24/11/2012 - 17:12h Di rigori armato il seno…

Di rigori armato il seno
Contro amor mi ribellai
ma fui vinto in un baleno
in mirar due vaghi rai.
Ma fui vinto in un baleno
in mirar due vaghi rai.
Ahi! che resiste puoco a stral di fuoco
cor di gelo di fuoco a stral.


Jonas Kaufmann – Der Rosenkavalier

30/08/2012 - 22:00h Boa noite


Ivo Pogorelich – Chopin – Piano Sonata No. 2 in B-flat minor, Op. 35

30/08/2012 - 19:02h Vivaldi


Vivaldi – Bajazet – Elina Garanča

Atto III, scena 4 – Andronico “Spesso tra vaghe rose”, Elina Garanča, Europa Galante, Fabio Biondi

29/08/2012 - 22:00h Boa noite


Gina Bachauer e Alicia de Larrocha – Scaramouche, de Darius Milhaud

29/08/2012 - 19:58h Aquilo a que chamam amor

Charles Baudelaire

Aquilo a que chamam amor é bem pequeno, bem restrito, e bem fraco, comparado à inefável orgia, à santa prostituição da alma que se dá toda inteira, em poesia e caridade, ao imprevisto que se mostra, ao desconhecido que passa.
É bom ensinar por vezes aos felizes deste mundo, nem que seja só para os humilhar um instante no seu estúpido orgulho, que há felicidades superiores às deles, mais vastas e mais delicadas. Os fundadores das colónias, os pastores de povos, os padres missionários exilados no fim do mundo, conhecem sem dúvida qualquer coisa destas misteriosas ebriedades; e, no seio da vasta família que o seu génio constituiu, devem rir-se algumas vezes daqueles que os lamentam pela sina tão revolta e pela vida tão casta.


Charles Baudelaire. O Spleen de Paris. Pequenos poemas em prosa.

29/08/2012 - 19:04h Mon coeur s´ouvre à ta voix


Elīna Garanča – Mon coeur s’ouvre à ta voix (video-clip)

29/08/2012 - 18:37h Segredo cúmplice 2

Germaine Krull2
Germaine Krull – Les Amies

29/08/2012 - 18:00h Tamanho não é documento

Ou de como os curtas conseguem refletir o País em toda a sua complexidade

29 de agosto de 2012

LUIZ CARLOS MERTEN – O Estado de S.Paulo

É um título que pode induzir o leitor a pensamentos libidinosos, ainda mais que o filme se chama Porn Karaokê. Mas é bom não se equivocar. A ideia é só chamar a atenção para um fato incontestável. Formato e suporte são meros detalhes. Alguns dos melhores e mais intrigantes filmes brasileiros da atualidade você pode ver, ou talvez já tenha visto, no Festival de Curtas. Como o citado Porn Karaokê, de Daniel Augusto. Karaokê pornográfico. É um espaço. Uma adolescente que viu estranhas tatuagens surgirem em seu corpo – e depois elas desaparecem – busca explicações no Porn Karaokê. Existem referências a David Lynch. Los Angeles é um ponto no mapa, no centro do mundo da protagonista.

Outra grande cidade, São Paulo, é a protagonista de Cidade Improvisada, de Alice Riff, que investiga o universo do rap. Quando improvisam seus versos e cospem palavras iradas sobre a injustiça social e o caos urbano, os MCs que dropam freestyles diante da câmera da diretora colocam a voz da periferia na tela. O filme começa com (e ao longo dele voltam) as imagens de um equilibrista que caminha sobre os estreitos parapeitos de viadutos. Esse movimento precário assume uma dimensão metafórica. Os MCs são 15 e talvez seja até injusto destacar só um punhado deles – Max V.O., Slim Rimografia, Bebel Du Ghetto, DD. Na sessão de sábado à tarde no Cine Olido, no centro de São Paulo, o público aplaudiu em cena aberta as improvisações. A maior ovação foi para DD. A todos os problemas de quem vive na periferia ela acrescenta o da sua particular identidade. Ser mulher não é fácil em qualquer lugar.

O local, como em Porn Karaokê, era muito importante. Nos amplos corredores que dão acesso ao conjunto de salas da Galeria Olido, nos sábados à tarde, os street dancers fazem daquele lugar o palco de suas exibições. A cidade pulsa, em toda a sua complexidade, naquelas coreografias e nas improvisações. A cidade é, pelo contrário, estagnada no curta de Liliane Sulzbach que tem esse título – A Cidade. Ela é habitada por velhos, e o espectador é introduzido à rotina de um lugar que parece parado no tempo. Aos poucos, revela-se uma história. A superação de um drama doloroso.

A cidade é o que sobrou do antigo leprosário de Itapuã, junto ao rio, na Grande Porto Alegre. A lepra, ou Mal de Hansen, sempre foi motivo de estigmatismo social, e isso desde tempos imemoráveis. Basta lembrar os leprosos de Ben-Hur, de William Wyler, tratados como tragédia, e os de O Incrível Exército de Brancaleone, de Mario Monicelli, como humor. O projeto do leprosário surgiu para segregar os enfermos. Eles eram separados da família, estimulados a viver entre eles. Sobraram poucos, 35, que ainda vivem ali. As modernas formas de tratamento e cura tentam acabar com o preconceito. Aquelas pessoas, os sobreviventes, são todas sexagenárias, ou mais. Amargam dores. Uma lembra que era muito jovem ao ser arrancada de casa e levada para um lugar que seria ‘lindo’, foi o que lhe disseram. Outra observa que aquele grupo é a sua verdadeira família. A outra, a biológica, desertou de sua vida há muito tempo.

Liliane Sulzback é autora de outro belo curta sobre a infância. Aqui, busca outro segmento na linha de tempo. A cidade parece morta e, quando ela acrescenta à montagem as cenas do passado, para mostrar como era o leprosário, quando cheio, as pessoas parecem sem vida naquelas imagens em preto e branco. São sempre vistas em grupo, caminhando para o mesmo lugar, como zumbis. “Sair para onde, se vivi sempre aqui?”, uma delas se pergunta. E, malgrado todo sofrimento, homens e mulheres cantam, como num filme do inglês Terence Davies, o sublime Vozes Distantes, de 1988.

Daniel Augusto tem feito curtas que dialogam com a história e a cultura norte-americanas. Fordlândia, em parceria com Martinho Andrade, é sobre a cidade construída numa gleba da Amazônia (e depois abandonada) por Henry Ford. She Is Lost Control, com base na música do Joy Division, é sobre uma garota que sofre um acidente e se indaga sobre a própria identidade. A garota e a busca da identidade estão de volta em Porn Karaokê. As marcas que surgem e desaparecem são metáforas do próprio cinema. Não se iluda. A duração pode ser curta, mas o efeito desses filmes no imaginário do público – no seu imaginário – persiste.

29/08/2012 - 17:30h Em contato direto com Lygia Clark

Divulgação / Divulgação
Lygia Clark com a máscara “Abismo” para mostra em 1986


Por Marcelo Rezende | Para o Valor, de São Paulo

No espaço da exposição “Lygia Clark: Uma Retrospectiva”, no Itaú Cultural, em São Paulo, são apresentadas 145 obras, entre objetos, instalações e propostas inéditas. A lista cresce com um ciclo de filmes, seminário, aplicativo para “tablets” e museu virtual, que dão conta dos inúmeros e potentes efeitos provocados pela artista mineira, morta em 1988, aos 68 anos. E isso não é tudo. O que os curadores Paulo Sérgio Duarte e Felipe Scovino oferecem a partir deste sábado é uma Lygia Clark em sua potência total, ao lado da sensibilidade, imaginação e disponibilidade do espectador. Uma Lygia diante do desafio tempo.

Desde o início deste século, com a sedimentação dos processos de globalização econômica, reordenação das esferas de poder no mundo e a febre das feiras de arte, Lygia Clark (ao lado de Hélio Oiticica e Lygia Pape, companheiros do neoconcretismo carioca do final dos anos 1950) tem se tornado uma espécie de “blue chip” da arte brasileira entre colecionadores.

A expressão, vinda do mercado de ações, traduz a ideia de um “valor seguro”; no caso de Lygia, sustentado por alguns fatos: o crescimento das mostras internacionais da artista – o MoMA, em Nova York, receberá uma retrospectiva de Lygia Clark em 2014 – e seus recentes resultados de compra e venda. Em 2011, uma peça criada por Lygia em 1964 (”Abrigo Poético 3″) foi vendida na feira suíça Art Basel pelo preço recorde de €1,8 milhão.

Mas Lygia, claro, não se resume a uma análise financeira, e essa tem sido toda uma questão. “Essa retrospectiva apresentada agora ajuda a pensar o lugar da obra de Lygia Clark no Brasil e no mundo”, conta Felipe Scovino.

Refletir sobre a posição de Lygia hoje significa não deixá-la prisioneira de seu sucesso crítico e institucional, mas conceder a seu pensamento um espaço de respiro: “A retrospectiva não traz um recorte cronológico das obras, procurando evidenciar a maneira como ela lida com os diferentes suportes e possibilidades da arte, indo além da construção de um objeto. O público deve descobrir in loco novas possibilidades de leituras sobre ela”, afirma Scovino.

O público é uma das chaves para o entendimento de Lygia Clark, já que muitos dos trabalhos se opõem a dois dos maiores tabus dos museus: a proibição de que as obras possam ser manipuladas e a separação entre visitantes, que impede o compartilhamento de sensações. Nas propostas de Lygia, a obra de arte pode funcionar como intermediária para a ação entre pessoas.

Um exemplo são as instalações “Campo de Minas” e “Cintos-Diálogos”, imaginadas no período 1967/1968 e apresentadas no Itaú Cultural. Na primeira (exibida uma única vez, no Rio de Janeiro), os visitantes percorrem um tablado com sapatos magnetizados. Na segunda, uma instalação inédita, as pessoas recebem cinturões com ímãs, o que as leva a uma relação de atração e repulsão.

Outra proposta inédita é a instalação “O Homem no Centro dos Acontecimentos”, também do fim dos anos 1960 – os curadores usaram textos de Lygia, nos quais ela havia deixado instruções sobre como montar as obras. A obra traz projeções simultâneas em quatro paredes, resultado da filmagem de um percurso pelas ruas com uma câmera fixada sobre um capacete.

Essas experiências, ao lado de suas pinturas e de seus famosos objetos esculturais, os “Bichos”, ilustram a definição de Lygia pelo crítico Mário Pedrosa (1900-1981): “a entrada de Lygia Clark na arena da arte, onde a distância psíquica entre a arte e o espectador foi suprimida, não é de agora nem veio de supetão. Surgiu ao longo de todo um processo”.

Lygia começa com telas, chega a esculturas que podem ser tocadas pelo público para, em seguida, caminhar em direção ao contato com os visitantes, que deixam de ser espectadores e passam para uma posição ativa.

Para a designer Alessandra Clark, neta da artista e diretora da Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark, a missão para essa retrospectiva é mostrar ao público “a obra como ela é”. “Apenas dessa maneira nos aproximamos do que Lygia pensava e tinha imaginado para suas criações.”

Essa necessidade de uma maior compreensão dos processos criativos de Lygia Clark é o que levou ao lançamento de um aplicativo digital para dispositivos móveis, que será distribuído gratuitamente. “No ‘Livro Obra’ (1983), que compõe o material do aplicativo, consegue-se um resumo de Lygia a partir do que ela pensava, por meio de seus textos. Com eles, é possível se relacionar com as obras mesmo a distância”, diz Alessandra.

Participação e relação parecem mesmo resumir Lygia Clark. Durante os anos 1990, com a aparição de uma geração de novos artistas dispostos a assumir a participação dos espectadores em exposições e bienais (a geração da “arte relacional”), Lygia passou a ser intensamente “redescoberta”. Uma das consequências diz respeito a um possível rapto do discurso crítico: Lygia corre o risco de ser pensada como precursora, seguidora ou apenas parte de movimentos artísticos iniciados na Europa e Estados Unidos, o que resulta em uma visão limitada de sua importância.

Contra essa ameaça, ela pode e deve ser pensada em toda sua originalidade, e essa é a leitura promovida pelos curadores Paulo Sérgio Duarte e Felipe Scovino.

“Hoje, o que se conhece representa cerca de 2/3 da produção de Lygia. Agora ela é uma referência para artistas contemporâneos, e foi o interesse e a atuação desses artistas que provocaram as instituições. Mas há ainda muito para pesquisar, trabalhar e entender”, conta Alessandra.

“Há as pesquisas dela com a arquitetura, entre outras. Não há um limite. Mesmo a participação do espectador é um meio, e não um fim”, afirma Scovino.

“Lygia Clark: Uma Retrospectiva”

Itaú Cultural (Av. Paulista, 149), de 1º de setembro a 11 de novembro, entrada gratuita

Marcelo Rezende foi cocurador dos projetos “Comunismo da Forma” (São Paulo, 2007; Toronto, 2009) e “À la Chinoise” (Hong Kong, 2007), e curador das mostras “Ver o Tibet” (Rio, 2010) e “Cinema Veloz e Volante (Salvador, 2012). Editor da publicação “28b”, uma das plataformas da 28ª Bienal de São Paulo (2008)

29/08/2012 - 17:00h Neto de Trotsky relembra assassinato de avô no México há 75 anos

Volkov, 86, descreve momento em que chegou à casa onde vivia com líder bolchevique no México e encontrou-o à beira da morte.

29 de agosto de 2012

BBC Brasil – Agência Estado

Há 75 anos, o intelectual e revolucionário bolchevique León Trotsky, expulso do Partido Comunista Soviético e forçado ao exílio, foi começar vida nova no México. Perseguido pelos assassinos de Josef Stálin, no entanto, Trotsky foi morto na Cidade do México.

Em depoimento ao programa Witness, do Serviço Mundial da BBC, o neto do revolucionário, Esteban Volkov, que estava com o avô quando ele morreu, relembrou as emoções sentidas naquele dia.

Para alguns, León Trotsky foi o verdadeiro herói da Revolução Bolchevique de 1917, que derrubou o czarismo russo e culminou com a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Para outros, Trotsky foi um dos homens mais perigosos de sua era.

Mas para Volker, o revolucionário soviético foi uma figura paterna, que deu ao neto momentos raros de estabilidade e alegria em um período de tumulto na vida familiar em meio a um ciclo de perseguições políticas.

“Eu estava constantemente trocando de figuras paternas e maternas”, contou Volker, hoje com 86 anos. Com o “velho” – a forma carinhosa como se refere ao avô – “eu finalmente encontrei algo estável, ainda que não tenha durado muito”.

Falando da casa na Cidade do México onde viveu por mais de um ano com Trotsky e sua segunda esposa, Natália, até o assassinato, Volkov lembrou da empolgação que sentiu ao chegar à América.

Ele tinha apenas 13 anos e havia passado a maior parte de sua infância se mudando de um país para o outro com a mãe, Zinalda – filha de Trotsky – procurando refúgio contra a perseguição de Stálin, com quem Trotsky disputou o poder após a morte de Vladimir Lênin.

“O México foi uma mudança absoluta, era cheio de cores, sol. Tão diferente da Europa”, disse. “Comecei a ir para a escola sozinho, a pé. Ninguém na escola sabia quem era a minha família.”

Vida em Família

A vida na casa grande e bem protegida por guardas no bairro arborizado de Coayacan era “cheia de diversão”.

Trotsky passava o dia escrevendo, sendo entrevistado por jornalistas ou discutindo política com militantes estrangeiros e guarda-costas que viviam com a família.

Durante as refeições, o jovem escutava atentamente as piadas e discussões acaloradas à mesa. Aos outros, no entanto, o avô dava ordens expressas de que não falassem de política na frente do menino.

“Sua famíla inteira havia sido assassinada, ou morrido por causa da política, e eu acho que ele queria que seu neto sobrevivesse.”

O pai de Volkov, genro de Trotsky, havia sido enviado a um gulag – nome dado aos campos de prisioneiros soviéticos -na década de 1930. Sua mãe, Zinalda, havia cometido suicídio quando eles viviam no exílio em Paris.

Volkov contou que todas as manhãs o avô se levantava cedo para cuidar de suas plantas e animais antes de se fechar no escritório.

“Eu o ajudava a alimentar os coelhos e galinhas, e a regar o milho.” Os dois conversavam em francês, porque o menino havia perdido a habilidade de falar russo, sua língua materna.

Eles também faziam, regularmente, passeios para fora da cidade, com a família e os amigos reunidos em vários carros. Uma vez no campo, o “velho” passava horas procurando cactos ou conversando com os camponeses mexicanos sobre suas vidas.

Para Volkov, esses foram dias de relativa normalidade e de uma vida familiar que ele não tinha conhecido anteriormente. Mas tudo isso viria a terminar repentinamente.

Às 4h da manhã do dia 24 de maio de 1940, o jovem acordou de sobressalto: atiradores enviados por Stálin haviam invadido a casa.

Volkov saltou da cama e se escondeu em um canto do quarto. Com balas ricocheteando pelo cômodo, Volkov foi ferido no pé. Os guardas de Trotsky reagiram e conseguiram espantar os atiradores, que fugiram.

Trotsky e Natália escaparam ilesos. “Se eu fiquei assustado? No começo sim, mas assim que ouvimos a voz do meu avô, cheio de vida, bem, é difícil de descrever nossa felicidade por havermos escapado dos homens de Stálin.”

Segunda Tentativa

Depois desse incidente, Trotsky raramente saía de casa e a segurança ficou ainda mais rigorosa, com mais guardas e mais armas. As viagens para o campo foram abandonadas.

“Logo me acostumei a viver naquelas condições”, diz o neto.

Mas a pergunta na cabeça de cada um era: De onde viria o próximo atentado à vida de Trotsky?

Os acontecimentos do dia 20 de agosto de 1940 ficaram gravados na memória de Esteban Volkov.

Foi nesse dia que Ramón Mercader, um agente stalinista de origem espanhola que havia se infiltrado na casa de Trotsky, feriu fatalmente o líder bolchevique ao atingir sua cabeça com um utensílio de quebrar gelo.

Falando lentamente, tomando cuidado para não omitir nenhum detalhe, Volker contou que ao retornar para casa, a pé, depois da aula, notou que a porta da casa estava aberta. Um carro da polícia estava estacionado do lado de fora.

Cheio de temor, correu para dentro. Os guardas estavam consternados.

Antes de ser afastado do local, viu o avô de relance, deitado no chão do escritório, sangrando muito. Natália estava ao seu lado.

“Não deixe o menino ver isso”, Trotsky teria dito a ela. Ele morreu no dia seguinte, no hospital.

O menino ficou tão perturbado que se recusou a ir ao enterro do avô. “A atmosfera na casa ficou muito, muito solitária depois daquilo”, ele disse.

Após a morte de Trotsky, Volkov continuou vivendo no México com Natália. Ele foi para a universidade, formou-se químico, casou-se e criou quatro filhas – algo que trouxe muito conforto para Natália, de luto pela perda do marido assassinado.

Ela morreu em janeiro de 1962. Volkov, hoje também viúvo, transformou a antiga casa da família em um museu.

Honrar a memória do avô, ele explicou, é o seu “dever”.

28/08/2012 - 22:00h Boa noite


2 successive performances of Ludwig van Beethoven’s Turkish March from “Die Ruinen von Athen”, arranged by Richard Blackford for 8 pianos. Played by Gina Bachauer, Jorge Bolet, Jeanne-Marie Darré, Alicia De Larrocha, John Lill, Radu Lupu, Garrick Ohlsson and Bálint Vázsonyi at a Gargantuan Pianistic Extravaganza in London, 1974.

28/08/2012 - 19:08h Anna Bolena


Donizetti – Anna Bolena Act 2 Scene 1

Netrebko · Garanca · D’Arcangelo · Orchester der Wiener Staatsoper · Pidò · Chor der Wiener Staatsoper

This is the Scena e duetto made up of:

Dio, che mi vedi in core 6:52
Sul suo capo aggravi un Dio (Anna, Giovanna) 3:07
Dal mio cor punita io sono (Giovanna, Anna) 2:42
Va, infelice 4:07

from the DG Blu-ray Disc DDD 0440 073 4728 7 GH

28/08/2012 - 18:33h Segredo cúmplice

Germaine Krull
Germaine Krull – Les amies

28/08/2012 - 17:51h Pequenos Poemas em Prosa

Charles Baudelaire

O semblante do primeiro Satã era de um sexo ambíguo, e havia
nas linhas do seu corpo a molície dos antigos Bacos. Os belos
olhos lânguidos, de cor tenebrosa e indecisa, assemelhavam-se
a violetas carregadas, ainda, das pesadas lágrimas da
tempestade(…).
Fitou-me com os seus olhos inconsolavelmente aflitos (…) e
disse-me em voz cantante:
– Se quiseres, se quiseres, eu te farei o soberano das almas, e tu
serás o senhor da matéria viva, ainda mais do que o escultor o
pode ser da argila; e conhecerás o prazer, ininterruptamente
renovável, de sair de ti mesmo para te esqueceres em
outrem, e de atrair as outras almas até confundi-las com a
tua.


Charles Baudelaire. Pequenos Poemas em Prosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p. 59-60.

27/08/2012 - 22:00h Boa noite


Andras Schiff – Recital de piano – Japão 20/02/2011

27/08/2012 - 19:07h Rojotango


Erwin Schrott – Rojotango

27/08/2012 - 18:52h Les malheures de la vertu

Claude_Bornet1
Peintre ou Dessinateur :
Bornet, Claude, peintre et graveur du XVIIIe siècle
Cette notice fait partie d’une série :
La Nlle Justine ou les malheurs de la vertu, [Colnet du Ravel] 1797 [1799]
(pièce ou n° 36 / 41)
Datation : entre 1797 et 1799
Source textuelle :
Sade, Donatien Alphonse François, marquis de (1740-1814)

Sujet de l’image ou genre :
Fiction, 18e siècle
Objet indexé dans l’image : La scène est observée par effraction

Nature de l’image : Gravure sur cuivre
Lieu de conservation :
Paris, Bibliothèque nationale de France, Réserve, Enfer 2511

26/08/2012 - 22:00h Boa noite


Mendelssohn: String Quartet Nº 2 in A Minor, Op. 13
Shanghai String Quartet performs at the 2011 Santa Fe Chamber Music Festival. July 21, 2011, St. Francis Auditorium.
Weigang Li, violin; Yi-Wen Jiang, violin; Honggang Li, viola; Nicholas Tzavaras, cello.
Audio and Video Production by Matthew Snyder Recordings

26/08/2012 - 20:32h H. R. Giger e o Marquês

H.R.Giger_2ILLUSTRATION FOR MARQUIS DE SADE 01_30x21cm_1991

H.R.Giger_1ILLUSTRATION FOR MARQUIS DE SADE 01_30x21cm_1991

H.R.Giger_3ILLUSTRATION FOR MARQUIS DE SADE 08_30x21cm_1991
H R Giger – ilustrações para o Marquis de Sade (1991)

26/08/2012 - 19:08h As valquírias


Nina Stemme (Brünnhilde) & Waltraud Meier (Sieglinde)
Die Walküre – Wagner
Teatro alla Scala 2010

26/08/2012 - 17:59h Julio Cortázar a 98 años de su nacimiento: Genialidad totalizante

El espíritu libre de Julio Cortázar derivó su obra en las diferentes direcciones de los géneros narrativos. El reconocido crítico Ricardo González Vigil nos da un panorama de su legado

Literatura argentina, Julio Cortázar
Julio Cortázar hubiera cumplido 98 años hoy. Amante del jazz, en la foto aparece tocando una trompeta. La imagen fue captada en París, en 1967. (La Nación/GDA)

Ricardo González Vigil – Miembro de la Academia Peruana de la Lengua – El Comercio

Julio Cortázar (1914-1984) pertenece a la generación de escritores argentinos que se dieron a conocer a fines de los años 30 y durante los 40. Una hornada con grandes narradores: Ernesto Sábato (1911-2011), Manuel Mujica Láinez (1910-1984), Adolfo Bioy Casares (1914-1999) y Silvina Ocampo (1906-1993), señaladamente.

LEGADO ARGENTINO
Sábato se nutrió de la problematización existencial de Roberto Arlt y Eduardo Mallea, así como de la crítica histórico-social enarbolada por el grupo Boedo; y Bioy Casares y Ocampo adoptaron el refinamiento imaginativo y el horizonte cosmopolita del grupo Florida, bajo la órbita de Jorge Luis Borges y la revista “Sur”. En cambio, Cortázar, con mayor complejidad y apertura que Mujica Láinez (se inclina más por Borges-Florisa que por Arlt-Boedo), acogió todo el legado narrativo argentino: el esmero estilístico y el ingenio fantástico de Borges, la angustia existencial y la valoración de la locura y el lumpen-“clochard” de Arlt, junto con la orientación marxista de Boedo, sin desdeñar el radicalismo experimental y el juego metaliterario (la literatura que habla de literatura) de dos autores marginales: Macedonio Fernández y Leopoldo Marechal en su magistral novela “Adán Buenosayres” (1948).

MODERNIDAD PLURAL
Agréguese que, con más decisión que todos ellos, asumió el aliento innovador de la modernidad literaria, desde sus fuentes románticas (recordemos que tradujo a Poe y estudió a John Keats) y simbolistas, hasta las propuestas vanguardistas, en particular el surrealismo. De otro lado, coincidiendo con la modernidad plural del mexicano Octavio Paz, bebió de la espiritualidad oriental: el budismo zen, el hinduismo y el taoísmo.

TODOS LOS GÉNEROS
Su espíritu abierto lo impulsó a cultivar todos los géneros literarios: el cuento, se coronó como uno de los dos más grandes cuentistas del idioma español, en compañía de Borges; la novela, plasmó uno de los climas de la novelística latinoamericana: “Rayuela”); la poesía, digna de relieve; el ensayo, brillante y esclarecedor; y el texto dramático. Más aún, se complació en dinamitar los límites entre los géneros establecidos: las misceláneas “La vuelta al día en ochenta mundos” y “Último round”; los textos brevísimos, inclasificables, de “Historias de cronopios y de famas”; la antinovela sin texto fijo: “Rayuela”; los efectos letristas y concretistas de sus poemas emancipados del verso; etc.

PROTAGONISTA DEL ‘BOOM’
Ese espíritu abierto, sumado a su rostro perpetuamente juvenil y su entusiasmo por la Revolución Cubana (que no sedujo a Sábato, Mujica Láinez, Bioy Casares ni Ocampo) le permitieron conformar el póquer de ases del ‘boom’ de la novela hispanoamericana (1960-1972) con escritores de la generación siguiente: Mario Vargas Llosa (22 años menor que él), Carlos Fuentes (1928-2012) y Gabriel García Márquez (1927).

Con una fórmula condensó la postura del ‘boom’ que apoyaba la Revolución Cubana sin tornar a la literatura un instrumento proselitista: la meta era ser el ‘Che Guevara de la literatura’. Es decir: si el guerrillero se propuso modificar la infraestructura económica y política (el ‘ser social’, en términos marxistas); le correspondía a los creadores literarios revolucionar el lenguaje y la imaginación (la ‘conciencia social’), escribiendo en total libertad y seguir las necesidades expresivas en gran parte inconscientes (lecciones del surrealismo y el compromiso según Sartre).

“RAYUELA”: NOVELA TOTAL
El designio del ‘boom’ de abarcar todos los niveles de la realidad y explorar todos los recursos del lenguaje tejiendo una “novela total” (así la llama Vargas Llosa) alcanzó una de sus realizaciones supremas en “Rayuela” en 1963.

Posee una dimensión realista: el lado de allá (París) y el lado de acá (Buenos Aires) plantean la tensión entre lo europeo-occidental y lo criollo-indoamericano. Alcanzar el centro del mandala o conquistar la casilla superior (cielo) del juego de la rayuela (en el Perú se lo denomina mundo) equivale al tao que sintetiza el yin y el yang, el norte y el sur, lo europeo-occidental y lo americano.

Sin embargo, evita el realismo consabido, propicia lo insólito, lo mágico y lo fantástico. En el terreno verbal, la Maga inventa un lenguaje lúdico de sonoridad mágica e infantil: el glíglico. Otro componente es lo que, en la novela “Los premios” (1960), Cortázar denominó “figuras”: nexos entre los personajes que los revela como desdoblamientos o seres complementarios; así, Horacio es a Traveler, como la Maga a Talita. Nótese la ambigüedad fantástica: Horacio se vuelve un “clochard” en París, pero también se suicida en Buenos Aires, aunque en otro capítulo logra Talita impedir el suicidio, haciéndonos recordar a Borges con sus secuencias que se bifurcan.

Hay un nivel más: el metaliterario, desplegado en varios capítulos, sobre todo los “Capítulos Prescindibles”. Las ideas sobre la antinovela, la novela-mandala, el lector-macho, etc., concuerdan con el deseo de ser el ‘Che Guevara de la literatura’, a tal punto que no hay un texto único, sino que recomienda leer el libro saltando (como en el juego de la rayuela) de un capítulo a otro, invitando a explorar todas las combinaciones posibles.

26/08/2012 - 17:35h Do teatro grego ao Facebook


A figura do político com seu programa é sucedida pelo ativismo dos tecnoatores, que se articulam pelo livre acesso à informação

26 de agosto de 2012

MASSIMO DI FELICE – O Estado de S.Paulo

Num fim de tarde e no começo da primavera, todos os moradores das cidades gregas tinham que cumprir a obrigação de subir as colinas para chegar ao teatro e assistir às apresentações cujas temáticas abordavam questões éticas e políticas. Sempre construídos numa posição estratégica, geralmente numa parte alta que se debruçava sobre o mar, os teatros gregos apareciam como um lugar irreal no interior dos quais, através de efeitos técnicos e narrativos (o coro, as máscaras, a música), o público era conduzido ao delírio e à comoção. Era exatamente por meio desse elemento emotivo e nesse excesso de empatia (hybris) que o cidadão grego recebia os valores morais e a ética sobre os quais fundavam-se as leis e a vida de sua cidade.

Tal função político-pedagógica do teatro antigo demonstra claramente a importância da cultura do espetáculo e sua profunda relação com a política na cultura ocidental.

Desde seus primórdios no Ocidente o público, o espetáculo e a cultura política formaram um único universo, incindível, que foi o verdadeiro embasamento da democracia – nascida, como observava criticamente Platão, como “teatrocracia”, isto é, como a ditadura do espetáculo e do julgamento popular. Evento fútil para os seguidores das verdades, competição imprevisível e prazeroso entretenimento para moradores das antigas cidades da Magna Grécia, de fato, as representações teatrais marcaram o nascimento do encontro entre a comunicação, o espetáculo e a política.

Do teatro grego para as competições de oratória no foro romano, até os palanques midiáticos da era televisiva, a democracia e a competição política apresentaram-se no mundo ocidental em forma de espetáculo público, ou seja, de apresentação de argumentações e programas submetidos ao julgamento dos espectadores. Estes eram chamados a opinar e escolher suas peças preferidas, o discurso mais bonito ou seus candidatos.

Teatro, imprensa, rádio, cinema e TV construíram na historia da nossa civilização a forma/conteúdo da participação e as arquiteturas para a disputa do consenso. Embora com características distintas e diferente poder de difusão das informações, tais práticas mantiveram a mesma arquitetura analógica comunicativa, baseada na distribuição unidirecional das informações de um emissor (ator, jornalista, locutor, apresentador televisivo ou político) para o público espectador, que batia palmas, vaiava, opinava, escolhia e votava. Tal distinção identitária entre quem produzia e distribuía a mensagem e o público espectador chega inalterada à época da eletricidade e da TV. Se a sociedade do espetáculo e o marketing político têm origem antiga e anteriores às estratégias comunicativas descritas por Maquiavel em O Príncipe, é evidente que a interação entre política e televisão introduz um conjunto de elementos novos na linguagem e nos conteúdos da política moderna.

Em primeiro lugar, o incremento da importância das estéticas e do visual do candidato. Em segundo, sua capacidade de adaptação à necessidade de elaboração de respostas rápidas e agilidade na contra-argumentação impostas pela velocidade da linguagem e pela especificidade da temporalidade televisiva. E terceiro, só para citar os mais notórios, sua total submissão à audiência e à programação televisiva. Nesse sentido, o mais conhecido conceito de Marshall McLuhan, “o meio é a mensagem”, pode nos orientar para entender a relação entre TV e política. É suficiente observar como a atuação dos marqueteiros e as estratégias comunicativas mudaram nas últimas décadas a forma de fazer política e a qualidade do seu discurso.

A linguagem televisiva tornou os discursos e os programas políticos mais visuais e transformou os profissionais da política em personagens midiáticas preocupadas com suas rugas, a cor do seu cabelo e o ângulo de tomada da câmera. Mas, sobretudo, o alto custo de produção da mídia de massa aumentou os custos da política e, consequentemente, favoreceu a difusão de atuações ilícitas e da corrupção, chegando a fazer coincidir na opinião pública do mundo inteiro a imagem do político – e mesmo a atividade política – com aquela da corrupção e da desonestidade.

Com o advento da comunicação digital esse modelo comunicativo, que permaneceu presente no decorrer da história nas distintas épocas midiáticas e culminou com a forma da espetacularização da política televisiva, entra definitivamente em crise. Com a difusão das mídias móveis e das redes sociais digitais, muda a arquitetura de produção e distribuição das informações, alterando aquele modelo antigo que uniu o teatro grego à TV. Se a mídia e a política de massa criavam público e buscavam consenso através da comunicação frontal, as arquiteturas interativas digitais nos propõem a forma de produção colaborativa de conteúdo que se desenvolve mediante a interação reticular de sujeitos ativos. Do YouTube ao Facebook e à Wikipedia assistimos à passagem de uma forma receptiva de comunicação a uma forma interativa e coletiva.

Se por milênios os fluxos comunicativos foram unidirecionais e a forma de distribuição dos conteúdos mantinha as dinâmicas piramidais da emissão de informações de um centro (emissor) para uma periferia (receptor), a revolução comunicativa digital introduz, pela primeira vez na história da humanidade, um modelo comunicativo interativo, baseado no sistema de rede que, anulando a distinção identitária entre emissor e receptor, oferece a todos os internautas (tecnoatores) o mesmo poder comunicativo e igual oportunidade de acesso. Além disso, tal ruptura comunicativa inaugura um tipo de interação que ativa a comunicação e a torna possível somente no interior das interações dinâmicas entre interfaces, redes e internautas, conferindo aos últimos o papel de construtor das informações e produtor de conteúdos.

Os pressupostos dessa nova cultura midiática interativa são o exato contrário da forma analógica. Para a descrição das arquiteturas comunicativas das interações digitais parece, consequentemente, necessário substituir o conceito de público para aquele de redes, nas quais o significado e o conteúdo do comunicar não são mais pré-codificados e estabelecidos pelo emissor, mas construídos e viabilizados pelo processo interativo.

Essa passagem da mídia de massa para a personal mídia, do analógico para o digital e do ver para o tecnoagir não deixará de alterar a natureza da sociedade e os significados da ação política.

De um ponto de vista político midiático, nossa época é marcada por uma paradigmática transformação que vê o advento de uma nova forma de democracia. Ela é baseada na articulação de consenso através da construção colaborativa de redes informativas que articulam novas formas de sinergia entre indivíduos e informações. Mais que sobre o consenso e apresentação de candidatos, essas novas formas de atuação produzem mudanças diretamente sobre os territórios por meio da participação e da troca informativa de rede de cidadãos. À figura do político portador de um programa e líder de uma corrente partidária sucede o ativismo dos tecnoatores, que através do livre acesso às informações articulam-se, discutem e produzem informações de forma colaborativa. Em todos os continentes produz-se uma forma tecnoinformativa de participação, cidadania e processos de transformações sociais. Foi assim que os cidadãos das antigas cidades gregas tornaram-se autores e atores das tramas encenadas no final da tarde no começo de outras primaveras.

26/08/2012 - 17:00h Os Sonetos de Walter Benjamin

Walter Benjamin

68

Como o coral alastra a sua morte
a arder em árvore púrpura no seio
do mar com a temente alma no meio
dos braços rubros presa do mais forte

Com beijo amargo de ruína veio
a ameaça Ela faz voto de sorte
que acre tormento a tal mando suporte
e é-lhe paga final final receio

Medida no festim desesperado
na turvação lembra a doçura amena
bebe o Lethes do tempo perturbado

qual dando eternidade em mão serena
dota a alma e a herança distribui
O ser simples de quem recusa flui.

Os Sonetos de Walter Benjamin. Tradução de Vasco Graça Moura. Campo das Letras, 1999, p.153

24/08/2012 - 22:00h Boa noite


Felix Mendelssohn – Symphony Nº 2 B flat major – ‘Lobgesang’ ‘Hymn of Praise’ – Regente: R Chailly e La Scala Philarmonic

24/08/2012 - 19:04h Liebestod


Waltraud Meier – “Liebestod”, de Tristan und Isolde – Regente Daniel Barenboim