31/10/2009 - 15:28h Fêmea de morcego da Ásia faz sexo oral, diz pesquisa. “Felação” ajuda a prolongar coito de mamíferos; ato só tinha sido registrado entre humanos e chimpanzés, e sua função ainda é nebulosa. (É isso mesmo, esta escrito nebulosa, não gostosa)

Grupo sino-britânico observou o comportamento filmando casais em cativeiro

Universidade de Bristol/Reprodução

Morcego da espécie “Cynopterus sphinx”



REINALDO JOSÉ LOPES – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Não é todo dia que a palavra “felação” vai parar no título de um artigo científico, principalmente quando a prática é adotada não por humanos, mas por morcegos. Pesquisadores chineses e britânicos descobriram que as fêmeas do mamífero voador são adeptas do sexo oral -caso muito raro em espécies que não a humana.
A função do comportamento ainda não está clara, mas uma coisa é certa: os machos da espécie Cynopterus sphinx gostam. Tanto que, em experimentos, apareceu uma forte correlação entre o tempo que durava o ato sexual e a frequência da felação. Ou seja, quanto mais a fêmea se dedicava ao sexo oral, mais demorada era a relação entre o casal voador.
A pesquisa, coordenada por Libiao Zhang, do Instituto Entomológico de Guangdong, na China, está na revista científica de acesso livre “PLoS One”. O C. sphinx é um morcego comedor de frutas presente em várias regiões do sul da Ásia.
Já se sabia que os machos da espécie costumam construir pequenas tendas feitas de folhas, para as quais atraem as fêmeas que formarão seu harém.
Mais do que isso era difícil investigar, até porque os hábitos dos bichos, normalmente noturnos e tímidos, não ajudam muito. “É muito raro a gente conseguir algum vislumbre da cópula nas espécies aqui do Brasil”, conta a bióloga Susi Missel Pacheco, pesquisadora do Instituto Sauver (RS) e presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo de Quirópteros (ou seja, morcegos).

Ninho de amor
A equipe sino-britânica resolveu dar privacidade e vida mansa aos casais de morcegos. Capturaram uma batelada dos bichos e excluíram filhotes, fêmeas grávidas ou em fase de amamentação, ficando apenas com 30 pares adultos.
Próximo passo: colocar cada casal em amplas jaulas, com folhas para os ninhos, água e banana a gosto. Câmeras digitais foram instaladas nos recintos, o que permitiu ao grupo monitorar os movimentos dos bichos sem perturbá-los demais.
E o que eles observaram seria digno de figurar num Kama Sutra dos morcegos. De ponta-cabeça, o macho abordava a fêmea por trás. Durante a penetração, ela se contorcia e lambia gentilmente o pênis do parceiro, repetidas vezes. Isso, ao menos, nos casos mais bem-sucedidos: se a fêmea passava 40 segundos lambendo o pênis do macho, o sexo se prolongava por mais de oito minutos.
Pacheco diz que o uso de “felação” para definir o comportamento talvez seja exagerado, e que a vida em cativeiro talvez tenha algum impacto sobre a cópula dos bichos. “Mesmo assim, é um trabalho muito intrigante, a começar pelo ineditismo e pelas curiosas semelhanças com primatas”, avalia.
De fato, a única coisa mais ou menos parecida foi registrada entre jovens bonobos ou chimpanzés-pigmeus (Pan paniscus). Entre morcegos do Brasil, diz Pacheco, havia registros de fêmeas que tomavam a iniciativa no começo da cópula.

30/10/2009 - 15:23h Remédio para colesterol pode combater gripe, diz estudo

AE-AP – Agencia Estado

MILWAUKEE – Pode haver um novo tratamento para a gripe suína que já está nas prateleiras das farmácias: as estatinas, remédios vendidos comercialmente com nomes como Lipitor e Zocor, usadas para diminuir os níveis de colesterol. Pesquisadores divulgaram hoje um estudo mostrando que pessoas que usam esses medicamentos e foram hospitalizadas por causa da gripe sazonal tinham duas vezes mais chances de sobreviver do que as que não tomavam esse tipo de remédio.

Isso não prova que as estatinas são a cura para a gripe, já que mais estudos ainda são realizados para verificar se essas drogas podem ser um bom tratamento. O estudo sobre as estatinas, apresentado hoje durante um congresso médico, envolveu 2.800 pessoas pesquisadas entre 2007 e 2008.

“O estudo é muito promissor”, disse a coordenadora, Ann Thomas, da Divisão de Saúde Pública do Oregon. A estatinas são conhecidas também por reduzirem a maioria dos problemas causados pela gripe, independentemente se for a sazonal ou a causada pelo vírus A H1N1, são as inflamações, uma reação exagerada do sistema imunológico enquanto luta contra o vírus.

Estudos prévios também descobriram que as estatinas podem ajudar as pessoas a superar a pneumonia e sérias infecções bacterianas do sistema sanguíneo. A nova pesquisa, patrocinada pelos Centros de Prevenção e Controle de Doenças, é o maior já feito nos Estados Unidos que analisa o efeito das estatinas contra gripe.

O tratamento é uma questão muito importante para a gripe suína, já que a vacina está demorando para chegar ao público em geral. Remédios contra a gripe como o Tamiflu têm sido reservados apenas para os pacientes mais graves. As estatinas são baratas, relativamente seguras e estão entre os remédios mais utilizados em todo o mundo.

19/10/2009 - 17:37h Relaxe, é apenas estresse

newyorktimes_folha

Se você acha que é estressado, considere o caso da morsa do Ártico. Enquanto seu hábitat de gelo marinho encolhe, as criaturas ficam cada vez mais amontoadas, o que faz a adrenalina e a ansiedade aumentarem a níveis perigosos. No mês passado, apontou reportagem do “New York Times”, os ânimos se exaltaram em uma colônia no Alasca, e 131 morsas foram esmagadas em um tropel aterrorizado.
As morsas não são as únicas a reagir exageradamente ao estresse. Seja em um ecossistema em mudança ou um mercado de trabalho que desmorona, os animais são programados para lutar ou fugir, conforme substâncias químicas do cérebro e hormônios reagem a ameaças reais ou imaginárias.
Infelizmente, os humanos têm um talento para exagerar as imaginárias.
Como escreveu Natalie Angier no “Times”, “os seres humanos às vezes pensam demais, vendo ameaças fantasmas em cada reunião de equipe ou baile de colégio”. O risco, diz ela, é que a reação ao estresse, tão eficaz em uma fuga repentina de um tigre dente-de-sabre, torna-se prejudicial se nunca se descontrair. Como ratos de laboratório apinhados em gaiolas, os humanos ansiosos correm o risco de desenvolver padrões de pensamento compulsivos e problemas físicos.
Alguns desses padrões compulsivos persistem durante o sono. Com a recessão econômica, dentistas americanos notam um aumento concomitante do bruxismo (ranger de dentes), atividade muscular subconsciente relacionada ao estresse. A maioria dos rangedores de dentes não nota o problema até que um dente se fragmenta, relatou o “Times”.
Mais uma vez, a culpa está tanto em nossos ancestrais primordiais quanto em nosso sistema financeiro moderno.
“O estresse, seja real ou imaginário, faz que os hormônios de fuga ou luta sejam liberados no corpo”, disse ao “Times” o dentista Matthew Messina. “Esses hormônios do estresse mobilizam energia e causam atividade isométrica, que é o movimento muscular —porque essa energia acumulada tem de ser liberada de alguma maneira.”
Com ou sem recessão, algumas pessoas que rangem os dentes podem ter sido “programadas para se preocupar” desde o nascimento, segundo a “Times Magazine”. Jerome Kagan, professor de psicologia na Universidade Harvard, estuda traços de personalidade de um grupo de pessoas desde 1989, quando todas eram bebês. Uma delas, conhecida como Baby 19, chamou sua atenção desde o início. Era nervosa e temerosa e se perturbava com qualquer tipo de mudança, fossem novos sons, visões ou pessoas. Como muitos outros bebês hiper-reativos que Kagan estudou, Baby 19 se transformou em uma jovem tensa, com uma sensação constante de catástrofe iminente.
Exames de imagens do cérebro dessas pessoas revelam hiperatividade na amígdala, o centro do cérebro relacionado às reações primitivas de lutar ou fugir, como se poderia suspeitar.
A boa notícia é que podemos desfazer os padrões compulsivos persistentes.
Ao contrário das morsas estressadas do Alasca, alguns dos sujeitos hiper-reativos de Kagan se beneficiaram da terapia cognitiva, que reorientou seus padrões de pensamento para longe do medo e da ansiedade constantes.
“As lutas internas me incomodaram durante anos”, escreveu um deles, com a sábia idade de 13 anos, “até que consegui simplesmente relaxar e me acalmar”.

Envie comentários para nytweekly@nytimes.com

08/10/2009 - 11:13h Produtividade de cana cresce até 50%

http://betebrito.com/wp-content/fgallery/academico/cana_de_acucar.jpg
“CANA DE AÇÚCAR”, de Bete Brito. Tela painel 60×60cm, óleo s/tela e textura acrílica.


TENDÊNCIA

A introdução das primeiras variedades transgênicas de cana, o melhoramento genético clássico com a seleção de novas variedades e o desenvolvimento de tecnologias sofisticadas para orientar o plantio podem aumentar a produtividade da cana-de-açúcar entre 40% e 50% nos próximos 20 anos no Brasil. A avaliação – que reforça a posição do País como imbatível na produção de açúcar, álcool e energia renovável – é do diretor-superintendente do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Nilson Boeta, feita durante o lançamento das novas variedades de cana da instituição de pesquisa, em Ribeirão Preto (SP). Fonte O Estado SP

01/10/2009 - 20:38h Bissexual?

Agnès Giard

En 1948, Alfred Kinsey, avance que nous sommes pratiquement tous bisexuels: “Le monde ne se résume pas à des oppositions binaires, explique-t-il. Tout n’est pas noir ou blanc.” Dans un essai coup de gueule, Karl Mengel en profite pour renvoyer dos à dos les hétéros-racistes et les homos-sexistes.

Osez-la-bisexualite

Hétéro, homo… Pourquoi vouloir à tout prix se définir? Alors que pour l’essentiel d’entre nous, la vérité se trouve ailleurs, dans une zone indéfinie, trouble et troublante, qui englobe des désirs polymorphes et des motivations obscures. Selon Alfred Kinsey, père de la sexologie, “la nature ne produit que très rarement des catégories parfaitement étanches. Il n’y a que l’esprit humain pour inventer des groupes, étiqueter le réel et forcer les faits à entrer dans de petites cases distinctes. Le monde du vivant est un continuum, dans tous ses aspects, un large éventail constitué d’un seul tenant. Plus tôt nous assimilerons cette idée en ce qui concerne la sexualité humaine, plus tôt nous parviendrons à une solide compréhension des réalités du sexe.

Dans son ouvrage Pour et contre la bisexualité, publié à La Musardine, Karl Mengel ajoute que dans le règne animal –“des punaises aux baleines et des cygnes aux putois, en passant par les lions, les libellules, les aigles, les girafes et les pieuvres”- quelque 1500 espèces jouent l’alternance, sans se préoccuper de savoir si elles sont à voile ou à vapeur: “Les hérissons se branlent mutuellement avant d’aller voir l’autre sexe, les escargots s’enfilent en longues chaines après l’accouplement reproductif de rigueur, les gentils dauphins vont et viennent (…) les cerfs adorent monter un semblable quand il est en train de se faire une biche et les éléphants trimbalent une bite de 25 kg dont l’encombrement les pousse, ne serait-ce que pour se reposer, à faire souvent semblant qu’ils se sont trompés de trou.

Les pulsions humaines n’échappent pas à cette joyeuse absence de règle. Rares sont les hétéros totalement insensibles à l’idée d’une relation homosexuelle. Après tout, eux aussi possèdent une prostate et, pour la majorité d’entre eux, cette prostate est une zone érogène. Les hétéros aiment donc la sodomie. Qu’elle soit faite à l’aide d’un gode ou d’un pénis n’est qu’une question accessoire. Le phallus des gays ne reste pas non plus de marbre devant les film porno-straights. C’est peut-être dérangeant pour eux, mais voilà: il y a des filles qui peuvent les exciter, ne serait-ce que par identification. Quant aux femmes, qu’elles soient hétéro ou homo, leur clitoris les rend aussi sensibles aux caresses venant de l’autre que du même sexe. Morphologiquement, les différences de genre n’ont aucune importance en matière de plaisir. L’anus est identique sous les jupes et les pantalons. Les langues, les doigts, les mots, les fantasmes et les envies sont également les choses du monde les mieux partagées. Une femme peut très bien avoir le même cul, la même libido et les mêmes mots qu’un gay. Un homme peut très bien avoir la même langue, les mêmes doigts et les mêmes envies qu’une lesbienne. Etc.

Sur le plan strictement physique, nous sommes tous ambivalents. C’est-à-dire capables de jouir –en fermant les yeux, en nous laissant aller au vertige– sans trop savoir qui est celui, ou celle, qui nous absorbe ou qui nous pénètre. Sur le plan érotique, bien sûr, chaque être ayant ses préférences, nous avons besoin de choisir nos partenaires. Il y en a qui préfèrent les hommes, d’autres les femmes, ou les trans ou les garçons manqués, c’est certain. Mais faut-il pour autant en déduire que les mots “hétéro” ou “homo” sont pertinents? Le mot “bisexuel” est-il lui-même pertinent? Dans Pour et contre la bisexualité, Karl Mengel dénonce l’usage de ce terme -“bi”- qui renvoie de façon réductrice à la norme binaire: “lorsque le sexe est entré dans le discours, les néologistes se sont mis en tête de jeter un pont (bi) entre deux chimères, dont l’une (hétéro) avait au préalable été créée comme un pendant artificiel à l’autre (homo), elle-même illusion langagière visant à cloisonner le champ sexuel au nom de la morale du moment.

Karl Mengel s’explique: le terme “hétérosexuel” n’a été inventé qu’après l’apparition de l’étiquette “homosexuel”. La première trace du mot homosexualität (”homosexuel”) se trouve dans la correspondance privée d’un certain Karl-Maria Benkert, en 1868. Cet “obscur mais néanmoins précoce défenseur de la liberté de baiser en paix s’est mis en tête de remplacer les multiples noms d’oiseau qui servaient jusqu’alors à désigner les amateurs du même”: il substitue aux termes cinaèdes, bougres, bardaches, culistes, pédérastes, gitons, uranistes, enculés, invertis, antiphysiques, pédés, pédales, folles et autres tantes un mot absurdement composé d’une racine grecque (homo: “même”) et d’une racine latine (sexus: “sexe”).

Résultat catastrophique: son invention est “immédiatement reprise à bon compte par les maniaques du rangement comportemental” qui en font non plus une catégorie mais une pathologie bientôt cernée par Krafft-Ebing dans son célèbre Psychopathia sexualis. Il s’agit pour Krafft-Ebing de recenser les perversions d’un point de vue médical et non plus religieux, afin de les guérir. “Le sodomite diagnostiqué homosexuel n’était donc plus coupable mais à plaindre –ce qui revenait en gros à échanger le bûcher contre –plus tard– le Sida” se moque Karl Mengel.

Le mot “hérérosexuel” n’apparait qu’après, comme pour conforter l’idée qu’il existe deux camps. Celui du bien et celui du mal, évidemment. “A la base, les censeurs  veulent une boîte commode où ranger ceux et celles qui vont et viennent librement entre la norme et l’anormalité constituée, nommée, donc sous contrôle.” Problème: les homosexuels eux-mêmes participent à cette “mise en boîte”: ils revendiquent leur filiation avec les grecs et les romains de l’antiquité ainsi qu’avec les samouraïs, et les féroces initiateurs-combattants d’Afrique, d’Océanie ou d’Amérique du sud, qui, pendant plusieurs siècles érigent l’amour mâle en modèle de vertu guerrière. Les homosexuels oublient cependant une chose: les soldats-amants de Thèbes ou de Sparte, les érastes (adultes) crétois, les bushi (guerriers) japonais, les binômes zaggalah, les mâles Keraki ou les hommes libres de l’Empire Romain n’étaient pas homosexuels. Ils étaient omnisexuels. Ils avaient des femmes et des amants. L’institution “pédérastique” (ensemencement viril d’un adolescent) allait de pair -obligatoirement- avec l’institution du mariage.

C’est ainsi que tous les personnages du passé qui avaient entre autres goûté aux joies du même, à une époque innocente où prévalait l’indifférenciation d’avant l’hétérosexisme, ont été pris en otage par un courant de pensée partisan qui les a maquillé en purs homosexuels” se plaint Karl Mengel. Et au diable l’anachronisme! Le militantisme gay a donc mis en place un mythe aussi schématique et grossier que ce dont pouvaient rêver les pères de l’Église: quiconque –par le passé– avait eu des relations homosexuelles est devenu homosexuel. Jules Cesar, David roi d’Israël, Alexandre le Grand, Casanova, Henri III, Ivan le terrible, Socrate, Richard Cœur de Lion, Cervantes, Michel-Ange, Pierre le Grand, Goethe, etc. “Évidemment, l’autre bord n’a pas levé le petit doigt (sic) pour s’opposer à la profanation, vu qu’il y trouvait parfaitement son compte: l’occasion était trop belle de laisser les “anormaux” se constituer en un bloc à la fois hermétique et distinct. Purger, sans se salir les mains, quelle veine.” Karl Mengel ajoute : “En réalité, ces illustres ancêtres n’étaient pas homos, ni hétéros, pas plus qu’ils n’étaient bi -même indépendamment du fait que ces notions n’existaient pas. Leur sexualité s’organisait autour de hiatus différents, et ses enjeux touchaient plus à la découverte de soi (en passant) par les autres qu’à la construction artificielle d’une identité reposant sur des choix instrumentaux.

Des deux côtés du poste-frontière établi entre les normes obligatoires, il y a donc des gens qui se méfient des autres (stigmatisés “bisexuels”)  et qui les traitent de “traitres”, d’imposteurs ou de menteurs. Il semble en effet louche que l’on puisse trouver du charme aussi bien aux hommes qu’aux femmes de nos jours, tellement les idéologues ont bien fait leur travail: les hommes viennent de Mars, les femmes de Venus, alors faites votre choix. Et pas question d’être dans l’entre-deux. Ce qui fait dire à Karl Mengel: “C’est un fait peu connu, mais Eros s’appelle aussi Metis dans la théologie orphique. La métaphore dit joliment l’évidence qui voit la sexualité réunir les opposés, cela à l’intérieur de soi. On a donc forcément un peu de l’autre dans le corps, qu’importe son genre, et le désir s’en trouve complexe, insaisissable mais infini.” La libido contient tous les possibles.

Pour et contre la bisexualité, Karl Mengel, collection L’attrape-corps, éd. La Musardine.

Osez la bisexualité, de Pierre des Esseintes, éd. La Musardine.

Fonte Les 400 culs

29/09/2009 - 14:18h Veja quem são os vencedores do Prêmio Jabuti 2009

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da Folha Online

A Câmara Brasileira do Livro divulgou hoje a lista com os três primeiros colocados de cada uma das 21 categorias do 51º Prêmio Jabuti. Os vencedores das categorias Livro do Ano Ficção e Livro do Ano Não-Ficção serão revelados durante a cerimônia de premiação, no dia 4 de novembro, na Sala São Paulo.

Tradução

1º lugar -”A Morte de Empédocles / Friedrich Hölderlin”, Marise Moassaba Curioni (Iluminuras).
2º lugar -”Satíricon”, Cláudio Aquati (Cosac Naify).
3º lugar -”Os Irmãos Karamázov – 2 Volumes”, Paulo Bezerra (Editora 34).

Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes

1º lugar – “Coleção Princesa Isabel – Fotografia do Século XIX”, Bia e Pedro Corrêa Lago (Capivara Editora)
2º lugar – “Árvores Notáveis – 200 Anos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro” (livro e guia de bolsa), Andréa Jakobsson Estúdio Editorial (Andréa Jakobsson Estúdio Editorial)
3º lugar – “Tarsila do Amaral”, Lygia Eluf (Imprensa Oficial do Estado)

Teoria/Crítica Literária

1º lugar -”Monteiro Lobato: Livro a Livro”, Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini (Editora Unesp / Imprensa Oficial)
2º lugar -”Pensamento e ‘Lirismo Puro’ na Poesia de Cecília Meireles”, Leila V. B. Gouvêa (Editora Universidade de São Paulo)
3º lugar -”Literatura da Urgência Lima Barreto no Domínio da Loucura”, Luciana Hidalgo (Annablume Editora)

Projeto Gráfico

1º lugar -”Fazendas Mineiras”, Marcelo Drummond & Marconi Drummond (Cemig)
2º lugar -”A História do Brazil de Frei Vicente de Salvador”, Maria Lêda Oliveira (Versal Editores)
3º lugar -”Isay Weinfeld”, Roberto Cipolla (Bei Editora)

Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil

1º lugar -”O Matador”, Odilon Moraes (Editora Leitura) – BH
2º lugar -”De Passagem”, Marcelo Cipis (Schwarcz)
3º lugar – “Alfabeto de Histórias”, Gilles Eduar (Editora Ática)

Ciências Exatas, Tecnologia e Informática

1º lugar – “Introdução à Quimica da Atmosfera – Ciência, Vida e Sobrevivência”, Ervim Lenzi e Luzia Otilia Bortotti Favero (LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora)
2º lugar – “Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial”, Armando Albertazzi G. Jr. e André R. de Souza (Editora Manole)

3º lugar – “Mapa do Jogo”, Lucia Santaella e Mirna Feitoza (Cengage Learning Edições)

Educação, Psicologia e Psicanálise

1º lugar -”A Voz e o Tempo”, Roberto Gambini (Ateliê Editorial)
2º lugar -”Religiosidade e Psicoterapia”, Claudia Bruscagin, Adriana Sávio, Fátima Fontes e Denise Mendes Gomes (Editora Roca)
3º lugar – “Educação à distância: o Estado da Arte”, Fredric Michael Litto (Pearson Education do Brasil)

Reportagem

1º lugar -”O Livro Amarelo do Terminal”, Vanessa Bárbara (Cosac Naify)
2º lugar -”O Sequestro dos Uruguaios – uma Reportagem dos Tempos da Ditadura”, Luiz Cláudio Cunha (L&P Editores)
3º lugar -”1968 – o que Fizemos de Nós”, Zuenir Ventura (Editora Planeta do Brasil)

Didático e Paradidático

1º lugar – “História e Cultura Africana e Afro-Brasileira”, Nei Lopes (Barsa Planeta Internacional)
2º lugar – “Meu primeiro álbum de piano solo”, Dulce Auriemo (D.A. Produções Artísticas)
2º lugar – “Coleção cidade educadora – Diário de bordo do aluno 1 – Volume Amarelo”, Áureo Gomes Monteiro Júnior, Célia Cris Silva e Júlia Scandiuci Figueiredo (Aymará Edições e Tecnologia)
3º lugar – “Literatura Infantil Brasileira: um Guia para Professores e Promotores de Leitura”, Vera Maria Tietzmann Silva (Cânone Editorial)

Economia, Administração e Negócios

1º lugar – “Valores Humanos & Gestão. Novas Perspectivas”, Maria Luisa Mendes Teixeira (organizadora) (Editora Senac São Paulo)
2º lugar -”Estratégia e Competitividade Empresarial – Inovação e Criação de Valor”, Luiz Carlos Di Serio e Marcos Augusto de Vasconcelos (Saraiva)
3º lugar – “Meio Ambiente e Crescimento Econômico: Tensões Estruturais”, Gilberto Dupas (Editora Unesp)

Direito

1º lugar – “Introdução ao Pensamento Jurídico e à Teoria Geral do Direito Privado”, Rosa Maria de Andrade Nery (Editora Revista dos Tribunais)
2º lugar -”Execução”, José Miguel Garcia Medina (Editora Revista dos Tribunais)
3º lugar -”Código de Processo Civil – Comentado Artigo por Artigo”, Daniel Mitidiero e Luiz Guilherme Marinoni (Editora Revista dos Tribunais)
3ºlugar – “Atual Panorama da Constituição Federal”, Carlos Marcelo Gouveia (Saraiva)

Biografia

1º lugar – “O Sol do Brasil”, Lilia Moritz Schwarcz (Schwarcz)
2º lugar -”José Olympio, o Editor e sua Casa”, José Mario Pereira (GMT Editores)
3º lugar -”O Santo Sujo: a Vida de Jayme Ovalle”, Humberto Werneck (Cosac Naify)

Capa

1º lugar – Moby Dick”, Luciana Facchini (Cosac Naify)
2º lugar -”Jovem Stálin”, João Baptista da Costa Aguiar (Schwarcz)
3º lugar -”Introdução à filosofia”, Rex Design (Editora WMF Martins Fontes)

Poesia

1º lugar -”Dois em um”, Alice Ruiz S. (Editora Iluminuras)
2º lugar -”Antigos e soltos: poemas e prosas da pasta rosa”, Instituto Moreira Salles (Instituto Moreira Salles)
3º lugar -”Cinemateca”, Eucanaã Ferraz (Schwarcz)
3ºlugar – “Outros barulhos”, Reynaldo Bessa (edição do autor)

Ciências Humanas

1º lugar – “História do Brasil – Uma Interpretação”, Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota (Editora Senac São Paulo)
2º lugar – “Veneno Remédio”, José Miguel Wisnik (Schwarcz)
3º lugar – “A Aparição do Demônio na Fábrica”, José de Souza Martins (Editora 34)

Ciências Naturais e Ciências da Saúde

1º lugar – “Fundamentos de Dermatologia”, Marcia Ramos-e-Silva e Maria Cristina Ribeiro de Castro (Editora Atheneu)
2º lugar -”Oftalmogeriatria”, Marcela Cypel e Rubens Belfort Jr. (Editora Roca)
3º lugar – “Guia de Propágulos & Plântulas da Amazônia”, José Luís Campana Camargo et al (Inpa)

Contos e Crônicas

1º lugar -”Canalha! – crônicas”, Fabricio Carpinejar (Editora Bertrand Brasil)
2º lugar -”Ostra feliz não faz pérola”, Rubem Alves (Editora Planeta do Brasil)
3º lugar -”Os comes e bebes nos velórios das gerais e outras histórias”, Déa Rodrigues da Cunha Rocha (Auana Editora)

Infantil

1º lugar – “A Invenção do Mundo Pelo Deus-Curumim”, Braulio Tavares (Editora 34)
2º lugar -”No Risco do Caracol”, Maria Valéria Rezende e Marlette Menezes (Autêntica Editora)
3º lugar – “Era Outra Vez um Gato Xadrez”, Leticia Wierzchowski (Editora Record)

Juvenil

1º lugar -”O fazedor de velhos”, Rodrigo Lacerda (Cosac Naify)
2º lugar -”Cidade dos deitados”, Heloisa Prieto (Cosac Naify)
3º lugar -”A distância das coisas”, Flávio Carneiro (Edições SM)

Romance

1º lugar -”Manual da Paixão Solitária”, Moacyr Scliar (Schwarcz)
2º lugar -”Orfãos do Eldorado”, Milton Hatoum (Schwarcz)
3º lugar -”Cordilheira”, Daniel Galera (Schwarcz)

Tradução de obra literária Francês-Português

1º lugar -”O Conde de Monte Cristo”, André Telles e Rodrigo Lacerda (Jorge Zahar Editor)
2º lugar – “Topografia Ideal para uma Agressão Caracterizada”, Flávia Nascimento (Editora Estação Liberdade)
3º lugar – “A Elegância do Ouriço”, Rosa Freire D’aguiar (Schwarcz)

27/09/2009 - 20:33h Novo: EllaOne, a pílula do(s) dia(s) seguinte(s) -até 5 dias depois ela é eficiente- vai provocar uma revolução no planejamento familiar

Grand pas dans la vie des femmes après l’amour, EllaOne, la pilule du « surlendemain » sera fin septembre dans nos pharmacies.

Montage Yann Guégan.

Selon nos informations, le laboratoire français HRA Pharma présente EllaOne le week-end prochain à Rome en exclusivité mondiale : un nouveau contraceptif d’urgence, efficace à plus de 97% jusqu’au cinquième jour suivant le(s) rapport(s) sexuel(s). L’autorisation de mise sur le marché a été obtenue fin mai, ne reste plus qu’à attendre le denier feu vert de l’Agence européenne qui devrait arriver le 24 septembre.

Les boîtes contenant un unique petit cachet blanc seront alors immédiatement commercialisés. « Sauf si un pays européen qui ne se serait pas encore manifesté pose une nouvelle question, ce qui repousserait la mise en vente d’un mois », explique HRA Pharma.

Prochaine étape : la vente libre

Gros point noir pour le laboratoire et les professionnels de la contraception, il faudra en passer par une ordonnance. Les responsables de HRA Pharma ont bataillé au ministère de la Santé, en vain : « C’est un vrai retour en arrière par rapport au Norlevo [pilule du lendemain déjà commercialisée par ce laboratoire, ndlr] qui était en vente libre dès sa mise sur le marché » :

« Mais EllaOne est fabriquée avec une molécule complètement inédite, jamais utilisée pour aucune indication -l’Ulipristal- beaucoup plus efficace que le levonorgestrel que l’on trouve dans le Norlevo. Nos études cliniques -menées sur 4 000 femmes- montrent que c’est un produit génial, extrêmement efficace, aussi bien toléré que le Norlevo. Nous nous battrons pour qu’il soit en vente libre le plus vite possible. »

En revanche la procédure permettant le remboursement par la sécurité sociale « est en bonne voie ». Il vaut mieux pour tout le monde, car le prix d’EllaOne sera, selon nos informations, bien plus élevé que celui du Norlevo vendu à 7,60 euros et remboursé. Le laboratoire, qui n’a pas bouclé les négociations, assure tout de même que ça sera « en dessous de 50 euros ».

EllaOne peut être prise pendant les cinq jours suivant le(s) rapport(s) sexuel(s), contre trois jours pour le Norlevo. Elle semble beaucoup plus performante que le Norlevo, dont l’efficacité passait de 95% durant les premières 24 heures à 58% au bout de deux jours. Les essais menés avec EllaOne montrent une efficacité constante de 97,5% pendant 120 heures (soit la durée de vie des spermatozoïdes). De quoi se retourner et affronter plus sereinement tous les ponts (ascension, 15 août, jour de l’an, etc) de l’année.

De quoi réjouir les anti-IVG

Elisabeth Aubeny, gynécologue et présidente de l’association française pour la contraception, se réjouit de l’arrivée de ce produit et regrette, elle aussi, qu’il soit délivré uniquement sur ordonnance :

« Il s’agit plus d’un principe de précaution que d’une volonté de limiter son usage. Le temps des polémiques est révolu. Très franchement, les pouvoirs publics français sont au clair avec ces questions. Tout ce qui peut faire diminuer le nombre d’IVG est bon à prendre. Les anti-IVG devraient donc être les premiers à se réjouir de l’arrivée de ce produit dont on sait qu’il sera surtout utilisé par les femmes qui ont eu une relation occasionnelle. »

La question de la prescription médicale est centrale. Nathalie Bajos, spécialiste de la sexualité et de la contraception à L’Inserm (institut national scientifique de la santé et de la recherche médicale) estime que l’un des intérêts majeur de la contraception réside dans sa « démédicalisation ».

Très concrètement, EllaOne est à avaler en cas de risque de grossesse franc et massif, mais aussi en cas de gros doutes : pilule oubliée ou vomie, capote de travers, nuit d’ivresse amnésique. Pour toutes les femmes qui pratiquent la pilule du lendemain de façon répétée et délibérée, elle apportera encore un peu plus de souplesse. L’Inserm range ces dernières dans la catégorie des personnes ayant une « sexualité occasionnelle ou irrégulière » qui ne veulent pas s’imposer une contraception régulière (hormonale ou stérilet) et qui « se débrouillent ».

Dans une étude publiée par l’American journal of public health en 2009, Nathalie
Bajos et Caroline Moreau, spécialistes de la sexualité et de la
contraception à l’Inserm, montrent que la pilule du lendemain
correspond aux besoins d’une sexualité différente, irrégulière, non
prévue, parfois imposée ou menée en dépit d’un fort contrôle social et
religieux. Elle pousserait 8,4% des femmes adoptant un moyen de contraception à relâcher leurs habitudes.

A l’instar du Norlevo et de toutes les pilules, EllaOne ne protège pas des maladies sexuellement transmissibles, rappellent instamment les gynécologues. Trop évoquer les bienfaits de la contraception d’urgence pourrait remettre en cause ces deux acquis formidables que sont sa délivrance sans ordonnance et la gratuité pour les mineurs, ajoutent-ils. « Il suffit juste de répèter que les rapports sexuels avec des partenaires épisodiques sont les plus à risque, rappelle Elisabeth Aubeny. En terme de maladie et en terme de grossesse » :

« C’est typiquement le genre de grossesse où les patientes nous disent : je ne l’aimais pas, je n’imaginais pas que je pouvais me retrouver enceinte. »

La plus grande efficacité de EllaOne tient à son principe actif l’ulipristal acétate. Le Norlevo, lui, est à base de levonorgestrel. Tous deux ont été mis au point et commercialisés par HRA Pharma, pionnier dans la contraception d’urgence. André Ulman, son directeur général (et féministe) a bataillé à la fin des années 90 pour que le Norlevo soit mis en vente, puis en vente libre sans ordonnance. En juin 1999, la France a été le premier pays au monde à offrir cette liberté, sous l’impulsion de Martine Aubry et Bernard Kouchner. Entre 1,2 et 1,3 millions de comprimés de levonorgestrel sont vendus chaque année dans l’Hexagone, alors que les besoins en contraception d’urgence sont évalués à 25 millions.

Réhabiliter les déviantes et les débridées

Il existerait encore de rares pharmaciens et quelques médecins pour raconter aux trop bonnes clientes que la contraception hormonale d’urgence rend stérile (menace mensongère numéro un), qu’elle favorise ultérieurement les grossesses extra-utérines, donne des boutons, fait grossir.

La littérature médicale est formelle : il n’existe aucune complication ni contre-indication à la prise de EllaOne -sauf allergie à l’ulipristal- moins nocif aux yeux des spécialistes des maladies cardio-vasculaires, que la prise d’hormones à long terme avec la pilule classique. Nathalie Bajos expliquait dans l’hebdomadaire Elle les raisons de ces réticences :

« Il existe en France une norme extrêmement prégnante : une femme
doit planifier, contrôler sa contraception et sa sexualité, ne pas se
laisser déborder. Celle qui vient chercher la pilule du lendemain est
déviante, car elle a failli dans cette gestion raisonnable. Celle qui
la prend plusieurs fois de suite, elle est déviante de chez
déviante, elle est débridée. »

Pour les « débridées » comme pour les victimes de rupture de capote, le prochain combat sera donc celui de la vente libre de EllaOne. En attendant qu’arrive sur nos étals la Rolls des pilules, ainsi décrite par le docteur Elisabeth Aubeny :

« Un produit extrêmement efficace à prendre juste avant ou après le rapport sexuel. »

HRA Pharma travaille actuellement sur ce bijou avec l’aide d’un institut de développement américain.

Illustration : image détournée par Yann Guégan.

23/09/2009 - 18:35h A transa das lesmas

A atriz Isabella Rosellini apresenta uma série, “Green Porno”, muito bem hurmorada sobre sexo no reino animal. Foi a pedido de Robert Redford para seu canal Sundance Chanel. Os filmes são educativos e visualmente bem producidos, como este sobre a transa das lesmas.

21/09/2009 - 19:12h A ciência do travesseiro

newyorktimes_folha

http://versus.blogs.sapo.pt/arquivo/quinta%20feira.jpg

LENTE

Ao usar uma faixa especial na cabeça para dormir, relatou David Pogue no “New York Times”, um relógio marcará o tempo que você passa nos vários estágios do sono: leve, profundo ou de movimento rápido dos olhos (MRE). Depois, você pode enviar os dados para um site na web e obter uma nota da qualidade do seu sono.
“É realmente incrível, até um pouco assustador, ver todos esses dados sobre uma parte da sua existência da qual você nada sabia até agora”, escreveu Pogue.
Talvez você saiba pouco sobre o que acontece enquanto está dormindo, além de alguns sonhos bizarros. Mas os cientistas fizeram várias descobertas recentes sobre o terço das nossas vidas que passamos descansando, ou pelo menos tentando descansar.
Cerca de 5% das pessoas podem despertar totalmente descansadas, sem despertador, depois de um sono curto, escreveu Tara Parker-Pope no “Times”. Ying-Hui Fu, professora de neurologia na Universidade da Califórnia em San Francisco, e seus colegas encontraram uma mutação de um gene ligado aos ritmos circadianos em duas pessoas, mãe e filha, que naturalmente dormiam pouco -seis horas por noite. A mutação, a primeira já descoberta que se relaciona à duração do sono, poderá ser uma chave para a compreensão dos distúrbios do sono.
“Sabemos que o sono é necessário para a vida, mas conhecemos muito pouco sobre ele”, disse Fu. “Conforme aprendermos mais sobre o mecanismo do sono e seus caminhos, poderemos compreender melhor o que causa os problemas de sono.”
Se você fica virando na cama à noite, o aconselhamento on-line pode ajudar. Estudos nos EUA e no Canadá demonstraram que a terapia comportamental cognitiva baseada na web pode reduzir a insônia, escreveu Amanda Schaffer no “Times”.
“Eu gostei do fato de ser pela internet”, disse uma participante do estudo, Kelly Lawrence, 51, do Canadá, “porque quando você não dorme não quer se levantar e ter de ir a uma consulta”.
Se nada disso funcionar, faça como Albert Einstein, Winston Churchill ou Thomas Edison faziam: tire um cochilo. Um novo estudo mostra que os cochilos ajudam a solucionar problemas, escreveu Nicholas Bakalar no “Times”. Os participantes do estudo fizeram dois testes de associação de palavras. Os que tiraram um cochilo entre os testes que englobava sono MRE -o tipo que inclui sonhos- se saíram 40% melhor no segundo teste do que no primeiro.
“Os sonhos são engraçados”, disse a professora de psiquiatria Sara Mednick, que conduziu o estudo. “Eles incorporam ideias estranhas que você jamais teria acordado. No sono MRE, torna-se mais provável que as ideias se juntem em uma solução.”
Algumas perguntas sobre o sono ainda não foram respondidas. Por exemplo, por que as girafas dormem cinco horas por dia enquanto os morcegos dormem 20? Uma teoria, como escreveu Benedict Carey no “Times”, é que, para otimizar seu tempo, os animais dormem nas horas em que é mais arriscado encontrar comida. O morcego, por exemplo, se alimenta de insetos que saem à noite, e dormir durante o dia o mantém escondido de predadores com visão melhor.
Um corolário dessa teoria é que estamos mais despertos quando estamos inclinados a ser mais produtivos, segundo Carey. A incapacidade de dormir às 22h, portanto, talvez não seja sinal de um distúrbio. “Se o sono evoluiu como o administrador do tempo, então estar ‘ligado’ às 2h da manhã pode significar que existe um trabalho valioso a ser feito”, escreveu.
Envie comentários para nytweekly@nytimes.com

20/09/2009 - 18:00h Freud 70 anos: Sonhos, complexo e pulsão para leigos. Os livros

 

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise

Coleção dedicada a iniciantes lança segunda leva de títulos que atualizam as principais ideias do repertório psicanalítico

Francisco Quinteiro Pires – O Estado SP

Sigmund Freud foi bastante corajoso ao expor os seus sonhos em praça pública. Em certa medida, tal coragem recebeu uma recompensa, dada por A Interpretação dos Sonhos (1900), uma de suas obras capitais que inaugurou a psicanálise. E é ela que ganha uma análise afiada de John Forrester na coleção Para Ler Freud. Professor da Universidade Cambridge, Forrester disseca, em A Interpretação dos Sonhos (Civilização Brasileira, 94 págs., R$ 15), as críticas à teoria freudiana que diz haver diferenças entre o conteúdo latente e o manifesto dos sonhos. A distinção se faz necessária. O autor inglês explica que, quando se dá sentido aos elementos oníricos, torna-se possível acessar a caixa-preta dos desejos.

Organizada pela psicanalista Nina Saroldi, a coleção, lançada no fim de 2008, manda agora para as livrarias, junto com o livro de Forrester, mais dois volumes: Complexo de Édipo, de Chaim Samuel Katz, e As Pulsões e Seus Destinos, de Joel Birman. A trinca da estreia foi formada por Além do Princípio do Prazer (Oswaldo Giacoia Junior); As Duas Análises de uma Fobia em um Menino de Cinco Anos – O Pequeno Hans (Celso Gutfreind); e Luto e Melancolia (Sandra Edler). No total, a série terá 15 volumes. “Sem textos cifrados, a coleção atualiza as principais ideias elaboradas por Freud ao longo da a sua produção”, diz Nina, que assina os prefácios das edições.

Psicanalista e escritor, Katz aborda, em Complexo de Édipo (164 págs., R$ 25), um conceito desenvolvido pelo teórico austríaco a partir de um sonho com a mãe e uma antiga babá. Valendo-se da mitologia grega, o pai da psicanálise criou a teoria da paixão pela mãe e do ciúme pelo pai. Segundo Katz, que convocou teóricos como Foucault e Jung para tratar do assunto, é o complexo de Édipo que torna a vida em sociedade viável, por delimitar o fluxo da libido e a obtenção do prazer. Katz examina a manifestação contemporânea da culpa e da vergonha.

“Joel Birman é um dos autores mais produtivos da psicanálise”, diz Nina. “Sua posição política é interessante porque mostra a preocupação e a possibilidade de as questões sociais serem tratadas pela teoria psicanalítica.” Além de As Pulsões e Seus Destinos (162 págs., R$ 25), Birman está lançando Cadernos Sobre o Mal (Civilização Brasileira, 336 págs., R$ 49,90). Professor da UFRJ, ele debate, no primeiro, as referências atuais ao conceito de pulsão, pela qual se revela a ambivalência do indivíduo. No segundo, investiga as diversas expressões da violência nos dias correntes, sob a luz da psicanálise e levando em conta os problemas sociais.

Desafios da nova tradução brasileira

Feita a partir do alemão, ela tem o objetivo de recuperar o estilo impecável do autor; serão 35 volumes, dos quais 3 já saíram

Luiz Alberto Hanns – O Estado SP

Nos anos 80 e 90, dezenas de artigos e livros questionando a teoria e denunciando a ética pessoal de Freud passaram a circular pela mídia. Alguns apontavam deficiências teóricas, outros expressavam uma fúria caluniadora que parecia responder a décadas de domínio e arrogância de muitos dos seguidores de Freud. Agora, passado o que nos EUA se denominou Freudbashing (malhar Freud), damo-nos conta que, na verdade, os novos avanços da psicogenética, das neurociências e da psicofarmacologia não se contrapõem à teoria freudiana, e podemos avaliar seu lugar na cultura e ciência com mais isenção. Neurocientistas têm relido e valorizado suas teorias, bem como em ciências humanas muitos conceitos freudianos foram incorporados. Igualmente vários países europeus e Estados americanos passaram a incluir a psicanálise nos serviços públicos de saúde.

Contudo, esta retomada de Freud não explica o interesse despertado pelas novas traduções que surgem neste momento em que sua obra cai em domínio público. Afinal, desde os anos 70 Freud é o autor de língua alemã cuja tradução é a mais debatida. O curioso é que, em geral, Freud escrevia de modo acessível visando à divulgação da psicanálise. Por que, então, a celeuma sobre sua tradução?

Uma das respostas é que sua obra não é apenas lida, mas estudada. Não só por psicanalistas, mas também por filósofos, semioticistas, críticos de arte, etc. Alguns textos são destrinchados frase a frase discutindo-se “o que Freud realmente queria dizer”, dúvidas estas alimentadas por uma desconfiança das traduções que remonta aos anos 70, época em que o debate em torno da tradução de Freud transbordou para além dos especialistas, chegando ao público leitor de jornais. As discussões de então centravam-se nos termos psicanalíticos adotados pela prestigiosa tradução inglesa de J. Strachey, a Standard Edition of Sigmund Freud Complete Psychanalytical Works, que havia estabelecido um padrão terminológico internacional.

Discutia-se uma revisão dos termos psicanalíticos, cuja tradução passou a ser considerada “medicalizada” e estranha à linguagem freudiana – uma linguagem ligada à experiência cotidiana e afetiva. Afora alguns termos já corriqueiros como ego, superego, id e narcisismo, outros como catexia (carga de energia), estase (acúmulo), epistemofilico (desejo de conhecer), seriam desnecessariamente herméticos. Além disso, nos anos 80, quando se publicaram novos estudos abarcando outras importantes traduções em diversos idiomas, novas distorções e falta de distinções conceituais foram mapeadas, colocando todas sob suspeita e incentivando uma revisão geral das traduções.

A nossa Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de S. Freud da Imago Editora passou por um processo análogo, sendo em especial criticada pela psicanalista Marilene Carone, que infelizmente morreu pouco depois de iniciar uma nova tradução. Além de ter sido traduzida do inglês, a Standard Brasileira continha diversos erros. Uma nova tradução a partir do alemão e conforme critérios atuais se fazia necessária e a própria Imago a retomou, sob minha coordenação em 2002. Entretanto, é provável que nenhuma das novas traduções internacionais, incluindo a nossa nova edição brasileira, satisfaça a todas as demandas contemporâneas. Uma das dificuldades reside na relação de Freud com a linguagem.

Para ele, havia uma sabedoria psicológica nos idiomas, e é da linguagem cotidiana que ele se servia para nomear conceitos e apontar nexos entre fenômenos. Um exemplo ilustrativo: Freud descreve um momento psíquico essencial – o cerne dinâmico da pulsão ou do instinto – que ele nomeia de Drang e que para outros idiomas foi traduzido por um termo mais pobre, pressão (pressure, poussée, presión). Ocorre que em português há um termo análogo ao Drang: ânsia. Tanto ânsia como Drang descrevem algo que brota do desconforto físico crescente (por exemplo, a ânsia do sufocado em respirar), passa pelo afã e aponta para o anseio (por exemplo, ânsia por viajar).

O nosso ânsia, tal como Drang, articula duas conexões importantes: uma com o corpo que sofre e impele, e outra com a psique que representa mentalmente os objetos de alívio almejados. Não haveria espaço aqui para demonstrar as implicações e os desdobramentos teóricos que ligam o desejo ao corpo e este à vida psíquica, bem como as relações entre sofrimento e prazer. Estes temas foram discutidos por Freud sempre empregando palavras ligadas à nossa experiência afetiva. Daí seu estilo ter sido denominado “prosa científica”.

Lembremo-nos que o mesmo Freud que foi considerado pela escola de Viena como exemplo de rigorosa ciência positivista ganhou o prêmio literário Goethe. Contudo, esse duplo registro discursivo coloca o tradutor diante de um impasse: se por um lado houve um consenso em “desmedicalizar” a linguagem, os avanços psicanalíticos atuais levaram a novas exigências de formalização teórica e padronização terminológica (em geral semanticamente mais pobre), e se contrapõem a uma tradução mais coloquial que busca restaurar os nexos semânticos e literários. Internacionalmente tem havido diversas soluções; na França, a nova tradução coordenada por Laplanche, tem um cunho mais terminologizante, na Inglaterra a atual tradução dirigida por Phillips tem um viés radicalmente literário.

A nova tradução brasileira, que começou a ser publicada em 2004 e que se estenderá até 2017, opta por dois caminhos: no corpo do texto enfatizamos a fluidez e o prazer de leitura, portanto, um viés literário, mas ao fim de cada capítulo incluímos um extenso corpo de notas com subsídios aos estudiosos. Embora nossa tradução deva se prestar a estudos, não abrimos mão de recuperar o estilo de Freud, acessível, instigante e em diálogo com a cultura. Outra providência foi não mais publicarmos a obra de Freud em ordem cronológica, pois isso nos obrigaria a publicar junto com textos relevantes de sua juventude, um grande número de cartas pessoais e artigos repetitivos que só interessam aos estudiosos e deixaria importantes textos de sua maturidade para uma publicação muito posterior.

Optamos por eixos temáticos que reúnem os textos mais lidos e procurados. O primeiro eixo, já publicado, engloba os Escritos sobre a Psicologia do Inconsciente (em três volumes, totalizando 640 páginas e 17 textos do período de 1911 a 1938). O eixo seguinte, em quatro volumes, trará os Escritos sobre Cultura, Sociedade e Religião. Mais adiante virão os textos sobre sexualidade, depois sobre arte e literatura, num total de 12 eixos temáticos, distribuídos por 35 volumes. Esperemos que este formato, bem como resgate do texto fluido e expressivo de Freud, permita à nova geração de leitores apreciar seu estilo e perceber suas múltiplas aberturas para a modernidade.

* Luiz Alberto Hanns, doutor em Psicologia pela PUC-SP, psicanalista, é cordenador-geral da nova tradução brasileira das obras de Sigmund Freud e autor do Dicionário Comentado do Alemão de Freud (Imago), entre outros livros sobre o tema

Estante Básica

RENATO MEZAN


Eis alguns livros disponíveis em português que podem interessar tanto aos marinheiros de primeira viagem quanto aos que já possuem algum conhecimento da psicanálise:

DE SIGMUND FREUD

Obras Psicológicas, editora Imago. Trata-se da nova edição da obra completa de Freud, traduzida diretamente do alemão, sob a coordenação-geral de Luiz Alberto Hanns. A publicação teve início em 2004 e já foram lançados três volumes, que reúnem os Escritos Sobre a Psicologia do Inconsciente. Neles estão incluídos os chamados textos metapsicológicos do criador da psicanálise – como O Recalque, Pulsões e Destinos da Pulsão e O Fetichismo.

SOBRE SUA VIDA E A ÉPOCA EM QUE VIVEU

Freud – Uma Vida Para o Nosso Tempo, de Peter Gay. São Paulo, Companhia das Letras, 1989.

Freud: Sua Longa Viagem Morte Adentro, de Lúcio Roberto Marzagão. Belo Horizonte, Ophicina de Arte & Prosa, 2007.

Viena Fin-de-Siècle, de Carl Schorske. São Paulo, Companhia das Letras, 1993.

SOBRE SUA OBRA

O Carvalho e o Pinheiro: Freud e o Estilo Romântico, de Inês Loureiro. São Paulo, Escuta, 2002.

Freud: Um Ciclo de Leituras. Silvia Leonor Alonso e Ana Maria Siqueira Leal (orgs.). São Paulo, Escuta, 1997.

Freud, Pensador da Cultura, de Renato Mezan. São Paulo, Companhia das Letras, 2005.

PRÁTICA CLÍNICA

Freud e o Homem dos Ratos, de Patrick J. Mahony. São Paulo, Escuta, 1991.

RELAÇÃO COM O JUDAÍSMO

O Moisés de Freud: Judaísmo Terminável e Interminável, de Yosef Hayim Yerushalmi. Rio de Janeiro, Imago, 1992.

Psicanálise, Judaísmo: Ressonâncias, de Renato Mezan. Rio de Janeiro, Imago, 1995.

O MOVIMENTO PSICANALÍTICO E OS AUTORES PÓS-FREUDIANOS

História, Clínica e Perspectivas nos Cem Anos da Psicanálise. Abrão Slavutzky, César de Souza Brito e Edson Luiz André de Sousa (orgs.). Porto Alegre, Artes Médicas, 1996.

Transferências Cruzadas: Uma História da Psicanálise e Suas Instituições, de Daniel Kupermann. Rio de Janeiro, Revan, 1996.

A Psicanálise Cura? Uma Introdução à Teoria Psicanalítica, de Roberto Girola. São Paulo, Ideias e Letras, 2004.

PSICANÁLISE NO BRASIL

A Psicanálise no Brasil: As Origens do Pensamento Psicanalítico, de Elisabete Mokrejs. Rio de Janeiro, Vozes, 1992.

Figura e Fundo: Notas Sobre a Psicanálise no Brasil, 1977-1997, de Renato Mezan. In Interfaces da Psicanálise; São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

20/09/2009 - 17:30h Freud 70 anos: Arte feita com estilhaços da teoria do ”pai”

Das primeiras vanguardas até hoje, uma presença decisiva – e particular

http://vr.theatre.ntu.edu.tw/hlee/course/th6_520/sty_20c/painting/ernst-06X.jpg
Pietá (ou Revolução à Noite) de Max Ernst. Pensando em Freud

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP

 

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise

Surrealistas sempre foram grandes leitores de Freud. Já o psicanalista nunca prestou muita atenção aos surrealistas. Considerava fútil qualquer tentativa de expressar visualmente o que trama o inconsciente. Toda manifestação artística, segundo Freud, passa necessariamente pelo ego, mesmo que o francês André Breton (1896-1966), mentor dos surrealistas, tenha defendido o contrário. Então, o que teria levado Breton a seguir a cartilha de Freud? Básico: matar o pai, tomar seu lugar e tripudiar sobre seu cadáver, no melhor estilo edipiano. Não se pode esquecer que, ao contrário do eurocêntrico Freud, Breton e os surrealistas foram os primeiros a promover culturas não-europeias, admitindo a relevância dos mitos ancestrais e representações simbólicas dos antípodas.

Freud, como já acentuou Edward Said, pode até ter usado – e usou, de fato – esse conhecimento ao escrever Totem e Tabu (1913), mas não exatamente para fazer o elogio das culturas do Pacífico ou as africanas.

O conservadorismo artístico de Freud é notório – basta uma mirada em sua coleção particular para atestar que o interesse do psicanalista pela arte dirige seu olhar de volta aos gregos. Seus contemporâneos são praticamente ignorados. Apesar disso, o pintor alemão Max Ernst (1891-1976), um dos expoentes do movimento surrealista, leu seus livros ainda na Alemanha. No ano em que Freud lançou O Eu e o Id (1923), Ernst fez uma espécie de homenagem a ele numa tela chamada Pietà (ou Revolução à Noite), hoje na Tate Gallery. Na pintura, o Cristo é o próprio Ernst, mas quem o sustenta não é a mater piedosa das representações renascentistas. É o próprio pai (ou Freud), que pode ocupar simbolicamente o papel da mãe desejada nessa parábola visual automaticamente associada ao complexo de Édipo – conceito introduzido por Freud em A Interpretação dos Sonhos (1900), que Ernst, então estudante de Filosofia e Psiquiatria da Universidade de Bonn (de 1909 a 1914), conheceu antes de desembarcar em Paris e conhecer o grupo de Breton.

Breton, é provável, leu Freud na mesma época, pois foi durante a 1ª Guerra, prestando serviços num hospital para soldados traumatizados, que o poeta passou a desenvolver jogos de associações verbais semelhantes aos que o psicanalista usava com seus pacientes, conforme o estudo de Fiona Bradley sobre o movimento surrealista. Nesses jogos, os médicos estimulavam os pacientes a reagir automaticamente a palavras por eles pronunciadas, fixando-se na primeira reação dos soldados. Essa técnica teria levado Breton a desenvolver o que ficaria conhecido como escrita automática – marco zero do surrealismo, que derivaria para a pintura automática de Miró, justaposição de signos verbais a visuais num tipo de comunicação não-racional.

É claro que nem a escrita nem a pintura surrealista nasceram com os surrealistas. Tampouco com Freud. Todo mundo já sonhava – ou tinha pesadelos – bem antes de A Interpretação dos Sonhos. É grande a lista de escritores (de Dante a Lautréamont, passando por Jarry e Rimbaud ) e pintores (Bosch, Arcimboldo) que poderiam ser classificados de surrealistas. Freud tampouco se interessou por eles. Escreveu pouco sobre artistas visuais e, ainda assim concentrando suas reflexões na obra de dois renascentistas , Leonardo da Vinci e Michelangelo. Pena. Teria comprovado sua teoria de que o desejo fora de lugar pode provocar grandes estragos . Seria interessante ler suas impressões sobre o maneirismo “pervertido” de Arcimboldo, cujos rostos transfigurados certamente teriam ajudado o estudioso a introduzir a teoria da pulsão de morte em Além do Princípio do Prazer.

Freud, de origem hassídica, teria necessariamente de se voltar para a cultura literária – e não é por acaso que Sófocles vem em seu socorro com Édipo e Shakespeare com Hamlet na hora de formular o primeiro capítulo de sua teoria psicanalítica. Jung, de pais protestantes, era, nesse sentido, mais visual que seu mestre – e mais aberto às culturas visuais e mitologias arcaicas. Outra explicação é sua possível aversão à mistura explosiva entre surrealismo e radicalismo político. Para um vienense criado num ambiente hostil a inovações (musicais, em especial) e que, quando criança, sonhava se tornar um militar, a proximidade do espírito anarquista herdado do dadaísmo – do qual o surrealismo descende- era impensável. Breton era trotskista. Salvador Dalí era ambíguo, mas nunca conseguiu disfarçar sua simpatia pela ultradireita.

Apesar disso, Dalí realizou com Buñuel o filme que resume em imagens alguns dos temas mais caros a Freud: a repressão sexual, seja ela propagada pela Igreja ou pela sociedade burguesa. L’Âge d’Or (1930) foi lançado no ano em que Freud publicou O Mal-Estar na Civilização. Nesse livro, cuja atualidade é assustadora, o psicanalista diz basicamente que sacrificamos a felicidade por um alto nível de civilização – hoje poderíamos mudar as palavras e dizer que trocamos a liberdade pela segurança. A dupla Buñuel-Dalí fala exatamente o mesmo: no filme, fragmentado, um casal é sexualmente reprimido para logo em seguida vermos a imagem de uma mulher praticando fellatio no dedão do pé de uma estátua religiosa. Tanta desinibição poderia ser até demais para alguém que, a exemplo de Hobbes, defendia a existência de um limite para a civilização existir. Vale lembrar que, antes de L’Âge d’Or, Buñuel e Dalí já haviam subvertido Freud. Um Cão Andaluz (1926) descreve como condição ideal a do seu “perverso polimorfo” para garantir o êxito dessa mesma civilização – ao tratar da sexualidade infantil, Freud usou esse termo para associar o repertório dos primeiros prazeres sexuais ao dos pervertidos na idade adulta.

Não pensa diferente o herdeiro da dupla, o cineasta e psicomago chileno Alejandro Jodorowsky, autor de filmes desconcertantes, entre eles A Montanha Sagrada (1973), sobre um falso Messias que encontra um alquimista disposto a ajudá-lo na tarefa de redimir pecadores. Nem que seja castrando os infelizes, tarefa que o sádico chefe de polícia cumpre com prazer. Não é para estômagos fracos. Nem para Freud. Jodorowsky está vivo, mas sua idade (80 anos) não permite mais tanta extravagância. Passou o cetro para Matthew Barney, de 42 anos, versão soft dos delírios oníricos de Jodorowsky, assumidamente um dos que não ultrapassam o segundo estágio da tipologia freudiana, regredindo frequentemente à fase anal.

O norte-americano Matthew Barney, em seu épico de longa duração, Cremaster Cycle (1994- 2002), regride aos tempos pré-freudianos para mostrar como a biologia pode engendrar seres extraordinários dotados de virilidade animal e pouco raciocínio. Nessa antevisão apocalíptica, ele só perde para a veterana francesa Louise Bourgeois, que hoje vive em Nova York. A quase centenária escultora teve uma relação tumultuada com seu pai – bem mais do que a de Freud com o dele. Seus corpos com mil seios, aranhas e torsos sem membros são quase ilustrações da recusa infantil a uma sexualidade interpessoal. Freud teria em Matthew e Louise material farto para nova teorias. Sorte deles que morreu assim que a guerra começou.

20/09/2009 - 17:06h Freud 70 anos: Recepção profissional e consequente no Brasil teve início na década de 20

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise

Durval Marcondes, fundador da primeira sociedade de psicanálise da América Latina, inaugurou sua institucionalização no País

Renato Mezan – O Estado SP

As primeiras referências às ideias de Freud por parte de psiquiatras brasileiros são contemporâneas da publicação dos seus artigos em revistas científicas alemãs, ou seja, datam do fim do século 19 e dos anos iniciais do 20. Isso porque, dado o prestígio da medicina germânica, muitos brasileiros faziam seus estudos na Alemanha ou em Viena, e se mantinham atualizados assinando os periódicos lá editados.

Com uma exposição sobre o novo método feita em 1899 por Juliano Moreira, da faculdade do Rio de Janeiro, pouco a pouco vão surgindo menções aos trabalhos de Freud, porém sem destaque especial: é mais um entre os autores citados, assim como Krafft-Ebing, Bleuler ou Kraepelin. Aqui e ali, temos notícias do emprego de técnicas freudianas na prática clínica, mas sempre isoladamente e sem continuidade.

Na década de 1920, a influência das vanguardas europeias sobre os modernistas abre outra via para a penetração das ideias psicanalíticas: no Manifesto Antropofágico, Oswald de Andrade se serve de algumas delas, e Mário de Andrade chegou a sugerir o termo sequestro para verter o nome do principal mecanismo de defesa proposto por Freud (Verdrängung, depois traduzido como repressão ou recalque). Sai um ou outro artigo na imprensa, ouve-se uma que outra conferência, do mesmo modo como se fala do surrealismo ou do tango: a psicanálise é mais um assunto para as conversas de salão, sem prejuízo do emprego de tal ou qual aspecto dela em determinado caso atendido por um profissional.

É com Durval Marcondes que tem início um esforço mais consequente para que as ideias freudianas deixem de ser apenas mais um item no cardápio intelectual. Ele se põe em correspondência com Freud, funda uma Revista Brasileira de Psicanálise (que teve um único número, em 1928), organiza em São Paulo a Sociedade Brasileira de Psicanálise (ainda em 1927), e busca trazer para a cidade um analista didata, capaz de realizar análises de verdade e assim formar um primeiro grupo de psicanalistas locais.

À sombra de Melanie Klein, com a chegada da dra. Adelheid Koch à capital paulista, no ano de 1937, encerra-se a fase diletante da psicanálise brasileira, e tem início um novo período, que a meu ver se estende até meados da década de 1970. Ele se caracteriza pela formação de Sociedades de Psicanálise em diversas capitais; à medida que atingiam determinados padrões, eram aceitas como filiadas pela Associação Internacional de Psicanálise (IPA, da sigla em inglês).

Quem quisesse se tornar psicanalista devia seguir um curso de formação nestas associações, de cujo currículo faziam parte os principais escritos de Freud. A maneira pela qual eram lidos, porém, era tributária de desenvolvimentos mais amplos no interior da disciplina, tanto técnicos quanto políticos. Refiro-me ao fato de que depois da guerra muitos latino-americanos vão se formar na Inglaterra, onde tomam contato com o círculo de Melanie Klein e acabam adotando o estilo clínico que ela inaugurou.

O kleinismo torna-se assim a corrente predominante nas sociedades brasileiras; Freud vai aos poucos se convertendo numa espécie de pai fundador, um vulto venerado a cujo retrato na parede se fazem as reverências de praxe, mas sua obra passa a ser considerada como algo de importância “histórica”, com que se tem a mesma relação que com os clássicos da arte e da literatura. Na clínica, porém, empregam-se as ideias de Klein e de seus discípulos.

Assim, durante as décadas de 1950 e 1960, a metrópole psicanalítica para os brasileiros é Londres. A publicação dos três volumes da biografia de Freud escrita por Ernest Jones, assim como dos primeiros volumes da nova tradução inglesa dos Gesammelte Werke por James e Alix Strachey – empreendimento que consumiu muitos anos de trabalho, e resultou nos 24 tomos da Standard Edition of the Complete Works of Sigmund Freud – estimulou alguns analistas do Rio de Janeiro a verter para o português os escritos do mestre. Mas a opção de os traduzir da Standard, e não do original, resultou num trabalho sem coerência na terminologia e eivado de erros.

O fato de a Edição Standard Brasileira – realizada com boa vontade, porém sem qualidade literária nem científica – ter sido recebida sem críticas diz bastante sobre a posição secundária de Freud nas referências dos analistas brasileiros de então: se os textos da escola kleiniana tivessem sido traduzidos com a mesma displicência, com certeza a reação teria sido outra. Somente com as novas condições mencionadas mais adiante é que se percebeu como era ruim o texto disponível na nossa língua.

Nas mesmas décadas, mas ainda sem impacto sobre a psicanálise em nosso país, Jacques Lacan estava empreendendo na França o chamado “retorno a Freud”. O estudo minucioso dos textos, frequentemente no original alemão, resultou para os seguidores de Lacan numa grande familiaridade com o pensamento do mestre de Viena, e na transformação dele num interlocutor tanto para a teorização quanto para a prática clínica, o que não era o caso nos países de língua inglesa.

A partir de 1970, as doutrinas lacanianas começam a ser divulgadas na América Latina, em especial na Argentina. Os profissionais platinos que vinham para cá – primeiro como conferencistas visitantes, e após o golpe de 1976 como emigrados políticos – traziam na bagagem uma nova visão da obra freudiana, influenciados como estavam pelo prestígio de que ela passara a desfrutar na França. Durante a década de 1980, retornam ao país vários analistas formados naquele país, ou na universidade belga de Louvain, então um importante centro lacaniano. Eles trazem consigo um conhecimento e uma valorização de Freud que muito contribuíram para a maior difusão do seu pensamento nas plagas tropicais. Em alguns novos cursos de formação para psicanalistas – como o do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo – o corpus freudiano se torna o eixo central dos estudos, o que ainda hoje contrasta com o programa de corte mais britânico em uso nas sociedades filiadas à IPA.

Por fim, para compreender a situação atual de Freud na cultura brasileira é preciso mencionar três outros processos ocorridos nos últimos 30 anos. Em primeiro lugar, a crescente solicitação por parte da mídia para que psicanalistas expressem sua opinião acerca de comportamentos, atitudes, declarações de autoridades políticas e científicas, crimes particularmente hediondos, e outros fatos da vida social. Nesses comentários, frequentemente é citada alguma ideia do fundador da disciplina, e isso contribui para que o grande público se familiarize com conceitos como o de inconsciente, complexo de Édipo, perversão, e assim por diante.

Em segundo lugar, a presença da psicanálise nos cursos de pós-graduação em psicologia e filosofia deu origem a muitas teses de boa qualidade, que por sua vez – terceiro processo – vêm sendo publicadas por editoras especializadas. Nelas, e portanto nos livros a que dão origem, são frequentes as referências a Freud, e discussões acerca das suas implicações para o assunto tratado.

Sinal de uma exigência congruente com o novo papel da obra freudiana no pensamento dos analistas brasileiros é a decisão da Editora Imago de encetar uma nova tradução dela, desta vez com critérios adequados e a partir do original alemão. Sob a coordenação de Luiz Alberto Hanns, até o momento já saíram três do total de volumes projetados. As excelentes notas explicativas, e a qualidade da tradução, com certeza a tornarão um instrumento de trabalho utilíssimo para os psicanalistas, pesquisadores e demais interessados em conhecer o que Freud realmente disse (leia mais a respeito na página 11).

Para concluir: além das constantes citações em artigos, livros e conferências, esse contato mais íntimo com a obra fundadora da psicanálise vem influindo no modo como os profissionais conduzem seu trabalho clínico. A capacidade dos escritos de Freud para inspirar reflexões sobre os mais variados aspectos da vida psíquica, assim como para fornecer pistas que permitem compreender fenômenos dos quais ele não tratou explicitamente, parece dar razão ao psicanalista francês André Green, o qual, questionado certa vez sobre o que havia de novo em psicanálise, respondeu sem hesitar: “Freud.”

* Renato Mezan é psicanalista, professor titular da PUC/SP, autor de várias obras sobre Freud e a psicanálise. O texto aqui publicado é parte de um livro sobre o pensamento alemão a ser lançado em 2010 pelo Instituto Goethe de São Paulo, que gentilmente permitiu sua divulgação antecipada

20/09/2009 - 16:29h Freud 70 anos: Mistérios que vêm da masculinidade

Psicanalista não previu que mudanças na sociedade deslocariam a figura feminina de lugar e criariam uma nova relação entre os gêneros

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise

Maria Rita Kehl – O Estado SP

Não se sabe que motivos levaram o escritor Grégoire Bouiller a encerrar por e-mail a relação amorosa com a artista plástica Sophie Calle. De fato, o protocolo contemporâneo da gestão dos afetos não recomenda o método e nem a mídia, considerada impessoal e burocrática demais diante das razões do coração. Os visitantes da exposição Cuide de Você (Prennez Soin de Vous), que ocupou o Sesc Pompeia entre 10/7 e 7/9 tiveram acesso a uma cópia da carta de rompimento, mas não às razões pelas quais o autor preferiu o e-mail a uma conversa pessoal. Quem sabe ele tivesse tentado romper a relação antes, pessoalmente, sem sucesso? Ou temesse por parte de Sophie uma cena melodramática e constrangedora, no limite do decoro tão caro aos parisienses?

O fato é que a ex-namorada conseguiu reverter a humilhação provocada pelo pé na bunda eletrônico de Grégoire convocando, a seu favor, uma fervorosa adesão feminista, pós-moderna, multidisciplinar e internacional. As 107 mulheres a quem Sophie enviou a carta de Grégoire a pretexto de consultá-las sobre como respondê-la foram unânimes em condenar a falta de etiqueta, de sensibilidade e, por que não? – de macheza por parte do rapaz. É possível agrupar as objeções das amigas de Calle em duas categorias principais: as críticas ao estilo supostamente literário de Bouiller e os diagnósticos de coloração psicanalítica à personalidade do rapaz. A carta de Grégoire foi considerada kitsch, maneirista, antiquada, estereotipada, brega, convencional – observações que teriam ferido de morte o escritor se a carta fosse uma peça literária. Já sua personalidade, foi diagnosticada por mulheres de diversas profissões como egoísta, infantil, narcisista, insegura, dissimulada e despreparada para o amor. Grégoire foi condenado, com base no código de ética pós-feminista, por um delito moderno tipicamente masculino: o de não estar à altura da imensa capacidade de amar das mulheres.

É provável que elas tenham razão. Não é difícil perceber o cabotinismo do rapaz, que tenta se passar por uma vítima de sua própria infidelidade. O que me interessa, entretanto, é observar que as fraquezas de caráter de que Grégoire é acusado são, sem tirar nem pôr, idênticas às características atribuídas por Freud às próprias mulheres, desde seu texto Introdução ao Narcisismo, de 1914. Infantilidade, narcisismo, egoísmo, frieza de sentimentos e uma habilidade para a dissimulação desenvolvida a partir de seu complexo de castração, compõem a estilística da feminilidade, segundo a observação freudiana. Em vários outros textos, entre os quais O Eu e o Id (de 1923), A Sexualidade Feminina (1931) e A Feminilidade (1933), Freud confirma suas observações anteriores. A repressão sexual à qual as moças eram submetidas desde a infância, o desconhecimento da vagina, o sentimento de humilhação devido à inferioridade de seu minúsculo órgão sexual em comparação com o falo masculino, tudo contribuiria para tornar as mulheres frígidas no sexo e arredias no amor. Do homem, uma mulher só desejaria duas coisas: que a colocasse em um pedestal de modo a confirmar seu valor como objeto privilegiado do desejo dele; e que lhe propiciasse a única e verdadeira experiência de plenitude a que a mulher teria direito: não o êxtase do sexo, mas o da maternidade. A feminilidade seria uma espécie de preço pago pela mulher ao homem, visando à obtenção do falo-filho. “A mulher freudiana é aquela que diz “obrigada” ao homem”, escreveu Colette Soler.

O homem freudiano seria o narciso ferido, sempre inseguro de seu valor; eterno amante dedicado a conquistar o amor da virgem inexperiente a quem caberia, depois do casamento, reconhecer a virilidade dele. A mulher representava o objeto misterioso que, embora dependente material e juridicamente do parceiro, jamais lhe revelaria o segredo de seu desejo e de seu gozo. O homem freudiano ocupa a posição do amante e a mulher, a do objeto idolatrado. Mas para que a estratégia funcione, é essencial que a moça conserve uma aura de mistério e de estudada indiferença. Nisso consiste a mascarada da feminilidade, cuja função é ocultar a verdade do desejo e da castração femininos.

Onde se encontram, hoje, as “verdadeiras” mulheres freudianas? Teremos nós, gerações pós-feministas, esquecido os artifícios e artimanhas que nos faziam tão atraentes quanto inacessíveis à fantasia masculina? Hoje, não nos parece que os homens é que andam arredios, ao passo que as mulheres do século 21 se comportam como guerreiras assediadoras da gélida fortaleza masculina? “O que faço para sustentar meu desejo por esta que se entregou a mim desde o primeiro momento?” perguntam os rapazes de hoje que, por angústia e vingança, transformam suas amadas em grandes mães assexuadas.

A linha divisória entre homens e mulheres, pelo visto, perdeu sua antiga fixidez, trazendo mobilidade e liberdade para ambas as partes. Se o falo não é um pênis e sim um significante, seu manejo está franqueado a homens e mulheres. Só que, ao insistir em sustentar a equação pênis=falo, os homens acabam por se colocar em uma posição muito mais frágil do que as mulheres. Estas recém-descobriram, por conta da própria psicanálise, que o órgão masculino só possui o valor fálico que elas lhe conferirem.

Freud estaria enganado em suas observações a respeito das diferenças entre os sexos, das quais faço aqui uma proposital caricatura? Não creio. O que ele não poderia prever é que as transformações da cultura, para as quais a psicanálise desempenhou no século 20 um papel central, fariam por deslocar as mulheres de seus lugares tradicionais até exigir a construção de outra feminilidade ou, ainda mais: de outra relação dialética entre homens e mulheres.

Não é impossível então, que na medida em que as mulheres se livraram de algumas restrições sexuais e existenciais impostas pela moral vitoriana, a linha demarcatória entre a masculinidade e a feminilidade tenha se deslocado – forçando os homens, por enquanto, a jogar na defensiva. Freud já havia percebido a existência de um hiato na complementariedade imaginária entre homens e mulheres, a ponto de perguntar à sua amiga Marie Bonaparte: mas afinal, o que quer uma mulher? Pergunta que repercutiu em todas as gerações de psicanalistas, sobretudo homens. Ora: é claro que ninguém pode saber o que deseja uma mulher. O desejo é, por definição, inconsciente. Um homem também desconhece o próprio desejo.

Quanto ao suposto mistério do querer feminino, que se manifesta por intermédio de fantasias triviais e de pequenas reivindicações dirigidas ao outro – bem, nesse caso qualquer mulher pós-freudiana poderia responder: eu quero o mesmo que você, seu bobo. Você só não percebe porque não quer saber que sou sua semelhante, sua rival, sua irmã.

E, nesse caso, a diferença sexual continua um mistério – para os homens e para as mulheres.


* Maria Rita Kehl, psicanalista, é autora de O Tempo e o Cão (Boitempo), entre outros livros

20/09/2009 - 15:56h Freud 70 anos: O papel de refletir sobre o conjunto do espírito humano

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise

O exame da cultura e da civilização tornou-se uma das linhas de força da psicanálise, que prossegue dedicada a essa frente

Sérgio Telles – O Estado SP

A inquietante e dolorosa vacilação humana entre o Bem e o Mal, a razão e a irracionalidade – enigma sobre o qual há séculos se debruçavam a filosofia e as religiões – foi entendida por Freud como decorrente da divisão estrutural do psiquismo em diversas instâncias, cujo funcionamento percebeu ser regido por um conflito permanente entre forças opostas.

Foi com as histéricas que Freud descobriu a dimensão inconsciente do psiquismo, mas logo a reconheceu nos demais quadros psicopatológicos e no funcionamento mental dos ditos “normais”. É quando passa a fazer o levantamento desta forma de funcionamento psíquico que escapa totalmente à consciência e à lógica racional e que usa uma linguagem cifrada, até então incompreensível a ponto de lhe ser negado qualquer sentido. Daí a necessidade de interpretá-la ao se manifestar em sintomas, sonhos, atos falhos, fantasias e desejos.

Freud constata que o inconsciente pode ser detectado em toda e qualquer manifestação do psiquismo humano, desde os mais simples e rudimentares até as mais complexas produções culturais, como a arte, a religião, a filosofia.

Por isso mesmo, desde o início, Freud estabeleceu que a psicanálise não se restringe a seu aspecto terapêutico e procurou aproximá-la dos demais domínios do espírito.

É grande o número de textos que Freud dedicou a assuntos artísticos e culturais, como Delírios e Sonhos na Gradiva de W. Jensen (1907), Leonardo da Vinci e Uma Lembrança de Sua Infância (1910), O Moisés de Michelangelo (1914) e Moisés e o Monoteísmo (1939). Essa linha de trabalho culminou com obras magistrais nas quais estuda a gênese da lei (Totem e Tabu, 1913), a questão da psicologia das massas e da liderança (Psicologia de Grupo e a Análise do Ego, 1921), a religião (O Futuro de Uma Ilusão, 1927) e a própria civilização (O Mal-Estar na Civilização, 1930).

O pensamento “sociológico” e “cultural” de Freud – que, durante certo tempo e por vários motivos foi relegado a um segundo plano – recebeu uma grande revitalização a partir dos trabalhos de Jacques Derrida. Ele convoca os psicanalistas a retomarem seu posto na polis, a participarem – como Freud o fez – mais intensamente dos debates que envolvem as grandes questões da atualidade. Confirma Derrida o que já é sabido desde o aparecimento dos primeiros trabalhos de Freud – que o mundo é hostil à psicanálise e a ela oferece grande resistência. Mas – continua Derrida – é necessário reconhecer que a psicanálise, por sua vez, também “resiste” ao mundo, e – o que é mais grave – resiste a si mesma, recusando-se a continuar expandindo o campo de saber criado por Freud.

Derrida lamenta a ausência da psicanálise no enfrentamento com questões nas quais sua contribuição é imprescindível, como nos campos da ética, da política e do jurídico.

O Mal-Estar na Civilização é o texto magnífico onde Freud analisa os impasses decorrentes do fato de o homem ter saído da natureza e ingressado no campo da cultura. Ali ele afirma ser necessário conter os desejos agressivos e sexuais para tornar possível a vida em comum. Como conciliar isso com o objetivo terapêutico maior da psicanálise que propõe justamente combater a repressão e tornar conscientes os conteúdos agressivos e sexuais que ela afastava da consciência? Essa aparente contradição se desfaz quando lembramos que a superação da repressão e a integração no psiquismo dos conteúdos até então reprimidos não deve ser confundida com a realização concreta destes desejos na realidade. O levantar da repressão dá ao sujeito um maior conhecimento sobre si mesmo, fortalece seu ego e faz com que ele deixe de atribuir à outra pessoa (via projeção) desejos e fantasias que são de sua própria lavra. Cabe ao sujeito, agora de posse de seus desejos antes reprimidos, avaliar a adequação e a oportunidade de pô-los em prática ou reconhecer que tem de renunciá-los de uma vez por todas. Isso implica o reconhecimento da lei e a aceitação de limites, um abandono do narcisismo onipotente infantil e uma aceitação do princípio da realidade.

O fato de Freud considerar a civilização como valioso apanágio da humanidade a ser protegido contra a barbárie sempre à espreita não impede que a psicanálise exerça sobre ela uma crítica sistemática, o que a coloca numa posição muitas vezes contrária ao consenso geral, despertando resistências e hostilidades.

No tempos iniciais, Freud e a psicanálise se opunham à hipocrisia com a que a sociedade tratava a sexualidade, reprimindo-a maciçamente, fazendo-a manifestar-se no corpo contorcido, paralisado, convulsivo da histérica.

A psicanálise ajudou a mudar este panorama e o que vemos hoje em dia é o oposto do que ocorria no tempo de Freud.

Ao contrário da censura, da repressão e do impedimento superegoico contra a sexualidade, prevalece agora a imposição do gozo ininterrupto, a ordem é gozar. É exigido de todos uma vida sexual intensa e variada, sendo discriminados aqueles que não cumprem com tal imperativo. A sexualidade se exibe às escâncaras nos meios de comunicação, que ininterruptamente confundem o público e o privado.

Enquanto os anseios eróticos eram vigiados e reprimidos na era vitoriana, agora o mercado está atento a todo e qualquer desejo para transformá-lo num objeto de consumo, oferecido pela enganosa publicidade como o passaporte para a felicidade instantânea.

O que aconteceu? Teriam desaparecido os impedimentos e a repressão? É claro que não. A psicanálise entende que a repressão se desloca para outras áreas, por exemplo, impedindo a manifestação da genuína intimidade afetiva.

Ao apontar as falácias da sociedade do consumo, o vazio decorrente do narcisismo desenfreado, a negação da falta e da incompletude, a liberdade equivocada que leva às fobias e ataques de pânico, a psicanálise, mais uma vez. está na contramão.

No próprio campo terapêutico, o espírito do tempo volta a ficar contra a psicanálise. Ela é desmerecida como algo ultrapassado pela neurociência (que reduz o funcionamento mental ao equilíbrio dos neurotransmissores cerebrais) e pelo cognitivismo (teoria psicológica herdeira do behaviorismo, baseada em processos cognitivos conscientes, que ignora – consequentemente – o Inconsciente freudiano, e tenta aproximar o funcionamento da mente ao processamento de dados por um computador).

Neste contexto, é reconfortante que um pensador do calibre de Derrida tenha reafirmado a radical novidade do inconsciente freudiano, que continua descentrando e desafiando o saber humano baseado no cogito, na razão, na consciência.


* Sérgio Telles é psicanalista e escritor, autor de Visita às Casas de Freud e Outras Viagens (Casa do Psicólogo), entre outros

20/09/2009 - 15:21h Freud 70 anos: Uma prática da subjetivação

Inseparável do corpo teórico, clínica freudiana admite transformar a ‘miséria neurótica’ em ‘infelicidade banal’

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise

*Joel Birman – O Estado SP

A experiência psicanalítica se constituiu pelo reconhecimento insofismável da presença de conflitos no psiquismo. Essa evidência foi, para Freud, o canteiro de obras para a construção da teoria analítica e para o delineamento das coordenadas da clínica em psicanálise. Isso implica enunciar, inicialmente, que não existiria para Freud nenhuma possibilidade de separar estes dois registros, na medida em que a teoria e a clínica estariam organicamente costuradas. Seria em decorrência disso, portanto, que as diversas transformações da teoria ocorridas no discurso freudiano foram as consequências das mudanças operadas no registro da clínica. É preciso afirmar, em seguida, que a clínica foi um dispositivo inventado para remanejar e oferecer outros destinos para os ditos conflitos.

A presença do conflito evidenciava a existência de luta entre partes opostas que se contrapunham na experiência psíquica. Seria tal luta que se apresentava como dor e sofrimento nos indivíduos. Além disso, esse conflito se consubstanciava pela produção de sintomas que, como formação de compromisso que era entre os polos em luta, materializava o dito conflito. Contudo, esse se manifestava ainda em outras produções psíquicas, como o sonho, o lapso, o ato falho e a piada. O conjunto dessas produções psíquicas foram denominadas por Lacan de formações do inconsciente, constituindo a argamassa da experiência psicanalítica

A novidade teórica inventada por Freud foi a de demonstrar como o conflito psíquico se fundava em parte no inconsciente, mas que esse se mantinha oculto aos registros psíquicos do eu e da consciência, que representavam o outro polo do conflito. A experiência analítica visava então a colocar em cena o conflito em pauta, para que o sujeito pudesse relançar esse em outras bases, de maneira a dissolver o sintoma assim como o seu correlato, qual seja, a dor e o sofrimento que lhe acompanham. Enfim, como nos disse Freud numa fórmula concisa, em A Psicoterapia da Histeria (1895), seria preciso transformar a miséria neurótica em infelicidade banal.

Porém, no polo conflitivo centrado no inconsciente, Freud inscreveu o desejo. Seria esse na sua potência que procuraria sempre se impor no campo psíquico, como um imperativo efetivo do sujeito visando à sua satisfação. No entanto, encontraria sempre obstáculos para a sua realização, de maneira que teria que ser recalcado pela censura. O desejo, contudo, na sua insistência, buscaria sempre encontrar brechas para a sua circulação, driblando as infinitas dobras da censura. Seria, assim, pelo retorno do recalcado que o desejo se faria presente nas diferentes formações do inconsciente. Enfim, o desejo seria sempre transvestido por fantasmas, que definiriam as cenas e as personagens pelas quais o desejo tomaria corpo e forma.

No entanto, ao longo do seu percurso teórico, Freud empreendeu diferentes leituras do conflito psíquico e do desejo, procurando enfatizar então as suas bases pulsionais. Se inicialmente formulou que o conflito se daria entre a pulsão sexual e a pulsão do eu, posteriormente passou a enunciar que aquele se centraria entre a pulsão de vida e a pulsão de morte. Vale dizer, no início da psicanálise era a sexualidade que colocaria questões para o sujeito, mas em seguida a sexualidade faria parte das forças estruturantes do psiquismo e o que passou a ser problemático eram as forças destrutivas, representadas pelo imperativo da pulsão de morte. Seria então a crueldade o que promoveria estragos no sujeito, nas relações desse com o seu corpo e com o mundo. Foi neste contexto teórico-clínico, enunciado em Além do Princípio do Prazer (1920), que Freud nos disse que a experiência analítica não se centraria mais nem na interpretação nem tampouco na superação da resistência, como nos seus tempos primordiais, mas no domínio e na elaboração da compulsão à repetição.

De qualquer maneira, Freud sempre atribuiu a uma impossibilidade, existente na atualidade do sujeito, a fonte crucial para a constituição das diferentes perturbações psíquicas. Assim, da impossibilidade na realização do desejo até a perda de algo que fosse significativo para o sujeito, passando pelo impacto de experiências traumáticas, o que estaria sempre em pauta era a presença de um excesso intensivo no psiquismo, que o sujeito não conseguiria devidamente dominar e constituir assim destinos estruturantes para isso. A dimensão econômica do psiquismo seria o que melhor interpretaria o que estaria em causa inicialmente na produção das perturbações psíquicas, na impossibilidade de gozar que capturaria então o sujeito.

Em seguida, contudo, para canalizar este excesso pulsional, o psiquismo procuraria simbolizar o que ocorreu de maneira catastrófica, lançando mão de representações psíquicas. Seria a dimensão simbólica do psiquismo o que estaria agora em causa na produção das perturbações psíquicas, pela qual os diferentes sintomas serão tecidos nas suas particularidades. Assim, o sujeito procura lidar com uma questão real por caminhos oblíquos e transversos, lançando mão de seus arquivos do passado para enfrentar algo que se impõe na atualidade de sua experiência. Portanto, o que estaria agora em pauta seria uma tática equivocada para lidar com uma impossibilidade. Estaria aqui a dimensão do paradoxo presente em qualquer perturbação psíquica, seja essa da ordem da neurose, da perversão ou da psicose.

Dessa maneira, no entanto, o sujeito formula uma questão que estaria materializada no seu sintoma, de forma singular. A novidade trazida por Freud foi a de procurar traduzir o que se materializava no sintoma, isto é, na indagação que assim se balbuciava. Vale dizer, o sintoma queria sempre dizer algo de singular sobre o sujeito, que na sua impossibilidade falava disso de maneira transversa. Caberia, assim, ao psicanalista declinar essa voz sincopada, forjando as frases e conjugando os verbos enunciados no lusco-fusco dos fantasmas, para que as subjetivações pudessem então se produzir efetivamente.

Seria, portanto, pela invenção de novas formas de simbolização e de fantasmatização, que o sujeito poderia percorrer outros caminhos para sair do seu impasse, de maneira a dissolver a dor e o sofrimento que lhe dilacera. Para isso, a experiência psicanalítica possibilitaria a constituição de repetições de diferença no campo da repetição do mesmo, de maneira que o psiquismo pudesse realizar então a inflexão decisiva da compulsão à repetição em outras direções.

Fala-se muito hoje que a psicanálise não conseguiria mais sustentar o seu projeto clínico, não apenas em decorrência de sua duração e de seus custos como se dizia outrora, mas diante das novas modalidades de sofrimento que se apresentam na atualidade. Como se a psicanálise ficasse surda e opaca às novas formas de dor, que constituem a matéria-prima do mal-estar na contemporaneidade. Proclama-se, assim, a maior eficácia terapêutica da psiquiatria biológica e da psicologia cognitiva, que seriam os novos bálsamos para curar definitivamente os nossos males do espírito. Contudo, no projeto teórico-clínico delineado por Freud nunca foi fácil lidar com o conflito psíquico e as impossibilidades colocadas para a realização do desejo, de forma a constituir outros destinos que fossem estruturantes para o sujeito. Por isso mesmo, a resistência sempre se perfilou no campo da experiência psicanalítica, que não deve ser considerada negativamente, pois a resistência seria também o caminho pelo qual o sujeito procura afirmar o seu desejo em face da máquina interpretativa do analista, que ameaça apagar dessa maneira a sua singularidade.

Assim, a diferença fundamental da psicanálise em face de tais práticas clínicas é que para aquela o conflito psíquico não desaparece magicamente, nem pela ação das drogas psicofarmacológicas, nem tampouco pelo aprendizado de novos comportamentos. Isso porque o conflito psíquico se funda no desejo e nos fantasmas, que marcam a singularidade do sujeito. Esse não pode abrir mão de sua singularidade, sob o risco fatal de desaparecer. Vale dizer, a psicanálise é uma poderosa prática de subjetivação, que procura inventar destinos outros para o desejo e para os fantasmas do sujeito, através dos quais esse pode se enunciar em palavras, gestos e ações. Enfim, é preciso declinar o desejo e o fantasma do sujeito para que esse possa assumir plenamente a sua singularidade.

*Joel Birman é psiquiatra e psicoterapeuta, professor de Psicologia das Universidades Federal e Estadual do Rio de Janeiro e pesquisador do Collège International de Philosophie, de Paris. Escreveu, entre outros livros, Arquivos do Mal-Estar e da Resistência e Cadernos Sobre o Mal (Civilização Brasileira)

20/09/2009 - 15:03h Freud em analise

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise
Arquivo/AE

Especialistas refletem sobre a obra do pai da psicanálise

 

”Psicanálise é a medicina da alma do nosso século”

Uma das intelectuais mais respeitadas da França, ela fala com exclusividade ao ‘Estado’ sobre o legado do pensador de Viena

Andrei Netto – O Estado SP

Poucos intelectuais traduziram tão bem sua época como Sigmund Freud fez com o século 20. Em sua obra, estão expressas as bases de conceitos tão poderosos e, ao mesmo tempo, tão legíveis, que se tornaram parte do cotidiano com a velocidade característica de sua época. É o caso do inconsciente – um conceito já elaborado nos séculos 18 e 19 por autores como Leibniz e Edward von Hartmann. Reinterpretada por Freud, a ideia de que o que falamos pode ter significados ocultos que fogem à esfera da consciência e, portanto, ao nosso domínio, é hoje reconhecível por todos.

Resumir seu pensamento a esse conceito, porém, é limitar uma obra enérgica e influente, alerta Elisabeth Roudinesco. Psicanalista, historiadora, docente, escritora, discípula de Jacques Lacan, amiga de Jacques Derrida, Elisabeth é, aos 64 anos recém-feitos, um dos pensadores vivos mais importantes de sua área, a psicanálise – um dos legados de Freud à humanidade. Segundo a intelectual marxista, o médico neurologista convertido em gênio está por trás, de uma forma ou de outra, de todas as formas de emancipações vividas pela sociedade do século 20, das quais o feminismo e a liberação sexual são só dois exemplos evidentes.

Além de suas atividades acadêmicas, que a levam a viajar o mundo todo, Elisabeth, uma das intelectuais mais respeitadas da França, se mantém hiperativa como escritora. E no centro de seus interesses está Freud. Ele explicaria a efervescência da autora, que lançará dois novos livros – Histoire de la Psychanalyse en France (La Pochotèque) e Retour à la Question Juive (Albin Michel) – nos próximos dias.

Previsto para outubro, Em Defesa da Psicanálise (Jorge Zahar, 248 págs.) é o seu próximo lançamento no Brasil. Nessa obra, estão reunidos entrevistas e ensaios da autora inéditos no País. Organizados pelo psicanalista Marco Antonio Coutinho Jorge, os textos são de épocas diversas e abordam temas polêmicos: a falta de participação dos psicanalistas na vida pública, a homossexualidade, o antissemitismo e a ciência, além das conexões da psicanálise com a medicina e a filosofia. No livro, a resposta da autora para os que falam da morte da psicanálise é direta: “Que ilusão!”

Em 23 de setembro de 1939, Freud morria em Londres. Às vésperas do aniversário de 70 anos de seu desaparecimento, o Estado pediu ajuda a Elisabeth para esmiuçar a herança de um mestre. Em seu apartamento, em um quartier pequeno-burguês de Paris, na quarta-feira, foram registradas mais de duas horas de entrevista exclusiva. A seguir, sua síntese.

Estamos a 70 anos da morte de Freud. O que ainda é tão representativo em sua obra? Por que ele é uma referência para a própria humanidade?

Ele é o único a ter teorizado, assim como seus herdeiros, o que chamamos de inconsciente. Não falo do subconsciente nem do inconsciente dos psicólogos. Eu me refiro ao inconsciente, que pode ser traduzido pela noção de que, quando alguém fala, não sabe o que diz. Há milhões de exemplos concretos, como o ministro do Interior da França (Brice Hortefeux), que fez declarações racistas na semana passada. Conscientemente, ele não é racista. Inconscientemente, sim. Mas julgamos alguém por seu inconsciente? Sim, se ele é ministro. Mas, via de regra, não podemos enviar alguém aos tribunais por seu inconsciente. Podemos dizer: “Comporte-se!” Muitas pessoas são inconscientemente racistas e antissemitas. Quando não há lei, esses sentimentos se exprimem.

Está no inconsciente? É inexorável?

É inexorável. Freud dizia, com razão, que a única maneira de impedir o crime é a lei, a civilização. No fim do século 19, havia pessoas e governos pública e oficialmente racistas. Não era proibido.

Permita-me retomar a questão: por que Freud ficou marcado como o homem que sintetiza o século 20?

Porque ele aportou algo de novo. Ele estava no prolongamento da filosofia do sujeito. Ele trouxe explicações que a filosofia havia pensado, mas ele lhes deu um assento teórico. E isso não me surpreende. Além disso, Freud permite compreender os dois totalitarismos do século 20: o nazismo, sobre o qual pensou e anteviu melhor do que qualquer outro, e o comunismo, que não teve nada a ver com sua ideia original, com o marxismo. Os dois, aliás, são diferentes: o nazismo se inscreveu desde seu início, sabia-se o que esperar; o comunismo caminhou para o lado errado. Mesmo assim, Freud viu que ele não funcionaria. É verdade que ele era conservador, assim como muitos de seus herdeiros. Mas há muitos freud-marxistas, muitos freudianos de esquerda – que são os meus preferidos, aliás. Nessa época, psicanálise era uma teoria da regeneração do homem, da emancipação. Quatro coisas nasceram ao mesmo tempo: o sionismo, o último movimento de emancipação dos judeus; a psicanálise, que é a emancipação do inconsciente; o socialismo, a emancipação social; e o feminismo, a emancipação da mulher. Era um grande movimento. O século 20, como anteviu Freud, foi o triunfo do contrário – o que pode ser resumido no nazismo. Freud afirmou que o triunfo do contrário já estava lá, entre nós, naquela época. E disse ainda: “Atenção, eu sou a favor da emancipação, mas o homem é habitado pelo contrário disso.” Eu creio que ele foi o único a dizê-lo. É um dos motivos pelos quais é o Homem do Século 20. Por outro lado, ele jamais abandonou a ideia do progresso. Freud foi um homem progressista. Contra Schopenhauer, contra os grandes conservadores de seu tempo, contra os que eram inteiramente pessimistas em relação ao progresso, acusando-o de não servir para nada, Freud disse: “Sim, ele serve.” Foi por isso que eu o chamei, depois de Adorno e outros, como a “luz sombria”, marcada pelo iluminismo, mas sem muitas ilusões. Esse vínculo, o fato de ter pensado a relação entre as duas coisas, o levou a pensar ao mesmo tempo que o pior e o melhor podem acontecer com o homem. Ele nunca foi antiprogressista, ao contrário do que se diz. Por tudo o que mencionei, ele está no centro dos dias de hoje. Você não pode pensar o sionismo, o feminismo, a liberação das mulheres, a transformação da família, sem passar por Freud em determinado momento.

Se Freud é o homem do século 20, qual é o seu lugar no século 21?

É o mesmo. A maioria dos psicanalistas tornou-se conservadora. Não 100%, mas a maioria é conservadora. Por quê? É uma de minhas grandes interrogações. Eu não o sou, e no Brasil eles são menos. Diria até que são menos na América Latina. Mas eles são conservadores por diversas razões. Os lacanianos não deveriam sê-lo, já que Lacan relançou o pensamento da rebelião, da contestação. A Internacional Freudiana tornou-se conservadora porque caiu na repetição do dogma. Eles não se renovaram, tornaram-se um movimento dogmático, centrado sobre a clínica e não sobre a reflexão a respeito da sociedade e do indivíduo. Além disso, cometeram o erro de dialogar demais com as ciências duras, ao crer que o debate sobre o cérebro e os neurônios era essencial. Sempre afirmei que esse debate não era essencial, porque o cérebro e os neurônios não precisam de psicanálise. Não há muito o que fazer com isso, senão dar medicamentos. Mas se a psicanálise se ocupa apenas disso, afastando-se das moeurs (expressão francesa para costumes), ela se torna conservadora, familiarista. Os psicanalistas se desinteressaram dos assuntos sociais. Foi assim que se tornaram conservadores.

Por que a psicanálise brasileira é menos conservadora?

A América Latina, e sobretudo o Brasil, é uma sociedade que espelha a Europa. Os psicanalistas brasileiros são ecléticos. Em alguns momentos são culturalistas, e nos chateiam com a sua brasilidade – não esqueça que houve na França a francilidade e na Alemanha a germanidade. Mas, fora isso, eles, como espelho da Europa, importaram conhecimento. Ao importar, misturaram-no. E o ecletismo dos brasileiros – mais do que dos argentinos, que são menos ecléticos – se formou pegando um pouquinho de Freud, um pouquinho de Lacan e por aí foi. Isso funciona porque questiona o dogmatismo. Eles desconstruíram, para empregar a expressão de Derrida, o dogma europeu.

Voltemos a Freud. Ele não avançou em dois domínios: as crianças e os psicóticos. Por quê?

Sim, ele avançou sobre o tema da infância. Ele nos deu a base da análise da infância. O que se pode dizer é que sua corrente não triunfou no mundo psicanalítico quando se fala em infância, e sim a de Melanie Klein. Nisso, estou completamente de acordo com você. Foi ela quem fundou a psicanálise da infância. No entanto, tudo isso é psicanálise. Ela engloba todas as correntes. Sobre os psicóticos, você tem razão. Freud não acreditava que seria possível analisar os psicóticos. Muito cedo, quando ele compreendeu que essa era a “Terra Prometida” – bem antes da aparição dos medicamentos -, quando ele percebeu que quase todos os seus discípulos eram psiquiatras e trabalhavam com a psicose, ele se desinteressou, embora não tenha desestimulado ninguém. É verdade que é um domínio muito problemático. A análise se faz para os neuróticos. A “cura” analítica funciona muito para os neuróticos, porque, como eles não se curam, se acomodam. E, como transformamos a neurose de fracasso em neurose de sucesso, a cura funciona. A psicanálise torna mais inteligente, mais corajoso, mais apto na sociedade. A psicanálise funciona muito bem. Entretanto, é verdade que não curamos bem a psicose, embora tenhamos nos desenvolvido muito nesse tema também. Os loucos hoje buscam na psicanálise um complemento, já que os psiquiatras só querem saber de medicamentos. Se não há a psicanálise, o paciente vira um legume, um morto em vida.

No início, com Freud, a psicanálise era um processo breve, rápido. Hoje, é o contrário, estende-se por anos, décadas às vezes. O que mudou?

Era rápido porque Freud fazia seis sessões por semana de uma hora. Era intensivo. Há também o fato de que estendemos a análise para domínios não previstos de início, o que a tornou mais difícil. Mudou-se a modalidade da cura, também. Há pessoas que precisam falar sempre, ao longo de sua vida. Mas é verdade que Freud ficaria chocado hoje. Duas vezes por semana, durante 10 anos? Não! Para Freud, era de seis meses a um ano, todos os dias, por uma hora. Quando não era possível, como Marie Bonaparte, tudo bem. Ela ficou 14 anos em análise.

Freud esforçou-se muito para dar à psicanálise o status de ciência, mas ela sempre esteve na alça de mira de cientificistas ortodoxos. Como a psicanálise responde a essas críticas? E por que ela deve ser considerada uma ciência?

Freud oscilou, hesitou muito entre o status de ciência, no sentido de ciência dura – ele queria no fundo que a psicanálise fosse uma “neurologia da alma” – e um outro status, que ele não chamava filosofia, mas ainda assim estava do lado da especulação, da literatura e da filosofia. Ele renunciou completamente e muito cedo ao status de ciência dura, porque se deu conta de que não se tratava de uma ciência no sentido que se conhece. Logo, é preciso inscrever a psicanálise no registro das ciências humanas. É uma ciência, no sentido da racionalidade, mas não no mesmo sentido da biologia e da neurologia. Freud se dividia entre as duas concepções. Não estamos mais no tempo do darwinismo, e a biologia é reconhecida como uma ciência, uma ciência da natureza. A psicanálise não o é de modo algum. Não tem metodologia, resultados ou a positividade das ciências duras. É uma ciência mais próxima das Humanas, como a Antropologia, a Sociologia, a História. Mas mesmo essa concepção, a de parte das ciências humanas, já foi contestada.

O pensamento de Freud é íntegro e poderoso ainda hoje? Sua força criativa ainda é existe?

Sem dúvida. Creio que vamos assistir a um grande retorno a dois pensadores, inclusive: Marx e Freud. Não ao comunismo e à psicanálise, mas a Marx e Freud. Autores como Marx, Freud, Nietzsche e toda a filosofia da rebelião se tornaram malditos nos últimos 20, 30 anos, quando caímos em um estado de neoconservadorismo. A crise econômica, em especial como a que se passou nos Estados Unidos, vai desempenhar um papel considerável. Vamos voltar ao pensamento da rebelião.

Como as ideias de Freud retornarão? Com que aplicação?

Retornarão com as de Marx. Mas não sei como serão aplicadas. O que está voltando com muita força é a ideia de que temos um inconsciente, de que o desejo é capital. A psicanálise, bem pensada, permite compreender a moeurs, o inconsciente, o desejo e a sexualidade de uma forma inteligente. É uma teoria do desejo, afinal.

A senhora vê conceitos de Freud confirmados pelos progressos da ciência ou por novas tecnologias?

Não. Os progressos da ciência são os progressos da ciência. Nenhum dos conceitos de Freud é confirmado pela biologia. São dois domínios diferentes. A psicanálise é a medicina da alma. É especial.

Assim como a psiquiatria, em sua origem?

Hoje não há mais psiquiatria. E, logo, nos damos conta de que existem cada vez mais loucos. Porque são usados apenas medicamentos, ela não funciona mais. É útil, mas não resolve. É muito interessante o que se passou na psiquiatria. Biologizaram-na. Até então, era um equivalente da psicanálise. Era uma medicina da alma. Mas a deslocaram para a biologia. Curamos a loucura? Não. Acalmamos os loucos? Sim. Vivemos um recuo de 50 anos com a psiquiatria “biologizada”.

A obra de Freud é marcada por sua didática, sua clareza. E esse não me parece ser o caso dos pensadores da psicanálise contemporânea. De onde vem esse problema de comunicação?

Esse problema é enorme. Os psicanalistas escrevem em clichês. Mesmo que Lacan seja um autor difícil de ler, não se trata de um clichê. Além disso, mesmo que os seguidores de Lacan escrevam em secto, os freudianos também o fazem. Freud era um autor claro, o que influenciou todo o movimento psicanalítico. Hoje, quando leio psicanalistas freudianos norte-americanos ou ingleses fico impressionada com os clichês que estão presentes. É um símbolo muito grave de encerramento sectário. Quando os intelectuais se fecham em torno de si mesmos, eles falam a linguagem de uma tribo. No interior, a tribo se compreende. Eu sempre compreendi a tribo, mas não posso escrever como ela. Não sei fazer. Sou muito clara. Às vezes os antropólogos e sociólogos que queriam se divertir me perguntavam se eu, como psicanalista, não me sentia como o antropólogo que chega à Melanésia e que deve decifrar a linguagem da tribo. É uma alegoria exata. Eu decifro facilmente essa linguagem. Mas para você, que a lê, não deve ser fácil. A psicanálise é mais afetada pelos clichês que a filosofia, por exemplo.

O meu ponto é: se o problema da clareza da comunicação existe, o que torna a psicanálise tão popular em todo o mundo?

Ela é popular em todo o mundo, mas o é de uma forma inconveniente. Por exemplo, ela é popular em muitos países, infelizmente, pela forma da psicologia interpretativa dos chefes de Estado. Eu recuso todos os pedidos de entrevista sobre as fantasias dos chefes de Estado. Mas isso a TV adora, sob a forma da psicologia. Todos os antifreudianos, todos os que não gostam da psicanálise, dirão que ela está em todo lugar. Sim, os psicanalistas estão em todo lugar, mas sob que formas! É ridículo!

07/09/2009 - 17:30h Novo tipo de colesterol provoca mais risco cardíaco do que LDL

newyorktimes_folha.gif Oxicolesterol é gerado quando alimentos ricos em gorduras são aquecidos

CLÁUDIA COLLUCCI
DA REPORTAGEM LOCAL

Um novo tipo de colesterol, o oxicolesterol, pode representar um risco cardiovascular ainda maior do que o LDL (colesterol “ruim”) no aumento do colesterol total no sangue e na formação de placas de gordura nas artérias, revela um dos primeiros estudos sobre o tema, apresentado no congresso da Sociedade Americana de Química, no fim do mês passado.
No organismo, o oxicolesterol é fabricado por meio de reações entre as gorduras e o oxigênio, processo conhecido como oxidação. Quando alimentos ricos em gorduras são aquecidos a altas temperaturas, a oxidação também ocorre. O uso de gordura trans ou óleo vegetal parcialmente hidrogenado em alimentos processados também gera oxicolesterol.
O novo estudo mediu os efeitos de uma dieta rica em oxicolesterol em camundongos. Nos animais alimentados com altas quantidades dessa gordura, o nível de colesterol no sangue subiu 22% a mais. Também foram observados maiores depósitos de gordura nas paredes das artérias.
Para o coordenador do estudo, Zhen-Yu Chen, o mais importante são os efeitos do oxicolesterol na função arterial: ele reduz a elasticidade das artérias e afeta a capacidade de transportar mais sangue, o que aumenta o risco de coágulos.
O cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, do HCor (Hospital do Coração), explica que o colesterol oxidado é aquele que mais provoca doenças. “Tem gente com colesterol alto, LDL alto e que não tem doenças. Já outras pessoas têm LDL normal, mas têm doenças. Talvez seja em razão dessa oxidação”, explica.
Não se sabe se as estatinas, medicamentos mais usados para reduzir o colesterol, reduzem as taxas de oxicolesterol. A recomendação é investir em dietas antioxidantes, com frutas, vegetais e cereais integrais.

07/09/2009 - 11:52h Cientistas anunciam maior avanço contra Alzheimer dos últimos 15 anos

da Efe, em Londres – Folha Online

Dois grupos de cientistas, um do Reino Unido e outro da França, deram um grande passo nas pesquisas sobre o mal de Alzheimer, ao identificar três novos genes relacionados à doença, o que pode reduzir em até 20% seus índices de incidência.

À frente da equipe de pesquisa sobre o tema no Reino Unido, Julie Williams, professora da Universidade de Cardiff, afirmou que se trata “do maior avanço conseguido na pesquisa sobre Alzheimer nos últimos 15 anos”. O estudo foi divulgado pela revista “Nature Genetics”.

Os pesquisadores asseguraram que se as atividades dos genes descobertos forem neutralizadas, poderiam prevenir, em uma área como a do Reino Unido (com uma população de 61 milhões de pessoas), 100 mil novos casos por ano do variante mais comum do mal de Alzheimer, sofrido em idade mais avançada.

Genes

A identificação destes três genes é a primeira desde 1993, ano no qual uma forma mutante de um gene chamado APOE foi responsabilizada por 25% dos casos diagnosticados da doença.

Dois destes três novos genes, denominados clusterina (ou CLU) e PICALM, foram identificados pela equipe britânica, e o terceiro, denominado receptor complementar 1 (ou CR1), pela equipe francesa.

O gene clusterina é conhecido por sua variada propriedade protetora do cérebro e, da mesma forma que o APOE, ajuda o cérebro a se desfazer dos amilóides, uma proteína potencialmente destrutiva.

A novidade é que, segundo o estudo, estes genes também ajudam a reduzir as inflamações que danificam o cérebro, causadas por uma excessiva resposta do sistema imunológico, função que compartilha com o CR1.

Os cientistas acreditam que a inflamação cerebral pode ter um papel muito mais importante no desenvolvimento do mal de Alzheimer e que poder interagir com estes genes abre as portas para tratamentos novos e mais eficazes.

O mal de Alzheimer, para o qual não há um tratamento eficaz, é uma doença neurodegenerativa que se manifesta através de uma deterioração cognitiva e de transtorno de conduta, devido à morte dos neurônios e de uma atrofia cerebral.

01/09/2009 - 20:49h Pluie de semence interstellaire

Les 400 culs

Le 14 septembre, le groupe Muse lance son 5e album sur le thème de la Panspermie, une théorie selon laquelle la Terre aurait été fécondée par des météores. Tel un ovule géant, notre planète serait donc porteuse de formes de vie d’origine extra-terrestre? Nous serions tous des aliens?

Alien-sex

Déjà annoncé sur Twitter, la nouvelle a fait le tour d’internet: le prochain album du groupe MuseThe Resistance– contiendra un «solo space-rock de 15 minutes» du style symphonique intitulé Exogenesis. Exogenesis est le nom technique pour Panspermie. La Panspermie (littéralement «sperme-total») est une théorie antique, lancée par le philosophe grec Anaxagorias, selon laquelle des organismes vivants dérivant dans l’espace auraient colonisé la planète. En 1878, Hermann von Helmholtz affirme que la Terre aurait été fécondée de l’extérieur, par des moyens extra-terrestres. Des météores par exemple. Ou des comètes. On parle d’ailleurs de lithopanspermie lorsqu’on évoque la possibilité que la vie serait arrivée sur Terre sous la forme de corps rocheux venu des étoiles.

Pour certains scientifiques, il est en effet possible que des formes de vie survivent à des voyages spatiaux de plusieurs millions d’années: le 19 octobre 2000, dans la magazine Nature, un groupe de scientifiques affirme avoir «ressuscité» des bactéries enfermées dans des cristaux de sel du Nouveau Mexique depuis 250 millions d’années. La même année, un autre groupe découvre des microbes enfouis dans l’Antarctique à des températures impossibles. Sous-entendu: pourquoi les bactéries ne survivraient-elles pas à des voyages intergalactiques?

Il suffirait qu’elles soient protégées par trois mètres de roche pour échapper aux radiations spatiales et à la chaleur produite par l’arrivée dans notre atmosphère… Les spéculations vont bon train. Un seul problème: jusqu’ici, aucun scientifique n’a clairement identifié d’organisme vivant (bactérie fossile ou autre) dans aucune météorite. Les seuls éléments qu’on y trouve sont des molécules organiques. Ce qui n’est pas la même chose.

Partons de la théorie. Elle est extrêmement poétique: confortablement enclos dans leur estomac, des spermatozoïdes aliens microscopiques voyagent à travers l’univers, pendant 100 millions d’années. Puis un beau jour, ils croisent une planète bleue… Ce sont de simples molécules organiques mais certaines sont encore intactes quand elles atterrissent sur la Terre… et la pollinisent. Chaque jour, notre planète est bombardée de centaines de tonnes de météorites contenant ces extra-terrestres. Soit 30 tonnes quotidiennes de matière extra-terrestre (1), contenant au total 3 kilogs d’acides nucléiques (molécules constitutives de l’ADN), de cétones, de quinones, et d’acides aminés venus de l’espace! Et s’ils étaient à l’origine de la vie sur Terre? Pour de nombreux exobiologistes (chercheurs spécialisés dans les origines de la vie), les premiers organismes vivants terrestres se sont en effet formés à partir de ces molécules venues du cœur glacé des nuages interstellaires.

Depuis 1990, l’exobiologie -«astrobiologie» dans les pays anglo-saxons- est une cause entendue. Toutes les expériences prouvent que les molécules organiques seraient à l’origine des premiers mécanismes cellulaires sur Terre… Reste à les identifier. Ces molécules viennent-elles d’ailleurs? Si oui, sur quelle autre planète ont-elles également essaimé? C’est la question du jour aux Etats-Unis, où les scientifiques obtiennent des subventions à coup d’exobiologie. Ils sont prêts à tout pour rallier des financeurs à leurs causes, y compris affirmer qu’il y a de la vie sur Mars. Pire encore: que la Terre aurait été colonisée par des organismes vivants provenant de la planète Mars.

Exemple notoire: l’affaire ALH84001. Cette météorite, découverte en 1984 lors d’une expédition dans l’Antarctique, provient de Mars. «En 1996, une équipe du Johnson Space Center, avec à sa tête le planétologue David McKay, l’examine et y découvre des traces microscopiques d’organismes “fossiles”, et de la magnétite, minéral qui serait le signe d’un métabolisme bactérien. La publication dans la revue américaine Science est décidée. Mais un “informateur anonyme” vend la mèche, et la NASA saute sur l’occasion pour organiser un grand tapage médiatique, car la nouvelle tombe à point nommé -nous sommes à quelques mois de l’élection présidentielle américaine et du départ de la sonde Mars Global Surveyor- comme un argument choc pour appuyer la stratégie d’exploration martienne. Mal lui en a pris. Très vite, en effet, les traces fossiles se révéleront pour le moins douteuses.» (La Recherche).

Pourtant, certains chercheurs n’en démordent toujours pas. La météorite revient régulièrement dans l’actualité, avec de prétendues nouvelles «preuves». Sur Internet, la bataille fait rage. Pour obtenir des financements, de nombreux astro-chimistes multiplient les publications intempestives. Beaucoup d’exobiologistes espèrent d’ailleurs découvrir sur d’autres planètes une vie antérieure à la vie bactérienne pour comprendre comment –sur Terre, il y a 4 milliards d’années– les molécules organiques se sont assemblées pour former des organismes primitifs, antérieurs à l’apparition de la cellule vivante… Ils cherchent des aliens prébiotiques.

En attendant de les trouver, certains chercheurs fous entendent commercialiser des yaourts ensemencés avec des bactéries prises dans la salive et les intestins des astronautes. Ces bactéries de l’espace, dopées par le saut orbital, auraient –à les en croire– des propriétés supérieures pour renforcer les défenses immunitaires. Et le sperme des astronautes? Qui s’est penché sur leur vitalité? Pourrions-nous l’envoyer dans l’espace, protégé dans une comète d’acier, afin qu’il aille ensemencer d’autres planètes?

Je ne sais pas de quel site internet proviennent ces images. Dites-le moi que je rajoute le lien.

(1) COMPLEMENT D’INFORMATION : “Le flux de matière extraterrestre annuel est de 10 000 tonnes par an max. Essentiellement des micrométéorites [étoiles filantes]. Ca fait environ 30 tonnes par jour. Les acides aminés représentent au mieux quelques centaines de ppm [0.01 %]. Ca fait donc en étant optimiste 3 kg par jour d’acides aminés… Pareil pour les autres molécules dites prébiotiques.
Prof. Matthieu Gounelle, auteur d’un
récent Que Sais-Je? sur la question, chercheur au Laboratoire d’Étude de la Matière Extraterrestre, Département Histoire de la Terre, au Museum d’Histoire naturelle.

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30/08/2009 - 10:29h 1 – O que é o pré-sal?

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DA REDAÇÃO

Um antigo lago de 800 km de extensão, com mais de 100 milhões de anos de idade, do tempo em que América e África formavam um só continente, é a mais nova e promissora fronteira para a exploração de petróleo no Brasil.
A chamada camada pré-sal tem potencial para mais do que dobrar as atuais reservas brasileiras, estimadas em cerca de 14 bilhões de barris de petróleo -a 14ª maior do mundo. Leva esse nome porque as rochas de onde serão extraídos óleo e gás estão abaixo de uma barreira de sal de até 2 km de espessura, situada até 5 km abaixo da superfície do oceano.
Sua origem está no início do processo de separação dos continentes, quando o que era um imenso lago começou a se transformar em um golfo -ou seja, a ser invadido pelas águas do mar (hoje Atlântico Sul).
A decomposição de microorganismos nesse lago/golfo, aliada à pressão do sal acumulado em sucessivas épocas de evaporação e do peso da própria água sobre ele, durante milhões de anos, deram origem a um depósito de óleo de alta qualidade, que a Petrobras prepara-se agora para explorar, em área que vai do Espírito Santo a Santa Catarina.
Inicialmente, especialistas chegaram a apontar reservas de até 100 bilhões de barris no pré-sal, o que colocaria o país entre os quatro maiores produtores do mundo. O governo trabalha hoje com a hipótese de haver 50 bilhões de barris na área.
Só há estimativa técnica para um dos campos, o de Tupi, na bacia de Santos. No fim de 2007, a Petrobras concluiu análise apontando a existência de entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo e gás no local. Até então, e desde 1979, poços em águas rasas já haviam alcançado o pré-sal, mas com descobertas pouco significativas.
Com o avanço tecnológico, que levou a prospecção a águas mais profundas, os resultados começaram a crescer. Desde 2005, 15 poços da Petrobras atingiram a camada abaixo do sal, após investimento superior a US$ 1,5 bilhão. Do total, oito já foram testados. Todos com petróleo leve, de maior valor, e grande quantidade de gás.
O primeiro óleo da província do pré-sal foi extraído em 2 de setembro de 2008, no campo de Jubarte, na bacia de Campos. O petróleo estava a 4.500 m de profundidade, e o campo segue em fase de testes.
Para viabilizar a extração comercial, contudo, há ainda uma série de obstáculos. O primeiro diz respeito a perfurar o sal, que é como uma massa plástica. À medida que o poço é aprofundado, o sal se move e pode fechá-lo novamente, prendendo a coluna de perfuração. Outro desafio é a própria lâmina d’água, profunda, que exerce pressão sobre equipamentos.
Há ainda desafios logísticos (as plataformas ficarão a até 300 km da costa), ambientais (os campos do pré-sal têm 20% mais dióxido de carbono), tecnológicos, especialmente no que diz respeito à pesquisa de materiais resistentes à corrosão, e financeiros. O plano de investimento da Petrobras para o pré-sal é de US$ 111 bilhões até 2020 -o dobro do PIB do Equador. (RENATO ESSENFELDER)

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