29/06/2012 - 22:00h Boa noite


Tchaikovsky Symphony N° 5 – Bernstein and the Boston Symphony Orchestra

29/06/2012 - 19:00h La Traviata


Verdi. La Traviata
Met, 28.03.1981

Placido Domingo
Ileana Cotrubas
Cornell MacNeil

Cond.: James Levine

29/06/2012 - 18:05h Sentada

Modigliani_ seatednude1916
Amadeo Modigliani – seated nude 1916.
Óleo sobre lienzo. 92.4 x 59.8 cm.
Samuel Courtauld Collection

Courtauld Institute Galleries. Londres.

29/06/2012 - 17:00h As tentações, ou Eros, Plutus e a Glória

Charles Baudelaire

Dois soberbos Satanases e uma Diabinha não menos extraordinária, na noite passada, subiram a misteriosa escada por onde o Inferno assalta a fraqueza do homem que dorme e comunica-se em segredo com ele. E eles vieram colocar-se gloriosamente diante de mim, em pé como sobre um estrado. Um esplendor sulfuroso emanava desses três personagens que se destacavam do fundo opaco da noite. Eles tinham um ar tão arrogante, tão pleno de dominação, que eu, primeiramente, os tomei, todos os três, por verdadeiros Deuses.
O rosto do primeiro diabo tinha uma sexualidade ambígua e possuía, também, na linha de seu corpo, a flacidez dos antigos Bacos. Seus belos olhos, lânguidos, de cor tenebrosa e indecisa, pareciam violetas carregadas ainda de pesados choros da tempestade e seus lábios entreabertos como defumadores quentes, de onde exalava o bom cheiro de uma perfumaria; e a cada vez que ele suspirava, insetos almiscarados se iluminavam, esvoaçando aos ardores de sua respiração.
Em volta de sua túnica de púrpura como se fosse um cinto, enlaçava sua cintura uma serpente cintilante que, com a cabeça levantada, virava para ele seus olhos de brasas, langorosamente. Nesse cinto vivo estavam pendurados, alternando com frascos cheios de licores sinistros, facas brilhantes e instrumentos de cirurgia. Em sua mão direita ele tinha um frasco cujo conteúdo era de um vermelho luminoso e que tinha como etiqueta essas palavras bizarras: Bebam, esse é o meu sangue, um perfeito cordial”; na esquerda, um violino que lhe servia, sem dúvida, para cantar seus prazeres, suas dores e para difundir o contágio de sua loucura nas noites de sabá.
Os tornozelos delicados arrastavam alguns anéis de uma corrente de ouro rompida e, quando o incômodo que resultava forçava-o a baixar o olhar para o chão, ele, vaidosamente, contemplava as unhas dos pés, brilhantes e polidas como pedras bem trabalhadas.
Fitou-me com seus olhos inconsolavelmente desolados, de onde escorria insidiosa embriaguez, e me disse com sua voz cantante: “Se quiseres, se quiseres, eu te farei o Senhor das almas e serás o mestre da matéria viva mais ainda que um escultor pode ser do barro, e conhecerás o prazer sempre renascente, incessantemente, e sair de ti mesmo para te esqueceres em outro e atrair outras almas ate se confundirem com a tua.”
Respondi-lhe: “Muito obrigado! Eu não teria o que fazer com esses seres de pacotilha que, sem dúvida, não valem mais do que o meu pobre eu. É verdade que tenho certa vergonha de minhas lembranças, mas não quero esquecer nada. E, mesmo quando eu não te conhecia, velho monstro, tua misteriosa cutelaria, teus equívocos frascos, as correntes que embaraçam teus pés são os símbolos que explicam claramente as inconveniências de tua amizade. Guarda teus presentes.”
O segundo diabo não tinha aquele ar ao mesmo tempo trágico e sorridente, nem aquelas belas maneiras insinuantes, nem a beleza delicada e perfumada. Era um vasto homem de cara grande sem olhos, cujo ventre pesado pendia sobre as coxas e cuja pele do corpo era dourada e ilustrada, como uma tatuagem, com uma multidão de pequenas figuras moventes representando as numerosas formas da miséria universal. Havia pequenos homens emagrecidos que se penduravam, voluntariamente, a um prego; e, ainda, pequenos gnomos, disformes, magros, cujos olhos suplicantes reclamavam esmolas mais bem ainda que suas mãos trêmulas; e depois as velhas mães levando seus abortos pendurados em seus mamilos extenuados. E muitos outros mais.
O grande Satanás batia com seu próprio punho no ventre imenso de onde provinha um tilintar de metais que terminava em um vago gemido feito de numerosas vozes humanas. E ele ria mostrando, sem qualquer pudor, seus dentes estragados em um riso imbecil, como o de certos homens em todos os países, depois de jantarem bem.
E ele me disse: “Posso te dar o que tudo consegue, o que vale tudo, o que tudo substitui!” E bateu em seu monstruoso ventre, cujo eco sonoro fez como que o comentário de sua fala grosseira.
Virei-me, com nojo, e respondi: “Não tenho necessidade, para minha alegria, da miséria de ninguém; e não quero uma riqueza entristecida como um papel pintado com todas as desgraças representadas em tua pele.”
Quanto à Diabinha, eu mentiria se não confessasse que, à primeira vista, encontrei nela um bizarro charme. Para definir esse charme não saberia compará-lo a nada melhor do que ao de certas mulheres muito bonitas que, apesar do tempo vivido, não envelhecem e cuja beleza guarda a magia penetrante das ruínas. Ela tinha um ar imperioso, desajeitado e seus olhos batidos continham uma força fascinante, O que me tocou mais foi o mistério de sua voz, na qual eu reencontrei a lembrança dos mais deliciosos contraiu e, também, um pouco da rouquidão das gargantas incessantemente lavadas pelas aguardentes.
“Queres conhecer meu poder?”, disse a falsa deusa com sua voz charmosa e paradoxal. “Escuta.”
E ela então botou na boca uma gigantesca trombeta, cheia de fitas, como uma flauta antiga, com manchetes de todos os jornais do universo e, através dessa trombeta, gritou meu nome, que se espalhou assim pelo espaço com o barulho de cem mil trovões e voltou para mim repercutido pelo eco do mais longínquo planeta.
“Diabo!”, disse eu, já meio subjugado. “Vejam que precioso.” Mas examinando mais atentamente a sedutora virago, pareceu-me que a reconhecia vagamente por tê-la visto bebendo e comemorando com uns pândegos de minhas relações, e o som rouco do cobre trazia a meus ouvidos não sei que lembranças de uma trombeta prostituída.
Eu respondi, também, com todo o meu desdém: “Vai-te. Eu não fui feito para casar com a amante de certas pessoas cujo nome não quero pronunciar.
Certamente, tinha o direito de ficar orgulhoso da minha corajosa abnegação. Mas, infelizmente, acordei e todas as forças me abandonaram. “Na verdade”, disse-me eu, “era preciso que eu estivesse pesadamente adormecido para mostrar tais escrúpulos. Ah! se eles pudessem voltar quando eu estivesse acordado, eu não seria tão delicado!”
E eu os invoquei em altos brados, suplicando-lhes que me perdoassem, oferecendo-lhes me desonrar tantas vezes quanto necessário para merecer seus favores; mas eu os havia ofendido gravemente, pois nunca mais voltaram.

“Pequenos Poemas em Prosa” (Le Spleen de Paris) de Charles Baudelaire

29/06/2012 - 10:43h Importante giro en el discurso

Perú

Viernes, 29 de junio de 2012

Mirko Lauer – La República

El llamado de Ollanta Humala a que la empresa Yanacocha actúe con menos soberbia y más humildad es un evidente giro en el discurso presidencial sobre el tema. No pasa de ser un jalón de orejas al paso, pero tiene implicaciones. Hasta aquí la versión oficial no veía a la empresa como parte del entredicho en Conga, pero eso acaba de cambiar.

Por buen tiempo se dio por sentado que Yanacocha, humillada por la protesta cajamarquina, quería entrar a Conga a toda costa. Pero a medida que se fueron disipando las vallas, eso ha cambiado. La idea es que la adecuación a las nuevas exigencias ambientales podía elevar los costos al grado de volver al proyecto inapetitoso.

Algo de esto dio a entender Newmont Mining, socio mayoritario de Yanacocha, en el boletín que circula entre sus accionistas. Allí expresó resquemores pero no una decisión concreta. Buenaventura, el socio peruano y menor pero influyente se mantuvo en silencio hasta hace poco, en que Roque Benavides empezó a dar sus opiniones.

Es Benavides quien ha dicho algunas cosas sobre las lagunas en disputa, que serían las que han motivado el comentario presidencial. Humala está pidiéndole a la empresa que no complique las cosas en esta etapa que ha costado tanto, y a la vez ha aprovechado para presentarse como un presidente que también puede llamarle la atención a una gran empresa.

Esto último vale oro y agua para Humala. De un lado evoca el lenguaje de los tiempos de la gran transformación en campaña. Luego mitiga la campaña de la izquierda que lo muestra como un instrumento de la gran minería. Aparece, pues, como un presidente capaz de ejercer una autoridad directa a contrapelo del sentido común imperante en la derecha.

Frente a todo esto haría bien la empresa en no responder, y dejar que el gobierno prosiga con su estrategia de convencimiento y movilización en Cajamarca. Yanacocha debería tomar en serio su propia declaración de que el problema es del gobierno con la población, y replegarse sobre sus planteamientos más concesivos de hace unas semanas.

El Estado ha logrado una correlación de fuerzas y opiniones como para que los trabajos de Conga se pongan en marcha. Pero las negociaciones y las concesiones todavía están sobre el tapete, y buena parte de ellas implicarán una modificación de los planes de la empresa, de la cual todavía se espera declaraciones cada vez más positivas.

El establecimiento del Estado como un mediador con objetivos nacionales es clave para la mediación de los conflictos en curso, y los que vengan. Esto es algo que de darse transformará la extracción en el Perú, la formal y la informal. No es una tarea fácil, pero de ella depende que siga el crecimiento con inclusión en el país.

29/06/2012 - 10:33h Dashed expectations

Mining in Peru

The president and the protesters fall out

Jun 23rd 2012 | LIMA | from the print edition | The Economist


A friendly local welcome for big mining

MINING lies at the heart of Peru’s economic boom of the past decade. But big mining projects in the Andes are prompting ever more conflicts among companies, the government and local communities, who worry about the impact on their land and livelihoods and are often assisted by left-wing activists. Ollanta Humala, who was elected as Peru’s president a year ago on a vaguely populist platform, promised to solve these disputes, which left 190 people dead during the preceding administration.

The first law signed by Mr Humala required the government to consult with local communities before approving extractive projects. This was followed by measures to increase the total tax-take from mining by about $1 billion a year. His popularity soared. A year later, conflicts are rising again: the ombudsman’s office reports 149 disputes involving extractive industries. The government has declared a state of emergency in one area, and sent troops to another. Eight protesters have been killed by the police since March. Mr Humala’s approval rating is down to 45%, according to Ipsos-Apoyo, a polling firm.
In this section

The fiercest fight involves Minas Conga, a $4.8 billion gold and copper project in Cajamarca, in the north, by Newmont, an American firm, and Peru’s Buenaventura. This would have turned several Andean lakes into reservoirs or tailings ponds. That alarmed peasant communities. After protests flared, Mr Humala promised to invest $2 billion in Cajamarca and ordered a fresh environmental study. This recommended changes, to save two lakes.

But Gregorio Santos, Cajamarca’s regional president, has vowed to stop Conga. He may get his way. Newmont has scaled back its investment in Peru this year, and said that Conga will no longer start in 2014, as planned, but perhaps in 2017. Three other projects in the same area, with total investment of $5 billion, are also in jeopardy.

Last month two people were killed and buildings set alight in Espinar, in the southern highlands, in a protest against Xstrata, an Anglo-Swiss company that owns a copper mine at Tintaya and is building another nearby. The government arrested the mayor, who led the protests. He wants Xstrata to raise its contribution to a social fund from 3% to 30% of pre-tax profits. When that gained little support in other parts of the country, he began to complain of pollution. But a dozen studies since 2005 have found the presence of heavy metals in water to be within legal limits.

Mining investment, forecast at over $50 billion in the next five years, is starting to fall. A score of giant projects account for over 85% of the planned spending. Of these, 11 face social conflicts, according to a note by Canada’s Scotiabank. Five legislators have left Mr Humala’s party over the protests, weakening the government in Congress. The president seems to have few ideas as to how to prevent disputes, or how to negotiate when they do break out. Having spent years posing as the protesters’ champion, Mr Humala is now reaping the bitter harvest of dashed expectations.

The Economist: “Humala recoge amargas cosechas”

29 de junio de 2012

Isabel Zamora – CORREO

web@grupoepensa.pe

Lima – Las continuas protestas en contra de proyectos mineros en el país están mereciendo, cada vez más, la atención de la prensa extranjera. Esta vez fue la prestigiosa revista inglesa The Economist la que dedicó un extenso artículo, titulado “Expectativas frustradas”, a este álgido tema.

Según este medio, “los grandes proyectos mineros en los Andes están provocando cada vez más conflictos entre las empresas, el gobierno y las comunidades locales, que se preocupan por el impacto en sus tierras y medios de subsistencia y, a menudo, con la asistencia de activistas de izquierda”.

Ante ello, The Economist señala que Ollanta Humala, durante la campaña, se comprometió vagamente a resolver dichos conflictos, pero hasta ahora lo único que ha mostrado es “tener pocas ideas sobre la manera de evitar las controversias.”
“Después de haber pasado años posando como campeón de los manifestantes, el señor Humala está recogiendo la cosecha amarga de las expectativas frustradas”, precisa el artículo.

LA PRIMERA LEY. La revista añade que la primera ley firmada por Humala -la Ley de Consulta Previa- exigía al gobierno consultar con las comunidades antes de aprobar los proyectos extractivos.

Esto fue seguido por medidas orientadas a aumentar el total de impuestos de la minería, que ya tributaba mil millones de dólares al año.

Sin embargo, agrega The Economist, los conflictos aumentan. La Defensoría del Pueblo informó que se han registrado 149 controversias sobre industrias extractivas.

Bajo este contexto, la publicación hace mención de “la feroz lucha que se centra en Minas Conga, un proyecto de $4.8 mil millones de oro y cobre en Cajamarca, en el norte, por Newmont, una empresa estadounidense, y Buenaventura del Perú”.

Explica que este proyecto comprendería varias lagunas andinas para los embalses o lagunas de relaves, lo cual alarmó a las comunidades campesinas y poco después estallaron las protestas.

Ante esta situación, según la revista, Humala se comprometió a invertir $2 mil millones en Cajamarca y encargó un estudio del medio ambiente con el objetivo de salvar las dos lagunas.

Sin embargo, The Economist da cuenta de que Gregorio Santos, presidente regional de Cajamarca, se ha comprometido a parar Conga. “Él puede salirse con la suya”, advierte.

INVERSIÓN CAE. No obstante, lo más preocupante del artículo es que advierte que la inversión minera, pronosticada en más de $50 mil millones en los próximos cinco años, está empezando a caer.

“Se trata de una veintena de grandes proyectos. Cinco legisladores han dejado el partido de Ollanta Humala por las protestas y esto ha traído el debilitamiento del gobierno en el Congreso”, afirma la revista.

29/06/2012 - 08:57h Economia fica de fora da campanha no México

Andres Leighton/AP
O candidato do PRI, Enrique Peña Nieto, encerra a campanha em Toluca


Por Paulo Totti | VALOR

Da Cidade do México

Como previsto, 79 milhões de mexicanos habilitados a votar vão às urnas domingo sem saber quem será o ministro da Economia do presidente a ser empossado em 1º de dezembro para um mandato de seis anos, sem reeleição. Ninguém tratou de política econômica nos 90 dias da acalorada, agressiva, mas pacífica campanha eleitoral. Os candidatos emudeceram, os eleitores não cobraram e a imprensa fez as duas coisas: emudeceu e não cobrou. Nem especulou.

E o tema mundial em moda, preservação ambiental, também não foi abordado. Há um Partido Verde Ecologista, cuja principal bandeira foi a pena de prisão perpétua para sequestradores.

Em compensação, já se sabe que o provável vitorioso, o advogado Enrique Peña Nieto, do populista Partido Revolucionário Institucional (PRI), mandará vir de Bogotá o general Oscar Naranjo, tido como responsável pelo desmantelamento dos cartéis colombianos de Cáli e Medellin, para comandar a luta contra as gangues do narcotráfico. É a visão priista: como o atual governo preferiu a guerra às gangues, e a estaria perdendo por inépcia, a saída é a importação de mão de obra especializada.

Já para o esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), a corrupção é o problema principal do México e dela derivam todos os demais. Por isso, seu candidato, o cientista político Andrés Manuel López Obrador, já anunciou que o ouvidor geral da república, coordenador das políticas de combate aos malfeitos internos, será o ex-deputado Manuel Clouthier, recrutado das fileiras do governista Partido da Ação Nacional (PAN), respeitado por sua correção e, especialmente, pobreza.

López Obrador, que promete ser guardião da austeridade e fiscal do Orçamento, vê na corrupção o maior problema também da Pemex, a petroleira estatal que é o principal instrumento de arrecadação do Estado e que hoje sofre com a falta de dinheiro para novos investimentos – apesar de estatal, não é uma empresa autônoma, como a Petrobras; o que arrecada vai direto para os cofres do governo.

Para a economista Josefina Vázquez Mota, esforçada e simpática candidata do PAN, tudo vai bem na guerra contra o crime organizado. Por isso, o seu indicado para a Procuradoria Geral da República, o comando civil dessa guerra, será o próprio atual presidente, Felipe Calderón. Foi o que anunciou anteontem num comício no estádio do Chivas, em Guadalajara, ao lado de Margarita Zavala de Calderón, mulher do presidente. Como se percebe, apesar de os candidatos anunciarem mudanças, elas se refletirão talvez nas atitudes, mas não nas pessoas escolhidas.

Corrupção, temor de fraudes e narcotráfico continuaram sendo os temas principais da campanha até quarta-feira, quando, à meia-noite, candidatos e seus adeptos passaram a recolher-se ao silêncio. Estão proibidos os comícios, a publicação de pesquisas e até as bebidas alcoólicas. Considerada a constitucional liberdade de expressão, aos estudantes do movimento “Yo soy 132″ foi concedida permissão para uma passeata amanhã, com o compromisso de não promoverem candidatos e só se manifestarem em favor de uma eleição sem fraudes e sem manipulação. Compromisso difícil de cumprir por um movimento nascido exatamente de uma manifestação na Universidade Iberoamericana, privada, contra o candidato Peña Neto. Vaiado, o candidato do PRI afirmou que não se tratava de estudantes, mas de baderneiros infiltrados pelo PRD. No dia seguinte, 131 estudantes publicaram na internet suas provas de matrícula na universidade, suas notas e sua prova de frequência, assumindo a participação nas vaias. Depois, centenas, milhares e depois milhões de mensagens apareceram nas redes sociais anunciando: “Eu sou o estudante 132″. Numa linguagem já historicamente conhecida, o PRI classificou os rapazes como “inocentes úteis do PRD”.

Os partidos aproveitaram o final da campanha para subir o tom na troca de denúncias. Um ex-dirigente sindical afirmou que López Obrador foi ilegalmente financiado pelo sindicato dos eletricistas para manter por três meses um acampamento em plena via pública como protesto contra os resultados da eleição de 2006, quando perdeu a chance de ser presidente por apenas 0,56% dos votos. O protesto tumultuou ainda mais o trânsito da Cidade do México e, dizem os analistas, pode influir na queda dos votos de Amlo nas atuais eleições. Amlo é uma sigla que a imprensa “não” inventou para facilitar os títulos das matérias que se referiam a López Obrador. O perredista gostou e passou a adotá-la, pois em espanhol soa muito próximo a “ámelo”, ame-o.

A denúncia mais séria, porém, foi a que o PAN apresentou ao Instituto Federal Eleitoral (IFE) contra o PRI. Segundo o partido do governo, através de uma empresa privada, o PRI compra votos e paga fiscais de urnas e cabos eleitorais, com cartões de débito fornecidos pelo Banco Money, o oitavo do México. O IFE confirma a existência no banco de uma conta de 70 milhões de pesos a ser utilizada por milhares de portadores de cartões, mas ainda não conseguiu comprovar que se destina à compra de votos.

Nas ruas, a campanha acabou em paz. Peña Neto fez comício em Toluca, capital do Estado do México, de que foi governador. Vázques Mota, em Guadalajara. O maior de todos, porém, foi o de López Obrador, que talvez não tenha atingido o milhão de participantes, mas lotou o Zócalo e três quadras de cada uma das ruas que conduzem à tradicional praça da capital. A concentração começou com uma caminhada desde o monumento à independência, no Paseo de la Reforma. A multidão era tanta que o candidato teve de interromper a passeata e escapulir-se pelo metrô. As últimas pesquisas davam a Peña Nieto uma vantagem de mais de dez pontos percentuais.


Candidatos têm mais semelhanças que diferenças

Por Da Cidade do México

Apesar de os candidatos terem sido pouco claros sobre suas plataformas econômica e de política internacional durante a campanha, é possivel distinguir traços de mudanças no caso de eleição de Enrique Peña Nieto (PRI) ou de Andrés Manuel López Obrador (PRD).

Em entrevista ao jornal “El Universal”, Nieto declarou que o modelo neoliberal não funcionou satisfatoriamente no México. “O Estado tem de assumir um papel de maior presença para garantir condição de igualdade entre os mexicanos”, disse, lamentando, segundo suas palavras, que se confiasse às forças de mercado a tarefa de colocar “cada um em seu lugar”. Peña referiu-se, sem precisar, a “estes últimos anos”, mas o modelo neoliberal não foi introduzido no país nos 12 anos de governo do Partido da Ação Nacional (PAN) com Vicente Fox e Felipe Calderón, mas, sim, pelos seus antecessores priistas Carlos Salinas de Gortari e Ernesto Zedillo. Mudar a inflexão da política econômica vai representar realmente diferença ante o que vem sendo executado no país há 24 anos. Essa mudança, se existir, não ocorrerá sem resistências, dentro e fora do PRI. Mas Peña diz que há um PRI novo, sem ligação com o passado. E no jardim de sua casa há um busto de Luis Donaldo Colosio, tido como priista com algumas ideias contrárias às de Salinas, e que já estava em campanha pela presidência quando foi morto num ainda não bem esclarecido atentado, em 1994. Para substituir Colosio, Salinas indicou Zedillo.

As relações de Peña com os Estados Unidos não mudarão substancialmente. Isso, aliás, não ocorreria nem mesmo com López Obrador, dada a irreversível dependência ante o vizinho do norte, em consequência do Nafta, o tratado de livre-comercio que inclui também o Canadá. Peña e Amlo chegarão no máximo a exigir dos EUA um melhor tratamento aos migrantes, e algumas controvérsias surgirão em relação ao combate ao narcotráfico, já por demais conturbado pela aparente incompetência bilateral no tratamento do tema.

Quanto à América Latina, é evidente o afastamento do México desde o Nafta. O velho PRI, o de antes de Salinas e Zedillo, tinha bom entendimento com o sul, e o México chegou num certo momento a ser o único a manter relações com Cuba. Na OEA e na Aladi, são muitas as dificuldades para uma verdadeira coincidência, e essa é uma das razões de formação da Unasul sem a presença do México, como se já não mais existisse nos círculos diplomáticos a América Latina, mas a América do Sul.

Com o Brasil, as relações são boas e, quando elas se encaminham para um estremecimento, diplomatas conseguem rearmonizá-las, como ocorreu neste ano com a renegociação do acordo automotivo. O mesmo problema, desequilíbrio na balança comercial, levou a Argentina a denunciar o acordo e suspendê-lo por três anos. Nenhuma das duas diplomacias tentou esgotar as negociações.

O México de Calderón não demonstra interesse em agradar Cristina Kirchner. E esta parece não esquecer pequeno incidente ocorrido no México no ano passado: havia uma cerimônia militar para a qual o corpo diplomático fora convidado e seria instalado em lugares especiais, mas não marcados. A embaixadora argentina chegou mais cedo e sentou-se onde lhe pareceu mais confortável. Pouco depois, um diplomata mexicano pediu-lhe que saísse do lugar porque estava reservado ao embaixador americano. A embaixadora retirou-se da cerimônia, em protesto. Outros embaixadores a acompanharam, inclusive o do Brasil. No dia seguinte, a chancelaria mexicana pediu oficialmente desculpas.

Um país violento, porém crescendo

Por Adam Thomson | Financial Times | VALOR

Certo domingo de maio, bem no momento em que alguns moradores de Cadereyta se preparavam para a missa, policiais mexicanos se depararam com uma cena arrepiante até para os padrões da terrível guerra das drogas no país: 49 corpos jogados em uma estrada em sacos plásticos de lixo. Todos, 43 homens e 6 mulheres, estavam decapitados. Para dificultar a identificação, os assassinos também haviam cortado mãos e pés.

Uma pessoa afirmou que as vítimas estavam mortas havia ao menos dois dias. “Algumas estavam repletas de vermes”, disse à mídia local. “Foi horrível”. Passado um mês, as autoridades, que atribuem o crime às gangues de drogas, ainda não conseguiram identificar nenhuma das vítimas.

Surpreende, assim que Nuevo León, Estado nortista onde ocorreu a atrocidade e um dos principais palcos da longa guerra do governo contra o crime organizado, vive a maior onda de investimento externo direto de sua história.

A apenas 40 km de Cadereyta, na cidade de Monterrey, empresas internacionais vêm instalando ou expandindo fábricas no que consideram um dos melhores locais para abastecer a América do Norte e, cada vez mais, o resto do mundo.

Javier Treviño, ex-vice-governador do Estado, espera que a cidade supere US$ 2 bilhões de investimentos externos este ano, atingindo o maior valor histórico. Autoridades econômicas locais falam em US$ 2,4 bilhões. “Empresas estrangeiras nos veem cada vez mais como o centro logístico da América do Norte”, disse Treviño ao “Financial Times”, na semana passada.

Sob vários aspectos, Monterrey é uma versão condensada do que vem ocorrendo no México. Nos últimos cinco anos, a violência ligada às drogas entrou em espiral ascendente, com gangues criminosas cada vez maiores e bem armadas disputando território e rotas de contrabando, enquanto a polícia federal e as Forças Armadas tentam interromper o tráfico.

Desde o início de 2007, mais de 50 mil pessoas morreram em consequência direta da violência, o que elevou o índice geral de assassinatos do país para cerca de 22 por cem mil habitantes. Em dezembro de 2006, quando o presidente Felipe Calderón assumiu, a taxa estava em oito por cem mil.

Ainda assim, nesse período, o México atraiu mais e mais empresas estrangeiras, em particular as maiores montadoras do mundo, que veem o país como uma base atraente para fornecer às Américas do Norte e do Sul e até à China.

Em 2011, o investimento externo no país somou US$ 18 bilhões, e economistas preveem que atingirá patamar próximo neste ano. “As empresas internacionais perceberam que precisam estar no México se quiserem exportar para as Américas”, disse o ministro da Economia do país, Bruno Ferrari, ao “FT”.

Os investidores não parecem estar intimidados com as eleições presidenciais, neste domingo, que outrora eram quase sempre fonte de instabilidade econômica. Não é assim desta vez. Autoridades do Ministério das Finanças dizem, de forma reservada, que o crescimento em 2012 deverá superar a estimativa do governo, de 3,5%.

Um dos motivos do ingresso de investimentos é o fato de o México ter se tornado mais competitivo em relação à China. A alta dos custos de transporte tornou a instalação de operações para exportação na Ásia bem mais caras que no início do século. A inflação salarial quase zerou a antes enorme diferença que separava os custos com mão de obra da China com o México. Apesar da instabilidade causada pela criminalidade, o México é o modelo ideal da ortodoxia macroeconômica. Mas, e a violência?

Alejandro Hope, especialista em segurança do Instituto Mexicano de Competitividade da Cidade do México e ex-alto funcionário de inteligência do governo, argumenta que as empresas estrangeiras que operam no México estão às vezes fisicamente próximas da violência, mas são ao mesmo tempo, em grande medida, imunes a ela. Embora uma subsidiária mexicana da PepsiCo tenha sido alvo de atentado com bombas incendiárias em maio, parece não haver uma tendência de atacar multinacionais.

“O crime organizado não sabe o que fazer em relação às multinacionais”, diz Hope. “Dedica-se à extorsão de pequenas e médias empresas mexicanas, mas, com as multinacionais, os barões da droga nem sabem a quem se dirigir.”

Raúl Benítez, professor da Universidade Unam, na Cidade do México, e especialista em segurança, concorda. Ele chama a atenção para o fato de que a maioria das multinacionais que fabricam produtos para exportação no México opera perto da fronteira com os EUA em grandes parques industriais. O rígido aparato de segurança dificulta o ingresso no local. Quando a pessoa consegue entrar, é difícil, se não impossível, descobrir quem são os proprietários, diz. “As gangues da droga não sabem por onde começar no caso das multinacionais”, conclui. “Elas são complexas demais e impessoais demais, por isso se limitam a extorquir a empresa mexicana da esquina.”

A exemplo de muitas empresas internacionais operantes no México, a Alcoa, a maior produtora mundial de alumínio primário e beneficiado, está em intensa fase de expansão. Instalada na periferia sul de Monterrey, a fábrica produz um aro de roda de caminhão a cada 30 segundos, 22 horas por dia, quase todos os dias do ano.

Monterrey, a poucas horas de distância da fronteira com o Texas, pode ter amargado seu mês mais violento em julho do ano passado, mas a Alcoa diz que nunca foi vítima de extorsão e não houve perda de material recente por roubo.

A fábrica responde por cerca de 25% da produção mundial da Alcoa de aros de alumínio para rodas, acima dos 15% de seis anos atrás. A direção diz prever que a produção subirá 15% até 2014.

Essa expansão, diz Hope, está se tornando, rapidamente, a norma. “As empresas internacionais que fabricam produtos para exportação não são, na verdade, afetadas”, diz ele. “Elas operam dentro de um casulo.”

28/06/2012 - 22:00h Boa noite


P. I. Tchaikovsky – Serenade for Strings in C major, Op. 48 (1880)

1. Pezzo in forma di sonatina: Andante non troppo — Allegro moderato
2. Valse: Moderato — Tempo di valse
3. Élégie: Larghetto elegiaco
4. Finale (Tema russo): Andante — Allegro con spirito

Moskow Radio Symphony Orchestra
Conductor – Vladimir Fedoseyev
Recorded live at the Alte Oper Frankfurt, 1991

28/06/2012 - 19:00h Manon Lescault


Manon Lescault, de Puccini – Renata Scotto e Placido Domingo sob regência de James Levine

28/06/2012 - 18:27h La belle romaine

Modigliani_Amadeo
Nude Sitting on a Divan (”La Belle Romaine”) – Amedeo Clemente Modigliani (1884 – 1920)
c. 1917
Oil on canvas
100 x 65 cm
Private collection

28/06/2012 - 17:00h La chambre double – El cuarto doble – O quarto duplo

Courbet-Portrait_of_Baudelaire
Retrato de Baudelaire, por Gustave Courbet

CHARLES BAUDELAIRE

LE SPLEEN DE PARIS

Une chambre qui ressemble à une rêverie, une chambre véritablement spirituelle, où l’atmosphère stagnante est légèrement teintée de rose et de bleu.
L’âme y prend un bain de paresse, aromatisé par le regret et le désir. – C’est quelque chose de crépusculaire, de bleuâtre et de rosâtre; un rêve de volupté pendant une éclipse.
Les meubles ont des formes allongées, prostrées, alanguies. Les meubles ont l’air de rêver; on les dirait doués d’une vie somnambulique, comme le végétal et le minéral. Les étoffes parlent une langue muette, comme les fleurs, comme les ciels, comme les soleils couchants.
Sur les murs nulle abomination artistique. Relativement au rêve pur, à l’impression non analysée, l’art défini, l’art positif est un blasphème. Ici, tout a la suffisante clarté et la délicieuse obscurité de l’harmonie.
Une senteur infinitésimale du choix le plus exquis, à laquelle se mêle une très légère humidité, nage dans cette atmosphère, où l’esprit sommeillant est bercé par des sensations de serre chaude.
La mousseline pleut abondamment devant les fenêtres et devant le lit; elle s’épanche en cascades neigeuses. Sur ce lit est couchée l’Idole, la souveraine des rêves. Mais comment est-elle ici? Qui l’a amenée? quel pouvoir magique l’a installée sur ce trône de rêverie et de volupté? Qu’importe? la voilà! je la reconnais.
Voilà bien ces yeux dont la flamme traverse le crépuscule; ces subtiles et terribles mirettes, que je reconnais à leur effrayante malice! Elles attirent, elles subjuguent, elles dévorent le regard de l’imprudent qui les contemple. Je les ai souvent étudiées, ces étoiles noires qui commandent la curiosité et l’admiration.
A quel démon bienveillant dois-je d’être ainsi entouré de mystère, de silence, de paix et de parfums? O béatitude! ce que nous nommons généralement la vie, même dans son expansion la plus heureuse, n’a rien de commun avec cette vie suprême dont j’ai maintenant connaissance et que je savoure minute par minute, seconde par seconde!
Non! il n’est plus de minutes, il n’est plus de secondes! Le temps a disparu; c’est l’Eternité qui règne, une éternité de délices!
Mais un coup terrible, lourd, a retenti à la porte, et, comme dans les rêves infernaux, il m’a semblé que je recevais un coup de pioche dans l’estomac.
Et puis un Spectre est entré. C’est un huissier qui vient me torturer au nom de la loi; une infâme concubine qui vient crier misère et ajouter les trivialités de sa vie aux douleurs de la mienne; ou bien le saute-ruisseau d’un directeur de journal qui réclame la suite du manuscrit.
La chambre paradisiaque, l’idole, la souveraine des rêves, la Sylphide, comme disait le grand René, toute cette magie a disparu au coup brutal frappé par le Spectre.
Horreur! je me souviens! je me souviens! Oui! ce taudis, ce séjour de l’éternel ennui, est bien le mien. Voici les meubles sots, poudreux, écornés; la cheminée sans flamme et sans braise, souillée de crachats; les tristes fenêtres où la pluie a tracé des sillons dans la poussière; les manuscrits, raturés ou incomplets; l’almanach où le crayon a marqué les dates sinistres!
Et ce parfum d’un autre monde, dont je m’enivrais avec une sensibilité perfectionnée, hélas! il est remplacé par une fétide odeur de tabac mêlée à je ne sais quelle nauséabonde moisissure. On respire ici maintenant le ranci de la désolation.
Dans ce monde étroit, mais si plein de dégoût, un seul objet connu me sourit: la fiole de laudanum; une vieille et terrible amie; comme toutes les amies, hélas! féconde en caresses et en traîtrises.
Oh! oui! Le Temps a reparu; Le Temps règne en souverain maintenant; et avec le hideux vieillard est revenu tout son démoniaque cortège de Souvenirs, de Regrets, de Spasmes, de Peurs, d’Angoisses, de Cauchemars, de Colères et de Névroses.
Je vous assure que les secondes maintenant sont fortement et solennellement accentuées, et chacune, en jaillissant de la pendule, dit: – “Je suis la Vie, l’insupportable, l’implacable Vie!”
Il n’y a qu’une Seconde dans la vie humaine qui ait mission d’annoncer une bonne nouvelle, la bonne nouvelle qui cause à chacun une inexplicable peur.
Oui! le Temps règne; il a repris sa brutale dictature. Et il me pousse, comme si j’étais un boeuf, avec son double aiguillon. – “Et hue donc! bourrique! Sue donc, esclave! Vis donc, damné!”

Courbet-Portrait_of_Baudelaire
Retrato de Baudelaire, por Gustave Courbet

El cuarto doble

Un cuarto que parece un desvarío, un cuarto verdaderamente espiritual, donde la atmósfera estancada está ligeramente teñida de rosa y de azul.

El alma allí toma un baño de pereza, aromatizado por el remordimiento y el deseo. – Hay algo de crepuscular, de azulado y de rosado, un delirio de deleite durante un eclipse.

Los muebles tienen formas alargadas, postradas, lánguidas. Los muebles tienen aire de soñar; se diría dotados de una vida sonámbula, como lo vegetal y lo mineral. Las materias hablan una lengua muerta como las flores, como los cielos, como los soles ponientes.

Sobre los muros ninguna abominación artística. Relativamente al sueño puro, a la impresión sin analizar, el arte definido, el arte positivo es una blasfemia. Así, todo tiene la suficiente claridad y la deliciosa obscuridad de la armonía.

Un aroma infinitesimal de la elección más exquisita, a la que se mezcla una muy ligera humedad, nace en esta atmósfera donde el espíritu durmiente es mecido por sensaciones de sofocación.

La muselina cae abundantemente delante de las ventanas y delante de la cama; se expande en cascadas nevosas. Sobre esa cama está acostado el Idolo, la soberana de los sueños. ¿Pero cómo está ella ahí? ¿Quién la ha traído? ¿Qué poder mágico la ha instalado sobre ese trono de desvarío y deleite? ¡Qué importa! ¡Allá está! Yo la reconozco.

Vean bien esos ojos cuya llama atraviesa el crepúsculo; esos sutiles y terribles mirones, que reconozco por su tremenda malicia! Atraen, subyugan, devoran la mirada del imprudente que los contempla. Frecuentemente los he estudiado, esas estrellas negras que comandan la curiosidad y la admiración.

¿A qué demonio benevolente debo el estar así rodeado de misterio, de silencio, de paz y de perfumes? ¡Oh Beatitud! Eso que nombramos generalmente la vida, aún en su expansión más feliz, no tiene nada en común con esa vida suprema de la que ahora tengo conocimiento y que saboreo minuto por minuto, segundo por segundo.

¡No! ¡No hay más minutos! ¡No hay más segundos! El tiempo ha desaparecido: es la Eternidad que reina, una eternidad de delicias.

Pero un golpe terrible, torpe, resuena en la puerta, y , como en los sueños infernales, me ha parecido que recibía un golpe de azadón en el estómago.

Y luego un Espectro ha entrado. Es un oficial que viene a torturarme en nombre de la ley; una infame concubina que viene a gritar miseria y a agregar las trivialidades de su vida a los dolores de la mía; o bien el testaferro de un director de diario que reclama el término de un manuscrito.

El cuarto paradisíaco, el ídolo, la soberana de los sueños, la Sílfida, como decía el gran René, toda esa magia ha desaparecido al golpe brutal asestado por el Espectro.

¡Horror! ¡Me acuerdo! ¡Me acuerdo! ¡Sí! Esa choza, esa estancia del eterno tedio, es bien la mía. He aquí los muebles fatuos, polvorientos, descornados; la chimenea sin llama y sin brasa, manchada de escupidas; las ventanas tristes donde la lluvia ha trazado surcos en la polvareda; los manuscritos, tachados o incompletos; el almanaque donde el lápiz ha marcado las fechas siniestras!

Y ese perfume de otro mundo, en el que me embriago con una sensibilidad perfeccionada, ay! Ha sido reemplazado por un fétido olor a tabaco mezclado con no sé qué nauseabundo moho. Se respira aquí ahora lo rancio de la desolación.

En ese mundo estrecho, más sí pleno de disgusto, un solo objeto conocido me sonríe: el frasco del láudano; un viejo y terrible amigo; como todos los amigos, ay! fecundo en caricias y en traiciones.

¡Oh! ¡Sí! El Tiempo ha reparado; el Tiempo reina soberano ahora; y con el horroroso viejo ha vuelto todo su demoníaco cortejo de Recuerdos, de Remordimientos, de Espasmos, de Pavor, de Angustias, de Pesadilla, de Cóleras y de Neurosis.

Yo les aseguro que los segundos ahora están fuertemente y solemnemente acentuados, y cada uno, saltando del péndulo, dice: “¡Yo soy la Vida, la insoportable, la implacable Vida!”

No hay más que un Segundo en la vida humana que tenga la misión de anunciar una buena nueva, la buena nueva que causa a cada uno un inexplicable pavor.

¡Sí! El Tiempo reina: ha retomado su brutal dictadura. Y me empuja con su doble aguijón. -” ¡Y arre así! ¡borrico! ¡Suda así, esclavo!, ¡Vive así, maldito!

LE SPLEEN DE PARIS de Charles Baudelaire

Courbet-Portrait_of_Baudelaire
Retrato de Baudelaire, por Gustave Courbet


O QUARTO DUPLO

Um quarto que parece um devaneio, um quarto verdadeiramente espiritual onde a atmosfera estagnante é ligeiramente tingida de rosa e azul.
A alma toma um banho de preguiça, aromatizada pelos pesares e o desejo. É algo de crepuscular, de azulado e de rosado; um sonho de volúpia durante um eclipse.
Os móveis têm as formas alongadas, prostradas, lânguidas. Os móveis têm o ar de que sonham; diríamos dotados de uma vida sonambúlica como um vegetal ou um mineral. Os tecidos falam uma língua muda como as flores, como os céus, como os sóis poentes.
Nas paredes nenhuma abominação artística. Relativamente ao puro sonho, à impressão não analisada, a arte definida, a arte positiva é uma blasfêmia. Aqui tudo tem suficiente clareza e a deliciosa obscuridade da harmonia.
Um aroma infinitesimal da mais original escolha, ao qual se mistura uma levíssima umidade, flutua nessa atmosfera, onde o espírito sonolento é embalado por uma sensação de estufas aquecidas.
A musselina chora abundantemente diante das janelas e diante do leito; ela se derrama em cascatas de neve. Sobre esse leito está deitado o Ídolo, a soberana dos sonhos. Mas como ela está aqui? Quem a trouxe? Que poder mágico instalou-se nesse trono de devaneios e volúpia? Que importa! Ei-la! Eu a reconheço.
São esses olhos cuja flama atravessa o crepúsculo; esses sutis e terríveis olhares que eu reconheço em sua assustadora malícia! Eles atraem, eles subjugam, eles devoram o olhar do imprudente que os contempla. Já estudei muitas vezes essas estrelas negras que comandam a curiosidade e a admiração.
Por qual demônio benevolente devo eu ter sido envolvido assim de mistério, de silêncio, de paz e de perfumes? Ó beatitude! Isso que nós chamamos geralmente de vida, mesmo em sua expansão mais feliz, nada tem de comum com essa vida suprema que, agora, eu conheço e saboreio minuto a minuto, segundo a segundo.
Não! Não há mais minutos, não há mais segundos! O tempo desapareceu; é a Eternidade que reina, uma eternidade de delícias.
Mas uma pancada terrível, fortíssima, ressoou na porta e, como nos sonhos infernais, pareceu-me que recebia um golpe de uma enxada no estômago.
E depois um Espectro entrou. É um oficial de justiça que vem me torturar, em nome da lei; uma infame concubina que vem exibir sua miséria e juntar as trivialidades de sua vida às dores da minha; ou então um jovem secretário de diretor de jornal que vem reclamar a entrega de um manuscrito.
O quarto paradisíaco, o Ídolo, a soberana dos sonhos, a Sílfide, como dizia o grande René, toda aquela magia desapareceu com o golpe disparado pelo Espectro.
Horror! Eu me lembro! Eu me lembro! Sim! Este chiqueiro, este ambiente de eterno desgosto está bem dentro de mim. Vejam os móveis burros, empoeirados, capengas, a lareira sem chamas e sem brasas, suja de escarros, as tristes janelas onde a chuva traçou seus sulcos na poeira; os manuscritos rasurados ou incompletos; o almanaque onde o lápis marcou as datas sinistras!
E esse perfume de um outro mundo, com o qual eu me embriagava com uma sensibilidade aperfeiçoada, ei-lo substituído por fétido odor de tabaco misturado a um mofo nauseabundo. Respira-se aqui, agora, o ranço da desolação.
Nesse mundo estreito, mas tão repleto de desgostos, um único objeto conhecido me sorri: a garrafinha de láudano; uma velha e terrível amiga, como todas as outras. Oh! fecundas em carinho e traições.
Oh! Sim, o Tempo reapareceu, o Tempo reina soberano agora; e com o horroroso velho voltou todo o demoníaco cortejo de Lembranças, de Arrependimentos, de Espasmos, de Medos, de Angústias, de Pesadelos, de Cóleras e de Neuroses.
Eu vos asseguro que os segundos agora são fortemente e solenemente acentuados e cada um saltando do pêndulo diz:
“Eu sou a Vida, a insuportável, a implacável Vida.”
Só há um Segundo na vida humana com a missão de anunciar uma boa nova, a boa nova que causa em cada um de nós um medo inexplicável.
Sim! O Tempo reina, ele retomou sua brutal ditadura. Ele me empurra, como se eu fosse um boi, com seu duplo aguilhão. “Eia Vamos, então, burrico! Sua então, escravo! vive, então, condenado!

LE SPLEEN DE PARIS de Charles Baudelaire

28/06/2012 - 13:09h Jorge Cortez: “Se debe aumentar eficientemente la inversión estatal”

Perú

Jueves, 28 de junio del 2012

El director de pregrado de la Universidad ESAN consideró que la flexibilización del SNIP es una medida acertada frente a la coyuntura internacional, ya que permitirá invetir en proyectos productivos.

Guillermo Westreicher H. – GESTIÓN

gwestreicher@diariogestion.com.pe

El ministro de Economía, Miguel Castilla , anunció que cambiarán algunos conceptos del Sistema Nacional de Inversión Pública(SNIP), ya que no involucra proyectos productivos, por ejemplo, agrícolas.

Jorge Cortez, director de pregrado de la Universidad ESAN, señaló que –en el contexto de la crisis financiera- un aumento eficiente del gasto es positivo.

“Se está flexibilizando el uso de los recursos públicos. No se trata de gastar por gastar sino que la inversión sea productiva”, afirmó

El sistema del SNIP –explicó Cortez- se dificulta porque quienes ejecutan el gasto no tienen la preparación suficiente para defender un proyecto. Por ello –aseguró- se debe fortalecer el sistema para organizar las prioridades de la inversión estatal.

“¿Por qué se puede invertir en un hospital y no en un colegio o un canal de riego? Es preferible no gastar a gastar de cualquier manera”, añadió

La economía peruana –resaltó el economista- está bien resguardada porque las reservas internacionales y la tasa de interés son altas.

“Existe margen de maniobra para bajar tasa de interés. Pueden generarse presiones inflacionarias pero es una opción si la crisis se agrava y la demanda externa cae más”, destacó.

No obstante, según el experto, aún no se conoce la verdadera magnitud de la crisis europea, por lo cual prevalece la incertidumbre y no se puede asegurar que el estímulo del MEF sea suficiente y no esté sujeto a errores.

Medidas comerciales
“En general, las medidas del Gobierno apuntan a impulsar la demanda interna y el sector exportador. Además, se busca favorecer la actividad de los gobiernos locales y regionales”, anotó.

Según el economista, las medidas de facilitación de comercio exterior son acertadas frente la reducción de la balanza comercial, el menor crecmiento del PBI y el gris panorama europeo.

“Es razonable en esta coyuntura proteger al exportador. La teoría nos dice que eso se debe hacer”, manifestó.

En relación a la ampliación de la cobertura del drawback, Cortez sostuvo que la principal traba es el trámite administrativo, que a veces es muy engorroso. Pero en la medida que los precios disminuyan –afirmó- los exportadores recurrirán a este beneficio de devolución de impuestos.

A tomar en cuenta
“El turismo también puede verse afectado si la crisis se manifiesta en el sector real de las economías extranjeras, porque se reducirían las pensiones a los jubilados y ellos viajarían menos”, advirtió.

Finalmente, el economista indicó que no le hace bien a la economía regional los sucesos políticos en Paraguay (destitución del presidente Lugo), Argentina (medidas proteccionistas) y Bolivia (expropiaciones).

“Esos procesos, aunque deben tener sus razones, afectan la imagen de la región”, opinó.

28/06/2012 - 12:44h El primer año de Ollanta

Waldo Mendoza Bellido, Jefe del Departamento de Economía de la PUCP – El Comercio

El primer año del Presidente Humala tiene luces y sombras. Entre las luces pueden citarse el archivamiento de La Gran Transformación, y el haber mantenido el sistema de políticas macroeconómicas vigente. Entre las sombras aparecen el dejar intacto el modelo de crecimiento basado en la exportación de minerales, la resignación a quedarse con una presión tributaria baja y el no atacar frontalmente el problema de la desigualdad.

Las luces

La Gran Transformación no se podía hacer sin un cambio constitucional: “Desarrollar la economía nacional de mercado es indispensable…Pero esto no se puede hacer en el marco de la Constitución actual”. La experiencia de la vecindad latinoamericana de las últimas décadas muestra que los cambios constitucionales hacen retroceder, no avanzar, a los países. Esa propuesta ha sido, felizmente, archivada definitivamente.

En el plano macroeconómico, Humala heredó una situación macroeconómica buenísima. El PBI per cápita de 2011 es un 65 por ciento más alto que el de 2001, y es más del doble de su nivel de 1991. En el contexto de América Latina, en el periodo 2001-2011, la tasa de crecimiento promedio del PBI peruano ha sido la más alta de la región y la inflación la más baja.

El sistema de políticas macroeconómicas que contribuyó en estos resultados ha permanecido intacto. El Banco Central de Reserva del Perú ha continuado acumulando reservas internacionales y el Ministerio de Economía y Finanzas ya puso en marcha una política fiscal expansiva, para hacer frente a la crisis internacional.

Las sombras

Hay dos grandes pasivos que dejaron García y Toledo y que la población demandó modificar: el grado insultante de desigualdad y la elevada participación de los minerales dentro de las exportaciones, rasgo característico de un modelo primario exportador difícilmente sostenible en el tiempo.

A pesar que la desigualdad ha disminuido en los últimos años, sigue siendo muy alta. Varias publicaciones han mostrado que el coeficiente de Gini, que es una cifra entre 0 y 1, donde 0 significa perfecta igualdad y 1 significa absoluta desigualdad, es de alrededor de 0.6, que nos presenta como un país muy desigual.

Así mismo, se ha acentuado el rasgo minero exportador de nuestra economía. Mientras en la década del ochenta la participación de las exportaciones mineras dentro de las exportaciones totales alcanzaba un 45 por ciento, en la última década esa fracción es de casi 60 por ciento.

Por otro lado, una lucha en serio contra la desigualdad y la pobreza requiere de recursos fiscales abundantes y de naturaleza permanente. Esta no es la ruta que Humala ha elegido. Según las proyecciones macroeconómicas, la presión tributaria se mantendrá en alrededor de 16 por ciento del PBI, cifra por debajo del promedio latinoamericano. Lo del impuesto predial no está considerado en la agenda presidencial y los nuevos recursos captados de la minería son apenas superiores a lo que cobraba el gobierno anterior.
En resumen, hizo bien Humala en elegir, entre las opciones existentes en América Latina, la opción actual. Hizo mal en quedarse demasiado pegado a lo que hacían sus antecesores. El país necesitaba continuidad, pero también necesitaba, dentro del modelo vigente, corregir los graves problemas de distribución y crecimiento dependiente de los minerales.

28/06/2012 - 12:20h Castilla: “Es necesario abrir una mayor competencia al sistema financiero”

PERÚ

Jueves, 28 de junio del 2012

El ministro Luis Miguel Castilla señaló que este año emitirán bonos soberanos al retail. De otro lado, dice que no hay sobreendeudamiento de mypes.

Hay que ser cauteloso en ir midiendo los balances de los bancos de las empresas, opinó el titular del MEF. (Foto: C. Urra)
Hay que ser cauteloso en ir midiendo los balances de los bancos de las empresas, opinó el titular del MEF. (Foto: C. Urra)


OSCAR GONZÁLEZ ESTRADA
ogonzalez@diariogestion.com.pe

ALFREDO PRADO GARCÍA
aprado@diariogestion.com.pe

¿Cómo ve el sistema financiero local?
Tenemos un sistema financiero muy concentrado; por ejemplo, las AFP pertenecen a los bancos y están vinculadas, también, a empresas de seguros. Entonces, es necesario abrir a una mayor competencia.

Han anunciado reformas en este campo…
Sí, del sistema privado de pensiones, pero también del mercado de capitales.

¿En qué consiste la reforma del mercado de capitales?
Es importante profundizar este mercado, porque actualmente hay barreras de entrada para empresas de menor tamaño para que se financien vía acciones, bonos, etc.). Y para los inversionistas hay un déficit de instrumentos en qué invertir, entre otros.

Por eso hay aspectos regulatorios que se pueden ir puliendo para que sea más fácil participar en el mercado de capitales, y debe haber un trato (tributario) neutral entre el sistema financiero bancario y el mercado de capitales. Hoy en día (el ahorro en) el sistema bancario está sujeto a una serie de exoneraciones fiscales, mientras que el mercado de capitales (por ejemplo, la inversión en bonos) no los tiene. Entonces, yo creo que se tienen que nivelar (el tratamiento tributario).

¿Esto pasa por eliminar las exoneraciones en el sistema financiero?
Estamos evaluando todas las alternativas que hay en el marco de las facultades legislativas otorgadas por el Congreso de la República. Pero creo que, lo esencial, es tener un mercado de capitales como una alternativa de financiamiento de las empresas.

Se ha anunciado la venta de bonos soberanos al por menor. ¿Cuál es el objetivo?
Vamos a entrar hacia un nuevo mecanismo, de tener un nuevo instrumento que sea bonos soberanos al retail, para minoristas, de manera que cualquier persona natural lo pueda adquirir.

Y para esto se requieren cambios en las normas…
Por supuesto. Estamos haciendo los cambios, y lo anunciaremos vía un decreto supremo.

¿Cuándo saldrá?
Probablemente en lo que resta del año.

Algunos ejecutivos del sistema financiero observan síntomas de sobreendeudamiento en las mypes. ¿Eso está ocurriendo?

Ha habido una cierta ralentización de los créditos al sector privado. De crecer a tasas más pegadas al 20%, ahora están creciendo menos, pero aún a dos dígitos.

¿Pero no hay alarmas en lo que son los créditos a las microempresas?
No, pero, creo que hay que ser cuidadosos y evitar los sobreendeudamientos que, hoy, no veo que sean un problema importante. Pero eso no quita que hay que ser cautelosos en ir midiendo, en general, los balances de los bancos, de las empresas, hoy y cuando sea necesario.

Entonces, por ahora no hay preocupación…
Estamos en una situación en la cual tenemos que estar muy proactivos y muy receptivos a la información que se va presentando en la economía. Estamos en una coyuntura externa compleja y en el ámbito local con conflictos que los estamos encaminando para que vayan resolviéndose. Y en este contexto estamos tratando de empujar las reformas.

¿Es el momento para hacer reformas?
Efectivamente, es el momento en el cual podemos avanzar con estas y otras reformas, como el de las AFP. Nos hemos enfocado en sacar reformas importantes en este primer año de gobierno, y hay otras, muchas más, que se tienen que hacer, por ejemplo, la reforma educativa, que es fundamental para el país. También estamos reformando el SNIP.

DIXIT
“Porque hay crisis no significa que se deban detener las reformas; hay una agenda positiva que se tiene que seguir”.

“Estamos trabajando en una serie de medidas fiscales, guardando razonabilidad y seguridad jurídica”.

“Hay que ser cuidadoso y evitar el sobreendeudamiento, porque la coyuntura externa no es fácil o predecible”.

Luis Miguel Castilla
Ministro de Economía

28/06/2012 - 11:46h Un proyecto contraproducente

Jueves, 28 de junio de 2012

Mirko Lauer – La República

La propuesta parlamentaria de que un presidente regional que haya participado en protestas vandálicas sea vacado revela el grado en que los sucesos de Cajamarca podrían estar cambiando la imagen de estos funcionarios elegidos. En algún momento del conflicto hubo una iniciativa para recortar sus atribuciones, pero eso no prosperó, pues era conflictivo en sí mismo. Esta propuesta promete serlo también.

Hasta la irrupción de Gregorio Santos en el escenario la tendencia era a que los presidentes regionales fueran más bien arrinconados por la protesta en las calles. Esta los obligaba a participar, en muchos casos con evidente desgano, en una esquina de la mesa de negociación, o a arriesgarse a ser considerados procentralistas.

Santos ha cambiado esto del arrinconamiento, al menos para su región. Hay versiones en el sentido de que al inicio fue empujado a moverse contra Conga por elementos más radicales y decididos. Pero en poco tiempo Santos les robó el liderazgo a personajes como Wilfredo Saavedra o Marcos Arana, con los cuales hoy mantiene frías relaciones, y algunos dicen que también a Ollanta Humala.

Este ha sido un notable salto político, al cual no se arriesgaron presidentes de cuño radical como César Álvarez (Áncash, reelegido) o Hernán Fuentes (anterior presidente de Puno). Su efecto más profundo ha sido establecer una contradicción de fondo entre el gobierno central y uno regional, incluso con planes nacionales propios. Algo así como un embrión de autonomismo.

A primera vista, la iniciativa de la Comisión de Descentralización del Congreso parece un buen ejercicio de justicia retributiva: autoridad estatal que lanza piedras contra el Estado debe retirarse. Pero una segunda mirada revela algunos aspectos seriamente impolíticos de la propuesta.

Con esta espada de Damocles se debilita la investidura del presidente regional, al imponerle un límite a su diálogo con la protesta vandálica. Al borrarse la línea que hay entre actuar por convicción y defender el puesto, el presidente regional queda pintado en la pared a la hora de los conflictos.

Lo cual ha sido parte del problema en la mayoría de los casos hasta ahora, en que se ha visto que lo que los presidentes necesitan es protección de los fabricantes de turbas instantáneas. Aunque es preciso decir que hasta aquí los presidentes se han protegido bastante bien ellos mismos de la cooptación en las calles.

La lección de Cajamarca es otra, y sencilla: el Código Penal basta cuando hay la voluntad política de aplicarlo. El presidente regional Santos parece haber cometido faltas suficientes como para merecer sanciones varias en lo administrativo. ¿Qué sentido tiene entonces esta poco velada amenaza a los demás presidentes regionales, que además no lo han apoyado en ningún momento?

28/06/2012 - 11:26h Perú: Con reforma del Ejecutivo se elevarían límites de inversión de las AFP

LUIS DAVELOUIS LENGUA – El Comercio

“El tema de ampliar la inversión de las AFP en el exterior es una decisión que depende del BCR, en la cual la SBS solo tiene una opinión no vinculante; es decir, puede tomarla o no”, afirmó el jefe de la Superintendencia de Banca, Seguros y AFP (SBS), Daniel Schydlowsky.

El funcionario dio estas declaraciones en respuesta a los comentarios del presidente del Banco Central de Reserva (BCR), Julio Velarde, quien dijo estar de acuerdo con que se eleve el mencionado límite, pero explicó que no se hacía porque se requería la opinión favorable de la SBS o tener completo el directorio del banco.

“En el caso de ampliación de límites, se requiere la opinión del superintendente que ha manifestado su oposición. No comparto sus argumentos, tal vez habría que discutirlos más seriamente con él, pero en todo caso, cuando uno se opone a la decisión de alguien que tiene que dar una opinión previa, uno requiere contar con el directorio completo”, explicó el presidente del ente emisor.

“Allí hay un tema que resolver”, afirmaba preocupado el presidente de la Asociación de AFP, Luis Valdivieso.

Trascendió que la responsabilidad de fondo del mencionado punto muerto recae en el Congreso de la República, al que no le bastaron 10 meses para nombrar a sus tres directores en el banco central. Velarde, en todo caso, estaría comprando tiempo hasta que se complete su directorio para tomar la decisión, pues es altamente probable que el elevar los límites operativos de las AFP en el extranjero no sea bien visto o pueda ser usado políticamente en el Legislativo, demorando aún más el nombramiento de los directores faltantes o, peor, designando a personas que lejos de aportar, obstaculicen las políticas del BCR.

PERO SÍ SE PUEDE

El argumento que esgrime Valdivieso es impecable: “Las AFP tenemos ingreso de recursos por US$250 millones mensuales –más los dividendos e intereses– que están correteando inversiones que no suman a US$250 millones al mes. Entonces, si todos compiten por las mismas pocas inversiones, estas suben y estamos generando una burbuja”, sostuvo el lunes en entrevista a El Comercio, coincidiendo un poco con lo que señaló Velarde en la misma oportunidad en la que dijo discrepar con la SBS.

Michel Canta, superintendente ajunto de AFP de la SBS, explicó que con la reforma que se viene preparando (en términos de reglamentación), en la práctica, las AFP van a tener más espacio para invertir y, en consecuencia, ello equivaldría a una ampliación de límites de inversión sin que todavía se hayan elevado de manera oficial.

“Hoy ya existen algunos vehículos alternativos de inversión que las AFP pueden comprar, pero que califican dentro del –vamos a decir– ‘cajón’ de renta fija o renta variable; cuando creemos el nuevo cajón de vehículos alternativos nada más, se libera automáticamente un 15% en esos otros dos cajones”.

Ese mismo lunes, Schydlowsky se refirió así al tema: “En comparación con lo que viene sucediendo en los mercados internacionales, que atraviesan una etapa muy incierta y volátil, en el Perú existen oportunidades de inversión rentables y de largo plazo –en infraestructura, por ejemplo– que no se están aprovechando por problemas de mercado”. Luego agregó que “está comprobado que una inversión de largo plazo en proyectos como infraestructura tiene un impacto positivo en la economía y genera mayor bienestar para todos, la población, las empresas, incluyendo a las AFP y al Estado”.

Algunos medios interpretaron las declaraciones como una suerte de estatismo disfrazado que pretendía usar los fondos de las AFP para solucionar sus propios problemas financieros y sus déficits, pero olvidaron mencionar que el superintendente, cuestionado en ese mismo sentido, explicó: “La decisión de inversiones del fondo privado de pensiones se debe dar libremente, en la búsqueda de un equilibrio entre la mayor rentabilidad y el menor riesgo, la misma que debe ser diversificada, colocando tanto en el país como en el exterior. Todo ello bajo un esquema de regulación prudencial por parte de la SBS que tiene que velar por los intereses de los afiliados”.

OBJECIONES DE LAS AFP
Aparentemente, las propias AFP no están todas de acuerdo con respecto a lo que les conviene más o menos, pero el presidente las representa a todas.

Por ejemplo, el que sea posible tercerizar los procesos sería muy positivo para aquellas AFP que tienen un banco dentro del grupo al que pertenecen, lo mismo que si se decidiera hacerlo con la fuerza de ventas; sería mucho más aprovechable por AFP ligadas a bancos con grandes redes de puntos de contacto u oficinas. Pero el que se liciten las afiliaciones afecta el valor de mercado de las administradoras porque solo una podrá realizar afiliaciones por dos años. “Si quieres vender, no te conviene porque te castiga el precio”, comentó una fuente cercana al sistema que prefirió no ser citada.

De hecho, ello es perfectamente consistente con lo mencionado por Valdivieso, en el sentido de que cada AFP tiene una estructura de costos diferente y que la medida que se tome para mejorar la competitividad habrá de afectar a cada AFP de distinta manera.

“Ojalá –dicen en la SBS– que los ahorros sean transferidos a los afiliados”.

28/06/2012 - 09:42h Vice de Serra explicita disputa entre Kassab e Alckmin

Por Vandson Lima e Raphael Di Cunto | VALOR

De São Paulo

A briga pela indicação do candidato a vice na coligação que terá José Serra (PSDB) como postulante à Prefeitura de São Paulo ganhou novos contornos ontem. De um lado, a executiva do PSDB aprovou um manifesto em que reivindica a chapa pura. De outro, o PR comunicou à chapa, por nota, que só abdica do posto se o vice for indicado pelo PSD, partido do prefeito Gilberto Kassab.

Nas entranhas dessa batalha entre aliados se avoluma a disputa entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e Kassab, ambos com olhos postos em 2014 e ciosos em ceder espaço para o outro na composição da chapa serrista.

A executiva do PSDB na capital paulista aprovou na terça-feira, por unanimidade, a defesa de que o vice de Serra seja também um nome da sigla – o ex-secretário estadual de Cultura Andrea Matarazzo, próximo de Serra, e o deputado federal Edson Aparecido, aliado de Alckmin, figuram como favoritos.

A leitura no tucanato é de que o PSDB já cedeu o suficiente aos aliados ao aceitar a formação de uma mesma chapa de vereadores, o que em tese prejudicaria o desempenho do partido na eleição proporcional. Veem ainda na manifestação do PR as digitais de Kassab, principal articulador da adesão do partido à aliança.

Principal líder do PR na cidade de São Paulo, o vereador Antonio Carlos Rodrigues disse não considerar uma ameaça o fato de seu partido reivindicar a vice. “De maneira nenhuma. Só queremos sentar e conversar, não podemos saber as coisas apenas pelos jornais”, afirmou. “Quando combinamos a aliança, houve acordo para que o partido com a maior bancada ficasse de vice. Se mudou, queremos postular a vaga”, avisou.

O vereador diz que não ter conversado com o prefeito Gilberto Kassab antes de redigir a nota. O prefeito deseja indicar o vice e ofereceu o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider para a vaga. O DEM, antigo partido de Kassab, quer que o escolhido seja o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM). O PV também pleiteia a vice, com o ex-secretário municipal de Meio Ambiente Eduardo Jorge.

Durante a convenção tucana que oficializou a candidatura Serra, no domingo, o presidente do PV, José Luiz Penna, chegou a dizer que haveria um “processo de queimação” nas denúncias de que seu correligionário teria recebido propina enquanto estava no cargo. Para Penna, isso ocorreria justamente por Jorge ser um dos nomes considerados para a vice de Serra. Questionado se a “queimação” viria de partidos aliados, se limitou a dizer “Aí eu não sei”. Hoje, a coordenação de campanha de Serra se reúne com os aliados.

Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) multou Serra em R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada, em decisão do juiz Henrique Harris Junior. É a terceira multa do candidato do PSDB a prefeito da capital paulista neste ano. As punições totalizam até o momento R$ 20 mil. O PT acusou Serra, em representação ao TRE, de divulgar sua candidatura no site www.joseserra.com.br, por meio de comentários dos leitores. O parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) é favorável à multa, sob a alegação de que os comentários são moderados pelo proprietário, que “não pode alegar ignorância ou desconhecimento acerca do seu conteúdo”.

28/06/2012 - 08:40h Pesquisa do PT revela que mensalão afetou 30% dos seus eleitores

Por Raymundo Costa | VALOR

De Brasília

Pesquisa encomendada pelo PT revelou que 70% de seus eleitores se mantiveram fiéis ao partido, apesar do mensalão. A maior preocupação da sigla, agora, são os efeitos que um mês de julgamento dos acusados terá nas eleições. O julgamento deve se tornar um grande show midiático, o que pode alterar a percepção sobre o partido, dificilmente para melhor.

A expectativa no PT é que desde antes de o julgamento começar, no dia 2 de agosto, uma quinta-feira, o tema “mensalão” será predominante no noticiário dos jornais, rádios, televisão e nas redes sociais. A partir do dia 2, então, as emissoras de televisão terão links no STF, para transmissões ao vivo, o assunto estará na internet e na mídia em geral, todos os dias. Isso certamente terá efeitos sobre a imagem do partido, em plena campanha.

Segundo a pesquisa do PT, a “cara do mensalão” é o empresário Marcos Valério, com 34% das respostas.

A percepção geral, antes da pesquisa, era de que esse personagem fosse o ex-ministro José Dirceu, apontado como o” chefe da quadrilha” dos 40 réus denunciados pelo então procurador-geral Antônio Fernando e nas alegações finais do atual chefe do Ministério Público Federal, Roberto Gurgel.

Dirceu não é o primeiro, mas vem logo a seguir na relação, com 16%. O índice é surpreendente até porque José Dirceu é, entre todos os acusados, aquele que mais se expõe publicamente na discussão do mensalão. Tanto que alguns colegas do banco dos réus chegaram a criticá-lo, em dado momento, porque consideraram que sua defesa algumas vezes era feita as custas dos outros “companheiros”.

Isso ocorreria, por exemplo, quando Dirceu dizia que nem sequer exercia cargo partidário à época em que o suposto mensalão teria ocorrido, estava no governo, argumento que passava a impressão segundo a qual os que estavam no partido seriam culpados. Dirceu também parou de falar que queria a realização rápida do julgamento, como se os demais não quisessem.

O antigo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, à época (2005) o principal “vilão” do mensalão, e os demais réus aparecem com 2% ou menos na pesquisa.

Mesmo com o mensalão, o PT é citado na pesquisa analisada pela cúpula da sigla como o partido “mais honesto” do país. Ou seja, sete anos depois, o PT se apresenta ao eleitorado sem grandes prejuízos provocados pelo escândalo do mensalão, o maior ocorrido nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas o que já estava “precificado”, na avaliação da cúpula partidária, deverá ser utilizado à exaustão na campanha eleitoral pelos adversários do PT.

Os petistas avaliam o que pode ser feito diante desta situação. Atualmente, por exemplo, nada impede que as imagens do julgamento sejam utilizados na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

O PT tenta elaborar uma política de redução de danos para conter prejuízos maiores na eleição de outubro, na qual o partido já não se encontra bem posicionado para a disputa nas principais capitais – atualmente, seu único candidato bem posicionado nas pesquisas, num grande colégio eleitoral, é Nelson Pellegrino, em Salvador. São Paulo ainda é uma incógnita, mesmo com o crescimento de cinco pontos de Fernando Haddad, em São Paulo, segundo pesquisa Datafolha.

A cobertura extensiva do julgamento, segundo avaliações petistas, será negativa para o partido, mesmo que alguns dos réus sejam absolvidos. A melhor hipótese seria a absolvição do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente da sigla José Genoino, do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, os nomes com a marca do partido, e de Delúbio Soares, cujo nome não é lembrado agora pelo eleitorado, mas que o julgamento colocará de novo em “foco”.

A pesquisa tem alguns resultados heterodoxos, que deixaram “pasmos” os petistas, com o fato de uma parcela do eleitorado – pouco mais de dois dígitos – dizer que vota no PT por causa do mensalão.

27/06/2012 - 22:00h Boa noite


Schubert (Perenyi, Schiff) – Sonata en a minor Arpeggione D821

27/06/2012 - 19:00h La Fanciulla del West


Giacomo Puccini – La Fanciulla del West

Placido Domingo
Carol Nablett
Silvano Carroli

Conductor – Nello Santi
Covent Garden ROH, 1983

27/06/2012 - 18:31h As conchas

Paul Verlaine

Cada concha, no interior
dessa gruta onde a gente se ama,
tem o seu especial sabor.

Uma, a púrpura tem da chama
roubada ao nosso coração,
quando o desejo nos inflama.

Finge esta a tua lassidão
se me vês, pálida e irritada,
a olhar-te cheio de intenção.

Nesta, a tua orelha é imitada
com graça; e aquela copiou
tua nuca rósea e torneada.

Uma, porém, me perturbou.


(Tradução de Onestaldo de Pennafort Fragonard)

27/06/2012 - 18:17h Les coquillages

Paul Verlaine

Chaque coquillage incrusté
Dans la grotte où nous nous aimâmes
A sa particularité.

L’un a la pourpre de nos âmes
Dérobée au sang de nos coeurs
Quand je brûle et que tu t’enflammes ;

Cet autre affecte tes langueurs
Et tes pâleurs alors que, lasse,
Tu m’en veux de mes yeux moqueurs ;

Celui -ci contrefait la grâce
De ton oreille, et celui-là
Ta nuque rose, courte et grasse ;

Mais un, entre autres, me troubla.

27/06/2012 - 18:06h Las conchas

Paul Verlaine

Cada concha incrustada
En la gruta donde nos amamos,
Tiene su particularidad.

Una tiene la púrpura de nuestras almas,
Hurtada a la sangre de nuestros corazones,
Cuando yo ardo y tú te inflamas;

Esa otra simula tus languideces
Y tu palidez cuando, cansada,
Me reprochas mis ojos burlones;

Esa de ahí imita la gracia
De tu oreja, y aquella otra
Tu rosada nuca, corta y gruesa;

Pero una, entre todas, es la que me turba.

27/06/2012 - 10:05h Conteúdo nacional deve ser exigido em energia


Governo quer criar uma política pública para reduzir a participação de equipamentos importados no setor

27 de junho de 2012

ANNE WARTH/BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A exemplo do que fez com a indústria de petróleo, o governo pretende criar uma política pública para exigir conteúdo local do setor de energia elétrica nas áreas de geração, transmissão e distribuição. A ideia é combater o aumento das importações de equipamentos, estimular a competitividade da indústria nacional e garantir a segurança e a confiabilidade do sistema.

De acordo com documento obtido pelo Estado, apresentado ontem na reunião do Conselho Nacional de Polícia Energética (CNPE), o governo deve iniciar estudos levando em conta a capacidade de fornecimento da indústria nacional, o impacto das propostas e sua compatibilidade com os compromissos assumidos pelo País no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

A assessoria econômica do Ministério de Minas e Energia avalia que houve um crescimento no número de empresas estrangeiras que participam de obras de infraestrutura, principalmente em projetos que envolvem a exploração de recursos naturais.

Aliado a isso, a participação de equipamentos importados e de mão de obra estrangeira na execução e operação dos projetos também aumentou. Após a entrada de europeus no setor, o documento menciona que os chineses são os que mais investem na área de transmissão atualmente.

“No setor de petróleo, esse problema foi enfrentado com a adoção de índice de conteúdo local nos contratos de concessão para a exploração e produção de petróleo”, diz o documento, fazendo referência a regras da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que vêm sendo aprimoradas desde 1999.

Sugestões. Entre as recomendações do texto, estão alterações nos editais de licitação de geração, transmissão e distribuição de energia, com a previsão de porcentual mínimo de investimentos em itens nacionais na proporção dos investimentos totais. Se houver mudança de titularidade nos contratos de concessão para grupos estrangeiros, a recomendação é incorporar cláusulas de conteúdo local e governança. O documento sugere o direcionamento de recursos para pesquisa e desenvolvimento a políticas setoriais que fortaleçam a indústria. / COLABORARAM EDUARDO RODRIGUES, GUSTAVO PORTO e SABRINA VALLE

27/06/2012 - 09:58h Expansão de plantio da coca no Peru gera temores globais

Por John Lyons | The Wall Street Journal, de Cushillococha, Peru | VALOR

As planícies dessa área da região amazônica sempre foram vistas como solo impróprio para o cultivo de coca potente o bastante para produzir cocaína. A planta se dá melhor em zonas andinas mais íngremes e elevadas, onde há séculos é cultivada por indígenas.

Mas novas técnicas deram a Cushillococha, aldeia da tribo Ticuna às margens do trecho peruano do Amazonas, uma distinção surpreendente no comércio mundial de drogas: a aldeia abriga hoje algumas das plantações da matéria-prima da cocaína que mais crescem no planeta. O relatório anual da ONU sobre tendências do narcotráfico, divulgado ontem, registra mudanças importantes no comércio global de cocaína – mudanças que estão empurrando o cultivo da coca (e o consumo do entorpecente) para a Amazônia peruana, perto da fronteira com o Brasil.

Para se adaptar à queda no consumo da droga nos Estados Unidos, traficantes estão abrindo novos mercados e rotas de distribuição em lugares como o Brasil, indicam dados recentes da ONU.

Em maio, o Brasil despachou o Exército para ajudar a Polícia Federal a impedir a entrada da droga pelas fronteiras na Amazônia. “Para onde você acha que essa produção toda vai?”, disse Sérgio Fontes, superintendente da Polícia Federal no Amazonas, que faz fronteira com o Peru.

Lavradores da tribo Ticuna, que usam botas de borracha para evitar picada de cobra, mostram como a coca do Baixo Amazonas pode globalizar ainda mais a indústria da cocaína. Seu sucesso tem grandes implicações para a floresta, seus habitantes – e, possivelmente, para a própria indústria da cocaína.

Hoje, toda a coca do mundo é cultivada no Peru, Colômbia e Bolívia. Agora, a coca sendo plantada na Amazônia peruana pode facilmente ser cultivada do outro lado da fronteira, no Brasil.

No ano passado, novas plantações de coca em aldeias Ticuna ajudaram a elevar em 70% o cultivo total de coca no Baixo Amazonas do Peru, uma região pouco habitada perto da fronteira com o Brasil e a Colômbia, segundo estimativas atuais da ONU.

Uma década atrás, praticamente não havia cultivo de coca na área. Agora, a Amazônia profunda responde por uns 8% da área plantada de coca no Peru, indicam essas estimativas (e esse volume tende a crescer).

A planta da coca não cresce em qualquer lugar. Tropical, ela se adapta melhor em zonas equatoriais. A chegada da indústria da coca à base da bacia amazônica é um marco inquietante para um dos ecossistemas mais frágeis do mundo. A agricultura de corte e queima da coca já é causa de desmatamento no Baixo Amazonas peruano, dizem ambientalistas.

Traficantes despejam restos de querosene, ácido e outros químicos usados na produção da cocaína em rios até então cristalinos. Tribos indígenas com poucos recursos podem ser atraídas para a economia da droga, ou, em certos casos, até expulsas das próprias terras.

“A violência aumenta a cada dia e a população indígena está entrando em um ciclo vicioso”, disse o general Carlos Moran, da Polícia Nacional Peruana, que comandou uma operação recente de erradicação de coca na região.

A coca da Amazônia já trouxe mudanças para Cushillococha, um vilarejo tão pequeno que não tem ligação por terra com o resto do Peru. A coca é fonte de renda para uma comunidade carente, com pouco acesso a serviços públicos e cuja conexão a centros econômicos maiores exige longas viagens de barco, diz Walter Witancourt, um líder da aldeia. Outros membros da tribo, no entanto, dizem que a coca também trouxe o alcoolismo e o consumo de cocaína, e deixou aldeias Ticuna em meio ao fogo cruzado de traficantes rivais.

Witancourt, um sujeito magro na casa dos 60 anos, disse que alguns moradores começaram a plantar coca uns cinco anos atrás. Sabiam que era para algo ilegal, mas precisavam do dinheiro para comprar coisas básicas como comida e material de construção para as modestas moradias.

“Fomos abandonados pelo governo há uns 50 anos ou mais”, disse Witancourt. “Nossos filhos também têm o direito de estudar, de ser advogados ou ter alguma outra profissão”.

No Peru, a coca cresce basicamente em zonas elevadas da Cordilheira dos Andes, entre 500 e 2.000 metros de altitude. Antigamente, todo mundo achava que não dava para cultivar uma coca boa no solo da bacia amazônica.

Uma variedade da planta da coca que cresce naturalmente nas zonas baixas da Amazônia, a ipadu, tem um décimo da potência da planta cultivada em zonas altas, por exemplo. E as raízes apodrecem e morrem na terra úmida, um sério problema para a agricultura em planícies inundáveis da Amazônia.

Em 2000, uma campanha militar apoiada pelos EUA para erradicar a coca da Colômbia incentivou produtores a se embrenhar ainda mais na selva do país para escapar das batidas. Autoridades florestais que atuam na região amazônica de Loreto, no Peru, consideram baixas demais as estimativas da ONU, segundo as quais havia, em 2010, uns 3.200 hectares em cultivo na zona.

O potencial impacto da coca na vida da Amazônia é ampliado pelo isolamento da região. A tribo nômade colombiana Nunak, que só teve o primeiro contato com a sociedade moderna na década de 80, foi expulsa de suas terras nos últimos anos por produtores colombianos de coca apoiados por insurgentes fortemente armados, segundo a organização britânica Survival International, que trabalha com a tribo. Teve Nukak que deixou a floresta para viver em condições miseráveis nos arredores de San José del Guaviare, o maior centro urbano da área. Agora, a tribo está na lista da ONU de povos indígenas em risco iminente de extinção.

Cushillococha e cidades próximas atraem traficantes porque estão em uma terra de ninguém, fora do alcance do Estado peruano. O principal meio de transporte na região é o rio, mas a polícia peruana antidroga tem um único barco que funciona – e nenhuma aeronave. Quando precisa usar barco, é comum ter de pedir combustível emprestado ao governador local, disse a polícia.

Em 2011, a polícia peruana fez uma campanha de erradicação da coca na área com helicópteros emprestados dos EUA e combustível enviado rio acima em barris pela polícia brasileira. Mas não tocaram na coca plantada pelos Ticuna, disse a polícia, pois um conflito entre a polícia e a tribo poderia ter tido consequências negativas na política peruana.

“Nesse momento, o que há lá é, basicamente, agricultor pobre plantando coca. Se deixarmos a situação assim por muito tempo, um dia vamos voltar e descobrir que grupos equipados para a guerra se mudaram para lá, e vamos ter dificuldade para erradicá-los”, disse Fontes, o superintendente da PF no Amazonas.

(Colaborou Ryan Dube.)