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	<title>Blog do Favre &#187; COMPORTAMENTO</title>
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	<description>Cultura, Política, Economia, Mundo, Sociedade, Comportamento</description>
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		<title>A insuportável liberdade do amor</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 20:17:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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sábado, 21 de novembro de 2009
Não é a classe social, a formação cultural ou a abertura de espírito que capacitam alguém a lidar com o ser desejado
Renato Janine Ribeiro* &#8211; Agência Estado
SÃO PAULO &#8211; Euclides da Cunha foi um de nossos maiores intelectuais, por sua coragem de pensar. Quando soube da revolta de Canudos, atribuiu-a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="cursor: -moz-zoom-in;" src="http://www.productionmyarts.com/blog/wp-content/amour-coeur-passion-selon-rodin.jpg" alt="http://www.productionmyarts.com/blog/wp-content/amour-coeur-passion-selon-rodin.jpg" width="499" height="371" /></p>
<p>sábado, 21 de novembro de 2009</p>
<p><strong>Não é a classe social, a formação cultural ou a abertura de espírito que capacitam alguém a lidar com o ser desejado</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">Renato Janine Ribeiro* &#8211; Agência Estado</span></h2>
<p>SÃO PAULO &#8211; Euclides da Cunha foi um de nossos maiores intelectuais, por sua coragem de pensar. Quando soube da revolta de Canudos, atribuiu-a aos monarquistas. No sertão da Bahia, percebeu que estava errado. Sua coragem de rever o erro valoriza sua obra-prima, Os Sertões. Mas não teve essa grandeza em sua vida pessoal. Casou-se com a filha de um líder republicano. O casamento, porém, não foi feliz. Ele não deu à jovem Ana o amor que ela queria. Ela se envolveu com o tenente Dilermando de Assis. Sabe-se o final da história. Em agosto de 1909, Ana deixa o marido pela última vez. Euclides invade a casa de Dilermando, gritando que vem matar ou morrer. É morto. Dilermando é absolvido.<br />
Por que evocar essa história &#8211; que mostra como um grande intelectual foi tão infeliz em sua vida amorosa &#8211; quando o assunto da semana é o pai que se matou com o filho pequeno, ao não suportar o fim do casamento? Porque não é a classe social, a formação cultural ou a abertura de espírito para a ciência que capacitam alguém a lidar com o que é difícil no amor, em especial a rejeição.</p>
<p>A tragédia recente é de um pai que não aguenta viver sem a mulher. É imperdoável ele ter matado o filho, ato cruel e odioso. Mas seu suicídio, como o filicídio, decorrem da dificuldade de aceitar a liberdade no amor, no caso, o direito da mulher a seguir seu rumo.</p>
<p>A liberdade no amor não é fácil. Quando concebi um programa a respeito para a TV Futura (que pode ser baixado em www.futuratec.org.br), alguém me sugeriu tratar de casamentos abertos. Recusei. Nada tenho contra quem é feliz numa relação permanente com eventuais casos paralelos. Mas liberdade no amor não é fazer exceções à relação principal. Liberdade no amor é estar livre no (e não do) casamento. É uma realização com o outro.</p>
<p>Comecemos pela falta de liberdade no amor, que existe quando não se consegue tratar do que é mais íntimo. Se tenho uma companheira, espera-se que seja a pessoa mais próxima de mim no mundo, e que tenhamos uma aliança, uma cumplicidade. Se não, é porque algo vai mal. Se não conseguirmos conversar a respeito, piora.</p>
<p>Conversar é uma arte conquistada. Há duas formas de conversa. Uma se desenvolveu na Europa do século 17. É a conversa em sociedade, até mesmo superficial, mas que é condição para o encontro com estranhos ser agradável e a vida social, um prazer. Mas há outra conversa, que é a íntima. Ela inclui assuntos penosos. Um casal pode passar por problemas sexuais, como a redução ou perda do desejo pelo outro. Abordar esse tema é árduo, mas geralmente é melhor fazê-lo antes que um dos parceiros procure uma terceira pessoa.</p>
<p>O que agrava as coisas é que, hoje, toma-se por sinceridade o que é só agressividade. Alguns acham que &#8220;dizer o que vem à cabeça&#8221; é o mesmo que abrir o coração. Não é. Com frequência, a primeira resposta a algo difícil é a reação agressiva de quem deseja livrar-se de uma situação incômoda. Ofender o outro não é ser sincero. É, apenas, ofender.</p>
<p>Que maturidade é preciso para viver a liberdade no amor? Gilberto Gil, ironizando o slogan da ditadura &#8220;Brasil, ame-o ou deixe-o&#8221;, recomendava: &#8220;O seu amor/Ame-o e deixe-o/Livre para amar./O seu amor/Ame-o e deixe-o/Ir aonde quiser&#8221;. Significa aceitar que uma relação de amor é uma relação de certo risco. Não sabemos se e quando pode terminar. Por isso, é preciso investir nela, e o investimento é afetivo. Por isso Euclides, inteligente e corajoso, não foi o marido adequado para uma mulher que queria um homem alegre, o que ele não era.</p>
<p>O espantoso não é que Euclides, quando não havia divórcio no Brasil e o preconceito era fortíssimo, escolhesse ser assassinado com tanta vida pela frente (pois sabia que Dilermando era bom atirador). O espantoso é que tragédias dessas continuem acontecendo, quando a separação se tornou quase banal, afetando boa parte dos casamentos no mundo.</p>
<p>Talvez haja aqui algo bem difícil. Uma das maiores realizações que se espera da vida é o encontro de um amor de verdade, intenso, pleno. O problema é que não temos segurança dele. Quanto mais me apaixono, maior o risco de me iludir. A paixão &#8211; do grego pathos, que designa a situação em que sou passivo (em oposição à ação) e minha razão fica inibida &#8211; não é boa juíza de caráter ou de relações, como tem frisado Flavio Gikovate. O encontro emocional intenso pode dar errado. Sua base pode ser frágil. Por isso, parece necessário cada pessoa construir o sentido de sua vida (seu &#8220;eixo&#8221;) sozinha, e balizar a relação com o outro por essa prévia definição pessoal. O amor apaixonado não substitui minha obrigação de saber quem sou, o que eu desejo, o que vou fazer. Mas, como a paixão não é amor, isso não reduz o sentimento mais profundo pelo outro. Apenas coloca na ordem do dia uma questão que afronta o consumismo afetivo de nosso tempo: a necessidade de converter o entusiasmo passional, que leva ao erro, em amor. A mídia fala muito em paixão, pouco em amor. O amor sempre aparece como algo menor que a paixão. O coração não dispara. Parece coisa de velho. Não assistimos a histórias de amor, só de paixão. Talvez esteja na hora de começarmos a contar histórias de amor, não só de enganos. Aprendemos a viver escutando narrativas. É hora de pensar que &#8220;foram felizes para sempre&#8221; só é possível com o amor, não com o fulgor passional.</p>
<p><strong>*Professor titular de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo</strong></p>
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		<title>Desacelerar depois da ginástica não é crucial</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 18:54:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Por GINA KOLATA
A importância da desaceleração gradual após os exercícios está enraizada na doutrina da ginástica. É citada nos livros de fisiologia, os personal trainers insistem nela, e revistas especializadas recomendam. Em equipamentos de academias, chega a ser algo automático: você digita o tempo que deseja se exercitar, e, quando o tempo termina, a máquina [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.gifs.net/Animation11/Sports/Track_and_Field/Strange_runner.gif" alt="http://www.gifs.net/Animation11/Sports/Track_and_Field/Strange_runner.gif" /></p>
<p><img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/images/newyorktimes.gif" alt="" hspace="10" /></p>
<p><strong>Por GINA KOLATA</strong><br />
A importância da desaceleração gradual após os exercícios está enraizada na doutrina da ginástica. É citada nos livros de fisiologia, os personal trainers insistem nela, e revistas especializadas recomendam. Em equipamentos de academias, chega a ser algo automático: você digita o tempo que deseja se exercitar, e, quando o tempo termina, a máquina por si só reduz a carga e continua por mais cinco minutos, para que você desacelere.<br />
O problema, diz Hirofumi Tanaka, fisiologista do exercício da Universidade do Texas, Austin, é que praticamente não há base científica para esse conselho.<br />
Essa desaceleração é &#8220;um tópico subestudado&#8221;, diz. &#8220;Todos acham que é um fato estabelecido, então não o estudam.&#8221;<br />
Não está claro o que essa desaceleração deveria ser. Alguns dizem que basta continuar em movimento por alguns minutos. Outros afirmam que é preciso passar 5 a 10 minutos fazendo o mesmo exercício, só que mais lentamente. E há quem garanta que é necessário incluir alongamento.<br />
Tampouco está claro para que ela serve. Alguns dizem que alivia a dor muscular. Outros afirmam que evita a rigidez muscular ou que alivia a carga cardíaca.<br />
Os pesquisadores dizem que só há consenso acerca do possível risco de uma parada repentina. Durante exercícios intensos, os vasos das pernas se dilatam para levar mais sangue às pernas e pés, e o coração bate mais rápido. Se você para de repente, seu coração se desacelera, o sangue se acumula nas pernas e aos pés, e você pode ficar tonto e até desmaiar.<br />
Os melhores atletas são os mais vulneráveis, segundo o cardiologista e maratonista Paul Thompson, pesquisador do exercício do Hospital Hartford, em Connecticut (EUA). &#8220;Se você é bem treinado, seu ritmo cardíaco já é lento e se desacelera com ainda mais rapidez com o exercício&#8221;, disse.<br />
Esse efeito pode ser nocivo para alguém com uma doença cardíaca, disse o fisiologista Carl Foster, da Universidade de Wisconsin em La Crosse, explicando que, nesses casos, os vasos sanguíneos que chegam ao coração já estão mais estreitos, dificultando a passagem do sangue.<br />
Mas isso importa para o atleta comum, mediano? &#8220;Provavelmente não muito&#8221;, disse Thompson. E, de qualquer forma, a maioria das pessoas não fica parada como pedra quando a ginástica termina. Elas andam até o vestiário, até o carro ou até sua casa, beneficiando-se da desaceleração sem oficialmente &#8220;desacelerar&#8221;. A ideia da desaceleração parece ter se originado da teoria popular -hoje desmentida- segundo a qual os músculos doem depois do exercício por acumularem ácido láctico.<br />
Na verdade, o ácido láctico é um combustível. É uma parte normal do exercício e nada tem a ver com a dor muscular. Mas a teoria do ácido láctico levou à noção de que reduzir lentamente a intensidade da atividade permitiria que a substância se dissipasse.<br />
Segundo Tanaka, um estudo com ciclistas concluiu que, sendo o ácido láctico bom, é melhor não desacelerar depois de um exercício intenso. O ácido láctico era revertido em glicogênio, um combustível muscular, quando os ciclistas simplesmente paravam. Quando desaceleravam, era desperdiçado na alimentação dos músculos.<br />
E, quanto à dor muscular, a desaceleração não a alivia, segundo Tanaka. E a rigidez muscular? &#8220;Não há dados para apoiar a ideia de que a desaceleração ajuda&#8221;, disse Foster.<br />
Os pesquisadores do exercício dizem seguir os seus próprios conselhos. Thompson afirma que, se está fazendo uma atividade puxada em pista, caminha uma curta distância ao terminar, para evitar a tontura. Já Tanaka não desacelera nada. Ele joga futebol e diz que não vê uma razão específica para fazer nada após o exercício a não ser, simplesmente, parar.</p>
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		<title>Sonhos são exercício para o cérebro</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 16:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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Benedict Carey






Visões durante o sono podem servir de aquecimento




Os sonhos são tão férteis e parecem tão autênticos que os cientistas presumem há muito tempo que eles devem ter uma finalidade psicológica crucial. Para Freud, os sonhos funcionam como campo de atividade da mente inconsciente; para Jung, o sonho é um estágio em que os arquétipos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-16640" title="newyorktimes_folha" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/newyorktimes_folha2.gif" alt="newyorktimes_folha" width="200" height="18" /></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Benedict Carey</strong></span></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<table style="height: 87px;" border="0" width="482">
<tbody>
<tr>
<td>
<hr size="2" noshade="noshade" /><span style="font-size: x-large;"><strong><em>Visões durante o sono podem servir de aquecimento</em></strong></span></p>
<hr size="2" noshade="noshade" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os sonhos são tão férteis e parecem tão autênticos que os cientistas presumem há muito tempo que eles devem ter uma finalidade psicológica crucial. Para Freud, os sonhos funcionam como campo de atividade da mente inconsciente; para Jung, o sonho é um estágio em que os arquétipos da psique representam temas primais. Teorias mais recentes afirmam que os sonhos ajudam o cérebro a consolidar memórias emocionais ou a trabalhar problemas atuais, como um divórcio ou frustrações no trabalho.<br />
Mas o que dizer da hipótese de que o objetivo principal dos sonhos não é de natureza psicológica?<br />
Em artigo recente no periódico &#8220;Nature Reviews Neuroscience&#8221;, o psiquiatra J. Allan Hobson, que pesquisa o sono na Universidade Harvard, argumenta que a função principal do sono REM (caracterizado por movimentos rápidos dos olhos) é de natureza fisiológica. O cérebro está aquecendo seus circuitos, preparando-se para as visões, os sons e as emoções do estado desperto.<br />
&#8220;Isso ajuda a explicar muitas coisas, como o porquê de as pessoas esquecerem tantos sonhos&#8221;, disse Hobson. &#8220;É como praticar corrida; o corpo não se recorda de cada passo dado, mas sabe que se exercitou. Ele foi aquecido e afinado. A ideia aqui é a mesma: os sonhos afinam a mente, preparando-a para a consciência desperta.&#8221;<br />
Hobson argumenta que o sonhar é um estado de consciência paralela que opera continuamente, mas que costuma ser suprimido durante a vigília.<br />
&#8220;A maioria [dos estudiosos] parte de ideias psicológicas previamente determinadas e tenta fazer os sonhos se encaixar nessas ideias&#8221;, disse Mark Mahowald, neurologista e diretor do programa de desordens do sono do Centro Médico Hennepin County, em Minneapolis (EUA). &#8220;O que me agrada nesse novo artigo é que ele não parte de nenhuma premissa prévia sobre a função dos sonhos.&#8221;<br />
O sono REM parece ser um desenvolvimento recente, em termos evolutivos; ele é perceptível em humanos, outros mamíferos e pássaros. E estudos sugerem que o sono REM aparece em fase muito precoce da vida: no caso dos humanos, no terceiro trimestre de vida do feto.<br />
Cientistas encontraram em estudos evidências de que a atividade REM ajuda o cérebro a construir conexões neurais, especialmente em suas áreas visuais. O feto em desenvolvimento pode estar &#8220;vendo&#8221; algo, em termos de atividade cerebral, muito antes de seus olhos se abrirem.<br />
Algumas pessoas são capazes de assistir a seus próprios sonhos como observadoras, sem despertarem. Conhecido como sonhar lúcido, esse estado de consciência é em si um mistério. Mas é um fenômeno real, e Hobson encontra nele um argumento forte em favor de sua tese de que os sonhos serviriam como aquecimento fisiológico.<br />
Em estudo publicado em setembro no períodico &#8220;Sleep&#8221;, Ursula Voss, de Frankfurt, liderou uma equipe que analisou ondas cerebrais durante o sono REM, a vigília e o sonho lúcido. O estudo constatou que o estado de sonho lúcido possui elementos do sono REM e da vigília -especialmente nas áreas frontais do cérebro, que ficam inativas durante o sonhar normal. Hobson foi coautor do artigo.<br />
&#8220;Vemos esse cérebro dividido em ação&#8221;, disse ele. &#8220;Isso me diz que existem esses dois sistemas e que eles podem, de fato, estar em ação ao mesmo tempo.&#8221;<br />
Ainda falta muito para os pesquisadores poderem confirmar essa hipótese. Mas os benefícios disso podem ir além de uma compreensão mais profunda do cérebro adormecido. Os esquizofrênicos sofrem alucinações de origem desconhecida. Hobson sugere que esses voos da imaginação possam estar relacionados à ativação anormal da consciência sonhadora. Como disse Jung: &#8220;Deixe o sonhador despertar, e você verá uma psicose&#8221;.</p>
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		<title>Cartaz de filme é retirado do metrô de Paris por mostrar fumante</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 21:05:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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		<category><![CDATA[Gainsbourg (vie héroïque)]]></category>
		<category><![CDATA[Serge Gainsbourg]]></category>

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		<description><![CDATA[da Efe, em Paris &#8211; Folha online
A proibição de mostrar o consumo de tabaco em peças publicitárias no metrô de Paris motivou a retirada de um cartaz do filme &#8220;Gainsbourg (vie héroïque)&#8221;, sobre a vida do cantor Serge Gainsbourg.
No cartaz do filme de Joann Sfar, o ator Eric Elmosnino aparece soltando fumaça pela boca.
A simples [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">da Efe, em Paris &#8211; Folha online</span></h2>
<p>A proibição de mostrar o consumo de tabaco em peças publicitárias no metrô de Paris motivou a retirada de um cartaz do filme &#8220;Gainsbourg (vie héroïque)&#8221;, sobre a vida do cantor Serge Gainsbourg.</p>
<p>No cartaz do filme de Joann Sfar, o ator Eric Elmosnino aparece soltando fumaça pela boca.</p>
<p>A simples citação ao ato de fumar foi suficiente para que o cartaz fosse considerado uma incitação ao consumo de tabaco pelos administradores do metrô, que temem receber uma multa de até 100 mil euros.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-16552" title="serge-gainsbourg- -vie-héroïque-affiche" src="http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2009/11/serge-gainsbourg-vie-héroïque-affiche.jpg" alt="serge-gainsbourg- -vie-héroïque-affiche" width="530" height="647" /><br />
<em>O ator Eric Elmosnino vive Serge Gainsbourg no cinema; cartaz foi proibido por trazer alusão ao cigarro</em></p>
<p style="text-align: center;"><em><br />
</em></p>
<p>&#8220;Isso porque nos preocupamos em fazer com que não aparecesse nenhum cigarro no cartaz&#8221;, afirma o produtor do filme, Marc du Pontavice, para quem a proibição da publicidade no metrô, onde 600 cartazes seriam colocados a partir de dezembro, provocará um &#8220;grande prejuízo&#8221;.</p>
<p>O produtor disse considerar a medida &#8220;ridícula, ainda mais levando em conta que o cartaz será permitido nos ônibus urbanos da cidade&#8221;.</p>
<p>Já em 2009, um dos cartazes que anunciavam uma exposição sobre o cineasta Jacques Tati teve que mudar para aparecer no metrô parisiense. O cachimbo fumado por seu personagem Monsieur Hulot foi substituído por um cata-vento.</p>
<p>O cartaz do filme &#8220;Coco antes de Chanel&#8221;, sobre Coco Chanel, também foi retirado porque sua protagonista, Audrey Tautou, segurava um cigarro.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>680 cidades comemoram &#8221;Consciência Negra&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 19:05:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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Roldão Arruda &#8211; O Estado SP
Levantamento da Secretaria Especial da Igualdade Racial indica que cerca de 680 municípios do País vão comemorar amanhã &#8211; com feriado ou ponto facultativo &#8211; o Dia Nacional da Consciência Negra. Isso representa 12,2% do total de 5.564 municípios. No Rio e em Mato Grosso, a data será lembrada em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://carva1.files.wordpress.com/2008/10/zumbi.jpg" alt="http://carva1.files.wordpress.com/2008/10/zumbi.jpg" /></p>
<p>Roldão Arruda &#8211; O Estado SP</p>
<p>Levantamento da Secretaria Especial da Igualdade Racial indica que cerca de 680 municípios do País vão comemorar amanhã &#8211; com feriado ou ponto facultativo &#8211; o Dia Nacional da Consciência Negra. Isso representa 12,2% do total de 5.564 municípios. No Rio e em Mato Grosso, a data será lembrada em todos os municípios, por determinação de suas Assembleias Legislativas.</p>
<p>Em São Paulo, Estado com a maior população negra do País, em termos absolutos, 104 municípios, de um total de 645, aderiram à comemoração. Na Bahia, apenas seis municípios vão lembrar a data, segundo o levantamento. É um número que pode ser considerado pequeno, levando em conta que, entre todos os Estados, a Bahia é o que registra a maior participação de negros no conjunto da população, chegando a 13%. Este foi, aliás, um dos motivos que levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a optar pela cidade de Salvador para anunciar, amanhã, medidas que beneficiam a população negra.</p>
<p>Por motivos diferentes, também chama a atenção no levantamento a situação do Rio Grande do Sul. Embora os negros representem ali 5,2% da população, trata-se do Estado com o maior número de municípios que decretaram feriado ou ponto facultativo: são 281, mais da metade dos 486 municípios gaúchos.</p>
<p>Existem dois prováveis motivos para essa cifra. O primeiro é que as comunidades negras do Rio Grande do Sul estão entre as mais organizadas do País. O segundo é o fato de ter surgido naquele Estado, em 1971, a ideia de se lembrar o dia da morte do herói negro Zumbi dos Palmares, ocorrida em 20 de novembro de 1695, como o Dia da Consciência Negra.</p>
<p>Em plena ditadura, a proposta do movimento negro era criar uma celebração que se opusesse à celebração oficial, o 13 de Maio. No lugar da princesa Isabel, que assinou a lei de libertação dos escravos, puseram o herói da resistência armada à escravidão.</p>
<p>Foi só em 1995, no entanto, que a data foi oficialmente reconhecida por uma cidade. Quem encabeçou a lista foi o Rio, após a Câmara de Vereadores ter aprovado uma lei proposta pelo atual ministro da Igualdade Racial, o petista Edson Santos. Em 2002, a Assembleia estendeu a data a todos os municípios</p>
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		<title>Desemprego entre negros cai para 16%, mas é maior do que entre brancos</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 18:37:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
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da Folha Online
O desemprego entre os negros caiu mais de 6 pontos percentuais entre 2004 e 2008, período de maior dinamismo da economia brasileira, mas ainda supera a falta de ocupação entre os brancos, segundo pesquisa do Seade/Dieese divulgada nesta quarta-feira.
De acordo com o levantamento, as disparidades na forma de inserção produtiva de negros e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_FtvI14u6klU/SkZM6TtC11I/AAAAAAAABGE/DvKw0m16kWk/s320/Constru%2520o%2520Civil%2520-%2520Geral%2520-%2520Pedreiro%252002.jpg" alt="http://4.bp.blogspot.com/_FtvI14u6klU/SkZM6TtC11I/AAAAAAAABGE/DvKw0m16kWk/s320/Constru%2520o%2520Civil%2520-%2520Geral%2520-%2520Pedreiro%252002.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">
<h2><span style="background-color: #ffff99;">da Folha Online</span></h2>
<p>O desemprego entre os negros caiu mais de 6 pontos percentuais entre 2004 e 2008, período de maior dinamismo da economia brasileira, mas ainda supera a falta de ocupação entre os brancos, segundo pesquisa do Seade/Dieese divulgada nesta quarta-feira.</p>
<p>De acordo com o levantamento, as disparidades na forma de inserção produtiva de negros e não-negros no mercado de trabalho da região metropolitana de São Paulo registraram queda entre 2004 e 2008.</p>
<p>No período, a PEA (População Economicamente Ativa) negra diminuiu sua participação de 37,3% para 36,6%, mas aumentou sua proporção de ocupados, de 77,5% para 84,0% e caiu a de desempregados, de 22,5% para 16%.</p>
<p>No caso dos não-negros, o desemprego caiu de 16,4% para 11,9% no mesmo intervalo.</p>
<p>O levantamento apontou ainda uma redução dos negros nos serviços domésticos (de 8,7% para 7,7%), o que aproxima a participação das raças nesse segmento, já que a participação dos não-negros caiu de 12,9% para 12%.</p>
<p>A pesquisa também indica diminuição das diferenças entre negros e não-negros nas formas de inserção associadas a graus mais elevados de escolaridade e qualificação, mas ainda prevalece uma diferença bastante elevada.</p>
<p>Entre os negros ocupados, 5% ocupavam em 2008 cargo de direção, gerência e planejamento &#8211;contra 4,7% registrado em 2004.</p>
<p>No caso dos não-negros, a participação em tais cargos caiu de 18,7% para 17,4%, na mesma comparação.</p>
<p>&#8220;Tais fatos repercutiram no crescimento do rendimento médio real dos negros (6,1%) e na relativa estabilidade para os não-negros (0,1%) e, ainda que isto represente alteração muito pequena do diferencial de renda, mostra tendência de lenta aproximação na relação entre os dois grupos&#8221;, afirma a pesquisa.</p>
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		<title>A retórica da conversa</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 20:03:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[Adriana Natali]]></category>
		<category><![CDATA[conversação]]></category>
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		<description><![CDATA[Os dez mandamentos para tornar a sua aproximação com outras pessoas mais interessante e qualificada
Adriana Natali &#8211; Língua Portuguesa







Escultura do francês Georges Segal: perda de vigor da conversa na vida contemporânea pode engressar as relações humanas



Um dedo de prosa é mais complicado do que parece. Não só para os tímidos. A depender de como é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Os dez mandamentos para tornar a sua aproximação com outras pessoas mais interessante e qualificada</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;"><strong>Adriana Natali</strong></span><span style="background-color: #ffff99;"> &#8211; Língua Portuguesa<br />
</span></h2>
<table border="0" width="1" align="left">
<tbody>
<tr>
<td><img src="http://www.revistalingua.com.br/imagem_p.ashx?file=arquivos/NVZ8Z2LRXL49_28_2.jpg&amp;x=255" alt="" /></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-size: xx-small;">Escultura do francês Georges Segal: perda de vigor da conversa na vida contemporânea pode engressar as relações humanas</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Um dedo de prosa é mais complicado do que parece. Não só para os tímidos. A depender de como é levado, o prosaico bate-papo pode ser a diferença entre um ouvinte resistente ou receptivo a uma opinião. A conversa, do formal diálogo entre estranhos ao papo furado de amigos, requer cuidados e propriedade. Admitido o clichê, conversar é uma arte. E pode ser aprendida.</p>
<p>- Muitos se esquecem de que conversar é envolver com palavras, e não só comunicar assertivamente suas metas, seus desejos e pontos de vista. Dar um &#8220;bom dia&#8221;, comentar uma opinião ou repartir um bombom, tudo pode iniciar um relacionamento. Mas aproximar-se significa trazer para perto de si. Deve haver lugar para o outro &#8211; explica Luís Sérgio Lico, mestre em filosofia e conselheiro empresarial.</p>
<p>Mesmo numa época em que muito se pode dizer dependendo das circunstâncias, o estatuto da conversa já é visto como problemático. Para especialistas, saber conversar virou carência retórica nos centros urbanos, em que as situações de encontro são cada vez mais mediadas e formais. Hoje, até para um reles papo, podemos estar carentes de orientação.<br />
Segundo Lílian Ghiuro Passarelli, vice-coordenadora do curso de Letras da PUC-SP, o princípio mais geral que se espera num diálogo é o da cooperação: a conversa deve construir uma cumplicidade entre seres diferentes.</p>
<p>O princípio cooperativo é ideia cara ao filósofo inglês Herbert Paul Grice (1913-1988), seu maior teorizador. O falante, diz Grice, é cooperativo se informa tudo o que seu interlocutor necessita para entendê-lo, sua contribuição é tão informativa quanto desejada e a intenção por trás de suas palavras fica evidente, sem segundas intenções camufladas.</p>
<p><strong>Princípio geral</strong><br />
O linguista russo Mikhail Bakhtin (1895-1975) dizia que a interação verbal é a realidade fundamental da linguagem, um gênero primário a todos os outros. Cada palavra emitida é determinada tanto pelo fato de que procede como de ser dirigida a alguém. Contemporâneo de Bakhtin, Grice postulou que uma boa conversa tende a ser governada por princípios que compreendem máximas, em quatro categorias:<br />
- Quantidade:<br />
a) que sua participação seja tão informativa quanto o requerido pelos propósitos da conversa;<br />
b) não seja mais informativo que o requerido.</p>
<p>Quem se mostra mais detalhista que o desejado (a) passa por arrogante (assim como quem é genérico demais parece inconsistente); e quem diz mais do que o necessário (b) é tomado por tagarela (quem informa de menos, desinteressante).</p>
<p>- Qualidade: Tente fazer com que a sua contribuição seja genuína, não dizendo a) aquilo que acredita ser falso ou b) não tem evidência suficiente.</p>
<p>- Relação: Seja relevante. É preciso trazer novidade e falar o que interessa, de forma interessante.<br />
- Modo: Seja claro, evitando: a) obscuridade de expressão; b) ambiguidade; c) falta de brevidade; d) falta de ordenação no que diz.</p>
<p><strong>Códigos<br />
</strong>As máximas de Grice pressupõem uma troca verbal civilizada, e qualificada. O grau de proximidade entre os falantes, a simetria de papéis, o conhecimento partilhado e o contexto são fatores que podem definir a continuidade de uma discussão.</p>
<p>Para Lílian Passarelli, em qualquer situação devem-se respeitar os códigos de sociabilidade que regem a conversa.<br />
- Sem um repertório linguístico adequado à situação comunicativa, aos interesses do interlocutor, por mais amplo que seja nosso repertório de informações, podemos não nos sair bem em nosso projeto de dizer. É preciso usar o registro adequado para obter o efeito de sentido que pretendemos &#8211; afirma Lílian.</p>
<p><strong>Tempos modernos</strong><br />
Pessoas com afinidades podem chegar a conversar muito, mudando sempre de assunto, em contextos distensos (a mesa de bar, a casa de um deles), porque há simetria de papéis e ambos partilham das questões em pauta. Se esses falantes estiverem em outra situação comunicativa (trabalho, evento social), o contexto pode não permitir que ambos travem conversas no mesmo tom.</p>
<p>- Quando os interlocutores não se conhecem muito, o importante é observar o contexto &#8211; diz Márcia Molina, doutora em linguística da Universidade Anhembi Morumbi.</p>
<p>O velho gosto por conversar pode estar em transformação, sem que apresente sinais bruscos de mudança. O individualismo, os graus de separação numa sociedade de porte e o ritmo da vida urbana são fatores tidos por Luís Sérgio Lico como desestimulantes do hábito cultural da conversa.</p>
<p>- Seres urbanos não gostam muito de conhecer estranhos. Uma situação clássica é a do elevador: diga &#8220;bom dia&#8221; e as pessoas fingem que você não existe. Insista, e elas se irritam &#8211; diz Lico.</p>
<p>Para Alcir Pécora, professor de literatura da Unicamp, que dá cursos sobre a arte da conversa em organizações como Casa do Saber, o mundo atual viu proliferarem situações que limitam ou afetam a comunicação pessoal. A própria interface eletrônica, de chats e Twitter, pode reorganizar o modo como conversaremos no futuro.</p>
<p>- A tecnologia sendo usada em meio hostil ao convívio tende a fomentar a comunicação em situações de isolamento individual ou de grupos restritos, cujas diferenças não se problematizam desse modo &#8211; diz Pécora.</p>
<p><strong>Nas organizações</strong><br />
No mercado, o diálogo tende a artificializar-se, com profissionais em dificuldade de manter conversas sem finalidade associada ao negócio. Há empresas que reprimem conversações, por acreditarem ser perda de tempo; portanto, de dinheiro e produtividade. Mas aprende-se tanto nos papos com colegas de ofício quanto em treinamentos externos, diz Luís Sérgio Lico.</p>
<p>- A diferença é que o conhecimento do lugar de trabalho é usado de forma imediata, prática, e as capacitações demandam maior tempo e profundidade de abordagem &#8211; afirma.</p>
<p>A falta de condição organizacional para um bom papo pode levar a problemas de comunicação e a retrabalhos, dizem especialistas. Para Carlos Andrade, do mestrado em linguística da Universidade Cruzeiro do Sul, mesmo nos ambientes profissionais, conversas mais informais são úteis para quebrar formalidades.</p>
<p>- O importante é perceber que, numa troca dialógica bem articulada, haverá a validação de cada falante: percebemos na interlocução se certas enunciações foram pertinentes ou não, até para avaliarmos os rumos da conversa &#8211; diz o professor.</p>
<p><strong>Bom papo<br />
</strong>Hábito em mutação, a descontração do bate-papo brasileiro pode ter virado ilusão acalentada, mas cada vez menos verificável.</p>
<p>- Nossa cordialidade é ideológica: postula uma mitologia que valoriza carências e vícios sociais históricos. Vou direto ao ponto: conversa, em contexto democrático, supõe qualidade da educação pública. Quando a educação vive em penúria, não há muito a esperar de tudo o que demande linguagem cultivada &#8211; diz Alcir Pécora.</p>
<p>Há, verdade, procedimentos retóricos que podem melhorar um papo e transformar a conversa numa real aproximação com o outro. Mas técnicas recentes para adequação discursiva seriam risíveis se vistas como solução a impasses humanos, e não são pretextos para o policiamento neurótico das interações cotidianas.</p>
<p>A utilidade de sugestões, como as destas páginas, não é só dar molho a um diálogo: elas indicam quando deixamos de fazer trocas verbais de qualidade para ganhar uma discussão no grito ou, simplesmente, desistimos de nos aproximar do outro &#8211; e nem notamos.<br />
(Colaborou Jezebel Salem)</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="510" bgcolor="#e5e5de">
<tbody>
<tr>
<td style="padding-left: 5px; font-family: tahoma,verdana,arial; height: 30px; color: #ffffff; font-weight: bold;" colspan="3" bgcolor="#6e6d5e"><strong>Os dez mandamentos da conversa</strong></td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 5px 4px 4px; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 11px;" colspan="3"><strong>Tenha o que dizer</strong></p>
<p>Conversar sem matéria-prima pode ser um desastre. A boa conversa é a estruturada: é preciso ter algo a dizer. Um repertório de informações significativo pode ser obtido não só pela leitura, mas por outras fontes, como cinema, teatro, sites e revistas especializadas.</p>
<p>- Para que uma conversa se mantenha, uma questão fundamental é o conhecimento de mundo do que será tratado. Quando tenho argumentos para pôr opiniões em xeque, eu me sinto mais seguro para entrar na roda das conversas, independentemente do contexto de produção delas &#8211; explica Carlos Andrade, da UnicSul.</p>
<p><strong>Saiba ouvir</strong><br />
Saber ouvir é saber doar-se, diz Osório Antônio Cândido da Silva:<br />
- Escutar com sincera atenção é habilidade que, em razão do desuso, vem sendo perdida &#8211; lamenta o professor de oratória.</p>
<p>Em geral, as pessoas gostam de falar, não de ouvir. Ficam tão centradas no que dizer que nem dão bola a quem interage com elas. Para o consultor Reinaldo Polito, a observação é a melhor forma de manter um diálogo.</p>
<p>- Se houver alguém com vontade de falar, fique na sua e só interfira para valorizar o que está sendo comentado e demonstrar que presta atenção &#8211; sugere.</p>
<p><strong>Seja significativo</strong><br />
Sonde os assuntos que interessam ao interlocutor e os explore. Para Reinaldo Polito, a conversa fluirá melhor se centrarmos o diálogo num ponto em comum.</p>
<p>- Manter um bom diálogo é sinônimo de não falar de si mesmo. As histórias pessoais devem ser contadas apenas como autogozação &#8211; aconselha.</p>
<p>Para Carlos Andrade, num &#8220;bom papo&#8221; o que é dito deve ser importante a quem dele participa, pela qualidade da informação, pelo valor de quem a fornece.</p>
<p>- O diálogo só é propício quando os interlocutores propõem em suas falas questões pertinentes ao assunto de que se está tratando &#8211; afirma Andrade.</p>
<p><strong>Esteja pronto para ter iniciativa</strong><br />
Se a roda de conversa ficar em silêncio, tome a iniciativa de falar, sugere Reinaldo Polito.</p>
<p>- Não se apresse em contar histórias. Comece com perguntas sobre conquistas e viagens do outro, algo que tenha a função de fazer as pessoas se manifestarem.<br />
Se faltar assunto, inspire-se no ambiente e no momento, indica o consultor empresarial Luís Sérgio Lico.</p>
<p>- Se não há nada a falar ou fazer, observe a pessoa, o ambiente e a ocasião, e faça um comentário &#8211; afirma.</p>
<p><strong>Colecione pequenas histórias</strong><br />
Ter à mente histórias curtas e atraentes pode tornar uma conversa mais interessante. O consultor Reinaldo Polito aconselha que todos guardem a própria &#8220;coleção de histórias&#8221;.</p>
<p>- Procure contá-las para os mais íntimos. Se notar que têm impacto, passe a usá-las em outros ambientes. Mas veja se o contexto é apropriado e a narrativa, útil à discussão.</p>
<p><strong>Não estique &#8220;temas curingas&#8221;</strong><br />
Muita gente acompanha futebol, é capaz de falar sobre o clima e deve ter ouvido a notícia que foi divulgada na TV com insistência. Pela alta probabilidade de formarem o senso comum, &#8220;assuntos curingas&#8221; são pretextos para iniciar e desenvolver conversas.<br />
Cuidado, todavia, para não se alongar demais neles. Têm curto efeito, dão pouca margem à continuidade da conversa e podem estimular o preconceito sarrista, se a pessoa for fanática por algum time, religião ou partido.</p>
<p><strong>Adapte o vocabulário ao ouvinte</strong><br />
Privilegie o vocabulário do grupo com que interage. Com colegas de trabalho, a linguagem corporativa; entre acadêmicos, algo mais conceitual; com familiares e amigos, cumplicidade. Não use uma variante de linguagem em vez de outra. E busque a variante do idioma adequada. Luís Sérgio Lico sugere atenção redobrada a certas ocorrências linguísticas: rotacismo (&#8221;probrema&#8221;), pleonasmo (&#8221;conviver junto&#8221;, &#8220;encarar de frente&#8221;), gerundismo (&#8221;vou estar passando o recado&#8221;), equívocos de pronúncia (&#8221;piula&#8221;, &#8220;enlarguecer&#8221;, &#8220;mulé&#8221;) e de concordância (&#8221;menas&#8221;).</p>
<p><strong>Não atropele a conversa</strong><br />
Um diálogo se desenvolve melhor se nos detemos num tema por mais tempo, em vez de mudarmos de assunto a cada instante.</p>
<p>Busque pular de uma questão a outra só quando sentir que ela se esgotou e não há nada mais a ser dito.</p>
<p>Enquanto fala sobre uma questão, imagine temas oportunos para a sequência, para que o salto entre um e outro não pareça brusco demais.</p>
<p>Evite lançar um comentário sem saber aonde quer chegar com ele.</p>
<p>A hesitação pode interromper o raciocínio de ambos e criar silêncios que não queremos.</p>
<p><strong>Não conte vantagem</strong><br />
A arrogância pode ter efeito destruidor num bate-papo. Para o consultor Luís Sérgio Lico, é preciso cuidado com respostas que ofendam ou indiquem superioridade.</p>
<p>- Humildade é uma erva fina no tempero, seja da conversa amena até os mais requintados discursos &#8211; explica.</p>
<p>Agir com isenção e propriedade pode não garantir a defesa de um ponto de vista, mas inspira respeito, diz o consultor, e valoriza a própria imagem.</p>
<p><strong>Discorde sem constranger</strong><br />
Não basta tratar temas com propriedade, deve-se adequar o tom ao tipo de ouvinte. Comentários axiomáticos, definitivos (&#8221;essa conversinha de médico é um saco&#8221;, &#8220;o brasileiro é corrupto&#8221;, &#8220;detesto quem fala desse jeito&#8221;), podem indicar preconceito ou criar referência grosseira para o resto do diálogo: as respostas do ouvinte assumem a rispidez de quem fala com ele.</p>
<p>É preciso cuidado para não fazer generalização desmedida ou impor comparações insustentáveis. Evite contradizer alguém de cara. Elogie um ponto menor da argumentação do outro antes de entrar de sola com uma discordância.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="510" bgcolor="#e5e5de">
<tbody>
<tr>
<td style="padding-left: 5px; font-family: tahoma,verdana,arial; height: 30px; color: #ffffff; font-weight: bold;" colspan="3" bgcolor="#6e6d5e"><strong>Tipos de conversa</strong></td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 5px 4px 4px; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 11px;" colspan="3">Como conversar em diferentes situações de comunicação cotidiana</td>
</tr>
<tr>
<td style="padding: 5px 4px 4px; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: 11px;" colspan="3"><strong>Conversa fiada</strong></p>
<p>Conversas informais são marcadas por interrupções (quebras de turno conversacional). Há entradas de novas locuções sem que cada falante tenha concluído a sua. Conversas assim são discursos para atender à pura necessidade de aproximação social.</p>
<p>- Mesa de bar, por exemplo, é um perigo. A bebida acaba por deixar a língua mais solta. Por isso, fique atento aos comentários sobre quem não esteja participando da conversa. É melhor ser discreto e evitar riscos &#8211; aconselha o consultor Reinaldo Polito.</p>
<p><strong>Debate argumentativo</strong><br />
Há conversas informais em que o confronto de ideias e argumentos faz repensar o cotidiano e as práticas humanas. Essas são cravadas pelo debate argumentativo, em que os interlocutores procuram não atropelar a vez do outro e argumentar após suas considerações.</p>
<p><strong>No ambiente de trabalho</strong><br />
Organizações são entes jurídicos que se manifestam por pessoas que velam por sua cultura interna. É preciso saber qual a cultura local em ambientes monitorados para evitar constrangimento e má interpretação. Para Reinaldo Polito, se um colega sonda sua vida (se quer saber quanto você ganha, tem aplicado ou gastou nas férias), pega-se um tópico da conversa e muda-se de assunto.</p>
<p>- Se a pergunta for sobre gastos da viagem, diga: &#8220;Ficamos duas horas no aeroporto sem saber se embarcaríamos. Você já teve atrasos que afetaram a viagem?&#8221; Até o interlocutor narrar seu último atraso de voo, a pergunta foi esquecida &#8211; diz.</p>
<p><strong>A hora da piada</strong><br />
A boa piada pode ser desastrosa se enunciada num contexto inadequado. Por isso, é preciso cuidado redobrado com o humor cáustico ou chulo: nem todo tema permite o escracho e nem todo ouvinte vai interpretá-lo como se deseja.</p>
<p>- Humor é sempre o melhor recurso para tornar uma conversa agradável. Se o nível dos interlocutores for baixo, o humor deve ser explícito, exagerado, para não deixar dúvida de que se trata de brincadeira. Se os interlocutores tiverem bom nível, a brincadeira pode ser subentendida, com uso de ironias finas &#8211; explica Reinaldo Polito.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
]]></content:encoded>
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		<title>Antidepressivo que não deu certo vira &#8220;viagra feminino&#8221;</title>
		<link>http://blogdofavre.ig.com.br/2009/11/antidepressivo-que-nao-deu-certo-vira-viagra-feminino/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 18:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIÊNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>
		<category><![CDATA[antidepressivo]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso da Sociedade Europeia para a Medicina Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Flibanserin]]></category>
		<category><![CDATA[medecina]]></category>
		<category><![CDATA[mullheres]]></category>
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		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade feminina]]></category>
		<category><![CDATA[Viagra]]></category>

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		<description><![CDATA[Antidepressivo que não deu certo vira &#8220;viagra feminino&#8221;
da Folha Online
Um medicamento que foi originalmente desenvolvido como antidepressivo teve um surpreendente e positivo efeito colateral: as mulheres que o experimentaram relataram &#8220;significativa melhoria&#8221; em seu desejo sexual, divulgou nesta segunda-feira (16) o jornal britânico &#8220;The Independent&#8221;.
Mulheres que tomaram 100 miligramas do medicamento, chamado Flibanserin, uma vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" src="http://portalexame.abril.com.br/arquivos/img_946/est_pesquisa.jpg" alt="http://portalexame.abril.com.br/arquivos/img_946/est_pesquisa.jpg" /><strong>Antidepressivo que não deu certo vira &#8220;viagra feminino&#8221;</strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;">da Folha Online</span></h2>
<p>Um medicamento que foi originalmente desenvolvido como antidepressivo teve um surpreendente e positivo efeito colateral: as mulheres que o experimentaram relataram &#8220;significativa melhoria&#8221; em seu desejo sexual, divulgou nesta segunda-feira (16) o jornal britânico &#8220;The Independent&#8221;.</p>
<p>Mulheres que tomaram 100 miligramas do medicamento, chamado Flibanserin, uma vez por dia, indicaram mais relações sexuais &#8220;satisfatórias&#8221;, maiores níveis de desejo sexual e reduzido estresse associado a problemas sexuais.</p>
<p>&#8220;É essencialmente um remédio como o Viagra para mulheres, já que o libido ou desejo sexual reduzido é o problema sexual mais comum das mulheres, assim como a difunção erétil é o problema mais frequente para os homens&#8221;, disse o professor John Thorp, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, EUA.</p>
<p>O Viagra, que ajuda os homens a superar a impotência, também foi projetado originalmente com outro propósito: para tratar angina, uma dor no peito associada a doenças do coração.</p>
<p>Os resultados reunidos de três dos quatro testes clínicos em série do Flibanserin foram apresentados hoje no Congresso da Sociedade Europeia para a Medicina Sexual, em Lyon, França.</p>
<p>Um total de 1.946 mulheres a partir dos 18 anos até idade pré-menopausa foram tratadas com o Flibanserin ou com um placebo &#8211;cápsula inativa para controle&#8211; por 24 semanas.</p>
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		<title>Ditadura gay</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 16:12:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso]]></category>
		<category><![CDATA[direitos civis]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[homofobia]]></category>
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		<description><![CDATA[Antonio Prata &#8211; O Estado SP
&#8220;Você é a favor da aprovação do projeto de lei 122/2006, que pune a discriminação contra homossexuais?&#8221; Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o País iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.
Uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="background-color: #ffff99;">Antonio Prata &#8211; O Estado SP</span></h2>
<p>&#8220;Você é a favor da aprovação do projeto de lei 122/2006, que pune a discriminação contra homossexuais?&#8221; Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o País iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.</p>
<p>Uma senhora chamada Rosemeire, por exemplo, expondo num blog seu temor de que a lei seja aprovada, disse que vivíamos &#8220;O início da Ditadura Gay no mundo!&#8221;. Pelo que entendi, Rosemeire acredita que está em curso uma batalha global, travada entre heteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os heteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de veadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week e tomarão o poder.</p>
<p>Imagine só, Rosemeire? Criancinhas terão de cantar Village People na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Aos domingos, em vez de futebol, as TVs transmitirão Holiday on Ice e, com 18 anos, os jovens serão obrigados a alistar-se no exército, fazer flexões de braço, dormir e tomar banho, uns na frente dos outros. Que horror!</p>
<p>Se você acha que Rosemeire exagerou, é porque não leu o blog de Rozângela Justino, cristã, psicóloga e indignada: &#8220;Se esse projeto (&#8230;) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.&#8221;</p>
<p>Uau, Rozângela! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto, seria de uma casta intermediária? E lutadores do Ultimate Fighting viveriam de esmolas? Bem, talvez não&#8230;</p>
<p>Quanta imaginação têm as duas mulheres. Se seus piores pesadelos fossem filmados, seria preciso unir o talento de um Fellini com o de um Clóvis Bornay; juntar, no mesmo caldeirão, George Orwell e Andy Warhol; vislumbrar as ruas de Nova Délhi sendo percorridas pela banda de Ipanema.</p>
<p>Se bem que&#8230; Sei lá. Pensando melhor, talvez o temor de Rosemeire e da dra. Justino tenha algum fundamento. Veja o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!</p>
<p>A batalha racial já está perdida, mas a sexual ainda pode ser ganha! Basta ir ao www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0, clicar em NÃO e mostrar a todos que ainda tem gente disposta a lutar por um mundo injusto, desigual e preconceituoso!</p>
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		<title>Tesão e direitos humanos</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 17:43:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Favre</dc:creator>
				<category><![CDATA[COMPORTAMENTO]]></category>
		<category><![CDATA[EDUCAÇÃO]]></category>
		<category><![CDATA[Acosso sexual]]></category>
		<category><![CDATA[estudantes]]></category>
		<category><![CDATA[Geisy Arruda]]></category>
		<category><![CDATA[Renato Janine Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[tesão]]></category>
		<category><![CDATA[Uniban]]></category>
		<category><![CDATA[universidade]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[ +(s)ociedade


Ex-diretor da Capes, filósofo diz que opinião pública ignora a questão central no caso da aluna da Uniban: a esfera do desejo 
RENATO JANINE RIBEIRO ESPECIAL PARA A FOLHA
 
A universitária do microvestido conseguiu um milagre:  juntou todo o mundo, da UNE à direita, na defesa dela e na condenação aos alunos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #000080; font-size: xx-large;"> +(s)ociedade</span></strong></p>
<p><span style="font-size: large;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p><strong>Ex-diretor da Capes, filósofo diz que opinião pública ignora a questão central no caso da aluna da Uniban: a esfera do desejo </strong></p>
<h2><span style="background-color: #ffff99;"><strong>RENATO JANINE RIBEIRO </strong></span><span style="background-color: #ffff99;">ESPECIAL PARA A <strong>FOLHA</strong></span></h2>
<p><span style="background-color: #ffff99;"> </span></p>
<p>A universitária do microvestido conseguiu um milagre:  juntou todo o mundo, da UNE à direita, na defesa dela e na condenação aos alunos que a insultaram e, depois, à universidade  que quis puni-la.  Mas há um viés na abordagem que me preocupa. O que  atraiu a sociedade para o caso  foi seu lado sexual. É o chamariz, tanto que a <strong>Folha</strong> levou  uma atriz [vestida com minissaia] a quatro universidades do  centro de São Paulo para ver se  seus alunos são diferentes dos  da periferia.<br />
Mas, lançada a isca, a imprensa não fica à sua altura e  vai opinar de maneira legalista.  O sexo é chamariz, mas não é  estudado. Já a educação é uma  grande (outra) questão, mas  também não é aprofundada.  Começando pelo fim: a educação proporcionada pela Uniban está sendo questionada a  partir desse caso, e não em sua  qualidade. Que ela é criticada  faz tempo, sabe-se. Mas está  melhorando?<br />
Por coincidência, como diretor que fui da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior], responsável pela avaliação da pós-graduação brasileira, vi avanços da Uniban nos seus mestrados e no único doutorado. Não sei de sua graduação. Seria preciso avaliar se ela está melhorando ou piorando, em vez de ler generalidades que não respondem a essa pergunta central.<br />
O outro aspecto é o cerne do  caso. Uma vez deflagrada a polêmica, sumiu de cena o que a  causou -o microvestido. Vi o  advogado da aluna, de terno,  defendendo seu direito de vestir-se como quiser.  Foi uma síntese perfeita das  contradições que o caso traz à  luz. Para defender uma moça  que gosta de mostrar o corpo,  recorre-se à linguagem formal  (e à roupa idem) da profissão  jurídica. Fala-se dela como se  fosse perseguida por ser judia,  negra, comunista ou ter uma  síndrome.</p>
<p><strong>O sexo perturba </strong><br />
Só que ela não foi ofendida no  fluxo dessas discriminações  tradicionais, e sim porque gosta  de mostrar o corpo.  Por que essa questão central  se perde na vagueza das fórmulas (&#8221;cada um é livre para fazer  o que quiser&#8221;, &#8220;para ir e vir&#8221;  etc.)? Defendo essas liberdades. Mas, quando entra o sexo,  ele as perturba.<br />
No dia 22 de outubro, na Uniban de São Bernardo do Campo  (SP), ela e centenas de jovens  foram perturbadíssimos pelo  sexo. Não adianta tentar, agora,  abafar o assunto com generalidades legais -belíssimas, sim,  fulcro de nossa civilização, mas  pré-freudianas. Ou melhor:  adianta.<br />
É por isso que da esquerda à  direita há um acordo geral. Um  grande acordo para abafar o pequeno monstro.  O monstro começa pelo desejo -que parece ser mais comum nas mulheres- de ser vista, admirada, desejada. A moça  fez por isso. Não sabia o quanto  estava despertando o monstro.  Quando percebeu, deve ter-se  assustado. Sorte, pelo menos,  que ninguém foi machucado  (ela não foi).<br />
Mas o fato é que vimos o nervo exposto de algo que é mais  atávico e forte que um preconceito contra judeus, negros ou,  mesmo, mulheres. Entraram  em cena uma sexualidade provocante e respostas, masculinas e femininas, a ela.  Quer dizer que os rapazes tinham razão em xingá-la? Qualquer alfabetizado entenderá  que não. Não tinham esse direito. Mas, que foram mexidos, foram. Que ela queria mexer com  eles, queria.  O que ela desejava de fato, ela  provavelmente não sabe  (Freud não saberia). Talvez, depois de tudo por que passou,  não saiba mais. Nem eles, depois de expostos na mídia, saibam mais o que queriam.</p>
<p><strong>Id e ego </strong><br />
De todo modo, a imprensa  não se preocupou em saber como foi, nas cabeças de centenas  de jovens que estavam lá, aquela noite. Alunos da Uniban mal  foram entrevistados. Como as  alunas que apareceram na TV  discordavam da manifestação  da UNE &#8220;em favor delas&#8221;, a imprensa preferiu não aprofundar o assunto.  Não dá para reduzir esse assunto à pauta dos direitos em  geral ou das discriminações  contra a mulher.<br />
Não tem nada a ver com mulher não ser presidente ou CEO  de empresa. Até porque nesse  campo, o do desejo que o homem sente só por ver uma mulher bonita, ela tem um poder  que ele não tem.  Faz bem a universidade, em  que o abscesso se rompeu, em  discutir esse assunto à luz da cidadania? É essencial.  Mas gostaria que não ficasse  no genérico dos direitos humanos (que eu defendo, nem preciso repetir).  Espero que saiba devolver à  cena a questão importante que  irrompeu naquela noite terrível: a questão do sexo em face  da liberdade, da cidadania e tudo o mais. A questão do id em  sua negociação com o ego.  É uma grande questão, pouco  tratada.<br />
Mas não acredito muito. Falar na generalidade dos direitos  humanos não afetará o âmago  das pessoas, portanto é mais fácil. Não obrigará a discutir como lidar de maneira racional (a  grande conquista da civilização, que inclui os direitos humanos) com o que é mais irracional em nós, sobretudo os  mais jovens -um desejo desabrido a desafiar valores, interditos, tudo.  Os rapazes podiam ser preconceituosos. Mas pareciam  estar tarados por ela. A tara poderia vencer -ou reiterar- o  preconceito. Como mudar o final do jogo, seu resultado? Eis a  questão.<br />
Como o tesão se relaciona  com os direitos humanos? Dá  para repetir o mantra de que  uma mulher poderosa, desejável, ciente do que desperta nos  homens, é ao mesmo tempo um  sujeito racional capaz de deliberar em sã consciência se quer  ou não um deles?<br />
Dá para acreditar que um homem, assim excitado, facilmente aceite a decisão da mulher de negar-se a ele? O estupro é inadmissível, mas dizer que esses controles são fáceis é iludir a sociedade. [O sociólogo alemão] Norbert Elias entendeu bem a questão. Ele disse, décadas atrás: ao contrário do que se imagina, quando se exibe mais o corpo, sobretudo o feminino, exige-se mais -e não menos- autocontrole. Porque se requer do espectador que não ataque aquele corpo desejado.<br />
Essa exigência é necessária?  É. Mas é fácil? Não. Veja-se um  baile funk. Vejam-se as publicidades na TV.</p>
<p><strong>Um direito e um problema </strong><br />
Essa história tem sido lida  como uma parábola do moderno e do reacionário. Moderno é  a moça fazer o que quer com o  corpo, inclusive mostrá-lo.  Reacionário é ser contra isso.<br />
Mas a atualidade intensa do  conflito é que ele não tem essa  temporalidade moderna, que é  dos demais direitos humanos.  Pois, por um lado, mexe com  a libido, que tem fortíssima base natural e uma temporalidade muito mais lenta.<br />
Por outro lado, a mulher se exibir o quanto queira é conquista recente. O homem não saber lidar com isso também é um dado acentuado recentemente. Há um elemento natural, há um confronto hipermoderno. A reação &#8220;conservadora&#8221; também é hipermoderna. O que não dá é para dizer que a moça se exibir não é problema, é direito. É direito, sim, mas só interessa a ela porque é problema. Alguém acha que [a apresentadora] Sabrina Sato imitaria a aluna se os homens não babassem por ela (Sabrina ou Geisy, não importa)?<br />
É esse efeito que se quer produzir. É ele que, produzido, incomoda muita gente. E é esse  incômodo -a consciência, o reconhecimento de que há um incômodo, um problema quase  sem solução, o que Kant chamaria de uma antinomia- que  incomoda muito mais.<br />
O que devemos é enfrentar o  incômodo, reconhecer sua originalidade. Desse ponto de vista, temos uma oportunidade  ímpar, justamente porque difícil, de reflexão e de proposição.</p>
<hr size="1" noshade="noshade" /><span> <strong>RENATO JANINE RIBEIRO</strong> é professor titular  de ética e filosofia política na USP.</span></p>
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