30/03/2012 - 22:00h Boa noite


Mahler: 1st Symphony / Bernstein · Vienna Philharmonic Orchestra

30/03/2012 - 21:00h Le delizie infrante

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Roberto Ferri© – Le delizie infrante

30/03/2012 - 19:01h La Cenerentola


Rossini – La Cenerentola

Angelina: Frederica Von Stade
Don Ramiro: Francisco Araiza
Don Magnífico: Paolo Montarsolo
Dandini: Claudio Desderi
Director: Claudio Abbado

30/03/2012 - 18:31h Traviata, amor como solidão

30 de março de 2012

João Luiz Sampaio – O Estado de S.Paulo

Ainda que seja a morte o destino inevitável de Violetta, é outra a tragédia de que Verdi nos fala em La Traviata. No caminho que leva das festas dos salões parisienses à casa no campo onde passa a viver com o jovem Alfredo, a cortesã vai do desencanto com a vida, de um deserto de relações estéreis, a uma crença renovada na possibilidade do amor, da felicidade. Seu grande drama é este: voltar a acreditar para, pouco depois, ser confrontada com a realidade que a devolve à rotina de antes. É uma morte ainda em vida, que antecede seu desaparecimento; e que ela se dê à luz do espaço público, do preconceito da sociedade, só torna ainda mais solitária sua condição. Passamos, então, ao campo da oposição – seria melhor dizer necessidade de convivência – entre o pessoal e o público, um dos grandes temas abordados pelo compositor. Em Verdi, o contexto social ou político nunca é apenas pano de fundo. O todo relaciona-se com o detalhe de maneira fluída e é por meio desse diálogo com um contexto dado que o compositor nos oferece um olhar dilacerante sobre o íntimo das personagens.

Cenas como o confronto de Alfredo com Violetta durante a festa na casa de Flora, observado por todos os convidados, são emblemáticas do teatro verdiniano – e a relação entre público e privado que ensejam é o eixo em torno do qual se articula a montagem de La Traviata assinada pelo italiano Danielle Abbado, que abriu na semana passada a temporada do Teatro Municipal de São Paulo. A decisão de não deixar os personagens sozinhos em cena; o cenário único, aberto, praticamente sem elementos; a luz, forte, quase chapada – são escolhas que, em uma leitura integrada e atenta aos detalhes, ressaltam a agressividade com que pode se dar a relação do meio com o que temos de mais íntimo.

O destaque da montagem, no entanto, em diálogo com o espectro mais amplo da concepção do diretor, é o trabalho cuidadoso na orientação dos cantores/atores. A movimentação no palco segue uma estrutura quase geométrica. E isso permite que, mesmo em cena, personagens surjam e desapareçam a todo instante, obedecendo aos estímulos da história e traduzindo cenicamente a profusão de sensações e projeções em jogo.

Na noite de estreia, na quinta-feira, subiram ao palco a soprano Irina Dubrovskaya, o tenor Roberto di Biasio e o barítono Paolo Coni; na segunda récita, realizada na sexta, foi a vez do primeiro elenco brasileiro, composto pela soprano Adriane Queiroz, o tenor Marcelo Vanucci e o barítono Rodolfo Giuliani (o segundo, formado por Rosana Lamosa, Fernando Portari e Leonardo Neiva, será responsável pelas récitas de abril).

Irina Dubrovskaya, apesar dos problemas de emissão nas regiões média e grave da voz, teve desempenho mais homogêneo do que Adriane Queiroz, atrapalhada pelos agudos do primeiro ato. No entanto, o modo como a paraense cresce em cena justamente à medida que a escrita vocal de Verdi torna-se mais densa e pesada, maneira de retratar por meio da música a trajetória da personagem em direção a seu fim trágico, torna sua Violetta mais convincente – teatral e musicalmente. Entre os homens, chama a atenção a riqueza de coloridos das vozes de Vanucci e Giuliani, ainda que Di Biasio se destaque pela maneira como explora o potencial expressivo de seu timbre e Coni ofereça autoridade ímpar, capaz de compensar uma voz já desgastada pelo tempo.

À frente da Sinfônica Municipal, o maestro Abel Rocha ofereceu aquilo que o público paulistano espera dele – a capacidade de devolver à orquestra e ao teatro um bom nível de execução musical. Os pequenos deslizes da Municipal, em especial na estreia, são jogados em segundo plano por uma regência teatral, atenta à cena – e que em momento algum perde a inspiração.

Crítica: João Luiz Sampaio

30/03/2012 - 17:27h O desafio de ser justo (compassivo?) com Jung

Crítica: Luiz Carlos Merten – O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 3h 10

David Cronenberg já era um autor importante, mas algo vem se passando desde que iniciou a parceria com Viggo Mortensen, dando papéis cada vez melhores ao ator – em Marcas da Violência, Os Senhores do Crime e Um Método Perigoso. O filme sobre os primórdios da psicanálise e o embate intelectual entre Freud e Jung começou a nascer como projeto do roteirista e dramaturgo Christopher Hampton para Julia Roberts.

Ela seria Sabina, se a Fox não convencesse a atriz a desistir do papel, nos anos 1990. Contra o desejo dos executivos do estúdio, Julia liberou Hampton para escrever a peça que encantou Cronenberg e o levou a fazer o filme adaptado do livro de John Kerr – A Most Dangerous Method, The Story of Freud, Jung and Sabina Spielrein. Cronenberg tirou o superlativo (Most Dangerous), mas preferiu o título do livro ao da peça, The Talking Cure, mesmo que a cura pela fala – e as associações de palavras de Jung – estejam no centro da belo estreia de hoje.

O filme trata do processo de aproximação e ruptura entre Freud e Jung. A relação do segundo com Sabina, a paciente de quem se tornou amante, foi fundamental no processo. Um Método Perigoso trata de ideias, de romance, de sexualidade. Hampton gosta de dizer que Jung se preocupava mais com a cura dos pacientes e que a Freud atraía o aspecto mais racionalista da discussão da mente. Hampton acrescenta que foi duro – para ambos, Cronenberg e ele – ser justos com Jung, porque o tempo todo se sentiam mais próximos de Freud, de sua aparente rigidez intelectual (e moral).

Mas a alma do filme é Sabina. Seu reencontro com Jung, uma licença poética, é triste como a cena final entre Natalie Wood e Warren Beatty em Clamor do Sexo, de Elia Kazan. A psicanálise nasceu simultânea com A Interpretação dos Sonhos. Hampton diz que o filme é sobre a ciência dos sonhos. É complexo, apaixonante. E o trio de atores, Viggo, Michael Fassbender e Keira Knightley, impressionante.

30/03/2012 - 17:00h No campo de batalha do sexo

Um Método Perigoso relata o relacionamento difícil entre Freud e Jung
30 de março de 2012

LUIZ ZANIN ORICCHIO – O Estado de S.Paulo

Sabina Spielrein é apenas uma nota de rodapé em Freud – Uma Vida para o Nosso Tempo, de Peter Gay (Companhia das Letras), considerada a biografia definitiva do pai da psicanálise. Mas, na pele de Keira Knightley, é figura central de Um Método Perigoso, filme em que o cineasta canadense David Cronenberg relata um dos pontos nevrálgicos da aventura psicanalítica, a rivalidade entre Sigmund Freud e seu seguidor, Carl Gustav Jung, nessa que foi uma das notáveis sagas intelectuais de todo o século 20.

Saga intelectual? Sim, sem dúvida. O que Cronenberg revela, no entanto, é que, em meio a discussões teóricas, disputas clínicas e ideológicas em torno da noção de inconsciente, fervia o furor do sexo. O que não chega a ser surpresa, dado que o próprio Doutor Freud o coloca no centro da psique humana, como motor oculto e às vezes visível de suas mais nobres motivações.

Sabina era russa e fora estudar medicina em Zurique. Num estado de sofrimento mental desesperador, busca tratamento com Jung. Apaixona-se pelo analista. Jung e Sabina tornam-se amantes. Naquele tempo, Freud havia designado o suíço Carl Jung seu sucessor e procura interferir nesse relacionamento entre médico e paciente, indesejável pela política da psicanálise, uma disciplina nova que vivia sob o cerco da medicina psiquiátrica tradicional.

Esse é período abordado por Cronenberg. Talvez não seja inútil acrescentar, a título de informação extracinematográfica, que, desvencilhada por fim dos seus sintomas e da relação com Jung, Sabina se tornou ela própria psicanalista. E das mais brilhantes, segundo se tem notícia. Viveu algum tempo em Viena, onde participou do círculo de discussões de Freud. Em 1937 voltou para a União Soviética e se dedicou à clínica psicanalítica. Em 1942 foi fuzilada, junto com suas duas filhas, por soldados alemães.

De qualquer forma, essa figura de mulher, desenhada de forma um tanto histriônica por Keira Knightley, é o protótipo da tragédia sexual. Contar esse período da psicanálise através de sua personagem foi uma decisão sábia. Em vez de nos debruçarmos sobre controvérsias teóricas tediosas para leigos, próprias do nascimento de uma disciplina polêmica, temos ao vivo os conflitos inscritos na própria carne da personagem. Ou, seria melhor dizer, na carne dos personagens, já que Jung cede prazerosamente, mas não sem culpa, às tentações do métier. Era casado, e com uma mulher muito rica, que lhe proporciona vida confortável na aprazível Suíça. Mais velho, Freud cumpre o papel de terceiro indesejado nessa relação a dois. Aquele que interfere de forma paternal, mas não deixa de vislumbrar nem os encantos da moça nem a sedução do modo de vida de Jung, muito mais folgado e colorido que o seu, passado no cotidiano da clínica em Viena. O passeio dos dois no barco de Jung, num belo lago suíço, é mostra dessa assimetria social e psicológica.

Cronenberg acerta, também, ao evitar seu gosto pelo grotesco e dar às cenas tratamento visual límpido, vagamente hiper-realista, como numa tela de Vermeer. Quando apresentou seu filme no Festival de Veneza do ano passado, justificou a opção dizendo que lhe parecia a melhor para retratar história tão obscura. Mostrou também a preocupação em ser justo com os personagens. Disse que, quando alguém faz um filme biográfico, no fundo, as suas próprias inquietações é que são colocadas na tela, através de outros personagens. “É uma espécie de ressurreição dessas pessoas já mortas, e algo sempre imperfeito”, disse. Esses “simulacros” são suficientemente verdadeiros? É uma inquietação do diretor.

De qualquer forma, Viggo Mortensen e Michael Fassbender propõem um Freud e um Jung bastante críveis. Não precisam ser parecidos fisicamente com os personagens reais (não o são). Basta que compreendam de maneira profunda o que atraía e o que opunha os dois grandes homens para que transmitam à história essa impressão de verdade a que chamamos verossimilhança. Isto é, a construção da verdade interna a partir da narrativa. Entre os dois, a figura em aparência frágil, mas de fato poderosa da sexualidade, encarnada em Sabina. Fator que primeiro aproximou os dois homens e terminou por separá-los.

Autores como Alfred Hitchcock e Fritz Lang foram pioneiros na abordagem da psicanálise no cinema, nos anos 1940. O mestre do suspense chegou a contratar Salvador Dalí para criar as cenas de sonho de Quando Fala o Coração e ainda criou aquele efeito mágico quando todas as portas se abrem, na cena de amor. Mais tarde, no começo dos 60, Hitchcock fez dois thrillers psicanalíticos que integram sua trilogia sobre o complexo de Édipo, Psicose e Marnie, as Confissões de Uma Ladra (o terceiro filme, o do meio, é Os Pássaros).

Justamente em 1960, John Huston encarou o desafio de biografar o criador da psicanálise em Freud, Além da Alma. Huston encomendou o roteiro a quem parecia o menos indicado dos autores para isso, o existencialista Jean-Paul Sartre. O escritor francês, mordido pelo desafio, lhe entregou um roteiro que Huston considerou infilmável. Quando Huston lhe pediu que o encurtasse, Sartre enviou uma versão ainda mais longa – que o próprio diretor reescreveu/reduziu com a participação de um de seus fiéis colaboradores, Anthony Veiller.

Freud, Além da Alma aborda o universo dos sonhos e trata dos experimentos de investigação sobre a histeria que se intensificaram no final do século 19. A pesquisa sobre esse assunto, por sinal, levou Keira Knightley a realizar uma interpretação brilhante para Cronenberg.

De volta a Huston, as cenas de sonho, em admirável preto e branco, são prodigiosas e o filme privilegia a tortura interior de Montgomery Clift, no papel título, aprofundando sua relação com os pacientes interpretados por David McCallum e Susannah York. Seu efeito foi liberador sobre a mente do próprio artista e, em 1967, ele fez sua obra-prima, Os Pecados de Todos Nós, com Marlon Brando e Elizabeth Taylor. / L.C.M.

30/03/2012 - 13:14h PPK felicita al gobierno de Humala: “El gasoducto del sur es una obra importantísima”

Viernes, 30 de marzo de 2012

Foto del encuentro que tuvieron ambos personajes después de la primera vuelta.
Foto del encuentro que tuvieron ambos personajes después de la primera vuelta.

Excandidato presidencial reconoció bondades de la obra que ayer empezó a construir la brasileña Odebretch y PetroBras.

El economista y ex candidato presidencial, Pedro Pablo Kuczynski, felicitó al gobierno por iniciar, ayer jueves, la construcción del gasoducto del sur en la ciudad de Quillabamba, Cusco.

“Es una obra importantísima (…) Va a ser muy positivo en la industrialización y en permitir que ciudades que hoy no tienen gas como Cusco, Juliaca, Puno y Arequipa, lo tengan y eso va a cambiar la matriz energética allí”, señaló el también ex Presidente del Consejo de Ministros durante el gobierno de Alejandro Toledo.

Como se recuerda, ayer el mandatario Ollanta Humala puso la primera piedra para la construcción de dicho proyecto energético que piensa alimentar las necesidades de gas y energía al sur de nuestro país. El mismo será construído por el consorcio Petrobras y Odebretch.

Finalmente, Kuczynski Godard resaltó la importancia de la intención del gobierno en convertir al país en un polo petroquímico de la región, pues no solo nos diferencia en un tema de producción de energías sino que además se podría generar trabajo:

“Esta es una obra que cuesta de 2 a 3 mil millones de dólares, más la planta petroquímica que debe costar entre 5 y 10 mil millones. Es decir, el impacto en el empleo va a ser inmenso también”, finalizó.

30/03/2012 - 12:40h Perú: El Gobierno participará con fondos en obras para llevar gas al sur

Aunque Ollanta Humala no confirmó montos de inversión, Petro-Perú y Electro-Perú destinarían unos US$1.548 millones
Viernes 30 de marzo de 2012

ÁLVARO GASTAÑAUDI RAMÍREZ – EL COMERCIO

El presidente Ollanta Humala confirmó ayer la participación de Petro-Perú y Electro-Perú en el financiamiento del Gasoducto Andino del Sur, en el polo petroquímico de Ilo y en las plantas de fraccionamiento y envasado de GLP, así como en la central térmica de 200 MW de capacidad que se instalarán en Quillabamba, Cusco. Sin embargo, no precisó el monto ni porcentaje de la participación del Estado en esos proyectos que demandarían una inversión superior a los US$7.140 millones.

En la ceremonia oficial realizada en Quillabamba, por el inicio de las obras del gasoducto de 1.150 kilómetros que unirá Camisea con cinco departamentos del sur, el mandatario fue enfático y reiterativo al justificar el impacto que tendrán esas obras. Dijo que el gasoducto era el proyecto más importante de los últimos 100 años, que el gas iría a reducir la brecha de desigualdad entre los peruanos y que, por fin, en el Cusco iba a empezar a cumplir su promesa de gas barato que hizo en su campaña.

También resaltó que esos proyectos permitirán masificar el consumo de gas en el sur, así como generar más de 40.000 empleos y que tendrían un impacto de 2% en el PBI. Asimismo, anunció el programa de cocinas mejoradas a gas, aunque no mencionó cuánto invertiría en ello el Estado.

En otro momento de la ceremonia, a la que asistieron pobladores de Quillabamba, el presidente Humala aseguró que regresaría la próxima semana al Cusco para confirmar que las reservas del lote 88 serán destinadas exclusivamente al mercado interno.


PARTICIPACIÓN ESTATAL

El Ministerio de Energía y Minas y Petro-Perú no informaron ayer cuánto sería el aporte público en esos proyectos. Sin embargo, en la presentación del plan de inversiones de Petro-Perú realizada en febrero último, su presidente, Humberto Campodónico, informó que su empresa participaría con US$800 millones (20% del total) en el financiamiento del Gasoducto del Sur, cuya concesión la tiene la empresa Kuntur. Del mismo modo, destinaría US$600 millones para el proyecto petroquímico de Ilo, que demandaría una inversión de US$3.000 millones. En el caso de las plantas de fraccionamiento y envasado, trascendió que Petro-Perú asumiría el costo total: unos US$18 millones. Del mismo modo, asumiría los US$130 millones que costaría la central térmica. En total, el Estado invertiría unos US$1.548 millones.


¿POR QUÉ FONDOS PÚBLICOS?

La ex directora Nacional de Minería, María Chappuis, opinó que el Gobierno debería ser más transparente y explicar qué razones justifican su participación en esos proyectos. Explicó que si no son rentables, debe “decirse por qué no lo son, en qué aspectos y en qué porcentaje su tasa de retorno no es atractiva para el sector privado”.

En cambio, el investigador de la Universidad San Marcos, Jorge Manco Zaconetti, sí se mostró de acuerdo con la participación del Estado, porque esos proyectos reforzarán la seguridad energética del país –según él, responsabilidad del Gobierno Central– y porque le dará una mayor licencia social para que la población acepte esas obras. Explicó que también se justifica arriesgar recursos públicos, porque esas obras permitirán dotar de energía a los proyectos mineros que se están desarrollando en el sur. Además, comentó que más adelante, cuando se desarrolle el mercado y esos proyectos sean rentables, se podrían privatizar.

En tanto, el presidente de la Mesa de Concertación de Lucha contra la Pobreza, Federico Arnillas, respaldó el esquema planteado por el jefe del Estado, porque reducirá los niveles de pobreza en el país. Según señaló, con esas obras, se generarán puestos de trabajo y, además, nuevos procesos productivos.

En ese mismo sentido también se pronunció la Asamblea Nacional de Gobiernos Regionales, que señaló que esas obras permitirán masificar el gas, tan anhelado por las poblaciones del sur del país.

30/03/2012 - 12:36h Governo vai taxar produtos importados e reduzir impostos da indústria nacional

30 de março de 2012

RAQUEL LANDIM – O Estado de S.Paulo

A presidente Dilma Rousseff vai elevar a tributação sobre produtos importados ao mesmo tempo em que reduz os impostos pagos pela indústria nacional. Na terça-feira, a equipe econômica pretende anunciar a desoneração da folha de pagamento para cerca de nove setores e a criação de uma Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) adicional para as importações desses produtos.

Os setores contemplados devem ser aqueles que se reuniram recentemente com o ministro da Fazenda, Guido Mantega: máquinas, móveis, geração e transmissão de energia, plásticos, fabricantes de ônibus, de aviões, indústria naval, além de calçados e têxteis, que já haviam sido beneficiados anteriormente.

Esses setores deixam de pagar os 20% de INSS que incidem sobre os salários dos seus trabalhadores e, em troca, vão contribuir com um alíquota equivalente a cerca de 1% do faturamento bruto. A alíquota ainda não está fechada, mas a intenção do governo é adotar o mesmo porcentual para todos os setores.

A avaliação da equipe econômica é que a instituição da Cofins sobre os importados significa garantir “isonomia” para a indústria nacional. A alíquota de cerca de 1% será cobrada sobre o faturamento das empresas já acrescida de PIS/Cofins, que hoje está em 9,25%. Dessa maneira, na prática, aumentaria a Cofins paga pela indústria brasileira. Logo, a alíquota extra para o importado só compensa a diferença.

A avaliação de especialistas ouvidos pelo Estado, no entanto, é diferente: ao tributar só o importado, o governo federal estaria promovendo tratamento discriminatório, que vai contra as regras da Organização Mundial de Comércio (OMC). É a mesma polêmica da alta de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os automóveis importados.

Para tentar escapar do questionamento na OMC, o governo poderia recorrer ao esquema de elevar a Cofins para todos os produtos manufaturados e devolver o imposto à indústria nacional por meio de crédito tributário.

Segundo um estudo que circula na administração federal, obtido pela reportagem, o governo avalia essa alternativa. Com o título de “Indústria da transformação e a concorrência externa predatória. Uma proposta de mitigação dos efeitos”, o documento tem 35 páginas.

No trabalho, os técnicos do governo simularam o que ocorreria se o governo desonerasse a folha de pagamento de toda a indústria da transformação brasileira e concluíram que representaria uma perda de arrecadação de R$ 20 bilhões.

De acordo com o documento, se fosse instituída uma alíquota extra de 9% de Cofins para os produtos importados, isso significaria arrecadação extra de R$ 27,3 bilhões. O valor é mais do que suficiente para cobrir o rombo da desoneração da folha. Procurado, o Ministério da Fazenda não se pronunciou.

30/03/2012 - 10:32h Presidente Humala pone en marcha Gasoducto del Sur

Imagen: PortadaELÍAS GARCÍA – GESTIÓN

egarcia@diariogestion.com.pe

Tal como lo anticipamos, el presidente Ollanta Humala anunció ayer, en la ciudad cusqueña de Quillabamba, el inicio de la ejecución del proyecto del Gasoducto Andino del Sur, que llevará el gas natural desde Camisea a los departamentos de Cusco, Puno, Arequipa, Moquegua y Tacna (Gestión 26.03.2010)

Los trabajos preliminares comenzarán en abril, con la construcción de centros de acopio del gasoducto, y con la mejora de la carretera entre Quillabamba, Calca, la zona de Pampa Real y la zona de Malvinas, indicó el ministro de Energía y Minas, Jorge Merino, que acompañó al mandatario en este anuncio.

El mejoramiento de esas vías, explicó, permitirá facilitar el paso de vehículos que deberán transportar las tuberías del gasoducto.
El ministro refirió que esas obras estarían concluidas en junio, pues en ese mismo mes empezarán a llegar los tubos del gasoducto con los cuales se dará inicio a esta obra.

El primer tramo del proyecto conectaría la zona de Malvinas -donde se ubica la planta del Consorcio Camisea- y Quillabamba, donde deberá abastecer de gas a una planta termoeléctrica, y de líquidos, para la planta de GLP.

Ayer, ante cientos de pobladores de Quillabamba, el presidente Humala develó la placa del primer tubo que forma parte del proyectado gasoducto.

Una de las bases de operaciones estará ubicada en Quillabamba, en la provincia de La Convención, y la otra en Cusco, refirió el ministro.
El proyecto demandará una inversión de US$3,000 millones, y comprende la construcción de más de 1,000 kilómetros de tuberías. Esto permitirá, a su vez, implementar un polo petroquímico en la zona de Ilo, cuando el ducto llegue a Moquegua, con lo cual la inversión totalizaría US$16,000 millones, indicó el presidente Humala. Aunque añadió que ese monto de inversión podría crecer todavía más.

Más grande que Conga

Por esta razón, el Jefe de Estado añadió que ésta será la obra más grande en la historia del Perú, y la calificó como una obra “faraónica”.
De lograr concluirse, esta inversión triplicaría lo previsto en el proyecto minero Conga, donde se proyecta una inversión de US$4,800 millones.

El proyecto comprenderá la instalación en todo su recorrido de tres tuberías, una de gas natural, otra de líquidos de gas, y una tercera, que deberá proteger el tendido de fibra óptica que permitirá llevar el servicio de banda ancha de Internet hacia la zona de selva, refirió.
Confirmó, además, que Petroperú participará en este proyecto, señalando que el Estado no es un inquilino, sino que, a través de la petrolera estatal, va a ser un socio de esta iniciativa, con lo cual se prevé que esta última tendrá una renta muy importante para el erario nacional. “Petroperú se la está jugando aca por el desarrollo del país”, anotó.

Financiamiento

Aunque el Gobierno no mencionó el tema del financiamiento, el anuncio del inicio de obras supone la existencia de un avance en algunas de las alternativas para cubrir el costo de la obra, en este caso un posible esquema de crédito puente, en el cual Cofide pondría un aporte de capital.

Como indicáramos, Kuntur había señalado que Cofide podría, por ejemplo, dar un aporte de capital de US$400 millones, o podría levantar ese monto en el mercado internacional vía la emisión de bonos, con el cual compraría acciones de Petroperú, y con ese monto obtenido, la petrolera estatal adquiriría acciones de Kuntur (Gestión 29.03.2012).

Kuntur había advertido que, sin ese crédito, el proyecto se iniciaría cuando se certifiquen las reservas de gas natural del lote 58 y los contratos de transporte y de ventas de gas suscritos, retrasándose hasta fines del 2014 el inicio de las obras. Si no existiese problemas en el financiamiento, las obras podrían comenzar este año y concluirse en el 2014.

Además, hasta el momento, está pendiente el informe que tiene que hacer la CAF para Petroperú, a fin que ésta pueda participar en el proyecto del gasoducto.

Masificación

El presidente anunció, además, que junto con el inicio de este proyecto, se va a iniciar la masificación del gas, aunque él se refería al GLP. Además, dijo que se va a concretar, finalmente, los proyectos para la construcción de una planta de fraccionamiento de gas natural en Kepashiato, y una planta de generación termoeléctrica con gas natural en La Convención (ver notas vinculadas).

PARA RECORDAR
1
Concesión. Kuntur Transportadora de Gas se adjudicó, en octubre del 2008, la concesión para ejecutar el proyecto del Gasoducto Sur Andino.

2
Monto original. Inicialmente, Kuntur tenía previsto invertir US$ 1,200 millones en el proyecto, que financiaría ese consorcio.

3
Crédito. La CAF, que estructura la participación de Petroperú en el proyecto, además ofreció a dar el financiamiento para ejecutar dicha obra.

4 Reservas. El proyecto del gas vinculado a la petroquímica requeriría unos 9 TCF de gas.

OPINIONES

“Llevar gas al sur va a trasformar la economía de esa zona. El tema es cuándo se inician las obras y si ya están listos los contratos de gas, porque la construcción de un gasoducto responde a la suscripción previa de contratos. Asumo que se iran firmando”.
Rafael Laca
Consultor en energía

“No creo en una masificación que olvide a los más pobres, a las poblaciones rurales que consumen leña y que se ofrezca gas natural para vehículos en localidades de altura. Es peligroso despertar expectativas sin conocer plenamente el gas”.
Cesar Bedón
especialista en hidrocarburos

La construcción de este gasoducto va a garantizar la seguridad energética del país, pero aún falta que las reservas posibles que tenemos, se conviertan en reservas probadas, y ello requiere un plan de inversiones más agresivo.
Jorge Manco
Investigador de UNMSM

30/03/2012 - 09:44h Apesar de Linha 4, metrô de SP é insuficiente para atender a demanda, diz Economist

Rede de metrô da capital paulista é menor que em Seul, Cidade do México ou Santiago.
30 de março de 2012

BBC – O Estado SP

Um artigo publicado nesta quinta-feira pela revista The Economist afirma que, apesar dos avanços representados pela inauguração da Linha 4 do metrô, o sistema de transporte público de São Paulo ainda é insuficiente para atender a demanda da maior cidade da América do Sul.

A revista afirma que a Linha 4 liga, pela primeira vez, áreas como a Avenida Paulista e a Faria Lima, já transporta 550 mil passageiros por dia e representa economia de meia hora para muitos usuários que se deslocam da periferia para o centro da cidade.

“Os 71 Km da rede de metrô de São Paulo são minúsculos para uma cidade de 19 milhões de habitantes. Isso dificilmente seria digno de nota em outras cidades internacionais.”, diz o texto.

“O metrô da Cidade do México tem mais de 200 Km de extensão. O de Seul, quase 400 Km. Até mesmo Santiago, com um quarto do tamanho de São Paulo, tem uma rede de metrô 40% maior”, diz a revista.

Segundo a Economist, o recente crescimento econômico e o fato de o Brasil ser sede da Copa do Mundo de 2014 colocaram o transporte público de volta à agenda do governo federal.

No entanto, o artigo afirma que ainda deve levar tempo para que se note uma grande melhora na questão do transporte público em São Paulo, e que isso deve exigir não apenas ajuda do governo federal, mas também dinheiro do setor privado.

30/03/2012 - 09:38h Quando tirarem Demóstenes da sala

Maria Cristina Fernandes – VALOR

Uma das mais eloquentes lideranças da oposição virou reú no Supremo Tribunal Federal na mesma semana em que o governo saiu vitorioso em dois dos principais projetos de sua pauta legislativa do ano, a criação do fundo de previdência complementar dos servidores e a Lei Geral da Copa.

Não há causalidade entre um e outro fato. E isso explica por que uma crise que parecia tão aguda nas relações da presidente Dilma Rousseff com o Congresso se desfez de uma hora para outra.

O ocaso do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pouco afeta a governabilidade de Dilma. E não apenas pela condição minoritária de seu partido, mas porque não é na oposição que o projeto de poder da presidente é posto em xeque, mas dentro de sua própria base. Quando um parlamentar como Demóstenes cai em desgraça, as bandeiras que defende passam a depender mais de seus simpatizantes na base aliada do governo, o que lhes aumenta os antagonismos.

Bravatas prosperaram no vazio de propostas

Ao virar o jogo no Congresso, Dilma mostrou que ainda dispõe dos recursos políticos – e orçamentários – para conter essa soma de interesses antagônicos que a sustenta.

À distância, deu condições aos seus novos líderes na Câmara e no Senado de promover a troca de guarda e autonomia aos ministros para negociar com os parlamentares. Articulados com o presidente da Câmara, Marco Maia, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, promoveram os acordos que levaram à aprovação dos projetos.

A chance dessa pax parlamentar perdurar é diretamente proporcional à disposição do governo de cumprir acordos como aquele que fixou para depois da Páscoa a votação do Código Florestal. O entendimento também tem mais chance de prosperar se os compromissos firmados entre os ministros e os parlamentares forem cumpridos.

Isso certamente passa pela liberação de emendas. Enquanto não inventarem outro jeito de os parlamentares influenciarem num naco de investimentos do governo em benefício de comunidades que garantem a continuidade de sua carreira política vai continuar sendo assim.

A faxina de Dilma pode não passar de discurso mas não é na liberação de emenda que mora o engodo, e sim na triangulação entre parlamentares, seus indicados na máquina de governo e fornecedores públicos que recebem pelo serviço que não prestam.

É dos lucros dessa triangulação que vivem muitos políticos deste e de outros governos. É mais simples coibi-los quando são miudezas que estão em jogo, como nos contratos prestados por Ongs. É a esse fim que parece se destinar o projeto de criação do fundo para o financiamento dessas entidades que o governo vai enviar ao Congresso.

Mas difícil de fechar é o ralo por onde passam os grandes contratos. Basta ver o histórico de entreveros entre o Executivo e o Tribunal de Contas da União. E mesmo que haja alguma disposição real em fechar o ralo, a torneira jorra mais forte à medida que crescem a economia e a capacidade de investimento do governo.

A corrupção pode até ser um problema do tamanho que Demóstenes Torres costumava pintar da tribuna, mas o que os indícios de seu processo no STF parecem indicar é que a contravenção tem laços que extrapolam o governo de plantão. Alicia parlamentares de de todos os matizes, desde que influentes no aparato policial e na cúpula do judiciário.

Demóstenes Torres não era um denunciante qualquer. Chegou ao Senado no mesmo ano em que o PT alcançou o Planalto foi um de mais implacáveis críticos até ser acusado de receber mesada do mesmo contraventor que detonou o escândalo Waldomiro Diniz, o primeiro da era petista.

Nesse meio tempo jogou no descrédito um dos mais operantes policiais do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-delegado geral da Polícia Federal e ex-superintendente da Abin, Paulo Lacerda, ao acusá-lo de um grampo nunca provado no Supremo Tribunal Federal..

Arrematou a cultivada imagem de paladino da moralidade ao tornar-se um dos grandes defensores da Lei da Ficha Limpa e dos poderes de investigação do CNJ.

O senador foi alçado à condição de ideólogo conservador ao encabeçar a resistência parlamentar à política de cotas raciais. Numa audiência promovida pelo Supremo chegou a dizer que a escravidão teria beneficiado o continente africano por ter sido o primeiro item de sua pauta de exportações. E que, por isso, faria pouco sentido para o Brasil adotar políticas compensatórias para os negros que, além do mais, haviam proliferado por meio de relações consensuais entre escravas e brancos.

O apoio que recebeu na pregação anticotas o encorajou a prosseguir na cruzada de ideólogo do conservadorismo com um projeto que trata o viciado em drogas como um deliquente e institui uma política nacional de internação compulsória.

Acabou angariando o respeito e a admiração de seus pares pela coragem de assumir essas posições num país crescentemente marcado por políticas inclusivas.

Foi a dificuldade de a oposição oferecer uma agenda alternativa ao crescimento econômico que deu fermento às bravatas de Demóstenes. De tão dependente de bandeiras moralistas, os oposicionistas perderam a capacidade de se aglutinar mesmo face a um tema tão crucial para o futuro quanto a desindustrialização.

Foi com esse tema que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) subiu à tribuna na quarta-feira passada. Face à recomposição da base governista, urgia recuperar iniciativa à oposição. Dali a pouco o PSDB daria seus votos à aprovação da Funpresp, em nome de uma reforma iniciada pelo governo tucano e sequenciada pelos petistas. O discurso de Aécio teve pouca ressonância, mas os governistas bateram bumbo com a aprovação quase unânime.

Se a pauta legislativa se aprofundar na agenda da indústria nacional, focada em questões tributárias e trabalhistas, o consenso, como mostrou levantamento de Caio Junqueira (Valor, 28/03/2012), tem dias contados. Agora que tiraram Demóstenes da sala bem que o jogo podia começar.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail: mcristina.fernandes@valor.com.br

29/03/2012 - 22:00h Boa noite


Gustavo Dudamel y la Sinfónica Juvenil Simón Bolivar interpretando las Danzas Sinfónicas de Leonard Bernstein.

29/03/2012 - 21:00h Orgia

Liz Christine

Gemidos
Sussurro
Lábios, pele, beijo
Em seus ouvidos
Ainda procuro
Como descrever o que vejo?
O que sinto ao te ver
Em meio a essa orgia
Nunca quis te pertencer
Tão livre, e você nem sabia
Tudo que poderia
Encontrar
Experimentar
Em si mesma, você
Minha nudez
Meu prazer
Você vê
Um engano? Talvez
Eu queira ser
Sua, talvez, eu nem sei
O que eu senti?
Ao te ver me olhando
Você beijando alguém
Uma pessoa gemendo
E eu gozando
Quero o seu beijo, vem
Estou dizendo
Sussurrando
Meus lábios te procurando
E outro corpo me domina
Outra língua me fascina
Vários corpos, sua mão
E eu tento dizer
Eu te amo
Amo sua mão
Mas você nem vai saber
Que era pra você que eu falei
E foi então
Nesse exato momento
Que escutei
Algum pensamento
Alguém pensando em voz alta
“aquela ali, a ruivinha
a ruivinha é a mais tarada”
Eu, tarada?
Nem vou responder
Te amo calada
E nem vou me arrepender
De estar te pervertendo
Você não era assim
Se liberte em mim
Amor, orgia
Talvez algum dia
Você saiba que eu sentia

29/03/2012 - 19:24h Happiest Days Of Our Lives e Another Brick In The Wall


Roger Waters – Happiest Days Of Our Lives e Another Brick In The Wall

29/03/2012 - 18:42h Frida Kahlo e Diego Rivera

http://leclownlyrique.files.wordpress.com/2012/03/martin-munkc3a1csi-frida-kahlo-and-diego-rivera-mexiko-1934.jpg
Martin Munkácsi, Frida Kahlo and Diego Rivera, Mexico, 1934

29/03/2012 - 17:35h A morte e a morte de Millôr

Millôr em 2006: problemas de saúde do cronista, de 88 anos, se agravaram a partir do ano passado; ele será cremado hoje, na Santa Casa da Misericórdia, no Rio

Por José Castello | Para o Valor, do Rio

A morte de Millôr Fernandes, na noite de terça-feira, no Rio, põe em dúvida a própria noção de morte. Millôr, que tinha 88 anos, foi, sem dúvida, um homem de seu tempo, que viveu aferrado ao presente e à força, nem sempre doce, das circunstâncias.

Nos anos 1930, não tinha nem 10 anos de idade quando fez sua estreia como desenhista, publicando uma charge no “O Jornal”, do Rio. Em 1965, já em plena ditadura militar, e desafiando os valores dominantes, escreveu com Flávio Rangel a célebre peça “Liberdade, Liberdade”, que incomodou e desafiou os adeptos do regime. Em 1985, pela editora L&PM, de Porto Alegre, começou a publicar o “Diário da Nova República”, que lhe rendeu três volumes, o último de 1988. Em 1992, em parceria com Luis Fernando Verissimo e Jô Soares, dialogando com um mal-estar nacional, publicou “Humor nos Tempos do Collor”. Oito anos depois, em pleno ano 2000, e acompanhando os avanços tecnológicos acelerados, lançou o site “Millôr On-Line”. O tempo nunca o constrangeu ou intimidou. Ao contrário, foi seu aliado.

Desafiou ditadores, assim como presidentes legitimamente eleitos, com suas críticas duras, embora temperadas por um humor inteligente. Fez do humor não só um instrumento de riso, mas de crítica de seu tempo e, mais ainda, de exercício do bem pensar.

Sempre que necessário, porém, Millôr soube ignorar o tempo e suas férreas leis. Por muitos anos, dando um salto para trás rumo ao século XVI, dedicou-se à tradução das obras de William Shakespeare. Não se deixou regular pela noção de época: traduziu desde o teatro engajado do alemão Bertolt Brecht, do século XX, às comédias francesas de Molière, do século XVII, retornando ao século XX para reencontrar-se com o teatro do nova-iorquino Tennessee Williams. Saltou mais para trás ainda, de volta ao século V a.C., para traduzir as peças de Sófocles. Foi o tradutor, ao todo, de 74 peças de teatro. O teatro foi sua máquina do tempo.

Como jornalista, que militou, entre outros, em “A Cigarra”, “O Cruzeiro”, “O Pasquim” e o “Jornal do Brasil”, aprendeu, provavelmente, que o tempo, mais que uma coerção, é uma condição da liberdade. Podemos pensar, então, se sua morte, agora, não se encadeia nessa série interminável de libertações. Podemos nos perguntar, até, se ela não é uma invenção de Millôr Fernandes – mais uma.

Durante muito tempo – apontando sua paixão pelos grandes pintores – adotou o pseudônimo de Vão Gôgo, que só abandonaria, em definitivo, em 1962. Não se tratava de um esconderijo, ao contrário, a máscara do nome era um sinal de seu apreço desmedido pela liberdade. Sob pseudônimo, podia ser qualquer um – e, nesse aspecto, podemos pensar que Millôr foi, também, uma espécie discreta de ator. Um homem que fez do mundo seu palco e nunca se esquivou, mesmo em tempos difíceis, quando o chamaram para subir à cena.

Elevou o humor à categoria de arte refinada quando, em 1957, ganhou uma exposição individual no Museu de Arte Moderna do Rio. Embaralhou valores, distorceu preconceitos, perfurou certezas, nunca permitindo que sua arte fosse enjaulada em um clichê. Talvez por isso, por temer a força das manchetes, mesmo se orgulhando da profissão de jornalista, não gostava de dar entrevistas.

Ao explodir a ideia de tempo, a obra de Millôr danifica, também, a noção de morte. Afinal, em que século viveu Millôr Fernandes? A que século ele, de fato, pertenceu? Onde sua obra, de fato, se inicia e onde ela se conclui?

Conta-se que foi um dos inventores do frescobol, um esporte típico das praias brasileiras e dos temperamentos livres, no qual – noção que muito apreciava – não existem vencidos ou vencedores. Esteve nas origens da televisão ao apresentar, na TV Excelsior, o quadro “Lições de um Ignorante” – que foi censurado em plenos anos dourados e livres da era JK. Quando a censura política prendeu os principais articulistas do semanário “O Pasquim”, censurou-a, desdobrando-a como “ghost writer” dos companheiros detidos. Teve, assim, uma visão premonitória da “morte do autor”, que hoje parece consumada nos sites da internet.

Millôr, homem de seu tempo, mas também homem além do tempo. Escreveu poesia, flertou com as artes visuais, incomodou com suas ideias políticas, disse sempre o que pensou. Tudo isso em nome de valores universais, que o antecederam no tempo seco dos relógios, mas não no trânsito ilógico das paixões.

Foi um homem que se entregou à vida com a voracidade dos que cultivam a consciência da morte. Morreu não para desaparecer, mas para se afirmar como um artista vivo.

29/03/2012 - 17:12h Perú: Lanzamiento de Gasoducto del Sur es un paso importante para la inclusión social

Congresistas cusqueños de Gana Perú saludan histórico lanzamiento de polo petroquímico en esta zona del país que permitirá gas barato y mayor empleo para la población

foto
Presidente Ollanta Humala lanzo gasoducto del sur del Peru en Quillabamba

NOTA DE PRENSA N° 042-2012-GPN-FOP/CR

El Grupo Parlamentario Nacionalista Gana Perú saludó el histórico lanzamiento del Gasoducto del Sur del Perú y la puesta en funcionamiento de un polo petroquímico, plantas de fraccionamiento y envasadora del gas natural en el Cusco hecho esta mañana por el presidente Ollanta Humala.

A través de su cuenta en Twitter, el vocero nacionalista Fredy Otárola sostuvo que con la colocación de la primera piedra del gasoducto el gobierno “ha dado un importante paso para la inclusión social y el desarrollo de nuestros pueblos del sur peruano”.

GAS BARATO Y MÁS EMPLEO

El anuncio presidencial recibió también el inmediato respaldo de los congresistas nacionalistas cusqueños Julia Teves, Verónika Mendoza, Agustín Molina, Rubén Coa y Hernán La Torre, quienes coincidieron en señalar que con esta obra los pueblos del sur contarán por fin con gas barato y mayor posibilidad de empleo.

Los citados legisladores acompañaron al jefe de Estado en la ceremonia realizada en la Plaza de Armas de Quillabamba ante una gran multitud, que presenció los anuncios presidenciales que llevarán desarrollo a sus pueblos, otrora, excluidos, no obstante habitar en la región energética amazónica, productora del gas natural, como lo recordó la alcaldesa Sedia Castro, quien indicó que el jefe del Estado cumple así una promesa electoral de inclusión.

Julia Teves acotó que el gasoducto del sur unirá a la costa, sierra y selva y es quizá una de las más grandes obras del Perú y Latinoamérica, cuya base de operaciones será Quillabamba (Cusco).

Por su parte, Verónika Mendoza, resaltó el inicio, en junio próximo, de la colocación de los tubos del gasoducto, y paralelamente la instalación de la fibra óptica para mejorar las comunicaciones de los pueblos de la selva y la costa que, a su vez, permitirán que por banda ancha permitan la transmisión rápida de programas educativos, salud y planes integrados de desarrollo productivo.

LOTE 88

Asimismo el congresista Molina destacó que el presidente Ollanta anuncie también que en las semanas siguientes el gobierno cristalizará la recuperación del Lote 88, que significa favorecer con el gas natural de Camisea a los pueblos del Cusco, donde se produce este recurso natural.

Saludó que el presidente Ollanta haya anunciado la masificación del gas y su explotación por empresas responsables que inviertan con responsabilidad y respeten el medio ambiente en una política de inclusión y desarrollo sostenible.

A su turno, el congresista Coa, dijo que la puesta en operación del gasoducto del sur, de más de mil kilómetros que llegará hasta Ilo y Matarani, no sólo favorecerá al sur, sino a todo el país, porque los costos de este preciado recurso se reducirán en un cincuenta por ciento, como lo estimó el jefe del Estado.

Coa sostuvo que los cusqueños viven hoy una fiesta, porque después de un siglo ven sus aspiraciones cristalizadas de ser beneficiarios de lo que produce el subsuelo de su región.

Finalmente, los legisladores del sur saludaron que el Consorcio Camisea haya accedido a las negociaciones del Gobierno para dotar de gas natural a los pueblos del sur del país.

Lima, 29 de marzo del 2012

29/03/2012 - 16:54h Presidente Humala: “El gas más barato empezará en Quillabamba”

Mandatario dio inicio a obras del Gaseoducto del Sur. Anunció la construcción de una planta petroquímica y otra donde se envasará el gas

EL COMERCIO

Jueves 29 de marzo de 2012

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(Foto Andina/Video TV Perú)


Visiblemente emocionado, el presidente Ollanta Humala hizo hoy algunos anuncios relacionados al tratamiento del gas natural que se extrae en el Cusco. Esto durante la ceremonia de inicio de las obras del Gaseoducto del Sur en la ciudad de Quillabamba, donde también habló de la próxima construcción de un polo petroquímico y de una planta de envasado del gas.

“Hoy después de mucho batallar hemos tenido logros. Vengo como un humilde servidor del pueblo a rendir cuenta de lo que vamos haciendo”, dijo durante su discurso en la plaza de armas de esa ciudad cusqueña. Según dijo, el gaseoducto “cambiará no solo la vida del Cusco sino del país”.

“Estamos dando inicio a un gaseoducto de más de mil kilómetros de distancia, que va llevar el gas del Cusco para que sea trabajado en un polo petroquímico en la costa sur del país (… ) Este proyecto puede redundar en más del 2% del PBI”, mencionó.

El gaseoducto irá desde los pozos gasíferos del Cusco y pasará por las ciudades de Juliaca, Arequipa, Matarani e Ilo. Además de generar puestos de trabajo, el proyecto brindará una fuente de energía más barata para el transporte público, para la generación de energía eléctrica y beneficiará a la industria nacional.

Acompañaron al mandatario el ministro de Energía y Minas, Jorge Merino Tafur, y representantes de Kuntur y Petroperú, que tendrán a su cargo la obra.

GAS BARATO

Asimismo, anunció la próxima construcción de una planta de fraccionamiento en Quillabamba, así como otra que va permitir envasar gas en esta ciudad, a fin de poder tener gas barato.

“Vamos a tener por primera vez el gas más barato del país en Quillabamba, este es un compromiso y eso lo empezamos este año”, garantizó a las autoridades regionales, locales y a la población.

“Hemos logrado que el consorcio Camisea se identifique con las necesidades nacionales (…) La próxima semana estamos nuevamente en Cusco anunciando el destino del Lote 88″, agregó Humala.

29/03/2012 - 10:40h Petroperú ya habría conseguido la asignación de lote petrolero


Se trataría de un lote con un potencial de gas de hasta 3 trillones de pies cúbicos de gas natural.

LUIS HIDALGO SUÁREZ – GESTIÓN

lhidalgos@diariogestion.com.pe

El presidente del Consejo de Ministros, Óscar Valdés, sorprendió al anunciar que Petroperú va a participar como socio de Pluspetrol en el lote 88 de Camisea, el cual tiene el mayor volumen de reservas certificadas de gas natural (6.6 TCF), de los cuales 2.5 TCF fueron dados como aval para la exportación de gas natural licuefactado (LNF) del lote 56.

“Petroperú va a entrar de alguna manera a trabajar en el lote 88, va a ser como socio, No puede ser el único (…)”, dijo Valdés este martes, después de que el presidente Humala anunciara que se está a punto de recuperar la totalidad de las reservas del lote 88 para el mercado interno. La pregunta que muchos se hacen es, precisamente, cuál es esa “alguna manera” por la que Petroperú va a ser socio de Pluspetrol.


Una pista

Una pista puede estar en el hecho de que Petroperú ya habría conseguido la asignación del lote Fitzcarrald (ubicado al sur del lote 88) que venía gestionando desde el año pasado, según fuentes del sector. Casualmente, el potencial de reservas de gas natural del lote Fitzcarrald sería entre 2.5 y 3 TCF.

A fines de diciembre, dentro del balance del 2011 y las perspectivas de Petroperú para este año, la empresa estatal incluyó como uno de sus objetivos la asignación del lote Fitzcarrald.

La referida asignación procede a partir de que a inicios de este año un decreto supremo modificó un reglamento (el de Calificación de Empresas
Petroleras).

Con ello, queda permitido que Petroperú participe en la adjudicación de lotes de hidrocarburos (directamente o a través de licitación).

Sin embargo, todavía no se conocen los detalles de esta asociación (ver recuadro).

Se esperan anuncios

Lo que no se entiende, señalan las fuentes, es que Fitzcarrald era un prospecto que se encontraba dentro del lote 88, al menos hasta el 2010, según la información oficial al norte del Manu.

El potencial que se sabía de este prospecto no llegaba a 1 TCF, por lo que es posible que el lote que se habría asignado a Petroperú incluya otros yacimientos.

Hoy se esperan anuncios importantes en el Cusco sobre el gas natural, cuando el presidente Humala ponga la primera piedra de la planta embasadora de GLP. Se espera el anucio del inicio de las obras del Gasoducto Andino del Sur. Asimismo, que todo el gas del lote 88 ya es es para el mercado interno.

29/03/2012 - 08:21h Ao sabor do próprio veneno

Por Raquel Ulhôa – VALOR

Demóstenes Torres sempre agiu em público como se não tivesse rabo preso. Articulado, conhecedor da Constituição e das leis, costumava tratar com firmeza colegas acusados de corrupção ou irregularidade. Todo mundo tem uma história para contar, ilustrando a “coragem” e a “ousadia” do senador.

Como quando atuou pela cassação de Renan Calheiros, então presidente da Casa. Ou por ter sido o primeiro a usar a expressão “mensalão do DEM”, seu próprio partido, e pedir a expulsão do então governador José Roberto Arruda (DF) da legenda. Mais recentemente, por ter dito que ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estavam “dançando na boquinha da garrafa”, na análise do registro do PSD.

Até o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi vítima. Quando as representações contra Antonio Palocci foram arquivadas, Demóstenes disse que Gurgel havia se “acovardado”, com receio de não ser reconduzido ao cargo.

Em dezembro, o senador, ao microfone, acusou José Sarney, presidente do Senado, de “burlar”, de maneira “torpe”, acordo entre as lideranças, para facilitar a votação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Dedo em riste, Sarney cobrou “respeito”. A reação foi um pedido de desculpas.

Colegas do senador falaram em renúncia ou cassação

O presidente do Senado já havia sido cutucado com vara curta por Demóstenes, quando a imprensa revelou que, sob seu comando, a administração do Senado adotou “atos secretos” para nomear parentes, criar cargos e aumentar salários. Da tribuna, o demista defendeu que Sarney se afastasse do caso, porque não ter condições de comandar a apuração.

Ex-procurador-geral de Justiça de Goiás por duas vezes e secretário de Segurança Pública do Estado em gestão anterior de Marconi Perillo (PSDB), Demóstenes foi eleito a primeira vez senador em 2002, aos 41 anos. Articulado, logo ganhou espaço na mídia. Sua gestão à frente da Comissão de Constituição e Justiça é elogiada até por adversários.

Por essas e outras, Demóstenes cumpria papel importante para a oposição, já abatida pela drástica redução numérica em 2010 e pela perda de figuras destacadas no enfrentamento ao governo, como Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Heráclito Fortes. Aliados mais empolgados falavam até em candidatura de Demóstenes para presidente da República.

Hoje, ele luta para não perder o mandato. Quem o vê, constrangido, envergonhado, quatro quilos mais magro desde que surgiram os primeiros vazamentos de informação mostrando sua proximidade com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira – acusado de chefiar exploração ilegal de jogos em Goiás -, pensa que Demóstenes não tem estrutura para aguentar o que vem por aí: inquérito no STF e provável processo por quebra de decoro parlamentar.

A hipótese mais considerada é a de uma renúncia. Ou cassação, se ele enfrentar o processo. O demista se indispôs com tantos colegas, que há um gostinho – inconfessável- de vingança por parte de alguns. Ele está nas mãos de quem acusou e de outros que se sentem traídos. Por telefone, está pedindo compreensão e prometendo dar, em momento oportuno, explicações para os sinais de proximidade com Cachoeira e ter tirado vantagem dessa relação.

A contratação de Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, advogado de políticos bem encrencados, revelou o tamanho da preocupação. Não se sabe o que revelam as cerca de 300 escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal de conversas entre ele e Cachoeira. O volume de ligações, por si só, é estranhíssimo. O senador não explicou por que ganhou celular habilitado nos Estados Unidos, com sistema antigrampo, exclusivamente para falar com o “amigo”, a quem pede dinheiro em uma conversa.

Para Randolfe Rodrigues, líder do PSOL, é grave o “provável envolvimento junto a uma organização criminosa”. Ontem, protocolou representação na Mesa Diretora para que o Conselho de Ética abra processo disciplinar, que pode levar à cassação. O conselho nem tem presidente. E o regimento dá brechas a várias manobras protelatórias. Mas, lançar ou não mão delas depende dos interesses políticos.

Demóstenes está isolado. Depende da proteção de Sarney, que comanda a Casa, e Renan, líder da maior bancada. O DEM tem apenas cinco senadores e o comando do partido, abatido por mais esse escândalo, não está disposto a sofrer o desgaste da defesa do seu ex-líder.

Para a oposição, a ruína de Demóstenes – que já aconteceu, independentemente do seu destino – é mortal. “Não podia ser pior para a gente”, diz Jarbas Vasconcelos, único pemedebista que é oposição ao governo do PT. Jarbas lembra a redução numérica da oposição em 2010, a perda de pessoas importantes no enfrentamento do governo – como Arthur Vigílio, Tasso Jereissati e Heráclito Fortes – e a morte do ex-presidente Itamar Franco, com seis meses de mandato, período no qual se destacou na oposição.

“E agora acontece isso com Demóstenes? É de clamar aos céus”, diz o pernambucano.

O Senado já deu muito vexame. Um presidente da Casa aliou-se ao então líder do governo para fraudar a violação do painel eletrônico, na votação de uma cassação de mandato. Outro presidente sofreu processo por quebra de decoro ao ser acusado de ter contas pessoais pagas por lobista de empreiteira. Um senador foi cassado e vários renunciaram. Cada novo caso aumenta o descrédito nos políticos. E fica a expectativa sobre quem será o próximo a ter que deixar o Senado pela garagem, para fugir dos fotógrafos.

Raquel Ulhôa é repórter de Política em Brasília. Escreve mensalmente às quinta-feiras

E-mail raquel.ulhoa@valor.com.br

28/03/2012 - 22:00h Boa noite


Alexander Borodin – Petite suite (arr.Glazunov) – Radio Kamer Filharmonie, Michael Schønwandt

28/03/2012 - 19:12h L´Ultima Canzone


Placido Domingo – L´Ultima Canzone – Tosti

28/03/2012 - 11:29h A mulher no poder

ELIANA CARDOSO – O Estado de S.Paulo

Sete anos valem milênios neste nosso século 21. Entre 2003 e 2010, a participação das mulheres em cargos de alto escalão cresceu 4,2 % no Brasil e impressionantes 30% na Noruega. Por lá essa participação anda agora em torno de 45%. Aleluia! A ala feminina vence obstáculos depois de séculos de submissão. As jovens americanas estão passando na frente dos rapazes: nas 150 maiores cidades dos EUA, as mulheres com menos de 30 anos ganham em média mais do que os homens da mesma idade. Reflexo do sucesso acadêmico. Em 2011, engenheiras na fronteira técnica e administradoras de empresas de TI entraram no elenco das “100 mulheres mais poderosas do mundo”, que, tradicionalmente, listava apenas autoridades e ativistas.

Na Europa as mulheres agora representam 60% dos formandos nas universidades e entram no mercado de trabalho em igualdade de condições com os homens. Resta saber se subirão as escadas do sucesso junto com os colegas. Ou se, mal integradas nas redes masculinas que dominam organizações complexas, sumirão ao longo do caminho. De qualquer maneira, embora não seja possível determinar uma relação de causalidade, vale a pena observar que as empresas mais bem-sucedidas na Europa e nos EUA contam com maior número de mulheres em altas posições.

Nem tudo são rosas. O relatório do Banco Mundial Mulheres, Negócios e Direito (2011) mostra que, dos 141 países analisados, em 103 deles as mulheres ainda sofrem discriminação. Na média, as mulheres trabalham mais e ganham menos que os homens. Mas a média ilumina pouco. Esconde a diferença entre a sueca e a afegã. Divide a soma de uma parcela – que tem carreira igual à dos homens e ganha tanto quanto eles – com outra maior – que come o pão de cada dia em empregos de baixa produtividade e se esfalfa em tarefas organizadas em torno da necessidade de servir à família.

Considere o Índice de Oportunidade Econômica para Mulheres em 128 países, publicado pela revista The Economist e obtido a partir da combinação de informações sobre, por exemplo, o status legal da mulher e seu acesso a financiamento e educação. É imensa a distância entre os países onde as mulheres praticamente gozam de igualdade com os homens – como Suécia, Noruega e Finlândia – e aqueles onde a desigualdade entre os gêneros é extrema – como Irã, Chade e Sudão. O Brasil fica no meio do caminho.

No mundo diverso do século 21, Dilma Rousseff, Angela Merkel e Christine Lagarde dividem espaço com Obama, Sarkozy e Putin. Na política internacional, enquanto Lagarde bate o tambor pedindo aos europeus que ponham à disposição mais recursos para os países periféricos, Merkel proclama a necessidade de consolidação fiscal. São posições contraditórias apenas na aparência. Ambas acreditam que as duas coisas precisam ocorrer. Merkel representa a Europa do Norte e enfatiza o papel da disciplina fiscal, que sempre foi dogma no Fundo Monetário Internacional (FMI) de Lagarde, enquanto esta representa a Europa do Mediterrâneo, na busca de recursos para evitar o caos.

Será apenas simbólico o bom convívio entre elas? Não, diria Steven Pinker, psicólogo da Universidade Harvard. Ele acredita num mundo mais pacífico, desde que governado por mulheres. De fato? Duvido. Golda Meir, Indira Gandhi, Margaret Thatcher e rainhas inglesas de outras eras levaram seus países à guerra. Contudo é verdade que – ao contrário das regiões em que a violência vem diminuindo – as regiões onde a violência perdura são as que impõem barreiras para dificultar às mulheres o controle do próprio corpo e o acesso a posições de poder nas empresas e no governo.

Há quem acredite que, como líderes, as mulheres são menos hierárquicas do que os homens e mais capazes de estimular a participação dos subordinados. Nem sempre. A História presta testemunho do contrário. Para chegarem ao topo das organizações muitas adotam estilo masculino e contrariam expectativas de doçura. Ora, gente de sucesso combina o lado masculino e o feminino e abraça modos duros ou brandos conforme necessário. Estereótipos não servem à mulher nem ao homem.

Nossa presidente entrou em rota de colisão com Angela Merkel no evento que deveria marcar a comunhão de interesses entre Brasil e Alemanha. Nas relações com o Congresso prefere afirmar sua autoridade a evitar enfrentamentos. Estaria mais à vontade com o lado da pedra dura do que com o da água macia? A imprensa retrata-a como nossa dama de ferro. Ao mesmo tempo, acusa-a de ingenuidade ao tentar impor novos padrões à conduta dos políticos. Mas ao demitir ministros acusados de corrupção conquistou a mais alta popularidade desfrutada por um presidente brasileiro no seu primeiro ano de governo. Apesar do fraco desempenho da economia, a imprensa também a retrata como boa administradora – traço mais importante numa prefeitura do que na Presidência da República. Ainda é cedo para saber se, além de gerente, Dilma Rousseff tem os traços de personalidade comuns a presidentes de sucesso.

Em geral, um presidente bem-sucedido usa máscara política sem trair as próprias convicções. Convencido de que é líder de nascença, como Lula, intui o contexto no qual se acha inserido e fareja oportunidades. Combina informações numerosas e mutantes num modelo coerente, como FHC. Dotado de apetite voraz por contato social e de desejo quase compulsivo de se ver cercado de pessoas, como JK, consegue extrair de milhares de encontros sociais a percepção do que os outros desejam. Ao contrário de Jânio Quadros, goza de segurança emocional e não guarda ressentimentos. É capaz de empatia com o sofrimento alheio. Flexível quando as coisas vão mal. E, sabendo que precisa dos outros, evita o excesso de arrogância conferido pelo poder e pelos bajuladores.

*PH.D. EM ECONOMIA PELO MIT, É AUTORA DE MOSAICOS DA ECONOMIA (SARAIVA, 2010), SITE: WWW.ELIANACARDOSO.COM

28/03/2012 - 09:23h Ranking põe Reino Unido entre países com mais medidas protecionistas

Radar Econômico

28 de março de 2012

Sílvio Guedes Crespo – O Estado SP

Que a Rússia, a Argentina, a China ou a Índia estejam no topo de um ranking dos países que mais tomaram medidas protecionistas desde a crise não causa surpresa.

No entanto, o Reino Unido, berço do liberalismo, aparece logo depois desses quatro em um levantamento feito pelo jornal francês “Le Monde” com dados da Global Trade Alert, uma organização com sede em Londres.

A Rússia adotou nada menos que 160 medidas para proteger sua economia desde a crise, segundo o levantamento. A Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil (atrás de Estados Unidos e China), já baixou 125 medidas protecionistas; o Reino Unido, 63.

Por outro lado, se a China está entre os que mais se protegeram depois da crise, é também o maior alvo de medidas desse tipo tomadas por outros países. Os Estados Unidos, quem nem aparecem no ranking dos mais protecionistas, foi o segundo mais atingido por medidas de terceiros.

Brasil

Um levantamento recente feito pelo Estadão mostrou que o governo brasileiro tem 40 medidas protecionistas já aplicadas ou em análise.

No entanto, não é possível fazer uma comparação direta entre os dois levantamentos (o do Estado e o do Monde) porque, nessa área, uma pequena mudança de metodologia faz uma diferença enorme. A começar pela definição do termo “medida protecionista”.

Por exemplo, um outro estudo da Global Trade Alert, de novembro, colocava a União Europeia como número 1 de um ranking em número de medidas protecionistas. No entanto, o mesmo estudo classificava o grupo europeu em sexto quando o critério do levantamento era não o número de medidas, mas o de setores afetados.