31/05/2012 - 22:00h Boa noite


FOLÍAS DE ESPAÑA – Concierto de Jordi Savall.

Intérpretes:

- Jordi Savall (Viola de gamba)
- Rolf Lislevand (Guitarra barroca, tiorba)
- Arianna Savall (Arpa)
- Pedro Estevan (Percusión)
- Adela González-Campa (Percusión)

Grabado en la Iglesia de Plouaret, el 13 de octubre de 2002, dentro del Festival de Música Antigua de Lanvellec (Francia). (MEZZO TV)

31/05/2012 - 19:03h Les Indes Galantes


Jean-Philippe Rameau – Les Indes Galantes, William Christie

BONUS


Rameau – Les Indes Galantes (Christie)

31/05/2012 - 10:28h América Latina deve cooperar mais

Por Helen Clark – VALOR

Cerca de 40 ministros de desenvolvimento social da América Latina e Caribe e da África estiveram reunidos desde o dia 29 até hoje em Brasília para discutir como as duas regiões podem compartilhar experiências e impulsionar a cooperação para acabar com a pobreza. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) tem o orgulho de ter sido o facilitador desse encontro histórico, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Esse fórum acontece a menos de um mês da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Lá, líderes mundiais, ao lado de milhares de participantes de governos, do setor privado e de organizações da sociedade civil irão discutir como construir um futuro mais sustentável – um desafio crucial tanto para países desenvolvidos como para aqueles em desenvolvimento.

Está claro que os países não podem mais se dar ao luxo de crescer primeiro e tentar limpar o meio ambiente depois. Ou de crescer antes para depois tentar acabar com a desigualdade. O crescimento econômico, separado dos avanços em desenvolvimento humano e sem consideração pelo meio ambiente, não só é incapaz de sustentar avanços como também destrói ecossistemas dos quais dependemos para a vida neste planeta.

A fome é consequência de instituições que não funcionam bem, da inexistência do Estado de Direito e do acesso limitado a mercados ou a alimentos com preços acessíveis. Onde os governos são inclusivos e têm capacidade de resposta rápida, as crises de fome não existem.

Duas semanas atrás, apresentei em Nairóbi, com o presidente queniano Mwai Kibaki, o primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano do Pnud para a África. Apesar das significativas taxas de crescimento econômico da África Subsaariana, a fome segue afetando quase um quarto de sua população, o que significa mais que toda a população brasileira.

No ano passado, os países do Chifre da África vivenciaram a pior crise de segurança alimentar da região dos últimos 20 anos. No Sahel, apenas dois anos depois da última grave crise de segurança alimentar e nutrição, uma combinação de seca, pobreza, altos preços de grãos, degradação ambiental e, em alguns países, instabilidade e conflitos, estão exigindo da comunidade internacional uma nova resposta em grande escala. As últimas estimativas sugerem que mais de 15 milhões de pessoas são diretamente afetadas, sem que a crise tenha ainda atingido seu pico.

Há mais de 30 anos, o arquiteto do paradigma de desenvolvimento humano e prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen, desafiou a noção de que a fome é causada simplesmente pelo declínio da oferta de alimentos. Ele argumentou que a fome é consequência de instituições que não funcionam bem, da inexistência do Estado de Direito e do acesso limitado a mercados ou a alimentos com preços acessíveis. Ele também ressaltou que onde os governos são inclusivos e têm capacidade de resposta rápida, as crises de fome não existem.

O Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento convida todos a refletir sobre uma abordagem compreensiva para a construção da segurança alimentar, priorizando a nutrição nas políticas públicas, empoderando as mulheres e ajudando as nações a aumentar a resiliência às adversidades. Em todo o mundo, trabalhamos para promover uma governança mais eficaz e com maior capacidade de resposta e para promover igualmente o Estado de Direito.

Há muita experiência a ser compartilhada entre América Latina e África na erradicação da pobreza e da fome, em especial por meio de sistemas de proteção social. O programa brasileiro Bolsa Família tem sido muito elogiado, e sua atual expansão, com o Brasil Sem Miséria, também tem atraído grande interesse. O Brasil se propôs como objetivo a erradicar a pobreza extrema até 2014, e tem feito progressos consideráveis nesse sentido.

As discussões que ocorreram esta semana, no V Fórum Ministerial para o Desenvolvimento, vão incentivar ainda mais a cooperação entre as nações da América Latina e da África. O intercâmbio e a cooperação Sul-Sul destacam soluções de desenvolvimento que, adaptadas aos contextos nacionais, podem ajudar as nações a atingirem seus objetivos. Eles podem também fazer muito para ajudar o progresso global nos elos econômico, social e ambiental que compõem o desenvolvimento sustentável.

Helen Clark é a administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e ex-primeira ministra da Nova Zelândia.

31/05/2012 - 09:24h Ricos cortam ajuda externa e papel de emergentes cresce

Por Assis Moreira | VALOR

De Genebra

Com os países mais ricos em crise, a participação de emergentes, como China, Brasil e Índia, na ajuda financeira ao desenvolvimento das nações mais pobres deverá assumir maior importância nos próximos anos e refletir gradual reequilíbrio na cena internacional.

Por causa de restrições orçamentárias, a ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês) fornecida por 24 países doadores ricos caiu pela primeira vez em 15 anos. Ficou em US$ 125,1 bilhões em termos reais em 2011, menos 2,7% do que no ano anterior, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Dos 24 grandes doadores, 16 cortaram sua ajuda aos mais pobres. A expectativa é que a crise reforce essa tendência.

Europeus mais afundados na crise, como Espanha e Grécia, baixaram a cooperação em 32,7% e 39,3% respectivamente. Já o maior aumento de doação veio da Itália, de 33%, através de perdão de dívida e ajuda humanitária prestada a refugiados procedentes do norte da África.

Os EUA continuam sendo os maiores doadores, com US$ 30,7 bilhões. Mas a soma só representa 0,2% da Renda Nacional Bruta do país. O compromisso dos ricos é fornecer pelo menos 0,7% para as nações mais pobres do planeta.

A ODA representou nos últimos 30 anos uma das principais fontes de financiamento para as nações em desenvolvimento. Analistas consideram que esse fluxo de recursos ajudou países mais vulneráveis a amortecer os efeitos de crises econômicas internacionais ocorridas entre 1980-1990. Uma parte da ODA é fornecida através de organizações internacionais que exigem contrapartida e fortes condicionalidades. Essa parcela do dinheiro também sofreu uma reversão de tendência, com as operações de US$ 93 bilhões representando queda de 2,7% em 2011.

Isso afetou principalmente os países da América Central e alguns países asiáticos importantes, como Indonésia e Filipinas.

Esses fluxos de financiamento multilateral, chamados “Country Programmable Aid”, deverão continuar baixando para a América Latina e aumentarão para o sudeste asiático, como Bangladesh, Mianmar e Nepal.

Entre os 46 países mais vulneráveis, mais dinheiro vai ser dirigido para Quênia e Congo. Já os cortes mais duros devem atingir o Haiti, onde o Brasil está fortemente engajado na reconstrução do país, e o Afeganistão, ainda em estado de guerra.

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, recentemente advertiu para o perigo que representa a redução na ajuda a países já extremamente vulneráveis, em tempos econômicos ainda mais duros, de menos investimentos e menos exportações também. Gurría pediu para os ricos manterem seus compromissos de ajuda, apesar dos duros programas de ajuste fiscal.

A avaliação geral, porém, é que as consequências da crise econômica nos ricos são duradouras sobre o fluxo de ajuda financeira ao desenvolvimento.

As esperanças estão agora focadas na criação de uma “Parceria Global” de cooperação para o desenvolvimento. A iniciativa foi deflagrada na chamada negociação de Busan (Coreia do Sul) há dois anos. Brasil, China e Índia participam como observadores.

Na prática, um dos objetivos políticos não declarados no G-20 era enquadrar a cooperação bilionária fornecida pela China na África em troca de acesso a matérias-primas, e que irritava nações ricas.

Só que a situação evoluiu. Os países doadores negociam o novo formato para a cooperação internacional ganhar nova dimensão em transparência, previsibilidade, eficácia e eliminação de condicionalidades nos fluxos da ajuda ao desenvolvimento. Mas Pequim continua desconfiando que querem controlar sua ajuda aos países pobres. Na última reunião em Paris para discutir indicadores e metas do “pós-Busan”, os chineses sequer enviaram um representante.

Na falta de mais recursos, a ideia dos ricos é focar mais na qualidade da ajuda ao desenvolvimento do que na quantidade. Também haverá metas para os ricos darem o dinheiro e os receptores realmente implementarem os projetos.

Indicadores e metas em negociação não serão aplicáveis na cooperação Sul-Sul. Mas a “Parceria Global” pavimentará o terreno para ampliação de parcerias entre os países doadores tradicionais e os fornecedores da cooperação Sul-Sul como o Brasil, China e Índia.

Uma tendência é aprofundar projetos trilaterais, como o Brasil começou a fazer com a União Europeia para ajudar países da África. A cooperação direta dos emergentes também tende a crescer.

Por “soft power”, Brasil dá sem pedir contrapartida

Por João Villaverde | VALOR

De Brasília

O Brasil quer conquistar corações e mentes na política internacional, e, em tempos de grave crise econômica mundial, um caminho para isso são as ações de cooperação humanitária e técnica. Esse é o mote dos responsáveis, no Ministério de Relações Exteriores, por iniciativas de cooperação humanitária e técnica (que envolve a transferência de tecnologia e conhecimento). Essa diretriz, no entanto, convive com o atraso – até hoje, o balanço oficial das iniciativas de cooperação internacional e dos destinos dos recursos brasileiros, referentes a 2010, não teve a divulgação autorizada pelo Itamaraty.

Realizado em conjunto pela Agência Brasileira de Coordenação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o balanço das ações e utilização de recursos públicos remetidos a outras nações referentes a 2010 está pronto há seis meses. Mas a falta de autorização do Itamaraty atrasou o início do levantamento relativo ao ano passado.

Por outro lado, as informações referentes à cooperação humanitária são conhecidas. Responsável pela área no governo, Sóstenes de Macedo, coordenador-geral substituto de ações internacionais de combate à fome do Ministério de Relações Exteriores, defende que o incremento do “soft power” (”poder suave”, em contraponto ao “poder pesado”, representado pelo poderio militar e econômico) do Brasil passa pela maior integração do país na condução de iniciativas humanitárias.

“Somos contrários à ideia de ajuda humanitária, como é praticada predominantemente nos países ricos, como os Estados Unidos. Fazemos cooperação humanitária, porque não exigimos contrapartida do ajudado”, diz Macedo, que cita o caso recente da Coreia do Norte, que nas últimas semanas deixou de receber ajuda humanitária americana porque não cumpriu exigências de abertura política. “O Brasil, ao contrário, acabou de enviar 21 mil toneladas de alimentos aos norte-coreanos”, afirma Macedo.

O governo tem na agenda para o ano algumas iniciativas importantes na área de cooperação humanitária, como os US$ 5 milhões para auxiliar o governo haitiano a adquirir leite de pequenos produtores do Haiti e distribuir internamente, ou os US$ 750 mil para refugiados palestinos no Oriente Médio e os US$ 300 mil para refugiados afegãos no Irã e no Paquistão.

Macedo cita também o início do programa para compra de alimentos na África (PPA, na sigla em inglês). O programa começa no segundo semestre em cinco países no continente (Etiópia, Senegal, Maláui, Níger e Moçambique) e vai consumir US$ 2,4 milhões. O Reino Unido já se dispôs ao ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores, a ajudar o PPA com US$ 900 mil em treinamento de pessoal.

Ao todo, o orçamento da área responsável pelos repasses, no Itamaraty, é de R$ 25 milhões neste ano, e o Itamaraty negocia para dobrar o valor em 2013, voltando ao patamar de 2011. Até 2009, o Itamaraty dispunha de R$ 3,5 milhões em média, e o auge foram os R$ 95 milhões de 2010. Esse orçamento não contempla o envio de alimentos ou de medicamentos.

O Valor apurou que a Lei 12.429, que vai perder a validade em julho, será prorrogada nos próximos dias. A lei, assinada em junho do ano passado pela presidente Dilma Rousseff, prevê a doação de até 711 mil toneladas de alimentos por ano em cooperação humanitária.

31/05/2012 - 08:46h América do Sul aperta o pedal do estímulo

Por Humberto Saccomandi – VALOR

Deterioração dos termos de troca, redução do saldo comercial, piora na balança de conta corrente e no balanço de pagamentos, aumento do déficit público. Não, não se trata dos países em crise na Europa, mas da América do Sul hoje. A rápida piora das contas externas e internas no fim de 2011 e começo de 2012 acendeu o sinal de alerta na região. Ao contrário, porém, dos países europeus, forçados pela Alemanha (e pelos mercados) a uma severa política de corte de gastos e austeridade, a região deve recorrer a medidas de estímulo. Mas há limitações.

Em quase todos os países sul-americanos, as contas externas começaram a piorar a partir do segundo semestre do ano passado, resultado da piora dos termos de troca, isto é, os produtos exportados pela região começaram a perder valor, ao mesmo tempo em que a demanda externa por esses produtos parou de crescer ou começou a cair. O saldo comercial na maioria dos países estagnou ou caiu.

Países como Chile, Colômbia e Equador, que tinham superávit no balanço de pagamentos (medida ampla das relações econômicas do país com o mundo) no início de 2011, passaram a ter déficit. Na região, só Peru e Brasil tiveram saldo positivo no dado mais recente. A balança de conta corrente (medida mais ampla das relações comerciais) está negativa em todos a América do Sul, menos na Venezuela, por conta da elevada receita com o petróleo.

Região pode absorver queda na receita e dar estímulo fiscal

Com essa piora no cenário externo, a tendência é as economias sul-americanas perderem fôlego este ano. Todos os países já previam um crescimento menor que em 2011, mas muitas dessas projeções estão sendo revistas para baixo. A Cepal (comissão econômica regional da ONU) prevê expansão de 3,7% da América Latina neste (abaixo dos 4,3% de 2011), mas essa projeção já parece muito otimista.

Assim, vários governos começam a acenar com planos de estímulo para sustentar o crescimento. Por enquanto, só o Brasil anunciou medidas, como a redução do IPI para veículos. Mas no Chile, por exemplo, um comitê anticrise do governo se reúne hoje com o presidente Sebastián Piñera para discutir um plano de contingência que deve incluir medidas como a desoneração da folha de pagamento das empresas e a aceleração de obras públicas.

O ministro da Fazenda do Chile, Felipe Larraín, disse na semana passada que o país será atingido, nos próximos meses, pela crise na zona do euro. O ministro da Fazenda da Colômbia, Juan Carlos Echeverry, afirmou, também na semana passada, que seu país está preparado para lançar um pacote de estímulo, se for necessário.

A primeira questão é se os países sul-americanos podem se permitir uma ampliação do gasto público, já que o crescimento menor reduzirá a arrecadação dos governos.

Para o economista Alberto Ramos, co-diretor de pesquisa para América Latina do banco americano Goldman Sachs, a resposta é sim, mas com moderação. “A queda nos termos de troca e o crescimento global mais fraco reduziram a demanda por exportações da região. Isso gerou um déficit em conta corrente que está causando uma deterioração do câmbio. Claramente haverá um impacto na receita fiscal”, diz.

Ele pondera que a deterioração no câmbio ajudará a mitigar esse efeito, já que as exportações vão render mais em moeda local. Além disso, a desvalorização deve gerar mais inflação, o que vai expandir a base tributável e a arrecadação. “Mas, ainda assim, o efeito fiscal final será negativo.”

Ramos acredita, porém, que os países da região “têm espaço para absorver uma queda na receita fiscal e dar estímulo fiscal e monetário, pois o nível de endividamento é baixo. Diante disso, a tentação será não de apertar, mas de relaxar as metas fiscais”, ao contrário do que vem fazendo a Europa. “É bem mais provável que essa erosão da posição fiscal dos países gere mais expansão do gasto, para estimular a demanda interna.”

A secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena, também avalia que a América Latina tem margem para programas de estímulos, mas menor que no passado. “Nossa região não está melhor que em 2007 em matéria de espaço fiscal. Apesar disso, tem capacidade de políticas anticíclicas, baseada em sua fortaleza de baixo endividamento e provisão de reservas internacionais”, disse ela esta semana, em Santiago.

Para Ramos, os países não devem enfrentar problemas de financiamento, mesmo com piora da situação fiscal, “se o estímulo for moderado e se ficar claro que é temporário”. Ele lembra que o excesso de gasto está na origem do problema atual na Europa.

Mas nem todos os países têm a mesma margem para ampliar gastos. “O Peru e Chile têm mais espaço. A Colômbia também. O México pode, mas não vai fazer isso, pois os mexicanos não acreditam em estímulos keynesianos. Argentina e Venezuela não têm espaço para gastar mais, mas vão gastar adoidado e pensarão depois em como pagar. Eles vão acabar se financiando por meio do Banco Central, o que vai gerar mais inflação”, disse Ramos.

Ele vê o Brasil numa posição intermediária. “Há a predisposição [de ampliar os gastos], mas o governo parece preferir que o estímulo venha mais do lado monetário, por meio da queda de juros, que do lado fiscal. Mesmo porque o nível de gasto do Brasil já é bastante alto. Mas o estímulo fiscal tem efeito mais rápido que o monetário.”

No caso de uma crise externa mais grave, resultante de uma implosão do euro ou de um pouso forçado da economia na China, a margem de manobra dos governos ficaria ainda mais reduzida, pois poderia haver escassez de financiamento e o custo de se financiar certamente subiria. “Mas, por outro lado, aumentaria a tentação de ampliar os estímulos”, alerta Ramos.

“A América Latina pode entrar num período de turbulência macrofinanceira não por questões internas, mas por um choque externo. Nesse caso, mais gastos podem ser a solução. Se o choque externo se intensificar, as autoridades provavelmente vão usar a política fiscal de modo anticíclico, elevando o gasto público. Se isso for feito com moderação, não vejo por que os mercados ficariam temerosos”, afirmou o economista.

É preciso ver ainda a qualidade desse estímulo, se o dinheiro é bem gasto. Ramos critica a política do ministro Guido Mantega, de apoiar o consumo de certos produtos, via redução de imposto, por ser discricionária, pouco transparente e sujeita a lobby das empresas. “O gasto dirigido para infraestrutura tem um efeito multiplicador na economia bem maior que o estímulo ao consumo.”

Humberto Saccomandi é editor de Internacional. Escreve mensalmente às quintas-feiras

E-mail: humberto.saccomandi@valor.com.br

30/05/2012 - 22:00h Boa noite

This (complete) performance of Pergolesi’s “Stabat Mater” is from a concert given at Saint Denis on June 23rd 2009 by Les Talens Lyriques conducted by Christophe Rousset, The soloists were Sabina Puertolas (Soprano) and Vivica Genaux (Mezzosoprano)

30/05/2012 - 19:01h A orquestra de Louis XV

Jean-Philippe Rameau: La Orquesta de Luis XV – Concierto de Jordi Savall.
(Suites de Orquesta).

Intérprete: Le Concert des Nations – Director: Jordi Savall.

[Concierto realizado el 16-01-2011 en La Ópera Real de Versalles].

OBRAS:

Naïs (1748)
Suite d’orchestre

1. Ouverture
2. Musette tendre
3. Rigaudons I /II
4. Sarabande
5. Gavotte pour les Zéphirs
6. Loure
7. Musette
8. Tambourins I/II
9. Entrée des Luteurs
10. Chaconne
11. Air de Triomphe

“París, Biblioteca Nacional de Francia, A-165 (1-4)”.

——————————

Les Indes Galantes (1735)
Suite d’orchestre

1. Ouverture
2. Musette en Rondeau
3. Air vif
4. Air des Incas pour la dévotion du Soleil
5. Air pour les amants qui suivent Bellone
6. Air pour les guerriers
7. Menuets pour les Guerriers et Amazones I & II
8. Orage
9. Air pour les esclaves africains
10. Air pour Borée et la Rose
11. 2ème Air pour les Zephirs
12. Tambourins I/II
13. Chaconne

“París, Biblioteca Nacional de Francia, A-132 (A,2)”.

——————————

Zoroastre (1749)

1. Ouverture
2. Passepieds I/II
3. Loure
4. Air des Esprits Infernaux II
5. Air tendre en Rondeau
6. Air Grave
7. Gavotte en Rondeau
8. Sarabande
9. Contredanse

“París, Biblioteca Nacional de Francia, Vm2. 376″.

——————————

Les Boréades (1764)
Suite d’orchestre

1. Ouverture
2. Entrée
3. Entrée des Peuples
4. Contredanse en rondeau
5. Les Vents
6. Gavotte I & II pour les heures et les Zephirs
7. Menuets I- II
8. Contredanse très vive

“París, Biblioteca Nacional de Francia, Rés Vmb Ms4″.

“Esta grabación dedicada a Jean-Philippe Rameau y la orquesta de Luis XV continúa nuestras anteriores publicaciones relacionadas con las orquestas de Luis XII y Philidor y de Luis XIV y Lully. Aunque Rameau no tuvo con Luis XV la misma relación ni el mismo papel que los que mantuvo Lully con Luis XIV, si la memoria viva de la orquesta de un rey de Francia como Luis XV merece ser asociada con un único músico, la mejor elección es sin duda Jean-Philippe Rameau. En efecto, la extraordinaria diversidad, la riqueza y la invención del lenguaje orquestal, las formas y la instrumentación que nos ha dejado Rameau –sobre todo en sus oberturas, sinfonías, danzas y otros “airs à jouer”, incluidos en sus más de 17 óperas, ballets, tragedias y pastorales– lo convierten en el compositor francés más importante, innovador y genial de su época; en especial, por lo que hace a la música orquestal y la ópera. Proponemos una selección, que no ha sido fácil de realizar, de cuatro “suites ou symphonies à jouer” entre las que se incluyen sus más importantes producciones líricas: el ballet heroico Les Indes galantes (1735), la pastoral heroica Naïs (1748) y las tragedias líricas Zoroastre (1749) y Les Boréades (1764), su última producción. La orquesta de Rameau se une de manera muy íntima a la música vocal para formar conjuntos escénicos y también acoge todas las danzas que gozaban del favor del público en esa mitad del siglo XVIII. En la ópera-ballet, como en la pastoral o la tragedia lírica, la danza poseía una doble función: la de «diversión» escenográfica, sin relación directa con la acción; y la de medio dramático para hacer avanzar la acción o subrayar momentos importantes”.- (JORDI SAVALL)

Jean-Philippe Rameau (Dijon, 1683 – París, 1764) fue un compositor, clavecinista y teórico musical francés, muy influyente en la época barroca. Reemplazó a Jean-Baptiste Lully como el compositor dominante de la ópera francesa y fue duramente atacado por aquellos que preferían el estilo de su predecesor.

30/05/2012 - 08:46h Emprego para a classe C preocupa o governo


Objetivo de programa é evitar que trabalhadores mudem de emprego com frequência e possam manter uma relação de longo prazo com empregadores

30 de maio de 2012

BIANCA RIBEIRO – O Estado de S.Paulo

A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) estuda programas que assegurem aos participantes da nova classe média que continuem a fazer parte dessa classe social mesmo em uma situação de riscos que podem surgir com o agravamento da crise econômica. Dentre as preocupações do governo federal, está a ampliação de relações mais estáveis de trabalho formal.

De acordo com o Secretário de Ações Estratégicas, Ricardo Paes de Barros, o governo quer evitar que os trabalhadores mudem de emprego com tanta frequência em busca de salários e condições melhores de trabalho e possam construir uma relação de longo prazo com seus empregadores. Para isso, uma das propostas em estudo envolveria investimento do governo na capacitação dos empregados que permaneçam na mesma empresa.

“Hoje, a rotatividade no emprego é muito grande. Se antes o grande sonho era ter um emprego formal, agora a meta é ter um emprego formal estável”, disse o secretário, reforçando que o interesse do governo é tornar mais interessante ao trabalhador a permanência no trabalho.

Uma das ideias avaliadas é um sistema de cupom anual, em que o trabalhador ganharia uma qualificação para cada ano de permanência. Com isso, a expectativa é de que o empregado desenvolva um plano de carreira na própria empresa sem precisar se deslocar em busca de melhores ofertas. O governo pagaria essa qualificação, visando a um aumento de produtividade das empresas.

Divisão. O governo federal fatiou a nova classe média em três subclasses definidas pela renda familiar mensal per capita. Agora, a categoria classe média é formada por baixa classe média, com renda entre R$ 292 e R$ 441, seguida de uma média classe média, formada por uma renda per capta de R$ 442 a R$ 641, e por uma alta classe média, com renda entre R$ 642 e R$ 1.019.

Com essa nova configuração, o governo também estima que, neste ano, a chamada classe média é representada por 54% da população. Em 2001, essa fatia estava quantificada em 37% do total.

De acordo com a SAE, a classe alta também foi subdividida em duas categorias: a baixa classe alta, com renda entre R$ 1.020 e R$ 2.480, e a alta classe alta, acima desse valor.

Na classe pobre, os limites também mudaram. São considerados extremamente pobres aqueles com renda de até R$ 81. Os pobres, mas não extremamente pobres, têm renda entre R$ 82 e R$ 162.

30/05/2012 - 08:39h “Nova” classe média ganha até R$ 1.019 per capita

Ruy Baron/Valor / Ruy Baron/Valor
Ricardo Paes de Barros, da SAE: desafio para a nova classe média é a geração de empregos mais estáveis


Por Rodrigo Pedroso | VALOR

De São Paulo

A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) divulgou ontem estudo que estabelece novos critérios para a identificação da classe média brasileira e a define como o grupo composto por famílias com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019, segundo dados da composição da renda em 2009. Atualmente, esse universo representa 54% da população do país.

Em parceria com um corpo de especialistas nas áreas de economia, sociologia e pesquisas de opinião, foram adotados diversos critérios para definir as faixas de renda da classe média, que foi dividida em três subgrupos, como a alocação e a composição da renda. Segundo a SAE, o principal critério observado foi o da vulnerabilidade, ou seja, a chance que a população tem de sofrer decréscimo na renda, e assim retornar à condição de pobreza.

A nova classificação vai servir para o governo tomar medidas que sustentem a emergência da classe média na sociedade brasileira. Em 2001, o percentual da população que se encaixava nesse perfil era de 38%. Já em 2009, a classe alta representava 18%, enquanto a baixa correspondia a 34%. “A expectativa é que a gente entenda melhor e mapeie essa nova classe, que ascendeu nos últimos dez anos e se transformou na maioria da população brasileira”, afirmou Moreira Franco, ministro da secretaria.

A nova classe média foi dividida entre a “baixa classe média”, com renda per capita entre R$ 291 a R$ 441, “classe média”, com ganho entre R$ 441 a R$ 641, e “classe média alta”, com rendimento entre R$ R$ 641 a R$ 1.019.

Os trabalhos para realizar a nova medição começaram em dezembro último, com o último encontro sendo realizado ontem para definir as diretrizes finais. A intenção do governo é fazer com que a nova classe média permaneça como maioria na população brasileira e tenha mais estabilidade, segundo o secretário de Ações Estratégicas da secretaria, Ricardo Paes de Barros.

“A inserção na nova classe média se deu pela expansão do emprego formal. Agora queremos garantir um segundo empurrão nesse mercado de trabalho: a geração de empregos mais estáveis”, afirmou para depois explicar que o foco é o aumento da produtividade do grupo. “Hoje há muita rotatividade nas empresas, o que é ruim tanto para o empregador como para o empregado. O primeiro não investe no funcionário e o segundo dá um retorno menor, pois fica pouco tempo.” Para tanto, o governo estuda políticas específicas, como a criação de incentivos a funcionários e empresas que mantenham vínculos mais longos.

Além da três subdivisões de classe média, mais cinco foram feitas para enquadrar as diferenças de renda no país. A faixa “extremamente pobre”, com renda de até R$ 81, a “pobre mas não extremamente pobre”, com renda entre R$ 162 e R$ 291, a “vulnerável”, com renda entre R$ 291 e R$ 441, a “baixa classe alta”, com renda entre R$ 1.019 e R$ 2.480 e a “alta classe alta”, com renda acima de R$ 2.480. Os valores que compreendem essas denominações foram corrigidos de 2009 até abril deste ano.

A previsão de Paes de Barros é que estudos com a nova metodologia sejam anunciados nos próximos meses.

30/05/2012 - 07:59h Estudo traz sugestões para economia verde no Brasil

VALOR

A transição do Brasil para uma economia verde e sustentável depende da maior frequência de reajustes nos preços dos combustíveis fósseis, com base na variação do barril de petróleo no mercado internacional. É o que aponta coletânea de estudos elaborada pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Para fundação, a quase ausência de aumentos de preços dos combustíveis fósseis no mercado interno impede a competitividade dos biocombustíveis no Brasil.

A coletânea, elaborada dentre agosto de 2011 e maio desde ano, teve patrocínio da Ambev, BNDES, JSL, Light, Shell e Tetra Pak e investimento de R$ 540 mil. Os levantamentos, que contêm propostas para diferentes setores da economia brasileira, foram entregues à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e serão levados à conferência das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, a Rio+20, de 13 a 22 de junho, no Rio.

O diretor superintendente da FBDS, Walfredo Schindler, afirmou que o objetivo dos estudos é trazer propostas para implementação imediata. Como não é objetivo da Rio+20 trazer metas de curto prazo, a expectativa da fundação é que os assuntos sejam conhecidos e discutidos em um primeiro momento, e possam ser tratados com mais atenção após a conferência.

Um dos 12 estudos que compõe a coletânea, intitulada “Diretrizes para uma Economia Verde no Brasil”, defende a incorporação dos impactos ambientais e sociais aos custos da energia. Isso, na prática, elevaria os preços reais da geração fóssil.

“A gasolina vem sendo mantida com preços artificialmente baixos há muito tempo”, disse Schindler. Mas admitiu, no entanto, que as reservas do pré-sal são ativos importantes e o óleo continuará a ter papel de destaque na economia mundial.

Para Schindler, o programa de produção e uso de etanol de cana no Brasil representa “o mais importante programa de energia renovável do mundo e equivale a economia de quase um milhão de barris de petróleo por dia”. Essa análise leva em conta produção de biocombustível líquido e eletricidade. Nos últimos 33 anos, segundo Schindler, a produtividade do etanol aumentou 3,6 vezes. “Hoje, utilizamos 27% da área de cana para produzir a mesma quantidade de etanol produzida nos anos 70″, disse.

Em relação à geração de energia elétrica, Schindler destacou que o Brasil “ainda tem a matriz energética muito limpa” em comparação com a média mundial. Entretanto, ressaltou que a quantidade de termelétricas a combustíveis fósseis tem crescido, principalmente por causa de questões ligadas à segurança energética, dificuldades para obtenção de licenciamento ambiental para hidrelétricas e complicações para o aproveitamento do potencial hídrico amazônico. Segundo ele, dos cerca de 55% do potencial hidrelétrico que ainda há para explorar no país, cerca de 70% está na Floresta Amazônica.

Dentre as propostas para aumentar a geração está o incremento da energia eólica. “De 15% a 20% da nossa demanda poderia ser suprida por meio de energia eólica”, disse Schindler. Segundo ele, entre 2009 e 2011 foram investidos quase R$ 30 bilhões, correspondentes à contratação de uma capacidade de 5.785 MW. Isso permitirá que a participação da energia eólica passe de pouco menos de 1% para mais de 5% da capacidade instalada de geração de energia no país, até 2014.

Outra defesa do estudo é que a modernização de hidrelétricas mais antigas podem trazer ganhos de capacidade de 2,5% a 20%. Segundo Schindler, é possível efetuar programas de repotenciação em instalações que hoje correspondem a 32 GW instalados com custos de R$ 250 a R$ 600 por kW adicionado.

Além disso, o estudo afirma que, com o fim das concessões das usinas hidrelétricas, a partir de 2015, podem ser criadas diretrizes para que empresas e consórcios que fiquem com as concessões invistam em bacias hidrográficas com foco no uso múltiplo da água incluindo setores como agricultura, uso humano e transporte por rios.

29/05/2012 - 22:00h Boa noite


Emil Gilels, piano

MOZART

Vyacheslav Ovchinnikov, conductor

Piano Concerto No. 27 in B-flat major, K. 595
I. Allegro
II. Larghetto in E flat major
III. Allegro
State Academic Orchestra of the Soviet Union
(1979)

Piano Concerto No. 10 in E-flat major for 2 Pianos, K. 365
with Elena Gilels, piano
I. Allegro
II. Andante
III. Rondo: Allegro

Piano Concerto No. 27 in B-flat major, K. 595
I. Allegro
II. Larghetto in E flat major
III. Allegro

State Orchestra of Moscow Symphony
(1983)

29/05/2012 - 19:05h Orfeu


Monteverdi – L’Orfeo (Savall)

29/05/2012 - 09:59h Perú: Declaran estado de emergencia por 30 días en Espinar

Andina

Lima, may. 28 (ANDINA). El Gobierno declaró hoy el estado de emergencia en la provincia de Espinar, región Cusco, con la finalidad de salvaguardar la seguridad de la población y el libre tránsito en esa zona surandina ante protestas violentas contra la empresa minera Xstrata.

La medida tendrá una vigencia de 30 días, tiempo en el cual quedan suspendidas las garantías constitucionales referidas a la libertad y seguridad personal, inviolabilidad de domicilio y el derecho de reunión y de tránsito, según el decreto supremo dado a conocer esta noche en Palacio de Gobierno.

El dispositivo, anunciado por el jefe del Gabinete, Óscar Valdés, agrega que la Policía Nacional se hará cargo del control y el orden público.

Indicó que debido a la magnitud de los hechos acontecidos en las últimas horas se optó por declarar el estado de emergencia en Espinar “para restablecer el orden interno y procurar la defensa y protección de los ciudadanos y los servicios públicos y privados”.

“Nos ratificamos, como gobierno, que queremos el diálogo, en el caso de Espinar hemos llegado hasta el día de hoy intentando infructuosamente dialogar con los dirigentes, quienes han mostrado una posición muy radical (…) es por eso que para salvaguardar la seguridad de todos los pobladores y el libre tránsito, el día de hoy vamos a declarar el estado de emergencia”, afirmó Valdés en conferencia de prensa.

Acompañado por los ministros del Interior, Wilver Calle; del Ambiente, Manuel Pulgar Vidal, y de Energía y Minas, Jorge Merino, Valdés señaló que como ha quedado comprobado con los ataques a la Policía y contra un fiscal, estas manifestaciones son promovidas por sectores extremistas opuestos al diálogo.

Asimismo, señaló que el Gobierno está sentando las bases de una nueva relación con la minería, en la cual prime el respeto al medio ambiente, y donde esta actividad se convierta en un vehículo de desarrollo para los pueblos, preservando el agua.

Por su parte, el ministro del Interior, Wilver Calle, informó que producto de las violentas protestas y enfrentamientos con la Policía, se han registrado dos muertos, uno de ellos identificado como Florentino Mamani Puma.

Explicó que la Policía hizo uso de balas de goma para mantener a raya a los manifestantes, pero luego tuvieron necesidad de emplear sus armas reglamentarias ante los ataques de una horda de manifestantes.

Por el lado de las fuerzas del orden, unos 76 policías resultaron heridos en distintos incidentes, particularmente en en vías que conducen a las minas Xstrata Tintaya y Altapaccay.

También contó que un fiscal, de apellido Herrera, que fue a cumplir con el levantamiento de los cadáveres de las víctimas, fue secuestrado por los manifestantes, y sometido a vejámenes como el de caminar descalzo en una zona donde las temperaturas son muy bajas.

Además, informó que muchos de los manifestantes son de otros lugares, pues muy temprano se advirtió la llegada de 10 vehículos, entre camiones y buses, repleto de pobladores que iban a participar en las protestas.

Un sector de la población de Espinar acata desde hace ocho días un paro contra las operaciones de la empresa minera Xstrata a la cual acusan de contaminar los ríos de la zona.

La protesta propició actos de violencia contra propiedad pública y dos personas fallecidas producto de los enfrentamientos entre sectores radicales y la Policía Nacional.

Oposición respalda declaratoria de emergencia en Espinar


Lima, may. 29 (ANDINA). Congresistas de diversas bancadas de oposición respaldaron la decisión del Ejecutivo de declarar el estado de emergencia en la provincia de Espinar, región Cusco, a fin de preservar el orden y la paz en esta región del país.

Carlos Bruce, Lourdes Alcorta y Luz Salgado.
Carlos Bruce, Lourdes Alcorta y Luz Salgado.

“Me parece una medida acertada, quizás el Gobierno se ha demorado uno o dos días, porque el estado de emergencia se ha debido declarar desde el inicio de estas revueltas, es obligación del Gobierno poner orden en el país”, dijo el legislador Carlos Bruce, de la bancada de Concertación Parlamentaria.

Bruce también demandó investigar quiénes financian las movilizaciones contra la minería en el país, porque “movimientos del extranjero” estarían detrás de ellas, y pidió aplicar “sanciones efectivas” a quienes promueven y conducen protestas violentas.

Por su parte, la congresista Lourdes Alcorta, de la bancada de Alianza Por el Gran Cambio (APGC), consideró “necesaria” la medida adoptada por el Ejecutivo, y consideró que el Gobierno debe aplicar la ley “sin temor alguno”.

“Era necesario hacerlo, es inaceptable, porque no es una protesta, es una turba delincuencial que entra y destroza todo lo que le da la gana; se adueñan de la ciudad, secuestran y torturan a un fiscal, eso no es una paralización, es un acto delincuencial”, dijo.

Asimismo, refirió que la provincia de Espinar tiene ingentes recursos provenientes del canon y sus necesidades insatisfechas son por una gestión deficiente de sus autoridades locales.

También la congresista fujimorista, Luz Salgado Rubianes señaló que al Gobierno “no le queda otra alternativa” que declarar el estado de emergencia ante las violentas protestas en la mencionada provincia cusqueña.

“Me parece que es lo que corresponde al Gobierno porque tiene que imponer la autoridad en un momento en que ya hay ataques a la autoridad, secuestro de una autoridad como el fiscal y dos muertos; se tiene que imponer el orden y el respeto al estado de derecho”, afirmó.

Refirió que hay gente infiltrada con intereses ideológicos que buscan frustrar todo tipo de inversión a nivel nacional.

“Aparentemente aquí hay otros intereses ocultos que hay que desenmascararlos de una vez por todas, engañan a la gente, van con otros supuestos y no quieren el diálogo”, puntualizó.

Un sector de la población de Espinar acata desde hace ocho días un paro contra las operaciones de la empresa minera Xstrata a la cual acusan de contaminar los ríos de la zona.

La protesta propició actos de violencia contra propiedad pública y dos personas fallecidas producto de los enfrentamientos entre sectores radicales y la Policía Nacional.

Para fiscalizar cumplimiento de normas por parte de minera Xstrata, afirma ministro Pulgar Vidal

Gobierno dispuesto a realizar monitoreo ambiental participativo con población de Espinar


disposición a realizar un “monitoreo participativo” con la población de la provincia de Espinar, región Cusco, de las operaciones de la mina Tintaya con el objetivo de fiscalizar el cumplimiento de las normas ambientales.

ANDINA/Oscar Farje
ANDINA/Oscar Farje


El ministro del Ambiente, Manuel Pulgar Vidal, dijo que este “monitoreo participativo” busca reforzar la confianza de la población sobre el trabajo de los organismos estatales encargados de fiscalizar el cumplimiento de los compromisos ambientales por parte de las empresas mineras.

La posibilidad de realizar este estudio conjunto, añadió, se plasmó en el acta suscrita el 20 de abril por los representantes del Ejecutivo y la Municipalidad Provincial de Espinar y las principales organizaciones sociales de esa localidad.

“La idea del acta era definir un monitoreo participativo con el fin de que el resultado de estas acciones de fiscalización o monitoreo pudieran generar en la población la confianza sobre sus resultados”, manifestó.

Asimismo, subrayó que el Ministerio del Ambiente ha preparado un Plan de Intervención Sanitario Ambiental para la provincia de Espinar que incluye un conjunto de acciones entre los cuales el más importante es definir con la población las coordinaciones para el monitoreo participativo.

“Este monitoreo es de absoluta voluntad del gobierno; el Ministerio del Ambiente y de cada uno de los ministerios representados y es lo que el equipo negociador intentó negociar estando en espinar”, manifestó.

Pulgar Vidal precisó que el plan incluye monitoreo de sedimentos, aguas superficiales, aguas subterráneas, afluentes, suelos, identificación de vertimientos, entre otras acciones.

“Es absoluta voluntad del gobierno poder hacer este monitoreo participativo como una muestra de la vocación del diálogo y del deseo que tenemos de generar entendimiento con la población”, subrayó.

Un sector de la población de Espinar acata desde hace ocho días un paro contra las operaciones de la empresa minera Xstrata a la cual acusan de contaminar los ríos de la zona.

La protesta propició actos de violencia contra propiedad pública y dos personas fallecidas producto de los enfrentamientos entre sectores radicales y la Policía Nacional.

29/05/2012 - 08:53h Governo federal municia PT em embate sobre transportes


VALOR

Em meio a troca de acusações entre PT e PSDB por conta do caos no metrô de São Paulo, o governo federal municiou ontem petistas com dados sobre os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em mobilidade urbana em São Paulo. Petistas tentam rebater o vínculo feito por tucanos entre os problemas na área de transportes à suposta ausência de repasses federais.

Ontem, em seminário do PT sobre mobilidade urbana, o Ministério do Planejamento divulgou dados que mostram que São Paulo ficará com quase metade do investimento em transporte do PAC 1, do PAC mobilidade e dos recursos para obras nessa área voltadas para a Copa de 2014.

O secretário do PAC, Maurício Muniz Barretto de Carvalho rebateu o discurso do PSDB de que a União não ajudou São Paulo na área de Transportes. “Vamos deixar claro quais são os investimentos do governo federal”, afirmou o representante do governo federal, no início da apresentação. Muniz detalhou projetos em São Paulo que receberão recursos do PAC e afirmou que o governo federal destinou R$ 1,850 bilhão para a linha 2 do metrô, entre outros investimentos. Ao falar sobre a destinação de recursos para obras da Copa de 2014, o secretário do PAC disse que São Paulo vai receber quase tanto quanto o Rio de Janeiro: R$ 1,882 bilhão. O recurso será para a construção do monotrilho que vai ligar o aeroporto de Congonhas até a estação da CPTM do Morumbi. O Rio, comparou, terá R$ 1,884 bilhão.

Segundo Muniz, os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff planejaram R$ 50 bilhões para obras de mobilidade urbana em Estados e municípios. Desse montante, São Paulo receberá R$ 21 bilhões.

“Não dá para falar que o governo federal não apoia, não contribui com Estados e municípios em mobilidade”, afirmou Muniz, ex-funcionário do metrô paulista. “Existe, sim, uma participação forte do governo federal apoiando transporte urbano, mobilidade urbana”, disse, no seminário, na Assembleia Legislativa.

Ao detalhar a origem dos R$ 21 bilhões, no entanto, o secretário mostrou que dos cerca de R$ 21 bilhões, R$ 1,3 bilhão será de recursos próprios da União. O Estado e municípios paulistas terão de dar uma contrapartida de R$ 11 bilhões. O restante virá de financiamento.

O esforço do governo federal em divulgar seus investimentos no Estado é uma resposta às declarações do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de que “não tem um centavo do PT” no metrô e nos trens de São Paulo. A colisão de dois trens do metrô há duas semanas, que deixou pelo menos 49 pessoas feridas, e a greve dos metroviários na semana passada reacenderam o debate entre PT e PSDB sobre os problemas de mobilidade urbana no Estado. Na mesma linha de Alckmin, o ex-governador e pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, reforçou as críticas ao PT, na tentativa de defender sua gestão no governo paulista.

O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, criticou Alckmin pelo demora na expansão do metrô. Segundo o petista, não há obras de escavação em curso no Estado. Haddad atacou também o prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD), por não ter construído corredores de ônibus durante sua gestão, que ajudariam a desafogar o metrô. “Cada gestão pode construir entre 250 e 300 quilômetros de corredores de ônibus. A gestão Serra/Kassab não fez nada por puro preconceito contra o transporte coletivo”.

Durante o seminário, deputados do PT destacaram estudo da bancada do partido na Assembleia Legislativa que mostra que os governos Lula/ Dilma emprestaram 226% a mais que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para obras de expansão da CPTM e do metrô. De acordo com os dados do PT, o São Paulo contraiu R$ 4,6 bilhões em empréstimos durante a gestão FHC ante R$ 15,24 bilhões nas administrações petistas.

O governo de São Paulo, via assessoria, rebateu as informações divulgadas pelo governo federal e disse que o Estado não recebeu “nem um centavo” da União para investimento em mobilidade urbana. Segundo o governo paulista, a única obra na área de Transporte com recursos do governo federal é o Rodoanel, além da promessa de investimento na linha 18 do metrô, a ser construída.

24/05/2012 - 22:00h Boa noite


W.A. Mozart Concerto in re min. K.V. 466 (completo) – Martha Argerich in Giappone

24/05/2012 - 19:01h Lucia di Lammermoor


Lucia di Lammermoor – Gaetano Donizetti – 1992

Lucia – Mariella Devia
Edgardo – Vincenzo La Scola
Enrico – Renato Bruson
Raimondo – Carlo Colombara
Arturo – Marco Berti
Alisa – Ernesto Gavazzi

Conductor – Stefano Ranzani
Orchestra – Teatro alla Scala
Chorus – Teatro alla Scala

24/05/2012 - 10:49h Perú: Se pone en marcha modernización de la Refinería de Talara

Jueves, 24 de mayo de 2012

Société Générale buscará en el mercado internacional la estructuración del crédito de largo plazo.

Carlos Bessombes B. – LA REPÚBLICA

El primer paso para el inicio del Proyecto de Modernización de la Refinería de Talara (PMRT) está dado. Petroperú y Société Générale suscribieron el contrato en el que el banco francés será el estructurador financiero del PMRT, cuyo costo estimado es de US$ 1.711 millones, el que aproximadamente en julio se conocerá el monto de inversión final que se requiere.

Al respecto, Humberto Campodónico, presidente del directorio de Petroperú, explicó que mediante la Carta de Mandato Petroperú delega a Societé Générale el análisis, evaluación, diseño y ejecución de la estructura financiera integral del PMRT y dirigir el due diligence (diligencia debida) para este fin.

“Adicionalmente, se contratará a una empresa de prestigio internacional que hará la evaluación económico-financiera para garantizar la viabilidad de la inversión. Además, se contará con la asesoría de la empresa internacional Purvin & Gertz para el estudio de mercado y precios”, indicó.

Paul Miquel, director ejecutivo de Société Générale para Perú, Chile y Colombia, recordó que no es la primera experiencia de la firma en el país, al haber participado en el financiamiento de grandes proyectos como en el caso de Perú LNG, centrales hidroeléctricas, transmisión de energía y en temas de infraestructura en general.

“Creemos que podemos aportar capacidades a nivel mundial en términos de estructuración de financiamiento, y poner la tecnología financiera de punta al servicio de Petroperú y del Perú”, apuntó.

Resurge la estatal

El ministro de Energía y Minas, Jorge Merino, aseveró que con la firma de este contrato se está demostrando que el Perú quiere más inversión responsable, además que con la inclusión de la estatal se estaría frente al ineludible hecho del renacimiento de Petroperú.

“El siguiente paso será la vuelta al upstream, el Gasoducto del Sur, entre otros”, dijo Merino.

Alfonso Zárate, presidente de la Corporación Financiera de Desarrollo (COFIDE), sostuvo que este proyecto no solo significa muchas ventajas sino un enorme procesamiento patrimonial a la estatal.

“Agradezco a la petrolera por permitirnos participar y espero que en los próximos proyectos que emprenda el Perú siempre considere a Cofide como su brazo financiero”, añadió Zárate.❧

Crédito puente para gasoducto

Jorge Merino, titular del MEM, señaló que con el fin de ejecutar el Gasoducto Sur Andino se solicitará un crédito que será determinado al finalizar los estudios técnicos encargados a la Corporación Andina de Fomento(CAF).

Agregó que la obra por ser un proyecto de interés nacional requiere previamente un análisis técnico, encargado al CAF, donde se evalúa el ingreso de Petroperú y que está a punto de culminarse. “Como se entenderá, hay un primer tramo, habrá un crédito puente, creo que responde a un préstamo como cualquier proyecto privado; ese crédito va a ser determinado luego de que se reciban las recomendaciones de la CAF”, explicó.

24/05/2012 - 10:34h Línea 2 del Metro de Lima se adjudicaría en último trimestre del 2013

Miércoles, 23 de mayo del 2012

Proinversión argumentó que esta línea está diseñada para poder movilizar al 25% de la población de Lima Metropolitana, lo cual es un objetivo trascendental.

GESTIÓN

LIMA (Andina).- La Línea 2 del Sistema Eléctrico de Transporte Masivo de Lima y Callao, Metro de Lima, sería adjudicada en el último trimestre del próximo año, señaló hoy la Agencia de Promoción de la Inversión Privada (ProInversión).

El director ejecutivo de ProInversión, Milton von Hesse, indicó que la inversión en este proyecto sumaría 3,000 millones de dólares y será clave para tener una red de transporte público masivo en Lima Metropolitana.

“En su primer tramo, la Línea 2 llegará a la Estación Central donde se juntará con la Línea 1 del Metropolitano, con lo cual Lima empezará a tener una red de transporte público masivo”, dijo.

La importancia de esta línea es que es diseñada para poder movilizar al 25% de la población de Lima Metropolitana, lo cual es un objetivo trascendental.

“Nuestros estimados preliminares dicen que esto permitiría reducir en 50% el tiempo que los limeños invierten en desplazamiento”, recalcó.

Refirió que han mostrado interés por este proyecto empresas peruanas; brasileñas; españolas, entre las cuales figuran empresas especializadas; así como inglesas, italianas, coreanas y japonesas.

“Hay mucho interés por este proyecto. Hay interesados en financiar la obra y asesorarnos con los trabajos de consultoría para desarrollar el proyecto, hay interesados en operarlo, es decir ser los concesionarios de la línea”, en fin en diversos temas”, dijo.

Asimismo, expresó que ProInversión está en pleno proceso de selección de los asesores internacionales y paralelamente el Ministerio de Transportes y Comunicaciones (MTC) afina los estudios de demanda, actualizándolo con la cooperación internacional.

“Ya se realizó el concurso para conseguir consultores especializados en distintos temas necesarios para la concesión, como estructuración financiera, análisis técnico económico, análisis de ingeniería, entre otros”, manifestó.

Von Hesse presentó hoy la Línea 2 como parte de los diez principales proyectos de infraestructura de la cartera de ProInversión en el foro “Los 100 principales proyectos estratégicos de infraestructura en América Latina”.

Los otros proyectos son la Masificación del Uso de Gas Natural a Nivel Nacional, la Central Hidroeléctrica de Molloco, el Sistema de Abastecimiento de Gas Natural Licuado (GNL) para Mercado Nacional, y la Línea de Transmisión Moyabamba- Iquitos 220 Kilovoltios (Kv).

Asimismo, el Proyecto Chavimochic, el Nuevo Aeropuerto Chinchero Cusco, también el Terminal Portuario General San Martín (Ica), la Panamericana Sur y la Navegabilidad en los Ríos de Ucayali – Huallaga – Marañón y Amazonas y la Panamericana Sur – Ica Frontera con Chile.

24/05/2012 - 10:34h Perú: El proceso importa (Editorial El Comercio)

El Comercio (Editorial)

Es el Congreso el que debe aprobar los cambios tributarios que quiere llevar a cabo el MEF
Jueves 24 de mayo de 2012

Este Diario criticó que el Ministerio de Energía y Finanzas (MEF) propusiese una “reforma” tributaria que básicamente consistía en subir los impuestos para los pocos peruanos que los pagan. El ministro Castilla enmendó luego la plana al funcionario que hizo salir la idea del MEF (porque sí salió del MEF) y especificó que está pidiendo al Congreso facultades legislativas en materia tributaria solo para hacer otro tipo de cambios. Nosotros saludamos esta rectificación, pero aún así nos oponemos a que se otorguen al MEF estas facultades. Salvo en situaciones excepcionales, es el Congreso el que debe dar las leyes, especialmente cuando se trata de materia tributaria.

Nuestra postura se basa en una cuestión de principio. Que sea el Congreso el que cree y regule los impuestos garantiza que el Estado no nos ordene transferirle tal o cual parte de nuestra propiedad de tal o cual forma (de eso trata el derecho tributario) sin que al menos hayamos oído sus razones para hacerlo y sin que hayan podido participar en el debate los representantes de todos.

Estas dos garantías no son poca cosa: de hecho, es justamente para que el monarca no pudiera decidir unilateralmente sobre impuestos que se crearon los parlamentos. Después de todo, sin debate público no hay posibilidad de fiscalización por parte de la ciudadanía y, por otra parte, sin participación de la oposición no hay verdaderos debates. El Congreso puede equivocarse – como, de hecho, puede hacerlo también el Ejecutivo– pero al menos lo hace teniendo que exhibir y discutir sus razones bajo la mirada ciudadana.

Adicionalmente, la publicidad y la participación de varios grupos con intereses diferentes hace más difícil que el Congreso sea capturado por lobbies a que lo sea un pequeño equipo de técnicos que no solo está bajo el mando de un mismo político, sino que toma sus decisiones en una especie de cuarto oscuro en el que nadie puede ver qué pasa hasta que sale de él un hecho consumado.

Quienes, como la Confiep, respaldan esta delegación del poder de legislar, dan dos argumentos. El primero, que se trata de un asunto “técnico” que puede solo ser eficientemente resuelto por expertos. Y el segundo, que en el Perú tradicionalmente se delega la materia tributaria al Ejecutivo.

Es verdad que no todo el mundo ni, ciertamente, todos nuestros congresistas, entienden las implicancias de, digamos, mover de determinada manera las deducciones o crear un impuesto selectivo vis a vis uno general. Pero también es verdad que la mayoría de ellos tampoco entiende las consecuencias de, por ejemplo, poner un límite a la tenencia de tierras y, sin embargo, no vemos que por eso se delegue dicha materia al Ejecutivo.

Si vamos a vivir en democracia, los técnicos tienen que poder explicar y los congresistas han de tener asesores que los ayuden a entender. Lo que no podemos tener es técnicos que pretendan emplear su conocimiento como un salvoconducto para usar un manto mágico de invisibilidad mientras se mueven entre nosotros decidiendo sobre nuestras vidas. Particularmente, teniendo en cuenta que son muy pocos los temas sobre los que existe una única opinión técnica y que en los más de los casos lo que hay es tan solo una serie de opiniones técnicas diferentes (basta con ver el actual debate mundial entre los economistas defensores de la austeridad y los keynesianos). Una vez comprendidas las posturas de los técnicos, las decisiones finales suelen ser más una cuestión de valores y prioridades y esto es algo sobre lo que siempre es mejor que se decida a la luz pública y sin quitarle a nadie su derecho a voz y voto.

En cuanto al argumento de la tradición, por su parte, solo podemos contestar con el gran juez Holmes: la idea de que algo deba de hacerse de una determinada manera porque “siempre ha sido así” es intelectualmente repulsiva.

Tenemos el mayor respeto por la labor que viene haciendo el ministro Castilla y no tenemos por qué dudar de que usaría con inteligencia las facultades que está pidiendo. Pero creemos que ayudaría todavía más al país y a sus procesos democráticos si, en el camino de tomar buenas decisiones, hace el esfuerzo adicional de explicar y convencer.

24/05/2012 - 10:20h Los Correos y Perú.21

Peru21
Palma tenía acceso a los correos de casi 20 ministros y altos funcionarios de este y el anterior gobierno. Accedía a los proyectos de ley que se iban a votar en las agendas del Consejo de Ministros (ver abajo), estrategias reservadas de política internacional y combate a la minería ilegal.


CARETAS

Entre marzo y abril, el ex periodista de Perú.21 Rudy Palma ingresó 967 veces al correo del ministro José Luis Silva. Las contraseñas eran complejas y no podían adivinarse por juego deductivo, como lo describió el redactor. Nuevos indicios aparecen.

Hasta ahora, el caso de Palma (35), encarcelado por orden judicial, primero en Lurigancho y desde el lunes 21 en Piedras Gordas II, ha sido narrado como el de un fisgón, un retraído voyeurista informático que intervenía cuentas de correos electrónicos sin más consecuencias que el callado almacenamiento en su disco duro de los datos interceptados.

Pero la frecuencia de acceso a los correos del titular de Comercio Exterior y Turismo, en promedio más de 25 veces diarias durante el mencionado período, no puede hacer más que plantear interrogantes.

Los Chuponeados

El segundo dato que salta a la vista se encuentra en el oficio emitido el 16 de mayo por el fiscal adjunto provincial Víctor Tullume Pisfil al fiscal superior Tonny García Cano, de la Segunda Fiscalía Superior Especializada en Criminalidad Organizada, al que accedió CARETAS.

En el oficio Tullume da cuenta de la queja de la Procuraduría Pública de la Presidencia del Consejo de Ministros por no incluir a Fritz Du Bois, director del tabloide propiedad del grupo El Comercio, entre los denunciados penales.

Ahí se lista el grupo de funcionarios cuyos correos fueron interceptados, además del de Silva y de la viceministra de Turismo Claudia Cornejo Mohme: en el MEF fueron víctimas José Carlos Chávez Cuentas, Óscar Arturo Pajuelo Ramírez (director general de contabilidad pública), Jorge Manuel Mesinas Montero (director de calidad del gasto público), Roger Siccha Martínez (jefe de recursos humanos) y Wilfredo Silva Lozada (director de la Oficina General de Planificación, Inversiones y Presupuesto).

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Las Contraseñas

Según declaró en su primera indagatoria del 26 de abril, Palma obtuvo las contraseñas “por deducción propia. El usuario era el mismo que la clave. Cuando entré al diario me lo dieron así e imaginé que sucedía igual con otras entidades”.

Se trata de un punto clave de contingencia.

Según fuentes consultadas en las dependencias de los afectados, las contraseñas sí eran complejas y muy difícilmente podría haber llegado a todas ellas a través de un simple juego deductivo.

En la misma declaración, Palma reconoció además que tuvo en su poder la contraseña del ex ministro de Trabajo, Rudecindo Vega, y la del correo de Juan Gastañeda, asesor de Silva, a la que había accedido recién en los días previos. El correo de Roger Siccha fue el último al que entró antes de ser detenido el 25 de abril.

En su segunda indagatoria ofrecida el 3 de mayo elaboró sobre los correos que intervino durante el gobierno anterior. Sus blancos fueron:
–Jorge del Castillo (ex PCM).
–Enrique Cornejo (Transportes y Comunicaciones).
–Jorge Villasante (Producción).
–Ántero Flores Aráoz (Defensa).
–Iván Hidalgo (Programa Juntos).
–Carlos Casas, ex viceministro de Economía.
–Fernando Toledo, ex viceministro MEF.
–Ismael Benavides, ex ministro de Economía.
–Rosalía Álvarez, ex secretaria Ejecutiva de Hacienda.

Es decir, Palma, que trabajaba en el diario desde 8 años atrás, se dedicaba a hackear correos de altos funcionarios por lo menos desde 2008.

¿Por qué entonces su discreción, aparentemente cultivada durante años, se fue al traste de un momento a otro?

Extraño Chantaje

El mes pasado Silva comenzó a recibir correos con visos de chantaje y amenazas, relacionados a su vida personal. Las comunicaciones provenían de un tal “Gonzalo Carrillo”.

En ese momento el Mincetur comenzó a rastrear los probables ingresos irregulares al correo del ministro, a partir de lo que se llegó al IP de Perú.21.
Otro correo con similar contenido llegó el 16 de abril de 2012 a las 19:15, pero, en un alarde de osadía, fue recibido por la mayoría del personal del ministerio. Dos días después, a las tres de la tarde, otro más llegó a la bandeja de entrada de la esposa de Silva, Giselle Durand.

Silva se apersonó hasta 3 veces a la Dirincri para presionar por el seguimiento de la investigación policial. Lo mismo hicieron tres fiscales, que incluso llegaron a esa dependencia un domingo.

El ministro visitó el diario el 23 de abril a las 9 de la noche, por espacio de una hora. Así lo confirmó El Comercio en su editorial del domingo 20:

“Antes de que hubiese una investigación oficial, (Silva) se presentó a las oficinas de la empresa en su afán de averiguar el origen de las intromisiones detectadas en los correos electrónicos de su ministerio. Los técnicos de la empresa hicieron saber que los datos que había traído el ministro correspondían a la computadora usada por Rudy Palma en Perú.21. Ese diario permitió al día siguiente, sin necesidad de orden judicial, que la Policía y la fiscalía interviniesen la PC que usaba Palma”.

El redactor ha negado en sus manifestaciones que los correos amenazadores que recibían Silva y su esposa, y que hicieron saltar la liebre, fueran enviados por él. Hasta ahora las investigaciones no han probado lo contrario.

Sin embargo, algunos de los correos que tenía Palma, pues los reenviaba a sus propias direcciones desde las cuentas de los hackeados, son los mismos que fueron adulterados y usados como insumo por los chantajistas.

¿Palma fue a su vez chuponeado o acaso entregó los correos a un tercero?

La Información

El periodista ha reconocido a la Policía que “sí utilizaba la información que consideraba de interés público para escribir artículos, tales como traspaso de los consejeros comerciales de Cancillería a Mincetur, medidas para la reducción de los costos portuarios, medidas para promocionar la marca Perú, entre otros”.

El cargo más grave que le hace el Ministerio Público en su denuncia es el de los delitos contra el Estado y la Defensa Nacional, por la publicación de dos artículos a partir de información interceptada: uno sobre la negociación de un convenio algodonero con Venezuela, y el trámite para permitir el ingreso de una unidad naval y personal militar de Chile en territorio peruano en septiembre pasado, en el marco de actividades con Fuerzas Armadas extranjeras.

Por ello podría recibir hasta 15 años de prisión, y se trata de una acusación ciertamente discutible.

Pero el premier Óscar Valdés sí debe haber considerado muy delicado que Palma accediera con anticipación a las agendas de los Consejos de Ministros. Solo así se explica que la procuraduría de su sector se haya puesto detrás del caso. Palma, por ejemplo, tenía conocimiento de las discusiones sobre los recientes proyectos de ley que permitieron declararle la guerra a la minería ilegal y las recomendaciones de la cancillería sobre la estrategia a seguir en desacuerdos en la Comunidad Andina.

Sostiene que “en alguna ocasión” pasó información a sus colegas de la sección política, Carmen Mendoza y Dan Flores.

El pasado 11 de diciembre, tras la renuncia de Salomón Lerner a la PCM y el anuncio de Valdés como su reemplazante, la incertidumbre persistía sobre el resto de carteras. Todos los diarios salieron con apuestas diferentes pero solo Perú.21 acertó en cada una de las predicciones.

Durante toda esa mañana, Palma twitteaba información privilegiada para sus 2,177 seguidores. Adelantaba que el “ministro de Comercio Exterior, José Luis Silva, continuará en el cargo” y “Al mediodía en Palacio, habrá reunión de coordinación del nuevo gabinete ministerial”.

Palma asegura que “la información obtenida solo fue utilizada por mi parte para elaborar informes periodísticos. No me he beneficiado económicamente con esta información”.

A pesar de todo, es evidente que solo publicaba una mínima parte del torrente de datos con los que contaba.

¿El resto de información se quedó en su computadora, ahora lacrada por las autoridades, igual que su laptop?

Un Contexto Peligroso

El grupo El Comercio ha cuestionado que se busque establecer la existencia de una organización, cuando Palma “actuaba solo”.

En ese sentido, se abocó a criticar la orden de captura emitida contra la editora Gina Sandoval, que fue finalmente revocada el lunes 21.

Sin embargo, fue el propio Du Bois quien en su declaración policial del 2 de mayo explicó que “obligatoriamente los redactores informan las fuentes donde obtuvieron las noticias. Nosotros no publicamos noticias que sean de fuentes desconocidas, es decir, la editora tiene conocimiento de dónde el redactor obtuvo la información”.

El director del diario limitó su propia labor a establecer “lineamientos generales de las noticias que deben ser publicadas”, mientras que “el editor (es el) encargado de revisar las notas y corroborar su veracidad”.

Se entiende, pues Du Bois tiene otras ocupaciones. Actualmente ocupa puestos en los directorios de JJC Contratistas Generales, AFP Integra, el grupo pesquero Austral, la distribuidora de gas Cálidda e Intergroup Financial Services, con sede en Panamá.

También ha sido puesta en cuestión la severidad mostrada con Palma, que inicialmente fue enviado a un infernal penal para reincidentes y delincuentes peligrosos como lo es Lurigancho.

Algún cambio en la percepción del caso debió operarse en el decano, pues Palma, que ganaba S/. 3,500 mensuales, reemplazó a su abogado entre su declaración del 26 de abril y la del 3 de mayo. De Carlos Montes de Oca pasó a tener como defensor a José Luis Malaver.

La historia parece ir para largo.

En tiempos que se sigue discutiendo una peligrosa ley que podría terminar por prohibir la publicación de todo material cuyo origen haya sido la interceptación, incluso cuando lo justifiquen auténticas razones de interés público (CARETAS 2211), se hace urgente separar la paja del trigo y practicar una sana profilaxis en el oficio periodístico.

Resulta más intolerable que nunca que el “chuponeo” se practique dentro de las redacciones. Si no hay que ver el ejemplo del imperio tambaleante de Rupert Murdoch. Fue un diario respetado en el Reino Unido, The Guardian, el que puso en evidencia la metástasis de interceptaciones de las comunicaciones privadas como método de pesquisa periodística en Inglaterra. Y el resto de medios tampoco respondió con el silencio.

24/05/2012 - 09:50h Para Krugman, Europa não deve temer a inflação

Economista defende afrouxamento da política monetária

O GLOBO

BERLIM. Em entrevista à revista alemã “Der Spiegel”, o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman afirmou que não é hora de se preocupar com dívida e inflação. Para salvar a zona do euro, disse, o Banco Central Europeu (BCE) precisa afrouxar a política monetária, e a Alemanha, deixar a austeridade de lado. “Precisamos ver uma inflação acima de 3% nos próximos cinco anos”. Para Krugman, as políticas de crescimento que vêm sendo discutidas pela União Europeia (UE) equivalem a usar “uma pistola d’água contra um rinoceronte”. Sobre a Grécia, ele disse não ver alternativa senão o país deixar a zona do euro. Mas admitiu que isso poderá provocar uma corrida bancária em outros países periféricos do bloco, já que o precedente terá sido estabelecido.

Com relação à austeridade defendida pela Alemanha, Krugman disse que a experiência já dura dois anos e meio, e o único resultado foi o elevado desemprego — na Espanha, atingiu 24%. “Com o desemprego
nesse patamar, o estrago é cumulativo. As vidas das pessoas estão sendo destruídas.” Para Krugman, a Alemanha tem de permitir que o BCE relaxe no controle da inflação. “Nada de subir as taxas de juros ao menor sinal de inflação”, afirmou. “Emprestem abertamente a governos e bancos.” Ele disse que a atuação do BCE equivaleria às medidas de estímulo do governo americano. Perguntado se isso não incharia ainda mais os déficits orçamentários, Krugman citou o economista John Maynard Keynes: “É na expansão, não na desaceleração, que se deve adotar políticas de austeridade.”

24/05/2012 - 08:57h Na primeira seca do Bolsa Família, fome ainda assusta

Murillo Camarotto/Valor
Murillo Camarotto/Valor Maria do Socorro da Silva (quarta a partir da esquerda) tem a ajuda da aposentadoria de uma filha para sustentar a família: “Só a Bolsa Família não dava conta”


“Juá não cai no seco.” Segundo os populares de Cabrobó, no sertão do São Francisco, em Pernambuco, a máxima é centenária e jamais havia sido desmentida até 2012, ano que promete ser lembrado nas próximas décadas com uma das secas mais severas já vistas no semiárido nordestino. Em abril deste ano, quando deveria estar chovendo, o pequeno fruto amarelado encontrou pela primeira vez o chão esturricado ao cair do juazeiro. A estiagem em curso também desafia a eficácia do Bolsa Família no combate à fome, uma ilustre conhecida que ainda assombra os sertanejos.

De acordo com o Ministério da Integração Nacional, 769 municípios nordestinos estão oficialmente em estado de emergência. A maior parte está na Bahia, com 214 cidades, seguida pela Paraíba, com 172, e o Piauí, com 140. O número de pessoas afetadas está estimado em 12 milhões, praticamente toda a população do semiárido, onde a quantidade de chuva é, em média, 50% inferior à registrada em anos anteriores. O prejuízo para a economia do Nordeste, segundo o ministro Fernando Bezerra, poderá passar dos R$ 12 bilhões.

Na região de Cabrobó, localizada no chamado “polígono da maconha”, a última chuva caiu no dia 19 de março, ainda assim em volume irrisório. Números do governo pernambucano apontam um recuo de 62% no nível de chuvas registradas nessa localidade entre janeiro e maio, se comparado ao mesmo período de 2011, que já foi considerado baixo. As águas normalmente caem entre janeiro e maio, em um regime com o qual o sertanejo já está habituado e consegue se planejar minimamente, complementando com agricultura o Bolsa Família, que se tornou a principal fonte de renda da maioria das famílias.

“No ano passado a gente plantou milho, feijão, abóbora, mandioca e até melancia. Em um ano normal, dá para o cabra comer”, explica o lavrador Belmiro Carvalho de Souza, que vive na comunidade Murici Novo, zona rural de Cabrobó. Com 67 anos de semiárido, ele diz jamais ter visto uma seca tão árdua. Como muitos outros no sertão pernambucano, seu Belmiro menciona a estiagem de 1993, quando o desespero da fome resultou em violência e saques. Ainda assim, garante que a aridez é maior neste ano. “A seca está um perigo, o açude está secando e para beber mesmo só a água do carro-pipa”, relata.

Apesar do menor volume de chuva, o veterano em secas diz que a vida melhorou no semiárido. Os programas de transferência de renda do governo federal, especialmente o Bolsa Família, tornaram menos aterrador o quadro típico da seca, com migrações em massa e pessoas morrendo de fome. Antes das bolsas, as alternativas de sobrevivência se resumiam à fabricação de carvão – na qual muitos sertanejos adoeceram – e às chamadas emergências, em que as pessoas trabalhavam cavando poços em troca de cestas básicas.

“Comparando a seca deste ano com a de 1993, não há dúvida de que a atual é mais severa, porém com impacto menor sobre a vida das pessoas”, avalia Diolando Saraiva, técnico da ONG Caatinga, que dá assistência técnica a famílias pobres na região de Ouricuri, no sertão do Araripe, também em Pernambuco. Segundo ele, o dinheiro do Bolsa Família garante a alimentação de quase todos no semiárido. Quase, porque ainda há muita gente passando fome nos rincões do Nordeste, especialmente nas famílias mais numerosas.

É o caso de seu Belmiro, que gastou alguns minutos para contabilizar o número de bocas alimentadas diariamente em seus domínios. E não conseguiu. “Umas 24, mais ao menos”, disse o velho sertanejo, referindo-se à numerosa família, distribuída em três casas, cada uma com uma bolsa do governo. Ao todo, são R$ 530 mensais para todo mundo, ou pouco mais de R$ 22 por pessoa. “Isso quando não aparece um parente ou vizinho precisando de ajuda”, emendou Aurora Alves de Souza, esposa de Belmiro. “Às vezes não tem nem a bolacha, e tem gente que vai dormir com fome”, ela confessa.

Murillo Camarotto/Valor
Murillo Camarotto/Valor Belmiro de Souza: “A seca está um perigo, o açude está secando e para beber mesmo só a água do carro-pipa”


Ainda no sertão do São Francisco, em uma minúscula casa de taipa no povoado de Cachoeirinha, a dona de casa Maria do Socorro da Silva vive drama semelhante. A seca devastou a pequena plantação de milho e o “comer” da família de nove pessoas ficaria por conta dos R$ 268 do Bolsa Família, não fosse a aposentadoria por invalidez de uma das filhas, que tem uma doença mental. Muito encabulada, ela chamou de “sorte” o fato de receber o benefício. “Se não tivesse isso, a gente passava fome. Só a Bolsa Família não dava conta.”

Mesmo insuficiente para garantir a alimentação adequada de muitos, o programa é exaltado no semiárido. O incremento na renda é percebido nas casas sertanejas, ainda muito humildes, mas quase todas com eletrodomésticos. As motocicletas estão por toda parte, cortando as estradas de terra seca e deixando sem utilidade os jumentos, que ficam perambulando a esmo pelas rodovias. Outro sintoma é a enorme quantidade de lixo acumulado, mesmo nos povoados mais pobres. “Isso é reflexo do maior acesso a bens industrializados”, explica Eliel Torres, técnico do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).

Ele explica que a primeira grande seca do século XXI apresenta sertanejos mais atentos aos seus direitos. “Olhando para trás, percebemos agora que há também a fome de cidadania. O agricultor quer botar seu filho na escola, quer comprar uma roupa”, conta ele, que há anos acompanha as famílias pobres da zona rural de Cabrobó. “Antes, só comer já era lucro. Tinha situações em que não havia nem a farinha. O cara achava que aquela era sua sina. Agora é diferente”, completa.

Criado para expandir os efeitos do Bolsa Família, o programa Brasil Sem Miséria está prestes a completar um ano, mas ainda engatinha no sertão de Pernambuco. A ONG Caatinga venceu a chamada pública para coordenar na região um dos braços do programa, chamado Fomento, pelo qual cada família identificada – com renda mensal inferior a R$ 70 por pessoa – recebe R$ 2,4 mil, em três parcelas, para investir na melhoria da atividade produtiva.

“Primeiro, fazemos um diagnóstico, para saber qual a atividade mais adequada. Pode ser criação de galinha, de caprinos, produção de hortaliças, entre outras. Depois, juntamos todos os membros da família e distribuímos as tarefas. Aí partimos para a implantação”, explicou o técnico da ONG. Depois dessa etapa é feito o acompanhamento, que vai do controle de pragas ao manejo dos resíduos. O programa, diz ele, ainda está na fase de diagnóstico.

Ontem, um grupo vinculado à Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), ocupou o Ministério da Fazenda até às 11 horas da manhã, reivindicando crédito e medidas para mitigar a seca. O ministério informou que vai analisar os pedidos e marcou para hoje uma reunião do grupo com o secretário-adjunto de Política Agrícola da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, João Rabelo. Além de medidas emergenciais, os manifestantes pedem mais recursos para a agricultura familiar, mais acesso a terras, reforma agrária, além de restruturação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), explicou a coordenadora-geral da Fetraf-Brasil, Elisângela Araújo.

23/05/2012 - 22:00h Boa noite


Till Fellner (piano)
Hubert Soudant
Mozarteum-Orchestre Salzburg
Januar 1998 Mozarteum

23/05/2012 - 19:15h Il dolce suono


Il dolce suono – Mariella Devia – Lucia di Lammermoor

Lucia di lammermoor 1992
Teatro Alla Scala
Mariella Devia, La Scola, Bruson
conductor Ranzani

23/05/2012 - 10:45h Programa habitacional é a maior aposta de Chávez em ano eleitoral

Reuters - 30/12/2011 / Reuters - 30/12/2011
Hugo Chávez brinca com criança durante entrega de apartamentos do “Gran Misión Vivienda”, em Caracas


Por Fabio Murakawa | VALOR

De Caracas

Vitaminado pelos dólares do petróleo, o principal programa social do governo venezuelano está fazendo bombar a economia do país e a popularidade o presidente Hugo Chávez, no ano em que ele tenta se reeleger para um novo mandato de seis anos.

Inspirado no brasileiro Minha Casa, Minha Vida, o “Gran Misión Vivienda” foi lançado em meados do ano passado com a meta de zerar, até 2018, o déficit habitacional da Venezuela. Desde o lançamento, o governo diz ter entregue 215 mil unidades. O objetivo é chegar a 350 mil até dezembro. A partir de então, pelo cronograma divulgado por Chávez, o programa deve se acelerar até alcançar a meta final, de 3 milhões de moradias, número a que o governo chegou após realizar um cadastramento na população. Só para os dois primeiros anos do programa, o governo diz ter destinado cerca de US$ 16,3 bilhões, valor próximo ao desembolsado pelo Brasil no Minha Casa, Minha Vida desde abril de 2009.

Com menos de 10% de seus objetivos já cumpridos, o “Gran Misión Vivienda” tem sido um dos pilares da popularidade de Chávez neste ano de eleição. Em meio às incertezas sobre a saúde do presidente – que luta contra um câncer sobre o qual muito se especula e pouco se sabe – o programa tem ajudado a manter a fidelidade dos setores mais pobres da população, alvo principal do programa.

Chávez tem se mantido à frente do candidato da oposição, Henrique Capriles, na maioria das pesquisas, e até ampliado a vantagem em algumas delas.

Na capital, Caracas, o impacto do programa é visível. Obras e prédios já concluídos se espalham por áreas centrais e também pela periferia da cidade. A prioridade é atender os mais de 150 mil desabrigados pelas chuvas de 2010, que agravaram ainda mais o déficit habitacional do país. Muitos deles aguardam a nova moradia em espaços improvisados em edifícios de órgãos públicos, cedidos por ordem do presidente.

A grande maioria dos cadastrados receberá o apartamento de graça. Para quem tem renda de menos de um salário mínimo (cerca de R$ 1.300 pelo câmbio oficial, ou metade disso no paralelo) tem 100% de subsídio. A partir daí, há cerca de 40 faixas de subsídio. O grosso do programa visa atender quem ganha de um salário mínimo a dois. Os recursos são todos advindos da receita do petróleo.

O Minha Casa, Minha Vida chavista já apresenta reflexos na economia. O Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano subiu 5,6% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o ministro do Planejamento, Jorge Giordani, o crescimento foi impulsionado principalmente pela construção civil, que teve alta de 29,6% no período – desempenho atribuído em boa parte ao programa habitacional. O setor petroleiro, responsável por 30% do PIB, 90% das exportações e metade da arrecadação fiscal do país, cresceu apenas 2,2% no trimestre.

“O impacto do ‘Gran Misión Vivienda’ no PIB é grande, tendo em vista o tamanho da economia venezuelana”, diz Pedro Silva Barros, titular da missão do brasileiro Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) na Venezuela. “É uma prioridade absoluta do governo, que envolveu todos os órgãos governamentais no programa.”

Chávez escolheu um momento favorável para lançar o “Gran Misión Vivienda”, em um período bem próximo às eleições e com o petróleo sempre acima de US$ 100 o barril. “Isso trouxe ao governo um alívio fiscal para que o programa de habitação tivesse um cumprimento de metas bastante adequado”, afirma Barros.

Com os cofres cheios de petrodólares, Chávez criou o Órgão Superior de Vivienda (”moradia”, em espanhol), presidido por ele próprio e gerenciado por Rafael Ramirez, presidente da estatal petrolífera PDVSA – que se tornou na era chavista uma espécie de superministério, com ingerência sobre quase todas as ações do governo. O organismo também reúne os Ministérios de Habitação, Justiça, Educação, Agricultura, Planejamento, Trabalho, Transporte, Meio Ambiente e Comunas, entre outros.

“É esse órgão que aprova os planos, os programas, os projetos e todas as ações relacionadas ao programa”, diz Maria Fernanda Coelho, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, que assessorou o governo venezuelano na implantação do “Gran Misión Vivienda”, entre julho do ano passado e abril deste ano.

Para o venezuelano Johnny Reis, que há 30 anos presta consultoria para empresas brasileiras querendo fazer negócios no país, o “Gran Misión Vivienda” tem metas bem mais ambiciosas do que o similar brasileiro. Ali, não se trata de um simples programa habitacional. “A importância do programa é bem maior que a do Minha Casa, Minha Vida. O governo aqui assumiu o programa de habitação como sua prioridade política, sua prioridade nacional hoje”, explica ele. “Isso é muito evidente. Todos os dias aqui tem uma notícia de alguma entrega de habitação no país.”

Críticos do presidente colocam em dúvida o cumprimento da meta de zerar o déficit habitacional – e sobretudo a continuidade do ritmo de obras após as eleições. Mas, com o sucesso nesta fase inicial, ficou difícil até para a oposição criticar os programas sociais do governo, as chamadas “missões”.

No mês passado, a Mesa de Unidade Democrática, a coligação que apoia Capriles, apresentou um projeto de lei chamado “Missões para Todos e por Igual”, para “assegurar a continuidade e introduzir melhora nos programas sociais”. “As missões não pertencem a um governo, mas aos venezuelanos”, disse o chefe de campanha de Capriles, Armando Briquet, em um artigo.

Na outra ponta, Chávez e seus seguidores vêm jogando com o medo, dizendo com todas as letras que “a vitória da direita” pode representar o fim dos programa sociais “bolivarianos”.

A estratégia remonta à usada por petistas em relação ao Bolsa Família na reeleição de Lula, em 2006, e na eleição da presidente Dilma Rousseff, em 2010. Assim como os tucanos Geraldo Alckmin, em uma eleição, e José Serra, na outra, Capriles terá que gastar boa parte de seu tempo até as eleições de 7 de outubro tentando convencer os venezuelanos de que dará continuidade aos programas.

Construção abre portas para empresas brasileiras

De Caracas

O “Gran Misión Vivienda” não tem despertado o interesse das grandes empreiteiras brasileiras, mas empresas menores estão usando o principal programa social de Hugo Chávez como porta de entrada para fazer negócios na Venezuela.

É o caso da HH Industrialized Engenharia e Projetos, que deve assinar nas próximas semanas um convênio para a construção de 5.000 moradias no sistema Steel Frame – uma espécie de casa pré-moldada com estruturas em aço. Segundo Johnny Reis, que representa a empresa no país, o contrato deve girar em torno de US$ 250 milhões, entre fornecimento e mão-de-obra. “O programa já está aprovado há 90 dias, estamos esperando ser chamados para assinar o contrato a qualquer momento.”

Nesse caso, as casas serão importadas do Brasil para serem montadas no país. Mas Reis afirma que a empresa negocia a instalação de uma fábrica dessas estruturas na Venezuela. “Ainda não sabemos como será o modelo de negócio. Se vamos transferir tecnologia ou entrar como parceiros”, diz.

Segundo Reis, além disso, caso o programa atinja suas metas, a Venezuela necessitará importar muito material de construção. “A indústria aqui é diversificada, mas não conseguirá atender à demanda, se o país realmente quiser zerar o déficit habitacional”, diz. Para ele, isso pode abrir espaço para exportações brasileiras de fechaduras, esquadrias, máquinas para a produção de tijolos, entre outros.

Outra empresa que está usando o programa para crescer no país e a construtora Consilux. A empresa já havia construído cerca de 5.000 moradias “pré-Gran Misión”, que renderam à construtora US$ 200 milhões contratuais, “mais alguns incrementos”. Agora, a empreiteira está prestes a assinar um novo contrato, já dentro do programa, para erguer outras 5.000 casas, que deve girar entre US$ 200 e US$ 260 milhões.

Segundo Espartano da Fonseca, representante da Consilux em Caracas, os contratos com o governo venezuelano representam hoje cerca de metade do faturamento da empresa – que no Brasil, entre outras coisas, opera radares e lombadas eletrônicas. Para ele, no entanto, fazer negócios na Venezuela não é uma tarefa das mais fáceis. “Espaço [para empresas brasileiras] tem, demanda tem, recurso tem”, diz ele. “Mas aqui precisa de um ano, dois anos, para fechar negócio. É muito mais complicado e burocrático do que no Brasil.”

Outro problema que ele aponta é que “às vezes não tem fluxo de caixa”. No ano passado, funcionários de uma das obras da Consilux no país chegaram a fazer uma greve de fome em frente à Embaixada do Brasil em Caracas por falta de pagamento. A empresa reponsabilizou à época o governo venezuelano, que não fez os devidos repasses. “Aqui já ficamos dois, três, seis meses sem receber pagamento”, diz Fonseca. “Apesar disso, as coisas parecem ter melhorado muito depois do ‘Gran Misión Vivienda’. Antes, mudava o ministro, nós ficávamos os pagamentos atrasavam. Agora, eles [o governo] estão mais organizados.”

Uma fonte brasileira, familiarizada com a Venezuela, diz que “quase sempre há problemas de caixa, mas o governo venezuelano não dá calote”. “Historicamente, o último calote do governo venezuelano foi em 1903″, afirma. Para Fonseca, da Consilux, o risco político de fazer negócio no país não é grande. “O cenário político só pode intervir se houver mudança do presidente. Caso contrário, não.”

Segundo diferentes fontes, o principal programa social do governo de Hugo Chávez não despertou o interesse das grandes empreiteiras com negócios bilionários no país, caso da Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. “Os contratos [do 'Gran Misión Vivienda'] não são bilionários, mas dá para ganhar dinheiro”, diz Álvaro Hall, chefe da Caixa Econômica Federal na Venezuela. (FM)

Maduro desponta como herdeiro do chavismo

Por Fabiola Sanchez | Associated Press, de Caracas – VALOR


Ariana Cubillos/AP — 18/05/2012
O chanceler Nicolás Maduro, ao lado de María Emma Mejía, secretária-geral da Unasul, participa de evento na PDVSA


Quase um ano depois do início do tratamento contra o câncer que obrigou Hugo Chávez a afastar-se dos holofotes, um ex-motorista de ônibus, de sorriso amistoso e bigodes escuros, é a pessoa que aparece cada vez mais falando em nome do presidente venezuelano, alimentando conjecturas de que poderia ser seu sucessor.

Nas últimas semanas, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, encabeçou entrevistas coletivas, promoveu uma nova lei trabalhista e criticou com satisfação os EUA. Até se juntou a uma multidão de partidários com roupas nas cores da bandeira venezuelana, amarelo, azul e vermelho, exatamente como Chávez faz de vez em quando.

O maior protagonismo de Maduro alimenta especulações de que poderia ser o candidato a suceder o presidente caso Chávez não possa candidatar-se às eleições de 7 de outubro ou, ao menos, a pessoa que o representará durante os extenuantes eventos da campanha.

“Para mim, o quadro político com melhor formação que Chávez pode contar é Nicolás Maduro”, afirmou o jornalista e ex-diplomata Vladimir Villegas, que dirige um programa de rádio.

Villegas disse que Maduro parece eclipsar o vice-presidente Elías Jaua pela “grande conexão com os trabalhadores”, o “perfil internacional” que alcançou e por sua “proximidade aos cubanos”.

Chávez costuma referir-se com muita consideração a Maduro, um ex-sindicalista do metrô de Caracas, e sempre recorda que saiu-se um bom chanceler apesar das zombarias de alguns opositores por ter sido motorista de ônibus na juventude.

Os dois nutrem grande amizade, que começou na época em que Chávez, então oficial do Exército, formou na década de 80 o movimento subversivo MBR-200, que ficou conhecido logo depois do golpe militar fracassado que o, hoje, presidente encabeçou em 4 de fevereiro em 1992.

O chanceler, de 49 anos, nega estar sendo considerado para ser candidato em outubro. Em declarações à Associated Press, afirmou que a ideia é “uma ridiculez de uma direita derrotada, que vive apenas para a intriga”.

De formação marxista-leninista, Maduro teve uma mostra espontânea de sua popularidade durante a marcha realizada pelos governistas em 1º de maio para comemorar o Dia do Trabalho na Venezuela. Choveram aplausos e aclamações quando chegou à concentração com a mulher, Cilia Flores, promotora-geral e importante dirigente governista, e o vice-presidente Jaua.

O recebimento caloroso recebido por Maduro ofuscou outros correligionários, como o deputado Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional; Tareck El Aissami, ministro das Relações Interiores, e a própria Flores, que não despertaram grande entusiasmo.

Pesquisa divulgada em março pela empresa local Datanálisis mostrou intenções de voto de 23% para Jaua e de 20% para Maduro. Entre analistas políticos, contudo, predomina a impressão de que Maduro é o nome com mais possibilidades de ser eleito caso Chávez não possa candidatar-se.

Vários analistas disseram que a popularidade de Jaua se deve mais ao cargo que ocupa do que à sua personalidade, já que é visto como uma pessoa de poucas palavras que passa uma imagem sem muito brilho.

Quando os problemas de saúde de Chávez começaram, houve a impressão de que Jaua assumia papel mais proeminente no governo, mas nos últimos tempos foi Maduro o principal porta-voz do governo, na esteira da ausência prolongada do presidente, deslocando Jaua abertamente.

Maduro é considerado o colaborador de Chávez mais próximo a Fidel e Raúl Castro e à revolução cubana, à qual é ligado desde a juventude, quando viajou à ilha para fortalecer sua formação política e sindical. O presidente costuma expressar grande admiração pela revolução da ilha caribenha.

Maduro e Jaua integram o setor mais radical do governismo e há estreita relação entre ambos, o que leva analistas a descartar possíveis rivalidades pelo controle do governo caso algum deles seja designado por Chávez como substituto político.

O chanceler é uma das poucas pessoas, além do entorno familiar de Chávez, que estiveram perto do presidente em momentos-chave, como suas três operações e os tratamentos realizados em Cuba, desde que o câncer foi detectado há quase um ano.

Assim como o restante do grupo mais próximo a Chávez, o ministro se caracteriza por lealdade incondicional ao governante, sem buscar brilho público e sem fazer muitos discursos.

Sua formação política começou cedo, quando integrou na juventude a Liga Socialista, que não existe mais. Dentro do movimento governista, Maduro começou sua carreira política como constituinte em 1999 e deputado no ano seguinte, até escalar à presidência da Assembleia Nacional em 2005.

Em 2006, assumiu o Ministério das Relações Exteriores e é chanceler com mais tempo no cargo nos 13 anos de governo Chávez.

O jornalista Villegas, dissidente do governismo, disse não estar claro se Maduro assumiria uma linha mais radical ou moderada, caso se tornasse herdeiro do movimento chavista.

“Seria preciso ver se o Maduro com Chávez será o mesmo que sem Chávez”, afirmou. “Tudo depende das circunstâncias. Os homens sempre imprimem seu selo pessoal quando as circunstâncias permitem e, então, talvez aí possamos ver um Maduro que vá tentar manter o tom e a essência do processo”.

Os analistas estimam que um dos maiores desafios a ser enfrentados por um possível sucessor de Chávez seria conciliar os diferentes grupos rivais, tanto civis como militares, existentes dentro do chavismo.