Inflação aponta para baixo e autoriza visão de Selic menor

Por Eduardo Campos | VALOR

De São Paulo

O mercado de juros futuros já trabalha com Selic pouco abaixo de 9,25%. São dois cortes de meio ponto percentual nas reuniões de março e abril do Comitê de Política Monetária (Copom) e um terceiro corte superior a 0,25 ponto no encontro de maio. Atualmente o juro básico está fixado em 10,5% ao ano.

Entre os vetores que dão suporte à formação dessas apostas de juros cadentes no mercado futuro está o comportamento da inflação corrente e a visão de que os preços não devem surpreender para cima no curto prazo.

Hoje, sai o Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) de fevereiro e a prévia da inflação oficial deve ficar entre 0,50% e 0,55%, contra 0,65% registrado em janeiro.

O sócio da Platina Investimentos, Marco Franklin, trabalha com variação menor, de 0,48%. E para o IPCA fechado do mês, a visão é de inflação em 0,35%. Se tal previsão for confirmada, a inflação oficial no acumulado em 12 meses sai dos atuais 6,22% para cerca de 5,7% a 5,8%.

De acordo com o especialista, o mercado pode ser surpreendido com uma inflação caindo mais forte e por mais tempo do que o estimado. “Devemos ver preços em baixa até agosto”, diz.

Pelas estimativas de Franklin, uma série de fatores deve levar o IPCA acumulado em 12 meses para algo entorno de 4,5% a 5%, no começo do segundo semestre. “O famoso 4,7% do modelo do Banco Central”, lembra.

No Relatório de Inflação do quarto trimestre, divulgado no fim de dezembro, o BC afirma que o cenário de referência (câmbio em R$ 1,80 e taxa Selic em 11,00%) projeta inflação de 6,5% em 2011 – como se confirmou -, e variação de 4,7% em 2012 e 2013.

Vejamos qual a dinâmica considerada por Franklin. Primeiro, se divide o ano em três quadrimestres. Os primeiros quatro meses de 2011 mostraram inflação média de 0,80%. No período, alimentação, energia elétrica e etanol subiram com força.

Agora, esses itens estão mais comportados e é possível estimar inflação média para os mesmos quatro meses ao redor de 0,50%.

Um ponto destacado por Franklin é a possibilidade de reajuste zero ou mesmo negativo nas tarifas de energia agora em 2012.

Umas das primeiras negociações, da Coelce, parte de queda de 10% no preço da energia. “Se isso for um bom indicador do que poderá acontecer em outras capitais, podemos ter surpresa positiva no lado da inflação”, diz.

Passando para o segundo quadrimestre (maio a agosto), sazonalmente a inflação já é menor. Não há concentração de reajustes de tarifas, nem pressão de entressafra de carne pesando sobre o grupo alimentação.

No ano passado, a inflação acumulada nesse período foi de 1,15%. E dada a dinâmica melhor desse ano é possível estimar variação entre 0,75% e 0,80%.

“Esses efeitos combinados devem levar a inflação em 12 meses para 4,5% a 5% em agosto”, diz Franklin, indicando que o cenário do BC pode se mostrar correto.

Avaliando, agora, o último quadrimestre do ano, Franklin não vê fatores com força suficiente para colocar o IPCA muito acima ou abaixo desses 4,5% a 5%.

Os condicionantes da análise são a continuidade de uma dinâmica favorável para o preço das commodities agrícolas (evento de elevada probabilidade) e a suposição de que a inflação de serviços não vai piorar ainda mais.

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