15/08/2012 - 09:46h Escolas privadas estão abaixo da meta


No ensino médio, 15 Estados e o Distrito Federal não alcançaram a nota mínima; no fundamental, a situação é menos preocupante


São Paulo é um dos três Estados que ficaram abaixo da meta do governo para escolas privadas nos três níveis avaliados pelo Ideb

15 de agosto de 2012

BRUNO DEIRO – O Estado de S.Paulo

No ensino médio da rede particular do Brasil, 15 Estados e o Distrito Federal não atingiram a nota mínima esperada pelo governo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Para piorar, dois terços dos 20 Estados avaliados em 2009 apresentaram queda ou mantiveram a mesma média no levantamento divulgado ontem.

No ensino fundamental, a situação é menos preocupante. No ciclo de 1.ª a 4.ª série, 33% não atingiram a meta e apenas dois Estados tiveram queda de rendimento. Já entre os alunos de 5.ª a 8.ª série, metade das escolas avaliadas melhorou sua média.

Para especialistas, os números do ensino médio são frustrantes pelo fato de não refletir as vantagens que os alunos da rede privada têm em relação aos que estudam em escolas públicas.

“Os alunos de escolas privadas têm muitas facilidades, pois a maioria aprende idiomas fora do colégio, tem aulas particulares e mais acesso a viagens e ao mundo letrado”, afirma a professora Silvia Colello, da Faculdade de Educação da USP. “Mesmo assim, a rede particular de ensino ainda está longe da sua meta. Paira a concepção de que a escola pública é ruim e a particular é ótima, mas isso é relativo.”

A educadora aponta que a falta de investimentos na atualização dos professores pode ajudar a explicar o mau desempenho. “As escolas particulares estão em um momento difícil, pois têm de assegurar a clientela e garantir a qualidade que demandam os pais. Cobram mensalidades altas, mas funcionam como empresa e não valorizam o professor”, afirma Silvia.

Para Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC-SP, a rede particular também sente os efeitos da mudança no perfil das provas. Ela afirma que o desafio de ensinar os alunos a contextualizar e analisar questões atuais ainda não foi assimilado pela rede de ensino.

“Os instrumentos de avaliação utilizados hoje têm premissas diferentes. As escolas eram voltadas para memorização, e hoje as avaliações exigem dos alunos maior capacidade de compreensão e interpretação de texto”, explica Neide. “Várias escolas estão tentando fazer isso, e as particulares são mais ágeis nesse processo, mas leva tempo até conseguirem se adequar.”

A professora defende que os projetos de formação continuada dos professores são mais eficientes na rede privada por atenderem às necessidades específicas de cada profissional – no ensino público, esses programas são coordenados pelos governos.

Extremos. A situação mais grave no ensino médio das particulares é de Sergipe, que teve 4,8 e ficou longe da meta de 5,8. Desde a primeira medição, em 2005, o Estado apresenta queda de rendimento e está entre os piores, ao lado do Maranhão (4,8) e Alagoas (4,9). Minas, por outro lado, manteve-se com as melhores médias em todos os níveis – no ensino médio, obteve 6,1 e dividiu o posto com o Paraná.

Nos primeiros anos do ensino fundamental, entre a 1.ª e 4.ª séries, os Estados tiveram bom desempenho e 80% conseguiram melhores índices. Entre a 5.ª e 8.ª séries, os resultados foram menos expressivos: uma das exceções é o Amapá, que saltou de 4,7 em 2005 para 5,6 em 2011, superando em muito a meta de 5,1.

São Paulo é um dos três Estados que ficaram abaixo da meta do governo para escolas privadas nos três níveis avaliados pelo Ideb, ao lado do Distrito Federal e de Pernambuco. Os resultados paulistas do ano passado, no entanto, são menos alarmantes que os da última avaliação, em 2009. O Estado teve melhora significativa entre os alunos de 5.ª à 8.ª série do ensino fundamental e do ensino médio. Nos últimos dois anos, apenas o ciclo da 1.ª à 4.ª série apresentou leve declínio – caiu de 7,2 para 7, próximo à meta de 7,1.

15/08/2012 - 09:33h Ideb 2011: Brasil supera metas, mas ensino médio ainda preocupa


Desde 2005, avanço nos anos iniciais do ensino fundamental é três vezes maior do que no médio

O ministro de Educação, Aloizio Mercadante Foto: Givaldo Barbosa

O ministro de Educação, Aloizio Mercadante                             (Foto Givaldo Barbosa)

Leonardo Cazes, Carolina Benevides e Alessandra Duarte – O GLOBO

RIO – A educação no Brasil melhora mais rápido na base do que na ponta. É o que mostra o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011, indicador bienal divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC). Nos anos iniciais do ensino fundamental, o país atingiu a nota 5, um crescimento de 0,4 em relação a 2009, e já superou a meta prevista para 2013, de 4,9. O avanço nos anos finais do fundamental foi mais lento: subiu de 4 para 4,1, mas bateu a meta estabelecida, de 3,9. Já o Ensino Médio continua sendo o calcanhar de aquiles do sistema educacional. Com uma melhora de 0,1, atingiu o objetivo, de 3,7, mas continua com resultados piores do que os outros segmentos.

Se forem analisados os avanços obtidos desde 2005, quando o índice foi calculado pela primeira vez, a nota dos anos iniciais evoluiu três vezes mais rápido do que a do ensino médio: de 3,8 para 5, enquanto o último segmento saiu de 3,4 para 3,7. Assim, os dados mostram que, na medida em que o aluno avança na sua vida escolar, seu rendimento piora. A lentidão na melhora também é observada nos anos finais do ensino fundamental. A cada biênio, a melhora tem sido menor.

Em entrevista coletiva para a imprensa, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comemorou os resultados.

- É uma vitória dos professores do país. Ao mesmo tempo, nos diz que é preciso trabalhar intensamente porque há muito desafios ainda pela frente – disse.

O ministro lembrou que os avanços obtidos nas séries iniciais são fruto de investimentos do governo federal, mas também da ação de professores.

- Políticas públicas são importantes, mas o fundamental é o professor em sala de aula e o gesto da escola.

Mercadante manifestou preocupação, no entanto, com indicadores que mostram que, no Nordeste, 1/3 dos alunos chegam aos 8 anos sem ter sido alfabetizados. Para isso, prometeu um pacto nacional para garantir a alfabetização na idade certa. O governo federal vai lançar o programa ainda este mês incluindo estímulos financeiros para professores dedicados à alfabetização.

Para a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, deve-se comemorar os resultados dos anos iniciais. Para ela, o avanço ocorreu em virtude dos investimentos que vêm sendo feitos na alfabetização.

- Temos que comemorar os resultados nos anos iniciais do fundamental. Houve avanço porque os investimentos estão sendo feitos na alfabetização. O plano do MEC de alfabetizar na idade certa, provavelmente, fará com que os resultados melhorem. Agora, é necessário que haja um pacto entre municípios e estados para que não haja descontinuidade dos bons resultados conforme os alunos vão avançando na escola. E o Ideb também não deve ser encarado apenas como um ranking, mas como um processo, analisando o que dá certo e o que não funciona, para que a educação melhore – diz Priscila. – Infelizmente, com o passar dos anos, cai a porcentagem do que os alunos aprendem, as escolas perdem a capacidade de garantir que aprendam.

Já Naércio Menezes Filho, professor de Economia e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, em São Paulo, um dos motivos para o bom desempenho dos anos iniciais do ensino fundamental não continuar no ensino médio está no fato de que o aprendizado é cumulativo, então “os vícios e problemas de aprendizado que o aluno acumulou em anos anteriores aparecem com mais clareza lá no final”:

- Além disso, um colégio municipal fica mais anos com um aluno, tem mais tempo para trabalhar mudanças, enquanto a rede estadual, que cuida do ensino médio, fica apenas três anos com o estudante.A meta estabelecida no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) é de que o Brasil atinja a nota 6 nos anos iniciais em 2021. Esta é considerada a média dos países desenvolvidos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – explica o professor.

Na Prova Brasil, os estudantes fazem avaliações de português e matemática. Foram exatamente estas provas que puxaram o índice no primeiro segmento do ensino fundamental. A média nas duas disciplinas subiu de 5,22 em 2009 para 5,43 em 2011. Ao mesmo tempo, a aprovação diminuiu, o que puxou o número para baixo. O Índice de Rendimento (IR), que consolida as taxas de aprovação e reprovação, caiu de 0,91 para 0,89. Nos anos finais do fundamental, tanto o IR quanto a média das notas na Prova Brasil melhoraram: de 0,82 para 0,83 e de 4,88 para 4,97.

No caso do ensino médio, nada mudou em dois anos. A taxa que mede a eficiência do fluxo escolar permaneceu em 0,8, assim como o desempenho dos alunos, que ficou em 4,57.

Entenda o Ideb

O Ideb é um índice desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que tem como objetivo mensurar a qualidade da educação brasileira. No seu cálculo são combinados dois fatores: o desempenho dos estudantes na Prova Brasil, aplicada a cada dois anos, e a taxa de aprovação das redes, usada para medir a eficiência do fluxo escolar. Por isso, uma rede pode ter um desempenho acadêmico melhor do que outra, mas um Ideb pior, devido a taxas de aprovação menores.

15/08/2012 - 09:30h Brasil atinge metas de desenvolvimento da educação em todas as etapas do ensino básico

Nos anos iniciais, índice superou meta proposta para 2013


Brasil atinge metas de desenvolvimento da educação em todas as etapas do ensino básico

Boletim da Secom

O Brasil atingiu as metas estabelecidas em todas as etapas do ensino básico – anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011, divulgado pelo Ministério da Educação nessa terça-feira (14). Nos anos iniciais (segundo ao quinto), o Ideb nacional alcançou 5 e ultrapassou não só a meta para 2011 (de 4,6), como também a proposta para 2013, que era de 4,9. Nessa etapa do ensino, a oferta é prioritariamente das redes municipais, que concentram 11,13 milhões de matrículas, quase 80% do total.

O Ideb para os anos iniciais do ensino fundamental da rede municipal foi calculado em 5.222 municípios. A meta para 2011 foi alcançada por 4.060 deles (77,5%). Em 2005, quando o Ideb foi calculado pela primeira vez, 57,55% das crianças nos anos iniciais estavam matriculadas em escolas municipais de redes de ensino com avaliação abaixo de 3,8 – média nacional de então. Com a evolução consistente do indicador nos últimos anos, o percentual caiu para 17,09% em 2011.

Ainda em 2005, mais de 7,1 milhões de crianças estudavam nas escolas com o Ideb mais baixo (até 3,8). Esse número caiu para 1,9 milhão em 2011. Nos anos iniciais, consideradas as matrículas de redes municipais com Ideb acima da meta de 5, o registro era de 2,87% das crianças (cerca de 350 mil matrículas). No ano passado, o percentual saltou para 38,04%, com 4,2 milhões de estudantes acima da meta estabelecida.

Finais – Nos anos finais (sexto ao nono) do ensino fundamental, o Ideb nacional atingiu 4,1 em 2011 e ultrapassou a meta proposta, de 3,9. Considerada apenas a rede pública, o índice nacional chegou a 3,9 e também superou a meta, de 3,7.

Assim como nos anos iniciais, a evolução constante do Ideb nos anos finais do ensino fundamental garante o aumento da proporção de matrículas nas faixas de índice mais elevado. Em 2005, 56,20% dos estudantes da rede pública (7,5 milhões) concentravam-se em faixas de Ideb inferiores a 3,4. Em 2011, o percentual caiu para 26,59% (3,2 milhões de matrículas). Redes com Ideb acima de 4,5 atendiam pouco mais de 300 mil estudantes (2,44%). Agora, abrangem mais de 2 milhões (17,17% do total de matriculados).

De todos os municípios (cerca de 4,3 mil) submetidos à avaliação do Ideb para os anos finais do ensino fundamental, 62,5% atingiram as metas, que foram superadas também em todas as regiões do país.

Médio – Em termos nacionais, incluídos ensino público e particular, foi igualada em 2011 a meta para o ensino médio, de 3,7. O indicador é obtido pelas notas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e pela taxa média de aprovação percentual.

15/08/2012 - 09:20h Rede pública da cidade de São Paulo não alcança nota

15 de agosto de 2012 | 3h 09

O Estado de S.Paulo

A cidade de São Paulo, a mais rica do País, não conseguiu alcançar a meta para 2011 no Ideb nos primeiros anos do ensino fundamental, até a 4ª série. Na ciclo 2 da educação básica, de 5ª à 8ª série, a capital paulista teve um crescimento menor do que no primeiro caso, mas ficou com a nota dentro da meta.

A rede pública de São Paulo incluindo escolas estaduais e municipais tiveram nota de 4,2 enquanto a meta para a cidade era 4,4 no anos finais do ensino fundamental. A média nacional nesse ciclo foi de 5.

Se for levado em conta apenas a rede municipal de escolas a nota foi um pouco maior, de 4,3. A meta no entanto era de 4,6. As escolas estaduais da cidade de São Paulo, com alunos de 5ª à 8ª série, tiveram nota média de 4,1 – enquanto a média para essa rede na cidade era de 4,3.

Já nos anos iniciais, tanto as escolas vinculadas ao município quanto as ligadas ao Estado não alcançaram suas metas – não seguindo, inclusive, a tendência nacional de melhora. E rede municipal ficou com nota 4,8, a meta era 4,9. Já a estadual ficou com 5,3, enquanto a meta era de 5,4.

Geral. Contando todo o Estado de São Paulo, a rede ligada ao governo estadual ficou estagnada entre 2009 e 2011 nos anos inicias e finais do ensino fundamental. O ciclo 1 teve nota 5,4 e o final, 4,3. Apesar de não ter conseguido aumentar sua nota, o Estado se manteve dentro da meta para 2011.

No Estado, 371 anos finais do fundamental escolas não conseguiram alterar em nada a nota do Ideb em dois anos, entre 2009 e 2011 – o equivalente a 10%. Do total desse grupo, 38% das escolas da rede estadual de São Paulo tiveram queda na nota.

No ensino médio, uma das principais dificuldade no País, o Estado de São Paulo teve aumento, de 3,6 para 3,9 na rede estadual. O governo comemorou o resultado do ensino médio. “Em comparação com as redes estaduais do país, o Estado de São Paulo supera o indicador em todos os níveis de ensino”, cita nota do Estado. A Prefeitura de São Paulo informou que não recebeu os dados oficiais, mas ressaltou que as informações indicam que a rede municipal continua crescendo, mostrando o acerto de suas políticas.

10/08/2012 - 08:30h Ensino público manda 45% dos alunos às universidades federais

Por Luciano Máximo | VALOR

De São Paulo

No que se refere especificamente à obrigatoriedade de destinar 50% das vagas nas universidades federais a alunos que cursaram o ensino médio em escolas públicas, a lei de cotas aprovada na terça-feira vai causar um impacto muito menor no atual sistema de matrículas do que a polêmica que tem gerado.

De acordo com o estudo “Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais Brasileiras”, amplo levantamento feito pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) entre outubro e novembro de 2010 e concluído em julho de 2011, 45% dos cerca de 900 mil alunos matriculados nas 59 instituições da rede de ensino superior do país vieram do ensino médio público.

A terceira edição do estudo – a primeira foi produzida em 1996-1997, mostra que os maiores percentuais de alunos oriundos das escolas públicas são nas regiões Norte, com 71,5%, e Sul (50,5%). Nordeste e Centro-Oeste vêm em seguida com, respectivamente, 41,5% e 40,5%. O Sudeste é a região com o menor índice: 37%.

O “Perfil Socioeconômico” é uma pesquisa amostral do Fonaprace baseado no conjunto dos estudantes das universidades federais matriculados nos cursos presenciais de graduação. Adotou-se um nível de confiabilidade de 95% e erro amostral de 5% por instituição. A base de dados do foi fornecida pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação (Sesu-MEC) e passou por um processo de validação com cada universidade participante, que respondeu questionários quantitativos e qualitativos num sistema online.

Rosana Pereira Parente, pró-reitora de graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), integrante do Fonaprace, observa que uma política de Estado de ação afirmativa para equalizar o acesso ao ensino superior é importante por combater a desigualdade no país, mas um modelo único para realidades diferentes poder ser considerada “uma estratégia complicada”. “Algumas particularidades devem ser observadas, aqui na Região Norte o mercado privado da educação básica não é tão forte quanto nos grandes centros e temos mais índios que negros e pardos. Com a lei, ações afirmativas que temos aqui são prejudicadas”, pondera Rosana.

Na Ufam, a criação de novas políticas de cotas é discutida por um grupo específico dentro do conselho universitário. No momento, a instituição dá prioridade à entrada de 50% via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o vestibular contínuo dá os outros 50% das vagas a alunos do ensino médio – eles fazem “minivestibulares” desde o primeiro ano do ensino médio. “Mas queremos instituir ações que beneficiem alunos de baixa renda”, acrescenta Rosana.

Uma das principais conclusões do estudo é que o número de estudantes negros, pardos e índios e pobres aumentou nos últimos anos, tópicos também contemplados na lei de cotas aprovada nesta semana. Os responsáveis pela pesquisa sugerem que, devido a esse resultado, é urgente ampliar os investimentos na política de assistência estudantil.

“Já existem pesquisas no Brasil que tentam monitorar o avanço das políticas afirmativas na educação. Agora, com uma lei nacional, o novo modelo tem de vir acompanhado de ações de assistência estudantil para garantir não só o acesso, mas a permanência desse ‘novo’ aluno”, avalia Dalila Andrade Oliveira, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped).

De 2008 a 2012 o orçamento do MEC para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que garante bolsas mensais e auxílios financeiros para alimentação, moradia e compra de material didático, cresceu 300% em valores nominais, para R$ 500 milhões. Mas dirigentes federais falam que os recursos são insuficientes. “O Pnaes precisaria subir para R$ 1,5 bilhão para dar conta das atuais necessidades atuais. A nova lei, que fere a autonomia universitária, poderia vir acompanhada de um item para garantir a contrapartida orçamentária à universidade que receber estudantes mais pobres”, critica Gustavo Balduíno, da direção da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições de Ensino Federais (Andifes).

Sobre o aspecto racial, o levantamento do Fonaprace mostra que em 2010 estudantes brancos eram maioria nas universidades federais: 54%. Na pesquisa anterior, em 2004, o percentual de brancos era de 59%. Os pretos aumentaram de 5,9% em 2004 para 8,7% em 2010, percentual que subiu em todas as regiões do país: com destaque para o Norte, que praticamente dobrou o seu percentual (13,4%, ante 6,8% em 2004), e Nordeste, cujas marcas passaram de 8,6% para 12,5%.

Perto de 45% dos estudantes da universidades federais pertencem às classes C, D e E. Os estudantes da classe A somam 15% do total de matrículas de 2010, com maior concentração na região Centro-Oeste (22%). Os universitários enquadrados na classe B representam 41% do total.

08/08/2012 - 08:42h Alunos da rede pública terão 50% das das vagas em universidades federais

08 de agosto de 2012

DÉBORA BERGAMASCO , BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O Senado aprovou ontem um projeto de lei que prevê que 50% das vagas em universidades e escolas técnicas federais sejam reservadas a quem cursou o ensino médio integralmente em escolas públicas.

De autoria da deputada federal Nice Lobão (PSD-MA), a proposta, já aprovada na Câmara, ainda tem de passar pela sanção da presidente Dilma Rousseff, que é entusiasta do projeto. Dessa porcentagem, metade será destinada a estudantes cuja renda familiar é igual ou inferior a 1,5 salário mínimo por pessoa.

Dentro desse universo de vagas destinadas a alunos oriundos da rede pública serão aplicados também critérios raciais. Estudantes autodeclarados negros, pardos e indígenas terão cotas proporcionais ao número desse grupo de pessoas que vivem no Estado onde está localizada a universidade, com base em dados do mais recente censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não importando a renda per capita do aluno – mas a exigência de terem cursado integralmente em escolas públicas permanece.

Em São Paulo, por exemplo, aproximadamente 30% da população se declara negra, parda ou indígena. Na Bahia, esse número chega aos cerca de 70%. No caso de não preenchimento dessa cota racial, as vagas remanescentes serão ocupadas por estudantes que fizeram todo o ensino médio na rede pública.

Um ponto polêmico – mas já resolvido – do projeto de lei foi o artigo que previa adotar como critério de seleção do cotista o “coeficiente de rendimento”, obtido por meio de média aritmética das notas do aluno.

Senadores fecharam um acordo com o governo para que a presidente Dilma vete esse artigo e mantenha a seleção utilizando o vestibular, orientação do Ministério da Educação (MEC). Foi uma estratégia para que o projeto fosse aprovado exatamente como votado pelos deputados. Caso sofresse alteração, teria de voltar à Câmara para nova apreciação, o que atrasaria ainda mais a aprovação da projeto.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), único a se posicionar contra o assunto, considera que essa lei trará “um abalo muito grande na qualidade de ensino das universidades federais, que já não andam bem”.

Para ele, a reserva de vagas nesses moldes é inconstitucional. “Os colegas votaram a favor por medo da pressão dos chamados movimentos ligados ao governo. Sou contra essa diferenciação por raça e não tenho medo desses movimentos. O branco pobre não é filho de senhor de escravos”, disse ao Estado.

O senador Paulo Paim (PT-RS) comemorou a aprovação. “É uma reparação de anos e anos de exclusão racial e social. Não é justo que o preto e pobre trabalhe de dia para pagar a universidade e estudar à noite enquanto o branco descansa o dia todo.” O petista concluiu dizendo que “a minoria que é contra o projeto infelizmente tem o poder e é bem articulada”.

Assim que sancionada pela presidente Dilma, a lei modificará todo o sistema de divisão de vagas das universidades federais. Atualmente, quase todas utilizam algum sistema de cota social, racial ou de gênero, que deixarão de lado para adotar o modelo único. A lei não modifica o sistema de adesão nas universidades estaduais nem nas particulares, que poderão continuar a escolher se adotam ou não algum sistema de cotas.

Segundo o texto aprovado pelo Senado, a aplicabilidade desse sistema será revisada em dez anos.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) não se posicionou oficialmente sobre o tema. Nos bastidores, a informação é de que a maioria dos reitores é contra.

23/07/2012 - 10:49h Melhoria da educação do brasileiro contribui para queda da informalidade no trabalho

Pesquisa da FGV revela que 60% da queda da informalidade entre 2002 e 2009 decorrem da maior escolarização do brasileiro

23 de julho de 2012

Agência Brasil – O Estado SP

A formação nem sempre é de qualidade, mas o aumento do número de anos estudados tem contribuído de forma relevante para a geração de empregos com carteira assinada. Pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), revela que 60% da queda da informalidade entre 2002 e 2009 decorrem da maior escolarização do brasileiro.

Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pesquisadores dividiram a queda da informalidade em dois componentes. O efeito composição está relacionado à formação educacional. O efeito nível mede os demais fatores, como crescimento da economia, expansão do crédito e medidas de estímulo pelo governo. A predominância da educação surpreendeu os pesquisadores.

“Esse resultado nos causou perplexidade, e mostra, acima de tudo, que a educação está mudando diversos aspectos da economia do país, inclusive a estrutura do mercado de trabalho”, diz Rodrigo Moura, que fez a pesquisa com o professor Fernando Holanda Barbosa Filho. O estudo considerou como trabalhadores informais apenas os empregados sem carteira assinada. Profissionais que trabalham por conta própria, como eletricistas e encanadores, foram enquadrados como trabalhadores formalizados.

Pelo critério dos pesquisadores, a taxa de informalidade entre os trabalhadores caiu de 43,6% em 2002 para 37,4% em 2009. No mesmo período, foram criados cerca de 9 milhões de empregos com carteira assinada em todo o país. Em todas as faixas educacionais, a taxa de informalidade caiu. Esse recuo está ligado ao efeito nível porque, para um mesmo nível de escolaridade, a economia criou mais empregos formais.

O efeito composição aparece ao comparar o tempo de estudo ao total da força de trabalho. De 2002 a 2009, a parcela de trabalhadores sem o ensino médio completo caiu de 66% para 53%. Nesse caso, o mero ganho de anos de estudo impulsiona significativamente a formalização, porque a proporção de trabalhadores informais é bem maior na população de menor escolaridade.

Com ensino médio completo, o vendedor Rodrigo Castro, 21 anos, trabalha em uma banca de produtos de informática na Feira dos Importados, em Brasília. Ele acredita que o estudo foi determinante para conseguir emprego com carteira assinada. “A educação não me qualificou muito bem, mas ajudou”, diz. Antes do primeiro emprego formal, Rodrigo trabalhou por cerca de um ano e meio sem carteira assinada em uma lan house no interior da Bahia.

Para Rodrigo Moura, coautor da pesquisa da FGV, depois de elevar o tempo de estudo da população, o próximo desafio do país será a melhoria da qualidade do ensino. “O Brasil hoje tem maior proporção de trabalhadores com nível médio e superior, mas o percentual de instituições privadas de ensino superior de alta qualidade é bem baixo”, diz.

Apesar da qualidade questionável de boa parte das instituições de ensino superior, a gerente de lanchonete Fernanda dos Santos, 30 anos, não pretende desistir de estudar. Atualmente no primeiro emprego formal, ela tem o ensino médio completo, mas pretende cursar administração para conseguir um trabalho melhor e se adaptar a um mercado cada vez mais exigente. “Hoje, boa parte dos empregadores só aceita quem tem nível superior”, constata.

15/07/2012 - 18:28h Dores do crescimento

15 de julho de 2012

Lee Siegel – O Estado de S.Paulo

Numa festa de fim de ano realizada no arborizado jardim dos fundos de um conhecido, caminhei na direção da professora de nosso filho de 5 anos no jardim da infância para agradecer a ela pelo bom trabalho e pela atenção dedicada ao longo do último ano. Ela sorriu e fez comentários simpáticos a respeito do nosso menino, e então balançou a cabeça, gentilmente. “Estou preocupada com o próximo ano dele, sr. Siegel”, disse ela. “Temo que ele esteja atrasado em relação às demais crianças.” Ela estava sugerindo implicitamente que ele fosse “deixado para trás” – ou seja, que repetisse um ano de jardim da infância em vez de avançar para o primeiro ano do ensino fundamental -, algo que a escola não pode fazer sem nossa permissão. Fiquei completamente exasperado.

Assim como os parceiros de um casamento que começa a dar sinais de desgaste deslocam para os filhos a ansiedade que envolve o relacionamento, os habitantes dos Estados Unidos – uma potência mundial que trilha o limiar da decadência – estão deslocando sua ansiedade em relação à sociedade para… as crianças. Em vez de dirigirem sua fúria contra os gananciosos banqueiros, especuladores imobiliários e outros que quase destruíram o país quatro anos atrás, especialistas e políticos têm travado uma guerra contra os professores das escolas públicas. E os administradores e professores das escolas públicas, com as costas contra a parede, têm exercido uma pressão tremenda sobre os alunos.

Afinal, se o país está se tornando mais avarento, mais desonesto, mais autocentrado e mais distraído, é impossível que a culpa seja dos reis e rainhas da política e da cultura. Claro que não. (Um jogador de beisebol dos Boston Red Sox recebeu recentemente um contrato anual no valor de US$ 14 milhões e queixou-se de ser tratado com desprezo, já que a oferta não foi de um contrato de 3 anos. Todos deram de ombros.) E os culpados não podem ser os pais, que já enfrentam dificuldades o bastante na tentativa de não sucumbirem à atmosfera geral de gratificação instantânea e se tornarem crianças eles mesmos. De jeito nenhum. Não, os culpados devem ser os professores.

O indiciamento do ensino público é um fenômeno estranho, levando-se em consideração que a acusação costuma ser feita por formadores de opinião que mandam seus próprios filhos para escolas particulares. Sob muitos aspectos, a guerra contra as escolas públicas é mais um sintoma da marginalização da classe média, já que a solução para a “crise” nas escolas públicas é a criação de escolas charter – que tiram dinheiro das escolas públicas. As escolas charter são instituições independentes (em geral, empresas cujo objetivo é o lucro) que aceitam recursos do governo, mas não são subordinadas às autoridades públicas. Em troca desta independência, as escolas charter prometem notas mais altas nos testes.

Como resultado da expansão das escolas charter, os pais de classe média que não têm a sorte de inscrever seus filhos numa escola charter são obrigados a pagar impostos prediais mais altos para compensar pelos recursos perdidos. Precisam também suportar escolas públicas com professores desmoralizados, instalações deterioradas e um grupo menor de estudantes brilhantes.

A guerra contra os professores das escolas públicas teve início em 2010 com o lançamento de Waiting for ‘Superman’, um documentário que execra o ensino público e mostra as escolas charter como a salvação. A heroína do filme é Michelle Rhee, que na época era chanceler das escolas públicas da capital americana, Washington. A própria Michelle tinha travado uma guerra contra o sistema público de ensino, instituindo a demissão em massa de professores e diretores, valendo-se quase exclusivamente dos testes padronizados para medir o progresso dos estudantes, e associando os salários dos professores aos resultados obtidos pelos alunos nos testes. Pouco tempo depois, ela foi acusada de manipular os resultados de testes, renunciando ao cargo. Mas a febre das escolas charter e sua sacralização dos testes padronizados continua, mesmo enquanto estudos respeitados mostram que os estudantes não obtêm resultados melhores nas escolas charter, apresentando até uma ocasional queda de rendimento.

O “ensino voltado para as provas” se tornou o espectro que assombra o ensino americano. Os alunos são ensinados a ler, a escrever e a fazer contas assim como os engenheiros aprendem hidráulica. Não existe mais espaço para os alunos cuja criatividade, intuição e empatia sejam mais fortes do que a mera inteligência formal. Se o ensino voltado para as provas tivesse sido o método universal de ensino desde o início da civilização ocidental, poetas e romancistas de Catulo a Dante, passando por Shakespeare e Kafka, nunca teriam saído do ensino fundamental. Toda a era romântica teria sido considerada produto do desenvolvimento retardado.

O efeito do reinado dos testes padronizados sobre os pais tem sido incalculável. Mães e pais já preocupados com o autismo, os pesticidas, a comida pouco saudável, as embalagens tóxicas, os brinquedos tóxicos, o papel das mulheres na sociedade – mães ou profissionais? – e os perigos e idiotices da internet têm agora algo para cristalizar sua ansiedade: a educação de seus filhos. Alguns pais ficam tão histéricos que optam por “deixar para trás” as crianças. Trata-se da prática de esperar um ano adicional antes de levar a criança para o jardim da infância na esperança de que o tempo extra dê a ela alguma vantagem competitiva. Assim, em questão de poucos anos, a média etária da criança americana no jardim da infância será de 32 anos. As pessoas chegarão à fase adulta em algum momento perto dos 50 anos. Pensando bem, hoje em dia, isto não parece muito distante da realidade.

Não culpo a professora de jardim da infância do nosso filho por querer que ele fique para trás, por mais que o garoto apresente nos testes resultados bons, mas não espetaculares, e apesar de seus talentos criativos serem óbvios. Ela é uma professora talentosa e decente que está sob imensa pressão para melhorar a nota média da escola nas provas, ao ponto de ser forçada a ensinar aos alunos do jardim da infância um conteúdo que está muito além do nível deles. O problema fundamental do ensino público americano não está nos professores, e sim no fato de o sistema de ensino ser administrado por pessoas que passaram a vida obtendo notas excelentes nos testes padronizados, mas que carecem de um mínimo de inteligência real – e de coração. Nos Estados Unidos de hoje, os adultos responsáveis precisam crescer, e as crianças das quais eles cuidam precisam parar de serem obrigadas a crescer rápido demais.

15/07/2012 - 18:15h Growing Up

15 de julho de 2012

Lee Siegel – O Estado de S. Paulo

At an end-of-year school party in someone’s leafy backyard, I sauntered over to our 5-year-old son’s kindergarten teacher to thank her for all her good and conscientious work over the past year. She smiled and said nice things about our boy and then softly shook her head. “I worry about him next year, Mr. Siegel,” she said. “I’m afraid he’s going to be behind the other kids.” She was implying that he should be “left back”-i.e repeat kindergarten instead of advancing to first grade-which is something that the school cannot do without our permission. I was exasperated beyond belief.

Just as the partners in a marriage that is starting to fail displace their anxiety about the marriage onto their children, people in America-a world power teetering on the edge of decline-are displacing their anxiety over society onto… the children. Instead of directing their rage against the greedy bankers, realtors and others who nearly destroyed the country four years ago, the pundits and the politicians have been waging a war against public school teachers. And the public school teachers and administrators, with their backs against the wall, have been exerting tremendous pressure on their students.

After all, if the country is becoming more avaricious, more dishonest, more self-centered, and more distracted, the fault cannot possibly lie with the kings and queens of politics and culture. Oh no. (A baseball player for the Boston Red Sox recently received a one-year contract for 14 million dollars and complained that he was being treated with contempt because he did not get a 3-year contract. Everyone shrugged.) Nor can the blame lie with the parents, who have a hard enough time trying not to succumb to the general atmosphere of instant gratification and become like children themselves. Of course not. No, the teachers must be the culprits.

The indictment of public education is a strange phenomenon, considering that it is usually made by opinion-writers and policymakers who send their own children to private school. In many ways, the war against public schools is yet another symptom of the marginalization of the middle class, since the solution to the “crisis” in public schools is to establish charter schools that take money away from public schools. Charter schools are independent institutions (often for-profit businesses) that accept public funds but which are not accountable to public authorities. In exchange for this independence, charter schools promise higher test scores.

As a result of the expansion of charter schools, middle-class parents who are not lucky enough to get their children into a charter school must not only pay higher property taxes to make up for the loss of funds. They also must endure public schools with demoralized teachers, deteriorating facilities, and a smaller pool of bright students.

The war on public school teachers began in 2010 with the release of “Waiting for Superman,” a documentary film that excoriates public education and holds up charter schools as a salvation. The hero of that film was Michelle Rhee, who at the time was chancellor of public schools in Washington D.C. Rhee herself had waged war on the public school system, instituting mass firings of teachers and principals, relying almost exclusively on standardized tests to measure students’ progress, and tying teachers’ salaries to students’ test scores. A short time later, she was accused of tampering with test scores and she resigned. Yet the craze for charter schools and their sacralization of standardized testing continues, even as respected studies show that students do no better in charter schools, and sometimes worse.

“Teaching to the test” has become the specter haunting American education. Students are taught reading, writing and math the way engineers are taught hydraulics. There is no room any more for kids whose creativity, intution, empathy is stronger than mere formal intelligence. If teaching to the test had been the universal method of education from the beginning of Western civilization, poets and novelists from Catullus to Dante to Shakespeare to Kafka would never have made it out of elementary school. The entire Romantic era would have been considered the product of retarded development.

The effect of the reign of standardized testing on parents has been incalculable. Mothers and fathers already worried about autism, pesticides, unhealthy food, toxic packaging, toxic toys, the role of women in society-mothers or professionals?-and the perils and stupidities of the internet now have something to crystallize their anxiety: their children’s education. Some parents are so hysterical that they”red-shirt” their children. That is the practice of waiting an extra year to start your child in kindergarten in hopes that the extra time will give him or her a competitive advantage. Thus in a few years, the average age of the American kindergartener will be 32. People will reach adulthood somewhere in their 50s. Come to think of it, these days, that sounds about right.

I don’t blame our son’s kindergarten teacher for wanting to leave him back, even though his test scores are good, but not stellar, and his creative talents are obvious. She is a fine and decent teacher who is under tremendous pressure to raise the school’s test scores, so much so that she is being forced to teach kindergartners at levels several years beyond them. The fundamental problem with American public education is not the teachers. The problem is that the education system is being run by people who have excelled at standardized tests all their lives, but who have no real intelligence-or heart. In America now, the adults in charge need to grow up, and the children in their care need to stop being forced to grow up too fast.

04/07/2012 - 10:14h Inclusão digital falha no Peru

VALOR

O programa “Um Laptop por Criança” no Peru, que distribuiu mais de 800 mil computadores nas escolas do país, está sendo alvo de críticas, cinco anos após seu lançamento. Despreparados, os professores mal conseguem manusear o equipamento, muito menos ensinar com ele. Há problemas com falhas mal resolvidas e a conexão com a internet com frequência não existe. Com isso, muitos questionam se valeu a pena gastar US$ 200 milhões em um dos programas mais ambiciosos desse gênero no mundo.

Karel Navarro/AP

04/06/2012 - 09:00h Mais latinos obtêm bolsas para estudar no exterior

Por Luis Garcia | The Wall Street Journal | Valor

O cearense Hilário Francelino, de 19 anos, tem estranhado o frio de Boston, mas está feliz fazendo algo que seus pais jamais sonhariam: estudar medicina numa das mais renomadas universidades do mundo, Harvard, com planos de voltar para melhorar as condições de saúde em sua terra natal.

Ele não está sozinho.

Uma nova geração de latino-americanos está engrossando o fluxo de estudantes que buscam cursos no exterior, em geral com ajuda de governos ou de instituições privadas que estão com mais dinheiro para investir na formação da mão de obra qualificada que está em alta demanda nas economias mais fortes da região.

“Minha maior vontade agora é ir para o interior, [para um lugar] que eu ainda não sei onde é, e tentar fazer uma mudança”, diz Francelino.

No fim do ano passado, o governo brasileiro lançou um programa para facilitar projetos de vida como esse.

O Ciência sem Fronteiras tem o objetivo de distribuir 75.000 bolsas até 2015 para cursos no exterior, desde graduação até pós-doutorado. Com um orçamento de R$ 3,2 bilhões, o programa pretende também atrair cientistas estrangeiros interessados em se fixar no Brasil. Outros países latino-americanos têm feito o mesmo, ou pensado em fazer.

A ideia do Ciência sem Fronteiras é colocar a universidade brasileira num “padrão internacional” e “formar gente qualificada para responder aos desafios que o país tem pela frente”, diz Márcio de Castro Silva Filho, diretor de relações internacionais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ou Capes – a agência do governo federal historicamente incumbida de expandir cursos de mestrado e doutorado e cuja missão foi ampliada em 2007 para incluir a formação de professores do ensino básico e a formação de pessoal qualificado no Brasil e no exterior.

Francelino não se beneficiou desse programa. Ele passou no Ceará pelo altamente criticado ensino público brasileiro, até conseguir uma bolsa do cursinho COC São Bernardo para ir estudar em São Bernardo do Campo, SP. Ele ingressou em medicina na USP em 2010. Depois de aprender inglês por conta própria, conseguiu através da USP duas bolsas oferecidas por instituições privadas para estudar nos Estados Unidos e ainda teve a ajuda de um professor, que pagou as passagens.

O Ciência sem Fronteiras prioriza as áreas exatas, como engenharia e ciências biológicas e agrárias, entre outras consideradas estratégicas pelo governo. “Imagina o que será a entrada deste grupo qualificado no mercado de trabalho”, diz Silva Filho.

A Capes fornecerá 40.000 das 75.000 bolsas do Ciência sem Fronteiras. As outras 35.000 virão do Conselho Nacional de Pesquisa Científica, o CNPq, órgão do governo voltado ao incentivo à pesquisa. Além dessas, cerca de 26.000 bolsas serão financiadas por empresas, segundo dados do programa. O Ciência sem Fronteiras enviou a partir de janeiro uma primeira leva de 650 bolsistas para pós-graduação nos EUA.

Em 2010, antes do Ciência sem Fronteiras, a França foi o país que recebeu o maior número de bolsistas da Capes (1.502), seguido dos EUA (1.023), Portugal (644) e Alemanha (452).

O número de estudantes brasileiros fazendo cursos em universidades nos EUA já vinha aumentando mesmo antes do Ciência sem Fronteiras, de acordo com uma pesquisa anual do Conselho de Escolas de Pró-Graduação dos EUA, conhecido como CGS. Mas ainda é um volume pequeno comparado com o de estudantes chineses nos EUA, por exemplo.

A pesquisa do CGS mostrou que o Brasil teve um aumento de 14% no número de inscrições em escolas de pós-graduação americanas entre 2011 e 2012, atrás da China (18%) e do México (17%), mas acima da alta total de estudantes internacionais, que foi de 9%. Números absolutos não são divulgados. Responderam à pesquisa 242 das 500 instituições que são membros do CGS.

Foi o aumento das inscrições dos países da América Latina que motivou a inclusão de Brasil e México na pesquisa deste ano, pela primeira vez, diz Debra W. Stewart, presidente do CGS. “Temos todas as razões para acreditar que o número de inscrições do Brasil continuará crescendo.”

Claro que ainda é cedo para saber se o estudo no exterior financiado pelo governo suprirá a demanda por trabalhadores qualificados no Brasil. Alguns críticos do Ciência sem Fronteiras têm dito, entre outras coisas, que o programa não é abrangente o bastante. Já os seus defensores destacam os benefícios de um passo inicial. “Esse é o primeiro movimento de um grande ato”, diz Silva Filho.

Em Harvard, Francelino pode testemunhar em favor das vantagens de sair da terra natal para estudar.

“Eu estou fazendo coisas práticas no meio dos PhDs de Harvard, o que dá uma visão científica da medicina”, diz o jovem de Várzea Grande, cujos pais, um eletricista e uma diarista, não ganham juntos R$ 2.000 por mês, segundo ele.

Francelino está morando com uma família americana em Boston, onde estava 2 graus negativos quando ele chegou à cidade em janeiro, no frio nordeste americano.

Apesar da temperatura, Francelino diz que gosta dos EUA – mas seus planos não estão lá. “Esse é um lugar muito bom. Tudo é muito bom. Mas ele não precisa de mim. Meu país e algumas regiões dele precisam mais.”

(Colaborou Carlota Fluxá.)

02/06/2012 - 09:11h Em 5 anos, só 0,9% dos matriculados em cursos de ponta da USP são negros

02 de junho de 2012

PAULO SALDAÑA, OCIMARA BALMANT – O Estado de S.Paulo

Em cinco anos, os cursos de Medicina, Direito e Engenharia da Universidade de São Paulo (USP) – considerados de ponta – matricularam 77 alunos pretos. O número refere-se a 0,9% dos matriculados nas carreiras entre 2005 e 2011. Os dados de 2012 não estão disponíveis no site da Fuvest e a universidade não os forneceu. Preto é a terminologia usada pelo IBGE e pela USP para a cor da pele.

Anteontem, a Faculdade de Direito aprovou recomendação para que a USP adote o sistema de cotas raciais. A decisão será encaminhada ao Conselho Universitário, instância máxima da USP, a quem caberá discutir a adoção da medida. O conselho é, tradicionalmente, contrário à ideia de cotas. A USP entende que o sistema de bônus do Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp), voltado a alunos de escola pública, independentemente da cor da pele, já atende as demandas por inclusão. O Inclusp foi adotado a partir de 2007.

Em 2012, a universidade matriculou 28% de alunos vindos de escolas públicas. No ano anterior, esse índice foi de 26%. Somente nos três cursos citados, 12% dos alunos matriculados em 2011 participaram do Inclusp.

A proporção de pretos e pardos, que em geral constituem os beneficiados das cotas, foi em 2011 de 13,4% – dos quais, 2,8% se declararam pretos. A proporção de 2011 é bem maior do que a registrada dez anos antes, por exemplo, mas ainda não reflete o perfil da população do Estado de São Paulo, que tem 34,6% de pretos e pardos. No Brasil, são 50,7%. Os resultados da USP ainda estão longe das reivindicações do movimento negro.

Pouco. O diretor da ONG Educafro, frei David Raimundo dos Santos, ressalta que o sucesso do programa de inclusão da USP tem de se refletir nos cursos mais tradicionais. “Se a USP consegue com o Inclusp colocar pretos em Medicina e Direito, nos demais também terá inclusão.”

Ao olhar para esses cursos, a situação é gritante. Desde 2006, apenas 12 alunos pretos entraram no curso de Medicina da USP. O melhor resultado foi em 2009 e 2007, quando cinco pretos conseguiram ser aprovados.

Em 2011 e 2010, nenhum aluno preto passou pela peneira do vestibular da Fuvest para Medicina. Os pardos responderam por 6,7% das matrículas em 2011.

Nas carreiras de Direito e Engenharia na Escola Politécnica, a situação é um pouco mais favorável. No Largo São Francisco, cuja congregação recomenda as cotas, apenas três pretos se matricularam em 2011. Somados os 40 pardos, a unidade alcança 7,6% de alunos com esse perfil, bem abaixo da média da USP.

Na Poli, os oito pretos que se matricularam em 2011 representam a maior proporção de público desse perfil desde 2006. Somando ao pardos, o índice foi de 7,1% na seleção de 2011.

De acordo com o diretor da Poli, José Roberto Cardoso, é remota a chance de a unidade debater as cotas, a exemplo do que ocorreu no Direito. “Nunca houve nenhum movimento para esse debate. O mérito para nós é fundamental, estamos muito satisfeitos com o Inclusp”, diz ele. “Temos estudantes negros, evidentemente são poucos. Mas não é culpa da Escola Politécnica. A inclusão não depende de cor, depende de ser de escola pública.”

Para o professor Elder Garnes, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a ausência de mudança no perfil dos alunos, mesmo após o Inclusp, mostra que o sistema de inclusão não favoreceu a entrada do negro. “A USP sempre foi contra as cotas. É só ver que o Inclusp não serviu para incluir esse grupo”, afirma ele, membro da diretoria do sindicato de docentes (Adusp).

A reportagem procurou a Faculdade de Medicina, mas o diretor não foi encontrado. A reitoria informou que não seria possível entrevistar o reitor João Grandino Rodas sobre o tema.

22/05/2012 - 09:07h Brasileiro é mais feliz que ricos, diz pesquisa

Por Assis Moreira | VALOR

De Paris

O brasileiro é mais feliz do que as pessoas que vivem nos países ricos, apesar de o país se situar apenas na 32ª posição entre 36 no “Índice para Viver Melhor”, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Brasil fica atrás de todos os países desenvolvidos no índice, somando 11 indicadores com o mesmo peso, indo de renda a emprego, satisfação de vida e segurança, para capturar a diversidade da sociedade e as prioridades de cada um.

No entanto, no que é mais comparável, o Brasil fica na frente de Rússia, Turquia, México e China. “O Brasil está relativamente bem, há uma melhor dimensão de bem-estar no país”, diz Romina Boarini, assessora da OCDE.

A entidade anunciará hoje a entrada do Brasil no índice, lançado no ano passado, e pelo qual espera ajudar cada cidadão a avaliar e comparar a sua própria qualidade de vida, por meio de instrumentos que vão além das tradicionais estatísticas do Produto Interno Bruto. Sem surpresa, a Dinamarca e o Canadá lideram o ranking.

Quando perguntados se estavam satisfeitos com sua vida, numa escala de zero a dez, a resposta dos brasileiros foi de 6,8 na média, ante 6,5% no caso de pessoas de países ricos.

Um indicador que reflete a satisfação dos brasileiros é o vínculo social. Mais de 91% acham que podem contar com os amigos em caso de necessidade, ante 82% no México e 90% nos países ricos.

Os brasileiros dizem ser bem integrados socialmente. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com maior número de homicídios entre os 36 pesquisados. São 36 mortes por 100 mil habitantes, em comparação com a média de 2,1 na OCDE.

Também o número de agressões físicas declaradas no ano precedente da pesquisa é grande, de 9,4% dos consultados, só atrás do México, com 11%. Na OCDE, o percentual foi de 4%. A esperança de vida no Brasil, de 73 anos, é inferior à dos países da OCDE, de 80 anos, em média.

Por outro lado, o Brasil destaca-se na participação no mercado de trabalho, com mais de 68% da população entre 15 e 64 anos empregados, em comparação com 66% nos países ricos. A diferença é que 80% dos homens e 56% das mulheres trabalham. Nos ricos, a taxa é de 70% e 66%, respectivamente.

Na harmonia entre trabalho e vida privada o quadro é outro: 12,5% dos brasileiros pesquisados dizem trabalhar mais de 50 horas por semana, em comparação com 9,5% na média da OCDE.

A renda do brasileiro melhorou, mas em termos de paridade de poder de compra fica ainda em US$ 2 mil per capita, enquanto quem mora num país rico recebe, em média, US$ 22 mil. O número de residências sem equipamentos sanitários é seis vezes maior nos países ricos do que no Brasil.

No Brasil, 41% das pessoas dizem ter estudado até o segundo grau, em comparação com 74% nos países desenvolvidos. O índice mostra também, conforme Romina Boarini, que os brasileiros estudam cada vez mais, reduzindo um atraso histórico. “O índice não traz um ranking único, depende de cada utilizador usar os indicadores que acha importantes”, diz ela.

27/04/2012 - 09:00h Supremo decide, com unanimidade, a favor das cotas raciais

Todos os dez ministros votaram favoravelmente às cotas

O Globo

BRASÍLIA – Todos os 10 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram favoravelmente à política de cotas raciais para ingresso na Universidade de Brasília (UnB). O ministro Luiz Fux, o primeiro a votar nesta sessão, afirmou que a reserva de 20% das vagas para negros no vestibular é uma forma de “remediar desvantagens impostas por minorias em razões de preconceitos passados”. Foi o segundo voto no julgamento de uma ação proposta pelo DEM contra a medida. O julgamento começou na quarta-feira, com o voto do relator, Ricardo Lewandowski, no mesmo sentido. O ministro Dias Toffoli não participará do julgamento porque está impedido. Quando ele era advogado-geral da União, deu parecer sobre o assunto.

- Uma coisa é vedar a discriminação; outra coisa é implementar políticas que levem à integração social e étnica do afro-descendente diante dessas ações afirmativas, principalmente dessa integração social acadêmica – disse Fux.

O ministro ressaltou para um “paradoxo do sistema” segundo o qual “só chega na universidade pública quem estudou em escola privada”. Para ele, não há uma resposta plausível para essa injustiça.

- A opressão racial dos anos da sociedade escravocrata brasileira deixou cicatrizes que se refletem na diferenciação dos afro-descendentes. A injustiça do sistema é absolutamente intolerável – continuou. – A constituição de uma sociedade justa e solidária impõe a toda a coletividade a reparação danos pretéritos perpetrados por nossos antepassados, adimplindo obrigações jurídicas.

No meio do voto de Fux, um indígena que estava presente à sessão interrompeu o ministro. Isso porque o julgamento é sobre a política de cotas raciais em sua totalidade, e não de partes da regra. Segundo a ação do DEM, são destinadas 20% das vagas dos vestibulares para negros, e há um processo separado para seleção de indígenas, que levam 10 vagas por semestre. Ou seja, eles não fazem vestibular.

O presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, alertou que ele não poderia se manifestar.

- Se prosseguir, vou mandar os senhores te retirarem à força. Por favor, fiquem e vamos assistir ao julgamento – disse o presidente. Diante da insistência, Ayres Britto interrompeu a sessão por um minuto para que os seguranças o retirassem à força.

- A democracia às vezes tem seus momentos que as vezes ultrapassam a dose, mas faz parte da nossa Casa – lamentou Fux.

Ministra Rosa Weber também votou a favor das cotas

No discurso de seu voto, favorável às cotas, a ministra Rosa Weber afirmou que a liberdade e a igualdade devem andar juntas, e que se não há igualdade, a adoção de políticas compensatórias é necessária.

- Se os negros não chegam à universidade por óbvio não compartilham com igualdade de condições das mesmas chances dos brancos. Se a quantidade de brancos e negros fosse equilibrada poderia se dizer que o fator cor não é relevante. Não parece razoável reduzir a desigualdade social brasileira ao critério econômico – afirmou.

- Quando o negro se tornar visível nas altas esferas sociedade, política compensatória alguma será necessária. As cotas não ferem o critério do mérito. Os concorrentes às vagas de cotista devem passar por uma nota de corte, de forma que está presente também o critério do mérito – concluiu Rosa Weber.

Cármen Lúcia: Ações afirmativas são um processo

A terceira a votar na sessão desta quinta, a ministra Cármen Lúcia afirmou que a melhor opção não seria a adoção de políticas afirmativas, mas sim a igualdade de todos em uma sociedade. Ela votou a favor das cotas.

- Para ser igual e livre é preciso respeitar as diferenças, mas não fazer das diferenças algo que possa ferir nossa dignidade. As ações afirmativas não são as melhores opções, a melhor opção é uma sociedade com todo mundo livre para ser o que quiser. Isso é um processo, uma etapa, uma necessidade em uma sociedade onde isso não aconteceu naturalmente. Me parece que as políticas compensatórias devem ser acompanhadas de outras. Na minha experiência de professora, aqueles que tiveram essa oportunidade delas se valeram -afirmou em seu voto.

“É natural que ações afirmativas atraiam resistência”, diz Joaquim Barbosa

Único ministro negro da Corte, Joaquim Barbosa, votou a favor das cotas. Ele apontou que a contrariedade dos grupos que se beneficiam da discriminação às cotas é natural, e disse que nações desenvolvidas devem ter políticas inclusivas.

- Aos esforços de uns em prol da concretização da igualdade que contraponham os interesses de outros na manutenção do status quo, é natural que as ações afirmativas sofram o influxo dessas forças contrapostas e atraiam resistência da parte daqueles que historicamente se beneficiam da discriminação de que são vítimas os grupos minoritários.

Para Cézar Peluso, as pessoas dependem de oportunidades

O ministro Cézar Peluso também votou a favor das cotas. Para ele, as pessoas devem ter oportunidades, que serão importantes na construção de quem elas serão no futuro.

- O que as pessoas são e fazem dependem das oportunidades e das experiências que elas tiveram para se constituir como pessoa.(avaliar pelo ) mérito é justo apenas em relação aos candidatos que tiveram a mesma oportunidade, não é possível usar o mesmo critério para quem no passado não teve as mesmas oportunidades.

Segundo Gilmar Mendes, o modelo da UnB tem virtudes e defeitos

Mesmo seguindo o voto do relator, o ministro Gilmar Mendes alertou para uma eventual futura inconstitucionalidade do modelo da UnB (Universidade de Brasília), que não leva em conta, por exemplo, critérios sociais.

- Tenho muitas dúvidas em relação ao critério puramente racial. Aqui, não se contempla, permite-se uma possível distorção. Essa distorção precisa ser realmente enfocada. O modelo da UnB padece desse vício, podendo gerar distorções e perversões. Esse é um modelo que está sendo experimentado, cujas distorções vão se revelando no seu fazimento, e que reclama aperfeiçoamento.

Marco Aurélio Mello é o oitavo voto a favor

O oitavo ministro a votar, Marco Aurélio Mello afirmou que como há diferença social entre negros e brancos na sociedade, é possível apontar quem deve ser favorecido pelas cotas.

- Falta a percepção de que não se pode falar em Constituição Federal sem levar em conta acima de tudo a igualdade. Precisamos saldar essa dívida, do tocante a alcançar-se a igualdade. As autoridades públicas vão se pautar por critérios razoavelmente objetivos (para definir os beneficiados pelas cotas). Se somos capazes de produzir estatísticas sobre a posição do negro na sociedade e se é evidente a situação (desfavorável) do negro no mercado de trabalho, e não podemos negar isso, parece possível indicar aqueles que devem ser favorecidos pela política inclusiva.

Ações afirmativas protegem igualdade de discriminação, diz Celso de Mello

O ministro Celso de Mello, que votou a favor das cotas, destacou que a adoção desse instrumento é uma forma compensatória para garantir o direito à igualdade.

- Os deveres que emanam desses instrumentos (cotas) impõem a execução responsável e consequente dos compromissos assumidos em relação a todas as pessoas, mas principalmente aos grupos vulneráveis, que sofrem a perversidade da discriminação em razão de sua origem étnica ou racial. As ações afirmativas são instrumentos compensatórios para concretizar o direito da pessoa de ter sua igualdade protegida contra práticas de discriminação étnico-racial. Uma sociedade que tolera práticas discriminatórias não pode qualificar-se como democrática – disse.

Ayres Britto: Igualdade é valor constitucional para proteger os desfavorecidos

O último a votar, o ministro Carlos Ayres Britto, destacpu em seu voto que é preciso proteger os desfavorecidos, buscando o valor constitucional da igualdade para todos.

- Quem não sofre preconceito pela cor da pele já leva uma imensa vantagem, já é beneficiário, não desfruta de uma situação desfavorecida imbricada a outros. Aquele que sofre preconceito racial internaliza a ideia inconscientemente de que a sociedade o vê como um desigual por baixo. A igualdade só foi proclamada como valor constitucional para proteger os desfavorecidos. Os brancos, em matéria de discriminação, nunca precisaram de Constituição. Os heterossexuais nunca precisaram de Constituição.

O ministro afirmou que o preconceituoso é um “aproveitador”, que tira proveito do preconceito:

- O preconceituoso não é só um obtuso do ponto de vista lógico, ele é um obscuro do ponto de vista do crescimento interior, da solidariedade humana, da espiritualidade. Ele é um hedonista, um utilitarista um aproveitador. Ele tira vantagem econômica e social do preconceito. Por isso, o preconceito se mantém durante tanto tempo. É preciso que haja um plus da política pública promocional. É preciso que haja uma política pública diferenciada no âmbito das próprias políticas públicas. Não basta proteger. É preciso promover, elevar, fazer com que os segmentos ascenda.

Por unanimidade, STF decide a favor das cotas

Resultado vale para universidades que quiserem adotar reservas raciais

Supremo define ainda que instituições devem observar princípio da proporcionalidade, além de fixar prazos

FELIPE SELIGMAN E NÁDIA GUERLENDA – FOLHA SP

DE BRASÍLIA

As cotas raciais em universidades brasileiras são constitucionais, decidiram ontem, por unanimidade, ministros do Supremo Tribunal Federal.

Depois de dois dias de julgamento, prevaleceu a tese de que a reserva de vagas em instituições de ensino público busca a chamada “igualdade material”: a criação de oportunidades para quem não as tem em situações normais.

Ao final do julgamento, o relator do caso, Ricardo Lewandowski, disse que o STF “confirmou a constitucionalidade das ações afirmativas para grupos marginalizados como um todo”. Ou seja, cotas sociais, por exemplo, também são constitucionais. A decisão, segundo ele, vale para todo o ensino público.

“A partir desta decisão, o Brasil tem mais um motivo para se olhar no espelho da história e não corar de vergonha”, disse o presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto.

O placar unânime do julgamento surpreendeu até mesmo integrantes do movimento negro, que não esperavam votos favoráveis dos dez ministros que se manifestaram sobre a questão.

“Ninguém achava que a gente ia ganhar por unanimidade”, afirmou Ivair Augusto dos Anjos, diretor do Centro de Convivência Negra da UnB. Ele considerou o debate no STF “profundo” e disse ter ficado bem impressionado com o relatório “muito técnico” de Lewandowski.

Só o ministro José Antonio Dias Toffoli não participou dos debates, pois atuou no caso quando era advogado-geral da União do governo Lula.

A decisão foi motivada por uma ação proposta pelo DEM contra o sistema de cotas adotado pela UnB (Universidade de Brasília) desde 2004, que reserva 20% de suas vagas para autodeclarados negros e pardos. Também oferece outras 20 vagas por ano para índios, cujo processo de seleção é distinto do vestibular.

A decisão ressaltou a necessidade de haver “proporcionalidade e razoabilidade” na quantia de vagas e de prazos para as cotas, que devem durar o tempo necessário para corrigir as distorções sociais que pretendem solucionar.

“É melhor ter uma sociedade na qual todo mundo seja igualmente livre para ser o que quiser. Cotas são uma etapa na sociedade onde isso não acontece naturalmente”, disse a ministra Cármen Lúcia.

Único negro do STF, o ministro Joaquim Barbosa disse que a discriminação racial no Brasil é cultural, “do tipo que as pessoas não percebem”.

Na semana que vem serão julgadas duas outras ações que tratam do tema cotas.

Colaborou FLÁVIA FOREQUE


Sistema de cotas é constitucional

Por Bárbara Pombo | VALOR

De Brasília

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) declararam que a reserva de vagas para negros nas universidades é constitucional. Durante o julgamento que durou quase seis horas, 10 dos 11 ministros entenderam que o sistema de cotas está de acordo com a Constituição Federal para corrigir uma desigualdade racial histórica no Brasil. “A opressão racial dos anos de escravatura deixou cicatrizes que se refletem no campo da escolaridade”, afirmou o ministro Luiz Fux. Apenas o ministro Dias Tofolli não votou, pois estava impedido.

O entendimento foi de que a sistemática de admissão não viola os princípios da igualdade ou de mérito de cada um. Segundo a ministra Rosa Weber, o Estado precisa intervir para igualar as oportunidades entre os grupos. “Quando houver equilíbrio, o sistema não será mais necessário”, disse. A ministra Cármen Lúcia foi no mesmo sentido. Para ela, a igualdade só é possível a partir de uma equiparação de chances de acesso à educação. De acordo com Joaquim Barbosa, único ministro negro do Supremo, a concretização da igualdade se contrapõe aos interesses de outros grupos na manutenção do status quo, ou seja, na permanência de hierarquia social.

Com isso, todos seguiram o entendento do relator, Ricardo Lewandowski. No julgamento iniciado na quarta-feira, Lewandowski considerou que a sistemática de admissão é justificada pelo ganho real da comunidade. “Sempre há perda, mas o ganho social deve ser observado.” O ministro destacou ainda que as políticas afirmativas precisam ser transitórias e aplicadas até que a população negra tenha conseguido acesso à universidade e que o ambiente acadêmico tenha se tornado plural.

O ministro Gilmar Mendes, contudo, reforçou que a política deve ser aperfeiçoada para não se tornar inconstitucional. Além disso, defendeu o estabelecimento de critérios socioeconômicos para a seleção dos cotistas. Apesar de votar a favor, o ministro Cezar Peluso afirmou que preferiria que o critério racial fosse aliado ao social na política de cotas.

O caso foi analisado a partir de uma Arguição de Preceito Fundamental (ADPF) ajuizada pelo DEM contra a política adotada pela Universidade de Brasília (Unb). Desde 2004, a instituição reserva 20% de suas vagas a afrodescedentes.

Cotas raciais são consideradas constitucionais por unanimidade no STF

Dos 11 ministros, somente dez participam do julgamento; todos votaram pela constitucionalidade das cotas
26 de abril de 2012

Agência Brasil – O Estado SP

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quinta-feira, 26, por unanimidade, que a reserva de vagas em universidades públicas com base no sistema de cotas raciais é constitucional. Durante dois dias de julgamento, os ministros analisaram a ação ajuizada pelo partido Democratas (DEM), em 2009, contra esse sistema na Universidade de Brasília (UnB).

O último ministro a se manifestar, o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, disse que a política compensatória é justificada pela Constituição. Para ele, os erros de uma geração podem ser revistos pela geração seguinte. “O preconceito é histórico. Quem não sofre preconceito de cor já leva uma enorme vantagem, significa desfrutar de uma situação favorecida negada a outros”, explicou Britto.

Nove ministros acompanharam o voto do relator, Ricardo Lewandowski. O ministro Antônio Dias Toffoli se declarou impedido de votar, porque quando era advogado-geral da União posicionou-se a favor da reserva de vagas. Por isso, dos 11 ministros do STF, somente dez participam do julgamento.

Para o ministro Celso de Mello, as ações afirmativas estão em conformidade com a Constituição e com as declarações internacionais às quais o Brasil aderiu. De acordo com a ministra Cármen Lúcia, as políticas compensatórias garantem a possibilidade de que todos se sintam iguais. “As ações afirmativas não são as melhores opções. A melhor opção é ter uma sociedade na qual todo mundo seja livre para ser o que quiser. Isso é uma etapa, um processo, uma necessidade em uma sociedade onde isso não aconteceu naturalmente”, disse a ministra.

Gilmar Mendes fez ressalvas sobre o modelo adotado pela UnB. Para ele, é necessária a revisão desse modelo, pois ele pode tender à inconstitucionalidade posteriormente. “Todos podemos imaginar as distorções eventualmente involuntárias e eventuais de caráter voluntário a partir desse tribunal [racial da UnB], que opera com quase nenhuma transparência”, argumentou Mendes.

Para o DEM, esse tipo de política de ação afirmativa viola diversos preceitos fundamentais garantidos na Constituição. O partido justificou que vão ocorrer “danos irreparáveis se a matrícula se basear em cotas raciais, a partir de critérios dissimulados, inconstitucionais e pretensiosos”, pois fica caracterizada “ofensa aos estudantes preteridos”.

A UnB foi a primeira universidade federal a instituir o sistema de cotas, em junho de 2004. Atos administrativos e normativos determinaram a reserva de 20% do total das vagas oferecidas pela instituição a candidatos negros (entre pretos e pardos).

A ação afirmativa faz parte do Plano de Metas para Integração Social, Étnica e Racial da UnB e foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. No primeiro vestibular, o sistema de cotas foi responsável pela aprovação de 18,6% dos candidatos. A eles, foram destinados 20% do total de vagas de cada curso oferecido. A comissão que implementou as cotas para negros foi a mesma que firmou o convênio entre a UnB e a Fundação Nacional do Índio (Funai), de 12 de março de 2004.

Durante o julgamento, dois índios foram expulsos do plenário da Corte por atrapalhar a sessão durante o voto do ministro Luiz Fux. Os índios Araju Sepeti Guarani e Carlos Pankararu, que iniciaram a manifestação, foram imobilizados e retirados à força por um grupo de seguranças do Tribunal. Os índios criticaram o fato de só o sistema de cotas raciais estar em julgamento.

27/04/2012 - 02:24h Mesmo com economia fraca, renda real tem forte avanço

Por Arícia Martins | VALOR

De São Paulo

Apesar da redução no ritmo de crescimento da economia, a renda real dos trabalhadores continua crescendo vigorosamente e será fator decisivo para uma recuperação robusta nos próximos meses. Em março, avançou 1,6% sobre fevereiro e 5,6% em relação ao mesmo mês de 2011. A demanda aquecida ainda empurra para o alto os preços dos serviços, que sobem há bastante tempo acima da inflação e podem exercer pressão de alta no futuro sobre os índices bem comportados do último trimestre. A inflação de serviços continua por volta dos 9%.

A renda média real nas seis principais regiões metropolitanas do país alcançou R$ 1.728,40 em março, a mais alta da série histórica iniciada pelo IBGE em 2002. Para economistas, o forte crescimento da renda real em março não reflete apenas o aumento de 14% do salário mínimo, mas também um cenário ainda favorável aos reajustes, que não estão sendo inibidos pela ameaça de perda do emprego.

Os setores com maior ganho de renda também são aqueles com menor desemprego. Na construção civil, a renda real subiu 9,2% e nos serviços domésticos, 8,4%. No segmento “outros serviços” – no qual têm peso relevante serviços pessoais – a renda saltou 9,7%, maior variação entre os sete ramos pesquisados.

Nesses três segmentos da economia, diz Fabio Romão, da LCA Consultores, o salário mínimo tem alto poder de indexação, mas, sobretudo na construção e nos serviços domésticos, a escassez de mão de obra é o que impulsiona a renda. “O poder de barganha do trabalhador está muito forte”, afirma Fernanda Consorte, economista do Santander. Mesmo que o primeiro trimestre não concentre grande número de negociações salariais, os reajustes concedidos no início do ano superaram a inflação. Em sua projeção, a renda real dos trabalhadores vai crescer 6,5% no ano, mais que o dobro de 2011.

Fabio Ramos, da Quest Investimentos, revisou de 2,5% para 4,5% sua estimativa para o aumento dos salários reais em 2012. Neste momento, diz o economista, o maior poder de compra está se transformando em consumo de bens semiduráveis e não duráveis – como alimentos e vestuário – devido ao endividamento do consumidor. Na segunda metade do ano, ele prevê maior expansão do crédito, que irá acelerar também as vendas de duráveis e o ritmo da atividade econômica. Em relatório, a equipe econômica do HSBC aponta que o “impressionante crescimento dos salários reais ainda evidencia os riscos de inflação”.

Salário em serviços sobe 10% acima da inflação

A renda real dos trabalhadores cresceu forte em março – 1,6% sobre fevereiro e 5,6% sobre igual mês de 2011. O resultado veio acima do esperado e reforçou preocupações quanto à inflação, mas deve ajudar o consumo. Para economistas consultados pelo Valor, o forte crescimento da renda real em março não reflete apenas o aumento de 14% do mínimo, mas principalmente uma conjuntura ainda favorável a reajustes salariais robustos, cenário que deve se manter ao longo do ano e ajudar na recuperação da atividade econômica. Por outro lado, ponderam eles, a demanda aquecida seguirá como fator de pressão sobre a inflação de serviços – setor que puxou a escalada dos rendimentos.

Na passagem de fevereiro para março, o rendimento médio real nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu 1,6%, maior aumento mensal desde julho de 2011. Ele atingiu R$ 1.728,40, valor mais alto para todos os meses da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), iniciada em 2002.

Na comparação com março do ano passado, o avanço foi ainda mais intenso, de 5,6%, influenciado por serviços e construção civil. No segmento outros serviços – no qual têm peso relevante serviços pessoais – a renda saltou 9,7%, maior variação entre os sete ramos de atividade pesquisados, seguido de perto pela construção (9,2%) e serviços domésticos (8,4).

Nesses três ramos da economia, explica Fabio Romão, da LCA Consultores, o mínimo tem um alto poder de indexação, mas, especialmente na construção e nos serviços domésticos, a escassez de mão de obra é o que está turbinando os ganhos dos profissionais. “O setor da construção civil é o pior dos mundos para quem está pagando. Falta mão de obra treinada em um setor muito dinâmico”, diz. Nos serviços pessoais, acrescenta o economista, a procura continua firme, sustentada pela renda crescente, o que também acaba por melhorar os rendimentos. ” Em alguns casos, esses serviços nem sentiram a desaceleração da atividade.”

Os setores com maior ganho de renda no último ano também são aqueles com menor taxa de desemprego. Na construção, a taxa de desemprego passou de 3,7% para 3,1% entre março do ano passado e março deste ano, enquanto para o emprego doméstico a taxa está hoje em 2,5%, e para trabalhadores em serviços ela é de 3,2%.

Na indústria, que atravessa um momento de estagnação, a alta anual da renda é um pouco maior, de 5,5%, mas na comparação com fevereiro, a alta é de apenas 0,2% (bem inferior à média de 1,6%). Romão não vê o ganho anual como tendência, já que a produção segue andando de lado. Em março, segundo o IBGE, o número de ocupados nas fábricas ans seis regiões metropolitanas cresceu 1,9% sobre igual mês de 2011, acima da média de 1,6%.

“O poder de barganha do trabalhador está muito alto”, afirma Fernanda Consorte, economista do Santander. Apesar deste primeiro trimestre não concentrar um grande número de negociações salariais, diz a analista, os reajustes já concedidos no começo do ano acompanhados por ela superaram a inflação. Em sua projeção, a renda real dos trabalhadores vai crescer 6,5% este ano, mais que o dobro do ano passado, com do mínimo.

A LCA estima que o ganho real dos trabalhadores vai crescer 3,8% em 2012, um ponto percentual acima do observado em 2011. O aumento do mínimo tem papel importante nesse cenário, avalia Romão, assim como a perda de fôlego da inflação, que, além de impulsionar o poder de compra, facilita as negociações salariais.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado como base para corrigir os salários, acumulou alta de 4,97% nos 12 meses encerrados em março e vem recuando desde setembro de 2011, quando atingiu seu pico de 7,3%. “Quanto menor a inflação acumulada em 12 meses, maiores são as possibilidades de se obter ganho real”, diz Romão, para quem a própria taxa de desemprego baixa joga a favor dos trabalhadores.

A desocupação subiu de 5,7% para 6,2% entre fevereiro e março, mas, para os economistas, ainda é muito baixa, o que abre espaço para reajustes salariais maiores. A taxa de desemprego ainda é a menor para os meses de março desde 2002. Parte do aumento do desemprego entre fevereiro e março decorreu do aumento do contingente que decidiu procurar emprego – no mês, 156 mil pessoas entraram na População Economicamente Ativa (PEA), dos quais 35 mil conseguiram uma ocupação e os demais aumentaram o número de desempregados.

Para Rafael Bacciotti, da Tendências, o aumento do mínimo, concedido em janeiro, pode ter surtido impacto maior na renda apenas em março. “O efeito do reajuste do mínimo pode ter alguma defasagem, entrando tanto no começo, como no fim do trimestre, dependendo da forma como são negociados os salários, formal ou informalmente”, explica.

Após conhecer os dados de março, Fabio Ramos, da Quest Investimentos, revisou de 2,5% para 4,5% sua estimativa para o aumento dos salários reais em 2012. Neste momento, observa Ramos, o poder de compra maior está se transformando em consumo de bens semi e não duráveis – como alimentos e vestuário, por exemplo – devido ao alto endividamento do consumidor. Na segunda metade do ano, porém, está no radar do analista um crescimento maior do crédito, que irá acelerar as vendas de duráveis e, consequentemente, o ritmo da atividade econômica.

Segundo Romão, da LCA, a trajetória de alta da renda deve ajudar a “tirar as pessoas de uma situação complicada” em uma conjuntura da inadimplência ainda elevada, e, em um segundo momento, incentivar o consumo. “Isso reforça nossa projeção de aceleração do PIB [Produto Interno Bruto] na segunda metade do ano”, diz.

Se, por um lado, o aumento real da renda estimula a atividade, não dá refresco à inflação de serviços, que continua rodando na casa dos 9% em 12 meses. Mesmo com um primeiro trimestre tranquilo para o IPCA, diz Ramos, da Quest, “não há tentação nenhuma” em revisar projeções de inflação para baixo devido à resiliência dos serviços.

Em relatório, a equipe econômica do HSBC aponta que o “impressionante crescimento dos salários reais ainda evidencia os riscos de inflação alimentada por salários no Brasil” e, ao mesmo tempo, deve seguir sustentando a expansão da demanda doméstica.


Priscila Cruz: “A família se dá conta que educação é importante para a manutenção na classe média e até para subir de classe”

Renda faz família trocar escola pública pela privada

As escolas públicas brasileiras, principalmente nos níveis fundamental e médio, estão perdendo espaço para os colégios particulares. Nos últimos dez anos, a educação básica municipal, estadual e federal, perdeu um total de 4,834 milhões de estudantes, enquanto o ensino privado ganhou 1,090 milhão de matrículas.

De acordo com levantamento feito pelo Valor, na média calculada de 2002 a 2011 o setor público perdeu 480 mil matrículas por ano e o mercado educacional privado arrebanhou cerca de 110 mil novos alunos anualmente. Especialistas em educação arriscam várias hipóteses para explicar o ocorrido.

Uma das análises mais plausíveis é o crescimento econômico do país associado ao aumento da renda, o que estimula famílias que ascenderam socialmente a tirar seus filhos da escola pública e colocá-los na particular.

Para Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos pela Educação, a nova classe média brasileira cria um movimento de migração na educação. “É uma nova fronteira de classe. Há um consumo maior, a família compra um carro, passa a comer mais fora. Depois disso passa a aspirar mais coisas, como o ensino particular. Ela se dá conta que educação é importante para a manutenção na classe média e até para subir de classe”, avalia.

Em dez anos, os maiores movimentos de aumento de matrículas nas escolas particulares e de perda exponencial de alunos nas públicas coincidem com os anos em que a economia brasileira mais cresceu. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou acima de 6% de 2007 para 2008, período em que os colégios privados matricularam 700 mil alunos e os públicos perderam cerca de 500 mil. Em 2010, quando o PIB cresceu 7,5%, a maior alta em 24 anos, o país registrou 400 mil novas matrículas no ensino privado e quase 1 milhão de baixas nas escolas públicas.

O economista Naercio Menezes Filho, coordenador da área de políticas públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), afirma que os números refletem “uma lógica natural”: “O fato é que se a família tem ganho de renda prefere matricular o filho na escola privada. É a preferência revelada, escolhe porque acha melhor.”

Embora a mais recente Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, referente a 2008 e 2009, aponte redução da participação dos gastos com educação nas despesas mensais médias das famílias brasileiras, Menezes Filho pondera que é preciso isolar algumas variáveis para verificar exatamente os aumentos por grupos de despesas. “A família que gasta zero com educação interefere na média final, sem falar que a média é composta por outras variáveis. Se uma família gasta mais com alimentação e transporte do que com educação, isso acaba concorrendo com as despesas de ensino na média.”

Além do fator econômico, a questão demográfica explica parte da perda de matrículas – em 2002, estavam matriculados 54,7 milhões de alunos até o ensino médio, número que caiu para 50,9 milhões em 2011, considerando escolas públicas e privadas. O IBGE projeta queda de 20% da população de 6 a 14 anos até 2022. Outro fator que explica a perda de matrículas no setor público é a correção do fluxo escolar, com menos crianças na escola com distorção de idade, informa o Ministério da Educação (MEC), no documento “Resumo Técnico do Censo Escolar da Educação Básica 2011″, divulgado nesta semana.

Por outro lado, a percepção de que a qualidade do ensino público não vai bem pode influenciar migrações. Mas essa percepção pode ser um mito, diz Priscila. “É importante sinalizar que boa parte dos colégios privados tem resultado de escola pública. O que vemos é um novo mercado crescendo e é importante o governo ficar de olho, afinar a regulação.”

O economista Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann, pondera que seria importante conhecer a realidade socioeconômica dos alunos antes de tirar qualquer conclusão. “As pessoas das classes C e D provavelmente estão indo para escolas privadas não tão boas. Mas, sem dúvida, esse aumento reflete uma maior importância da pauta educação no Brasil.”

10/04/2012 - 10:58h Perú es el líder en lectura de periódicos en América Latina

Más por necesidad que por placer. Aun así, el Perú ha llegado a liderar la lectoría de diarios en la región.

GESTIÓN

Los peruanos son quienes más leen periódicos en la región latinoamericana. Asimismo, los chilenos lideran la lectoría de revistas. En cualquier caso se lee poco y más por necesidad que por gusto.

Así lo dio a conocer el Centro Regional para el Fomento del Libro en América Latina y el Caribe (CERLALC) en su estudio comparativo sobre el comportamiento del lector y los hábitos de lectura, que abarca a Argentina, Brasil, Colombia, Chile, México y Perú, además de España, que sirve como referente de un país desarrollado.

Así, el Perú con un índice del 71 , en lectura de periódico está cerca a España (78), pero muy separado de los otros países, pues su seguidor inmediato es Chile con el 36%, mientras que en México solo el 15% de la población dice leer periódicos.

Los motivos más aducidos para la lectura en América Latina son la actualización cultural y los conocimientos generales, así como las exigencias académicas, escolares o laborales. Mientras que en España, se dedican más a la lectura por placer.

Libros
El estudio de CERLALC también reveló que en los índices de lectura de libros, Argentina está a la cabeza con el 55%, seguido de Chile (51%), Brasil (46%), Colombia (45%), Perú (35%) y México (20%). En España el índice es del 61 %.

Eso significa que, en promedio, el 41% de la población de todos esos países lee libros, con una frecuencia que va de al menos una vez al mes hasta una vez al año.

Chile y Argentina encabezan la lista de cantidad de libros leídos al año por habitante, con 5.4 y 4.6, respectivamente, frente a los 10.3 de España, mientras que México y Colombia, con 2.9 y 2.2, están en la parte más baja de la
escala.

Un brasileño lee en promedio cuatro libros al año, y de estos, solo 2.1 son leídos en su totalidad.

En lo que se refiere a revistas, es Chile el país con más lectores, 47% de la población dice leerlas con frecuencia, un punto porcentual más que en España (46%).

En el otro extremo de la escala está Colombia, con solo 26% de lectores de revistas.

CIFRAS Y DATOS
Brasil está compuesto por 50% de lectores y 50% de no lectores.

La razón más aducida para no leer es la falta de tiempo, con un porcentaje que va desde el 53% de Brasil hasta el 28% de Chile.

La forma mayoritaria de acceso a los libros en América Latina es comprándolos, igual que en España.

En el Perú solo el 23% de la población puede comprar un libro. En Colombia el 31% los pide prestados.

10/04/2012

19/03/2012 - 08:57h No governo Dilma, educação é questão de Estado, diz Mercadante

Aloizio Mercadante: “O Enem é necessário a um sistema republicano e democrático de meritocracia do estudante”


Por Rosângela Bittar e João Villaverde | VALOR

De Brasília

Nesta semana o ministro Aloizio Mercadante completa dois meses à frente do MEC. Mas já tem não só uma visão global dos desafios que precisará enfrentar, dos equívocos administrativos que urge remodelar, das correções de rumo em programas que têm sérios problemas de execução, como já visitou, por todo o Brasil, obras e realizações da sua área. O projeto do governo Dilma supõe a educação como uma questão de Estado, à qual serão dados instrumentos e condições para promover o crescimento do país, é como define o ministro.

Nele, destacam-se programas como o Ciência Sem Fronteiras, de bolsas para estudantes brasileiros em instituições estrangeiras, que está sendo agora ampliado. São também instrumentos de qualificação iniciativas como o aperfeiçoamento do exame de avaliação Enem e a fixação do piso salarial do magistério.

Sobre o piso, apesar dos protestos de governadores e prefeitos que acreditam não ter como pagar o piso de R$ 1.451 sem ultrapassar o limite de gastos com pessoal da lei de responsabilidade fiscal, o ministro diz que o professor não pode ser punido pela falta de reformas da previdência nos Estados, e que o piso tem que continuar crescendo. Estuda uma política de reajuste automático, em conjunto com uma comissão do Congresso.

“Custa caro o piso? Custa, mas a ignorância custa mais”, afirmou Mercadante nesta entrevista, na quinta-feira, em seu gabinete. O ministro fará apenas correções no Enem, não mudanças radicais, e o exame continuará sendo nacional e não regional como querem alguns especialistas: “O sarrafo republicano tem que ser igual para todos.”

Mercadante defende, como absolutamente adequado a esse projeto, que os recursos do pré-sal sejam para a educação. “Ou vamos aplicar esses recursos na estratégia, ou dispersar isso na máquina pública e nos acomodar nesse parasitismo. Nosso projeto é que a educação passe a ser central.”

E diante de todo um histórico de manipulação político-partidária desse assunto, faz uma declaração veemente: “O MEC tem que ser despartidarizado, tem que ser política de Estado. Enquanto eu estiver ministro não estarei envolvido em nenhum debate político, partidário e ideológico.”

Valor: Há 4 milhões de crianças fora da escola, o ensino tem baixa qualidade em todos os níveis e o Brasil está no piso do ranking mundial nessa área. Qual política será capaz de aproximar a educação do projeto de crescimento do país?

“Enquanto for ministro não estarei envolvido em nenhum debate político, partidário e ideológico”

Mercadante: Não basta ser um país rico, ou mesmo rico sem pobreza. O país não pode se acomodar em ser grande exportador de commodities. O Brasil precisa se preparar para a economia do conhecimento, e não seremos competitivos sem inovação, ciência e tecnologia. O Brasil, especialmente com o pré-sal, pode dar o salto estratégico nesse sentido. Ou simplesmente se acomodar com a doença holandesa e agravar as deficiências históricas. Ou vamos aplicar esses recursos na estratégia, ou dispersar isso na máquina pública e nos acomodar nesse parasitismo. Nosso projeto é que a educação passe a ser central. Pela primeira vez o tema da ciência, da tecnologia, da inovação, está no Plano Plurianual.

Valor: A disputa político-partidária polarizada não é destrutiva para instrumentos fundamentais do desenvolvimento, como a política de educação?

Mercadante: O Ministério da Educação é de política de Estado. O governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, trouxe muitos avanços. A universalização do ensino básico, o Fundef (fundo de valorização do magistério) para financiamento, os mecanismos de avaliação do ensino, que depois o Lula transformou no Fundeb, ao incluir o ensino pré-escolar e médio. Além disso, expandiu a rede universitária, fez um grande programa, o Bolsa Família, com exigência de manter crianças na escola, expandiu os institutos federais de ensino técnico. O MEC tem que ser despartidarizado, com relações republicanas, com metas comuns, e com complementariedade com Estados e municípios. A concorrência entre os entes federativos é muito mais uma disputa política eleitoral do que qualquer outra questão racional. Enquanto eu estiver ministro não estarei envolvido em nenhum debate político, partidário e ideológico.

Valor: A expansão do ensino superior no governo Lula parece não ter ocorrido como era a intenção e o crescimento se deu mais na rede privada. As universidades novas têm campus inacabados, abandonados, os alunos não se interessam muito. Estariam assim no interior de Pernambuco, do Ceará, de São Paulo…

Mercadante: Não é verdade. No mundo inteiro o ensino privado é predominante. Demos um salto extraordinário no ensino superior, não só de inserção no ensino privado, através do ProUni e do financiamento subsidiado do Fies. A rede pública universitária melhorou a relação professor-aluno e houve uma desconcentração. O Nordeste tem 27% da população brasileira, mas até alguns anos atrás apenas 1,9% dos nordestinos eram estudantes no ensino superior, percentual que conseguimos elevar para quase 10%. O Proinfra, que é uma parceria entre a Finep e a Capes, faz grandes investimentos nessa expansão. Essa política deu certo. O vestibular da Universidade do ABC é um dos mais concorridos, e como tem foco em engenharia, os alunos chegam com problemas em matemática, em física, há dificuldades de acompanhamento.

” O programa Ciência Sem Fronteira vai incluir parcerias com Japão, Coreia do Sul, Suécia e Holanda”

Valor: A baixa oferta de engenheiros não é prejudicial ao projeto de crescimento?

Mercadante: Há um problema geral na engenharia que acaba atingindo também matemática e física. No Brasil formamos apenas seis engenheiros para cada mil habitantes, enquanto no Japão são 40. Temos um programa de estímulo à universidade. Temos também déficit de cursos de medicina. Nossa oferta de médicos e engenheiros é muito aquém do necessário. Enquanto isso há oferta muito grande na área de direito, administração, enfermagem e pedagogia, que são 41% das inscrições nas universidades. O foco do programa Ciência Sem Fronteiras é justamente nesses grandes desafios para o desenvolvimento do Brasil: áreas tecnológicas, ciências médicas, física, química e matemática.

Valor: Há planos de ampliação do Sem Fronteiras, programa que inova a política educacional no governo Dilma?

Mercadante: Fechamos na semana passada 20 mil novas bolsas para estudantes brasileiros irem a universidades nos Estados Unidos. Tivemos já dois editais pelo Ciência Sem Fronteira, e no segundo foram mais de 20 milhões de acessos ao portal. O critério de acesso é ter no mínimo 600 pontos no Enem. Ao todo, já temos 546 bolsas para doutorado de quatro anos, 922 bolsas de doutorado de um ano, 629 bolsas de pós-doutorado e 5.783 bolsas para graduação de um ano, porque não queremos graduação plena, queremos que esse estudante volte depois de um ano. Hoje o programa abarca intercâmbios acadêmicos para EUA, Alemanha, França, Reino Unido e Itália. O terceiro edital sairá ainda neste mês e vai incluir parcerias com universidades do Japão, Coreia do Sul, Suécia e Holanda.

Valor: A valorização da carreira e a remuneração digna dos professores, em todos os níveis, especialmente o básico, sempre foram considerados requisitos para uma educação de qualidade. Os governadores, inclusive do PT, reagem à política do piso salarial. Dizem que ou pagam o piso, ou cumprem a Lei de Responsabilidade Fiscal que tem um teto para gasto com pessoal. Como vencer o impasse?

Mercadante: O piso nacional dos professores é essencial para que tenhamos uma educação de qualidade no médio prazo. Se quisermos bons profissionais no setor então precisamos ser competitivos do ponto de vista salarial. Nós precisamos e vamos fazer o piso continuar crescendo em termos reais nos próximos anos. Mas é evidente que um reajuste como o deste ano, de 22,2%, é muito forte, não podemos dizer que não é. É um reajuste do Congresso, eu apenas cumpri a lei que o Congresso aprovou. Mas era fundamental que nesses dois, três primeiros anos déssemos um empurrão no piso para começar a estabilizar a carreira.

Valor: Vai continuar crescendo?

Mercadante: Mesmo com esse reajuste, o piso, de R$ 1.451, é pouco mais de dois salários mínimos, ainda é pouco. O Congresso está criando uma comissão para pensar uma regra de reajuste para o futuro, de forma a atrair os melhores profissionais, porque precisamos fazer o piso continuar crescendo em termos reais.

Valor: Com uma política de reajuste automático como a do salário mínimo?

Mercadante: É, o salário mínimo, por muito tempo, tinha muita tensão, precisava um reajuste forte e o governo segurava. Com o mecanismo PIB mais inflação, esse ano injetamos R$ 27 bilhões a mais na economia devido ao novo salário mínimo. Mas tem havido um crescimento sustentado do salário mínimo, que melhorou a distribuição de renda, os índices de desigualdade social, e diziam que a economia não ia absorver, e a economia absorveu. Custa caro o piso do professor? Custa. Mas a ignorância custa muito mais.

Valor: E a alegação de que se o governador pagar o piso rompe o limite do gasto com pessoal, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal?

Mercadante: Tem que analisar situações específicas. Em alguns Estados, mais da metade da folha de pagamentos é de aposentados e pensionistas. Então o problema não é o piso dos professores, mas a equação geral da remuneração e a relação entre aposentados e pensionistas. Ou seja, de reformas que não estão sendo feitas.

Valor: Como enfrentar esses desafios com os recursos orçamentários que a educação tem hoje?

Mercadante: A minha prioridade são os royalties do pré-sal. Em vez de pulverizar os recursos na máquina pública, vamos vincular prefeituras, Estados e União para impulsionar a educação.

Valor: A indústria registra altas taxas de rotatividade, fala-se em importação de mão de obra, e se defende criticando a baixa qualificação dos trabalhadores, o que amplia os custos de produção. Como o seu projeto no MEC pode participar da solução?

Mercadante: Temos 1,9 milhão de trabalhadores com carteira assinada na indústria de transformação que são analfabetos funcionais. Estamos fazendo um esforço enorme com o Pronatec, por meio da ampliação de bolsas para Sesi, Senai e redes federais. Além disso, o Fies também pode ser acessado pelas empresas. Ou seja, a companhia financia o estudo e o aprimoramento de seu trabalhador a custo subsidiado pelo Estado. Estamos dando instrumento novo para as empresas, que antes reclamavam que o custo para a bolsa de estudos do trabalhador era coberto com capital de giro. Mas é verdade que indústria tem problemas, ainda que as condições tenham melhorado muito com o dólar a R$ 1,80, com juros de um dígito, e vão melhorar mais com o grande esforço do governo para elevar a infraestrutura do país, com o PAC, além do mercado interno forte, que funciona como âncora.

Valor: Não há uma contradição entre a necessidade de formar mão de obra e o descredenciamento de instituições de excelência que faziam esse trabalho, como a fundação Dom Cabral e o Hospital Sírio-Libanês?

Mercadante: Para oferecer cursos de pós-graduação é preciso ser uma instituição educacional, que passa pela fiscalização e supervisão de educadores e técnicos. O critério foi esse. Mas queremos que haja a constituição de cursos, de instituições de ensino dentro de centros de excelência, claro. Estamos brigando para que hospitais de primeira linha como o Sírio-Libanês, Einstein, e outros, abram seus cursos de medicina, estamos com déficit de médicos.

Valor: O Exame de Ensino Médio (Enem), mecanismo de avaliação importante da política educacional, teve problemas na sua execução nos últimos três anos. Desde administrativos e policiais até de conteúdo e estratégia de aplicação da prova. Que solução o sr. dará a isso?

Mercadante: O Enem é estratégico. Os EUA têm um exame similar há 85 anos. Outros países como Alemanha, Itália, Inglaterra e China também têm. Na China já teve problema, inclusive com a prisão de 65 pessoas. Nos EUA deu problema no ano passado. A primeira dificuldade que temos no Brasil é logística, uma vez que falamos de 5,4 milhões de estudantes que precisam estar no mesmo horário com a prova em mãos. Temos de percorrer 309 mil km, 9,7 mil rotas, levando quase uma tonelada de papel, 71 batalhões do Exército, mais PM e Exército, para garantir o sucesso do Enem. O Senado fez prova de concurso nesta semana com instituição de excelência, com 10 mil provas, e mesmo assim, devido a problemas de logística, algumas provas atrasaram para chegar nos lugares certos. No último Enem não tivemos nenhum problema logístico. Estamos construindo uma experiência, já que o Enem é muito novo, e estamos desenvolvendo um método.

Valor: E o conteúdo da prova?

Mercadante: Tem que ser nacional, o sarrafo republicano tem que ser igual a todos. Como escolho aluno para o Ciência Sem Fronteiras? Pelo Enem. Como escolho os alunos para o ProUni? Pelo Enem. Como escolho os melhores para as melhores universidades? Pelo Enem. Com o Enem a chance passou a ser igual, do filho do reitor ao filho da faxineira. O Enem é necessário a um sistema republicano e democrático de meritocracia do estudante. Estamos tomando medidas para aperfeiçoar o exame.

Valor: Quais medidas estão encaminhadas?

Mercadante: Até agora são dois examinadores para cada redação, e se a nota entre eles registrar uma diferença de 300 pontos, a redação é encaminhada a um terceiro examinador. Estamos concluindo a revisão desse processo, mas devemos alterar para um modelo que reduz a diferença a 200 pontos. Se a diferença de nota entre dois avaliadores for superior a 200 pontos, a redação vai a uma banca de três examinadores. O Inep, que executa a prova, tem novo presidente, vamos fortalecer o Inep. Mas nada disso altera o Enem para os estudantes.

Valor: O ensino médio, sempre esquecido, entra de que forma no novo projeto?

Mercadante: O ensino médio é um setor nevrálgico. Temos hoje 83% estudantes matriculados, mas apenas metade (50,9%) estão na idade certa para a série em que estão. Além disso, temos uma evasão muito alta, de 10%, que se explica pelo mercado de trabalho aquecido, o que atrai esses jovens para o trabalho e não para a escola. Por fim os professores e as escolas não estão conseguindo atrair o jovem no ensino médio. Queremos incluir 2 mil escolas, neste ano, no ensino médio profissionalizante, expandindo o Pronatec. A segunda iniciativa é o tablet para o professor. O professor ainda é um imigrante digital, enquanto o aluno é um nativo digital. O quadro negro é do século XVIII. E o Brasil é o terceiro país onde mais se vende computador no mundo.

Valor: Entre seus novos projetos para o ensino médio e básico há uma reviravolta na educação no campo, certo?

Mercadante: Vamos lançar ainda neste mês o programa Pronacampo, que é fundamental para resolver uma dívida histórica do país. Só 18,4% dos alunos no campo estão na escola. Vamos levar carretas às escolas, com óculos e exames. O equivalente a 11 mil escolas, ou 15% do total, não têm luz, 10,4% não têm água, 14% não têm esgoto, 94% não têm banda larga, e 90% não têm internet. Primeira providência: todo o material didático será do universo rural, queremos criar uma bibliografia que estimule a permanência no campo. Outro problema é o transporte. A partir deste ano vamos distribuir 8 mil ônibus para facilitar o transporte de alunos e criar escolas com alojamento para professores e alunos. Fizemos uma parceria com a Embrapa para saber qual é o tipo de estrutura em cada região para desenhar o ensino profissionalizante. Temos que estudar as cadeias produtivas para isso.

Valor: No ensino básico ainda há analfabetos e milhões fora da escola. Como resolver?

Mercadante: Vamos tornar menos desigual o ensino na faixa de alfabetização, isto é, das crianças de seis a oito anos. No Paraná apenas 4,9% das crianças não se alfabetizaram quando completam oito ano, enquanto que em Alagoas são 35%. No Nordeste e Norte em geral são acima de 20%. Se não alfabetizarmos na idade certa, a evasão no ensino médio está colocada. Vamos fazer duas avaliações: uma aos sete anos, de forma a ter ainda um ano para corrigir se for preciso, e outra aos oito anos.

16/03/2012 - 10:59h ‘Economist’: Programa de bolsas é ousada tentativa de estimular avanço do Brasil

Revista cita o projeto Ciência sem Fronteiras, de intercâmbio estudantil no exterior, como forma de preparar mão de obra qualificada no longo prazo.

16 de março de 2012

BBC – Agência Estado

O programa Ciência sem Fronteiras, que prevê a entrega de milhares de bolsas de estudo para que brasileiros se capacitem no exterior, foi qualificado pela revista britânica The Economist como a “mais ousada tentativa do Brasil de estimular seu crescimento econômico”.

Lançado em 2011, em parceria dos ministérios da Ciência e da Educação, o projeto tem como meta formar alunos de graduação e pós-graduação em países como Alemanha, EUA e Reino Unido, para torná-los, nas palavras do governo federal, “competitivos em relação à tecnologia e inovação”.

“Até o final de 2015, mais de 100 mil brasileiros (oficialmente, o governo brasileiro diz que serão 75 mil) terão passado cerca de um ano no exterior nas melhores universidades do mundo, estudando temas como biotecnologia, oceanologia e engenharia de petróleo, que o governo considera essenciais para o futuro do país”, escreveu a Economist em sua edição que chegou às bancas nesta sexta-feira. “Isso custará R$ 3 bilhões, sendo um quarto disso pago por empresas e o resto, pelo dinheiro dos impostos.”

A revista cita autoridades defendendo que a melhoria na qualidade da mão de obra brasileira pode fazer “uma grande diferença” – ainda que no longo prazo – no fomento às taxas de crescimento da economia, atualmente menores que as de outros países do grupo Bric.

Além disso, brasileiros diplomados ganham, em média, 3,6 vezes mais do que os formados apenas no ensino médio, segundo a publicação britânica.

11/02/2012 - 10:21h Mercadante quer dar bônus para escola que alfabetizar aluno de até 8 anos


Beto Barata/AE – Para Mercadante, ensino médio é o maior nó
Para Mercadante, ensino médio é o maior nó - Beto Barata/AE

Em entrevista, Ministro da Educação também fala sobre mudanças para tornar o Enem mais seguro

Marta Salomon – O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – Há menos de duas semanas no cargo de ministro da Educação, Aloizio Mercadante chegou à conclusão de que a escola não está “interessante”. Isso explicaria parte do fato de 3,8 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos estarem fora da escola, segundo dados divulgados no início da semana pela ONG Todos pela Educação. Em entrevista ao Estado, o ministro anunciou que discute o pagamento de bônus para as escolas que alfabetizarem todos os alunos até 8 anos. Essa seria sua prioridade na pasta.

Para evitar que a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sob seu comando não se transforme em nova crise, Mercadante disse que trabalha para aumentar o banco de questões da prova, atualmente com cerca de 6 mil questões – um décimo do mantido nos EUA. Para ele, ainda há risco logístico na prova. A seguir, a entrevista:

O sr. assumiu o cargo anunciando a distribuição de tablets para professores do ensino médio. Mas como pretende cumprir o compromisso assumido pela presidente Dilma Rousseff na campanha de erradicar o analfabetismo? Quase 10% dos jovens e adultos não sabem ler nem escrever um bilhete simples.

A leitura, a redação e as primeiras contas são um direito civilizatório. É um objetivo que estamos perseguindo já há algum tempo e tardiamente, porque o País está muito atrasado no processo educacional. Nossa prioridade vai ser alfabetizar na idade certa, ou seja, reverter essa tendência do analfabetismo funcional.

É muito mais inteligente resolver na idade certa que fazer programa de recuperação depois. E muitas dessas crianças, que vão seguindo sem ler ou escrever, vão abandonar a escola. Estamos concluindo um programa amplo, focando dos 6 aos 8 anos. Precisamos de um programa que motive as prefeituras para colocar os melhores professores nas salas de aulas, que haja bônus nesse processo para o desempenho da escola e um processo de monitoramento, com avaliação pedagógica.

Como vai ser o bônus?

Bônus para as escolas que atinjam os resultados. É um tema que estamos amadurecendo. Se a escola consegue todas as crianças alfabetizadas na idade certa, temos de valorizar essa conquista. Tem de ser um grande esforço nacional.

E o que fazer com o estoque de analfabetos jovens e adultos que diminui lentamente, quase imune aos gastos do Programa Brasil Alfabetizado?

Também é muito importante que a criança frequente a pré-escola. E estamos com um problema. O governo antecipa o pagamento para as prefeituras, mas as creches estão demorando de dois anos a dois anos e meio para ficarem prontas. E o tempo das crianças é agora. Estamos acelerando uma pesquisa sobre novos meios construtivos, estrutura pré-moldadas, abrir opção para os prefeitos, com custo competitivo, fazer algum tipo de pregão eletrônico de serviços de engenharia. Se a gente resolver a entrada, com um programa pedagógico forte, não carregaremos essa herança que carregamos hoje.

Resta o jovem adulto analfabeto nas grandes metrópoles. Vai dar para tirar do papel a meta de erradicar o analfabetismo?

Temos de ser realistas: eleger prioridades e saber o que é uma herança muito antiga. É muito mais fácil construir um programa de alfabetização em parceria com indústria que no interior. A presidente tem uma forma de ver a questão das metas que eu compartilho. Ela diz que sempre precisamos estabelecer metas como quem lida com arco e flecha: mira um pouco mais acima para acertar o alvo. A meta assumida pelo governo em Dacar é chegarmos a 2015 com 6,7% de jovens e adultos analfabetos – temos 9,6%.

O Plano Nacional de Educação prevê a prova nacional de docentes. Isso vai esperar a votação do projeto no Congresso?

Vamos fazer neste ano, acho que a ideia está bem amadurecida. Pretendemos que essa prova ajude a motivar professores para trabalhar em municípios de baixo desempenho na educação e em áreas de risco. Seria uma oportunidade para atrair bons professores para essas áreas. É isso que vai mudar a qualidade da educação.

O sr. mudou o eixo do programa de inclusão digital nas escolas ao anunciar a distribuição de tablets para professores do ensino médio. O programa de distribuição de laptops a alunos foi abandonado, como sugere o estudo encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE)?

O Brasil é o terceiro país onde mais se vende computadores. Para a parcela da população mais pobre, a única opção de acesso verdadeiro é a escola. Não queremos um apartheid digital, como tivemos um apartheid educacional no passado. Tanto há uma demanda por inclusão digital que as lan houses da periferias estão entupidas de jovens, que entram nas redes sociais sem usar todo o potencial dos computadores. É indispensável que a escola se modernize. O arranjo social da escola e o quadro negro são do século 18, os professores, do século 20 e os alunos, do século 21. Nós, que somos do século 20, somos imigrantes digitais, viemos de uma cultura analógica. A reflexão internacional demonstra que o computador na escola deve começar pelo professor.

O ensino médio é o maior nó em termos de evasão escolar. Não dá para o Brasil se acomodar com uma manchete que diz que 3,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola. E estão fora da pré-escola e do ensino médio. De um lado, porque não alfabetizou plenamente. O aluno perde a motivação e a capacidade de acompanhar, porque a escola não está interessante e porque o mundo do trabalho está aquecido.

E como podemos reagir de forma rápida? Dando tablet para o professor e conteúdo para ele preparar as aulas.

Uma questão mais urgente: como o sr. pretende blindar a próxima edição do Enem de mais uma crise?

O Brasil precisa ter convicção de que nenhum país desenvolvido deixa de usar instrumento semelhante ao Enem. Os Estados Unidos têm há 85 anos um exame nacional. A China tem um exame que o aluno pode fazer uma única vez na vida. Alemanha, Itália, França e Grã-Bretanha têm prova uma vez por ano. O Enem é critério de meritocracia num Estado republicano, especialmente entre os mais pobres. Houve aprimoramento ao longo desses anos, como a superação de grandes desafios logísticos de uma prova para 5,4 milhões de alunos. O Brasil não tem culpa de ser tão grande. E há riscos na logística.

Mas como evitar mais uma edição problemática?

Precisamos de um banco com um volume grande de questões. Nos EUA, há mais de 100 mil questões. Eles podem fazer sete vezes por ano, porque seleciona na hora as questões. Quando tivermos banco amplo, o risco acabará. É tanta questão a que você teria de ter acesso que o único caminho é estudar. A segunda questão são as redações. Precisamos aprimorar o critério de correção, para que tenhamos mais segurança na avaliação, pois sempre há componente subjetivo. Essas são as duas frentes mais importantes em que estamos trabalhando.

31/01/2012 - 10:00h Planeta pré-sal


Petrobrás financia pesquisas em cinco universidades para reduzir a margem de erro na exploração de petróleo na costa brasileira

31 de janeiro de 2012

Leonardo Soares/AE

Os alunos da Poli Guilherme e Ana no TPN, laboratório financiado pela Galileu - Leonardo Soares/AE

Os alunos da Poli Guilherme e Ana no TPN, laboratório financiado pela Galileu


Carlos Lordelo, do Estadão.edu

Qual a melhor maneira de transportar o gás natural produzido nos campos do pré-sal para o continente? Como perfurar um poço de petróleo a sete quilômetros de profundidade sem que as brocas sejam danificadas? É possível garantir a estabilidade de tubulações em condições extremas de pressão?

Não se trata de questões de vestibular ou de provas de Engenharia. É que, antes de se lançar ao mar na atividade de exploração de petróleo e gás, a Petrobrás realiza milhares de simulações computacionais para responder a perguntas como essas. A avaliação de diferentes cenários permite à estatal reduzir a possibilidade de erros numa operação em que qualquer falha pode significar desastres ambientais e até mortes.

Nessa tentativa de planejar o futuro, a empresa conta com uma infraestrutura própria de pesquisas e também financia laboratórios de escolas de Engenharia do País. A iniciativa ganhou reforço em 2006 com a criação da Rede Galileu, um consórcio de faculdades conectado por um parque de computadores capaz de fazer 140 trilhões de operações por segundo (teraflops).

Só para fazer uma comparação, enquanto um cluster de 20 teraflops roda 30 mil simulações em três meses, um PC comum levaria pelo menos 15 anos.

Integram a rede USP, ITA, PUC-Rio e as Federais de Alagoas e do Rio de Janeiro. Ao todo, a Petrobrás repassou R$ 32 milhões para essas universidades construírem novas sedes para os laboratórios – até o momento, só ficaram prontas as da USP e da Ufal. A estatal investiu outros R$ 20 milhões na compra dos clusters e todos, exceto o do ITA, já estão em funcionamento.

Mais oito instituições completam o projeto como satélites e receberam R$ 21 milhões para efetuar melhorias na estrutura física.

Os dados que chegam aos laboratórios são coletados pelos funcionários de campo da Petrobrás. As simulações mais sofisticadas rodam nos clusters, enquanto os pesquisadores se reúnem em salas de visualização para checar a representação precisa dos diferentes cenários em programas de realidade virtual.

Estão à frente do projeto alunos da graduação ao pós-doutorado, sob a supervisão de professores. A remuneração desse pessoal varia: há desde bolsistas das próprias universidades até pesquisadores contratados pela estatal que recebem por meio de fundações de apoio. Sem contar o ITA, cujos laboratório e cluster ainda não foram entregues, a Petrobrás já destinou R$ 40 milhões para custear as pesquisas. Novos contratos devem ser assinados neste ano.

“A rede permite que se mobilize toda a capacidade da engenharia nacional com rapidez”, afirma Luiz Augusto Levy, gerente de Métodos Científicos do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobrás. Segundo ele, em termos de simulação computacional, o País está pronto para encarar os desafios da exploração do pré-sal.

O Cenpes é vizinho do principal nó da Galileu, o Instituto de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ, na Ilha do Fundão. Tradicional parceiro da Petrobrás, o Coppe opera o maior cluster do projeto, de 80 teraflops – os outros três aglomerados de computadores têm 20 teraflops cada. Até o fim do ano, os dois laboratórios do instituto financiados pela estatal deverão ser entregues.

Na PUC-Rio, onde há 50 anos foi instalado o primeiro supercomputador do Brasil, os benefícios de integrar a rede vão além das melhorias na infraestrutura. Segundo o professor Marcelo Gattass, responsável pelo cluster da universidade, desvelou-se um novo rumo para as pesquisas desenvolvidas na pós-graduação. “Os alunos passaram a ter uma formação mais próxima do que é usado na prática.”

Se no Rio o ponto forte das universidades é a simulação computacional, a USP se destaca na rede pelos trabalhos em Engenharia Oceânica. “A intenção da Petrobrás é que exista transferência de tecnologia entre os participantes da Galileu”, diz o professor da Poli Kazuo Nishimoto, coordenador do Tanque de Provas Numérico (TPN). O laboratório nasceu em 2002 com 100 metros quadrados e hoje, no novo prédio, ocupa um espaço 17 vezes maior.

A moderna sala de visualização do TPN chamou a atenção da aluna de Engenharia Mecânica Ana Grassi, de 22 anos, quando ela esteve no laboratório pela primeira vez. A convite de um professor, a estudante do 5.º ano da Poli faz estágio no local há um ano. “Trabalhar aqui foi bom porque descobri uma nova área, a naval, da qual acabei gostando bastante”, conta. No momento, ela está desenvolvendo um projeto que simula o transporte de etanol por um comboio de barcos pela Hidrovia Tietê-Paraná. Ana diz que vai usar o que aprendeu no estágio em seu TCC e pensa em fazer mestrado para aprofundar os conhecimentos no software que utiliza no TPN.

Já Guilherme Goraieb, de 22, não pretende seguir a carreira acadêmica. Aluno do 5.º ano de Engenharia Naval, ele quer aproveitar o aquecimento do mercado para se lançar consultor da indústria offshore. “No estágio, aprendi a trabalhar com softwares diferentes dos que usamos em sala de aula”, afirma o estudante, que faz iniciação científica no TPN desde julho. Guilherme já projetou 11 navios em 3D para avaliar a estabilidade deles em diversas condições de carregamento. “Quis a vaga por ser uma oportunidade de lidar com uma coisa prática e conhecer melhor a área.”

13/12/2011 - 17:30h A classe C cruza a fronteira

Programas de intercâmbio entram no radar de jovens das classes médias da população, às custas de algum sacrifício e muita ambição

Carlos Lordelo e Cedê Silva – Estadão.edu – O Estado SP

O garoto sorridente em Times Square na foto ao lado não é mais um brasileiro que aproveitou as férias de fim de ano para fazer compras em Nova York. Filho de taxista com dona de casa, Caio Allan dos Santos, de 17 anos, economizou o salário de auxiliar administrativo e, com ajuda do pai, chegou aos EUA há dez dias para estudar inglês. Foi o primeiro da casa a viajar de avião, o que, por si só, já é motivo de orgulho para uma típica família da classe C.


Arquivo Pessoal

De SP para NY: Caio quer trabalhar em multinacional - Arquivo Pessoal

De SP para NY: Caio quer trabalhar em multinacional


“Posso fazer outras mil viagens, mas não tem como esquecer desta. Até dos momentos burocráticos, como tirar visto”, diz Caio, que volta ao Brasil no dia 24. O estudante acaba de concluir o ensino médio em uma escola estadual da zona leste de São Paulo e passou no curso de Administração com ênfase em Comércio Exterior da Universidade São Judas.

Caio precisou convencer a mãe da importância do intercâmbio, já que, para ela, o investimento de R$ 8 mil era “absurdo”. “Falei que meu objetivo não era passear, mas estudar”, conta o garoto, aluno de um cursinho de inglês há três anos. Para ele, o intercâmbio pode ser um aliado no objetivo de “trabalhar numa multinacional.”

A possibilidade de fazer cursos no exterior começa a se tornar acessível para jovens de famílias com renda entre R$ 1.200,00 e R$ 5.174,00 (definição da Fundação Getulio Vargas para a classe C). Os motivos vão do real valorizado às facilidades de parcelamento.

Segundo Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, pesquisas mostram que, quando a família sobe da classe D para a C, os gastos com turismo triplicam, enquanto os com alimentação duplicam. “Mudar de classe implica mudar de aspirações. As pessoas da classe média usam o poder de compra para estudar no exterior, e não trabalhar, porque veem a educação como mecanismo de ascensão social.”

“A classe C está sentindo uma necessidade de qualificação e tem acesso ao crédito com muita facilidade. O programa de intercâmbio pode ser vendido em várias vezes sem juros”, diz Marcelo Albuquerque, diretor da IE Intercâmbio. Segundo ele, quando a agência abriu as portas, há 14 anos, as classes A e B representavam 80% do faturamento. Agora a liderança é da C, com 55%.

“Fiz intercâmbio nos anos 70, quando poucas pessoas tinham acesso. Meus pais fizeram um baita sacrifício: da minha turma só fui eu. Hoje 20 amigos do meu filho já fizeram alguma viagem desse tipo. Não tem mais números pequenos”, diz Maura Leão, presidente da Belta, entidade que reúne agências de intercâmbio do País. “A classe C tem mais acesso à informação, consegue se planejar. Tem servidor público mandando filho para o exterior.”

A funcionária pública baiana Márcia Brito Silva, de 53, guardou dinheiro por três anos para que o filho pudesse fazer intercâmbio em Toronto. “Quando contei para minha família que Matheus ia estudar no Canadá, ficaram encantados. Só duas primas tinham ido ao exterior, para a Disney.”

Matheus, hoje com 17, ficou fora do País de novembro do ano passado a fevereiro. Estuda inglês desde os 14 em um dos melhores cursinhos de Salvador, com bolsa integral, por ter se destacado na escola pública.

Matheus aproveitou para conhecer outras cidades; na foto, ele enfrenta o frio em Quebéc

“Tinha muita vontade de mandá-lo para um intercâmbio, mas aquilo parecia distante”, lembra Márcia. Soube que o investimento valeu a pena no dia em que falou por Skype com o filho e a família canadense que o abrigou. “Foi gratificante vê-lo intermediar a conversa, traduzindo. Eu só conseguia dizer ‘Thank you very much’ e ‘I love you’ para o pessoal.”

Matheus, claro, não cansa de agradecer à mãe. E também ao pai, pintor, que o ajudou mandando dinheiro para comprar roupas de frio. “Fui um adolescente e voltei um rapaz maduro e independente”, diz o estudante, que vai fazer cursinho e tentar vaga em Engenharia Civil na Federal da Bahia. “Depois que estiver trabalhando, vou aproveitar as férias para fazer outros intercâmbios.”

Trigêmeas

Para Santuza Bicalho, diretora executiva da agência STB, clientes com o perfil de Márcia ainda são exceção. “As pessoas dessa faixa de renda que fazem intercâmbio ou são muito organizadas, ou investiram na realização de um sonho.” Mas projeções da empresa indicam que a demanda das camadas médias por intercâmbio chegará com mais força ao mercado dentro de 3 a 5 anos. “Haverá um movimento natural de pessoas que primeiro vão consumir turismo e, depois, programas como cursos de idiomas de curta duração ou de trabalho no exterior.”

Santuza aposta no programa de Au Pair para atrair jovens da classe C. Nos Estados Unidos, essa modalidade, regulada pelo governo, é exclusiva para garotas de 18 a 26 anos, que trabalham como babás por um ano. Na STB, as interessadas pagam US$ 980, e recebem US$ 195,75 por semana de trabalho. Como moram com famílias, praticamente não têm gastos.

Em 2007, Vanessa Fernandez começou a fazer cursinho de inglês e soube pela professora do programa de au pair. Viu que cumpria parte dos pré-requisitos. Entre eles o de ter experiência comprovada com crianças. Vanessa foi babá aos 15 anos em Artur Alvim, zona leste de São Paulo, onde morava com a mãe, pensionista do INSS, e trabalhou numa escola infantil antes do último emprego aqui, em um call center.

Religiosa, Vanessa acredita que recebeu um “sinal” da hora de ir ao conhecer a história das crianças que desde janeiro deste ano estão sob seus cuidados, na Carolina do Norte. São trigêmeas nascidas na mesma data da morte do pai da brasileira. Vendeu o carro, investiu o dinheiro e só pretende resgatá-lo quando voltar ao Brasil, com o objetivo de fazer uma pós – ela é tecnóloga em Marketing.

Vanessa (em pé) com a host family; trigêmeas tinham 2 meses quando ela chegou aos EUA

A au pair chegou aos EUA a uma semana de completar 27 anos e elogia a host family, um engenheiro e uma conselheira escolar que têm outro filho, de 3 anos. “Meu horário de trabalho é das 7h30 às 16h30. Depois posso fazer o que eu quiser. Meu foco é estudar e aproveitar. Não vim guardar dinheiro.”

Vanessa fez vários pequenos cursos: de inglês como segunda língua (ESL), para melhoria do sotaque e um preparatório para o exame de proficiência Toefl. Nos 15 dias de férias aos quais as au pairs têm direito, viajou com babás brasileiras para cidades como Los Angeles e Washington e países como Bahamas e Porto Rico.

Vanessa pediu à agência que gerencia as babás nos EUA para trabalhar mais um ano, em outro Estado. Quer cuidar de crianças mais velhas, para ter mais contato com a língua. E fazer cursos livres de marketing, negócios ou inglês em universidades. “Achava que intercâmbio não era para mim. Mas fiz um investimento pequeno para aprender conhecer outra cultura, viajar e amadurecer.”

13/12/2011 - 17:00h Setor privado vai financiar 26 mil bolsistas no exterior

Por Fernando Exman | VALOR

De Brasília

Após meses de negociações, o governo federal conseguiu mobilizar o empresariado para impulsionar o programa Ciência Sem Fronteiras. Autoridades do Executivo esperam que hoje, em cerimônia a ser realizada no Palácio do Planalto, representantes de empresas dos mais diversos setores anunciem ajuda financeira de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para bancar 26 mil bolsistas brasileiros no exterior até o fim de 2014.

Em julho, quando foi lançado, o programa previa que o governo bancaria 75 mil bolsas e a iniciativa privada outras 25 mil. Mas, na avaliação da presidente Dilma Rousseff, a ajuda dos empresários -que agora deve superar o estimado inicialmente – estava demorando a sair. Para mudar esse cenário, Dilma pediu à ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e aos ministros da Educação e da Ciência e Tecnologia que cobrassem o apoio do empresariado.

Até ontem, o governo federal previa a adesão ao Ciência Sem Fronteiras da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), além da Petrobras, Eletrobras e Vale. A operacionalização do programa ficará sob a responsabilidade da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O objetivo do programa é qualificar profissionais nas áreas de exatas e outras ciências aplicadas, como engenharia, física, química, biologia, geociências, biomedicina, computação e tecnologia da informação, tecnologia aeroespacial, fármacos, produção agrícola sustentável, petróleo, gás e carvão mineral, energias renováveis, tecnologia mineral, biotecnologia, nanotecnologia, tecnologias de prevenção e mitigação de desastres naturais, ciências do mar e indústria criativa.

Serão oferecidas bolsas a estudantes de graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado, pesquisadores e também para a formação de tecnólogos.

As metas da Capes e do CNPq já foram definidas, de acordo com o calendário do programa. Ligada ao Ministério da Educação, a Capes oferecerá 3,4 mil bolsas neste ano. A previsão para 2012, 2013 e 2014 é de, respectivamente, 10,2 mil, 12,2 mil e 14, 2 mil bolsas. Já o CNPq, órgão subordinado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, oferecerá 3.890 bolsas neste ano, 6.140 em 2012, 10.230 em 2013 e 14.740 bolsas em 2014.

Nos últimos meses, enquanto a Casa Civil, os ministérios da Educação e Ciência e Tecnologia e até mesmo a presidente Dilma pressionavam os empresários, Capes e CNPq articulavam, com diplomatas e representantes de universidades estrangeiras, parcerias para tirar o Ciência Sem Fronteiras do papel. Até agora, estavam mais avançadas as conversas com instituições dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Canadá.

No mês passado, integrantes da cúpula da Capes se reuniram com representantes da Academia Chinesa de Engenharia, do Instituto Chinês de Ciência e Tecnologia, professores de universidades chinesas e empresários do setor de tecnologia sobre o programa.

06/12/2011 - 09:05h Pesquisa: estudantes tiveram notas melhores com transferência de renda


Especialista vai sugerir que Família Carioca beneficie também os órfãos

Carolina Benevides – O GLOBO

RIO – Lançado em dezembro de 2010, o programa de transferência de renda Família Carioca, que beneficia 421 mil pessoas (18% da população do município do Rio), sendo 108 mil alunos da rede municipal de educação, virou objeto de pesquisa na Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo “Programa Família Carioca: visão geral e impactos monetários & impactos de incentivos sobre a vida escolar”, realizado pelo pesquisador Marcelo Neri, aponta os erros e acertos do programa.

— O Família Carioca usa o cadastro único do Bolsa Família e, por isso, os beneficiados são aqueles que já recebem dinheiro do governo federal. No entanto, trabalha de maneira diferente: demanda frequência escolar de 90%, avalia os alunos a cada dois meses e oferece um prêmio extra aos que têm boas notas em português, matemática e ciências, e aos que melhoram suas médias. Também obriga os pais a irem à escola uma vez a cada dois meses — disse Neri.

Ele lembrou que o cálculo do benefício, que pode chegar a R$ 108 por aluno, leva em conta a escolaridade dos pais, a defasagem idade-série e até se a moradia da família está numa área com ou sem saneamento:

— É para beneficiar aqueles que são os mais pobres dos pobres. Analisamos o impacto dos dois programas na redução da pobreza e vimos que é de 72%. Se levarmos em conta só o Família Carioca, o impacto fica em 46%. Por ano, são gastos R$ 130 milhões.

O levantamento da FGV traçou ainda um retrato dos beneficiados: 80% estão em famílias de três a cinco pessoas; e 42,34% dos responsáveis por essas famílias estão fora do mercado de trabalho. Santa Cruz tem o maior o número de alunos recebendo o Família Carioca.

Segundo Neri, o estudo apontou uma melhora nas notas dos alunos beneficiados em relação aos não contemplados.

— Houve um aumento de 20 décimos nos três primeiros bimestres após a implementação do Família Carioca. Foram avaliados alunos que estão no primeiro ciclo do ensino fundamental, e eles tiveram notas melhores em matemática e ciências. No entanto, em português não houve mudança.

Ainda segundo a pesquisa, mesmo privilegiando os mais pobres, o programa tem deixado de lado uma parcela significativa da população: os órfãos.

— Vamos fazer uma proposta à Secretaria municipal de Educação. A ideia é que o programa tenha uma busca ativa nas escolas, já que o cadastro de todos os alunos existe. Vimos que 20% dos estudantes não beneficiados não moram com as mães, e isso é indicativo de pobreza — disse ele.

01/12/2011 - 16:57h Ofrecen becas universitarias a jóvenes peruanos en Brasil

45 becas serán las otorgadas por la Universidad Federal de Integración de América Latina (UNILA)

45 becas serán las otorgadas por la Universidad Federal de Integración de América Latina (UNILA)

Interesados deben ser mayores de edad y ser egresados de educación secundaria.

Los jóvenes peruanos podrán postular hasta el 17 de enero del 20112 a becas de estudios universitarios en Brasil, de acuerdo a la Oficina de Becas de Estudio del Ministerio de Educación.

45 becas serán las otorgadas por la Universidad Federal de Integración de América Latina (UNILA), las cuales, cubrirán los gastos de alojamiento, alimentación, transporte local (dentro de ese país), apoyo pedagógico, asistencia de salud, entre otros.

Los interesados podrán acceder a una beca para estudiar biología, ciencias políticas, ciencias económicas, ingeniería de energía renovable, ingeniería civil, relacionares internacionales, antropología, letras, artes visuales, entre otras. De acuerdo a María Bazán, jefa de la Oficina de Becas y Crédito Educativo (OBEC) los jóvenes interesados deben tener más de 18 años de edad, ser egresados de educación secundaria, y contar con un promedio académico de 16 para poder inscribirse en la convocatoria.

Es necesario presentar además la partida de nacimiento para extranjería, certificado de antecedentes policiales y firmar el compromiso que asume el becario para la concesión de asistencia estudiantil del Gobierno de la República del Brasil.

Los interesados pueden llamar al 612 8282 – 612 8283 o ingresar a la página web ministerial: www.minedu.gob.pe. (Con información de Andina)

01/12/2011 - 09:00h Governo deve aceitar aumento dos recursos para educação

Vanhoni: “Não há clivagem político-partidária em questões educacionais”

VALOR

O Palácio do Planalto sinalizou ontem aceitar que o projeto do Plano Nacional de Educação (PNE) que será lido hoje na comissão especial que discute o tema na Câmara dos Deputados faça a indicação de que o percentual do PIB a ser investido na educação seja de 8%.

O índice foi acordado após encontro que reuniu o ministro da Educação, Fernando Haddad; o da Fazenda, Guido Mantega; das Relações Institucionais, Ideli Salvatti; e a da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A equipe econômica ficou de dar o aval ao relator do PNE na comissão, Angelo Vanhoni, hoje pela manhã antes da sessão em que ele apresentará seu relatório.

Caso isso se confirme, resolve-se um impasse entre Haddad e Mantega sobre esse percentual. Pré-candidato a prefeito de São Paulo nas eleições de 2012, Haddad atuou para que o Congresso ampliasse o índice de 7% previsto no texto encaminhado pelo Executivo em 2010. Queria, assim, ter mais um item a ser apresentado como bandeira na disputa eleitoral. Para tanto, juntou-se a representantes históricos do PT na área educacional.

Caso do relator do projeto na comissão, Angelo Vanhoni (PT-PR), que trabalhou inicialmente com um valor de 8,29%, tendo por base estudos da consultoria legislativa da Câmara. A equipe econômica se viu contrariada e forçou os 7%, sob o argumento de que é bem maior do que os atuais 5% já direcionados à área pelo governo.

Diante do impasse, o Palácio do Planalto convocou a reunião de ontem. Sua preocupação era de que a indefinição tornasse inviável até mesmo a aprovação do projeto em 2012, por se tratar de um ano eleitoral em que a maior parte dos debates no Congresso acabam contaminados pelo clima político. Ainda mais ao se considerar que Haddad é candidato no maior colégio eleitoral do país, estratégico para todos os partidos, da base e da oposição.

A mesma preocupação foi manifestada ontem pelos deputados da comissão. “Em todos os assuntos educacionais aqui no Congresso nunca houve clivagem político-partidária, caso do Fundeb e do piso salarial nacional dos professores. Sempre foi consenso. Precisamos mostrar isso agora também, para evitar que ano que vem o debate seja contaminado pelas eleições”, afirmou Vanhoni.

Ele foi um dos parlamentares do PT que tentaram ontem sensibilizar Mantega. Junto com a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), afirmaram que os 7% são um avanço, mas que era preciso ousar mais. “Quando o governo definiu o índice dele foi á luz das metas que eles colocaram. Mas acontece que ampliamos essas metas aqui e por isso nossa conta é maior, porque as metas nossas são maiores”, afirmou Fátima.

Dentre essas ampliações, estão sugestões de grande apelo político e antigas reivindicações do setor educacional, como a que “iguala o rendimento médio do profissional do magistério aos dos demais profissionais com escolaridade equivalente”, de autoria da própria deputada, avalizada por Haddad. O texto anterior do governo falava em uma aproximação desses valores. Outro exemplo: triplicar, e não duplicar, as metas de educação profissional. Segundo Vanhoni, cada 1% a mais representa um acréscimo de R$ 40 bilhões para a educação nos próximos anos. Motivo porque Mantega se opunha a proposta.