade de São Paulo

Para:À Prefeitura de São Paulo, Câmara Municipal de São Paulo e Secretarias responsáveis

Petição pública contra o aumento da passagem de ônibus para R$3 e a favor da execução (urgente!) de medidas em prol da melhora do transporte público na cidade de São Paulo.

Até o fim de dezembro de 2010 ou em janeiro de 2011, o prefeito Kassab pretende aumentar a passagem de ônibus, conforme afirmado por ele à imprensa, possivelmente para R$3. A medida está inclusa no texto do Orçamento da cidade de São Paulo para 2011. O vereador Milton Leite, relator de tal Orçamento, chegou a confessar à imprensa que o aumento da tarifa de ônibus pode até ultrapassar R$ 2,90, sendo que a passagem já aumentou de R$ 2,30 para R$ 2,70 em janeiro deste ano. E isso não é tudo. Mesmo com mais uma alta no preço da passagem, a gestão Kassab ainda propõe o aumento dos recursos que são repassados todos os anos às empresas de ônibus em forma de subsídios. Se aprovados, serão ao todo R$ 743 milhões. Kassab justifica os aumentos no preço das passagens no reajuste anual em prol da reposição da inflação. Mas o aumento para R$3 representaria uma alta de 26% em relação ao valor praticado em 2009, o que é mais do que o dobro da inflação no período e portanto NÃO JUSTIFICA a medida.
O argumento da prefeitura, aquele de todos os anos, de que os aumentos são necessários para melhorar o transporte também não merece crédito. Há anos o transporte público em São Paulo não vê os resultados desses repasses e aumentos. No caso da maioria das linhas de ônibus, a quantidade de veículos é insuficiente para atender a demanda nos horários de pico. Ou o cidadão aceita esperar horas por um ônibus ou vagão de metro/trem que o caiba decentemente, ou se submete a um transporte desumano, de tão superlotado. Além disso, esses veículos estão funcionando em péssimas condições de segurança e conforto, incluindo nesta problemática o fato de que as ruas e avenidas, principalmente de bairros, possuem pavimento impróprio (cheio de buracos e desníveis) para o tráfego.
A resolução de tais deficiências no transporte público em São Paulo (problemas que há décadas assolam quem mora nesta cidade e agora alcançam seu pico) se faz urgente. Todos sabem que investindo no transporte público se resolvem outros problemas, como o congestionamento e a poluição.
Mas os problemas apresentados devem ser resolvidos com os recursos que já foram repassados em todos esses anos anteriores, às companhias de ônibus, via subsídios e cobranças nas passagens, e não criando mais subsídios e cobranças maiores.
Cabe àqueles que nos representam na Prefeitura, Câmara e Secretarias, exigir que as companhias envolvidas cumpram com o seu papel, e resolvam essa dívida histórica com os milhões de cidadãos dessa cidade.
Quando entrevistado sobre a problemática, Alexandre de Moraes, secretário Municipal dos Transportes (que também é presidente da SPTrans e diretor da CET!) respondeu à imprensa que o trânsito de São Paulo não é caótico e que ele até deixaria o carro em casa “se tivesse mais metrô e linhas rápidas” na cidade. Isso é o cúmulo da piada com a cara dos paulistanos que todos os dias precisam se submeter à esse péssimo serviço.

Assim, justifico e finalizo esta petição.

Os signatários

“Assinar o abaixo-assinado contra o aumento da passagem de ônibus para R$3 e a favor da execução (urgente!) de medidas em prol da melhora do transporte público na cidade de São Paulo”

Este abaixo-assinado encontra-se alojado na internet no site Petição Publica Brasil que disponibiliza um serviço público gratuito para abaixo-assinados (petições públicas) online.
Caso tenha alguma questão para o autor do abaixo-assinado poderá enviar através desta página de contato

30/12/2010 - 11:00h Reservas de Tupi superam projeções


Petrobrás muda o nome da maior reserva brasileira para campo de ”Lula” e estima seu potencial, junto com o poço Iracema, em 8,3 bilhões de barris

Nicola Pamplona – O Estado de S.Paulo

A Petrobrás se antecipou em dois dias e anunciou ontem a declaração de comercialidade dos projetos Tupi e Iracema, no pré-sal da Bacia de Santos, prevista para o dia 31. Em comunicado oficial, a companhia surpreendeu o mercado ao anunciar reservas recuperáveis de 8,3 bilhões de barris de petróleo e gás na concessão BM-S-11, onde estão os projetos – valor superior ao teto da projeção inicial, que falava em 5 a 8 bilhões de barris.

A Petrobrás informou também que vai trocar o nome da maior reserva brasileira de petróleo, de Tupi para Lula, em homenagem velada ao presidente da República – a legislação determina que os campos marítimos de petróleo sejam batizados com nomes de animais marinhos. Iracema ganhou o nome de outro molusco, Cernambi.

Qualidade. Segundo o documento, o campo de Lula tem reservas de 6,5 bilhões de barris e Cernambi, de 1,8 bilhão de barris. Inicialmente, a companhia acreditava que os dois projetos eram unidos, mas análises posteriores indicaram que trata-se de dois reservatórios diferentes. Cernambi tem petróleo de melhor qualidade do que a área de Lula, com 30 ° API (medida internacional de qualidade), contra 28° API deste último.

A divulgação se deu a dois dias do fim do prazo exploratório do bloco BM-S-11, o maior do pré-sal até o momento, arrematado pela estatal na 2ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 1999. Com a declaração de comercialidade, o concessionário é obrigado a apresentar à agência um plano de desenvolvimento das reservas, com o detalhamento dos investimentos necessários para extrair petróleo e gás.

O volume de petróleo confirmado em Lula e Cernambi equivale a cerca de 60% das reservas atuais da estatal, que variam entre 12 e 14 bilhões de barris de petróleo e gás, dependendo do critério utilizado. Analistas acreditam, porém, que a estatal não vai incorporar todo esse volume novo em suas estatísticas de reservas provadas, que deve ser divulgada até o próximo dia 15.

“Alguma coisa deve entrar (no relatório de reservas), mas não creio que tudo”, disse o analista-chefe da corretora Banif, Oswaldo Telles. “Os volumes recuperáveis de Tupi e Iracema irão paulatinamente sendo incorporadas às reservas provadas ao longo dos próximos anos e respeitando uma série de critérios”, reforçou a analista Mônica Araújo, da corretora Ativa.

A divulgação do número exato surpreendeu os analistas, uma vez que a estatal não é obrigada a abrir os dados nesse momento, lembrou Telles. No mês passado, a BG, sócia do projeto, divulgou uma projeção de reservas em 8,9 bilhões de barris e foi desmentida pela estatal, em uma situação que gerou mal-estar entre as partes. Para a BG, a Petrobrás era conservadora em suas projeções. A portuguesa Galp é a terceira sócia no projeto.

O campo de Lula já produz petróleo, por meio de duas plataformas – a primeira, Cidade de São Vicente, faz um teste de longa duração; e a segunda, Cidade de Angra dos Reis, é o projeto piloto de produção. No ano que vem, a área deve receber uma terceira unidade.

30/12/2010 - 10:23h 55% dos paulistanos aprovam Kassab

Pesquisa exclusiva do Ibope mostra que 37% dos moradores da cidade acham gestão do prefeito regular, 6% ótima e 16% péssima

Bruno Tavares e Vitor Hugo Brandalise – O Estado de S.Paulo

No fim do seu quarto ano na administração de São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) alcançou 55% de aprovação dos paulistanos, segundo pesquisa Ibope publicada com exclusividade pelo Estado. Na avaliação qualitativa, porém, a maior fatia dos entrevistados (37%) ainda considera a gestão regular. Para 33%, ela é boa e para 6%, ótima. Há ainda 16% que a definem como péssima e 8%, como ruim.

A pesquisa Ibope foi realizada entre 21 e 23 de dezembro, antes do anúncio do aumento da tarifa de ônibus – de R$ 2,70 para R$ 3. As áreas apontadas como mais problemáticas coincidem com as bandeiras de campanha de Kassab, como Saúde (64% indicaram deficiências) e Educação (32% apontaram problemas), em que o governo tem enfrentado dificuldades para implementar seus projetos.

Na Saúde, por exemplo, o prefeito ainda não conseguiu dar início às obras de construção de três hospitais, previstos para serem entregues até 2012. A terceirização de unidades médicas, outra aposta do Executivo, também não engrenou e, pior, virou alvo de contestações do Tribunal de Contas do Município.

Na Educação, a falta de vagas em creches dobrou nos últimos dois anos: hoje, 125 mil crianças esperam lugar na sala de aula; em 2008, eram 57 mil. Para cumprir o plano de metas da gestão, Kassab terá de reverter o quadro e zerar esse déficit até 2012.

Para 31% dos entrevistados, o principal problema não resolvido são as enchentes. No início do ano, elas já haviam sido responsáveis pela queda na popularidade do prefeito. Nessa área, também há promessas não cumpridas, como a construção de piscinões na Pompeia, zona oeste, e Anhangabaú, no centro.

Violência e drogas, temas que Kassab passou a focar desde a criação da Operação Delegada – parceria com a Polícia Militar para combate ao comércio ilegal -, estão entre os piores problemas para 43% dos entrevistados. Embora a polícia seja atribuição do Estado, o Ibope incluiu a questão por considerar a segurança “sério problema, ligado à vida na cidade”.

A pesquisa avaliou ainda a percepção do paulistano em relação a serviços e eventos promovidos pela Prefeitura, ou que têm impacto na capital, como a Fórmula 1 e a Fórmula Indy.

No ranking dos cinco eventos e serviços mais bem avaliados, três têm cunho cultural, como as Viradas Cultural e Esportiva e o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso. Na parte de baixo da lista, todos os itens se referem a zeladoria e organização da cidade – Córrego Limpo, Cidade Limpa, urbanização de favelas e organização das Fórmulas 1 e Indy. “É nas avaliações de sua cidade que as pessoas são mais críticas, já que lidam com questões de seu dia a dia”, diz a diretora do Ibope, Márcia Cavallari. “Por isso, prefeitos são mais sujeitos a oscilações e é difícil ver índices de aprovação muito altos.”

O Ibope ouviu 812 pessoas, todas eleitoras de 16 anos ou mais, residentes em todas as regiões da cidade. A margem de erro é de 3 pontos, para mais ou menos.

FATOS MARCANTES
Cargos. Gilberto Kassab (DEM), de 50 anos, foi secretário de Planejamento do governo Celso Pitta de 1997 a 2000. Em 2006, assumiu como vice-prefeito na chapa do tucano José Serra (PSDB).

Bandeira. É autor do decreto que criou a Lei Cidade Limpa, que proibiu outdoors e disciplinou a publicidade na fachada de imóveis comerciais. A norma entrou em vigor em 1º de janeiro de 2007.

Polêmica. Em 2007, expulsou de um posto de saúde do bairro de Pirituba, aos gritos de “vagabundo”, o manifestante Kaiser Paiva Celestino da Silva, dono de uma empresa de placas, contrário à Lei Cidade Limpa.

Enchentes. Em setembro de 2009, cortou 20% da verba de limpeza pública da cidade. Após as enchentes, culpou administrações anteriores pelos alagamentos. Os estragos fizeram sua popularidade cair de 61% para 39%.


”Fico muito contente. O número é positivo”

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo

Vitor Hugo Brandalise – O Estado de S.Paulo

Os planos do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para a administração da cidade em 2011 incluem “relembrar” e fortalecer uma antiga bandeira – a Cidade Limpa – e “ampliar e espalhar” uma nova – a Operação Delegada (parceria com a Polícia Militar para o combate ao comércio irregular e aumento da segurança). Em entrevista exclusiva ao Estado na noite de ontem, Kassab também comentou os resultados da pesquisa Ibope, que apontou aprovação de 55% dos paulistanos à sua gestão. Ele classificou o índice como “muito positivo” e se disse “entusiasmado” com o resultado.

O índice de aprovação de 55% fica acima ou abaixo de suas expectativas?

A expectativa de qualquer pessoa na vida pública é fazer o seu melhor e, fazendo o melhor, ser reconhecido. Fico muito contente em saber que 55% da população aprova a gestão. O número é muito positivo.

Mas 37% dos entrevistados consideram sua gestão regular. Como melhorar esse índice?

Continuar trabalhando e corrigindo falhas. O importante é que, olhando para trás, a gente sabe que hoje as coisas estão melhores do que ontem. O balanço da nossa gestão é muito positivo.

Saúde e Educação, bandeiras de sua gestão, ainda são vistas como áreas problemáticas pela população. Isso o preocupa?

São quase 7 milhões de usuários do sistema público de saúde. Então, se você perguntar a qualquer cidadão qual é a sua maior preocupação, ele vai dizer que quer melhorias na Saúde. Agora, se você fizer a pergunta ao cidadão: “Melhorou (a Saúde)?” Pode ter certeza que mais de 90% vão dizer que melhorou muito. Está longe do ideal, mas melhorou muito.

Na Educação, o déficit de vagas em creches continua. Quando esse problema será, enfim, resolvido?

Tem fila em creche, mas nós dobramos o número de vagas. De 60 mil, passamos para aproximadamente 120 mil vagas. Os números estão na internet, tudo é feito com transparência. E vamos criar mais, com a parceria que vamos fazer com empresários e empreendedores mediante licitação. Com o terreno no Itaim-Bibi (zona sul) que a Prefeitura vai vender, vamos receber 200 creches.

O que sua gestão tem feito para ajudar o governo do Estado na questão da violência e das drogas, que aparecem na pesquisa como áreas problemáticas?

Não podemos fugir da responsabilidade. É um dever também da Prefeitura. Temos ações, como a Operação Delegada, muito bem sucedida, que reduziu os índices de criminalidade. Melhorou, mas precisamos melhorar ainda mais.

A Operação Delegada vai ser ampliada?

A ideia é espalhar a operação por toda a cidade. Estamos estudando levar a Operação Delegada para os arredores dos cemitérios, por exemplo. Mas ainda não há prazo.

Os cinco serviços mais mal avaliados na pesquisa são de zeladoria da cidade. É um ponto fraco?

Não. Eles foram bem avaliados. São pontos positivos, mas que devem ser aperfeiçoados. Por outro lado, os equipamentos bem avaliados, como o Centro de Cultura da Juventude Ruth Cardoso, merecem ser repetidos. Em Cidade Tiradentes (zona leste), estamos fazendo outro igual. E há planos de fazer em outros pontos da cidade.

Enchentes são outro ponto apontado como problemático. Há obras que ainda não saíram do papel, como os piscinões na Vila Pompeia e no Anhangabaú.

Desde 2005, fizemos aproximadamente 150 grandes obras no sistema de drenagem. Cerca de 120 foram concluídas, 20 estão em andamento e o resto em licitação. Há quase 100 ações desenvolvidas em áreas de risco. É evidente que se você perguntar para o cidadão se ainda tem muito o que solucionar, ela vai dizer que sim. Mas nessa questão também, se a pergunta for feita se a Prefeitura fez bastante ações, a resposta vai ser que sim, que fez muito. Não houve recurso para resolver todas, mas vamos continuar avançando.

54% dos paulistanos acham que a cidade está “no caminho certo”. No próximo ano, qual será o caminho a seguir?

A continuidade das ações, o início de novas, como a PPP (Parceria Público-Privada) da Saúde, a construção do centro de eventos em Pirituba, que será um dos maiores do mundo.

A Lei Cidade Limpa vai ser flexibilizada?

Ao contrário. Vai aumentar o rigor com a fiscalização. Haverá forças-tarefas que vão atuar com as subprefeituras para fiscalizar a lei. O objetivo é lembrar à cidade que a Prefeitura não vai esmorecer. A Lei Cidade Limpa veio para ficar. As forças-tarefas serão ainda mais intensas. Ações em imóveis tombados a própria lei já previa, estava aguardando a regulamentação. Já a (permissão de) anúncios em cinzeiros e em portas de bares não será discutido, nem aprovado. Não será implantada na nossa gestão.

A dois anos do fim do seu mandato, a Prefeitura concluiu apenas 5 das 223 propostas do Plano de Metas da gestão. O senhor já considera rever essas metas?

A própria legislação prevê a atualização das metas. Mas o importante é que quase 100% já estão sendo executadas. A finalização, evidente, virá no final da gestão. Pode haver adequações, por conta de circunstâncias que naturalmente surgem, mas nosso objetivo é concluir todas.

Com a eleição de José Police Neto (PSDB), político da base aliada do governo, para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo, o Executivo terá mais facilidade na aprovação de projetos?

Seria uma injustiça fazer essa afirmação. Esta será uma administração parceira da cidade, com projetos sendo discutidos com independência no Legislativo.