31/07/2012 - 22:00h Boa noite


W.A. Mozart Concerto in re min. K.V. 466 (completo) Martha Argerich

31/07/2012 - 21:02h Obras de Caravaggio chegam a SP ligadas a mitos e dramas

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“São Francisco em Meditação”, pintura aparece em duas versões na exposição “Caravaggio e Seus Seguidores”


Por Mariana Shirai | Para o Valor, de São Paulo

Duas telas quase idênticas integram o conjunto de 22 obras da mostra “Caravaggio e Seus Seguidores”, que será aberta amanhã no Museu de Arte de São Paulo (Masp). As duas versões de “São Francisco em Meditação” foram recentemente restauradas pela pesquisadora italiana Rossella Vodret, especialista na obra e idealizadora da exposição brasileira. Uma das telas, datada de 1606, é a obra original de Caravaggio; a segunda, realizada de 1606 a 1618, era considerada uma cópia feita pelo próprio artista. Mas em 2010 Rossella formulou a tese de que a cópia não havia sido executada por ele.

A descoberta da pesquisadora não obteve aceitação unânime. O próprio material de divulgação da mostra se refere aos dois “São Francisco em Meditação” como obras de Caravaggio, ignorando a hipótese de Rossella.

De acordo com Arnaldo Spindel, diretor da Base7, produtora da mostra, a questão da comprovação ainda não está definida. “A apresentação dos dois ‘São Francisco em Meditação’ e de uma sala dedicada à explicação mais detalhada do processo de análise e autenticação de obras de Caravaggio se inserem na perspectiva da curadoria de colocar como um dos pontos centrais dessa exposição as questões relacionadas às atribuições e confirmações.”

Quando se trata da obra de Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), divergências em relação a autoria são frequentes.

O gênio do “chiaroscuro” é atualmente um dos objetos preferidos de pesquisas que revolvem a história da arte para reescrevê-la ou alimentá-la com novos detalhes. Os resultados anulam ou asseguram a autoria de peças, descobertas de obras até então desconhecidas de grandes artistas e até exumações de corpos, como ocorreu no mês passado em Florença, quando um grupo de pesquisadores afirmou ter encontrado a ossada da modelo de “Mona Lisa”, quadro de Leonardo da Vinci.

Esse mesmo grupo de arqueólogos encontrou há alguns anos o que seriam os restos mortais de Caravaggio, que foram desenterrados e exibidos ao público em 2010, ano que marcou os 400 anos da morte do artista. Para o historiador de arte Luiz Marques, essas buscam sugerem um processo de “beatificação” dos grandes artistas, como se a procura fosse por relíquias de santos.

Dali em diante, sua obra seria alvo de diversas descobertas, quase sempre polêmicas.

A mais recente delas, divulgada no início deste mês, diz respeito a um conjunto de cem desenhos do artista, que poderiam valer US$ 700 milhões caso a autoria não suscitasse tanta desconfiança – muito já foi escrito sobre o fato de que Caravaggio não desenhava.

A exposição no Masp traz textos e painéis informativos que, a partir das obras reunidas, aprofundam essas questões. “Por isso, essa é uma mostra que discute não só a obra do mestre italiano, mas também a história da arte”, afirma Fábio Magalhães, curador brasileiro da exposição.

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“Medusa Murtola”: assim como a tela “Retrato do Cardeal”, obra é exposta pela primeira vez fora da Itália


As inovações tecnológicas têm papel importante para a proliferação de pesquisas no campo da arte. “Até há pouco tempo, essas análises eram todas feitas ‘no olho’. Vinha um especialista e, apenas a partir de seu conhecimento e da observação da obra, ditava se ela era ou não autêntica”, afirma Magalhães. “Hoje em dia, as análises vão muito além. Há raios infravermelhos que atravessam o pigmento e revelam o processo da pintura e ampliações de 200 vezes para analisar uma pincelada, entre muitas outras estratégias.”

Não fossem esses novos recursos, a obra “Medusa Murtola” provavelmente não estaria nessa mostra. Assim como “Retrato do Cardeal”, a peça sai da Itália pela primeira vez. As obras chegam a São Paulo pouco depois da conclusão de uma pesquisa que durou 20 anos e desmistificou uma crença de quatro séculos.

Acreditava-se que “Medusa Murtola” era uma cópia feita por um “caravaggesco” (nome dado aos artistas que seguiam o estilo do mestre italiano) de uma das obras mais conhecidas do artista, a “Cabeça de Medusa”. O estudo revelou que o próprio Caravaggio concebeu a “Medusa Murtola” e só depois fez a obra que era considerada “a original”.

A degola, aliás, é um tema recorrente na obra do mestre italiano, que precisou fugir de Roma depois de ser condenado à decapitação pelo assassinato de Ranuccio Tomassoni. Caravaggio chegou a obter o perdão pelo crime, mas adoeceu e morreu antes de conseguir retornar para Roma. A violência e a morte estão entre os principais temas retratados pelo artista.

Além de “Medusa Murtola” e “São Francisco em Meditação”, a mostra na capital paulista apresenta outras quatro obras de Caravaggio, incluindo “São Jerônimo Que Escreve” e “São João Batista Que Alimenta o Cordeiro”. Esta última entrou nos últimos três dias da exposição em Belo Horizonte, primeira parada das obras no Brasil. Quase 90 mil pessoas visitaram a mostra, que, depois de São Paulo, vai para Buenos Aires.

Também será incluída agora na exposição uma cópia de autor desconhecido da tela “Os Trapaceiros”, de Caravaggio. Completam o conjunto no Masp outras 15 obras de artistas contemporâneos do gênio italiano e influenciados por ele, como Artemisia Gentileschi, Bartolomeo Cavarozzi, Giovanni Baglione e Hendrick van Somer.

São conhecidas apenas cerca de 60 obras de Caravaggio. Muitas são painéis em igrejas e outras nunca saem dos acervos das instituições que as detêm. As que estão no país provêm de coleções particulares e de três prestigiados museus italianos: a Galleria Borghese e o Palazzo Barberini, em Roma, e a Galleria degli Uffizi, em Florença.

Foi o italiano quem primeiro recusou a tradição renascentista da perspectiva. “Caravaggio revolucionou a arte com uma nova concepção de espaço. Em suas telas, é como se a luz esculpisse os corpos”, diz o historiador de arte Luiz Marques. E não há polêmica ou pesquisa que mude o impacto de se pôr diante de suas telas.


“Caravaggio e Seus Seguidores”

Masp (av. Paulista, 1.578, São Paulo), tel.: (0xx11) 3251-5644. De terça a domingo, das 11 h às 18 h; quinta, das 11 h às 20 h, R$ 15

31/07/2012 - 20:02h Minotauro – Ex


Philippe Combes (Choregrapher) and Bruno Aveillan (Director). Dancer : Philippe Combes & Nataly Aveillan

31/07/2012 - 19:36h Dita… bendita

dita1

Dita2
Dita von Teese

31/07/2012 - 19:06h Andromeda Liberata


Philippe Jaroussky – Vivaldi – Andromeda Liberata – Sovente Il Sole

31/07/2012 - 17:30h Arzila

Tahar Ben Jelloun

eu sou a inércia criminosa e o exílio dos cães
tenho a amizade dos gatos e dos pobres
todas as minhas esposas me foram infiéis
soçobraram numa insensível loucura
das imagens e não das das almas
eles dizem que estou doido
mas o que estou é sozinho
um pouco triste
escutai-me
vou contar-vos tudo…
eu tinha-lhe dado uma cabra…
não
não estou doido
se me deres um cigarro eu continuo a história…


Tahar Ben Jelloun. Arzila. Estação de espuma.Texto Bilingue. Tradução de Al Berto Ilustrações de Luís Miguel Gaspar. Hiena Editora. Lisboa, 1987

31/07/2012 - 11:02h Empresa e inclusión social en el gobierno de Humala.

De lo público y lo privado

Martes, 31 de julio de 2012

Augusto Álvarez Rodrich – La República

Las empresas privadas cometerían un error si creyeran –como algunas– que nada ha cambiado en el entorno de negocios en el Perú, pues hay algunas modificaciones que no por sutiles dejan de ser cruciales. Las que no lo entiendan pueden pagarlo caro en este lustro político.

Muchas empresas respiran hoy con alivio, pues la pesadilla que imaginaron que sería Ollanta Humala se convirtió, un año después, en la continuidad de lo que se conoce como ‘el modelo económico’.
No les falta razón, aunque solo en parte. La ratificación del equipo económico del presidente Alan García –Miguel Castilla y Julio Velarde– que hizo Humala antes de empezar su gobierno fue una señal clara de por dónde iban las cosas, y lo ocurrido durante el último año lo confirma.

Pero lo que no debiera pasar desapercibido para el sector privado es que la inclusión social constituye el objetivo principal del presidente Humala, quien parece haberlo recordado en su mensaje del sábado, y a ello apunta la promesa de que, en el año 2016, al culminar su mandato, la pobreza se debe haber reducido a 15% del total de la población.

No es, ciertamente, poca cosa. Su logro demandará un esfuerzo notable del Estado mediante políticas públicas inteligentes en varios sectores, pero, también, de la empresa privada, la cual tiene, como primer objetivo, invertir y crecer, pero también tiene algo más por hacer.

Quizá a eso se refirió el premier Juan Jiménez Mayor cuando la semana pasada visitó a la Confiep y señaló que la empresa privada debe comprometerse a seguir invirtiendo y, sobre todo, a poner énfasis en la responsabilidad social, empezando por casa, es decir, mejorando la situación de sus propios trabajadores.

El costo de fracasar en este lustro en el objetivo crucial de la inclusión sería muy grave para el país y, naturalmente, para la empresa privada. La desilusión social que produciría el fracaso en su logro sería fatal.

Esto requiere que las empresas entiendan las razones de fondo que produjeron el triunfo electoral de Humala, la relevancia de la inclusión social, y que el nuevo entorno ofrece ventajas competitivas importantes para las empresas que sepan usarlas, pero que las que fallen en incorporarlas en sus estrategias enfrentarán problemas complejos.

A muchos empresarios les habría convenido leer lo que Gastón Acurio puso hace un año en el facebook: “El empresario que no logre comprender que la inclusión social debe ser en los próximos cinco años uno de los principales objetivos de la empresa, se perderá de una inmensa y quizá única oportunidad de hacer de su empresa una marca reconocida, valorada, respetada y, por consiguiente, exitosa y floreciente”.

Pero aún no es tarde para hacerlo.

31/07/2012 - 10:49h Perú: Dilemas sobre el gas

31 de julio de 2012

Idas y venidas sin explicación oficial en Perupetro

Editorial La República

El plazo de 60 días que le pusiera Perupetro al Consorcio Camisea, conminándole al pago de las regalías adeudadas por el cambio no declarado de los destinos de embarques de gas natural bajo advertencia de anularle del contrato del Lote 56, motivó la salida del Presidente del Directorio. Su sucesora solo duró en el cargo algunas horas y se ha producido un nuevo relevo. La crisis en la empresa pública es ya visible y no puede ser explicada fuera de tres elementos: el desvío de barcos de transporte de gas hacia puertos no declarados; las versiones sobre presiones para evitar el cobro de las regalías demorando un acuerdo final para concretar la recuperación del lote 88 para el mercado nacional: y la postergación de la construcción del tramo Malvinas-Cusco del Gasoducto del Sur que debería haberse iniciado el 28 de julio.

La trama de la reexportación del gas peruano adquiere el tono de escándalo. En el gobierno pasado Perupetro contrató una supervisora de las exportaciones del gas natural que habría encontrado que el gas de Camisea había llegado a varios puertos en 10 embarques y luego reexportado a Asia y a Europa. El cambio de destino habría evitado a la empresa el pago de mayores regalías, iniciándose un contencioso que habría derivado en presiones inaceptables contra el Estado peruano. El retiro del Presidente del Directorio y luego de su sucesora estaría ligada a interferencias del sector Energía y Minas en contra del Estado.

Este episodio se relaciona con otro aún más misterioso, que ha empezado a generar inquietud en el sur del país. En su Mensaje del 28 de julio el Jefe de Estado anunció el envío de un proyecto de ley al Congreso para que se habilite la convocatoria a licitación internacional y el financiamiento para la construcción del ducto de líquidos de etano, partiendo de Pisco para hacer posible el llamado polo petroquímico. Desde el sur del país, sin embargo, se han alzado con rapidez las voces de alerta, indicando que este proyecto postergará por 5 años el inicio de los trabajos del primer tramo Malvinas-Cusco, que en febrero de este año se ofreció iba a iniciarse este mes con un crédito puente de 400 millones del Estado al consorcio Petroperú-Kuntur y que el nuevo proceso desnaturalizaría el proyecto inicial.

Quizás también convenga preguntarse cuándo y cómo se concretará el anuncio de la recuperación del Lote 88 para el consumo nacional objeto de una intensa demanda ciudadana. Hasta ahora este anuncio descansa en una carta todavía y no ha sido incorporada en el contrato a través de adendas. Lo único que ha logrado el Estado peruano es legalizar notarialmente las firmas, un acto con efecto jurídico limitado.

El gobierno ha dejado sin explicación los hechos abriendo espacio para el rumor, aun cuando a la vista se registran cambios respecto a los anuncios oficiales. En tela de juicio se encuentran varios tangibles sobre los cuales el discurso del gobierno ha puesto énfasis, es decir, los procesos de fiscalización a las compañías de hidrocarburos, la participación de Petroperú en la construcción del polo petroquímico y la modernización de esta empresa estratégica, todo ello en la perspectiva de nuestra independencia energética. En aras de la transparencia de un asunto que compete a todos los peruanos sería conveniente saber oficialmente lo que ocurre.

31/07/2012 - 10:33h Una entrevista

Martes, 31 de julio de 2012

La República

Entrevista de Alejandro Tapia a Mirko Lauer en La Tercera, Santiago de Chile, el domingo 29 de julio.

-¿Cuáles son las luces y sombras del primer año de gobierno de Humala?

Luces: haber entendido la importancia de mantener la continuidad en el proceso de gobierno. No me refiero sólo a la economía, digamos, que es una continuidad que tiene casi dos décadas. Sino que también por aspectos institucionales, programas sociales y otras cosas. Es un gobierno continuista. Pero de esa luz sale su sombra, porque al final no entendió que al heredar el paquete completo del gobierno anterior, heredó también sus problemas y a su vez los problemas para solucionar esos problemas. Estamos hablando de los conflictos (sociales). Humala pensó que por el solo hecho de llegar al poder las cosas mejorarían y cambiarían y ahí se vio con una amarga sorpresa. Las cosas siguen exactamente igual que con Alan García.

-¿Y eso lo hace dar un giro hacia la derecha o no está de acuerdo con esa visión?

Yo creo que no. En realidad si ha habido un giro a la derecha ha sido leve. Sus aliados de izquierda inventaron un Humala mucho más izquierdista de lo que era y probablemente con el entusiasmo de su campaña radicalizaron su discurso.

-¿Quién sería Humala en términos ideológicos?

Quedémonos en algún punto del medio. No sé de dónde sacan que este señor es de izquierda.

-Algunos analistas como Fernando Rospigliosi han dicho que el principal problema de Humala ha sido que sólo confía en sus asesores militares, pero que éstos son ineficientes ¿Comparte esa tesis?

Sí, yo podría aceptar lo que dice Rospigliosi, con una salvedad ¿Por qué esa discriminación con los civiles? Los civiles también han aportado su cuota de asesores ineficaces.

-En los últimos días se ha visto un tono más conciliador de Humala, en parte reflejado en su nuevo gabinete ¿Cómo analiza al nuevo equipo del presidente y el hecho de que haya tenido que nombrar a su tercer premier en apenas un año?

Si no hay experiencia con los amigos o los socios nuevos, no se puede gobernar. En cuanto al nuevo gabinete, hay buenas intenciones, pero el problema de un gobierno que ahora quiere más apertura, menos confrontación y más diálogo es que en un año este gobierno no les ha podido quitar la iniciativa a los movimientos de protesta de todo tipo que se han dado en Perú. Esos líderes que saben lo que quieren y saben adónde van.

-¿El nuevo gabinete será capaz de descomprimir los más de 250 conflictos sociales que hay en el país?

No veo 250 conflictos. En realidad hay 10 que interesan. Si tendrá la capacidad… al menos más que el anterior. Porque Juan Jiménez (nuevo premier) es un hombre políticamente más curtido. No viene de despachar en un mostrador comercial (como Óscar Valdés), sino que viene de una actividad jurídica y política. El problema es si va a poder tomar la iniciativa, que ahora la tienen otros líderes.

-¿Cómo ha sido recibido el nuevo gabinete en Perú?

Diría que ha sido recibido con un reconocimiento de la calidad profesional. Pero en realidad, entraron cinco nuevos y quedan 11 que son los mismos de antes. Quizás la gente esperaba más. Diría que ha sido recibido con muy poco entusiasmo.

-¿Cuál es el escenario que enfrenta Humala en su segundo año de gobierno?

Diría que uno de los escenarios ya está acá y es la continuación del clima de los conflictos. Lo segundo que enfrenta es la posibilidad de dificultades económicas más serias de lo que hemos visto. La tercera ya no es un desafío, pero sí una tarea y es cómo va a administrar el Ejecutivo el proceso de elecciones regionales que arranca al final del próximo año. Y lo cuarto es La Haya, que es un tema que va bien, aunque da la impresión de que se puede descarrilar.

-Humala no la tiene fácil…

No la tiene fácil, aunque en realidad todos son temas más o menos manejables. El problema es que Ollanta Humala no es un político eficaz. Es alguien bien intencionado, un presidente serio. Tiene todas las virtudes, menos la eficacia.

31/07/2012 - 10:07h Para ministro, demissões na GM não rompem acordo

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Para o ministro Brizola Neto, a decisão da empresa deve ser respeitada


Por Carlos Giffoni | VALOR

De São Paulo

O ministro do Trabalho, Brizola Neto, fez uma avaliação diferente da de outros membros do governo sobre a possibilidade de demissões na fábrica da General Motors (GM) em São José dos Campos. Segundo ele, o impasse na unidade, que ameaça a demissão de 1,5 mil trabalhadores do setor de montagem de veículos automotivos, é anterior ao compromisso firmado pelas montadoras em não demitir como contrapartida à redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

“A GM vem trazendo essa questão em São José dos Campos há alguns anos, antes mesmo da crise financeira internacional de 2008, do anúncio do plano Brasil Maior e dos setores que estariam sendo desonerados. Não se fala em demissões, mas em realocação de postos de trabalho”, disse Brizola Neto. “Existe uma decisão empresarial que precisa ser respeitada. Tentamos [o ministério do Trabalho] diluir os efeitos dessas demissões na região. O governo está atento à questão regional.”

Brizola Neto reforçou que há um compromisso da GM em realocar esses postos de trabalho nos outros parques industriais da empresa no país, em São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS). Questionado sobre as demissões no setor automotivo, ainda que o saldo final seja positivo, Brizola Neto afirmou que “as demissões [na GM] ainda não ocorreram” e que “a presidente Dilma Rousseff foi clara ao dizer que o governo espera a manutenção dos empregos”.

O ministro confirmou que está marcado para 4 de agosto um novo encontro entre diretores da GM, dirigentes sindicais e representantes do Ministério do Trabalho, em que se seguirão as conversas em busca de uma saída para as demissões programadas pela GM na região, mas segundo apurou o valor, os dirigentes da montadoras devem se encontrar hoje mesmo com integrantes do Ministério da Fazenda. Na terça-feira passada, a GM suspendeu as atividades na fábrica de São José por um dia, concedendo licença remunerada para os 7,5 mil funcionários da unidade.

Brizola Neto ainda defendeu que a desoneração da folha de pagamento em troca de uma contribuição sobre o faturamento continue sendo concedida a setores específicos, que necessitam mais de redução da carga tributária. “As desonerações são renúncias fiscais que precisam ser muito bem avaliadas para garantir retornos. Desoneração é dinheiro que o governo deixa de arrecadar para setores como saúde e educação, por isso precisa ser estudada”, afirmou.

O ministro não descartou que as desonerações continuem acontecendo, mas sempre de maneira setorial e não de forma generalizada. Ele disse, durante almoço em São Paulo, que os setores beneficiados com a desoneração da folha ou a redução do IPI têm apresentado resposta na produção e que apenas no setor automotivo a recuperação ainda não foi confirmada. “Mas o varejo já deu sinais de que o setor automotivo vai responder bem aos estímulos”, disse.

Brizola Neto afirmou que a carga tributária no Brasil é um entrave ao desenvolvimento nacional e que o governo busca fazer uma reforma tributária “em blocos”. Somados à carga tributária elevada, Brizola Neto citou o câmbio e os juros como fatores que podem atrapalhar o crescimento do país. “O governo tomou uma série de medidas nesse sentido para dar competitividade ao país. A taxa de juros tão baixa como está é um convite ao desenvolvimento.”

Fazenda chama montadora para explicar dispensas

Por Sergio Leo, João Villaverde e Edna Simão | De Brasília

Dirigentes da GM foram chamados para uma reunião hoje em Brasília com representantes do governo no Ministério da Fazenda para explicar as demissões em sua fábrica de São José dos Campos (SP). Irritada com as demissões, a presidente Dilma Rousseff ameaçou retirar os incentivos concedidos ao setor de automóveis sob a forma de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e tem adiado a publicação da regulamentação do novo regime automotivo, que traz novas exigências de conteúdo local, mas cria cotas de importação de carros sem o aumento do imposto.

Os executivos da GM devem apresentar seus planos de remanejamento de funcionários para evitar redução do quadro de pessoal, e mostrar que as vagas eliminadas em São José dos Campos serão compensadas por empregos em outras unidades. Um integrante da equipe econômica informou ao Valor que Dilma ordenou aos ministros que façam pressão sobre os dois setores que receberam redução de IPI em troca de manutenção de empregos: o automotivo e o de eletrodomésticos da linha branca. Demissões líquidas nesses setores podem levar à revisão do benefício, ameaça o governo.

Os empresários da indústria automobilística devem entregar hoje ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, um balanço de emprego, estoques e investimentos nos primeiros sete meses do ano. A ideia dos representantes da Anfavea, entidade que representa as montadoras, é mostrar os efeitos positivos da prorrogação do IPI para veículos novos até 31 de agosto. A indústria quer estender novamente o prazo de vigência do benefício.

Os empresários pretendem mostrar que os estoques recuaram dos níveis elevados registrados em abril e maio, e que há expectativa positiva para a realização dos investimentos previstos para o período 2012-2016. A Anfavea também deve apresentar dados que apontam que o nível de emprego na indústria foi mantido, algo que o governo exigiu como contrapartida quando concedeu o incentivo.

Os empresários devem mostrar ao ministro que a situação da fábrica da GM em São José dos Campos, que sinaliza demissão de trabalhadores, não afeta o “resultado global” das indústrias do setor. A reunião de hoje deve ajudar o governo na decisão de prorrogar ou não a redução de IPI para o setor.

31/07/2012 - 09:49h Governo vai conceder 5,7 mil km de rodovias

Davilym Dourado/Valor / Davilym Dourado/Valor
José de Freitas Mascarenhas: governo entendeu a importância de se aliar ao capital privado para superar gargalos”


Por Daniel Rittner e André Borges | VALOR

De Brasília

A presidente Dilma Rousseff já bateu o martelo na lista final de rodovias e ferrovias que vão entrar no pacote de novas concessões de infraestrutura. Nesse pacote, apelidado por auxiliares da presidente de “PAC das Concessões”, serão oferecidos à iniciativa privada cerca de 5,7 mil quilômetros de rodovias e 5 mil quilômetros de ferrovias.

Apesar da falta de definição sobre concessões em algumas áreas, como a de aeroportos, o governo trabalha para fazer esses anúncios até o fim de agosto. Na área de rodovias, o modelo de leilão por menor tarifa de pedágio será mantido, sem o pagamento de outorga. A malha a ser concedida engloba corredores como o Brasília-Goiânia-Palmas, formado pela BR-060 e pela BR-153.

Outro trecho, a BR-050, sai de Brasília e atravessa todo o Triângulo Mineiro, até a divisa com São Paulo. A partir dali, integra-se à Via Anhanguera, privatizada pelo governo paulista nos anos 90. Em todas as estradas, além de intervenções previamente definidas na ampliação e na manutenção da malha, o governo pretende acionar “gatilhos” de investimento, por meio dos quais as futuras concessionárias precisarão acelerar obras como duplicação de pistas e construção de viadutos, caso o volume de tráfego supere as previsões inicialmente apontadas nos estudos.

Outras rodovias com forte movimentação de cargas devem constar da nova rodada de concessões rodoviárias: a BR-101 na Bahia, a BR-262 (Belo Horizonte-Vitória), a BR-163 (entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e dois trechos dentro do Mato Grosso do Sul (a BR-262 e a BR-267). O plano é que todas as concessões tenham prazo de 25 anos.

O governo também decidiu buscar na iniciativa privada a expansão da malha ferroviária do país, um papel que, com todos os atropelos e atrasos, tem sido protagonizado pela estatal Valec.

Com o apoio de empresas, a União pretende tocar a construção de novos trechos. Entre os 5 mil km de estradas de ferro planejadas está a construção de uma linha entre o Rio de Janeiro e Vitória (ES). Da cidade de Campos dos Goytacazes (RJ) sairá outro ramal com destino a Corinto, em Minas Gerais. Parte da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), até então sob alçada da Valec, também deverá ser repassada para o setor privado. O plano é leiloar o trecho de 901 km de malha que sai de Campinorte (GO), na Ferrovia Norte-Sul, e avança até Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Só as obras desse percurso são estimadas em R$ 4,1 bilhões. O plano das concessões ferroviárias inclui ainda a ligação de Belo Horizonte a Aratu, na Bahia, além do Ferroanel de São Paulo. Todas as obras deverão ser construídas com bitola larga, uma estrutura mais moderna e capaz de suportar grandes volumes de carga, e seguir o modelo de “via aberta” – qualquer transportador ferroviário tem acesso à malha, mediante pagamento de pedágio à operadora dos trilhos.

No pacote das concessões de infraestrutura, o governo também chegou a uma definição sobre a execução de obras de ampliação nas primeiras concessões de rodovias, repassadas na década de 90 para o setor privado. O que está em jogo é um conjunto de intervenções em rodovias como a Nova Dutra, a Ponte Rio-Niterói e a BR-040 (Rio de Janeiro-Juiz de Fora), que não estava previsto nos contratos originais.

A possibilidade de prorrogar os contratos dessas concessões seria uma saída para que as empresas executassem essas obras, que passaram a ser necessárias por conta do aumento de tráfego. Com a dilatação dos prazos, o governo poderia diluir o pagamento dessa despesa nova e, assim, evitar que o custo extra fosse repassado para a tarifa de pedágio, que é a forma de remuneração da concessionária. Essa possibilidade, no entanto, está praticamente descartada. O governo também decidiu que as obras extras terão de ser feitas sem o aumento do preço do pedágio.

A União, dessa forma, irá indenizar as concessionárias pela construção de estruturas que não estavam previstas, ou seja, sem repasse direto para o usuário da rodovia. Uma das obras de maior dimensão é o aumento do número de pistas da Serra das Araras, trecho bastante crítico da Nova Dutra, a rodovia que conecta São Paulo ao Rio de Janeiro.

Os empresários esperam com ansiedade o anúncio dos projetos para concessões. Para o presidente do Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José de Freitas Mascarenhas, o governo está sendo “realista” e entendeu a importância de se aliar ao capital privado para superar os gargalos logísticos do país. “Não só o governo não tem recursos suficientes para atender às demandas crescentes de infraestrutura, como enfrenta dificuldades institucionais para gastar o orçamento de que já dispõe”, afirma Mascarenhas.

Apesar da pressa em definir o que será objeto de concessões, o governo ainda deverá percorrer um longo caminho até leiloar os projetos e assinar os contratos. A advogada Letícia Queiroz de Andrade, especialista em direito regulatório do escritório Siqueira Castro, lembra que existe uma série de procedimentos necessários: realização de estudos de viabilidade econômica (com projeções de demanda e necessidade de investimentos), apreciação do Tribunal de Contas da União (TCU), audiências públicas e publicação dos editais. “Tudo isso varia de projeto para projeto, mas pode levar facilmente de nove a 12 meses”, diz Letícia. Se o governo iniciar os trâmites em agosto, os primeiros investimentos podem sair no fim de 2013, segundo ela. Uma forma de ganhar tempo é com um processo seletivo simplificado para a contratação dos estudos, com posterior pagamento pelo vencedor dos leilões, dispensando os mecanismos da Lei de Licitações. Isso já ocorreu no leilão de aeroportos, lembrou a advogada.

31/07/2012 - 09:19h Após ampliar aporte para a energia eólica, BNDES foca a solar


Banco amplia em 30% os recursos para projetos de energia gerada pelo vento e espera financiar uma fábrica de placas solares

31 de julho de 2012

VINICIUS NEDER / RIO – O Estado de S.Paulo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já liberou R$ 1,1 bilhão em financiamentos para projetos de energia eólica neste ano e prevê crescimento de 30% frente os R$ 2,2 bilhões de 2011. Na esteira do sucesso da energia eólica, cuja capacidade instalada saltou três vezes de 2009 até agora, o chefe do Departamento de Fontes Alternativas de Energia do BNDES, Antonio Tovar, espera analisar ainda este ano o primeiro projeto de energia solar no banco de fomento.

Segundo Tovar, o mais provável é que o projeto seja de uma fábrica de placas solares, com a demanda impulsionada pelo modelo de geração distribuída. O grupo Tecnometal, que também atua em eólica e tem fábrica de painéis em Campinas (SP), já foi credenciado no Finame, linha de crédito automática do BNDES para máquinas e equipamentos.

Na geração distribuída, consumidores de energia, como supermercados, shopping centers e residências, instalam painéis solares em suas coberturas e, além de gerar eletricidade para consumo próprio, fornecem para o sistema de distribuição, abatendo do que pagam pela energia.

Em abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o Sistema de Compensação de Energia, com regras para a geração distribuída. Com isso, segundo Tovar, o desenvolvimento da energia solar torna-se viável. A tendência é algumas empresas – inclusive distribuidoras – especializarem-se na instalação de unidades geradoras para consumidores interessados.

“A solar hoje é a eólica há cinco anos”, disse Tovar. Até 2009, o parque eólico brasileiro desenvolveu-se com subsídios do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Naquele ano, o BNDES liberou só R$ 230 milhões em financiamentos. Desde então, a energia eólica tornou-se competitiva, com leilões regulares, atraindo uma cadeia de fornecedores. A capacidade instalada saltou de cerca de 500 megawatts (MW), em 2009, para em torno de 1.600 MW hoje. Se a previsão se concretizar, o BNDES liberará R$ 2,86 para o setor.

A energia contratada garantirá capacidade instalada de 8.100 MW até 2016, caso todos os projetos sejam finalizados. No fim do ano, a capacidade deverá chegar a 3.000 MW, mas pode haver atrasos por falta de sistemas de transmissão. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), 600 dos 1.805 MW contratados no leilão de 2009 e previstos para este ano estão ameaçados pelo problema.

Com o crescimento do energia eólica, o País tem hoje oito empresas com fábricas de aerogeradores e componentes, em diferentes estágios, com capacidade de produzir equipamentos para instalar 4.100 MW ao ano.

O BNDES apoia a instalação de fábricas mas, segundo Tovar, a maior parte dos financiamentos vai para os geradores. O banco também investe via BNDESPar, diretamente ou por meio de fundos de investimentos. A BNDESPar detém fatias da Renova Energia e da Tecsis, fabricante de pás.

31/07/2012 - 09:07h Na incerteza essencial, a saída é o Estado

Por Antonio Delfim Netto – Valor

A primeira coisa que um economista tem que aprender é que, a despeito do que dizem os mais sofisticados e artificialmente matematizados livros de microeconomia, o homem-indivíduo não existe.

Só existe a “rede” de relações em que está imerso no universo econômico, controlado pelas instituições que ele mesmo foi “descobrindo” ao longo de sua história para a sua subsistência material (alimento, vestimenta e abrigo): o Estado e o mercado. O primeiro garante as condições de um razoável funcionamento do segundo, impondo-lhe normas de comportamento em troca da garantia de sua existência.

Os dois polos dessa organização foram evoluindo lentamente para uma combinação que permita – agora sim – ao homem-indivíduo gozar crescentemente de valores que aprecia: 1) sua liberdade de escolha e a apropriação dos benefícios que dela eventualmente decorram; e 2) o uso relativamente eficiente de seu esforço para produzir os bens e serviços de que necessita para o seu bem-estar. Essa “necessidade” aumenta naturalmente por uma disposição psicológica. É a “eficiência” que lhe proporciona maior tempo livre para procurar sua humanidade.

Só o investimento público pode socorrer a economia

Não há leis naturais na economia e não existe equilíbrio de longo prazo que possa determinar a combinação ótima da relação Estado versus mercado. A história mostra que um Estado constitucionalmente controlado, suficientemente forte para impor regulação aos mercados (particularmente ao financeiro), parece ser uma combinação razoável, que permite um aumento da quantidade de bens e serviços com os recursos sempre escassos de que dispõem as sociedades.

A antinomia Estado versus mercado é disfuncional. Mas há mais. Há um terceiro valor que o homem-indivíduo inserido nas relações econômicas procura, além da liberdade e da eficiência: uma preferência pela relativa igualdade. Inserido na “rede”, ele aparentemente tem maior alegria quando suas relações se realizam com membros em condições próximas às suas.

O problema é que essa maior igualdade não pode ser obtida pelo funcionamento dos mercados. Esses combinam liberdade individual com eficiência individual, mas, por serem altamente competitivos, estimulam a desigualdade. Estudos empíricos sugerem que a partir de certo ponto essa desigualdade é também disfuncional com relação à eficiência coletiva.

Há, por outro lado, um fato empiricamente bem comprovado. Os mercados, apesar de suas virtudes, têm um problema sério: são inerentemente instáveis. A ilusão criada pela teoria neoclássica, que os economistas tinham descoberto políticas econômicas que tornavam as crises “obsoletas” (como afirmou um prêmio Nobel em 2003!), foi enterrada “à la lumière des flambeaux” na crise de 2007…

Dois fatos: 1) a possibilidade que o mercado possa produzir um nível de desigualdade não funcional; e 2) o fracasso da ideia que tínhamos entrado num período de “grande moderação”, por conta das políticas econômicas fiscal, monetária e cambial desenvolvidas nos últimos 30 anos, deixou claro que a economia é um tipo de conhecimento muito complexo. Ele está longe de poder ser dominado pelo cientificismo produzido pela inveja da física, que encantou alguns economistas.

O papel fundamental de um Estado constitucionalmente controlado transcende – e muito – o de ser o “garante” das instituições que permitem aos mercados serem instrumentos úteis (indispensáveis, mesmo) para o desenvolvimento social e econômico. Ele é o único instrumento capaz de, em condições especiais e com medidas corretas, eventualmente, corrigir as flutuações do emprego e da produção, quando os agentes sociais congelam diante da incerteza absoluta.

É importante entender que essa incerteza não é do tipo do risco atuarial, que tem uma história e ao qual pode aplicar-se o cálculo das probabilidades. É a incerteza essencial à qual se referia Keynes, do tipo: o que será a eurolândia daqui a cinco anos? É a incerteza produzida pelo fato que o passado não tem qualquer informação sobre o futuro. Alguém acha que o destino da União Monetária Latina no século XIX pode nos informar como terminará a União Econômica Europeia no século XXI?

Quando isso acontece, destrói-se a “rede” social, porque desaparece o seu elemento essencial: a confiança mútua. Termina instantaneamente o crédito interbancário e com ele destrói-se parte da demanda global do setor privado. Para sustentar o nível de emprego e de renda, só resta tentar substituí-la pela demanda pública. O consumo é a parte mais importante da demanda e mais resistente à flutuação do PIB principalmente pelas medidas anticíclicas da política fiscal. O investimento é menor, mas é mais volátil, porque depende da expectativa do futuro e da possível taxa de retorno (o lucro esperado) que são mortalmente atingidos pela incerteza.

Nessa circunstância, só o investimento público pode socorrer a economia, porque ele amplia a demanda e, ao mesmo tempo, a capacidade produtiva. Para não comprometer o equilíbrio fiscal, o melhor é realizá-lo através do setor privado, com concessões e parcerias com taxas de retorno adequadas e descentralizá-lo para obter um efeito mais rápido e generalizado, como parece ser a atual tentativa de cooptação dos Estados e dos municípios.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

E-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br

30/07/2012 - 22:00h Boa noite


W. A. Mozart – Concerto par piano nº 23 KV 488 A-maior

Till Fellner (piano)
Hubert Soudant
Mozarteum-Orchestre Salzburg

30/07/2012 - 19:58h Of Two Magicians and more…

NormanLindsay_OfTwoMagicians_painting_1947_100

Norman_Lindsay
Norman Lindsay

30/07/2012 - 19:02h L’incoronazzione de Poppea


L’incoronazzione de Poppea -Claudio Monteverdi

Glyndebourne Festival – 2008
Daniele de Niese – Poppea
Alice Cote -Nero
Orchestre of Age of Enlightement – Emmanuele Haïm

30/07/2012 - 17:00h Cravo

body and profane art

eram os mesmos olhos

de lágrimas e carros
que corriam
pelo rosto
pela encosta
entre pelos e acasos

ele me disse
que meninas
fazem
meninas

e que meninos
não fazem nada
a não ser comprar flores

e plantar sementes

mas era só tristeza
um jardim
dois brincos na orelha
um ponteiro apontado para cima – e só você não o viu – o
tempo?

duas barbas que se amam

estrelas têm sexo?
qual o sexo do amor?

o amor do sexo?

qual o qual de tudo e todos?
calcinhas e cuecas
são marcas?
são peles?
caráter?

camaleão

sofro
de triângulos
marcados na pele
eu que nem vivi esse passado
trago-os em mim
rosas
espinhos

metade sempre

eu sou meu pai
eu sou minha mãe

eu sou menino
eu sou menina
eu sou meu
eu sou ela

dele
amanhã

espelhos

meu avô
minha avó

eu sou o que em mim já se foi
morto ou vivo

grama
terra

fui
sou
serei

tanta coisa

coração
rodando na ambulância
morto pelo
tiro
ameaça
olhos que são como bala

quando dois batons se cruzam
na frente das estrelas

e o sangue
escorre
da boca, do cu
de nossos pais

enterramos
com eles
uma planta
de prosperidade

porque ser o que eles querem

e ter netos
e ter ficar grávido
para parir, tirar das entranhas
das vaginas do homem e da mulher
a felicidade que eles não tiveram
e nos obrigaram a ter

eu sou acaso
um fio
partido
perdido

cravo
jardim
na
terra
do peito
do pelo

as sementes dele

é pecado deixar a via láctea escorrer da boca?
é pecado usar batons e dedos?

não fosse o pecado, o que seria?
amor em demasia

amor que por tanto amar
amou igual
o outro a sua imagem e semelhança

não seria isso divino?
não seria ter o deus em mim?
não seria oferecer o coito em cruz,
de braços estirados numa cama
sangrando amor
e tantos outros fluidos
que sustentam nossa pele?

meu corpo
é a minha religião

e nele
meus pais são deuses pagãos

30/07/2012 - 09:54h Lucros de empresas nos EUA podem parar de crescer

Por Kate Linebaugh | The Wall Street Journal | VALOR

Diga adeus ao crescimento dos lucros.

A desaceleração das economias dos Estados Unidos e da China, consumidores cada vez mais preocupados, recessão na maior parte da Europa e um dólar valorizado estão encerrando um período de 10 trimestres consecutivos de crescimento dos lucros em relação a um ano antes nas maiores empresas americanas.

Até sexta-feira, o cenário apontava para mais uma subida nos lucros. Mas as previsões estão agora se tornando negativas em meio a uma série de alertas de lucro de empresas como a Starbucks Corp. e a Illinois Tool Works Inc. No terceiro trimestre, os lucros das empresas que compõem o índice S&P 500 devem encolher pela primeira vez desde logo após o fim da recessão, caindo 0,4% na comparação ano a ano, segundo a Thomson Reuters, que consulta os analistas de Wall Street.

E, com isso, um dos poucos pontos altos na cambaleante recuperação econômica dos EUA perde o seu brilho. Lucros gordos vêm alimentando os investimentos empresariais em tecnologia e maquinário, ainda que não estejam aumentando muito as contratações. Agora, contudo, a pressão sobre os lucros está levando empresas como a United Technologies Corp. e a Dow Chemical a cortar custos.

A rede de cafeterias Starbucks alertou na semana passada que o movimento nas suas lojas dos EUA começou a declinar em junho. Como a tendência continuou em julho, a companhia decidiu diminuir sua previsão de lucro para o terceiro trimestre.

“Isso não é um problema da Starbucks”, disse Howard Schultz, o diretor-presidente. “Isso é um problema macro de confiança do consumidor.”

Os preços das commodities – petróleo, cobre, alumínio e outros motores da economia mundial – têm apresentado quedas acentuadas, que sugerem que a atividade manufatureira está perdendo fôlego porque os consumidores estão comprando menos.

Ao mesmo tempo, o dólar está se fortalecendo, tendo subido 5% em relação ao euro no segundo trimestre. Um dólar valorizado prejudica as exportações dos EUA ao tornar os produtos americanos mais caros para quem os compra em outras moedas. Ele também corrói o valor das receitas das empresas americanas no exterior, quando essas receitas são convertidas para dólar.

Para o terceiro trimestre, os analistas projetam que o lucro e a receita das empresas do S&P 500 deslizarão em cerca de 0,5%, informou a Thomson Reuters. Isso se segue ao que provavelmente foram três trimestres seguidos de queda no crescimento dos lucros. Os lucros podem a voltar a crescer no quarto trimestre, dizem os analistas, dado que o desempenho no quarto trimestre do ano passado não foi tão forte quanto no terceiro.

A fornecedora de gás Airga s Inc. viu seu lucro no segundo trimestre saltar 21%, mas baixou sua previsão para o ano todo, citando a fraqueza da economia. A fabricante de jatos executivos Rockwell Collins Inc., que divulgou um aumento de 5% no lucro do terceiro trimestre, também cortou sua projeção de receita e lucro para o ano.

“O ritmo atual das vendas está aumentando, só não na taxa que nós esperávamos no começo do ano”, disse ao The Wall Street Journal Clay Jones, diretor-presidente da Rockwell Collins.

Cerca de 40 companhias já alertaram que seu desempenho no terceiro trimestre será mais fraco do que se pensou no início, comparado com 8 que foram otimistas, segundo Gregory Harrison, um analista de resultados da Thomson Reuters. A razão entre previsões negativas e positivas é a menor desde o segundo trimestre de 2001, disse ele.

No começo do ano, as empresas estavam esperando tempos difíceis na Europa e uma economia chinesa em desaceleração, mas manifestavam otimismo quanto aos EUA. A economia americana, porém, começou a se arrastar no segundo trimestre, sendo que o produto interno bruto cresceu a uma taxa anualizada de 1,5%, menor que os 2% do primeiro trimestre e os 4,1% do quarto trimestre de 2011.

A temporada de divulgação dos lucros do segundo trimestre para as empresas do S&P 500 já passou da metade. Os analistas esperam um crescimento de 6,2% do lucro no período, segundo a Thomson Reuters. Excluindo o Bank of America – que registrou um lucro de US$ 2,5 bilhões depois de ter um prejuízo de US$ 8,8 bilhões no ano passado devido a baixas contábeis ligadas a hipotecas – os lucros devem crescer somente 0,9%.

Uma queda nos preços das commodities está reduzindo as expectativas para os trimestres futuros, pois isso é um presságio de lucros menores para as petrolíferas e mineradoras. Na sexta-feira, a mineradora Anglo American PLC, que tem presença mundial, divulgou uma queda abaixo do esperado, de 38%, no lucro operacional no primeiro semestre, devido à queda nos preços das commodities. A empresa afirmou que cortaria seus gastos de capital este ano e no próximo.

Jim Russell, diretor de estratégia de ações do U.S. Bank Wealth Management, dos EUA, prevê que os lucros do terceiro trimestre cairão de 3% a 5%. “O crescimento da receita está também diminuindo o ritmo e as margens parecem que estão chegando ao máximo”, disse Russell. (Colaborou Jon Ostrower)

30/07/2012 - 09:51h Dólar alto é novo obstáculo aos EUA

Por Assis Moreira | VALOR

de Genebra

A recente alta do dólar representa outro obstáculo para os exportadores dos Estados Unidos e para os lucros das companhias, em meio a inquietações com a perda de fôlego da maior economia do mundo, que cresceu apenas 1,5% em taxa anualizada no segundo trimestre.

O valor da moeda americana continua baixo em termos efetivos (”trade-weighted basis”) pelos padrões históricos. Mas está próximo de seu nível mais alto ante o euro em dois anos – tendo subido 4% nos últimos cinco meses e cerca de 8% no ano passado em relação aos principais parceiros.

Para os exportadores, o desempenho do dólar não é boa noticia quando eles já enfrentam a baixa de demanda na Europa e em partes da Ásia. Apple e Ford estão entre as empresas que anunciaram resultados decepcionantes no segundo trimestre por causa de consumo menor pelos europeus.

“A alta do dólar não é um desastre para os EUA e por si só não vai enfraquecer mais a economia, mas vai exacerbar as desacelerações tanto do crescimento das exportações como do lucro das empresas”, avalia o analista Paul Dales, em Londres.

Ele nota que os EUA não estão expostos a flutuações no câmbio como muitas economias “simplesmente porque o país tem uma economia relativamente fechada”. As exportações representam apenas 14% no PIB americano, comparadas a 27% na França e 50% na Alemanha. Mas o dólar no seu nível atual pode baixar de 5% para cerca de 3% o ritmo de crescimento das exportações.

O outro lado é que o dólar mais alto se traduz em preço mais baixo de importações. Mas o impacto da flutuação da moeda nos preços de importações demora cerca de quatro meses.

A economia americana cresceu 1,5% em taxa anualizada no segundo trimestre, alimentando dúvidas sobre a recuperação da economia global e sobre as perspectivas de reeleição do presidente Barack Obama.

Mas analistas notam que a dura seca em alguns Estados americanos terá impacto apenas marginal no declínio da produção agrícola e no crescimento do PIB americano. Embora os EUA produzam mais milho do que qualquer outro país e sejam os supridores de metade da soja globalmente, o setor agrícola representa apenas 1%, ou US$ 130 bilhões, do PIB americano.

No primeiro semestre, a média de temperatura em seis de nova regiões americanas bateu recorde de alta. Preços futuros de milho subiram 60%; de soja, 50%; e de trigo, 25%.

No entanto, a expectativa é de que, mesmo se os preços das commodities continuarem nos níveis atuais, o impacto sobre a inflação também será pequeno.

Na zona do euro, a queda da moeda comum dá um impulso nas exportações, mas o superávit comercial vem sendo obtido também graças a menos importações.

No Japão, o déficit na balança comercial prossegue. Por sua vez, o ministro das Finanças Jun Azumi alertou que uma intervenção continua a ser uma possibilidade para baixar o valor do iene.

A moeda japonesa está no seu nível mais alto em relação ao euro e também se valorizou um pouco ante o dólar recentemente.

29/07/2012 - 22:00h Boa noite


Mozart: Piano concerto n. No. 21 in C major, K.467 Pollini-Muti

29/07/2012 - 20:58h “Olhares Sobrepostos”

http://4.bp.blogspot.com/-pSZTTPzfcgE/UAhySMAuS3I/AAAAAAAAQzY/r3PUga9PwAE/s1600/guran.JPG
© Foto de Chico Mascarenhas. Manifestação pró-Vietnam. Paris, 1971.

O Centro Cultural Justiça Federal no Rio, inaugura nesta sexta, dia 20 de julho de 2012, às 19h, a exposição “Olhares Sobrepostos”, com fotografias Zeca Guimarães, Zeca Linhares, Pedro Oswaldo Cruz, Pedro Pinheiro Guimarães, Chico Mascarenhas e Domingos Mascarenhas ao longo de quatro décadas. A trajetória profissional desses seis fotógrafos seguiu por caminhos distintos, mas entrelaçados desde os primeiros passos, e tendo em comum a mesma matriz e o fato de terem dialogado entre si durante essas quatro décadas, como uma espécie de “coletivo fotográfico”. Filiados à escola de documentação francesa, os seis são cultores de um olhar purista e inquieto no exercício da fotografia. A curadoria é de Milton Guran.

Fonte Images & Visions de Fernando Rabelo

29/07/2012 - 20:37h Madalena desmaiada

Guido Cagnacci (1601 – 1663, Italian) » Maddalena svenuta

Maddalena svenuta

29/07/2012 - 20:00h Fait-on l’amour de façon gratuite?

Le fait que des femmes et des hommes ne puissent plus, librement, procurer des services sexuels ne changera rien au business juteux des trafiquants de chair humaine. Au contraire. La prohibition de l’alcool, aux Etats-Unis, avait dopé la mafia. Que cache cette volonté bien-pensante de protéger l’image d’Epinal d’une sexualité parfaitement «gratuite»?

Agnès Giard – les 400 culs

Fortinandsanders

Il y a quelque chose de compliqué avec la sexualité, c’est qu’il ne s’agit jamais uniquement de plaisir… ou plutôt que le plaisir s’y entache de mille et une impuretés: le goût du pouvoir, le désir de surmonter ses limites, la peur de rester seul(e), l’arrivisme, la possessivité, etc… Il y a dans la sexualité plein de choses sales ou dérangeantes: combien de femmes avouent faire l’amour uniquement pour que leur mari n’aille pas voir ailleurs? Combien d’hommes font l’amour, sans réel désir, uniquement pour se prouver qu’ils sont «capables»? Officiellement, la sexualité sert à s’épanouir (accessoirement à avoir des enfants). Mais dès que l’on gratte un peu… on se rapproche beaucoup des primates qui font l’amour ou se masturbent réciproquement pour se «rendre service» et, ainsi, atténuer les tensions ou obtenir des faveurs. D’une certaine manière, la sexualité est toujours marchande, puisqu’il s’agit d’une monnaie d’échange. Dans notre société, cette vision de la sexualité est taboue car il s’agit de bien faire la différence entre la maman et la putain. D’un côté la compagne officielle qui fait l’amour par amour, d’un autre côté la femme qui loue son corps parce qu’elle a été battue, violée, forcée. Ou parce qu’elle est complètement perverse. Ou parce qu’elle est trop bête et trop pauvre pour se rendre compte de l’exploitation dont elle est la malheureuse victime…

Dans sa volonté d’abolir la prostitution —alors que toutes les politiques abolitionnistes ont fait la preuve flagrante de leur échec (1)—, le gouvernement français ne fait jamais que renforcer cette vision hypocrite des choses : il s’agit de purifier la sexualité de sa part d’ombre, en obligeant les hommes (et les femmes car il y a aussi des clientes) à ne faire l’amour que dans le cadre légitime d’une relation gratuite, si possible conjugale. L’idéologie dominante entend ainsi imposer sa morale: les hommes et les femmes ne doivent faire l’amour que par affection ou pour le plaisir. Et il ne faut surtout pas que cet échange ait quoi que ce soit à voir avec «une prestation de service».

Mais c’est oublier un peu vite que nous sommes tous et toutes des êtres de séduction qui jouons de nos charmes pour obtenir l’attention, la chaleur et la protection, parfois même la sécurité matérielle. Nous avons besoin d’être rassuré(e)s. Nous avons envie qu’un être mouille ou bande pour notre corps vieillissant. Nous avons besoin de la sexualité pour restaurer l’image que nous avons de nous. Touché(e)s par la baguette magique d’une érection, nous nous sentons soudain plus fort, plus pur, plus beau, ce qui explique peut-être pourquoi la plupart des fantasmes mettent en scène une relation de pouvoir… Pourquoi les contes parlent-ils d’un prince?

Les fantasmes courants reposent sur des relations de force, qui sont parfois retournées avec délices (lorsque les ouvriers de chantier se tapent la bourgeoise, par exemple ou lorsque le palefrenier subjugue brutalement son maître). Il n’est pas si étonnant que le mot pornographie, qui désigne les productions masturbatoires, soient dérivé du mot «prostituée» (porno). Nous baisons tous et toutes comme des prostitué(e)s, même si ce n’est pas forcément pour de l’argent. Au moment même ou Najat Vallaud-Belkacem s’apprête à prohiber le sexe tarifé, il serait donc intéressant de se poser la question: sous prétexte de faire disparaître l’exploitation des femmes (ce qui dans les faits, risque fort de renforcer la puissance des proxénètes), le gouvernement n’est-il pas en train de légiférer notre sexualité?

Sept questions à Morgane Merteuil, travailleuse du sexe et secrétaire générale du STRASS.

1/ Beaucoup de prostituées affirment que ce métier est un métier comme un autre. Dans quelle mesure est-ce juste ?
On peut considérer que c’est un métier comme un autre dans la mesure où c’est une activité de laquelle on tire des revenus.
Mais qu’est-ce qu’un métier comme un autre? Je ne crois pas qu’un métier soit comparable à un autre… Mettre des gens à la rue ou dans des charters, est-ce un métier comme un autre?

2/ Beaucoup de prostituées affirment parallèlement que ce métier ne rend pas heureux. Même Grisélidis Real écrit dans ses correspondances: “Je continue mes nuits de souffrance, à marcher seule dans le grand Gouffre noir de la Nuit.” Pourquoi, à votre avis, le fait de procurer du plaisir sexuel et/ou une compagnie affective est-il si déstabilisant ?
On ne peut pas faire de réponse générale là-dessus. Les raisons pour lesquelles on choisit ce métier plutôt qu’un autre peuvent être très diverses.
Mais je ne pense pas que ce soit le fait de donner du plaisir à quelqu’un qui déstabilise; dans cet extrait de Grisélidis que vous citez d’ailleurs, il apparaît bien que c’est de “marcher dans la nuit” qui est ici cause de souffrance. La stigmatisation, les conditions d’exercices dans lesquelles on se retrouve obligées de travailler, là sont les principales raisons du possible mal-être des prostituées.

3/ Le métier de prostitué(e) est-il déstabilisant uniquement lorsqu’il est exercé dans des pays qui condamnent moralement les prostitué(e)s?
Encore une fois on ne peut apporter UNE réponse à ce genre de questions… Derrière chaque prostituée il y a une vie individuelle, un parcours particulier, etc. Et puis on ne peut pas dire “les prostituées le vivent bien”, “les prostituées le vivent mal”… A chaque fois c’est une partie des prostituées qui le vit bien, une qui le vit mal… et même ce “bien” ou ce “mal” est complexe. Ce qui est certain c’est que si l’activité en elle-même est mal vécue, il faut aider les personnes à trouver une autre activité professionnelle. Mais encore une fois il faut des réponses personnalisées, on ne peut faire des généralités sur la prostitution, car elle met en jeu des mécanismes individuels souvent complexes.
Il faut avant tout écouter les besoins de la personne, quels qu’ils soient (que ce soit le besoin d’arrêter, où ses attentes pour continuer de manière à mieux le vivre, etc)

4/ Comment expliquez-vous le fait que certaines personnes choisissent de devenir prostitué(e)s et décident de le rester malgré la souffrance que ce métier semble générer ?
Là encore, ces raisons varient en fonction des personnes. Quel métier ne fait pas mal, n’est pas usant ?
Celui de prostituée n’y échappe pas plus qu’un autre… Si les personnes continuent malgré tout, c’est qu’à un moment elles estiment qu’elles préfèrent tout de même faire ça qu’autre chose. Et les raisons sont aussi nombreuses qu’il y a de prostituées… à chaque fois ça peut être un ensemble de raisons, de mécanismes…

5/ Beaucoup de gens choisissent une profession qui les obligera, de façon parfois brutale, à surmonter un problème. Par exemple: la plupart des journalistes souffrent de timidité. Pensez-vous que le métier de prostitué(e) permet de vaincre des peurs, des complexes, de se guérir de certains traumas? Lesquels?
Je ne peux parler que de mon expérience, mais aussi de mes lectures et de témoignages que j’ai pu entendre. Pour ma part ce métier m’a redonné confiance en moi, m’a appris à porter un regard différent sur les gens aussi, sûrement. A essayer de voir derrière chacun de mes clients l’être humain, souvent souffrant, qui s’y cache, et ainsi à moins mépriser les personnes, à ne plus les juger sur l’image qu’elles renvoient, mais à prendre conscience que chacun(e) est un être complexe, potentiellement aimable pour certaines raisons, en même temps détestable pour d’autres…
Virginie Despentes explique pour sa part que se prostituer a été une étape cruciale de reconstruction après son viol : à prendre conscience que si elle pouvait continuer à vendre du sexe, c’est qu’au final ça ne lui avait pas été pris.

6/ Sur le plan psychologique, quels sont les points communs entre les prostitué(e)s ? Pourriez-vous dégager des caractéristiques communes, qui permettrait de comprendre la démarche de se prostituer ?
Je ne peux pas établir de tels profils. Il n’y a pas besoin de comprendre une démarche pour la légitimer.
Si une personne fait un choix, ces raisons ne regardent qu’elle. Pourquoi toujours avoir à se justifier? On ne fait pas une “bêtise”, pourquoi devrait-on donner des excuses?

7/ Beaucoup de féministes disent qu’il est scandaleux qu’une personne se sacrifie pour les autres… “Tout le monde peut avoir une vie sexuelle, affirment les abolitionnistes, il suffit de se masturber. Les sociétés qui légitiment l’exploitation des corps, sous prétexte qu’il faut bien offrir un exutoire aux frustrations collectives, est une société inique…“. Que pourriez-vous répondre à ce genre d’argument ?
D’une: que je me sacrifie pas plus que quiconque donne de son temps en échange de fric et pour offrir des services pour lesquels il y a une demande. Je ne vois pas en quoi je me fais plus exploiter que les autres travailleur(se)s… D’autant qu’on peut aussi trouver des satisfactions personnelles dans ce métier, ce qui n’est pas le cas de nombreux métiers (la satisfaction personnelle à vider des culs de poulets, parlons-en !).
De deux: que nos clients ne viennent pas chercher que du sexe auprès de nous, mais aussi de la tendresse, de la compagnie, bref, tout ce que sa main ne peut pas offrir.
De trois: qu’il est très facile de juger les autres, surtout quand on a une bonne situation, un métier “socialement reconnu” et un partenaire similaire à soi, oui, c’est facile de mépriser l’autre!
J’y vois surtout un besoin de vouloir absolument trouver plus malheureux que soi afin de se sentir supérieur…

PLUS DE RENSEIGNEMENTS : le portrait de Morgane Merteuil sur Libération
Son débat avec Guy Geoffroy sur LCP
Une interview pour Rue89
Une pour Le Monde

Note 1/ Dans une lettre ouverte à Najat Vallaud-Belkacem, Georges Kaplan suggère : «Les politiques de prohibition – de l’alcool, de la drogue comme de la prostitution – n’ont jamais eu d’autres conséquences que de nourrir le crime organisé aux dépens du reste de la société. C’est le gouvernement des États-Unis qui a fait la fortune d’Al Capone plus que n’importe qui d’autre. Si, comme j’en suis sincèrement convaincu, votre objectif est d’aider ces jeunes femmes, c’est précisément la politique inverse qu’il vous faut mettre en œuvre : légalisez la prostitution et abrogez la loi de 1946 qui interdit les maisons closes. Vous porterez ainsi un coup fatal aux réseaux de proxénétisme clandestins et vous permettrez aux prostituées de travailler de leur plein gré dans des conditions d’hygiène acceptables.» (source : Causeur)

29/07/2012 - 19:14h Piangerò la sorte mia


Giulio Cesare
G.F.Handel

Acte III
Piangerò la sorte mia
Cleopatra, Natalie Dessay

Orchestre du Concert d’Astree
Director musical: Emmanuelle Haim
Director escènic: Laurent Pelly

29/07/2012 - 18:55h Sociedade em negação

29 de julho de 2012

Lee Siegel – O Estado de S.Paulo

NOVA JERSEY – Quando teve início o tiroteio naquele cinema em Aurora, Colorado, na semana passada, o filme chegou ao fim. Depois do término do tiroteio, um novo filme começou. Poderíamos chamá-lo de filme da negação, da ilusão e dos fins felizes. Trata-se do filme nacional que vem sendo exibido desde o nascimento da república americana.

Veja também:
link Veja a versão em inglês

Bertolt Brecht inventou a ideia do “efeito de distanciamento” como ferramenta teatral. Em vez de criar para uma peça um final repleto de soluções agradáveis, Brecht recomendava fins cheios de sofrimento, dor e injustiça. Assim, pensou ele, o público sairia tão perturbado, indignado e até enfurecido a ponto de se tornar intolerante diante da injustiça social ao seu redor. Gostaria que a mídia americana empregasse a convenção de Brecht.

O que ocorreu em Aurora foi aleatório, sem sentido, vazio de significado e desprovido de narrativa. O rapaz de 24 anos que cometeu os assassinatos, James Holmes, não se enquadra em nenhum tipo de perfil típico para os assassinos em massa. Não existe perfil típico para um assassino em massa. A única constante são as armas que os assassinos em massa usam para matar. Mas, como os infantis Estados Unidos são incapazes de reunir a coragem necessária para deter o lobby das armas, e como os românticos e eternamente inocentes EUA são fanáticos pela felicidade e os fins felizes, a classe comentarista americana volta sua atenção para os homens que empunham as armas. E, quando os comentaristas e especialistas terminam sua investigação e análise, eles acabam por tecer um conto perfeitamente estruturado, reconfortante nos seus esclarecimentos e explicações.

Assim, deixamos para trás O Cavaleiro das Trevas Ressurge e nos vemos agora no meio de A Lenda Heroica do Massacre de Aurora. Muitas das pessoas que estavam naquele cinema de fato agiram de maneira heroica. Lágrimas me vêm aos olhos quando penso no jovem – ele cresceu na cidade que fica bem ao lado daquela onde moro – que se jogou na frente da namorada para salvá-la. Ele foi morto por uma saraivada de balas, mas ela sobreviveu. Ao se concentrar nos feitos heroicos das vítimas e não nos atos horrendos do assassino, a mídia implica que, longe de ser uma atrocidade sem sentido, todo o evento foi uma afirmação do espírito humano. Isso me parece algo nojento e depravado. Uma das conclusões que poderíamos tirar de uma afirmação tão perversa seria a de que a doentia permissividade das leis atuais de controle das armas não deveria ser revista. Como vemos, as pessoas são capazes de suportar qualquer coisa. Mas os mortos não podem suportar nada, nem aqueles que ficaram marcados, seja mental ou fisicamente, para o resto da vida.

Depois da distorcida caricatura daquilo que realmente ocorreu no cinema naquela noite, fomos então apresentados a outro longa metragem: A História Daquilo Que Leva Um Assassino a Agir. Somos informados que Holmes tinha sido reprovado nos exames orais para seu doutoramento em neurociência. Ele sempre foi “esquisito”. Parece que nunca teve uma namorada. Apesar do fracasso no exame oral, ele era um cientista “brilhante”; e é claro que a esquisitice social e a preferência por assuntos cabeça equivalem ao assassinato em massa. Mais uma vez, não há motivo para mudar as leis de controle de armas. Basta tomar cuidado com pessoas tímidas de aparência intelectual, denunciando-as à polícia sempre que as encontrarmos.

Nenhuma revelação a respeito da vida de Holmes vai consolar alguém cuja vida tenha sido tocada pelo massacre. O fato é que as informações a respeito de sua vida e personalidade que estão agora vindo à tona são irrelevantes. Quem é religioso o considera mau, e quem é racionalista secular o vê como insano. Em ambos os casos, ele não passa de uma entidade genérica e pouco distinta. Maldade e insanidade são condições extremas e niveladoras. O que quer que tenha feito de Holmes um indivíduo desapareceu numa categoria genérica no segundo em que ele começou a matar.

Mas o posicionamento e a criação de narrativas por parte do público continuam, mesmo quando a solução para o problema está encarando todos diretamente. Logo após o massacre, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, foi ao ar para castigar Obama, Romney e todo o establishment político por sua passividade diante do tema do controle de armamentos. “Discursos reconfortantes”, disse Bloomberg, são bem-vindos, mas não servem como substitutos de medidas que possam levar a uma mudança real. Quanta coragem, prefeito! Infelizmente, suas palavras de indignação são tão repreensíveis quanto as palavras de conforto que criticou.

Afinal, o prefeito Bloomberg é dono de uma fortuna de US$ 18 bilhões. Dezoito bilhões de dólares. Trata-se de uma soma superior ao orçamento anual de um país pequeno. O obstáculo que impede a aprovação de leis de controle das armas é a National Rifle Association, que faz contribuições anuais de milhões de dólares para os legisladores que, então, vetam todos os esforços no sentido de limitar o acesso dos americanos às armas. Bloomberg poderia usar uma parte de sua fortuna – 1 bilhão de dólares, digamos -, bater a melhor oferta da NRA e comprar, por meio do suborno legal conhecido como “contribuição de campanha”, cada um dos políticos que defendem a indústria dos armamentos no país. Em dois anos, os EUA de fato tornariam ilegal – vejam vocês! – a posse de armas semiautomáticas.

Mas é melhor ainda fazer pose e condenar eloquentemente os próprios pares a partir do cume do Olimpo. Trata-se de algo mais grandioso e de um maior heroísmo aparente. Quem sabe alguém transforme Bloomberg e sua posição ousada num frenético filme de ação. Então o tiroteio poderá recomeçar, assim como a negação e as narrativas delirantes.