América Latina atraiu quase o dobro da China em investimento externo

VALOR

A América Latina foi a região com maior crescimento no investimento estrangeiro direto (IED) de 2010 para 2011. De acordo com relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), houve no período um aumento de 34,6% nesse tipo de remessas a países latino-americanos e caribenhos.

A entrada da IED na América Latina atingiu US$ 216,4 bilhões – uma soma bem superior à recebida pela China (US$ 124 bilhões). A nota destoente na região foi a Argentina, onde o investimento estrangeiro caiu no ano passado, em relação a 2010. O país continua a receber menos IED que economias muito menores da região, como o Peru.

“Particularmente atraentes são o tamanho do mercado do Brasil e sua posição estratégica, que diminui a distância para outros mercados emergentes, tais como Argentina, Chile, Colômbia e Peru”, afirma o relatório “Monitor de Tendências do Investimento Global”.

Os países em desenvolvimento receberam entradas recordes de IED, impulsionadas principalmente pelos investimentos em novos projetos. A China, o segundo maior destino de IED, bateu pelo segundo ano consecutivo o seu recorde de entradas. Após uma grande queda em 2010, a Índia teve um aumento de 38%.

No geral, os IED globais somaram US$ 1,5 trilhão. Apesar de ser uma marca 17% maior do que a de 2010 e 28% maior que a de 2009, ainda é 23% menor do que o pico registrado em 2007, ano anterior ao início da crise financeira global.

Os gastos para aquisições e fusões em outros países saltaram 49,7% no ano passado, chegando a US$ 507,3 bilhões. Já os investimentos “greenfield”, nos quais são feitos gastos para iniciar uma operação a partir do zero, como a construção de uma nova fábrica, caíram 3,3%, a US$ 780,4 bilhões.

A expansão dos investimentos estrangeiros diretos sinaliza crescente globalização e uma maior disposição em realizar grandes projetos no exterior, o que pode levar a mais comércio e maior capacidade produtiva ao redor do mundo. No contexto do atual cenário sombrio dos mercados financeiros globais, a volta do apetite por investimentos pode ser um raro sinal positivo.

“O crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] continua positivo e, embora seja menor do que se esperava, as empresas ainda têm dinheiro no bolso e precisam investi-lo de alguma forma. No entanto, ao mesmo tempo existe uma incerteza devido à fragilidade da economia global”, disse Astrit Sulstarova, economista da Unctad.

O órgão da ONU se disse cautelosamente otimista quanto a 2012. “Baseada nas atuais perspectivas de fatores subjacentes, tais como crescimento do PIB e dinheiro em caixa de corporações transnacionais, a Unctad estima que as entradas de IED terão uma alta moderada em 2012, para cerca de US$ 1,6 trilhão.” (Com Reuters)

Mais no site www.unctad.org

Investimento estrangeiro direto para A.Latina cresce 34,6% em 2011

Por Dow Jones Newswires

LONDRES – Os países da América Latina atraíram um fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) de US$ 216,4 bilhões em 2011, um crescimento de 34,6% sobre o ano anterior. O Brasil foi o que registrou o maior aumento no fluxo de entrada de investimentos, 35,3%, que compensaram o declínio de 10% do IED para a Argentina, segundo revela o detalhamento do relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês) divulgado nesta terça-feira.

Em 2011, os países emergentes atraíram um fluxo de investimento estrangeiro diretor recorde de US$ 755 bilhões em 2011.

Os Estados Unidos continuaram sendo o destino favorito das empresas que buscaram expandir seus negócios internacionalmente em 2011, mas a China reduziu significativamente essa distância, segundo o Unctad.

O relatório revela que as empresas investiram US$ 1,5 trilhão no exterior em 2011, um aumento de 17% em comparação com o ano anterior, apesar da crescente incerteza econômica e da turbulência nos mercados financeiros globais.

O Unctad prevê para este ano um aumento adicional no fluxo global de IED para US$ 1,6 trilhão, embora tenha observado que a perspectiva estava sujeita a “significativos riscos e incertezas”, considerando a “dívida da crise nos países desenvolvidos, as incertezas relacionadas ao futuro do euro e a crescente turbulência nos mercados financeiros”.

Após três anos de declínios, o IED para as economias desenvolvidas cresceu em ritmo forte em 2011, 18%, para US$ 753 bilhões.

Contudo, o IED para os Estados Unidos caiu 7,7%, para US$ 210,7 bilhões. Mesmo assim, esse total foi suficiente para manter os Estados Unidos como o país que mais recebe IED no mundo – posição que ocupa há longa data.

A China foi o segundo principal destino do IED em 2011, atraindo US$ 124 bilhões, um crescimento de 8,1% sobre o ano anterior. Somando os US$ 78,4 bilhões em investimentos que entraram em Hong Kong, o IED da Grande China ficou apenas US$ 8 bilhões abaixo do total atraído pelos Estados Unidos.

EUROPA & ÁSIA

A União Europeia atraiu US$ 414 bilhões em IED, um aumento de 31,9% sobre 2010. Mas isso pode não ser um sinal de vigor da economia da região. Uma boa parte desse volume – ao redor de US$ 61 bilhões – representa empréstimos entre companhias ou de empresas controladoras proporcionando suporte às suas subsidiárias porque elas não podem se financiar junto aos bancos europeus em dificuldade.

Dentro da UE, os países tiveram desempenhos bastante diversos na atração de investimentos. O IED para a Irlanda – um dos três países da zona do euro que dependem dos pacotes de resgate da UE e do Fundo Monetário Internacional – deu um salto de 101,3%, para US$ 53 bilhões. Isso foi muito mais do que França e Alemanha, que atraíam um IED de US$ 77,1 bilhões, um aumento de 49%.

Por outro lado, a Grécia, outro país que recebeu socorro financeiro internacional, registrou um fluxo de saída de investimento estrangeiro direto de US$ 0,8 bilhão. Mas o país que registrou a maior saída de IED foi a Holanda, que perdeu US$ 5,3 bilhões.

A Ásia atraiu US$ 392,9 bilhões em IED no ano passado, um aumento de 6,7% sobre 2010. A Índia atraiu um IED de US$ 34 bilhões, um aumento de 37,9%. O investimento estrangeiro para a África caiu ligeiramente, embora o IED para o Egito tenha despencado 92,2%, para US$ 0,5 bilhão.

A Rússia atraiu US$ 50,8 bilhões em IED, um aumento de 23,4% sobre 2010, enquanto a Turquia recebeu US$ 13,2 bilhões em investimento, um crescimento de 45,1%.

(Dow Jones Newswires)

Tags: , , , ,
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO: